Machado de Assis vai à missa

José Murilo de Carvalho*

Bendito o olhar de lince de Andrea Wanderley, que identificou o rosto de Machado de Assis na foto de Antônio Luís Ferreira da missa celebrada em 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, em ação de graças pela passagem da lei do dia 13 desse mês que abolira a escravidão no Brasil.

A foto está disponível no portal Brasiliana Fotográfica, fantástica iniciativa da Biblioteca Nacional em parceria com o Instituto Moreira Salles. Outras figuras são identificáveis, além, naturalmente, da princesa Isabel e do conde d’Eu. O presidente do Conselho de Ministros do Gabinete conservador que fez passar a lei, João Alfredo Correia de Oliveira, está à direita de Isabel, um pouco abaixo.

Os responsáveis pelo portal veem José do Patrocínio à frente do grupo, segurando a mão do filho. Ampliando o foco, deverão aparecer outros políticos e outros militantes da causa abolicionista. Nabuco não foi à missa, mas André Rebouças, quase íntimo da família imperial, estava lá. Também certamente estavam seus companheiros da Confederação Abolicionista, com quem se fizera fotografar na véspera, acompanhados de Ângelo Agostini, João Clapp, presidente da Confederação, Taunay,  grande amigo de Rebouças, Silveira da Mota, filho, Quintino Bocaiúva… Dezenas de outros certamente também estavam presentes e podem ser, eventualmente, identificados.

A escravidão no Brasil foi bastante fotografada, mas a abolição, sobretudo a semana de 13 a 20 de maio, nem tanto, mesmo na capital onde havia muitos fotógrafos.  A razão disso não sei. É quase total a ausência de fotos fora da Corte (há apenas duas), quando se sabe que as festividades ganharam todo o país. Mas a consequência disso é que os poucos registros até agora descobertos, umas 25 fotos, ganham extraordinária importância. E o destaque vai todo para Antônio Luiz Ferreira, autor das 15 fotos com que presenteou Isabel. Sua foto mais espetacular é, sem dúvida, a da sessão da Câmara do dia 10 de maio, quando foi aprovado o projeto da abolição. A foto mais curiosa é a de Luís Stigaard, tirada na colônia Isabel, no Rio Grande do Sul. Retrata dezenas de colonos, imigrantes europeus, disciplinadamente organizados em filas, comemorando a abolição, em contraste com a exuberância das celebrações na capital do Império.

Mas o registro importante hoje é a descoberta de que Machado foi à missa. Não era pessoa de frequentar igrejas. Também não apreciava manifestações multitudinárias. Mas a essa missa, a esse ajuntamento de milhares de pessoas, ele compareceu e fica claro na foto seu esforço para aparecer, prensado entre duas robustas figuras uniformizadas. Anos depois, em crônica (Gazeta de Notícias, 14/5/1893), ele anotou sobre o 13 de maio,  “Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”. A missa foi continuação do delírio e é muito bom saber que o tímido, circunspecto e cético Machado estava lá.

[Ver sobre o assunto, Pedro e Bia Corrêa do Lago, Coleção Princesa Isabel. Fotografia do Século XIXRio de Janeiro: Capivara, 2008.]

Acessando o link para a fotografia Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil produzida  Antônio Luiz Ferreira,  disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

*Natural de Minas Gerais, José Murilo de Carvalho é bacharel em Sociologia e Política (Universidade Federal de Minas Gerais) e doutor em Ciência Política (Stanford University). Foi professor na UFMG e na Universidade Federal do Rio de Janeiro e  professor visitante nas universidades de Stanford, California-Irvine, Notre Dame (Estados Unidos), Leiden (Holanda), London e Oxford (Inglaterra) e maître de conférence  na École des Hautes Études en Sciences Sociales (França). Foi pesquisador visitante do Institute for Advanced Study de Princeton. É professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Brasileira de Letras. Em  2015 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra. É autor de vários livros, entre os quais A construção da ordem e Teatro de sombras (Civilização Brasileira, 2003); Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi (Cia. das Letras, 1987); A formação das almas: o imaginário da República (Cia. das Letras, 1990); Cidadania no Brasil: o longo caminho (Civilização Brasileira, 2001, 2013) e D. Pedro II, ser ou não ser (Cia. das Letras, 2oo7).

Militão Augusto de Azevedo (RJ, 18 de junho de 1837 – SP, 24 de maio de 1905)

Militão Augusto de Azevedo. Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1887. São Paulo

Militão Augusto de Azevedo. Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1887. São Paulo / Acervo IMS

“…como Verdi despedindo-se da música escreveu o seu “Otello”, eu quis despedir-me da photografia fazendo o meu. É um álbum comparativo de São Paulo de 1862 e 1887. Parece-me um trabalho útil e talvez o único que se tem feito em photografia pois ninguém tem tido a pachorra de guardar clichês de 25 anos. Tenho trabalhado muito e creio que nada farei. Conheces o meu gênio: não sirvo para pedir”.

