O Parque Lage no Rio de Janeiro

 

 

A Brasiliana Fotográfica destaca uma imagem aérea do Parque Lage, um importante parque público do Rio de Janeiro, produzida pelo aviador e fotógrafo britânico Sidney Henry Holland (1882 – 1936), por volta de 1930, período em que atuou no Brasil. As informações sobre Holland ainda são esparsas e a Brasiliana Fotográfica pretende, em breve, publicar um artigo sobre ele, que era constantemente visto nos céus do Rio de Janeiro, pilotando seu avião e fazendo propaganda de peças teatrais, de lojas, de filmes cinematográficos e de candidaturas políticas. Além disso, comercializava imagens aéreas que produzia de paisagens e de aspectos da cidade, principalmente, no formato de cartões-postais. O Parque Lage localiza-se no bairro do Jardim Botânico, aos pés do Morro do Corcovado, e ocupa uma área de cerca de 523 mil metros quadrados. É formado por jardins, florestas, grutas, um torreão, o calabouço dos escravos, lagos, represas, por ruínas de um mirante e por um casarão. Originalmente era o Engenho Del Rey, um engenho de açúcar, que pertencia, no século XVI, ao português Antonio Salema (? – 1586), governador do Rio de Janeiro entre 1575 e 1578.

 

Em meados do século XIX, a família Rodrigo de Freitas, então dona das terras, contratou o inglês John Tyndale para modernizar os jardins da propriedade. O paisagista transformou o que era uma floresta em jardins românticos no estilo europeu. Em 1859, parte da fazenda foi adquirida por Antonio Martins Lage (1825 – 1900) pela quantia de oito mil réis e passou a chamar-se Chácara dos Lages. Antônio a transferiu para seus três filhos, Alfredo, Roberto e Antônio Filho, em 21 de novembro de 1900. Em 1913, a chácara foi comprada por César de Sá Rabello, mas, em 1920, o armador e amante das artes Henrique Lage (1881 – 1941), neto de Antonio, tomou posse da propriedade. Ainda na década de 20, contratou o arquiteto italiano Mário Vodrel para projetar o casarão, de estilo eclético. Foram utilizados em seu interior muitos materiais importados da Itália e as pinturas decorativas de seus salões foram realizadas pelo paulista Salvador Paylos Sabaté (1898 – 1965). Os jardins foram  restaurados, em 1926, pelo engenheiro agrônomo mineiro Leonam de Azevedo Penna (1903 – 1979). Henrique Lage casou-se com a cantora lírica italiana Gabriela Besanzoni (1888 -1962), em 1925 (Revista da Semana, 14 de fevereiro de 1925, primeira coluna), e o casal passou a viver no casarão, onde promoviam concorridos saraus e festas, que tornaram a mansão o epicentro da vida social do Rio de Janeiro. Em várias dessas ocasiões, a anfitriã tocava piano e cantava para os convidados. Henrique e Gabriella não tiveram filhos, ele faleceu em 1941 (Jornal do Commercio, 3 de julho de 1941, segunda coluna) e, como estrangeira, Gabriella não pode herdar grande parte dos bens de seu marido (O Cruzeiro, 29 de novembro de 1952, pág. 9). Poucos anos depois, retornou à Itália e passou a lecionar canto. Ela faleceu em 1962 (Tribuna da Imprensa, 20 de julho de 1962, quarta coluna).

O Parque Lage foi alvo de especulação imobiliária em 1956, quando os herdeiros de Henrique cogitaram lotear a mais bela propriedade particular do Rio. A ideia de sua preservação partiu do Conselho Florestal que apelou ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Diário de Notícias, 4 de janeiro de 1956, primeira coluna, e O Semanário, 27 de setembro a 4 de outubro de 1956). Cerca de um ano depois, em 14 de junho de 1957, a propriedade foi tombada pelo IPHAN como patrimônio paisagístico, ambiental e cultural. No casarão do século XIX, funciona desde 1975 a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), uma importante referência para as artes no Brasil. A EAV substituiu o Instituto de Belas Artes, criado em 1950, que funcionava na mansão do Parque Lage desde 1966 (Diário de Notícias, 18 de fevereiro de 1966, primeira coluna, sob “Matrículas” e Jornal do Brasil, 5 de dezembro de 1975). Em 1976, o parque passou ao domínio da União que, cerca de um ano depois, cedeu-o ao IBDF, atual IBAMA, através do Decreto Presidencial 80494. É uma das principais áreas de lazer do Rio de Janeiro.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Memória Lage

Parque Lage em 1944 – por Roberta Mociaro Zanatta com pesquisa de Joanna Balabran – Por dentro do acervo – Blog do IMS

O início dos negócios da família Lage – Revista Navio e Portos – A História da Marinha Mercante Brasileira

Site da Escola de Artes Visuais do Parque Lage

Site do IPHAN

Site Rio & Cultura

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