Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica

Pela primeira vez o portal publica uma imagem do acervo fotográfico dos Diários Associados – Rio de Janeiro. O conjunto de fotos foi incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles (IMS). Nessa estreia, foi destacada uma fotografia do hangar para abrigar os zepelins, em construção no Campo de Santa Cruz, e uma do Graf Zeppelin, publicadas em O Jornal, do dia 7 de abril de 1935. O conjunto adquirido pelo IMS dos Diários Associados, que já foram o maior conglomerado de mídia do Brasil, possui cerca de 700 mil fotografias e 300 mil negativos com imagens produzidas para O Jornal, primeiro órgão dos Diários, adquirido por Assis Chateaubriand (1892 – 1968) em 1924; para o Diário da Noite, fundado por ele em 1929; e para o Jornal do Commercio, fundado em 1827 e adquirido pelo grupo em 1959. Os registros cobrem um período representativo do século XX – de 1915 a 2005.Esse texto da Brasiliana complementa o recém publicado, em 25 de maio de 2018,  A primeira passagem do Graf Zeppelin pelo Rio de Janeiro, em 1930, e registros de outras viagens.

A Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, a maior coleção de periódicos do Brasil, é uma das mais potentes plataformas de informações para diversos tipos de pesquisa e a Brasiliana Fotográfica faz, desde seu início, uma extensa e profícua utilização desse precioso arquivo. Lembramos que a Fundação Biblioteca Nacional é também uma das fundadoras do portal. No caso específico de estabelecer-se uma relação entre uma imagem de um acervo fotográfico de imprensa com a forma e o contexto com que essa imagem foi originalmente publicada – como realizado nessa publicação do portal – faz com que a Hemeroteca Digital da BN ganhe especial protagonismo. E, como lembra Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do IMS, a preservação de um arquivo fotográfico de imprensa, mesmo que seus conteúdos estejam conservados em plataformas como a Hemeroteca Digital, é muito importante: as imagens podem, a partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o zoom, terem outra visibilidade e serem acessadas em sua qualidade plena.

Abaixo, a imagem do Hangar dos Zeppelins, no Campo de Santa Cruz, e do Graf Zeppelin, do acervo fotográfico dos Diários Associados Rio de Janeiro, incorporado ao IMS. Acessando o link para a fotografia, disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

 

Abaixo, a fotografia e o texto publicados em O Jornal de 7 de abril de 1935:

 

 

‘Sob o “controle da Comissão fiscal de Obras de Aeroportos, do Ministério da Viação, ativam-se os trabalhos de construção do aeroporto de Santa Cruz, construído numa área de milhão de metros quadrados, na fazenda S. José, de propriedade do governo da União.

A construção do ramal da Central do Brasil para aquele campo permitiu o rápido transporte do material e o desenvolvimento consequente dos trabalhos.

Esse aeroporto se constrói de acordo com o contrato do governo com a Luftschiffbau Zeppelin para o estabelecimento de uma linha regular de dirigíveis entre a Europa e o Brasil, serviço que estará em perfeito funcionamento dentre em pouco, logo se concluam as obras do aeroporto.

Ainda neste início de mês o “Zeppelin” reiniciará suas viagens para o Brasil, transportando passageiros, correspondência e encomendas, quinzenalmente, partindo de Friedrichshafen aos sábados, à noite, e chegando a Recife às terças-feiras imediatas.’

O “Zeppelin” atracará no aeroporto de Santa Cruz e regressará imediatamente à Europa. Há uma modificação de rota: a aeronave fará escalas por Sevilha na ida e na volta.’

 

Um pouco da história do Hangar dos Zepelins

Para a construção de um aeroporto para abrigar os zepelins, o governo brasileiro liberou um crédito milionário para o financiamento da obra em troca de um programa mínimo de 20 viagens anuais pelo período de 30 anos, contratado com a Luftschiffbau Zeppelin, fabricante e operador da linha aérea (Correio da Manhã, 10 de maio de 1934, quarta coluna). Sua estrutura de aço foi trazida da Alemanha e o hangar dos dirigíveis zepelins começou a ser construído em 1934, no Aeroporto de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, mais tarde rebatizado Aeroporto Bartolomeu de Gusmão, e inaugurado em 26 de dezembro de 1936 pelo presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), com a presença de várias outras autoridades, dentre elas o embaixador da Alemanha e o prefeito do Rio de Janeiro, Olímpio de Melo (1886 – 1977) (O Jornal, 27 de dezembro de 1936, quarta coluna). Foi então ativada uma linha regular de transportes aéreos entre a Alemanha e o Brasil. Mais de 5 mil homens participaram da construção do hangar. Na época, existia um trem que saía da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, cujo ponto final era o aeroporto.

O hangar foi pouco utilizado pelos zepelins porque a partir da explosão de um deles, o Hindenburg, em 6 de maio de 1937 (O Jornal, 7 de maio de 1937), os voos dos grandes dirigíveis para passageiros foram interrompidos. Segundo reportagem do Jornal do Brasil de 5 de abril de 1981 e outras fontes o Hindenburg pousou no hangar quatro vezes e o Graf Zeppelin, cinco. Em 1943, o aeroporto tornou-se a Base Aérea de Santa Cruz. O hangar serviu como base para o 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, que atuou na Segunda Guerra Mundial (Diário de Notícias, 17 de janeiro de 1943, sexta coluna).