Foi assim, com um tom quase poético, que revela sua alma de artista, que o fotógrafo carioca Militão Augusto de Azevedo, numa carta a um amigo chamado Portilho, referiu-se, em 1º de junho de 1887, ao seu  Álbum Comparativo

Um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, Militão foi um dos precursores da documentação da cidade de São Paulo. O Álbum Comparativo comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887, sua obra-prima, foi o primeiro realizado com o objetivo de mostrar as mudanças ocorridas na capital paulista, devido ao progresso. O álbum evidencia o valor que Militão dava à fotografia como documento de época inserido em projeto artístico que sugere um passeio pela cidade no período de 1862 a 1887. O trabalho do fotógrafo muito contribuiu para a formação da imagem moderna de São Paulo.

A obra é formada por 60 fotografias – tomadas parciais de ruas, largos e prédios públicos e algumas vistas panorâmicas, todas coladas sobre cartão impresso. Dezoito delas são pares comparativos que criam uma atmosfera do antes e do depois. Feitas a partir de tomadas simples, que privilegiam a cidade construída, as fotos foram produzidas utilizando-se o processo negativo do colódio úmido. Sobre a técnica e as características das fotografias de Militão, Sergio Burgi escreveu o artigo “Composição em preto-e-branco. Os panoramas de 360º de Militão Augusto de Azevedo”(in São Paulo 450 Anos. Caderno de Fotografia Brasileira, volume 2, do Instituto Moreira Salles).

Militão mostrou com suas fotografias uma grande mudança na paisagem paulistana no período em que São Paulo foi palco de grandes transformações ocasionadas por intensa expansão urbana. Capital da província, a cidade abrigava a Faculdade de Direito, que atraia jovens de todo o Brasil, o que criou novas demandas como a realização de eventos culturais e a inauguração de teatros como o São José, em 1864. Bairros, ruas e avenidas surgiam no lugar de chácaras e sítios. A cidade crescia e com isso foram inaugurados os hotéis Itália, Europa e Globo, além de confeitarias e casas comerciais. O primeiro mercado de São Paulo, conhecido como Mercado dos Caipiras, foi criado em 1867 . Houve também a multiplicação de estradas de ferro, a expansão cafeeira e a imigração europeia. Na imprensa, o “Correio Paulistano” consolidava-se e Ângelo Agostini fundava os jornais humorísticos “Diabo Coxo”(1864) e “O Cabrião”(1866). A população da cidade em 1883 era de 35 mil pessoas e, em 1887, chegou a cerca de 47 mil. De cidade provinciana, São Paulo passou a ser a metrópole do café.

Provavelmente, foi em uma viagem à Europa, em 1886, que Militão percebeu a viabilidade comercial da venda, no mercado brasileiro, de fotografias de aspectos da cidade. Como havia preservado os negativos de 1862, decidiu fazer o Álbum Comparativo. Numa carta de 21 de janeiro de 1887 ao amigo Anatole Louis Garraux, na ocasião já residente na França e que havia sido proprietário da popular Livraria Garraux durante anos estabelecida em São Paulo, Militão escreveu: “Rogo-lhe o obséquio de me remeter o mais depressa possível a encomenda constante da nota junta; estou fazendo um trabalho, que julgo ser muito importante e talvez pouco rendoso. É um álbum comparativo de São Paulo antigo e moderno. Tenho os clichês de 1862 e estou fazendo os comparativos atuais“ .

O álbum demorou a ficar pronto e sobre isto um Militão desapontado escreveu ao ator e amigo Jacinto Heller, em 25 de julho de 1887: “eu ainda estou com o maldito álbum que, se nesses quinze dias ficar pronto, devo estar aí em setembro”. No dia 11 de agosto de 1887, no jornal “A Província de São Paulo”, primeiro nome do atual “O Estado de São Paulo”,  o álbum era anunciado, acompanhado do artigo “A Velha e a Nova Cidade de São Paulo:

