O objeto de trabalho: Augusto Malta e sua câmera fotográfica

O objeto de trabalho: Augusto Malta e sua câmera fotográfica

Beatriz Kushnir e Carolina Ferro*

 

A facilidade com a qual produzimos uma fotografia nos dias atuais faz com que nos esqueçamos das dificuldades enfrentadas no passado para registrar um determinado momento, monumento ou evento. Da vinda do daguerreótipo para o Brasil, na década de 1840, até as primeiras décadas do século XX, os objetos destinados às fotografias eram muito maiores e mais complexos. As imagens eram, em sua grande maioria, em preto e branco, tendo em vista que a versão colorida era uma novidade que seria popularizada aos poucos, pós 1907. Também aos poucos os fotógrafos se profissionalizavam e se preocupavam com seus instrumentos de trabalho, acompanhando os avanços técnicos que se aceleravam. Nesse período, mais especificamente no início do século XX, Augusto Malta, fotógrafo oficial do município do Rio de Janeiro, foi um dos nomes mais célebres da fotografia no Brasil.

Malta percorreu a cidade do Rio de Janeiro com diversas câmeras, uma boa parte operada com chapas de vidro à base de gelatina. Segundo Amanda Danelli Costa (2019), essas chapas eram bastante sensíveis à luz, o que permitiam “diafragmas bem fechados e velocidades de obturador entre um segundo e um quarto de segundo”, o que é um avanço se compararmos com os vários minutos que a fotografia demorava a ficar pronta nos seus primórdios. Segundo a autora (COSTA, 2019), os objetos de trabalho de Malta carregavam grandes formatos de negativos (24X30 cm, 18X24 cm e 13X18 cm) e essas informações nos ajudam a afirmar que as técnicas e as câmeras utilizadas por ele são essenciais para a compreensão da qualidade das fotografias que esse profissional nos proporcionou durante mais de 30 anos de trabalho. Ele se deslocava pela cidade sempre com uma câmera pesada, um tripé de madeira, um flash de magnésio e uma maleta com as chapas (BUENO, 2014). Uma dessas câmeras se encontra, hoje, no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

 

Máquina fotográfica de Augusto Malta

Máquina fotográfica de Augusto Malta

 

Não cabe aqui retomar toda a vida de Augusto Malta, tão amplamente divulgada por inúmeros estudiosos. Mas cabe salientar que detalhes importantes de sua vida profissional estão em documentos encontrados no AGCRJ. Do decreto de nomeação à aposentadoria, o viés público de Malta nos faz refletir sobre a prática de produção de uma memória política e histórica pelo poder público e sobre a importância da fotografia como documento.

O alagoano Augusto Malta tornou-se fotógrafo através do decreto n° 445, de 27 de junho de 1903, publicado pelo prefeito Pereira Passos, um dos grandes responsáveis pela remodelação da cidade do Rio de Janeiro. Dentre suas atribuições, estavam “tirar provas photographicas, no número que for necessário, dos edifícios, monumentos, obras da municipalidade e pontos do Districto Federal que lhe forem determinados e bem assim, quando o diretor geral o julgar conveniente, auxiliar o expediente da Directoria”, que era a de Obras e Viação. Para cumprir com uma missão tão grandiosa, Malta precisou de auxiliares, sendo os seus filhos, Aristógiton e Uriel, os mais conhecidos.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Augusto Malta e de seus filhos Aristógiton e Uriel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Em 1909, o cargo de fotógrafo oficial da prefeitura foi extinto, mas em 1913 ele foi recriado e Malta foi o escolhido para ocupar esse lugar devido ao seu profissionalismo e à qualidade de suas fotografias. Ele começou seu trabalho de forma amadora, mas era um grande estudioso e autodidata, o que fez com que aprimorasse sua técnica e a qualidade de suas obras. Ficou na prefeitura até 25 de agosto de 1936, quando se aposentou, tendo passado por 19 prefeitos, comprovando que as disputas políticas pelas quais o Brasil enfrentou, inclusive no período dos movimentos da década de 1930, deixaram intocáveis seu serviço público muito bem prestado. Quem o substituiu foi seu filho Aristógiton, sendo nomeado alguns dias depois, em 9 de setembro do mesmo ano.

No percurso da carreira de Malta, há um momento que, para os historiadores e pesquisadores do Rio de Janeiro em geral, é precioso. Em 1931, o cargo de fotógrafo oficial da prefeitura passa da Diretoria Geral de Viação e Obras para a Diretoria Geral de Engenharia e, no ano seguinte, através do decreto n° 3.759, de 30 de janeiro, novas atribuições somam-se às já relatadas. Agora, é necessário “§2 – Organizar o Archivo photographico e histórico dos serviços executados” e “§3º – Fornecer ao Archivo geral as fotografias históricas relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimonias realisadas e que tiverem sido photographadas”. Isto significa que Malta passa a ser obrigado por lei a entregar o material produzido na execução de seu trabalho ao Arquivo do Distrito Federal, atual AGCRJ. Graças a essa decisão é que temos mais de 30 mil negativos de Malta em nosso acervo, uma vasta coleção que carrega a história das fotografias e suas técnicas, bem como a história de nossa cidade.último decreto nos faz supor que, ao se aposentar, Malta também teria entregado uma de suas câmeras (talvez a mais utilizada para os serviços da prefeitura), tendo em vista que era um patrimônio da municipalidade, mas, infelizmente é só uma suposição. Malta continuou trabalhando como fotógrafo até sua morte, por enfarto, aos 93 anos.

