Notícia da viagem do fotógrafo Albert Frisch (31/05/1840 – 30/05/1918) à Amazônia

Christoph Albert Frisch (31/05/1840 – 30/05/1918) foi o fotógrafo responsável pela impressionante e pioneira série de 98 fotografias realizadas em 1867 na Amazônia: foram os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Ele foi o fotógrafo que acompanhou a expedição pela Amazônia liderada pelo engenheiro alemão Joseph Keller e pelo fotógrafo, desenhista e pintor Franz Keller ( 1835 – 1890). Este último era genro de Georges Leuzinger ( 1813 – 1892), considerado um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país. Há uma notícia sobre a  viagem de Frisch e Keller ao Pará no Diário do Povo, de 14 de novembro de 1867 (na primeira coluna). Seu retorno ao sul do Brasil, a bordo do vapor Cruzeiro do Sul, está registrado no Jornal Pedro II, de 24 de novembro de 1868, na terceira coluna.

A expedição transitou pela região dos rios Madeira e Mamoré, onde o governo imperial pretendia construir uma estrada de ferro. Segundo informações de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger em 1869, “Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro” , descoberto recentemente nos arquivos da Biblioteca Nacional, Frisch “percorreu 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses”, em um barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus.

As imagens produzidas por Frisch durante a expedição, copiadas em papel albuminado, foram comercializadas com sucesso pela Casa Leuzinger, em suporte cartão. Foi Frisch o autor das primeiras fotografias dos tipos indígenas brasileiros em seu próprio habitat e em sua produção fotográfica reforçava a ideia de uma Amazônia selvagem e exótica. Ele anexava às imagens informações tais como relações de parentesco e status social dos líderes indígenas fotografados. Na época, esses registros eram muito valorizados por estudiosos de etnografia europeus e por viajantes estrangeiros em geral.

Segundo Pedro Karp Vasquez, Frisch tinha uma grande habilidade técnica, que usou para contornar problemas impossíveis de serem solucionados com o equipamento de que dispunha na época: obter exposição e focos simultaneamente perfeitos tanto do retratado no primeiro plano quanto da paisagem ribeirinha ao fundo. Segundo Karp, empregando “… um astucioso estratagema para realizar os retratos de índios na região do Alto Solimões…”,  Frisch fotografava seus modelos diante de um fundo neutro e produzia separadamente algumas vistas para compor o segundo plano. Para produzir as cópias fotográficas, combinava os dois negativos, alcançando assim o resultado desejado.

Como mencionado anteriormente, até hoje as fotografias dos índios da região norte do Brasil produzidas por Frisch são consideradas as primeiras que se conhece, apesar de antes dele, em 1843,  o fotógrafo norte-americano Charles DeForest Fredericks (1823 – 1894) ter viajado pelos rios Orenoco e Amazonas. Nessa expedição, alguns daguerreótipos teriam sido produzidos, porém perdidos. Segundo Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, “… houve ainda o trabalho de fotografia antropométrica, em sua maioria de mestiços da região amazônica, realizado em 1865-1866 por Walter Hunnewell em Manaus, a pedido de Louis Agassiz, da Expedição Thayer, hoje arquivados num museu da Universidade de Harvard. O casal Agassiz publicou sua obra A Journey in Brazil em 1868 e dela constam reproduções xilográficas de algumas fotografias de Leuzinger, duas fotos de índios feitas pelo ‘Dr. Gustavo, of Manaos’, mas nenhuma de Frisch”.

Até o final do século XX, o alemão Albert Frisch era um personagem misterioso na história da fotografia. Segundo o site do Instituto Moreira Salles, “…o estudo dos documentos reunidos pela família Leuzinger, doados ao IMS em 2000, e a posterior localização de Klaus Frisch, neto do fotógrafo, pelo pesquisador Frank Stephan Kohl, permitiram reconstituir a trajetória de Frisch”.

Acessando o link para as fotografias de Christoph Albert Frisch disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cronologia de Christoph Albert Frisch

1840 – Christoph Albert Frisch nasceu em Augsburgo, na Baviera, em 31 de maio. Foi criado em um orfanato, devido à morte precoce de sua mãe.

1850,  final da década – Frisch partiu para Munique, capital da Bavária, onde começou a trabalhar no comércio de arte. Com o apoio de seu empregador, trabalhou como aprendiz em uma litografia em Paris.

1860, início dessa década – partiu para Buenos Aires, capital da Argentina, onde tentou, sem sucesso, se estabelecer como comerciante de estampas de imagens religiosas. Trabalhou, então, na região dos Pampas, como professor particular e gerente de um criador de gado.

