Princesa Isabel (RJ, 29 de julho de 1846 – Eu,14 de novembro de 1921)

Joaquim Insley Pacheco. Princesa Isabel menina, c.1863. Rio de Janeiro / Acervo IMS

Joaquim Insley Pacheco. Princesa Isabel menina, c. 1863. Rio de Janeiro / Acervo IMS

Ao longo de sua vida, a princesa Isabel foi retratada por diversos e destacados fotógrafos do século XIX. A Brasiliana Fotográfica reuniu alguns desses registros, feitos por Revert Henrique Klumb, Joaquim Insley Pacheco, Marc Ferrez, Henschel e Benque e por anônimos, criando para seus leitores a Galeria de Fotos da Princesa Isabel.

Por ter assinado a Lei Áurea, ela ficou conhecida como A Redentora. Filha do imperador Dom Pedro II, um entusiasta da fotografia, e da imperatriz Thereza Christina, formou com seu marido, o conde D´Eu, uma coleção de fotografias, que se encontra na Europa e representa um importante acervo iconográfico do oitocentos no Brasil. Fazem parte da coleção fotografias de Marc Ferrez, George Leuzinger, Augusto Stahl, Victor Frond, Alberto Henschel e Augusto Riedel, dentre outros, além de imagens das celebrações da abolição da escravatura, em 1888.

 

Galeria de Fotos da Princesa Isabel

Pequena cronobiografia da princesa Isabel

1846 – em 29 de julho, nascimento da princesa Isabel no Paço Imperial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filha do imperador Pedro II e da imperatriz Thereza Christina Maria (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”). Em 15 de novembro, realização do batizado da princesa Isabel, que recebeu o nome de Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaella Gabriella Raphaela Gonzaga. Seus padrinhos foram Dom Fernando II, rei de Portugal, representado por Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, o marquês de Itanhaém; e a Sra. Maria Isabel, rainha viúva das Duas Sicílias, representada por Guilhermina Adelaide Carneiro Leão, a marquesa de Maceió (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de novembro de 1846, na coluna O Diário)

1850 – em 10 de agosto, no Paço do Senado, é proclamada, Herdeira do Trono, pela Assembleia Geral (Correio da Tarde, edição de 9 de agosto de 1850, na primeira coluna, sob o título “Lê-se no Correio Mercantil”).

1860 – em 29 de julho, quando completa 14 anos, a princesa Isabel presta juramento de “manter a religião católica, observar a constituição política do País e ser obediente às Leis e ao Imperador” (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1860).

1864 – em 15 de outubro, casamento da princesa Isabel com Gastão d´Orleans (1842-1922), o conde D´Eu, na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, celebrado por D. Manoel Joaquim da Silveira, arcebispo da Bahia e primaz do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). O escritor Machado de Assis escreve na coluna Folhetim uma calorosa descrição do casamento (Diário do Rio de Janeiro, edição de 17 de outubro de 1864). O casal passa a lua de mel em Petrópolis, de onde retorna no dia 24 de outubro.

1871 – de maio desse ano a março de 1872, a princesa Isabel exerce pela primeira vez a regência do Brasil. Em 29 de julho, ao completar 25 anos, torna-se a primeira senadora do Brasil, conforme estabelecido na Constituição Brasileira de 1824: “Art 46. Os Principes da Casa Imperial são Senadores por Direito, e terão assento no Senado, logo que chegarem á idade de vinte e cinco annos”. Em 28 de setembro, promulga a Lei do Ventre Livre, que concedeu liberdade a todos os filhos de mulheres escravas que nascessem a partir da data de assinatura da lei (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de setembro de 1871).

revista Semana Ilustrada

Ilustração sobre o projeto da Lei do Ventre Livre, da revista Semana Ilustrada, edição de 21 de maio de 1871 / BN Digital

1874 – em 28 de julho, a princesa Isabel dá à luz a uma menina natimorta, Luísa Vitória de Orléans e Bragança (Diário do Rio de Janeiro, edição de 29 de julho de 1874, sob o título “Parte Official”).

1875 – em 15 de outubro, em Petrópolis, nascimento de seu primeiro filho, Pedro de Orléans e Bragança (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1875, sob o título “Diário do Rio”). Ele faleceu em 29 de janeiro de 1940, na mesma cidade em que nasceu.

1876 – de março desse ano a setembro de 1877, a princesa Isabel exerce, pela segunda vez, a regência do Brasil. 

1878 – em 26 de janeiro, nascimento de seu segundo filho, Luis Maria de Orléans e Bragança, em Petrópolis (Diário do Rio de Janeiro, edição de 27 de janeiro de 1878, na segunda coluna). Ele faleceu em Cannes, na França, em março de 1920.