Tombado em março de 1998 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prédio do hangar tem 274 metros de comprimento, 58 metros tanto de altura como de largura. Seu portão principal, o sul, possui duas folhas, cada uma pesando 80 toneladas – a abertura pode ser feita manualmente ou com motores. O portão norte, com 28 metros de largura e 26 metros de altura, era utilizado para ventilação e saída da torre de atracação. No topo do hangar, a 61 metros de altura, fica a torre de comando. É o último hangar gigante para dirigíveis no mundo (Jornal do Brasil, 28 de março de 1993).

 

Contribuíram para essa publicação a socióloga Roberta Zanatta (IMS), o historiador Rodrigo Bozzetti (IMS), o bibliotecário Alexandre Delarue (IMS), além de Franco Salvoni e Guilherme Gomes, do Núcleo de Digitalização do IMS.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

“Por dentro dos acervos” – Associados ao IMS, por Mànya Millen, 20 de outubro de 1916.

RODRIGUES, Helio Suevo. A formação das estradas de ferro no Rio de Janeiro – o resgate de sua memória. Rio de Janeiro: Sociedade de Pesquisa para Memória do Trem, 2004.

Site Defesa.net

Site Iphan

Site Ministério da Defesa – Força Aérea Brasileira

A primeira passagem do Graf Zeppelin pelo Rio de Janeiro, em 1930, e registros de outras viagens

A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi um grande acontecimento. Sua passagem silenciosa pelo céu da cidade parecia uma visão de sonho e deslumbrou a população causando uma verdadeira comoção. O fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965) registrou o evento e a Brasiliana Fotográfica relembra o fato destacando imagens que pertencem à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das parceiras do portal. São 10 fotografias aéreas do dirigível alemão sobrevoando diversos bairros e locais da Cidade Maravilhosa, dentre eles o Bairro Peixoto, Botafogo, Copacabana, Humaitá, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Pão de Açúcar e o Campo dos Afonsos, onde aterrissou. Kfuri produziu as imagens a bordo do avião Consul Dayte nº 332, da Marinha de Guerra, pilotado pelo capitão-tenente Antônio Dias Costa (? – 1930), que faleceu dois dias depois em um acidente de avião (Diário da Noite, 26 de maio, quarta coluna e 28 de maio de 1930).

A Brasiliana Fotográfica reuniu também registros de outras passagens tanto do Graf Zeppelin como do dirigível Hindenburg pelo Rio de Janeiro, que pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles – são de autoria do fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966) e de fotógrafos ainda não identificados. Há também uma fotografia, de autoria do fotógrafo húngaro Alfredo Krausz (1902 – 1953), de uma passagem do Graf Zeppelin por São Paulo tendo ao fundo o Edifício Martinelli. A Brasiliana Fotográfica também resgatou a crônica O morro em polvorosa, de Manuel Bandeira (1886 – 1968), sobre o impacto da presença do zepelim nos céus do Rio de Janeiro, publicada no Diário Nacional de 31 de maio de 1930.

Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e um dos curadores do portal, fez uma apreciação das fotografias selecionadas para essa publicação*.

 

 

Várias fotografias creditadas ao tenente J. Kfuri, do Serviço Fotográfico da Aviação Naval, foram publicadas na revista O Cruzeiro, de 7 de junho de 1930. Acima delas, os títulos eram exuberantes e líricos: “Na escuridão da noite como um meteoro…“, “Como um pássaro maravilhoso a aeronave parece voar entre as nuvens e as neblinas matinares” e “O refulgente pássaro aéreo voa sobre os bairros da cidade“, entre outros.

 

 

Na mesma edição, como as admiráveis fotografias do tenente Kfuri pediam um texto de excepcional significação, foi publicado o artigo Palavras do Ar, do engenheiro e professor Vicente Licínio Cardoso (1889 – 1931), único passageiro brasileiro do Graf Zeppelin. Estava na Europa como delegado da Federação Nacional das Sociedades da Educação, quando foi convidado pela Companhia Zeppelin para representar o país no primeiro voo da aeronave para o Brasil.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Graf Zeppelin no Rio de Janeiro pertencentes ao acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Acessando o link para as fotografias de passagens de zepelins pelo Brasil pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 O primeiro voo do Graf Zeppelin ao Brasil

Ferdinand von Zeppelin

Batizado pela filha do pioneiro dos dirigíveis, o conde Ferdinand Graf von Zeppelin (1838 – 1917), em 8 de julho de 1928, data em que ele completaria 90 anos, o Graf Zeppelin D – LZ127  – graf significa conde – realizou seu primeiro voo em 18 de setembro do mesmo ano. O primeiro voo comercial aconteceu em 11 de outubro, também em 1928. Tinha aproximadamente 236 metros de comprimento e cerca de trinta metros de altura. Seu luxo, tamanho e velocidade encantaram seus passageiros e as populações por onde passava. Sua presença nos céus cariocas foi referido em uma crônica de Manuel Bandeira (1886 – 1968) como um acontecimento empolgante e inédito…um espetáculo…perturbantemente inédito (Diário Nacional, 31 de maio de 1930).