 

 

A Câmera que se encontra no AGCRJ, provavelmente, é uma Speed Graphic, da empresa Graflex. Lançada pela primeira vez em 1912, ela tinha como propósito ser um instrumento de fotografia de paisagens, voltadas para profissionais que necessitavam de uma câmera mais leve, eficaz e preparada especificamente para esta função. Possivelmente, esse objeto foi adquirido bem depois de seu lançamento, tendo em vista que, à época, as novidades tecnológicas não chegavam com a mesma rapidez que nos dias atuais e, muitas vezes, era necessário importa-las. Sua qualidade é tão notável que, ainda hoje, existem fotógrafos que usam essa câmera para ter a mesma experiência do passado.

 

Máquina fotográfica de Augusto Malta

Máquina fotográfica de Augusto Malta

 

Ao pesquisar sobre a câmera utilizada por Augusto Malta, inúmeras questões são levantadas. Como e quando ela chegou ao AGCRJ? Em que momentos Malta utilizou esse instrumento? Será que ela foi uma das câmeras mais utilizadas pelo fotógrafo? Por que decidiram doar esta e não as outras câmeras? Qual era a circulação e como era a utilização desse tipo de câmera no Rio de Janeiro e no Brasil? Onde esse objeto teria sido comprado?

Infelizmente não temos muitas informações sobre a câmera de Augusto Malta, tendo em vista que os funcionários do Arquivo do Distrito Federal da época não registraram sua entrada, nem suas especificidades. Por isso, convidamos especialistas em câmeras fotográficas e em história da fotografia a visitarem o AGCRJ e nos ajudarem a resgatar um pouco mais da memória desse que foi um personagem icônico de nossa cidade e que nos forneceu inúmeros caminhos de pesquisa.

 

Máquina fotográfica de Augusto Malta

Máquina fotográfica de Augusto Malta

 

 

*Esse artigo teve uma preciosa ajuda na pesquisa e revisão de Rafael Martins de Araújo, estagiário da Gerência de Pesquisa do AGCRJ.

Beatriz Kushnir é diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). Tem estágio pós-doutoral pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e é doutora em História pela mesma instituição.

Carolina Ferro é gerente de pesquisa do AGCRJ, professora do Centro Universitário Carioca (UniCarioca) e doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

Fontes:

Fontes secundárias:

Livros e artigos:

BUENO, Débora Gauziski de Figueiredo. Documentando a experiência urbana carioca: o Rio de Janeiro pelas fotografias de Augusto Malta e do Rio 365. 2014. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.

COSTA, Amanda Danelli. Augusto Malta e a fotografia da alma dos quiosques cariocas. Acervo, Rio de Janeiro, v. 32, n. 2, p. 117-132, maio/agosto 2019.
______. Impressões imagéticas: história, memória e a fotografia carioca de Augusto Malta. 2007. Dissertação (Mestrado em História Social da Cultura) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

TURAZZI, Maria Inez. Câmara fotográfica de Marc Ferrez. In: KNAUSS, Paulo; LENZI, Isabel; MALTA, Marize (Orgs.). História do Rio de Janeiro em 45 objetos. Rio de Janeiro: FGV Editora / Jauá editora / FAPERJ, 2019.

KOSSOY, Boris. O daguerreotipo nos trópicos. Jornal da USP. Publicado em: 29 mar. 2019. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=233593. Acesso em: 30 jul. 2019.

LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (Coord.). Augusto Malta: catálogo da série negativo em vidro / Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1994.

MOREIRA, Regina da Luz. Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio. Portal Augusto Malta. Publicado em: 18 ago. 2008. Disponível em: http://portalaugustomalta.rio.rj.gov.br/blog-post/augusto-malta-dono-da-memoria-fotografica-do-rio. Acesso em: 30 jul. 2019.

Sites:

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/speed-graphic/which-model.html. Acesso em: 15 ago. 2019.

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/speed-graphic/graphic-models.html. Acesso em: 15 ago. 2019.

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/graflex-products-list.html. Acesso em: 15 ago. 2019.

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/speed-graphic/. Acesso em: 16 ago. 2019.

CLEAVE, Joe Van. A 75 year Old Camera Review. Youtube. Publicado em: 28 mar. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IQEXobv3OC4. Acesso em: 15 ago. 2019.

LENG, Bopp. Graflex Pacemaker Speed Graphic. Youtube. Publicado em: 19 jan. 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/results?search_query=Graflex+speed+graphic++1920. Acesso em: 15 ago. 2019.

Fontes primárias:

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 445, de 27/06/1903.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 1365, de 22/07/1919.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 3484, de 13/04/1931.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 3759, de janeiro de 1932.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Boletim da PDF. Jul./set. 1936, p. 316.