1881 – em 9 de agosto, nascimento, em Paris, de seu terceiro e último filho, Antonio Gastão de Orléans e Bragança (Gazeta de Notícias, edição de 10 de agosto de 1881, na primeira coluna). Ele faleceu em 29 de novembro de 1918, devido a um desastre de avião, em Londres.

1887 – de junho desse ano a agosto de 1888, a princesa Isabel exerce, pela terceira e última vez, a regência do Brasil.

1888 – em 13 de maio, assina a Lei Áurea, que dá fim à escravidão no Brasil (Gazeta de Notícias, edição de 14 de maio de 1888). Por esse ato, em 28 de setembro, recebe a condecoração Rosa de Ouro, concedida pelo papa Leão XIII, tendo sido saudada pelo bispo do Pará (Gazeta de Notícias, edição de 29 de setembro de 1888).

1889 – em 17 de novembro, dois dias após a proclamação da República, a família real parte para o exílio, na Europa (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna).

1921 – em 14 de novembro, morte da princesa Isabel, no Castelo d´Eu, na França (Gazeta de Notícias, edição de 15 de novembro de 1921).

1953 – em 6 de julho, chegada no Rio de Janeiro dos restos mortais da princesa Isabel e os de seu marido, o conde D’Eu (Correio da Manhã, edição de 7 de julho de 1953).

1971 – os restos mortais da princesa Isabel e os de seu marido, o conde D’Eu, são trasladados da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro para a igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos (Correio da Manhã, edição de 11 de maio de 1971) e, finalmente, são sepultados na Catedral de Petrópolis (Correio da Manhã, edição de 14 de maio de 1971).

Link para as fotografias da princesa Isabel na Brasiliana Fotográfica.

Além da pesquisa em diversos periódicos, para a elaboração dessa cronologia, a Brasiliana Fotográfica consultou os livros “A História da Princesa Isabel, amor, liberdade e exílio”, de Regina Echeverria; “As Barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos”, de Lilia Moritz Schwarcz; “O Castelo de Papel”, de Mary del Priori; e “Dom Pedro II”, de José Murilo de Carvalho.

 

Marco no fotojornalimo brasileiro: a seca no Ceará é documentada com fotografias

J.A. Correia. Secca de 1877-78, 1877-1878. Ceará / Acervo FBN

J.A. Correia. Secca de 1877-78, 1877-1878. Ceará / Acervo FBN

Segundo o trabalho “Imagens da Seca de 1877-78 – Uma contribuição para o conhecimento do fotojornalismo na imprensa brasileira”, dos pesquisadores Joaquim Marçal Ferreira de Andrade e Rosângela Logatto, a publicação de fotos de vítimas da maior seca nordestina do século XIX foi uma das iniciativas pioneiras da imprensa brasileira na utilização de fotografias como documentos comprobatórios de um fato (Anais da Biblioteca Nacional, vol 114, de 1994, p.71-83).

Para denunciar a tragédia, o chargista português Rafael Bordalo Pinheiro publicou, em 20 de julho de 1878, em uma ilustração da revista O Besouro, duas fotos que fazem parte de um conjunto de 14 registros fotográficos de vítimas da seca ocorrida entre 1877 e 1878. Porém, não foi dado crédito para o autor das fotos, Joaquim Antonio Corrêa, cujo ateliê ficava em Fortaleza, no Ceará.

Link para O Besouro de 20 de julho de 1878, ano I, n.16

Esse conjunto de fotografias pertence, atualmente, ao acervo da Biblioteca Nacional.  São imagens chocantes, em formato de cartes de visite, e retratam crianças, homens e mulheres desnutridos e maltrapilhos, de aparência doentia, e, muitas vezes, as fotos, feitas em estúdio, trazem textos rimados que se referem à miséria.

A publicação da ilustração litográfica das duas fotos sendo seguradas por um esqueleto vestindo paletó, sob o título “Páginas tristes – Scenas e aspectos do Ceará (para S. Majestade, o Sr. Governo e os Senhores Fornecedores verem)”, tinha o objetivo de reforçar denúncias feitas pelo escritor e jornalista José do Patrocinio em artigos publicados no periódico de texto Gazeta de Notícias. Patrocinio fazia, na época, a cobertura jornalística da seca com o principal objetivo de acompanhar a aplicação dos recursos governamentais em seu combate. Partiu em 10 de maio de 1878 e retornou ao Rio de Janeiro, em 12 de agosto do mesmo ano. As matérias foram publicadas, na coluna Folhetim, na primeira página da Gazeta de Notícias, sob o título “Viagem ao Norte” (1).

Mas só o texto não era suficiente. Então, Patrocinio enviou as fotos para a redação da revista O Besouro, para a qual já havia mandado, antes da viagem, o artigo “Sermão de Lágrimas” (O Besouro, edição de 4 de maio de 1878 ), em que tratava, com preocupação, a seca e a situação dos retirantes.

