Augusto Malta (Mata Grande, AL 14 de maio de 1864 – Rio de Janeiro, RJ 30 de junho de 1957)

Foto do Arquivo recortada

Anônimo. Augusto Malta. Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Já em 1900, o alagoano Augusto Malta, que viria a ser o mais  importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, passeava e trabalhava, pedalando pelas ruas da cidade, tendo sido, inclusive, o secretário do Grupo de Velocemen, criado para organizar “passeios e outros divertimentos cyclistas”(Semana Sportiva, 25 de agosto de 1900, na seção “Velocipedia”).

Essa sua relação com a cidade e sua paisagem, construída, inicialmente, por seus deslocamentos com sua bicicleta, se expandiria para a formação de seu significativo legado iconográfico.

Foi, exatamente, a partir da troca de uma bicicleta por uma máquina fotográfica que o Rio de Janeiro ganhou um de seus mais atuantes fotógrafos. Em 1900, Malta comercializava tecidos finos no Centro do Rio e, para fazer entregas de encomendas, usava como transporte a bicicleta. Um de seus fregueses, um aspirante da Marinha, propôs a troca e, a partir desse trato, Augusto Malta começou a se interessar por fotografia.

Em 1903, foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “Bota-Abaixo”. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Augusto Malta e de seus filhos Aristógiton e Uriel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Sobre o início de sua carreira, Malta, em entrevista para Raymundo Athayde, na Revista da Semana, edição de Natal de 16 de dezembro de 1944, comentou:

“Eu, no entanto, continuei a vender fazendas a pé. Quanto à máquina, tomei gosto pela fotografia e, aos domingos, em companhia de um amigo, também amador da arte, tirava vistas da cidade, grupos de amigos etc. Confesso que sentia grande sensação quando via surgirem no papel as belas e surpreendentes imagens que o sal de prata revelava e o hipossulfito fixava a meus olhos, na câmara escura improvisada em minha casa. E vivia assim nesse ingênuo amadorismo, quando um fornecedor da Prefeitura, meu amigo, levou-me para tirar fotografias das obras que então o grande Pereira Passos realizara em 1903. Na época, o Rio começava a mudar a indumentária e remoçar. Por acaso o insuperável Prefeito viu as fotografias que eu tirava por esporte e gostou. Propôs-me um emprego na Prefeitura e eu, sem relutâncias, aceitei”.

Além de ter documentado as transformações urbanas e os grandes eventos da cidade como a Exposição Nacional de 1908, a construção do Teatro Municipal, em 1909; a Revolta da Chibata, em 1910; e a inauguração do Cristo Redentor, em 1931; fotografou personalidades políticas, intelectuais e artísticas; paisagens, monumentos, lojas, o casario decadente e as ressacas. Registrou também aspectos da vida carioca como, por exemplo, o carnaval de rua, o movimento dos quiosques, os eventos sociais, os moradores de cortiços, os vendedores ambulantes, as prostitutas, os marinheiros e cenas de praia.

Suas fotos foram divulgadas em guias turísticos, cartões-postais, revistas e publicações oficiais, tendo ajudado a formar a identidade visual da Belle Époque no Rio de Janeiro e contribuído, decisivamente, para a preservação da memória da cidade. Foi, sem dúvida, um importante incentivador do fotojornalismo no Brasil, tendo fornecido imagens de acontecimentos, pessoas, aspectos urbanos e paisagens para diversas revistas e jornais.

Segundo o artigo de Regina da Luz Moreira, “Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio”, publicado no Portal Augusto Malta do Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, em termos técnicos, Malta “manteve-se sempre fiel ao seu equipamento, só admitindo mudanças a partir do momento em que o filho Aristógiton passou a trabalhar com ele. Foram então introduzidas câmaras americanas e alemãs, as mais modernas então existentes. Mesmo assim, até praticamente os 90 anos continuou a fotografar com chapas de vidro, optando, no entanto, pelas de tamanho mais reduzido, como as de 13 cm por 18 cm”.

Cronologia de Augusto Malta
Augusto Malta. Vista do Rio de Janeiro, 1906. Morro Corcovado, Rio de Janeiro / Acervo IMS.

Augusto Malta. Vista do Rio de Janeiro, 1906. Morro Corcovado, Rio de Janeiro / Acervo IMS.

1864 – em 14 de maio, Augusto Cesar Malta de Campos nasce em Mata Grande, Alagoas, filho do escrivão Claudino Dias de Campos e Blandina Vieira Malta de Campos. É batizado em 5 de junho, na matriz de Nossa Senhora de Mata Grande.

