O centenário do Dia do Fico pelo fotógrafo Augusto Malta

O centenário do Dia do Fico foi comemorado, no Rio de Janeiro, em 9 de janeiro de 1922, com diversas festividades (O Paiz, 10 de janeiro de 1922). Uma delas foi a inauguração, na igreja do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos, localizada na rua Uruguaiana, no Centro, de uma placa esculpida por Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931). A Brasiliana Fotográfica destaca uma imagem da celebração em frente à igreja, produzida pelo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), na época, fotógrafo oficial da cidade.

Foi justamente dessa igreja que, em 9 de janeiro de 1822, uma comitiva liderada pelo presidente do Senado, José Clemente Pereira (1787 – 1854), saiu para entregar a dom Pedro de Alcântara, posteriormente Pedro I (1798 – 1834), a mensagem do povo do Rio de Janeiro, com mais de oito mil assinaturas, pedindo por sua permanência no Brasil, já que as Cortes Portuguesas haviam ordenado seu regresso a Portugal. Ao apelo, dom Pedro respondeu:

“Convencido de que a presença de minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa, e conhecido que a vontade de algumas províncias assim o requer, demorarei a minha saída até que as Cortes e meu Augusto Pai e Senhor deliberem a este respeito, com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido” (Diário do Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1822).

Porém, a frase que marcou esse acontecimento, mais forte e assertiva do que a do texto original, foi proferida no dia seguinte e daria nome ao episódio que passou para a história do Brasil como o Dia do Fico:

“Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico” (Diário do Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1822).

O Dia do Fico foi um passo importante na direção da proclamação da Independência do Brasil , ocorrida cerca de nove meses depois, em 7 de setembro de 1822.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Dia das Mães

 

 

Com uma fotografia da Princesa Isabel (1846 – 1921) com seu filho Pedro de Alcântara, ainda bebê, a Brasiliana Fotográfica faz uma homenagem ao Dia das Mães. Também conhecida como “A Redentora”, por ter assinado a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que acabou com a escravidão no Brasil, Isabel teve três filhos com com Gastão d´Orleans (1842-1922), o conde D´Eu, com quem se casou em 15 de outubro de 1864: Pedro (1875 – 1940), Luis Maria (1878 – 1920) e Antonio Gastão (1881 – 1918).

Na fotografia destacada, ela está segurando seu primeiro filho, Pedro, único que não faleceu antes dela. O registro é da Photographia Alemã, que pertencia aos alemães Alberto Henschel (1827 – 1892) e Francisco Benque (1841 – 1921).

O Dia das Mães é comemorado no Brasil no segundo domingo de maio, de acordo com um decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas, em 1932, mas a origem da comemoração remonta à Grécia Antiga, quando a deusa Reia, mãe comum de todos os seres, era homenageada. A celebração tomou um caráter cristão nos primórdios do cristianismo e realizava-se em torno da Virgem Maria, a mãe de Jesus.

 

Acessando o link para as fotografias que remetem ao tema da maternidade disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

Novos acervos: Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, Leipzig

A Brasiliana Fotográfica completa um ano e, ao longo do mês de abril, vai divulgar os novos acervos que passam a integrar o portal. O primeiro deles reúne um conjunto de 460 imagens do Brasil produzidas até 1900, que pertence ao acervo do Leibniz-Institut für Länderkunde.  Mediante convênio, o conjunto foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles por meio da digitalização das fotos em alta resolução. Já estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica 216 fotografias do conjunto, as restantes estarão no portal até o final do ano. O Leibniz-Institut für Länderkunde, sediado na cidade de Leipzig, reúne o mais importante acervo de fotografia brasileira do século XIX  na Alemanha, em especial pelas imagens reunidas na coleção Stübel.

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Marc Ferrez. Rio São Francisco, c. 1875. Bahia / Convênio Instituto Moreira Salles – Leibniz-Institut für Länderkunde

São imagens da fauna, da flora, de paisagens, de cidades, de índios, de igrejas, de escravos e de vários outros temas produzidas por diversos fotógrafos, dentre eles Alberto FrischAlberto Henschel, Carlos Dhein, Felipe Augusto Fidanza, Franz Keller, Georges Leuzinger, Joaquim Insley Pacheco, Marc Ferrez e também de fotógrafos ainda não identificados.

O geólogo alemão Moritz Alphons Stübel (1835 – 1904) viajou, entre 1868 e 1877, pela América do Sul com o também geólogo Wilhelm Reiss (1838 – 1908), que retornou um ano antes para a Alemanha. Stübel formou uma importante coleção de fotografias, composta originalmente por quase duas mil imagens. A Collection Alphons Stübel, a maior coleção de fotografias sul-americanas do século XIX, até agora conhecida, da Alemanha – e provavelmente da Europa – está preservada no Leibniz-Institut für Länderkunde.

Moritz Alphons Stübel

Moritz Alphons Stübel, fotografia do acervo do Institut für Angewandte Photophysic

Acessando o link para as fotografias do acervo do Leibniz-Institut für Länderkunde disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Uma breve história do Leibniz-Institut für Länderkunde

O Leibniz-Institut für Länderkunde foi fundado em sua forma atual em 1992, mas seu início remonta ao ano de 1896, quando o Museu de Etnologia de Leipzig fez uma exposição da coleção do geólogo Alphons Stübel. Em 1907, esse museu tornou-se o Museu Regional de Geografia. A partir de 1930, o museu também passou a ser um instituto de pesquisa. Sob a direção do geógrafo e cartógrafo Edgar Lehman, o Instituto Alemão Regional de Geografia passou a ser o Instituto de Pesquisa de Geografia da República Democrática da Alemanha. Em 1976, passou a se chamar Instituto de Geografia e Geoecologia. Foi extinto e reinaugurado em 1º de janeiro de 1992 como o Instituto Leibniz Regional de Geografia.