O Graf Zeppelin tinha 10 cabines duplas, dois lavabos, banheiros masculino e feminino, restaurante, cozinha, sala de rádio, sala de navegação e sala de controle. Foi o primeiro balão dirigível a vir ao Brasil, o primeiro a transpor a linha equatorial atravessando o oceano Atlântico no hemisfério sul. Veio em voo experimental e seu destino era o Rio de Janeiro. Prateado, partiu da base de Friedrichshafen, na Alemanha, em 18 de maio de 1930, e fez na manhã do dia seguinte uma parada em Sevilha, na Espanha. Sobrevoou os céus do Recife, primeira parada em terras brasileiras, após um voo de 59 horas conduzido pelo comandante Hugo Eckener (1868 – 1954).  Aterrissou no Aeroporto do Jiquiá, na capital pernambucana, em 22 de maio de 1930, onde era esperado por uma multidão estimada em 15 mil pessoas – a data havia sido decretada feriado pelo prefeito do Recife, Francisco da Costa Maia. A chegada da aeronave foi saudada pelo sociólogo Gilberto Freyre (1900 – 1987), então oficial de gabinete do governador Estácio Coimbra (1872 – 1937) (Diário de Pernambuco, 22 e 23 de maio de 1930). Houve tumulto entre a multidão e a polícia e o cônsul da Inglaterra e sua esposa foram atropelados pela cavalaria (Correio da Manhã, 25 de maio de 1930, terceira coluna). Fotografias sobre a passagem do dirigível por Recife foram publicadas em O Cruzeiro de 7 de junho de 1930.

 

Lista dos passageiros:

 

 

O Graf Zeppelin foi reabastecido com gás e seguiu para o Rio de Janeiro à meia-noite de 23 de maio (Diário de Pernambuco, 24 de maio de 1930).  Finalmente, a aeronave atingiu a cidade às 23:30 do dia 24 e durante toda a madrugada bordejou fora da barra com seus motores parados para não incomodar com barulho os habitantes do Rio. Seu sobrevoo à cidade, na manhã do dia 25 de maio, descrito como empolgante, como um dos mais imponentes espetáculos que poderia ser proporcionado pela aviação moderna, foi assistido por quase toda a população carioca. A espera pelo evento foi como a espera por um convidado de honra, um convidado para quem se reservam todas as atenções, todas as fidalguias, as fidalguias a que se dispensam aos grandes personagens que propositadamente se fazem aguardar com curiosidade…O prefeito Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955) e outras autoridades, dentre elas o embaixador Morgan, dos Estados Unidos, foram receber o comandante Eckener ainda a bordo do zeppelin (Correio da Manhã, 26 de maio de 1930).

 

 

O conde Pereira Carneiro (1877 – 1954) e sua esposa, além do comandante Trompovsky e do capitão Fontenelle, representando o Ministro da Viação, embarcaram no dirigível (Correio da Manhã, 26 de maio de 1930, primeira coluna), que, cerca de uma hora depois da aterrissagem, voltou ao Recife, onde chegou no dia 26 (Correio da Manhã, 27 de maio de 1930). Dois dias depois, iniciou seu retorno à Alemanha. Ao sobrevoar Natal, a tripulação jogou uma coroa de flores sobre a estátua de um dos pioneiros da aviação, Augusto Severo (1864 – 1902), com a mensagem “A Alemanha ao Brasil na pessoa de seu grande filho Augusto Severo” (Correio da Manhã, 29 de maio de 1930). No fim do dia, cruzou a linha do Equador. A passagem por Havana, previamente programada, foi suspensa (Correio da Manhã, 31 de maio de 1930), e o Zeppelin chegou ao Aeroporto de Lakehurst, nos Estados Unidos, em 31 de maio (Correio da Manhã, 1º de junho de 1930). No dia 2 de junho partiu para Sevilha (Correio da Manhã, 3 de junho de 1930), onde chegou no dia 5 (Correio da Manhã, 6 de junho de 1930). Alcançou seu destino final, Friedrichshafen, em 6 de junho de 1930, após 19 dias desde o início de sua viagem tricontinental (Correio da Manhã, 7 de junho de 1930).

 

 

A história dos zeppelins foi interrompida pela explosão do dirigível Hindenburg, ocorrida, 77 horas depois da decolagem em Frankfurt, no final de uma tarde chuvosa, em Lakehurst, em Nova Jeresey, nos Estados Unidos, em 6 de maio de 1937, matando 36 pessoas – 13 passageiros, 22 tripulantes e um membro da equipe de terra (O Jornal, 7 de maio de 1937 e Revista da Semana, 15 de maio de 1937). Realizou 63 voos desde seu primeiro, em 4 de março de 1936. Segundo Claudio Lucchesi, autor do livro Loucos e heróis: fatos curiosidades da história da aviação, o Hindenburg fez 6 voos para o Brasil.

Após cerca de uma década, nenhum acidente foi registrado envolvendo o Graf  Zeppelin. Porém, após a tragédia com o Hindenburg, ainda em 1937, foi retirado de operação e ficou exposto em um hangar de Frankfurt (O Jornal, 19 de junho de 1937, quarta coluna). Foi desmanchado em março de 1940 por ordem de Hermann Goering (1893 – 1946), comandante-chefe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Em nove anos de operação, o Graf Zeppelin realizou 590 voos transportando milhares de passageiros e centenas de quilos de carregamentos e correspondência.