 

 

Cronologia de Augusto Malta

Andrea Wanderley**

 

1864 – Em 14 de maio, Augusto Cesar Malta de Campos nasceu em Mata Grande, Alagoas, filho do escrivão Claudino Dias de Campos e Blandina Vieira Malta de Campos. Foi batizado em 5 de junho, na matriz de Nossa Senhora de Mata Grande.

1886 – Deixou de morar com o padre Antonio Marques de Castilho, com quem havia ido residir por decisão de seu pai, que queria que ele seguisse a carreira religiosa. Alistou-se no Exército, no Recife. Pretendia seguir a carreira militar, mas, posteriormente, quando cumpriu o prazo de tempo de serviço, foi dispensado.

1887 - Serviu no Exército como cadete sargento. Tornou-se republicano e participou com estudantes de encontros revolucionários.

1888 – Em maio, participou, ainda no Recife, de manifestações a favor da abolição da escravatura. No fim desse ano, chegou ao Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego na cidade foi o de auxiliar de escrita da Casa Leandro Martins, localizada na rua dos Ourives, atual rua Miguel Couto.

1889 - Foi promovido a guarda-livros. Participou dos acontecimentos de 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República no Brasil e, no dia seguinte, foi um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dando posse ao governo provisório republicano.

1890 – Por volta desse ano, Augusto Malta visitou a família, em Alagoas, e trouxe, para o Rio de Janeiro, seus irmãos Alfredo e Joaquim Pópolo. Seus irmãos Fernando e Teófilo vieram para o Rio um pouco depois. Casou-se com sua prima distante, a alagoana Laura Oliveira Campos. O casal teve cinco filhos: Luthgardes (1896-?), Arethusa (1898-1913), Callisthene (1900-1919), Aristocléa (1903-1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; e Aristógiton (1904-1954). Todas as filhas do casal morreram de tuberculose. Durante a década de 1890, abriu casas comerciais, mas não foi bem sucedido. Fundou uma loja de secos e molhados, a Casa Ouvidor, na rua de mesmo nome, mas teve que fechá-la. Depois, instalou outra loja de secos e molhados, na rua Larga de São Joaquim, atual avenida Marechal Floriano, que também não prosperou. Começou, então, a vender tecidos finos.

1900 – Em agosto, foi criado, entre os sócios do Congresso Commercial, o Grupo de Velocemen com o objetivo de organizar passeios ciclísticos pela cidade. Augusto Malta foi aclamado secretário da agremiação (Semana Sportiva, 25 de agosto de 1900, na seção “Velocipedia”).  Foi noticiado o passeio ciclístico inaugural do grêmio velocipédico (Semana Sportiva, 29 de setembro de 1900, na seção “Velocipedia”). Um dos clientes de Malta, um aspirante da Marinha, propôs que ele trocasse a bicicleta, que usava para entregar encomendas de tecidos, por uma máquina fotográfica. No início, Malta não aceitou, mas dias depois concordou com a troca. Continuou a vender fazendas, a pé, e começou, então, a se interessar por fotografia. Aos domingos, saía para tirar fotografias com um amigo, também fotógrafo amador.

1903 – Foi apresentado pelo empreiteiro Antônio Alves da Silva Júnior, fornecedor da Prefeitura do Rio de Janeiro, que já havia visto suas fotografias, ao prefeito, Francisco Pereira Passos (1836-1913), que promovia uma grande reforma urbana na cidade, que ficou conhecida como o “bota-abaixo”. Ele precisava de um fotógrafo para registrar as obras e os imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações. Em 27 de junho, pelo Decreto Municipal 445, Augusto Malta foi nomeado fotógrafo da Prefeitura do Distrito Federal. O cargo foi criado para ele e era subordinado à Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura. Trabalhou durante 33 anos para a Prefeitura do Rio de Janeiro.

1904 – Fotografou a comemoração do Dia do Trabalho, promovida por Domingo Rodrigues Pacheco e Antônio Alves da Silva Júnior, proprietários das pedreiras situadas à rua Conselheiro Bento Lisboa (Correio da Manhã, 02 de maio de 1904, sob o título “Um almoço”). Este último foi quem apresentou Malta a Pereira Passos. Malta um dos fundadores da Sociedade Cartophila Emanuel Hermann, uma associação incentivadora da divulgação de cartões-postais.

Foi realizada no escritório do jornal Correio da Manhã uma exposição com as fotos que Malta produziu da Batalha de Flores, e de outras de sua autoria (Correio da Manhã, 29 de setembro de 1904, quarta coluna).

1905 – O então prefeito Pereira Passos, na Mensagem enviada ao Conselho Municipal, chamava atenção para a importância do trabalho realizado no laboratório fotográfico da Diretoria de Obras e Viação pela verificação que permitirá aos vindouros da transformação que operam na cidade com os melhoramentos ora em execução. No dia 7 de novembro, ocorreu um incêndio de grandes proporções no Centro do Rio de Janeiro, entre as ruas do Lavradio, da Relação, dos Inválidos e do Rezende. O laboratório e a residência de Malta, localizados na rua do Lavradio, nº 96, foram atingidos. Ele e a família conseguiram escapar apenas com a roupa do corpo (O Paiz, 8 de novembro de 1905, sob o título “Pavoroso Incêndio). Na ocasião, foram destruídos cerca de quinhentos clichês da coleção de Malta de pontos demolidos ou desaparecidos da cidade do Rio de Janeiro, devido à reforma urbana promovida pela Prefeitura.

