Cronologia de João Stamato (1886 – 1951)

Cronologia do fotógrafo João Stamato (1886 – 1951), pioneiro do cinema nacional

Andrea C. T. Wanderley

 

 

1886 – Em 28 de fevereiro, nascimento de João Stamato, em São Carlos, em São Paulo, um dos 12 filhos do italiano Giuseppe Stamato (1861-1935) e Felicia Chiffoni Stamato (1870-1952). Eram seus irmãos Antenor, Carlos, Júlio (? – 1914), Leonor (? – 1927), Luisa, Maria de Lourdes (? – 1927), Mariana, Matilde, Olga, Rafael, Ricardina e a irmã adotiva Ida Ricardi.

1905 – Em São Paulo, abriu um pequeno estúdio fotográfico com laboratório.

1907 – Foi o fotógrafo do curta-metragem Dançarina Descalça, dirigido pelo italiano Guelfo Andalo (? – 1945), estrelado por Cristiano Reis e Anita Pelisser.

Atuava como fotógrafo em São Paulo e enviou para a redação do Correio Paulistano registros do funeral de Miranda de Azevedo, realizado na Matriz de Santa Cecília (Correio Paulistano, 14 de março de 1907, quarta coluna).

Participou de um suntuoso almoço oferecido pela Câmara Municipal de Santos ao então governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928)(Correio Paulistano, 28 de agosto de 1907, quinta coluna).

1909 - Na coluna de “Crônica Social”, foi anunciado seu aniversário e ele foi identificado como fotógrafo (Correio Paulistano, 28 de fevereiro de 1909, sexta coluna).

Fechou seu estúdio fotográfico, comprou uma câmera Pathê e tornou-se o cinegrafista oficial do cinema Radium, na rua São Bento, 59, em São Paulo. A sala de exibição havia passado por uma transformação completa (Correio Paulistano, 2 de junho de 1909, primeira coluna).

Dirigiu e foi o fotógrafo do documentário Revista Militar do Campo da Mooca, de 24 minutos e estrelado por Manoel Joaquim de Albuquerque Lins.

1910 - Fundou a São Paulo Film e foi o produtor de Imigração e Colonização no Estado de São Paulo, primeiro documentário de longa-metragem do cinema brasileiro.

Dirigiu e foi o fotógrafo dos documentários Segunda-feira de Páscoa na Cantareira e Terceiro Match de Futebol Corinthians e Brasileiros. Esse último foi um curta-metragem, registrando um jogo de futebol entre o time Corinthians inglês e o Atlectic, no Velódromo Paulistano, com o resultado de 8 x 2 para o Corinthians.

Era o cinegrafista oficial da Comissão Geológica e Geográfica do Estado de São Paulo.

Mudou-se para o Rio de Janeiro.

Por volta deste ano, foi contratado pelo fotógrafo e diretor de cinema Alfredo Musso (18? – 19?) e passou uma temporada no Rio Grande do Sul, onde produziu registros de temas agrícolas que, em 1911, foram enviados para a Exposição Internacional de Agricultura em Roma e em Turim.

1911/1912 - Stamato participou da viagem em que um grupo de cientistas e engenheiros, entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, percorreu os vales do São Francisco e Tocantins. Junto com os funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil e do Instituto Oswaldo Cruz, responsáveis pelos estudos da linha que, partindo de Pirapora (Minas Gerais), deveria alcançar Belém (Pará), Stamato documentou a jornada, registrando as casas, costumes e pessoas, demonstrando conhecimento das técnicas, além de sensibilidade para fotografar a vida naqueles sertões. Seu assistente era Cipriano Segur (Estado do Pará, 20 de janeiro de 1912, última coluna).

Segundo uma nota do artigo Expedições científicas, fotografia e intenção documentária: as viagens do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913):

“Uma sequência de imagens de um batelão vencendo uma corredeira sugere que João Stamato, na Expedição Machado e Martins, ao contrário de seus colegas das outras viagens, pode ter recorrido a filmes flexíveis de nitrato de celulose, já disponíveis em escala comercial desde 1902. O uso de placas de vidro teria dificultado significativamente a rápida operação de substituição das placas, que uma sequência desse tipo requereria. Cabe observar também que não são conhecidos negativos em vidro dessa expedição”

Uma das fotografias de sua autoria, Fazendo farinha, produzida durante essa viagem, em 1911, em Itagary, na Bahia, é, de certa forma, muito semelhante a uma fotografia de autoria de Flávio de Barros, realizada durante a Guerra de Canudos, também na Bahia, em 1897.