 

 

A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi uma notícia de destaque em vários jornais da época:

A semana ZeppelinFon-Fon, 24 de maio de 1930

O Conde Zeppelin no Rio de Janeiro – Correio da Manhã, 26 de maio de 1930

O rápido pouso do Zeppelin – Como A Noite soube que o dirigível não aterraria no Campo dos AfonsosA Noite, 26 de maio de 1930

O Rio de Janeiro viveu momentos de intensa emoção e entusiasmo com a visita do “Graf Zeppelin”O Jornal, 26 de maio de 1930

Sob aclamação delirante, o povo carioca consagra a jornada audaz do comandante Eckner – O raid triunfante do “Graf Zeppelin’Gazeta de Notícias, 26 de maio de 1930

O entusiasmo que despertou o empolgante espetáculo da chegada do “Conde Zeppelin” – Jornal do Brasil, 27 de maio de 1930

O “Graf” Zeppelin em visita ao Brasil – Continuando a sua rota magnífica, após ter sido aclamado pela população carioca, chegou ontem, pela manhã, a Recife, o grande dirigível alemão – O Paiz, 27 e 28 de maio de 1930

O “Graf” Zeppelin no BrasilO Cruzeiro, 31 de maio de 1930

O morro em polvorosa, por Manoel Bandeira – Diário Nacional, 31 de maio de 1930

A viagem do ZeppelinO Malho, 31 de maio de 1930

De Ícaro a Zeppelin, por Escragnole Dória – Revista da Semana, 31 de maio de 1930

A viagem do “Graf” Zeppelin ao Brasil – O Cruzeiro, 7 de junho de 1930

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Airships.net

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LAUX Paulo F. A memorável passagem do Zeppelin pelo Brasil, 2012. Aeromagazine, 3 de outubro de 2012.

LINS, Fernando Chaves. Por céus nunca d´antes navegados, 2006. Recife: Universidade Federal de Pernambuco

LUCCHESI, Claudio. Loucos e heróis: fatos curiosidades da história da aviação, 1996.

O Estado de São Paulo, 9 de junho de 2015

O Globo, 2 de julho de 2013

 

 

 

De Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e curador da Brasiliana Fotográfica:

Vejam as imagens, verdadeiramente oníricas, dos primeiros vôos dos dirigíveis nos céus do Brasil, fotografados do ar por Jorge Kfury e do solo, em estereoscopias, por Guilherme Santos, entre outros registros preciosos sobre o tema, que integram a Brasiliana Fotográfica. 
Somam-se nestas imagens muitos pioneirismos que marcaram o início do século XX: a aviação, vivendo ainda a convivência entre as duas grandes modalidades das quais Santos Dumont foi pioneiro, os balões dirigíveis e aviões a motor; a fotografia aérea, que concretizou e expandiu as ambições, desde as imagens pioneiras em balão de Nadar, de se realizar registros fotográficos a “olho de pássaro” de todo o território. É neste momento também que a fotografia estereoscópica se une à fotografia aérea para o início dos levantamentos aerofotogramétricos que revolucionariam toda a cartografia mundial.
E no solo, a fotografia estereoscópica era também redescoberta por uma legião de fotógrafos, amadores e profissionais, que, como o carioca Guilherme Santos, dedicaram-se a produzir verdadeiras crônicas visuais de seu tempo. Imagens de uma fotografia documental e direta, em chapas de vidro, porém já fortemente marcadas pelas inovações da época, que levariam a fotografia a novos horizontes de linguagem e representação ao longo do século XX.

*A apreciação de Sérgio Burgi foi integrada à publicação em 26 de maio de 2018.

100 anos do Castelo da Fiocruz: criador e criatura

No terceiro e último texto publicado na Brasiliana Fotográfica sobre o centenário do Castelo da Fiocruz, o pesquisador Renato da Gama-Rosa, da Fiocruz, uma das instituições parceiras do portal, aborda detalhes sobre a construção do edifício e sobre seu projeto arquitetônico. O Castelo da Fiocruz é o local de trabalho de pesquisadores e técnicos que pesquisam, ensinam ciência e saúde pública; e que também fabricam medicamentos essenciais para a população. Projetado pelo arquiteto Luiz Moraes Junior (1872 – 1955), o edifício começou a ser erguido em 1905 e foi concluído em 1918. Os textos anteriores sobre o tema, publicados pela Brasiliana Fotográfica, foram 100 anos do Castelo da Fiocruz: a ocupação da Fazenda de Manguinhos, da jornalista Cristiane d´Avila, e Os pedreiros do Castelo da avenida Brasil, do pesquisador Ricardo Augusto dos Santos.

 

Os 100 anos do Castelo da Fiocruz: criador e criatura

Renato da Gama-Rosa Costa*

Em novembro de 1918 eram concluídos os últimos trabalhos no edifício-sede do então Instituto Oswaldo Cruz, atual Fundação Oswaldo Cruz. Celebra-se em 2018, portanto, os 100 anos de conclusão do que viria ser um dos mais simbólicos e emblemáticos edifícios da paisagem carioca. Seu projeto e sua construção, entretanto, se iniciaram bem antes. Este texto, apoiado por fotografias e desenhos de época, pretende contar o desenrolar dessa história.