Foi contratado pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited – que ficaria popularmente conhecida como Light. Ao longo dos anos, prestando serviços para a empresa, Malta fotografou as atividades modernizadoras da Light no Rio de Janeiro, como a implantação dos bondes elétricos e da iluminação pública.

1906 – Faleceu sua esposa, Laura Oliveira Campos. Augusto Malta passou a viver maritalmente com Celina Augusta Verschueren (1884 – 19?), que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, Malta teve mais quatro filhos: Dirce (1907 – ?), Eglé (1909 – ?), Uriel (1910 – 1994) e Amaltéa (1912 – 2007).

Fotografou a Conferência Internacional Pan Americana, inaugurada, no Rio de Janeiro, em 23 de julho. Durante o evento, conheceu Joaquim Nabuco, na época representante do Brasil nos Estados Unidos. Tornaram-se amigos.

Em setembro, feriu sua mão esquerda fazendo experimentos com a câmara escura (Correio da Manhã, 12 de setembro de 1906,a primeira coluna, abaixo de “Assistência à Infância”).

Obteve a carta patente de major da Guarda Nacional assinada pelo então presidente da República, Afonso Pena (1847-1909). 

Foi identificado como major, além de fotógrafo da Prefeitura, quando fez uma visita ao ministro da Justiça e Negócios Interiores, Felix Gaspar de Barros e Almeida (1865 – 1907), que foi fotografado por ele (Correio da Manhã, 26 de setembro de 1906, na seção “Do Maranhão”, na sexta coluna).

1907 – Participou com fotografias que documentavam as transformações do Rio de Janeiro da Terceira Exposição do Photo-Club e primeira do Salão Livre de Belas Artes, promovida pelo Photo-Club. A mostra, realizada no Museu Commercial, na avenida Central, contava com 170 fotografias e 142 pinturas (Gazeta de Notícias, 13 de agosto de 1907, sob o título “Nossos Artistas”). Ganhou o terceiro prêmio na categoria de profissionais. O júri não considerou nenhum dos trabalhos merecedores do 1º e 2º lugares (O Paiz, 28 de agosto de 1907, abaixo da propaganda “Retalhos e Saldos”).

Malta apareceu em duas fotos da revista O Malho. Na primeira, de 3 de agosto de 1907, foi fotografado durante a queima das listas e cadernetas que serviram para o recenseamento feito pelo ex-prefeito Pereira Passos. Na edição de 10 de agosto, foi fotografado participando da inauguração oficial, pela Light and Power, do serviço de distribuição de energia elétrica, produzida por motor hidraúlico, no Rio de Janeiro.

1908 – Colaborou com fotografias na revista Exposição Nacional, edição especial da Revista da Época, fundada por Carlos Vianna.

1909 –  A Prefeitura, através da Diretoria de Estatística, ilustrou o guia La ville de Rio de Janeiro et ses environs com algumas de suas fotografias.

Foi extinto o cargo de Malta, que ficou adido à Subdiretoria de Serviços da Carta Cadastral, na Diretoria de Obras e Viação. Prestou, então, serviços particulares de fotografia para o ex-prefeito Pereira Passos.

Malta encontrou os equipamentos fotográficos que haviam sido roubados de sua casa (A Notícia, 26 de agosto de 1909, sob o título “Apprehensão de Furto“).

Passou a ser sócio efetivo do Centro Alagoano (O Século, 7 de outubro de 1909, sob o título “Centro Alagoano“).

Com o prefeito do Rio de Janeiro, Serzedelo Correa ( 1858-1932), visitou a Villa Ipanema e participa da inauguração da área de diversões da Brahma (O Paiz, 29 de novembro de 1909, sob o título “Villa Ipanema”).

1910 - Criou o Centro Fotográfico de Propaganda no Brasil.

Por ordem do prefeito Serzedelo Correa, foi posto à disposição da comissão de inspeção escolar (Gazeta de Notícias, 6 de agosto de 1910, na seção “Prefeitura“).

1911 – Em junho, fotografou o presidente da República, Hermes da Fonseca (1855 – 1923).

Foi autorizado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Bento Ribeiro ( 1856-1921), a organizar a galeria dos ex-prefeitos (Gazeta de Notícias, 10 de julho de 1911, na seção “Prefeitura“).

Em outubro, lançou, em edição de autor, o Álbum geral do Brasil, primeiro fascículo de uma coleção de fotos do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras.

1913 – O prefeito Bento Ribeiro recriou o cargo de fotógrafo oficial da Prefeitura e Malta foi reconduzido à sua antiga posição.

1914 - No Palácio da Guanabara, retratou o presidente da República, Wenceslau Brás (1868-1966) (Gazeta de Notícias, 14 de dezembro de 1914, última notícia da terceira coluna).

1919 – Foi inaugurada a nova sede do Centro Alagoano, sob a direção de Augusto Malta, na rua São José nº 34 (Gazeta de Notícias, 9 de março de 1919).