A publicação da ilustração com as fotos de Joaquim Antonio Corrêa, na revista O Besouro, foi um verdadeiro “anticartão de visita, veemente panfleto que denuncia uma realidade que muitos membros da corte se negavam a enxergar”(“Imagens da Seca de 1877-78 – Uma contribuição para o conhecimento do fotojornalismo na imprensa brasileira”).

Abaixo, está reproduzido o texto publicado no O Besouro, na página seguinte à ilustração com as fotografias:

“O Ceará

O nosso amigo José do Patrocinio, em viagem por aquela provincia, enviou-nos as duas photographias por que foram feitos os desenhos da nossa primeira página.

São dois verdadeiros quadros de fome e miséria. E´ n´aquelle estado que os retirantes chegam á capital, aonde quasi sempre morrem, apezar dos apregoados soccorros, que segundo informações exactas são distribuídos de maneira improficua.

A nossa estampa da primeira pagina é uma prova cabal áquelles que accusavam de exageração, a pintura que se fazia do estado da infeliz província.

Repare o governo e repare o povo, na nossa estampa, que é a cópia fiel da desgraça da população cearense.

Continuaremos a reproduzir o que o nosso distincto collega nos enviar a tal respeito.”

Uma curiosidade: também dessa viagem ao norte do país originou-se o romance de José do Patrocinio, Os Retirantes, publicado na Gazeta de Notícias, em estilo de folhetim, entre 29 de junho e 10 de dezembro de 1879.

 

(1) – Links para os artigos escritos por José do Patrocinio sob o título “Viagem ao Norte”.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 1º de junho de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 6 de junho de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 20 de julho de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 23 de julho de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 3 de agosto de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 15 de agosto de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 22 de agosto de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 30 de agosto de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 7 de setembro de 1878.

Coluna Folhetim, “Viagem ao Norte”, Gazeta de Notícias, edição de 12 de setembro de 1878.

 

Link para as fotografias de Joaquim Antonio Corrêa disponíveis nesse portal.

 

Galeria de Joaquim Antonio Corrêa

 

Augusto Malta (Mata Grande, AL 14 de maio de 1864 – Rio de Janeiro, RJ 30 de junho de 1957)

Foto do Arquivo recortada

Anônimo. Augusto Malta. Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Já em 1900, o alagoano Augusto Malta, que viria a ser o mais  importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, passeava e trabalhava, pedalando pelas ruas da cidade, tendo sido, inclusive, o secretário do Grupo de Velocemen, criado para organizar “passeios e outros divertimentos cyclistas”(Semana Sportiva, 25 de agosto de 1900, na seção “Velocipedia”).

Essa sua relação com a cidade e sua paisagem, construída, inicialmente, por seus deslocamentos com sua bicicleta, se expandiria para a formação de seu significativo legado iconográfico.

Foi, exatamente, a partir da troca de uma bicicleta por uma máquina fotográfica que o Rio de Janeiro ganhou um de seus mais atuantes fotógrafos. Em 1900, Malta comercializava tecidos finos no Centro do Rio e, para fazer entregas de encomendas, usava como transporte a bicicleta. Um de seus fregueses, um aspirante da Marinha, propôs a troca e, a partir desse trato, Augusto Malta começou a se interessar por fotografia.

Em 1903, foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-Abaixo”. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Augusto Malta e de seus filhos Aristógiton e Uriel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Sobre o início de sua carreira, Malta, em entrevista para Raymundo Athayde, na Revista da Semana, edição de Natal de 16 de dezembro de 1944, comentou:

“Eu, no entanto, continuei a vender fazendas a pé. Quanto à máquina, tomei gosto pela fotografia e, aos domingos, em companhia de um amigo, também amador da arte, tirava vistas da cidade, grupos de amigos etc. Confesso que sentia grande sensação quando via surgirem no papel as belas e surpreendentes imagens que o sal de prata revelava e o hipossulfito fixava a meus olhos, na câmara escura improvisada em minha casa. E vivia assim nesse ingênuo amadorismo, quando um fornecedor da Prefeitura, meu amigo, levou-me para tirar fotografias das obras que então o grande Pereira Passos realizara em 1903. Na época, o Rio começava a mudar a indumentária e remoçar. Por acaso o insuperável Prefeito viu as fotografias que eu tirava por esporte e gostou. Propôs-me um emprego na Prefeitura e eu, sem relutâncias, aceitei”.

Além de ter documentado as transformações urbanas e os grandes eventos da cidade como a Exposição Nacional de 1908, a construção do Teatro Municipal, em 1909; a Revolta da Chibata, em 1910; e a inauguração do Cristo Redentor, em 1931; fotografou personalidades políticas, intelectuais e artísticas; paisagens, monumentos, lojas, o casario decadente e as ressacas. Registrou também aspectos da vida carioca como, por exemplo, o carnaval de rua, o movimento dos quiosques, os eventos sociais, os moradores de cortiços, os vendedores ambulantes, as prostitutas, os marinheiros e cenas de praia.