 

 

 

O que é hoje a Fundação Oswaldo Cruz se constituiu a partir do ofício nº 490, de 25 de maio de 1900. Segundo Alberto Taveira (1941), arquivista do Instituto Oswaldo Cruz, em fins do ano anterior, o barão de Pedro Affonso (1845 – 1920), diretor do Instituto Vacínico Municipal, que funcionava na região do Catete, havia proposto ao então prefeito do Rio de Janeiro, Cesário Alvim (1939 – 1903), a instalação de um laboratório soroterápico na Fazenda Municipal de Manguinhos, com o objetivo de preparar soro antipestoso em grande escala. Em dezembro daquele mesmo ano, o barão seguia para Europa para adquirir o material necessário à empreitada. O barão retornou de sua viagem em fevereiro de 1900. Com tal ofício, ficavam autorizadas as obras de conclusão do instituto e também a transferência das instalações, então adaptadas pelo barão na Fazenda de Manguinhos, da alçada municipal para a responsabilidade federal. Nascia, assim, o Instituto Soroterápico Federal. Este tornou-se, em 12 de dezembro de 1907, o Instituto de Patologia Experimental; posteriormente, em 19 de março de 1909, em Instituto Oswaldo Cruz. Sessenta anos depois, tornou-se a Fundação Recursos Humanos para a Saúde e, logo em seguida, pelo decreto 66.624, de 22 de maio de 1970, transformou-se na Fundação Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz -, ou, simplesmente, Fundação Oswaldo Cruz, nome que ostenta até os dias de hoje. É uma das maiores instituições de saúde pública do mundo.

Acessando o link para as fotografias do Castelo da Fiocruz e da Fazenda de Manguinhos apresentadas nesse post e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

O Instituto de Manguinhos, como também é conhecido, aproveitou as antigas instalações da fazenda de mesmo nome para abrigar os primeiros laboratórios. Esses foram oficialmente inaugurados em 23 de julho de 1900, utilizando salas adaptadas das antigas casas da fazenda, ou seja, espaços acanhados e de funcionalidade limitada. Recém-chegado de Paris, onde havia aprimorado sua formação no Instituto Pasteur, o médico Oswaldo Cruz (1872 – 1917) seria um dos primeiros a trabalhar no instituto comandado pelo barão. Com a exoneração a pedidos do próprio Pedro Affonso, em dezembro de 1902, Oswaldo Cruz assumiria a direção do instituto com a missão de prosseguir com a fabricação de soros e vacinas e atacar as epidemias de peste, febre amarela e varíola que ameaçavam a então Capital Federal. Com sua nomeação, em 23 de março de 1903, para Diretor Geral de Saúde Pública – função equivalente à época ao de ministro da saúde de hoje -, cargo em que ficou até fins de 1909, Oswaldo Cruz conseguiria as verbas necessárias para erguer melhores instalações para seus laboratórios em Manguinhos.

 

 

 

Admirador de uma boa arquitetura, Oswaldo Cruz veria no engenheiro português Luiz Moraes Junior (1872 – 1955), o construtor ideal de seu instituto. Moraes trabalhava nas obras de reforma da Igreja da Penha por convite feito pelo vigário-geral daquela paróquia, o Padre Ricardo, tendo chegado ao Brasil, vindo da cidade de Faro, sul de Portugal, no ano de 1899. As obras duraram de 1900 a 1902, justamente nos primeiros anos de funcionamento das instalações adaptadas das primitivas casas da Fazenda de Manguinhos. Oswaldo Cruz certamente acompanhou com admiração o serviço elaborado por Moraes na Igreja da Penha, durante a convivência de ambos no trajeto do trem no ramal da Leopoldina, que pegavam para se deslocarem para seus respectivos trabalhos. O cientista teria feito o convite para que Luiz Moraes projetasse os novos laboratórios, talvez por estar descontente com os recursos que eram oferecidos pelo barão de Pedro Affonso. Oswaldo Cruz, com a saída do barão, pôde, finalmente, convidar oficialmente Moraes para projetar as novas instalações dos laboratórios, com o desejo de os tornar os mais avançados à época. O que de fato foi feito.

Moraes trabalhou ao longo de 1903 no desenho das novas e modernas instalações do instituto comandado agora por Oswaldo Cruz. O projeto previa a construção do edifício principal; de biotérios para grandes e pequenos animais; de estrebarias; de um pavilhão para estudo da peste e um pavilhão para desinfecção, incineração e garagem, outro para mictórios, e casas de guarda. Desses, apenas os últimos não foram edificados.No lugar de alguns dos pavilhões não construídos seria erguido o pavilhão dos Medicamentos Oficiais, conhecido como Quinino, anos depois.

As verbas chegariam em finais de 1903, permitindo a construção dos pavilhões da estrebaria – a Cavalariça e o da peste – ou Pavilhão do Relógio. Em 1905, começaram as obras de escavação das bases do que seria o edifício principal do instituto, o Castelo de Manguinhos, o Pavilhão Mourisco. Muitos se perguntam até hoje do porquê da escolha dessa linguagem para a sede principal do instituto de Manguinhos.