1863 – Frisch retornou para Buenos Aires, onde, aos 23 anos, começou sua carreira de fotógrafo, quando um alemão, que ele havia conhecido em uma taverna, o recomendou para seu empregador, o norte-americano Arthur Terry, dono de um estúdio fotográfico. Poucos meses depois, Frisch foi para o Paraguai abrir um estúdio fotográfico, a pedido do próprio presidente do país, Solano Lopez (1827- 1870).

1864 – Devido à Guerra do Paraguai, Frisch veio para o Rio de Janeiro.

1865 – Começou a trabalhar no recém-inaugurado setor de fotografia da Casa Leuzinger, no Rio de Janeiro.

1867 – Viajou ao Pará como fotógrafo de uma expedição liderada pelo engenheiro alemão Joseph Keller e pelo fotógrafo, desenhista e pintor Franz Keller (Diário do Povo, de 14 de novembro de 1867, na primeira coluna).  Transitam pela região dos rios Madeira e Mamoré, onde o governo imperial pretendia construir uma estrada de ferro. Albert Frisch “… percorreu 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses…”, num barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus. Produziu na ocasião uma pioneira série de 98 fotografias com os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos.

1868 – Retornou ao sul do Brasil, a bordo do vapor Cruzeiro do Sul (Jornal Pedro II, de 24 de novembro de 1868, na quarta coluna).

1869 – As imagens produzidas por Frisch durante a expedição pela Amazônia começaram a ser comercializadas a partir de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger, “Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro”.

1870 – Frisch retornou à Alemanha e passou a trabalhar com o fotógrafo alemão Joseph Albert (1825 – 1886), que aperfeiçoou a técnica da colotipia, e com quem aprendeu as mais novas tecnologias de impressão fotomecânica da época.

1871 – Partiu para Nova York, onde continuou trabalhando como fotógrafo.

1872 – Voltou para a Alemanha, onde abriu seu próprio estúdio fotográfico.

1874 – Durante esse ano, Frisch trabalhou por um curto período com o fotógrafo Johannes Nöhring, de Lübeck.

1875 – Frisch mudou-se para Berlin e abriu o “Kunstanstalt Albert Frisch”, especializado na produção de reproduções fotomecânicas de alta qualidade. Depois de sua morte, seu filho, também Albert, continuou o negócio.

1918 – Faleceu em Berlim, em 30 de maio.

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira de. “As primeiras fotografias da Amazônia”. BN Digital, 2013.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

FRANCESCHI, Antonio Fernando de. “Um jovem mestre da fotografia na Casa Leuzinger. Christoph Albert Frisch e sua expedição pela Amazônia in Cadernos de Fotografia: Georges Leuzinger: um pioneiro do século xix (1813-1892)São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2006.

GÂMBERA, José Leonardo Homem de Mello. “Fotografia na Amazônia Brasileira: considerações sobre o pioneirismo de Christoph Albert Frisch (1840-1918)”. Revista de Programa da Pós-Graduação em Arquitetur ae Urbanismo da FAUUSP,dez de 2013

KOHL, Frank Stephan. “Albert Frisch and the first images of the Amazon to go around the world”  in Explorers and Entrepreneurs behind the Camera The Stories behind the pictures and photographs from the image archive of the Ibero-American Institute. Berlim: Ibero-American Instituto, 2015

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002

MARCOLIN, Neldson. “Retratos na Selva“, Revista Pesquisa Fapesp, setembro de 2014.

MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Estou aqui. Sempre estive. Sempre estarei. Indígenas do Brasil. Suas imagens (1505/1955). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles

Site O Índio na Fotografia Brasileira

TACCA, Fernando de. “O índio na fotografia brasileira: incursões sobre a imagem e o meio”. História, ciências, saúde – Manguinhos – Vol. 18, nº 1, p.191-223. Rio de Janeiro., 2011

TURAZZI, Maria Inez. Poses e Trejeitos: a fotografia na era do espetáculo (1839 – 1889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. “A. Frisch, ladrão de almas na Amazônia Imperial”. Piracema – arte e cultura. Rio de Janeiro, nº1, ano 1, p.90-95, 1993

VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX / Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien. São Paulo: Metalivros, 2000

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003

Além da pesquisa nas fontes citadas, a Brasiliana Fotográfica consultou diversos periódicos na Hemeroteca da Biblioteca Nacional para a elaboração desse post.

Real Gabinete Português de Leitura

Hoje o Real Gabinete Português de Leitura completa 179 anos. O portal Brasiliana Fotográfica homenageia a instituição com a publicação de uma fotografia produzida por Marc Ferrez (1843 – 1923), o brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX.