Suas fotos foram divulgadas em guias turísticos, cartões-postais, revistas e publicações oficiais, tendo ajudado a formar a identidade visual da Belle Époque no Rio de Janeiro e contribuído, decisivamente, para a preservação da memória da cidade. Foi, sem dúvida, um importante incentivador do fotojornalismo no Brasil, tendo fornecido imagens de acontecimentos, pessoas, aspectos urbanos e paisagens para diversas revistas e jornais.

Segundo o artigo de Regina da Luz Moreira, “Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio”, publicado no Portal Augusto Malta do Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, em termos técnicos, Malta “manteve-se sempre fiel ao seu equipamento, só admitindo mudanças a partir do momento em que o filho Aristógiton passou a trabalhar com ele. Foram então introduzidas câmaras americanas e alemãs, as mais modernas então existentes. Mesmo assim, até praticamente os 90 anos continuou a fotografar com chapas de vidro, optando, no entanto, pelas de tamanho mais reduzido, como as de 13 cm por 18 cm”.

Cronologia de Augusto Malta
Augusto Malta. Vista do Rio de Janeiro, 1906. Morro Corcovado, Rio de Janeiro / Acervo IMS.

Augusto Malta. Vista do Rio de Janeiro, 1906. Morro Corcovado, Rio de Janeiro / Acervo IMS.

1864 – em 14 de maio, Augusto Cesar Malta de Campos nasce em Mata Grande, Alagoas, filho do escrivão Claudino Dias de Campos e Blandina Vieira Malta de Campos. É batizado em 5 de junho, na matriz de Nossa Senhora de Mata Grande.

1886 – deixa de morar com o padre Antonio Marques de Castilho, com quem havia ido residir por decisão de seu pai, que queria que ele seguisse a carreira religiosa. Alista-se no Exército, em Recife. Pretendia seguir a carreira militar, mas, posteriormente, quando cumpriu o prazo de tempo de serviço, foi dispensado.

1887 - serve ao Exército como cadete sargento. Torna-se republicano e participa com estudantes de encontros revolucionários.

1888 – em maio, participa, ainda em Recife, de manifestações a favor da abolição da escravatura. No fim desse ano, chega ao Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego na cidade foi o de auxiliar de escrita da Casa Leandro Martins, localizada na rua dos Ourives, atual rua Miguel Couto.

1889 - é promovido a guarda-livros. Participa dos acontecimentos de 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República no Brasil e, no dia seguinte, é um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dando posse ao governo provisório republicano.

1890 – por volta desse ano, Augusto Malta visita a família, em Alagoas, e traz, para o Rio de Janeiro, seus irmãos Alfredo e Joaquim Pópolo. Seus irmãos Fernando e Teófilo vieram para o Rio um pouco depois. Casa-se com sua prima distante, a alagoana Laura Oliveira Campos. O casal tem quatro filhos: Luthgardes (1896-?), Arethusa (1898-1913), Callisthene (1900-1919), Aristocléa (1903-1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; e Aristógiton (1904-1954). Todas as filhas do casal morreram de tuberculose. Durante a década de 1890, abre casas comerciais, mas não é bem sucedido. Funda uma loja de secos e molhados, a Casa Ouvidor, na rua de mesmo nome, mas tem que fechá-la. Depois, instala outra loja de secos e molhados, na rua Larga de São Joaquim, atual avenida Marechal Floriano, que também não prospera. Começa, então, a vender tecidos finos.

1900 – em agosto, é criado, entre os sócios do Congresso Commercial, o Grupo de Velocemen com o objetivo de organizar passeios ciclísticos pela cidade. Augusto Malta é aclamado secretário da agremiação (Semana Sportiva, 25 de agosto de 1900, na seção “Velocipedia”).  É noticiado o passeio ciclístico inaugural do “grêmio velocipédico” (Semana Sportiva, 29 de setembro de 1900, na seção “Velocipedia”). Um dos clientes de Malta, um aspirante da Marinha, propõe que ele troque a bicicleta, que usava para entregar encomendas de tecidos, por uma máquina fotográfica. No início, Malta não aceitou, mas dias depois concordou com a troca. Continuou a vender fazendas, a pé, e começou, então, a se interessar por fotografia. Aos domingos, saía para tirar fotografias com um amigo, também fotógrafo amador.

1903 – é apresentado pelo empreiteiro Antônio Alves da Silva Júnior, fornecedor da Prefeitura do Rio de Janeiro, que já havia visto suas fotografias, ao prefeito, Francisco Pereira Passos (1836-1913), que promovia uma grande reforma urbana na cidade, que ficou conhecida como9 o “Bota-Abaixo”. Ele precisava de um fotógrafo para registrar as obras e os imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações. Em junho, pelo Decreto Municipal 445, Augusto Malta é nomeado fotógrafo da Prefeitura do Distrito Federal. O cargo foi criado para ele e era subordinado à Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura. Trabalha durante 33 anos para a Prefeitura do Rio de Janeiro.