 

 

 

Viajou com o ministro da Agricultura, Pedro Manuel de Toledo (1860 -1935), a Montevidéu. Voltou ao Brasil a bordo do paquete alemão Cap Arcona (Gazeta de Notícias, 30 de maio de 1912, sexta coluna).

1913 – Esteve em Cataguazes, em Minas Gerais, contratado pela empresa Paschoal, onde filmou vários aspectos da cidade. O resultado seria exibido em poucos dias no Cinema Recreio Cataguazense (O Paiz, 9 de março de 1913, quarta coluna).

Montou um laboratório na Praça XV.

1914 – Seu irmão, Júlio Stamato, faleceu a caminho da Europa, no navio Duca di Genova, em 2 de fevereiro (O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro, 23 de junho de 1914, sexta coluna).

Conheceu Luiz de Barros (1893 – 1982), que havia chegado da Itália com sua mulher, a atriz italiana Gita de Barros (1897 – 1994). Em seu livro, Minhas Memórias (1978), Barros escreveu:

“…conheci o saudoso João Stamato, que tinha um rudimentar laboratório instalado numa dependência da Academia do Comércio ali na Rua Sete de Setembro, esquina da Praça 15, onde, por muito tempo, existiu um vendedor de pássaros. Aquele laboratório me encantou. Revelava-se, então, enrolando o filme em volta de grandes tambores engradados, cabendo a eles, geralmente, de 50 a 160 metros de filme de cada vez. e numas grandes banheiras côncavas, com os banhos, o rolo era colocado de forma que a parte de baixo entrava no banho e a gente, com uma manivela, rodava o mesmo para que o filme, em cada volta, fosse mergulhado no revelador. Uma beleza!”

Stamato foi o fotógrafo de A viuvinha, filme baseado no livro de José de Alencar (1829 – 1877), sob a direção de Luiz de Barros (1893 – 1982) e estrelado por Linda Bianchi, pela italiana Gita de Barros (1897–1994) e pelo próprio Luiz de Barros. A maior parte do filme foi realizado no Clube Dramático da rua 24 de maio.

1915 – Casou-se com  Thereza Funari Stamato, em Taquaritinga, ativo agente nesta praça da Companhia Cinema Color de São Paulo (O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro, 6 de março de 1915, segunda coluna). Tiveram cinco filhos.

Foi o fotógrafo do documentário Polyterpsia, filmado em Niterói.

1916 - Foi o fotógrafo do filme Perdida, dirigido por Luiz de Barros (1893–1982) e estrelado por Leopoldo Froes (1882–1932), Érico Braga (1889 – 1962) e Yole Burlini (18? – 19?). Ele e o diretor brigaram e ele foi substituído por Paulino Botelho.

Também foi o fotógrafo de Entre o amor e a arte, que estreou no Cine Avenida em 16 de novembro, sob a direção de Charles F. MacLaren e estrelado por Duque, Gaby, Miss Ray, Francisco Marzullo e Emilio Campos.

 

 

Stamato era o operador da Anglo Brazilian Cinematographic Co (A Notícia, 15 de julho de 1916, última coluna).

Sua irmã Mathilde casou-se com Francisco Perrone, recém formado na Faculdade de Medicina (Jornal do Commercio, 11 de dezembro de 1916, terceira coluna).

1917 - Nascimento de seu filho, o futuro cineasta Fernando Stamato (1917-1993)(O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro, 28 de junho de 1917, segunda coluna).

Vinte anos após a morte de Diogo da Rocha Figueira, conhecido como Dioguinho (1863-1897), um criminoso do interior de São Paulo, foi lançado o filme Dioguinho, que contava as façanhas do “bandido elegante”. Após uma perseguição policial, foi dado como morto, mas seu cadáver, no entanto, jamais foi encontrado. Esta produção, rodada em 1916, com fotografia de João Stamato, possui duração de 72 minutos. Produzido pelo estúdio Paulista Filme, direção do italiano Guelfo Andaló (? – 1945) e com elenco formado por Antônio Latari, Elvira Latari, Georgina Marchiani e Antônio Rolando.