A linguagem árabe usada por Moraes em Manguinhos seguiu o fenômeno que atingiu a Europa, a partir da década de 1840, principalmente a Espanha e a Inglaterra, como reação ao classicismo vigente, na tentativa de recuperar a memória artística de épocas de um notável esplendor construtivo (Domingo, 1998: 115).  A burguesia europeia do século XIX adotaria, portanto, a linguagem neoárabe com “(…) conotações de evasão, evocação e singularidade social muito importantes, adotando os palácios de Alhambra como principal modelo referencial que suscitara – sempre por meio da decoração – um amplo repertório emocional” (ibidem).

 

 

Imaginando como seria a sede de seu novo instituto, Oswaldo Cruz fez um croqui para Moraes, onde teria desenhado, segundo Henrique Aragão, em estilo bizantino. Depois, segundo ainda Aragão, “ao tratar do assunto com Luiz Moraes, suas preferências encaminharam-se para o estilo mourisco, mais grandioso e mais fortemente evocador de mistérios como convinha à sede de uma instituição destinada a simbolizar a grandeza da ciência e a perscrutar os segredos da vida” (Aragão, 1950: 34).

O livro sobre Alhambra, editado em 1906, por Albert F. Calvert (1872 – 1946), traz desenhos certamente adotados por Moraes em Manguinhos. Esse transcreve os estudos do arquiteto galês Owen Jones (1809 – 1874) sobre as experiências decorativas mouras de Granada, primeiramente publicadas em 1837, em Londres, sobre o título Plans, elevations, sections and details ofthe Alhambra, de Jules Gpoury e Owen Jones, oriundo da biblioteca particular de Oswaldo Cruz e hoje pertencente ao acervo da Biblioteca de Obras Raras da Fiocruz. Além de Alhambra, acreditamos que houve outras duas grandes influências na construção do Castelo da Fiocruz: o Palácio de Montsouris e a sinagoga de Berlim (COSTA, 2014). Acompanhar a evolução dos projetos realizados para o Castelo de Manguinhos pode revelar a influência que Montsouris, Alhambra e Berlim tiveram na configuração do palácio das ciências.

 

 

Segundo o museólogo Luiz Fernando Ribeiro, na justificativa de tombamento do “conjunto arquitetural de Manguinhos” o primeiro esboço, feito pelo próprio cientista imaginou uma “construção de corpo horizontal, com dois bastiões laterais, um central, dezessete janelas e uma grande porta com escada de acesso ao segundo andar”. “Apresentada a ideia ao arquiteto”, prossegue Luiz Fernando, “este executa um trabalho semelhante ao de Oswaldo Cruz, sem as torres laterais, mas já em estilo mourisco. Segue-se a esse projeto um outro, no qual foram inseridas as duas torres” (RIBEIRO, 1980: B), muito semelhante a Montsouris. Erguido como representante da Tunísia na Exposição Universal de 1867, em Paris, o observatório parisiense teria sido visitado algumas vezes por Oswaldo Cruz, durante sua estada no Instituto Pasteur. A configuração final do projeto, de 1908, com cinco pavimentos, teria sido apresentada após, acreditamos, viagens do cientista e do arquiteto à Alemanha. Oswaldo Cruz esteve por duas vezes nesse país na companhia de Moraes para participar das Exposições Internacionais de Higiene: em 1907, em Berlim, ocasião em que o instituto receberia a Medalha de Ouro; e em 1911, em Dresden. “Na maquete exibida na Exposição de Higiene de Berlim, em 1907, o edifício já se apresentava com as duas torres. Mas só em 1908, com a construção em estágio bem adiantado, Moraes confeccionou o projeto definitivo em cinco pavimentos” (Benchimol, 1990: 110).  Certamente na primeira viagem, ambos teriam tido contato com a Sinagoga de Berlim e se inspirado a concluir o projeto do edifício principal.

 

 

Montsouris

Postal do Observatório de Montsouris (antigo Palácio de Bardo) / Acervo particular

 

 

 

 

Em novembro de 1909, o então ministro do Interior, o médico J.J. Seabra (1855 – 1942), autorizou a liberação de recursos para a finalização das obras para Manguinhos. Essas permitiram que o edifício abrisse seus primeiros laboratórios no ano seguinte. Um desses laboratórios, o situado no segundo pavimento, e onde hoje se encontra uma sala expositiva em memória a Oswaldo Cruz, foi ocupado pelo cientista até sua ida, em 1916, para Petrópolis, para tratar sua insuficiência renal, e onde viria a falecer, em 11 de fevereiro de 1917. Entre agosto de 1916 e fevereiro de 1917, Oswaldo Cruz foi prefeito de Petrópolis.

Entre os anos de 1911 e 1913, outro montante de recursos foi liberado para o prosseguimento das obras, segundo Jaime Benchimol. Entretanto, depois de 1914 e até o ano de 1918, a verba para a finalização das obras do Castelo seria custeada com renda própria do Instituto, proveniente da vacina contra a peste da Manqueira (1990: 107). Prossegue Benchimol: “Em 1918 contratavam-se os últimos serviços para o acabamento do edifício” (IDEM: 119), como os vitrais da biblioteca, instalados em novembro. Portanto, podemos concluir que não existe uma data de inauguração do Castelo. Ele foi sendo finalizado conforme as verbas iam chegando. O próprio Oswaldo Cruz usufruiu de uma sala no edifício sem que ele estivesse totalmente concluído. Uma inscrição calcada na pedra em uma das laterais do Castelo indica o nome de seu autor (Luiz Moraes Jr.) e a data de 1908, ocasião em que eram lançadas as bases do projeto final.