1904 – fotografa a comemoração do Dia do Trabalho, promovida por Domingo Rodrigues Pacheco e Antônio Alves da Silva Júnior, proprietários das pedreiras situadas à rua Conselheiro Bento Lisboa(Correio da Manhã, 02 de maio de 1904, sob o título “Um almoço”). Este último foi quem apresentou Malta a Pereira Passos. Malta um dos fundadores da Sociedade Cartophila Emanuel Hermann, uma associação incentivadora da divulgação de cartões-postais (junho). É realizada uma exposição com as fotos que Malta tirou da Batalha de Flores, e de outras de sua autoria (Correio da Manhã, 29 de setembro de 1904).

1905 – o então prefeito Pereira Passos, na Mensagem enviada ao Conselho Municipal, chama atenção para a importância do trabalho realizado no laboratório fotográfico da Diretoria de Obras e Viação “pela verificação que permitirá aos vindouros da transformação que operam na cidade com os melhoramentos ora em execução”. No dia 7 de novembro, ocorre um incêndio de grandes proporções no centro do Rio de Janeiro, entre as ruas do Lavradio, da Relação, dos Inválidos e do Rezende. O laboratório e a residência de Malta, localizados na rua do Lavradio, nº 96, foram atingidos. Ele e a família conseguiram escapar apenas com a roupa do corpo (O Paiz, 8 de novembro de 1905, sob o título “Pavoroso Incêndio). Na ocasião, foram destruídos cerca de quinhentos clichês da coleção de Malta de pontos demolidos ou desaparecidos da cidade do Rio de Janeiro, devido à reforma urbana promovida pela Prefeitura. É contratado pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited – que ficaria popularmente conhecida como Light. Ao longo dos anos, prestando serviços para a empresa, Malta fotografa as atividades modernizadoras da Light no Rio de Janeiro, como a implantação dos bondes elétricos e da iluminação pública.

1906 – falece sua esposa, Laura Oliveira Campos. Augusto Malta passa a viver maritalmente com Celina Augusta Verschueren (1884-?),  que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, teve mais quatro filhos: Dirce (1907-?), Eglé (1909-?), Uriel (1910-1994) e Amaltéa (1912-2007). Fotografa a Conferência Internacional Pan Americana, inaugurada, no Rio de Janeiro, em 23 de julho. Durante o evento, conhece Joaquim Nabuco, na época representante do Brasil nos Estados Unidos. Tornam-se amigos. Em setembro, fere sua mão esquerda fazendo experimentos com a câmara escura (Correio da Manhã, 12 de setembro de 1906,a primeira coluna, abaixo de “Assistência à Infância”). Obtém a carta patente de major da Guarda Nacional assinada pelo então presidente da República, Afonso Pena (1847-1909). É identificado como major, além de fotógrafo da Prefeitura, quando faz uma visita ao ministro da Justiça, Felix Gaspar, que é fotografado por ele (Correio da Manhã, 26 de setembro de 1906, na seção “Do Maranhão”, na sexta coluna).

1907 –   participa com fotos que documentavam as transformações do Rio de Janeiro, da Terceira Exposição do Photo-Club e primeira do Salão Livre de Belas Artes, promovida pelo Photo-Club. A mostra, realizada no Museu Commercial, na avenida Central, contava com 170 fotografias e 142 pinturas (Gazeta de Notícias, 13 de agosto de 1907, sob o título “Nossos Artistas”). Ganhou o terceiro prêmio na categoria de profissionais. O júri não considerou nenhum dos trabalhos merecedores do 1º e 2º lugares (O Paiz, 28 de agosto de 1907, abaixo da propaganda “Retalhos e Saldos”). Aparece em duas fotos da revista O Malho. Na primeira, de 3 de agosto de 1907, é fotografado durante a queima das listas e cadernetas que serviram para o recenseamento feito pelo ex-prefeito Pereira Passos. Na edição de 10 de agosto, é fotografado participando da inauguração oficial, pela Light and Power, do serviço de distribuição de energia elétrica, produzida por motor hidraúlico, no Rio de Janeiro.

1908 – colabora com fotografias na revista Exposição Nacional, edição especial da Revista da Época, fundada por Carlos Vianna.