1886 – deixa de morar com o padre Antonio Marques de Castilho, com quem havia ido residir por decisão de seu pai, que queria que ele seguisse a carreira religiosa. Alista-se no Exército, em Recife. Pretendia seguir a carreira militar, mas, posteriormente, quando cumpriu o prazo de tempo de serviço, foi dispensado.

1887 - serve ao Exército como cadete sargento. Torna-se republicano e participa com estudantes de encontros revolucionários.

1888 – em maio, participa, ainda em Recife, de manifestações a favor da abolição da escravatura. No fim desse ano, chega ao Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego na cidade foi o de auxiliar de escrita da Casa Leandro Martins, localizada na rua dos Ourives, atual rua Miguel Couto.

1889 - é promovido a guarda-livros. Participa dos acontecimentos de 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República no Brasil e, no dia seguinte, é um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dando posse ao governo provisório republicano.

1890 – por volta desse ano, Augusto Malta visita a família, em Alagoas, e traz, para o Rio de Janeiro, seus irmãos Alfredo e Joaquim Pópolo. Seus irmãos Fernando e Teófilo vieram para o Rio um pouco depois. Casa-se com sua prima distante, a alagoana Laura Oliveira Campos. O casal tem quatro filhos: Luthgardes (1896-?), Arethusa (1898-1913), Callisthene (1900-1919), Aristocléa (1903-1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; e Aristógiton (1904-1954). Todas as filhas do casal morreram de tuberculose. Durante a década de 1890, abre casas comerciais, mas não é bem sucedido. Funda uma loja de secos e molhados, a Casa Ouvidor, na rua de mesmo nome, mas tem que fechá-la. Depois, instala outra loja de secos e molhados, na rua Larga de São Joaquim, atual avenida Marechal Floriano, que também não prospera. Começa, então, a vender tecidos finos.

1900 – em agosto, é criado, entre os sócios do Congresso Commercial, o Grupo de Velocemen com o objetivo de organizar passeios ciclísticos pela cidade. Augusto Malta é aclamado secretário da agremiação (Semana Sportiva, 25 de agosto de 1900, na seção “Velocipedia”).  É noticiado o passeio ciclístico inaugural do “grêmio velocipédico” (Semana Sportiva, 29 de setembro de 1900, na seção “Velocipedia”). Um dos clientes de Malta, um aspirante da Marinha, propõe que ele troque a bicicleta, que usava para entregar encomendas de tecidos, por uma máquina fotográfica. No início, Malta não aceitou, mas dias depois concordou com a troca. Continuou a vender fazendas, a pé, e começou, então, a se interessar por fotografia. Aos domingos, saía para tirar fotografias com um amigo, também fotógrafo amador.

1903 – é apresentado pelo empreiteiro Antônio Alves da Silva Júnior, fornecedor da Prefeitura do Rio de Janeiro, que já havia visto suas fotografias, ao prefeito, Francisco Pereira Passos (1836-1913), que promovia uma grande reforma urbana na cidade, que ficou conhecida como9 o “Bota-Abaixo”. Ele precisava de um fotógrafo para registrar as obras e os imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações. Em junho, pelo Decreto Municipal 445, Augusto Malta é nomeado fotógrafo da Prefeitura do Distrito Federal. O cargo foi criado para ele e era subordinado à Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura. Trabalha durante 33 anos para a Prefeitura do Rio de Janeiro.

1904 – fotografa a comemoração do Dia do Trabalho, promovida por Domingo Rodrigues Pacheco e Antônio Alves da Silva Júnior, proprietários das pedreiras situadas à rua Conselheiro Bento Lisboa(Correio da Manhã, 02 de maio de 1904, sob o título “Um almoço”). Este último foi quem apresentou Malta a Pereira Passos. Malta um dos fundadores da Sociedade Cartophila Emanuel Hermann, uma associação incentivadora da divulgação de cartões-postais (junho). É realizada uma exposição com as fotos que Malta tirou da Batalha de Flores, e de outras de sua autoria (Correio da Manhã, 29 de setembro de 1904).