Com uma nota ilustrada com foto, foi noticiado o aniversário de Augusto Malta (Gazeta de Notícias 14 de maio de 1919).

1922 - Pela primeira vez, devido ao acúmulo de trabalho ocasionado pela Exposição do Centenário da Independência, Malta contratou um ajudante – seu irmão, Teófilo.

1925 – Quando prestava um serviço para a Sul América, uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica dilacerou um de seus dedos. Malta foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Seu filho, Aristógiton, começou a auxiliá-lo na Prefeitura.

1930 – Ao longo dessa década, suas fotos ilustraram artigos de Ulysses de Aguiar, um dos pseudônimos de Luiz Gastão d’ Escragnolle Dória (1869-1948), na Revista da Semana, e também de outros autores (Revista da Semana, 2 de fevereiro de 1935, 2 de março de 193527 de julho de 193522 de outubro de 1938).

Em 13 de maio, foi inaugurada, na Associação Brasileira de Imprensa, uma exposição individual de fotografias de Augusto Malta, “O Rio de Janeiro Antigo”.

1931 -1932 –  A Diretoria Geral de Obras e Viação foi substituída pela Diretoria Geral de Engenharia e Malta começou a organizar o arquivo histórico e fotográfico dos serviços executados. Começou então a fornecer ao Arquivo Público as fotografias relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimônias realizadas.

1936 – Malta deu uma entrevista sobre a extinção dos quiosques no Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 10 de janeiro de 1936). Uma semana depois, um leitor contestou a entrevista (Correio da Manhã, 17 de janeiro de 1936, na última coluna, sob o título “Os velhos kiosques do Rio de Janeiro”).

Foi concedida a ele, pela Associação Brasileira de Imprensa, a carteira de jornalista profissional (Diário Carioca, 4 de abril de 1936).

O jornal O Globo de 1° de agosto, publicou uma matéria sobre a elegância de Malta e comentou o fato dele ter lançado a moda dos óculos de aro de tartaruga. Comentou, também, que ele sempre usava um panamá de fita preta. Sempre sem colete, ao pescoço esvoaçava e ainda esvoaça como borboleta uma gravata de laço preto.

Em 25 de agosto, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por seu filho, Aristógiton, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Posteriormente, seu outro filho, Uriel, passou a trabalhar com o irmão. Augusto Malta continuou a trabalhar como fotógrafo.

Foi um dos colaboradores da homenagem que o Diário de Notícias publicou na ocasião do centenário do ex-prefeito Pereira Passos (Diário de Notícias, 29 de agosto de 1936). Com a publicação de uma foto de Malta, o suplemento do jornal A Noite agradeceu a Malta por ter facilitado singularmente o trabalho de reminiscência fotográfica da remodelação da cidade em uma matéria publicada pelo periódico na ocasião do centenário de Pereira Passos (A Noite, 1º de setembro de 1936).

Malta foi um dos homenageados por serviços prestados ao Centro Alagoano, na ocasião da comemoração do 119º aniversário da emancipação de Alagoas e do 49º aniversário da associação (A Offensiva, 16 de setembro de 1936, na última coluna, sob o título “Emancipação política do Estado de Alagoas”).

1937 - Participou, como escrutinador, das eleições da Associação Brasileira de Imprensa (Correio da Manhã, 4 de maio de 1937, na terceira coluna).

1938 – Foi publicada uma reportagem sobre Augusto Malta. Nela, Malta comentou ter produzido a foto do Barão de Rio Branco de costas por sugestão do escultor Rodolfo Bernardelli (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1938).

O jornal Diário da Noite sugeriu que a Prefeitura adquirisse o arquivo fotográfico de Malta (Diário da Noite, 2 de março de 1938, na última coluna, sob o título “Uma suggestão do Diário de Noite”).

Tornou-se sócio honorário do Centro Carioca (O Imparcial, 29 de junho de 1938, sob o título “A grande Assembléa Geral do Centro Carioca”).

Foi lançado o livro O Rio de Janeiro de meu tempo, de Luiz Edmundo, ilustrado com fotos de diversos fotógrafos, dentre eles, Malta (O Jornal, de 28 de agosto de 1938).

O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”).

1939 – O Diário da Noite publicou uma fotografia de autoria de Malta, de 1907, em que o escritor Machado de Assis foi retratado tendo uma síncope e sendo socorrido por populares no Cais Pharoux (Diário da Noite, 21 de junho de 1939).

1940 – Durante essa década, suas fotos ilustram vários artigos de Luiz Gastão d’ Escragnolle Dória (1869-1948) na Revista da Semana.

Foi morar em Niterói e anunciou a venda de alguns de seus quadros (Correio da Manhã, 8 de fevereiro de 1940, na primeira coluna, sob o título “Photographias do Rio Antigo”).

1941 – Vende para a Biblioteca Nacional 280 fotos distribuídas em vários álbuns.

Na coluna assinada por Roberto Macedo, intitulada “Notas Históricas – A Primeira Posse Republicana”,  no Correio da Manhã, Augusto Malta foi citado como um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1889, dando posse ao governo provisório republicano (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1941, na sétima coluna).

1942 – Vendeu fotografias para o Museu Paulista.