Estreia em 24 maio do filme Pátria Brasileira, do qual foi o fotógrafo. A direção foi do italiano Guelfo Andalo (? – 1945) e os atores foram Antônio Latarim Elvira Latari e Georgina Marchiani. O poeta Olavo Bilac (1865 – 1918) dirigiu uma das cenas do filme (Para Todos, primeira quinzena de novembro de 1956).

Foi também o fotógrafo do filme A Quadrilha do Esqueleto, dirigido por Eduardo Arouca e estrelado pelo próprio, além de Mário Assunção e Nella Berti.

Casamento da irmã adotiva de Stamato, Ida Ricardi, com o comerciante João Campello Junior (Jornal do Commercio, edição da tarde, 6 de outubro de 1917, segunda coluna).

Ladrões invadiram a casa onde Stamato residia com a família, na rua Riachuelo, 156, e roubaram uma máquina fotográfica e outros objetos de valor (O Paiz, 25 de outubro de 1917, terceira coluna).

1918 - Baseado na obra do escritor português Camilo Castelo Branco (1825–1890), lançamento do filme Amor de Perdição, sob a direção de José Vianna, com fotografia de João Stamato, estrelado por Eduardo Arouca, João Ayres e Esther Cordeiro.

1919 – Em junho, estreia do filme Ubirajara, baseado na obra de José de Alencar (1829 – 1877), dirigido por Luiz de Barros (1893–1982), com quem havia se reconciliado, e estrelado por Otília Amorim (1894–1970), Manoel F. Araujo (1880 – 1940) e pelo próprio Luiz de Barros. Produzido pela Guanabara-Film, foi o filme de estreia do ator e futuro dono da Cinédia, Adhemar Gonzaga (1901 – 1978).

 

 

Stamato, identificado como antigo operador da Guanabara Film, e Antonio Couto Sobrinho desligaram-se da empresa, mas continuariam a produzir filmes sob a marca Rio Film (A Época, 28 de setembro de 1919, quarta coluna).

1920 – Em 28 de janeiro, estreia do curta-metragem Convém martelar, do qual Stamato foi o fotógrafo. Com duração de 20 minutos, foi dirigido por Manoel F. Araujo (1880  1940) e pelo português Antonio Silva (1886 – 1971). Foi estrelado pelo próprio Araújo, por Carlos Barbosa e por Adhemar Gonzaga (1901 – 1978). Na época, era associado da Amazônia Film.

Em 26 de abril, estreia de Coração de Gaúcho, do qual Stamato também foi o fotógrafo. Baseado na obra de José de Alencar (1829 – 1877), dirigido por Luiz de Barros (1893–1982) e estrelado por Antônia Denegri (1900 – 1935), Manoel F. Araujo (1880 – 1940) e pelo próprio Luiz de Barros.

 

 

Ele e Vicente Capelaro foram identificados como artistas que no silêncio de seus laboratórios e sem os “reclamos bombásticos” têm-nos dados sempre produções artísticas elevando a cinematografia nacional ao nível em que deve estar (Correio da Manhã, 14 de outubro de 1920, penúltima coluna).

Nascimento de José, filho de João e Thereza Stamato (Jornal do Commercio, edição da tarde, 30 de outubro de 1920, segunda coluna).

1921/1922 – Repassou seus equipamentos e laboratório para a Brasília Filme, de Salvador Aragão. Na companhia, que era também uma escola de cinema, realizou algumas reportagens e fez créditos e intertítulos para filmes estrangeiros.

1923 - Era o proprietário da Ita-Film, produtora cinematográfica nacional, e recebeu profissionais da Gazeta de Notícias em sua empresa (Gazeta de Notícias, 25 de abril de 1923, quinta coluna).

1927 – Falecimento de sua irmã, Leonor Stamato (A Noite, 9 de maio de 1927, primeira coluna).

Em São Paulo, falecimento de sua irmã, Maria de Lourdes Stamato (A Noite, 30 de agosto de 1927, segunda coluna).