“Vimos um álbum comparativo da cidade de S. Paulo em 1862 e 1887, trabalho da PHOTOGRAPHIA  AMERICANA, do sr. Militão, nesta capital. Aí figuram bairros, ruas, praças, jardins e edifícios com a sua cor local de 1862 e depois com a de 1887. É o progresso de São Paulo fotografado. O interessante trabalho do sr. Militão, que é por sua vez atestado do progresso de sua arte, traz-nos as recordações de outros tempos, da simplicidade dos costumes, do pouco luxo das edificações, mas também da falta de comodidade e de atividade industrial da velha cidade. O confronto é agradável e útil comparado com as estatísticas, o álbum de vistas fotográficas do sr. Militão tem um grande valor para se verificar o progresso da província, medido pela transformação da capital nos últimos 25 anos. O Álbum que temos entre as mãos não é somente um entretenimento para os que desejam passar alguns minutos e ver as alterações da cidade em suas velhas construções e esburacadas e mal calçadas ruas e praças; é mais que isso: tem o mérito de proporcionar a todos nós, os homens de hoje,um estudo real da cidade de São Paulo. Para nós, o trabalho do sr. Militão vale mais como fonte de estudo para a formação de uma opinião favorável ao engrandecimento da província do que como obra de arte. Não quer isto dizer que o trabalho artístico  não tenha mérito e que, apreciado por essa face, não seja melhor julgado por outros. E, de fato, o tem. Aplaudimos a obra o laborioso e inteligente artista que de tal forma concorre para a verificação do progresso da capital da província. Em nosso escritório acha-se uma lista para aquelas pessoas que desejarem assinar o Álbum”.

Apesar de sua importância histórica, o álbum foi um fracasso comercial e poucos foram comercializados. Sobre isto Militão escreveu a Gavreaux, em 7 de dezembro de 1887: “Muito pouco se vende e é preciso pedir pelo amor de Deus aos fregueses e ainda para eles pagarem quando quiserem. Isto está futricado, como o amigo sabe tão bem quanto eu”.

Como o álbum não era assinado, Militão caiu no esquecimento, mas suas fotos foram ficando famosas ao longo do século XX devido à publicação de álbuns e livros ilustrados por elas, porém sem crédito ao autor. Muitos dos quadros pintados pelo importante artista plástico Benedito Calixto(1853-1927) para a comemoração do Centenário da Independência foram baseados em fotos de Militão. As pinturas foram encomendadas por Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 – 1958), na época diretor do Museu Paulista. Na década de 1930, o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, na ocasião responsável pela Seção de Iconografia do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, e o historiador Nuto Santana organizaram, catalogaram e identificaram os negativos de vidro de Militão, que haviam sido reproduzidos pelo fotógrafo Aurélio Becherini, em 1914.

Em 1946, foi publicado na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o ensaio de Gilberto Ferrez “A fotografia no Brasil e um dos seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez(1843-1923)”. No artigo, considerado um marco na história da fotografia no Brasil, Ferrez destacou a obra de Militão. Na década de 1950, na ocasião da comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, foi editada uma série de cartões-postais com fotos do Álbum Comparativo sem crédito, no entanto, para o autor, Militão. Também sem indicação de autoria, em 1953, foram publicadas dezenas de fotografias de Militão numa série de três livros “São Paulo Antigo – São Paulo Moderno”, da editora Melhoramentos.

Foi no início da década de 70, quando a professora Ilka Brunhilde Laurito identificou um álbum com as vistas e outro com cartes de visite levadas por uma tetraneta de Militão para o colégio, que a obra do fotógrafo renasceu. Ilka Brunhilde Laurito escreveu então um artigo para o Suplemento Literário do jornal “O Estado de São Paulo”, de 31 de dezembro de 1972, intitulado “O século XIX na fotografia de Militão”, e chamou a atenção de historiadores e pesquisadores.

Em 1973, Pietro Maria Bardi e Boris Kossoy organizaram no Museu de Arte de São Paulo, a 1ª Exposição da Fotografia Brasileira. Nela foi exposta uma série de retratos e imagens do álbum. Dois anos depois, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo publicou o catálogo da exposição “Memória Paulistana”, organizada por Rudá de Andrade, destacando a obra de Militão. Em 1976, o trabalho do fotógrafo internacionalizou-se quando imagens de seus retratos e do Álbum Comparativo foram incluídas na exposição e no livro “Pioneer Photographers of Brazil”, realizados no Inter-American Relations, em Nova York. Em 1978, Boris Kossoy escreveu sua tese de mestrado sobre o fotógrafo, “Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887); recuperação da cena paulistana através da fotografia”. Em 1981, seu bisneto, Ruy Brandão Azevedo, coordenou a mostra “Fotografia: Arte e Uso”, no Museu de Arte de São Paulo, com cópias do Álbum comparativo restauradas por João Sócrates de Oliveira. No mesmo ano, foi lançado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo o Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862-1887: Militão Augusto de Azevedo, de Benedito Lima de Toledo, Boris Kossoy e Carlos Lemos.