Foi a uma missa de Ação de Graças pelo restabelecimento da saúde do presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954), realizada na igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro (O Jornal,  27  de agosto de 1942).

Sofreu uma intervenção cirúrgica (O Jornal, 26 de setembro de 1942, na seção “Notas Mundanas”).

1943 – Malta apoiou que se presenteasse os condutores de bondes no Natal (Gazeta de Notícias, 24 de novembro de 1943).

Em reportagem sobre o Barão do Rio Branco, foram publicadas várias fotos de autoria de Augusto Malta (Illustração Brasileira, outubro de 1943)

1944 – Malta foi roubado por uma ladra na barca entre o Rio de Janeiro e Niterói (Correio da Manhã10 de fevereiro de 1944, na seção “O Dia Policial”).

Na edição de natal da Revista da Semana, de 16 de dezembro de 1944, foi descrito como um nortista tipo perfeito da classificação conhecida: braquicéfalo, altura mediana, maxilares salientes, olhos amendoados como os de um mongol. Na verdade, visto de perfil, parece-se com um soldado de Chiang-Kai-Chek, que tivesse abandonado a farda… Há cinquenta anos usa uma gravata borboleta, dessas preferidas pelos pintores e poetas do século passado.

1945 – Malta foi comparado a Marc Ferrez (Boletim da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, 1945): A documentação fotográfica e de gravuras era, como se vê, abundante e valiosa, oriunda de desenhos de Rugendas e outros, e de fotografias de Marc Ferrez, que desempenhou no Império a função que mais tarde seria, no Rio, exercida por Augusto Malta, fotógrafo da Prefeitura: de documentador pela imagem dos principais acontecimentos de seu tempo”. No Jornal do Brasil, de 11 de fevereiro de 1945, Malta é comparado a José de Alencar, no artigo “A velha e nobre Tijuca”, de Everardo Backheuser: “José de Alencar em Sonhos d´Ouro foi para a Tijuca das cercanias da Guerra do Paraguai o que Augusto Malta representa para o Rio de Janeiro do tempo de Pereira Passos. Cada qual ao seu modo gravou de maneira indelével as recordações do “quadro geográfico” da respectiva era. Graças a Malta, eu e outros temos podido documentar asserções sobre a geografia carioca do princípio do século. José de Alencar vai me servir para ilustrar com exemplos fatos da geografia da Tijuca daqueles afastados tempos. Em artigos posteriores, Backheuser voltou a elogiar o trabalho de Malta.

1946 - Foi noticiado que Augusto Malta teve sua carteira roubada em um bonde no Rio de Janeiro (O Fluminense, 21 de agosto de 1946, sob o título “Cuidado com os batedores de carteiras”).

1947 - Em seu aniversário, foi homenageado pelos jornalistas credenciados junto ao gabinete do prefeito (A Noite, 14 de maio de 1947, na coluna “Sociedade”).

1948 – Publicação da reportagem Centenário de Rodrigues Alves, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (O Cruzeiro, 17 de julho de 1948).

Publicação da reportagem Biografia da cidade – Largo da Carioca, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta e Ângelo Regato (O Cruzeiro, 16 de outubro de 1948).

1949 – Publicação da reportagem Centenário de Joaquim Nabuco, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta, identificado como o fotógrafo mais antigo do Brasil (O Cruzeiro, 20 de agosto de 1949).

Publicação da reportagem Rui na intimidade, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta e Aristogiton Malta (O Cruzeiro, 12 de novembro de 1949).

1950 – Foi internado na Ordem Terceira da Penitência (A Manhã, 19 de janeiro de 1950, na seção “Mundo Social”).

Publicação da reportagem Banho de mar – 1915, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (O Cruzeiro, 22 de abril de 1950).

Por ocasião de seu aniversário, foi saudado como o mais velho repórter fotógrafo do Brasil (A Manhã, 13 de maio de 1950, na seção “Mundo Social“).

Na edição de O Cruzeiro, de 9 de setembro de 1950foi publicada a matéria Biografia da cidade – Do Convento da Ajuda às luzes da Cinelândia , com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta e Luciano Carneiro. Contava a história da Cinelândia e as  fotos antigas que ilustraram a reportagem foram produzidas por Malta, em 1911. São do Convento da Ajuda, de sua demolição e do terreno que ocupava, após a demolição; e do edifício do antigo Conselho Municipal. As fotografias abaixo estavam entre as que foram publicadas na reportagem.

 

 

 

 

1951 – Publicação da reportagem Biografia da Cidade – O Flamengo e suas ressacas, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (O Cruzeiro, 12 de maio de 1951).

1952 – Ao longo desse ano, a coluna “Transformações da Cidade”, do jornal Correio da Manhã, foi ilustrada com fotos de Malta.

Também a partir desse ano até 1955, a coluna “Rio Antigo”, de Charles Julius Dunlop (1908 – 1997), no mesmo jornal, foi, muitas vezes, ilustrada por fotos de Malta. Charles Dunlop e Malta haviam se conhecido na época em que Malta prestava serviços para a Light, empresa na qual Dunlop começou a trabalhar na década de 20.