Fundado em 14 de maio de 1837, o Real Gabinete Português de Leitura é a mais antiga associação criada pelos portugueses do Brasil após a independência do país, em 1822. Teve sua origem numa reunião realizada por 43 emigrantes portugueses no Rio de Janeiro, dentre eles o advogado e jornalista José Marcelino Rocha Cabral, que iria ser eleito primeiro presidente da instituição. O encontro aconteceu na casa do Dr. Antonio José Coelho Lousada, na antiga rua Direita, nº 20 – hoje rua Primeiro de Março. Na ocasião, o grupo decidiu criar uma biblioteca para uso de seus sócios e dos portugueses residentes no Rio de Janeiro. No dia 28 de maio, duas semanas depois, reuniram-se para discutir os estatutos da recém-fundada instituição cultural (Diário do Rio de Janeiro, de 26 de maio de 1837, na primeira coluna).

A primeira sede do Real Gabinete localizava-se em um sobrado, na rua de São Pedro, número 83. Em 1842, transferiu-se para a rua da Quitanda, e oito anos depois, para a rua dos Beneditinos. A sede atual, construída em estilo neo-manuelino e fotografada por Ferrez, foi projetada pelo arquiteto português Rafael da Silva Castro, inspirado no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa. Em sua fachada, ficam as estátuas de quatro ilustres portugueses: Pedro Álvares Cabral (1467 – 1520), Luis de Camões (1524 – 1580), Infante Dom Henrique (1394 – 1460) e Vasco da Gama (c. 1468 – 1524).

Teve sua pedra inaugural lançada pelo imperador Dom Pedro II (1825 – 1891) em 10 de junho de 1880, data do tricentenário de morte do grande escritor português Luis de Camões (Gazeta de Notícias, de 11 de junho de 1880, na quinta coluna sob o título “Terceiro Centenário de Camões”).  Foi inaugurada em 10 de setembro de 1887 pela Princesa Isabel (1846 – 1921) e por seu marido, o Conde d´Eu (1842 – 1922) (Gazeta de Notícias, de 11 de setembro de 1887, na última coluna). Os monarcas foram recebidos ao som do Hino Nacional, executado por uma orquestra regida por Arthur Napoleão (1843 – 1925). Depois, foi executada a sinfonia “O Guarani”, e Ramalho Ortigão, presidente da diretoria do Real Gabinete, fez um discurso.

 

 

Estão sob a guarda do Real Gabinete Português de Leitura cerca de 350.000 volumes, incluindo milhares de obras raras, dentre elas um exemplar da edição princeps de Os Lusíadas, de Luis de Camões, de 1572, e de Amor de Perdição, obra do escritor português Camilo Castelo Branco. O acervo pode ser consultado por qualquer pessoa pois o Real Gabinete tornou-se biblioteca pública, em 1900. Funciona também como centro de estudos e polo de pesquisas literárias. A biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Na biblioteca foram realizadas as cinco primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras, sob a presidência de Machado de Assis.

Na edição de 28 de julho de 2014 da Revista Time o Real Gabinete Português de Leitura foi destacado como uma das 20 bibliotecas mais bonitas do mundo. Localiza-se na rua Luís de Camões, 30, no Centro do Rio de Janeiro.

Dia das Mães

 

 

Com uma fotografia da Princesa Isabel (1846 – 1921) com seu filho Pedro de Alcântara, ainda bebê, a Brasiliana Fotográfica faz uma homenagem ao Dia das Mães. Também conhecida como “A Redentora”, por ter assinado a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que acabou com a escravidão no Brasil, Isabel teve três filhos com com Gastão d´Orleans (1842-1922), o conde D´Eu, com quem se casou em 15 de outubro de 1864: Pedro (1875 – 1940), Luis Maria (1878 – 1920) e Antonio Gastão (1881 – 1918).

Na fotografia destacada, ela está segurando seu primeiro filho, Pedro, único que não faleceu antes dela. O registro é da Photographia Alemã, que pertencia aos alemães Alberto Henschel (1827 – 1892) e Francisco Benque (1841 – 1921).

O Dia das Mães é comemorado no Brasil no segundo domingo de maio, de acordo com um decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas, em 1932, mas a origem da comemoração remonta à Grécia Antiga, quando a deusa Reia, mãe comum de todos os seres, era homenageada. A celebração tomou um caráter cristão nos primórdios do cristianismo e realizava-se em torno da Virgem Maria, a mãe de Jesus.

 

Acessando o link para as fotografias que remetem ao tema da maternidade disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.