A obra de Militão, além de fotografias de aspectos urbanos e do interior, inclui também com um grande número de retratos para a produção de cartes de visite tanto de anônimos como de pessoas importantes na história do Brasil, como, por exemplo, Joaquim Nabuco, Castro Alves e Rui Barbosa. Foram 12.500 mil pessoas retratadas, entre 1876 e 1886, cerca de um terço da população de São Paulo na época. Esses retratos formam um verdadeiro compêndio visual de documentação de todo o arco da sociedade paulistana e brasileira da época. Militão também realizou os álbuns de vistas de São Paulo(1862), de Santos(1864-65) e da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí(1868).  Além disso, preservou um Livro Copiador de Cartas enviadas por ele entre 1883 e 1902, com mais de 400 páginas de cópias de cartas pessoais e profissionais, recibos, cobranças, balanços e notas sobre a importação de material fotográfico.

O trabalho de Militão Augusto de Azevedo é precioso para o estudo da sociedade e da cidade de São Paulo no século XIX, uma referência para historiadores, fotógrafos e estudiosos.

Veja e explore com as ferramentas de zoom todas as fotografias de Militão disponíveis na Brasiliana Fotográfica

Cronobiografia de Militão Augusto de Azevedo

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Militão Augusto de Azevedo fotografado por A. Liébert. Photographie Americaine / Acervo IMS

1837 – Em 18 de junho, nascimento de Militão Augusto de Azevedo, no Rio de Janeiro, filho de Antonio Ignácio de Azevedo e Lauriana Augusto de Azevedo.

1858-1860 – No Rio de Janeiro, Militão trabalha como cantor lírico (Correio da Tarde, de 3 de setembro de 1858)  e também como ator na Companhia Teatral Joaquim Heliodoro.

1860 – No Rio de Janeiro, integra a companhia do Gymnasio, denominada Sociedade Dramática Nacional (Entreacto, 15 de setembro de 1860).

1862 - Em 21 de junho,  nascimento de Luiz Gonzaga de Azevedo, seu filho com a atriz Benedita Maria dos Santos Pedroso, com quem vivia. Conforme noticiado no Diário do Rio de Janeiro de 11 de agosto, participa da reunião que decide criar o Monte-Pio dos Artistas Dramáticos. Vai com a família para São Paulo como ator da Sociedade Dramática Nacional  para participar da estreia da peça “Luxo e vaidade”, de Joaquim Manoel de Macedo, que aconteceu em 29 de novembro (Correio Paulistano, 27 de novembro de 1862). Militão tira cerca de 90 fotografias de São Paulo. Segundo Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 – 1958), no livro “Velho São Paulo”(1954), até 1860, data que nos aparece a providencial série de fotografias, aliás, ótimas de Militão de Augusto de Azevedo, os arrolamentos de peças de iconografia paulistana mantêm-se insignificantes. Realiza o Álbum de vistas de São Paulo 1862, com trinta dessas fotos. Muitas serão utilizadas no trabalho que publicaria em 1887, o Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887.  Inicia seu trabalho como fotógrafo por volta deste ano, ou no ano seguinte, com Joaquim Feliciano Alves Carneiro e Gaspar Antonio da Silva Guimarães, proprietários do estúdio Carneiro & Gaspar, cuja matriz localizava-se no Rio de Janeiro, na rua Gonçalves Dias, 60. Em São Paulo, o estabelecimento ficava na rua do Rosário, 38. Depois o estúdio transferiu-se para a rua da Imperatriz, 58.

1863 – Em 26 de agosto realiza-se o espetáculo Recordações da Mocidade, em benefício de Militão, conforme noticiado na edição do Correio Paulistano de 25 de agosto. Na edição de 22 de outubro do mesmo jornal foi publicado o anúncio do Álbum de vistas de São Paulo 1862, destinado sobretudo aos estudantes de Direito que “terão assim uma recordação agradável da cidade onde passarão talvez a melhor época da vida”.

1864 a 1885 – Realiza dois álbuns importantes de vistas: o Álbum de Santos e o Álbum da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Militão cataloga cerca de 12.500 retratos.

1868 – Vai ao Rio de Janeiro para estudar novos métodos de fotografia (Ypiranga, de 19 de fevereiro de 1868).

1870 – Nascimento de seu primeiro filho, Francisco de Paula Azevedo, com sua nova companheira Maria Affonso das Dores.

1871 - Nascimento de seu segundo filho com Maria Affonso das Dores, Francisco Militão Affonso de Azevedo.

1872 – Militão fica viúvo e sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo, se encarrega da criação de seus filhos.