1953 – Foi publicada uma fotografia dos arquivos de Augusto Malta sobre os banhos a fantasia do carnaval carioca (Diário da Noite, 14 de fevereiro de 1953).

Para ilustrar uma matéria sobre Ipanema, foi publicada uma foto do bairro, tirada por Malta, em 1907 (Diário de Notícias, 27 de março de 1953).

Foi publicado o artigo O Jubileu do Bota Abaixo, sobre a radical reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos no Rio de Janeiro, de autoria do acadêmico Pedro Calmon, com fotos de Augusto Malta (Revista da Semana, 8 de agosto de 1953). Como parte das comemorações da Quinzena do Jornalismo, é um dos 35 decanos da imprensa premiados pelo Sindicato dos Jornalistas com o diploma de honra (Diário Carioca, 21 de novembro de 1953, sob o título “Jornalistas Veteranos”).

1955 - é publicada uma foto de jornaleiros em torno de um quiosque, de Augusto Malta,  sob o título de “O Rio da Velha Guarda” (Diário da Noite, 8 de março de 1955). Na série “Rio de Amanhã”, escrita por Almir de Andrade, é publicada uma foto de Ipanema de autoria de Malta (Diário de Notícias, 1º de maio de 1955). No mesmo ano, foram publicadas pelo Diário de Notícias fotos antigas de Copacabana, do Lido e do Leblon, também de autoria de Malta. Reportagem sobre o lançamento do livro Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop. Publicado pela Editora Gráfica Laemmert Ltda, conta a história do Rio com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Revista da Semana, 5 de novembro de 1955).

1957 – é publicada uma reportagem sobre o arquivo de fotografias de Augusto Malta, na coluna “Letras Vivas” (Diário da Noite, 30 de março de 1957). É lançado o segundo fascículo da publicação Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop, com ilustrações de Ângelo Agostini, reproduzidas da Revista Illustrada, e com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Careta, 4 de maio de 1957, sob o título “Documentário Militar no Rio Antigo”). Em 30 de junho, morte de Augusto Malta, no Hospital da Ordem Terceira da Penitência, devido a uma insuficiência cardíaca. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Caju (Correio da Manhã, 2 de julho de 1957, na seção “Prefeitura”).

Para a elaboração da presente cronologia de Augusto Malta, além da pesquisa em dezenas de periódicos e revistas, valemo-nos, especialmente, do livro Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936, de George Ermakoff, e do artigo de Regina da Luz Moreira, “Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio”, publicado no Portal Augusto Malta.

O lançamento do Portal Augusto Malta, em 2008, foi uma importante iniciativa do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). No portal, estão reunidos o acervo do fotógrafo na referida instituição e no Museu Histórico da Cidade, além de fotografias de seus filhos, Aristógiton e Uriel Malta. Um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, Joaquim Marçal, foi consultor do projeto.

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o Arquivo Fotográfico da Light, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional são outros importantes acervos da obra do fotógrafo.

Link para publicações sobre a obra de Augusto Malta no site do Instituto Moreira Salles

Link para a matéria Banho de mar – 1915, escrita por Raymundo Athayde e ilustrada com fotografias de Augusto Malta, publicada na revista O Cruzeiro, 22 de abril de 1950).

Link para a matéria Do Convento da Ajuda às luzes da Cinelândia, escrita por Raymundo Athayde com fotos de Augusto Malta e Luciano Carneiro, publicada na revista O Cruzeiro, 9 de setembro de 1950. 

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Anais do Museu Histórico Nacional: volume XXXII – 2000, pág 131.

BULHÕES, Antonio & REBELO, Marques. O Rio de Janeiro do bota-abaixo. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997

CAMPOS, Fernando Ferreira. Um fotógrafo, uma cidade: Augusto Malta, Rio de Janeiro: Maison Graphique, 1987.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936 / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm

KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo: Secretaria da Ind., Com., Ciência e Tecnologia, 1980. (Coleção Museu &Técnicas; 4).

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (coord.). Augusto Malta, Aristógiton Malta: catálogo da série negativo em vidro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994. (Biblioteca carioca, 29. Instrumentos de pesquisa)

Nosso Século. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol 1 (1900-1910)

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site da Enciclopédia Itau Cultural

Site do Centro Cultural da Light

Site do Instituto Moreira Salles

Site do Museu da Imagem e do Som

Imagens de Blumenau: por Bernardo Scheidemantel e em álbum do início do século XX

Bandeira de Blumenau

Bandeira de Blumenau

Hoje Blumenau completa 169 anos. A Brasiliana Fotográfica selecionou dois grupos de imagens da cidade: o primeiro pertence à Coleção Thereza Christina Maria, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), e são da autoria do fotógrafo e litógrafo alemão Bernardo Scheidemantel (1834 – 1908); e o segundo é o Álbum de Blumenau, editado por Eugen Currlin (18? – 19?), proprietário de uma livraria, tipografia e comércio de importações, no início do século XX, na cidade catarinense (Gazeta de Itajahy, 12 de outubro de 1892). Esse álbum, com 14 fotos de autor ainda desconhecido, foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles (IMS), em fevereiro de 2002. Os registros dos dois conjuntos são das últimas décadas do século XIX e da primeira década do século XX. São fotos de aspectos da cidade, de suas ruas,  de igrejas – a Igreja Evangélica aparece nos dois conjuntos -, escolas, hospital, vegetação, porto, casas, ponte, estação de trem e hotel. As duas instituições – IMS e FBN – são fundadoras do portal.