1928 - A Belo Horizonte Films, sob a direção de Thiers Teóphilo do Bom Conselho e do professor Manoel Tallon, tentou contratar João como operador (Cinearte, 18 de julho de 1928).

1929 - Ele e Luiz Seel dirigiram o icônico Macaco Feio, Macaco Bonito (1929), o primeiro curta-metragem de animação brasileiro efetivamente preservado. Seu estilo é semelhante ao dos irmãos norte-americanos Max (1883 – 1972) e Dave Fleischer (1894 – 1979), responsáveis pela transformação de personagens de história em quadrinhos em desenhos animados como Betty BoopPopeye e Super-Homem. O primeiro filme animado feito no Brasil, O Kaiser (1917), produzido pelo cartunista Álvaro Marins (1891 – 1949), também conhecido como Seth, é um curta que satiriza a Alemanha e seus sonhos imperiais de dominar o mundo. Estreou no Cinema Pathé, na Cinelândia. Entretanto, este documento está perdido.

macaco feio

 

Era o responsável pelos trabalhos de câmera e laboratório do filme de estreia de Gentil Roiz (1889 – 1975) no Rio, na época intitulado A Religião do Amor, estrelado por Gina Cavallieri, Neusa Dora e Raul Schnoor e produzido pela Aurora Film. Foi anunciado que quando terminassem essas filmagem, produziria pela Ita Film, de sua propriedade, um filme sob a direção de Manoel F. Araújo (1880 – 1940) (Cinearte, 9 de janeiro 1929Cinearte, 17 de abril de 1929 e Cinearte, 16 de outubro de 1929).

 

 

1930 O cinematógrafo de João Stamato ficava no Beco da Carioca, nº 24 (Almanak Laemmert, 1930).

Colaborou com Gentil Roiz (1899 – 1975) em Paralelos da Vida, filme inacabado.

Auxiliou a filmagem de um filme dirigido por Álvaro Marins (1891 – 1949), conhecido como Seth, sobre a teoria do funcionamento do serviço telefônico automático (Cinearte, 28 de maio de 1930). Seth foi, como já mencionado, o autor do primeiro desenho animado brasileiro, Kaiser, exibido em 1917.

Um incêndio no laboratório da Ita-Film, de sua propriedade, destruiu alguns trechos do filme Paralelos da Vida, que ele estava fotografando para a Aurora Film e todo o seu material de filmagem (Cinearte, 3 de dezembro de 1930).

1932 – Com sede na rua da Lapa, 95, fundação, em 1º de fevereiro, da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos. Stamato, Fausto Moniz e Luiz Leal eram do conselho fiscal da entidade, presidida por Armando Carijó, tendo como vice-presidente Adhemar Gonzaga e, como tesoureiro, Alberto Botelho. O secretário era Eurico de Oliveira (Diário Carioca, 27 de janeiro de 1932, primeira colunaCinearte, 16 de março de 1932).

Stamato integrava uma comissão da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos que foi ao Palácio Rio Negro, em Petrópolis, entregar ao presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), o título de presidente de honra da entidade. Os outros diretores eram Adhemar Gonzaga, Alberto Botelho, Antão Correia da Silva, Armando Valle, Carlos Eugênio, Eurico Oliveira, Humberto Mauro, Jayme Pinheiro, Luis Seel e Oduvaldo Vianna (Diário Nacional: a Democracia em Marcha (SP), 4 de março de 1932, quarta coluna).

Em 4 de abril, promulgação do Decreto nº 21.240, de 4 de Abril de 1932 – “Nacionalizar o serviço de censura dos filmes cinematográficos, cria a “Taxa Cinematográfica para a educação popular e dá outras providências”.

“Após anos de reivindicações daqueles que desempenhavam as atividades cinematográficas, em 1932 o Decreto-lei nº. 21.240 foi aprovado por Getúlio Vargas e trata da nacionalização do serviço de censura dos filmes, cria a “Taxa Cinematográfica para a Educação Popular”, obriga as salas de cinema a exibirem um complemento nacional em cada sessão e dá outras providências. Esta primeira “reserva de mercado” para o produto nacional garantiu uma pequena sobrevida financeira dos estúdios e laboratórios da época, que presenciou também o surgimento de produtores nacionais independentes. Esse é o marco do início da intervenção do Estado na atividade cinematográfica nacional. Até hoje há dúvidas se a promulgação desse Decreto por esse governo foi uma medida que visava à produção nacional de fato ou se já buscava a manutenção do cinema como ferramenta da política populista” (O Estado e a produção audiovisual).