1875 – Participa da IV Exposição Nacional com uma coleção de vistas de São Paulo. Com a morte de Gaspar Antonio da Silva Guimarães, Militão, que era sócio-gerente da Photographia Acadêmica, torna-se seu proprietário (Correio Paulistano, 25 de novembro de 1875). Rebatizou o estúdio com o nome de Photographia Americana. Uma curiosidade: no período de transição, nas cartes de visite do estabelecimento, o fotógrafo improvisou, apagando o antigo nome e o endereço no Rio de Janeiro e carimbando a nova denominação.

1878 – Viagem a Europa para estudar os aperfeiçoamentos da arte fotográfica. A fotografia de Militão que ilustra esta cronologia foi tirada durante essa viagem por A. Liébert, no estudio Photographie Americaine, em Paris, e enviada de presente a sua mãe. A Photographia Americana ficou sob a responsabilidade do fotógrafo e pintor retratista Caetano Ligi, que trabalhava no estúdio.

1885 – Em 7 de agosto, falecimento de sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo. Em 31 de dezembro, Militão encaminha um ofício às autoridades municipais informando sobre o  fim da Photographia Americana.

1886 – Militão tenta passar adiante a Photographia Americana, mas não consegue. Reforma e aluga a casa e vende aos poucos o equipamento fotográfico. Sobre isso, escreve a seu amigo, o ator Jacinto Heller, em 5 de abril: “Como deve saber estou hoje vagabundo. Liquidei mal e porcamente a fotografia, fazendo leilão no qual só vendi os trastes (vendi é um modo de dizer porque quase os dei) ficando com tudo de fotografia porque os colegas estão como eu”. Viaja à Europa, na volta, tenta incrementar a venda de vistas avulsas de São Paulo, mas não tem sucesso comercial.

1887 –  Tem a a ideia de montar um álbum de vistas de São Paulo de 1862 e 1887. Retorna então aos mesmos lugares das fotos que havia tirado em 1862 e produz uma nova série de fotografias.  No jornal A Província de São Paulo, do dia 11 de agosto, anúncio da obra-prima de Militão: o Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887 acompanhado do artigo “A Velha e a Nova Cidade de São Paulo. Com sessenta fotografias, 18 pares comparativos e 24 vistas isoladas, foram postos à venda a 50 mil réis por exemplar – até o dia 31 de agosto: depois custariam 70 mil réis.

1888 - Abandona definitivamente a fotografia.

1889- Viagem à Europa. Entre este ano e 1905, volta a viver no Rio de Janeiro, mas em algum momento retorna a São Paulo, possivelmente em 1902, onde vive com seu filho Luiz Gonzaga, um bem sucedido advogado.

1892 – Viagem aos Estados Unidos.

1900 – Viagem à Europa.

1905 – Falecimento de Militão de Augusto de Azevedo, em São Paulo, no dia 24 de maio.

A Brasiliana Fotográfica destaca instituições detentoras de importantes acervos da obra de Militão Augusto de Azevedo: a Biblioteca Mário de Andrade, a Casa da Imagem, o Museu Paulista e o Instituto Moreira Salles.

 

Contribuiu para esta pesquisa Virginia Albertini(IMS).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Bibliografia:

CALDATTTO BARBOSA, Gino; MEDEIROS, de CARVALHO FONTENELLE de, Marjorie; FERRAZ de LIMA, Solange; CARNEIRO de CARVALHO, Vania. Santos e seus arrabaldes: Álbum de Militão Augusto de Azevedo; organização de Gino Caldatto Barbosa, Marjorie de Carvalho Fontenelle de Medeiros, Solange Ferraz de Lima, Vânia Carneiro de Carvalho. São Paulo: Magma Cultural e Editora, 2004. 167 p., il. ISBN 85-98230-02-2.

FERNANDES JUNIOR, Rubens; BARBUY, Heloisa; FREHSE, Fraya. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Cosac Naify, 2012. 220pp.,ils ISBN 978-85-405-0235-2

KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil(1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. ISBN 85-86707-07-4

KOSSOY, Boris. Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887): a
recuperação da cena paulistana através da fotografia. Direção de Antonio Rubbo Müller. São Paulo: [s.n.], 1978. 121 p., il.

LAGO, Pedro Correa do. Militão Augusto de Azevedo: São Paulo nos anos 1860. Dedicatória de Rubens
Fernandes Junior. Rio de Janeiro: Capivara, 2001. v. 2. 263 p., il. (Coleção Visões do Brasil; v. 2). ISBN
8586011479.