 

 

 

 

 

 

A Fundação Oswaldo Cruz, ao longo de 2018, prepara uma série de homenagens para marcar o centenário de finalização do seu edifício-sede.  Os textos apresentados aqui na Brasiliana Fotográfica sobre a efeméride são parte importante desta celebração.

 

*Renato da Gama-Rosa Costa é pesquisador e professor da Casa de Oswaldo Cruz

 

Fontes

ARAGÃO, Henrique. Notícia histórica sobre a fundação do Instituto Oswaldo Cruz. Serviço Gráfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rio de Janeiro, 1950.

BENCHIMOL, Jaime (org.) Manguinhos do Sonho à Vida: a Ciência na Belle Époque. Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, 1990.

COSTA, Renato da Gama-Rosa (org.) Caminhos da Arquitetura em Manguinhos. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 2003.

COSTA, Renato Gama-Rosa. Monumentos à Ciência: arquitetura neomourisca, eclética e modernista. In: Iglesias, Fabio; Santos, Paulo Roberto Elian; Martins, Ruth B. (Org.). Vida, Engenho e Arte. 1ed. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 2014.

DOMINGO, José Manuel Rodriguez. La Alhambra de Oriente: larestauraciondel patrimônio monumental hispanomusulmán y el medievalismo islámico. Coloquio Internacional de Historiadel Arte. Universidad Nacional Autónoma de México. México, 1998.

RIBEIRO, Luiz Fernando Fernandes. “Conjunto Arquitetural de Manguinhos”. IN BRASIL. Proc. Nº 1.037-T-80. Pedido de tombamento: Instituto Oswaldo Cruz (Manguinhos). Rio de Janeiro. RJ. 1980.

TAVEIRA, Alberto. Resumo histórico da fundação do Instituto Soroterápico Federal, hoje Instituto Oswaldo Cruz. Manguinhos, 1941.

 

Outros textos sobre o assunto publicados na Brasiliana Fotográfica

100 anos do Castelo da Fiocruz: a ocupação da fazenda de Manguinhos por Cristiane d´Avila

100 anos do Castelo da Fiocruz: os pedreiros do Castelo da Avenida Brasil por Ricardo Augusto dos Santos

A Brasiliana Fotográfica, o Dia da Abolição da Escravatura e Machado de Assis na Missa Campal

Para lembrar os 130 anos da Abolição da Escravatura com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888 – acontecimento histórico mais importante do Brasil após a Proclamação da Independência, em 1822 – , a Brasiliana Fotográfica sugere a leitura de todos os textos já publicados no portal que de alguma forma contemplaram o evento. Um deles trouxe a descoberta, realizada pela pesquisadora Andrea Wanderley, editora-assistente do portal, da presença do escritor Machado de Assis (1839 – 1908) na missa campal realizada no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1888. Sobre o dia da abolição, Machado escreveu, anos depois, em 14 de maio de 1893, na coluna “A Semana”, no jornal carioca Gazeta de NotíciasVerdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto.

 

 

A escravidão no Brasil foi documentada pelos fotógrafos do século XIX. Contribuíram para isto o fato de ter a fotografia chegado cedo ao país, em 1840, sendo o imperador Pedro II um grande entusiasta, além do país ter sido o último das Américas a abolir a escravatura. Por cerca de 350 anos, o Brasil – destino de cerca de 4,5 milhões de escravos africanos – foi o maior território escravagista do Ocidente, mantendo este sistema tanto no campo como na cidade – o lugar de trabalho era o lugar do escravo.

 

 

Os escravizados foram retratados por diversos fotógrafos que atuaram no Brasil dos oitocentos que estão representados no acervo da Brasiliana Fotográfica, dentre eles Arsênio da Silva (1833 – 1883), Alberto Henschel (1827 – 1882), Antonio Lopes Cardoso (18? – ?),  Augusto Riedel (1836 – ?), Augusto Stahl (1828 – 1877), Jean Victor Frond (1821 – 1881), José Christiano Junior (1832 – 1902), George Leuzinger (1813 – 1892), João Goston (18? – ?), Marc Ferrez (1843 – 1923)Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e por fotógrafos ainda não identificados.