A composição da direção da Associação Brasileira  de Produtores Cinematográficos havia mudado: presidente, Jayme Carijó; vice-presidente, Alberto Botelho; secretário, Adhemar Gonzaga; tesoureiro, Jayme Pinheiro; procurador, Armando Walls; conselheiros fiscais, Fausto Muniz, Luiz Seel e Stamato; bibliotecário, William Schoucair (Cinearte, 3 de agosto de 1932).

1933 - João Stamato filmou aspectos da chegada ao Rio de Janeiro de Luiz Severiano Ribeiro (1886 – 1974), principal figura da organização dos Exibidores Reunidos ao Rio de Janeiro. Julio Marc Ferrez (1881 – 1946), filho do grande fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), pelo Sindicato dos Exibidores Cinematográficos, foi um dos presentes à chegada de (A Nação, 16 de fevereiro de 1933).

Lançamento de Brasil Jornal, com filmes nacionais produzidos pelos cinematógrafos Stamato e Antão Corrêa da Silva. O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), foi à preview do programa de atualidades.

 

 

O ministro da Educação, Washington Ferreira Pires (1892 – 1970), deferiu o requerimento de João Stamato que pedia a isenção da taxa de censura para o filme nacional Evitando o perigo. O filme sobre uma excursão a Sete Quedas e às Cataratas do Iguaçu, do Touring Club do Brasil, também foi beneficiado (Diário da Noite, 5 de setembro de 1933, sexta coluna).

1934 – Criou uma série de curtas-metragens exibida nas edições do cinejornal Lanterna Mágica, que fez escola na maneira de angular as cenas.

Era diretor da produtora cinematográfica Brasil Jornal Ltda. Além dele, eram sócios da empresa Antão Correia da Silva e Leônidas Detsi Filho (Jornal do Commercio, 21 de junho de 1934, quarta colunaCorreio da Manhã, 8 de julho de 1934).

 

 

No Cinema Alhambra, a Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos promoveu a exibição de vários filmes nacionais. Trabalhos de João Stamato foram exibidos (Jornal do Brasil, 4 de novembro de 1934, primeira coluna).

Era proprietário da produtora João & Stamato (Cinearte, 15 de novembro de 1934).

Produziu o curta-metragem Copacabana, o bairro encantador (Cinearte, 1º de dezembro de 1934).

1935 - Estreou no Palácio Teatro o Lanterna Mágica nº 5, sobre os jardins do Rio de Janeiro. “Fotografia de João Stamato que inegavelmente está se tornando um de nossos melhores cinegrafistas”(Cinearte, 1º de março de 1935).

Falecimento de José Stamato, pai de João (Diário da Manhã, 16 de abril de 1935, segunda coluna).

Ele, A. F. Castro e Edgar Brasil, considerados três dos melhores cinegrafistas do Brasil, participavam da Cinédia “o complemento brasileiro preferido pelos exibidores” (Cinearte, 1º de dezembro de 1935).

 

 

1936 - Representando a Lanterna Mágica, Stamato participou de uma reunião no Departamento de Propaganda, presidida por Lourival Fontes (1899 – 1967), seu diretor (Diário Carioca, 15 de janeiro de 1936).

 

 

Foi o cinegrafista de dois novos e lindos complementos da CinédiaSão Paulo em 1936 e Filmando Copacabana (Cinearte, 1º de maio de 1936).

Havia chegado há pouco tempo de uma viagem ao Norte onde, para a Cinédia, filmou Recife, Bahia, Paraíba e a Cachoeira de Paulo Afonso (Cinearte, 1º de junho de 1936).

Seu filme Lanterna Mágica nº 13 ficou em terceiro lugar no concurso promovido pelo Mês do Cinema Nacional. O primeiro e o segundo lugares foram conquistados por Rio, propagandista da beleza brasileira, da Waldow Film S.A, produzido por Wallace Downey (1902 – 1967) com texto de Cesar Ladeira (1910 – 1969); e por Cachoeira de Paulo Afonso, da Cinédia, filmado por Stamato com texto proferido pelo locutor Dilo Guardia, respectivamente (Diário Carioca, 24 de maio de 1936, quarta colunaA Noite, 24 de maio de 1936, segunda coluna).