1905 – o então prefeito Pereira Passos, na Mensagem enviada ao Conselho Municipal, chama atenção para a importância do trabalho realizado no laboratório fotográfico da Diretoria de Obras e Viação “pela verificação que permitirá aos vindouros da transformação que operam na cidade com os melhoramentos ora em execução”. No dia 7 de novembro, ocorre um incêndio de grandes proporções no centro do Rio de Janeiro, entre as ruas do Lavradio, da Relação, dos Inválidos e do Rezende. O laboratório e a residência de Malta, localizados na rua do Lavradio, nº 96, foram atingidos. Ele e a família conseguiram escapar apenas com a roupa do corpo (O Paiz, 8 de novembro de 1905, sob o título “Pavoroso Incêndio). Na ocasião, foram destruídos cerca de quinhentos clichês da coleção de Malta de pontos demolidos ou desaparecidos da cidade do Rio de Janeiro, devido à reforma urbana promovida pela Prefeitura. É contratado pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited – que ficaria popularmente conhecida como Light. Ao longo dos anos, prestando serviços para a empresa, Malta fotografa as atividades modernizadoras da Light no Rio de Janeiro, como a implantação dos bondes elétricos e da iluminação pública.

1906 – falece sua esposa, Laura Oliveira Campos. Augusto Malta passa a viver maritalmente com Celina Augusta Verschueren (1884-?),  que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, teve mais quatro filhos: Dirce (1907-?), Eglé (1909-?), Uriel (1910-1994) e Amaltéa (1912-2007). Fotografa a Conferência Internacional Pan Americana, inaugurada, no Rio de Janeiro, em 23 de julho. Durante o evento, conhece Joaquim Nabuco, na época representante do Brasil nos Estados Unidos. Tornam-se amigos. Em setembro, fere sua mão esquerda fazendo experimentos com a câmara escura (Correio da Manhã, 12 de setembro de 1906,a primeira coluna, abaixo de “Assistência à Infância”). Obtém a carta patente de major da Guarda Nacional assinada pelo então presidente da República, Afonso Pena (1847-1909). É identificado como major, além de fotógrafo da Prefeitura, quando faz uma visita ao ministro da Justiça, Felix Gaspar, que é fotografado por ele (Correio da Manhã, 26 de setembro de 1906, na seção “Do Maranhão”, na sexta coluna).

1907 –   participa com fotos que documentavam as transformações do Rio de Janeiro, da Terceira Exposição do Photo-Club e primeira do Salão Livre de Belas Artes, promovida pelo Photo-Club. A mostra, realizada no Museu Commercial, na avenida Central, contava com 170 fotografias e 142 pinturas (Gazeta de Notícias, 13 de agosto de 1907, sob o título “Nossos Artistas”). Ganhou o terceiro prêmio na categoria de profissionais. O júri não considerou nenhum dos trabalhos merecedores do 1º e 2º lugares (O Paiz, 28 de agosto de 1907, abaixo da propaganda “Retalhos e Saldos”). Aparece em duas fotos da revista O Malho. Na primeira, de 3 de agosto de 1907, é fotografado durante a queima das listas e cadernetas que serviram para o recenseamento feito pelo ex-prefeito Pereira Passos. Na edição de 10 de agosto, é fotografado participando da inauguração oficial, pela Light and Power, do serviço de distribuição de energia elétrica, produzida por motor hidraúlico, no Rio de Janeiro.

1908 – colabora com fotografias na revista Exposição Nacional, edição especial da Revista da Época, fundada por Carlos Vianna.

1909 –  a Prefeitura, através da Diretoria de Estatística, ilustra o guia La ville de Rio de Janeiro et ses environs com algumas de suas fotografias. É extinto o cargo de Malta, que fica adido à Subdiretoria de Serviços da Carta Cadastral, na Diretoria de Obras e Viação. Presta serviços particulares de fotografia para o ex-prefeito Pereira Passos. Malta encontra os equipamentos fotográficos que haviam sido roubados de sua casa (A Notícia, 26 de agosto de 1909, sob o título “Apprehensão de Furto“). Passa a ser sócio efetivo do Centro Alagoano (O Século, 7 de outubro de 1909, sob o título “Centro Alagoano“). Com o prefeito do Rio de Janeiro, Serzedelo Correa ( 1858-1932), visita a Villa Ipanema e participa da inauguração da área de diversões da Brahma (O Paiz, 29 de novembro de 1909, sob o título “Villa Ipanema”).

1910 - cria o Centro Fotográfico de Propaganda no Brasil. Por ordem do prefeito Serzedelo Correa, foi posto à disposição da comissão de inspeção escolar (Gazeta de Notícias, 6 de agosto de 1910, na seção “Prefeitura“).