LAURITO, Ilka Brunhilde; LEMOS, Carlos A.C.; RODRIGUES, Eduardo de Jesus; MACHADO, Lucio Gomes. São Paulo em Três Tempos – Álbum Comparativo da cidade de São Paulo(1862-1887-1914). Casa Civil / Imprensa Oficial do Estado S.A./ Secretaria da Cultura / Arquivo do Estado. São Paulo, 1982

MAGOSSI, Eduardo; LUQUET, Mara. São Paulo relembrada: Militão, um novo álbum comparativo: 1862-1887 e 2003. São Paulo: JCN, 2003. 147 p., il. ISBN 8585985143.

TOLEDO, Benedito Lima de; KOSSOY, Boris; LEMOS, Carlos. Álbum comparativo da cidade de São Paulo – 1862-1887: Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Secretaria de Cultura, 1981. 53 p.

Site do Instituto Moreira Salles

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

 

Galeria de vistas de Militão Augusto de Azevedo

 

Missa Campal de 17 de maio de 1888

Antonio Luiz Fereira. Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Antônio Luiz Ferreira. Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil, 1888. São Cristóvão, Rio de Janeiro. / Acervo IMS

A Brasiliana Fotográfica identificou a presença de Machado de Assis na fotografia da Missa Campal de Ação de Graças pela Abolição da Escravatura realizada no dia 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O autor da foto foi Antônio Luiz Ferreira.

A identificação de Machado de Assis foi confirmada por Eduardo Assis Duarte, doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (USP) e professor da Faculdade de Letras da UFMG , que considerou a fotografia um documento histórico da maior importância. Segundo ele, Machado de Assis teve uma “atitude mais ou menos esquiva na hora da foto, em que praticamente só o rosto aparece, dando a impressão de que procurou se esconder, mas sem conseguir realizar sua intenção totalmente. Atitude esta plenamente coerente com o jeito encolhido e de caramujo que sempre adotou em público, uma vez que dependia do emprego público para viver e eram muitas as perseguições políticas aos que defendiam abertamente o fim da escravidão.”

Eduardo Assis Duarte, que organizou “Machado de Assis afrodescendente” (2007) e a coleção “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica” (2011, 4 vol.), e é coordenador do Literafro – Portal da Literatura Afro-brasileira, justificou a proximidade de Machado da princesa Isabel. Segundo ele, “Machado foi abolicionista em toda a sua vida e, a seu modo, criticou a escravidão desde seus primeiros escritos. Nunca defendeu o regime servil nem os escravocratas. Além disso, era amigo próximo de José do Patrocínio, o grande líder da campanha abolicionista e, junto com ele, foi à missa campal do dia 17, de lá saindo para com ele almoçar… Como Patrocínio sempre esteve próximo da princesa em todos esses momentos decisivos, é plenamente factível que levasse consigo o amigo para o palanque onde estava a regente imperial. A propósito, podemos ler no volume 3 da biografia escrita por Raimundo Magalhães Júnior :

‘Na manhã de 17 de maio, foi promovida uma grande missa campal, comemorativa da Abolição, em homenagem à Princesa Isabel, que compareceu, e houve em seguida um almoço festivo no Internato do Colégio Pedro II. Terminada a missa, José do Patrocínio foi para sua casa, à rua do Riachuelo, com dois amigos que convidara para almoçar em sua companhia: um deles era Ferreira Viana, ministro da Justiça do Gabinete de João Alfredo. E o outro era Machado de Assis, a quem, aliás, o grande tribuno abolicionista oferecera a carta autógrafa que recebera, em 1884, em Paris, de Victor Hugo.’ (MAGALHÃES JÚNIOR, Vida e obra de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / INL-MEC, 1981, vol. 3, Maturidade, p. 125).”

O biógrafo, continua Eduardo Assis Duarte, “não diz onde estava Machado durante a missa, mas pode-se concluir perfeitamente que ele compareceu e que estava junto a José do Patrocínio. Daí minha conclusão: se a imagem que aparece na foto não for de Machado, é de alguém muito parecido.”

Segundo Ubiratan Machado, jornalista, escritor, bibliófilo e autor do “Dicionário de Machado de Assis”, lançado pela Academia Brasileira de Letras, a identificação de Machado de Assis na foto foi uma dupla descoberta: “Não há dúvida que se trata do Machado, atrás de um senhor de barbas brancas e mil condecorações no peito. O fato do seu rosto estar um pouco escondido não atrapalha em nada a identificação. É o velho mestre, perto de completar 50 anos. Igualzinho aos dos retratos que conhecemos desta fase de sua vida.  A segunda revelação é a de Machado ter ido à missa de ação de graças, fato até hoje desconhecido pelos biógrafos. A foto tem ainda outra importância: mostrar que ele se preocupava com a libertação dos escravos, acabando de vez com a idiotice de alguns que afirmam ser ele indiferente ao destino da raça negra no Brasil. É a prova visual da alegria embriagadora que ele sentiu com a abolição, como narra em seu conhecido depoimento (Gazeta de Notícias, edição de 14 de maio de 1893).