1909 –  a Prefeitura, através da Diretoria de Estatística, ilustra o guia La ville de Rio de Janeiro et ses environs com algumas de suas fotografias. É extinto o cargo de Malta, que fica adido à Subdiretoria de Serviços da Carta Cadastral, na Diretoria de Obras e Viação. Presta serviços particulares de fotografia para o ex-prefeito Pereira Passos. Malta encontra os equipamentos fotográficos que haviam sido roubados de sua casa (A Notícia, 26 de agosto de 1909, sob o título “Apprehensão de Furto“). Passa a ser sócio efetivo do Centro Alagoano (O Século, 7 de outubro de 1909, sob o título “Centro Alagoano“). Com o prefeito do Rio de Janeiro, Serzedelo Correa ( 1858-1932), visita a Villa Ipanema e participa da inauguração da área de diversões da Brahma (O Paiz, 29 de novembro de 1909, sob o título “Villa Ipanema”).

1910 - cria o Centro Fotográfico de Propaganda no Brasil. Por ordem do prefeito Serzedelo Correa, foi posto à disposição da comissão de inspeção escolar (Gazeta de Notícias, 6 de agosto de 1910, na seção “Prefeitura“).

1911 – em junho, fotografa o presidente da República, Hermes da Fonseca. É autorizado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Bento Ribeiro ( 1856-1921), a organizar a galeria dos ex-prefeitos (Gazeta de Notícias, 10 de julho de 1911, na seção “Prefeitura“). Em outubro, lança, em edição de autor, o Álbum geral do Brasil, primeiro fascículo de uma coleção de fotos do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras.

1913 – o prefeito Bento Ribeiro recria o cargo de fotógrafo oficial da Prefeitura e Malta é reconduzido a sua antiga posição.

1914 - no Palácio da Guanabara, tira um retrato do presidente da República, Wenceslau Brás (1868-1966) (Gazeta de Notícias, 14 de dezembro de 1914, última notícia da terceira coluna).

1919 – é inaugurada a nova sede do Centro Alagoano, sob a direção de Augusto Malta, na rua São José nº 34 (Gazeta de Notícias, 9 de março de 1919). Com uma nota ilustrada com foto, é noticiado o aniversário de Augusto Malta (Gazeta de Notícias 14 de maio de 1919).

1922 - pela primeira vez, devido ao acúmulo de trabalho, ocasionado pela Exposição do Centenário da Independência, Malta contrata um ajudante – seu irmão, Teófilo.

1925 – quando prestava um serviço para a Sul América, uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica dilacera um de seus dedos. Malta é operado e fica internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Seu filho, Aristógiton, começa a auxiliá-lo na Prefeitura.

1930 – ao longo dessa década, suas fotos ilustram vários artigos de Ulysses de Aguiar, na Revista da Semana. Em 13 de maio, é inaugurada, na Associação Brasileira de Imprensa, uma exposição individual de fotografias de Augusto Malta, “O Rio de Janeiro Antigo”.

1931 -1932 –  a Diretoria Geral de Obras e Viação é substituída pela Diretoria Geral de Engenharia e Malta começa a organizar o arquivo histórico e fotográfico dos serviços executados. Começa então a fornecer ao Arquivo Público as fotografias relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimônias realizadas.

1936 – Malta dá uma entrevista sobre a extinção dos quiosques no Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 10 de janeiro de 1936). Uma semana depois, um leitor contesta a entrevista (Correio da Manhã, 17 de janeiro de 1936, na última coluna, sob o título “Os velhos kiosques do Rio de Janeiro”). É concedida  a ele, pela Associação Brasileira de Imprensa, a carteira de jornalista profissional (Diário Carioca, 4 de abril de 1936). O jornal O Globo de 1° de agosto, publica uma matéria sobre a elegância de Malta e comenta o fato dele ter lançado a moda dos óculos de aro de tartaruga. Comenta, também que ele sempre usava “um panamá de fita preta. Sempre sem colete, ao pescoço esvoaçava e ainda esvoaça como borboleta uma gravata de laço preto”. Em 25 de agosto, aposenta-se da Prefeitura e é substituído por seu filho, Aristógiton. Posteriormente, seu outro filho, Uriel, passa a trabalhar com o irmão. Augusto Malta continua a trabalhar como fotógrafo. É um dos colaboradores da homenagem que o Diário de Notícias publica na ocasião do centenário do ex-prefeito Pereira Passos (Diário de Notícias, 29 de agosto de 1936). Com a publicação de uma foto de Malta, o suplemento do jornal A Noite agradece a Malta por ter facilitado “singularmente o trabalho de reminiscencia photographica da remodelação da cidade” em uma matéria publicada pelo periódico na ocasião do centenário de Pereira Passos (A Noite, 1º de setembro de 1936). Malta é um dos homenageados por serviços prestados ao Centro Alagoano, na ocasião da comemoração do 119º aniversário da emancipação de Alagoas e do 49º aniversário da associação (A Offensiva, 16 de setembro de 1936, na última coluna, sob o título “Emancipação política do Estado de Alagoas”).

1937 - participa, como escrutinador, das eleições da Associação Brasileira de Imprensa (Correio da Manhã, 4 de maio de 1937, na terceira coluna).