 

 

Estava trabalhando como operador no filme Bonequinha de Luxo, da Cinédia, e dirigido por Oduvaldo Vianna (1892 – 1972) (A Noite, 30 de junho de 1936, quarta coluna).

O ator Manoel F. Araújo (1880 – 1940), que participou de muitos filmes com João Stamato, declarou sua admiração pelo cinegrafista (Cinearte, 1º de setembro de 1936).

Viajou para as Cataratas do Iguaçu com um grupo de excursionistas do Touring Club do Brasil (Gazeta de Notícias, 22 de setembro de 1936, segunda coluna).

1937 - Em matéria da Cinearte, Stamato foi elogiado. Também foi lembrado que a Cinédia o cedeu para que ele trabalhasse com o ator, cantor e diretor de cinema brasileiro, Raul Roulien (1905 – 2000), no curta-metragem O meu colégio. Roulien é considerado o primeiro galã brasileiro em Hollywood (Cinearte, 1º de janeiro de 1937).

 

 

Ele e Edgar Brasil foram os fotógrafos de Vozes da Floresta, novo complemento de valor da Cinédia (Cinearte, 1º e março de 1937).

No Palácio, na Cinelândia, apresentação do curta-metragem do Lanterna Mágica nº 19, Rumando ao Rio, de J0ão Stamato. Nunca se viram tão lindos aspectos de nossa cidade-sublimes como estes (Jornal do Brasil, 16 de março de 1937, penúltima coluna).

No concurso do Mês do Cinema Brasileiro, instituído pela Associação Cinematográfica de Produtores Brasileiros, o curta-metragem de João Stamato, Lanterna Mágica nº 21, ficou em terceiro lugar (A Noite, 27 de março de 1937, primeira coluna).

Trabalhava para a Cinédia e também por conta própria (Dom Casmurro, 17 de junho de 1937, primeira coluna).

Estava em cartaz no Glória o curta-metragem Proteção à Saúde Escolar, de João Stamato (Jornal do Brasil, 12 de outubro de 1937, quinta coluna; Gazeta de Notícias, 12 de outubro de 1937, primeira coluna).

Pela Cinédia, Stamato estava em Corumbá, no Mato Grosso, acompanhando as manobras militares pelo general Deschamps Cavalcanti (Gazeta de Notícias, 20 de outubro de 1937, terceira coluna).

Era o responsável pela nova Revista Cinédia (Fon-Fon, 18 de dezembro de 1937).

 

 

1938 - Para documentar a visita do presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) à sua terra natal, Stamato embarcou para o Sul (O Imparcial, 9 de janeiro de 1938, última coluna).

Seu filho, Fernando, funcionário do Departamento Nacional de Propaganda, ficou noivo de Lourdes Sales Soares Dutra (Diário Carioca, 25 de junho de 1938, terceira coluna). Casaram-se no dia 8 de dezembro do ano seguinte (Diário Carioca, 8 de dezembro de 1939, terceira coluna).

Ele e Jaime de Andrade Pinheiro, proprietário da Pan-Film do Brasil, formavam uma comissão que estava convocando profissionais de cinema para uma reunião na sede da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos quando seriam discutidos temas referentes aos interesses dos trabalhadores do setor assim como o desenvolvimento técnico e artístico do cinema nacional (Jornal do Brasil, 5 de agosto de 1938).

1940 – Recebeu elogios por seu curta-metragem Vida de Antônio Parreiras (Jornal dos Sports, 11 de janeiro de 1940).

As Bodas de Prata de João e Thereza Stamato foram comemoradas com a realização de uma missa em ação de graças na Igreja de Santo Antônio dos Pobres (Diário Carioca, 27 de fevereiro de 1940, quinta coluna).

Stamato foi identificado como destacado produtor de cinejornais e curtas-metragens. Fez um acordo com a Distribuidora de Filmes Brasileiros Ltda (A Batalha, 19 de junho de 1940, quinta coluna).

 

 

Falecimento de sua avó materna, Ricarda Giffone (A Noite, 4 de dezembro de 1940, sétima coluna).