1911 – em junho, fotografa o presidente da República, Hermes da Fonseca. É autorizado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Bento Ribeiro ( 1856-1921), a organizar a galeria dos ex-prefeitos (Gazeta de Notícias, 10 de julho de 1911, na seção “Prefeitura“). Em outubro, lança, em edição de autor, o Álbum geral do Brasil, primeiro fascículo de uma coleção de fotos do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras.

1913 – o prefeito Bento Ribeiro recria o cargo de fotógrafo oficial da Prefeitura e Malta é reconduzido a sua antiga posição.

1914 - no Palácio da Guanabara, tira um retrato do presidente da República, Wenceslau Brás (1868-1966) (Gazeta de Notícias, 14 de dezembro de 1914, última notícia da terceira coluna).

1919 – é inaugurada a nova sede do Centro Alagoano, sob a direção de Augusto Malta, na rua São José nº 34 (Gazeta de Notícias, 9 de março de 1919). Com uma nota ilustrada com foto, é noticiado o aniversário de Augusto Malta (Gazeta de Notícias 14 de maio de 1919).

1922 - pela primeira vez, devido ao acúmulo de trabalho, ocasionado pela Exposição do Centenário da Independência, Malta contrata um ajudante – seu irmão, Teófilo.

1925 – quando prestava um serviço para a Sul América, uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica dilacera um de seus dedos. Malta é operado e fica internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Seu filho, Aristógiton, começa a auxiliá-lo na Prefeitura.

1930 – ao longo dessa década, suas fotos ilustram vários artigos de Ulysses de Aguiar, na Revista da Semana. Em 13 de maio, é inaugurada, na Associação Brasileira de Imprensa, uma exposição individual de fotografias de Augusto Malta, “O Rio de Janeiro Antigo”.

1931 -1932 –  a Diretoria Geral de Obras e Viação é substituída pela Diretoria Geral de Engenharia e Malta começa a organizar o arquivo histórico e fotográfico dos serviços executados. Começa então a fornecer ao Arquivo Público as fotografias relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimônias realizadas.

1936 – Malta dá uma entrevista sobre a extinção dos quiosques no Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 10 de janeiro de 1936). Uma semana depois, um leitor contesta a entrevista (Correio da Manhã, 17 de janeiro de 1936, na última coluna, sob o título “Os velhos kiosques do Rio de Janeiro”). É concedida  a ele, pela Associação Brasileira de Imprensa, a carteira de jornalista profissional (Diário Carioca, 4 de abril de 1936). O jornal O Globo de 1° de agosto, publica uma matéria sobre a elegância de Malta e comenta o fato dele ter lançado a moda dos óculos de aro de tartaruga. Comenta, também que ele sempre usava “um panamá de fita preta. Sempre sem colete, ao pescoço esvoaçava e ainda esvoaça como borboleta uma gravata de laço preto”. Em 25 de agosto, aposenta-se da Prefeitura e é substituído por seu filho, Aristógiton. Posteriormente, seu outro filho, Uriel, passa a trabalhar com o irmão. Augusto Malta continua a trabalhar como fotógrafo. É um dos colaboradores da homenagem que o Diário de Notícias publica na ocasião do centenário do ex-prefeito Pereira Passos (Diário de Notícias, 29 de agosto de 1936). Com a publicação de uma foto de Malta, o suplemento do jornal A Noite agradece a Malta por ter facilitado “singularmente o trabalho de reminiscencia photographica da remodelação da cidade” em uma matéria publicada pelo periódico na ocasião do centenário de Pereira Passos (A Noite, 1º de setembro de 1936). Malta é um dos homenageados por serviços prestados ao Centro Alagoano, na ocasião da comemoração do 119º aniversário da emancipação de Alagoas e do 49º aniversário da associação (A Offensiva, 16 de setembro de 1936, na última coluna, sob o título “Emancipação política do Estado de Alagoas”).

1937 - participa, como escrutinador, das eleições da Associação Brasileira de Imprensa (Correio da Manhã, 4 de maio de 1937, na terceira coluna).

1938 – é publicada uma reportagem sobre Augusto Malta. Ele comenta que tirou a foto do Barão de Rio Branco de costas por sugestão do escultor Rodolfo Bernardelli (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1938).  O jornal Diário da Noite sugere que a Prefeitura adquira o arquivo fotográfico de Malta (Diário da Noite, 2 de março de 1938, na última coluna, sob o título “Uma suggestão do Diário de Noite”). Torna-se sócio honorário do Centro Carioca (O Imparcial, 29 de junho de 1938, sob o título “A grande Assembléa Geral do Centro Carioca”). É lançado o livro O Rio de Janeiro de meu tempo, de Luiz Edmundo, ilustrado com fotos de diversos fotógrafos, dentre eles, Malta (O Jornal, de 28 de agosto de 1938). O presidente da República, Getúlio Vargas, visita a “Feira de Amostras” uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso é o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”).