1938 – é publicada uma reportagem sobre Augusto Malta. Ele comenta que tirou a foto do Barão de Rio Branco de costas por sugestão do escultor Rodolfo Bernardelli (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1938).  O jornal Diário da Noite sugere que a Prefeitura adquira o arquivo fotográfico de Malta (Diário da Noite, 2 de março de 1938, na última coluna, sob o título “Uma suggestão do Diário de Noite”). Torna-se sócio honorário do Centro Carioca (O Imparcial, 29 de junho de 1938, sob o título “A grande Assembléa Geral do Centro Carioca”). É lançado o livro O Rio de Janeiro de meu tempo, de Luiz Edmundo, ilustrado com fotos de diversos fotógrafos, dentre eles, Malta (O Jornal, de 28 de agosto de 1938). O presidente da República, Getúlio Vargas, visita a “Feira de Amostras” uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso é o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”).

1939 – o Diário da Noite publica uma fotografia de autoria de Malta, de 1907, em que o escritor Machado de Assis tem uma síncope e é socorrido por populares no Cais Pharoux (Diário da Noite, 21 de junho de 1939).

1940 – durante essa década, suas fotos ilustram vários artigos de Escragnolle Doria na Revista da Semana. Vai morar em Niterói e anuncia a venda de alguns de seus quadros (Correio da Manhã, 8 de fevereiro de 1940, na primeira coluna, sob o título “Photographias do Rio Antigo”).

1941 – vende para a Biblioteca Nacional 280 fotos distribuídas em vários álbuns. Na coluna assinada por Roberto Macedo, intitulada “Notas Históricas – A Primeira Posse Republicana”,  Augusto Malta é citado como um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1889, dando posse ao governo provisório republicano (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1941, na sétima coluna).

1942 – vende fotografias para o Museu Paulista. Vai a uma missa de Ação de Graças pelo restabelecimento da saúde do presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954), realizada na igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro (O Jornal,  27  de agosto de 1942).  Sofre uma intervenção cirúrgica (O Jornal, 26 de setembro de 1942, na seção “Notas Mundanas”).

1943 –  Malta apóia que se presenteie os condutores de bondes no Natal (Gazeta de Notícias, 24 de novembro de 1943).  Em reportagem sobre o Barão do Rio Branco, são publicadas várias fotos de autoria de Augusto Malta (Illustração Brasileira, outubro de 1943)

1944 – Malta é roubado por uma ladra na barca entre O Rio de Janeiro e Niterói (Correio da Manhã10 de fevereiro de 1944, na seção “O Dia Policial”). Na edição de natal da Revista da Semana, de 16 de dezembro de 1944, é descrito como “um nortista tipo perfeito da classificação conhecida: braquicéfalo, altura mediana, maxilares salientes, olhos amendoados como os de um mongol. Na verdade, visto de perfil, parece-se com um soldado de Chiang-Kai-Chek, que tivesse abandonado a farda… Há cinquenta anos usa uma gravata borboleta, dessas preferidas pelos pintores e poetas do século passado”.

1945 – Malta é comparado a Marc Ferrez (Boletim da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, 1945): “A documentação fotográfica e de gravuras era, como se vê, abundante e valiosa, oriunda de desenhos de Rugendas e outros, e de fotografias de Marc Ferrez, que desempenhou no Império a função que mais tarde seria, no Rio, exercida por Augusto Malta, fotógrafo da Prefeitura: de documentador pela imagem dos principais acontecimentos de seu tempo”. No Jornal do Brasil, de 11 de fevereiro de 1945, Malta é comparado a José de Alencar, no artigo “A velha e nobre Tijuca”, de Everardo Backheuser: “José de Alencar em Sonhos d´Ouro foi para a Tijuca das cercanias da Guerra do Paraguai o que Augusto Malta representa para o Rio de Janeiro do tempo de Pereira Passos. Cada qual ao seu modo gravou de maneira indelével as recordações do “quadro geográfico” da respectiva era. Graças a Malta, eu e outros temos podido documentar asserções sobre a geografia carioca do princípio do século. José de Alencar vai me servir para ilustrar com exemplos fatos da geografia da Tijuca daqueles afastados tempos”. Em artigos posteriores, Backheuser volta a elogiar o trabalho de Malta.

1946 - é noticiado que Augusto Malta teve sua carteira roubada em um bonde no Rio de Janeiro (O Fluminense, 21 de agosto de 1946, sob o título “Cuidado com os batedores de carteiras”).

1947 - em seu aniversário, é homenageado pelos jornalistas credenciados junto ao gabinete do prefeito (A Noite, 14 de maio de 1947, na coluna “Sociedade”).

1949 –  em uma propaganda da revista Cruzeiro, é anunciada uma reportagem sobre Joaquim Nabuco, de autoria de Raymundo Athayde e Augusto Malta (Diário da Noite, 19 de agosto de 1949).