1941 – Trabalhava como cinematografista do Departamento de Imprensa e Propaganda e embarcou para Manaus (Diário de Pernambuco, 25 de novembro de 1941, última coluna).

Sua nora, Lourdes Soares Dutra (1917-1941), casada com seu filho, Fernando, faleceu no parto da filha.

1942 - Operou com Firmo Neto (1916 – 1998) O Coelho sai, primeiro filme falado do cinema pernambucano, dirigido por Newton Paiva, estrelado por Alvarenga (1911 – 1978) e produzido pela Meridional Filmes S.A. Era um musical em peto e branco que contava a história da saudade de uma jovem pelo Recife, tendo como pano de fundo a cultura e o carnaval pernambucanos. A música do filme era do maestro Nelson Ferreira (1902 – 1976) e originou o nome do longa (Scena Muda, 2 de fevereiro de 1943Cinema Pernambucano).

Foi o fotógrafo do curta-metragem Debret e o Rio de hoje (Diário de Pernambuco, 16 de abril de 1942).

 

 

Foi publicada a ata de uma reunião da Distribuidora de Filmes Brasileiros S.A., realizada em 7 de abril (O Jornal, 8 de agosto de 1942).

1944 – Como cinegrafista do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura, onde foi contratado para substituir Lafayette Cunha,  filmou aspectos da reunião de técnicos agrícolas, no Recife (Diário de Pernambuco, 12 de maio de 1944, quinta coluna).

1945 – Era cinegrafista do serviço de Documentação do Ministério da Agricultura (A Manhã, 23 de junho de 1945, segunda coluna).

Fernando foi cinegrafista da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra, trabalhando como correspondente na Itália. Viúvo, partiu para os campos da batalha para documentar os movimentos das tropas brasileiras. Durante o conflito mundial, em pleno front, se apaixonou pela italiana Rossana Bonfatti. Casaram-se em Pistóia (Itália) e, no final da guerra, tiveram uma menina, nascida em 14 de setembro de 1945. No ano seguinte, nasceria outro filho.

 

 

João Stamato foi o responsável pela filmagem da Cachoeira Dourada, em Goiânia, uma parceria entre o governo de Goiás e o Ministério da Agricultura (A Manhã, 7 de outubro de 1945, quinta coluna).

1946 – Trabalhando para o Ministério da Agricultura, realizou um documentário sobre a extração de gás e de petróleo na Bahia (O Jornal, 18 de janeiro de 1946, quinta coluna).

Realizou também os documentários Aspectos da economia goianaGoiânia e Goiás de ontem e de hoje, além do curta-metragem Nem te ligo (A Manhã, 20 de março de 1946, última coluna).

1947 - Foi publicado o artigo Como nasceu o cinema, de João Stamato (O Jornal, 5 de outubro de 1947).

1948 – Foi o responsável por uma sequência do filme Mãe, produzido pela Cinédia. Publicação de uma crítica do filme (O Jornal, 12 de outubro de 1948).

1950 – Embarcou para Porto Alegre (Diário Carioca, 26 de outubro de 1950, última coluna).

1951 – Faleceu no Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1951, vítima de uma síncope do coração, quando saía do Ministério da Agricultura. Foi enterrado no Cemitério João Batista e sua missa de sétimo dia realizou-se na Igreja de São Francisco de Paula. Na épica era cinegrafista do Ministério da Agricultura e havia chegado há pouco tempo do Norte do país onde filmou os trabalhos da Usina Hidroelétrica de São Francisco. Pela primeira havia filmado a cores, um dos maiores desejos de sua vida (O Jornal, 26 de outubro de 1951Diário Carioca, 26 de outubro de 1951, última colunaA Noite, 27 de outubro de 1951, quinta colunaDiário de Notícias, 30 de outubro de 1951, última coluna).

 

 

O crítico de cinema Pedro Lima escreveu o artigo Para a história do cinema brasileiro sobre a vida de João Stamato (O Jornal, 4 de novembro de 1951).

1957 – Em artigos João Stamato foi citado como um dos pioneiros do cinema nacional (Gazeta Esportiva, 11 de janeiro de 1957 e Fon-Fon, 12 de março de 1957).

 

Filmografia de João Stamato no Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro

 

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