1939 – o Diário da Noite publica uma fotografia de autoria de Malta, de 1907, em que o escritor Machado de Assis tem uma síncope e é socorrido por populares no Cais Pharoux (Diário da Noite, 21 de junho de 1939).

1940 – durante essa década, suas fotos ilustram vários artigos de Escragnolle Doria na Revista da Semana. Vai morar em Niterói e anuncia a venda de alguns de seus quadros (Correio da Manhã, 8 de fevereiro de 1940, na primeira coluna, sob o título “Photographias do Rio Antigo”).

1941 – vende para a Biblioteca Nacional 280 fotos distribuídas em vários álbuns. Na coluna assinada por Roberto Macedo, intitulada “Notas Históricas – A Primeira Posse Republicana”,  Augusto Malta é citado como um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1889, dando posse ao governo provisório republicano (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1941, na sétima coluna).

1942 – vende fotografias para o Museu Paulista. Vai a uma missa de Ação de Graças pelo restabelecimento da saúde do presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954), realizada na igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro (O Jornal,  27  de agosto de 1942).  Sofre uma intervenção cirúrgica (O Jornal, 26 de setembro de 1942, na seção “Notas Mundanas”).

1943 –  Malta apóia que se presenteie os condutores de bondes no Natal (Gazeta de Notícias, 24 de novembro de 1943).  Em reportagem sobre o Barão do Rio Branco, são publicadas várias fotos de autoria de Augusto Malta (Illustração Brasileira, outubro de 1943)

1944 – Malta é roubado por uma ladra na barca entre O Rio de Janeiro e Niterói (Correio da Manhã10 de fevereiro de 1944, na seção “O Dia Policial”). Na edição de natal da Revista da Semana, de 16 de dezembro de 1944, é descrito como “um nortista tipo perfeito da classificação conhecida: braquicéfalo, altura mediana, maxilares salientes, olhos amendoados como os de um mongol. Na verdade, visto de perfil, parece-se com um soldado de Chiang-Kai-Chek, que tivesse abandonado a farda… Há cinquenta anos usa uma gravata borboleta, dessas preferidas pelos pintores e poetas do século passado”.

1945 – Malta é comparado a Marc Ferrez (Boletim da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, 1945): “A documentação fotográfica e de gravuras era, como se vê, abundante e valiosa, oriunda de desenhos de Rugendas e outros, e de fotografias de Marc Ferrez, que desempenhou no Império a função que mais tarde seria, no Rio, exercida por Augusto Malta, fotógrafo da Prefeitura: de documentador pela imagem dos principais acontecimentos de seu tempo”. No Jornal do Brasil, de 11 de fevereiro de 1945, Malta é comparado a José de Alencar, no artigo “A velha e nobre Tijuca”, de Everardo Backheuser: “José de Alencar em Sonhos d´Ouro foi para a Tijuca das cercanias da Guerra do Paraguai o que Augusto Malta representa para o Rio de Janeiro do tempo de Pereira Passos. Cada qual ao seu modo gravou de maneira indelével as recordações do “quadro geográfico” da respectiva era. Graças a Malta, eu e outros temos podido documentar asserções sobre a geografia carioca do princípio do século. José de Alencar vai me servir para ilustrar com exemplos fatos da geografia da Tijuca daqueles afastados tempos”. Em artigos posteriores, Backheuser volta a elogiar o trabalho de Malta.

1946 - é noticiado que Augusto Malta teve sua carteira roubada em um bonde no Rio de Janeiro (O Fluminense, 21 de agosto de 1946, sob o título “Cuidado com os batedores de carteiras”).

1947 - em seu aniversário, é homenageado pelos jornalistas credenciados junto ao gabinete do prefeito (A Noite, 14 de maio de 1947, na coluna “Sociedade”).

1949 –  em uma propaganda da revista Cruzeiro, é anunciada uma reportagem sobre Joaquim Nabuco, de autoria de Raymundo Athayde e Augusto Malta (Diário da Noite, 19 de agosto de 1949).

1950 – é internado na Ordem Terceira da Penitência (A Manhã, 19 de janeiro de 1950, na seção “Mundo Social”). Por ocasião de seu aniversário, é saudado como o mais velho repórter fotógrafo do Brasil (A Manhã, 13 de maio de 1950, na seção “Mundo Social“).