Machado de Assis participou também, no dia 20 de maio de 1888, do préstito organizado pela Comissão de Imprensa para celebrar a Abolição. Na ocasião, ele desfilou no carro do fundador da Gazeta de Notícias, o Sr. Ferreira de Araújo (Gazeta de Notícias, edição de 21 e 22 de maio de 1888) .  Antes dessas festividades, Machado havia sido agraciado com a Imperial Ordem da Rosa, que premiava civis e militares que houvessem se destacado por serviços prestados ao Estado ou por fidelidade ao imperador.

 

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Detalhe da foto

A Brasiliana Fotográfica convida os leitores a participar do desafio de identificar outras personalidades presentes na foto da solenidade. Abaixo, destacamos na foto e em sua silhueta o grupo em torno da princesa Isabel (1) e do conde D’Eu (2). Machado de Assis é o número 5. Possivelmente o número 7 é José do Patrocínio, atrás de um estandarte e segurando a mão de seu filho, então com três anos. Quem serão os outros?

 

MISSA 2

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Numeramos alguns dos presentes, mas a identificação de qualquer pessoa que esteja na fotografia é bem-vinda.

Um pouco da história da foto

A Missa Campal em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 17 de maio de 1888, foi uma celebração de Ação de Graças pela libertação dos escravos no Brasil, decretada quatro dias antes, com a assinatura da Lei Áurea. A festividade contou com a presença da princesa Isabel, regente imperial do Brasil, e de seu marido, o conde D´Eu, príncipe consorte, que, na foto, está ao lado da princesa, além de autoridades e políticos. De acordo com os jornais da época, foi um “espetáculo imponente, majestoso e deslumbrante”, ocorrido em um “dia pardacento” que contrastava com a alegria da cidade.

Cerca de 30 mil pessoas estavam no Campo de São Cristóvão. Dentre elas, o fotógrafo Antônio Luiz Ferreira que há muito vinha documentando os eventos da campanha abolicionista brasileira desde suas votações e debates até as manifestações de rua e a aprovação da Lei Áurea. Não se conhece um evento de relevância nacional que tenha sido tão bem fotografado anteriormente no Brasil. No registro da missa campal é interessante observar a participação efetiva da multidão na foto, atraída pela presença da câmara fotográfica, o que proporciona um autêntico e abrangente retrato de grupo. Outra curiosidade é a cena de uma mãe passeando com seu filho atrás do palanque, talvez alheia à multidão, fazendo um contraponto de quietude à agitação da festa.

Antônio Luiz Ferreira presenteou a princesa Isabel com 13 fotos de acontecimentos em torno da Abolição.  Essas fotos fazem parte da Coleção Princesa Isabel que se encontra em Portugal, conservada por seus descendentes. Além desses registros, Ferreira tirou duas fotos das duas missas realizadas em ação de graças pela Abolição. Uma delas, a principal,  intitulada “Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil”, é a que está aqui destacada e faz parte da Coleção Dom João de Orleans e Bragança. A outra missa foi celebrada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos. Outros três registros foram feitos por Ferreira no dia 22 de agosto de 1888 e documentaram o retorno do imperador Pedro II ao Brasil. Também foram ofertados à princesa Isabel.

Ao todo, Antônio Luiz Ferreira fotografou 18 cenas ligadas às celebrações de 1888 e com isso, apesar de ter tido uma carreira discreta, tornou-se um importante fotógrafo do século XIX. As imagens captadas por ele nessas datas tão marcantes da história do Brasil caracterizam-se pela expressividade dos rostos retratados, decorrência da relevância do fato e da fascinação causada pela câmara fotográfica.

Acessando o link para a fotografia Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da Escravatura no Brasil produzida  Antônio Luiz Ferreira,  disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

Contribuíram para esta pesquisa Elvia Bezerra (IMS) e Luciana Muniz (BN).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Dia da Abolição da Escravatura

Marc Ferrez. Escravos na colheita de café, c. 1882. Vale do Paraíba, RJ.