 

Seguem os links dos artigos:

Dia da Abolição da Escravatura

Missa Campal de 17 de maio de 1888

Machado de Assis vai à missa, de autoria de José Murilo de Carvalho

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

Princesa Isabel (RJ, 29 de julho de 1846 – Eu, 14 de novembro de 1921)

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Mais identificações

 

 

 

Acessando o link para as fotografias de escravizados disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Gastão de Orleáns, o conde d´Eu ( Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 – Oceano Atlântico 28/08/1922)

A Brasiliana Fotográfica apresenta uma seleção de registros de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu. São imagens produzidas pelos fotógrafos Alberto Henschel (1827 – 1882), Arsênio da Silva, Christiano Jr. & Pacheco, Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e por fotógrafos ainda não identificados. Neto do rei Luís Filipe I de França, Gastão de Orleáns, o conde d´Eu, tornou-se príncipe imperial consorte do Brasil quando casou-se com a princesa Isabel (1846 – 1921), filha de d. Pedro II (1825 – 1891) e dona Teresa Cristina (1822 – 1889). O Conde d’Eu e seu primo, o duque Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota (1845 – 1907) desembarcaram no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1864 e hospedaram-se no paço da cidade (Diário do Rio de Janeiro, 3 de setembro de 1864, terceira coluna). Foram para o Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial brasileira onde conheceram as princesas Isabel e Leopoldina (1847 – 1871). Os casais previamente idealizados seriam formados por d. Gastão e a princesa Leopoldina, e por seu primo e a princesa Isabel. Mas, após alguns dias, devido a afinidades, os casais se rearranjaram.

 

 

Isabel e Gastão casaram-se em 15 de outubro de 1864, na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, em cerimônia celebrada por D. Manoel Joaquim da Silveira, arcebispo da Bahia e primaz do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). O escritor Machado de Assis (1839 – 1908) escreveu na coluna Folhetim uma calorosa descrição do evento (Diário do Rio de Janeiro, edição de 17 de outubro de 1864). O casal passou a lua de mel em Petrópolis, de onde retornou no dia 24 de outubro. Devido à união, o conde d´Eu teve que renunciar aos seus direitos à linha da sucessão ao trono francês. Em 15 de dezembro, foi realizado o casamento da princesa Leopoldina com o duque de Saxe (Diário do Rio de Janeiro, de 16 de dezembro de 1864).

 

 

Acessando o link para as fotografias do conde d´Eu disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

 

Juntos, Isabel e Gastão formaram uma coleção de fotografias que se encontra na Europa e representa um importante acervo iconográfico do oitocentos no Brasil. Fazem parte da coleção fotografias de Marc Ferrez (1843 – 1923), Alberto Henschel(1827 – 1882)Augusto Riedel (18? – ?)Augusto Stahl (1828 – 1877), George Leuzinger (1813 – 1892), e Victor Frond (1821 – 1881),  dentre outros, além de imagens das celebrações da abolição da escravatura, em 1888.

Após cerca de 10 anos de casados, em 28 de julho de 1874, a princesa Isabel deu à luz a uma menina natimorta, Luísa Vitória de Orléans e Bragança (Diário do Rio de Janeiro, edição de 29 de julho de 1874, sob o título “Parte Official”). O casal teve o primeiro filho, Pedro de Orléans e Bragança (1875 – 1940), nascido em 15 de outubro de 1875, em Petrópolis (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1875, sob o título “Diário do Rio”). O segundo filho, Luis Maria de Orléans e Bragança (1878 – 1920), também nasceu em Petrópolis, em 26 de janeiro de 1878  (Diário do Rio de Janeiro, edição de 27 de janeiro de 1878, na segunda coluna). Faleceu em Cannes, na França, em março de 1920. O último, Antonio Gastão de Orléans e Bragança (1881 – 1918), nasceu em Paris em 9 de agosto de 1881 (Gazeta de Notícias, edição de 10 de agosto de 1881, na primeira coluna) e faleceu em 29 de novembro de 1918, devido a um desastre de avião, em Londres.

 

 

O conde d´Eu participou da Guerra do Paraguai (1864 – 1870), tendo assumido o comando em chefe das forças nacionais em campanha, em 1869, substituindo Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803 – 1880). Retornou à corte em 29 de abril de 1870, após ter vencido as batalhas de Pirebebuy e Campo Grande.

 

 

Em 17 de novembro de 1889, dois dias após a proclamação da República, a família real partiu para o exílio, na Europa (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna). Isabel e Gastão foram morar na França. Em 3 de setembro de 1920, realizou-se no salão de despachos do palácio do Catete a assinatura do decreto que revogava o banimento da família imperial (O Paiz, 4 de setembro de 1920, quarta coluna).

O conde d´Eu faleceu, em 28 de agosto de 1922,  justamente quando voltava ao Brasil para celebrar o centenário da independência do país. Estava a bordo do navio Massilia (O Paiz, 29 de agosto de 1922, penúltima coluna). Em 6 de julho de 1953, chegaram no Rio de Janeiro os restos mortais da princesa Isabel e do conde D’Eu (Correio da Manhã, edição de 7 de julho de 1953 e O Cruzeiro, 18 de julho de 1953), que foram transladados, em 1971, da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro para a igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos (Correio da Manhã, edição de 11 de maio de 1971) e, finalmente, foram sepultados na Catedral de Petrópolis (Correio da Manhã, edição de 14 de maio de 1971).

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes

BESOUCHET, Lídia. Exílio e morte do Imperador. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

DEL PRIORI, Mary. O Castelo de papel. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

DORATIOTO, Francisco Fernando Monteoliva. Maldita Guerra. São Paulo:Companhia das Letras, 2002.

ECHEVERRIA, Regina. A História da Princesa Isabel – amor, liberdade e exílio. Rio de Janeiro: Versal Editores, 2014.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LIMA, Luiz Octavio de. A Guerra do Paraguai. São Paulo:Planeta do Brasil, 2016.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

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