1950 – é internado na Ordem Terceira da Penitência (A Manhã, 19 de janeiro de 1950, na seção “Mundo Social”). Por ocasião de seu aniversário, é saudado como o mais velho repórter fotógrafo do Brasil (A Manhã, 13 de maio de 1950, na seção “Mundo Social“).

1952 – ao longo desse ano, a coluna “Transformações da Cidade”, do jornal Correio da Manhã, é ilustrada com fotos de Malta. E, também, a partir desse ano até 1955, a coluna “Rio Antigo”, de Charles Julius Dunlop, no mesmo jornal, é, muitas vezes, ilustrada por fotos de Malta. Charles Dunlop e Malta haviam se conhecido na época em que Malta prestava serviços para a Light, empresa na qual Dunlop começou a trabalhar na década de 20.

1953 –  é publicada uma fotografia dos arquivos de Augusto Malta sobre os banhos a fantasia do carnaval carioca (Diário da Noite, 14 de fevereiro de 1953). Para ilustrar uma matéria sobre Ipanema, é publicada uma foto do bairro, tirada por Malta, em 1907, para ilustrar uma matéria (Diário de Notícias, 27 de março de 1953). É publicado o artigo “O Jubileu do Bota Abaixo”, sobre a radical reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos no Rio de Janeiro, de autoria do acadêmico Pedro Calmon, com fotos de Augusto Malta (Revista da Semana, 8 de agosto de 1953). Como parte das comemorações da Quinzena do Jornalismo, é um dos 35 decanos da imprensa premiados pelo Sindicato dos Jornalistas com o diploma de honra (Diário Carioca, 21 de novembro de 1953, sob o título “Jornalistas Veteranos”).

1955 - é publicada uma foto de jornaleiros em torno de um quiosque, de Augusto Malta,  sob o título de “O Rio da Velha Guarda” (Diário da Noite, 8 de março de 1955). Na série “Rio de Amanhã”, escrita por Almir de Andrade, é publicada uma foto de Ipanema de autoria de Malta (Diário de Notícias, 1º de maio de 1955). No mesmo ano, foram publicadas pelo Diário de Notícias fotos antigas de Copacabana, do Lido e do Leblon, também de autoria de Malta. Reportagem sobre o lançamento do livro Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop. Publicado pela Editora Gráfica Laemmert Ltda, conta a história do Rio com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Revista da Semana, 5 de novembro de 1955).

1957 – é publicada uma reportagem sobre o arquivo de fotografias de Augusto Malta, na coluna “Letras Vivas” (Diário da Noite, 30 de março de 1957). É lançado o segundo fascículo da publicação Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop, com ilustrações de Ângelo Agostini, reproduzidas da Revista Illustrada, e com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Careta, 4 de maio de 1957, sob o título “Documentário Militar no Rio Antigo”). Em 30 de junho, morte de Augusto Malta, no Hospital da Ordem Terceira da Penitência, devido a uma insuficiência cardíaca. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Caju (Correio da Manhã, 2 de julho de 1957, na seção “Prefeitura”).

Para a elaboração da presente cronologia de Augusto Malta, além da pesquisa em dezenas de periódicos e revistas, valemo-nos, especialmente, do livro Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936, de George Ermakoff, e do artigo de Regina da Luz Moreira, “Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio”, publicado no Portal Augusto Malta.

O lançamento do Portal Augusto Malta, em 2008, foi uma importante iniciativa do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). No portal, estão reunidos o acervo do fotógrafo na referida instituição e no Museu Histórico da Cidade, além de fotografias de seus filhos, Aristógiton e Uriel Malta. Um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, Joaquim Marçal, foi consultor do projeto.

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o Arquivo Fotográfico da Light, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional são outros importantes acervos da obra do fotógrafo.

Link para a obra de Augusto Malta disponível no site do Instituto Moreira Salles.

Bibliografia:

Anais do Museu Histórico Nacional: volume XXXII – 2000, pág 131.

BULHÕES, Antonio & REBELO, Marques. O Rio de Janeiro do bota-abaixo. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997

CAMPOS, Fernando Ferreira. Um fotógrafo, uma cidade: Augusto Malta, Rio de Janeiro: Maison Graphique, 1987.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936 / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm

KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo: Secretaria da Ind., Com., Ciência e Tecnologia, 1980. (Coleção Museu &Técnicas; 4).

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (coord.). Augusto Malta, Aristógiton Malta: catálogo da série negativo em vidro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994. (Biblioteca carioca, 29. Instrumentos de pesquisa)

Nosso Século. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol 1 (1900-1910)

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site da Enciclopédia Itau Cultural

Site do Centro Cultural da Light

Site do Instituto Moreira Salles

Site do Museu da Imagem e do Som

 

Galeria de Augusto Malta