O fundador de Blumenau,  a “cidade da cerveja”, em Santa Catarina, foi o farmacêutico e químico alemão Hermann Bruno Otto Blumenau (1819 – 1899), que desembarcou na cidade em 2 de setembro de 1850, com mais dezessete colonos, também alemães. Terceira maior população de Santa Catarina, é o centro econômico do vale do Itajaí onde se destacam as indústrias têxtil e informática. Além disso, é na cidade que acontece durante 17 dias do mês de outubro a Oktoberfest, segunda maior festa de cerveja do mundo, só superada pela de Munique; e a Festitália, realizada pelo núcleo italiano da população.

 

Acessando o link para as fotografias de Blumenau produzidas por Bernardo Scheidemantel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

Acessando o link para as fotografias do Álbum de Blumenau disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

 

Thumbnail

Álbum de Blumenau, c. 1900. Igreja da Matriz, Santa Catarina / Acervo IMS

 

 

 

 

Breve perfil de Carl Bernard Scheidemantel (1834 – 1908)

 

litogravura

Litogravura de Bernardo Scheidemantel, 1876 / Fundação Cultural de Blumenau

 

Precursor da fotografia no vale do Itajaí, o alemão da Saxônia Carl Bernard Scheidemantel era considerado inteligente, crítico e possuidor de um humor peculiar. Nasceu em 3 de dezembro de 1834, em Braunsdorf. Chegou ao Brasil em 1859 e estabeleceu-se na Colônia Blumenau com seus pais, Gottfried Scheidemantel e Johanna Rosine, e com o irmão Ernst. Trabalhou como lavrador e, em 16 de fevereiro de 1862, casou-se com Agnes Müller. Era desenhista e tipógrafo e criou seu próprio portfólio, reunindo grande parte do seu acervo de rótulos e desenhos desenvolvidos para os mais diversos segmentos, a partir de 1860. Foi em torno de 1864 que começou a atuar como fotógrafo. Mas só a partir da década de 1870 passou a se dedicar exclusivamente à fotografia e à litografia, abandonando sua atividade rural.

Nos Anais da Biblioteca Nacional de 1881 estão registrados que duas obras foram produzidas em sua oficina litográfica na Colônia de Blumenau: uma planta da barra do rio Itajaí levantadas pelos guardas marinhas Alfredo José de Abreu e Arthur Índio do Brasil e Silva sob a direção do capitão tenente Carlos Balthazar da Silveira; e um mapa geral levantado pelo engenheiro Emílio Odebrecht, em 1872 ( Anais da Biblioteca Nacional, pág 296 e pág 298).

 

 

 

Em 1883, publicou uma propaganda de seu ateliê fotográfico em Blumenau (Immigrant Wochenblatt, 4 de abril de 1883). Em 1891, anunciou seu trabalho como fotógrafo e gravurista no Immigrant, de 15 de março de 1891. Nos dois anunciava seus serviços em fotografia, impressão de livros e litografia. Produzia fotos de paisagens, fotos de grupos, retratos, ampliações até a metade do tamanho natural, reproduções de desenhos, gravuras em metal, pinturas, ilustrações, planos, mapas, desenho à mão, diplomas, miniaturas de objetos e desenhos trazidos ao ateliê em fotos e gravura. Também anunciava a  preparação de impressos de obras inteiras, relatórios, estatutos para sociedades, catálogos, cartazes, livros escolares, revistas, formulários de todo tipo, letras de câmbio, papel de carta, faturas, notas (em Português!), recibos, memorandos, listas de preços, livros de contabilidade, convites, cartões de visita, noivado e endereço, ilustrados ou não, rótulos para cervejas, vinhos, cigarros, manteiga e (?), em todas as formas e apresentações – impressos em bronze e a cores. A execução era de bom gosto a preços baixos.

 

 

 

 

Em 29 de fevereiro de 1884, naturalizou-se brasileiro (A Regeneração23 de fevereiro de 1884, primeira coluna e 5 de março de 1884, última coluna).
Em Blumenau, era o responsável pelas assinaturas da publicação Reform, que representaria os interesses da Colônia Dona Francisca. No Rio, as assinaturas poderiam ser feitas na Laemmert & Co; em Santos, com Eduard Menn; e, em Berlim, com Rudolf Mosse (Rio-Post, 2 de junho de 1887).

 

 

Em 1885, foi listado como fotógrafo da província de Santa Catarina (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1885). Faleceu em 1908. Seu filho, Franz, também seguiu a profissão de fotógrafo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

SILVA, Carla Fernanda da. A representação fotográfica do progresso na Revista Blumenau em Cadernos. Revista de História Regional 14(1): 168-190, Verão, 2009.

Site do governo de Santa Catarina

RODRIGUES, Geislon Tiago. Bernardo Scheidemantel: a obra de um propagandista alemão na colônia de Blumenau. Blumenau: Editora 3 de maio, 2018.