Marc Ferrez. Escravos na colheita de café, c. 1882. Vale do Paraíba, RJ / Acervo IMS

A escravidão no Brasil foi amplamente documentada pelos fotógrafos do século XIX. Contribuíram para isto o fato de ter a fotografia chegado cedo ao país, em 1840, sendo o imperador Pedro II um grande entusiasta, além de ter sido o último país das Américas a abolir a escravatura, em 1888. Por cerca de 350 anos, o Brasil – destino de 4,5 milhões de escravos africanos – foi o maior território escravagista do Ocidente, mantendo este sistema tanto no campo como na cidade – o lugar de trabalho era o lugar do escravo.

Muitas vezes o objetivo das fotografias não era a denúncia e sim o estético ou, ainda, o registro do exótico. A Galeria do Dia da Abolição da Escravatura exibe fotos de escravos em situações de trabalho, em momentos de descanso ou mesmo em poses obtidas em estúdios. São imagens apaziguadoras da escravidão e das várias funções dos escravizados. Dentre seus autores estão Alberto Henschel, Augusto Riedel, Augusto Stahl, George Leuzinger, João Goston, Marc Ferrez , Revert Henrique Klumb, além de alguns anônimos.

As fotos revelam uma representação naturalizada da escravidão, deixando a impressão de que seria normal a posse de homens por outros homens, o que fica evidenciado pela venda dessas imagens para o exterior como um produto exótico de um país tropical distante. Porém, percebe-se em não poucas dessas fotografias, segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, que “mais do que propriedades ou figurantes com papéis prévia e exteriormente demarcados, os escravizados negociam efetivamente nos registros fotográficos, nos pequenos sinais que deixaram no tempo e na imagem, seu lugar e condição”.

A Abolição da Escravatura foi o acontecimento histórico mais importante do Brasil após a Proclamação da Independência, em 1822. No dia 13 de maio de 1888, após seis dias de votações e debates no Congresso, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que decretava a libertação dos escravos no país. Sobre este dia, Machado de Assis escreveu anos depois na coluna “A Semana”, no jornal carioca Gazeta de Notícias“Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”. Até hoje se manifestam as consequências sociais e culturais da longevidade e do alcance da escravatura no Brasil.

Além da Galeria do Dia da Abolição da Escravatura, estão disponíveis os links para os jornais O Paiz e Gazeta de Notícias, de 14 de maio de 1888, anunciando a Lei Áurea, e para vídeos em que a antropóloga Lilia Schwarcz analisa várias fotos de escravos.

O Paiz –  Edição de 14 de maio de 1888

A Gazeta de Notícias –  Edição de 14 de maio de 1888

Vídeos com comentários da antropóloga Lilia Schwarcz

Galeria do Dia da Abolição da Escravatura

 

Dia do Trabalho

Marc Ferrez. Primeira foto do trabalho no interior de uma mina de ouro, 1888. MG

Marc Ferrez. Primeira foto do trabalho no interior de uma mina de ouro, 1888. MG / Acervo IMS

O Dia do Trabalho é festejado no Brasil desde 1895, quando foi realizada a primeira comemoração da data que se tem registro no país, por iniciativa do Centro Socialista de Santos, em São Paulo. Mas sua celebração só foi oficializada pelo governo brasileiro em 26 de setembro de 1924 a partir do Decreto número 4.859 sancionado pelo então presidente Arthur Bernardes (1875-1955).  Em seu artigo único declarava “feriado nacional o dia 1 de maio, consagrado à confraternidade universal das classes operárias e à comemoração dos mártires do trabalho; revogadas as disposições em contrário”.  A data tem sua origem numa homenagem aos trabalhadores de Chicago que, em 1º de maio de 1886, iniciaram uma série de manifestações por melhores condições de trabalho e especialmente por uma jornada de trabalho de 8 horas. Em 1889, durante uma reunião da Segunda Internacional Socialista, em Paris, a data foi estabelecida.

Para lembrar o Dia do Trabalho a Brasiliana Fotográfica criou uma galeria com diversos registros de trabalhadores no Brasil do século XIX e do início do século XX. São fotos de Augusto Riedel (1836 – ?)Georges Leuzinger (1813 – 1892), Guilherme Gaensly (1843 – 1928), Henrique Rosen (?-1892), Marc Ferrez (1843 – 1923)Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e Vicenzo Pastore (1865 – 1918), além de trabalhos de fotógrafos anônimos. A galeria contempla trabalhadores rurais e urbanos, trazendo, por um lado, um pouco da história cotidiana brasileira e, por outro, registros do mundo do trabalho na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX que ajudam a contextualizar as transformações objetivas e subjetivas que modificaram significativamente as relações sociais, econômicas e políticas no país no período.

Links para as notícias da comemoração do primeiro feriado de 1º de maio no Brasil:

O Paiz – Edição de 02/05/1925

Jornal do Brasil – Edição de 02/05/1925

Galeria do Dia do Trabalho