1952 – ao longo desse ano, a coluna “Transformações da Cidade”, do jornal Correio da Manhã, é ilustrada com fotos de Malta. E, também, a partir desse ano até 1955, a coluna “Rio Antigo”, de Charles Julius Dunlop, no mesmo jornal, é, muitas vezes, ilustrada por fotos de Malta. Charles Dunlop e Malta haviam se conhecido na época em que Malta prestava serviços para a Light, empresa na qual Dunlop começou a trabalhar na década de 20.

1953 –  é publicada uma fotografia dos arquivos de Augusto Malta sobre os banhos a fantasia do carnaval carioca (Diário da Noite, 14 de fevereiro de 1953). Para ilustrar uma matéria sobre Ipanema, é publicada uma foto do bairro, tirada por Malta, em 1907, para ilustrar uma matéria (Diário de Notícias, 27 de março de 1953). É publicado o artigo “O Jubileu do Bota Abaixo”, sobre a radical reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos no Rio de Janeiro, de autoria do acadêmico Pedro Calmon, com fotos de Augusto Malta (Revista da Semana, 8 de agosto de 1953). Como parte das comemorações da Quinzena do Jornalismo, é um dos 35 decanos da imprensa premiados pelo Sindicato dos Jornalistas com o diploma de honra (Diário Carioca, 21 de novembro de 1953, sob o título “Jornalistas Veteranos”).

1955 - é publicada uma foto de jornaleiros em torno de um quiosque, de Augusto Malta,  sob o título de “O Rio da Velha Guarda” (Diário da Noite, 8 de março de 1955). Na série “Rio de Amanhã”, escrita por Almir de Andrade, é publicada uma foto de Ipanema de autoria de Malta (Diário de Notícias, 1º de maio de 1955). No mesmo ano, foram publicadas pelo Diário de Notícias fotos antigas de Copacabana, do Lido e do Leblon, também de autoria de Malta. Reportagem sobre o lançamento do livro Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop. Publicado pela Editora Gráfica Laemmert Ltda, conta a história do Rio com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Revista da Semana, 5 de novembro de 1955).

1957 – é publicada uma reportagem sobre o arquivo de fotografias de Augusto Malta, na coluna “Letras Vivas” (Diário da Noite, 30 de março de 1957). É lançado o segundo fascículo da publicação Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop, com ilustrações de Ângelo Agostini, reproduzidas da Revista Illustrada, e com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Careta, 4 de maio de 1957, sob o título “Documentário Militar no Rio Antigo”). Em 30 de junho, morte de Augusto Malta, no Hospital da Ordem Terceira da Penitência, devido a uma insuficiência cardíaca. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Caju (Correio da Manhã, 2 de julho de 1957, na seção “Prefeitura”).

Para a elaboração da presente cronologia de Augusto Malta, além da pesquisa em dezenas de periódicos e revistas, valemo-nos, especialmente, do livro Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936, de George Ermakoff, e do artigo de Regina da Luz Moreira, “Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio”, publicado no Portal Augusto Malta.

O lançamento do Portal Augusto Malta, em 2008, foi uma importante iniciativa do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). No portal, estão reunidos o acervo do fotógrafo na referida instituição e no Museu Histórico da Cidade, além de fotografias de seus filhos, Aristógiton e Uriel Malta. Um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, Joaquim Marçal, foi consultor do projeto.

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o Arquivo Fotográfico da Light, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional são outros importantes acervos da obra do fotógrafo.

Link para a obra de Augusto Malta disponível no site do Instituto Moreira Salles.

Bibliografia:

Anais do Museu Histórico Nacional: volume XXXII – 2000, pág 131.

BULHÕES, Antonio & REBELO, Marques. O Rio de Janeiro do bota-abaixo. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997

CAMPOS, Fernando Ferreira. Um fotógrafo, uma cidade: Augusto Malta, Rio de Janeiro: Maison Graphique, 1987.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936 / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm

KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo: Secretaria da Ind., Com., Ciência e Tecnologia, 1980. (Coleção Museu &Técnicas; 4).

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (coord.). Augusto Malta, Aristógiton Malta: catálogo da série negativo em vidro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994. (Biblioteca carioca, 29. Instrumentos de pesquisa)

Nosso Século. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol 1 (1900-1910)

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site da Enciclopédia Itau Cultural

Site do Centro Cultural da Light

Site do Instituto Moreira Salles

Site do Museu da Imagem e do Som

 

Galeria de Augusto Malta

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