Uma homenagem da Casa Granado ao casal imperial sob as lentes de Marc Ferrez

 

A Brasiliana Fotográfica destaca um registro da fachada da Farmácia Granado produzido por Marc Ferrez (1843 – 1921). No topo da imagem há um quadro a óleo retratando dom Pedro II (1825 – 1891) e a imperatriz Teresa Cristina (1822 – 1889), com o neto primogênito, Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança (1866 – 1934). Foi encomendado pela farmácia ao artista alemão Frederico Steckel (c. 1834 -1921), em homenagem ao “feliz regresso” do casal ao Brasil, em 22 de agosto de 1888 (Gazeta de Notícias, 23 de agosto de 1888, primeira coluna). Em 1880, dom Pedro II havia concedido à drogaria o título de Farmácia Oficial da Família Imperial Brasileira. A Granado, uma das únicas marcas brasileiras que existe desde o reinado de dom Pedro II, completa 150 anos e é o tema da exposição “A história da botica mais tradicional do Brasil”, aberta em 15 de janeiro último, no Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal. Ficará em cartaz até 3 de maio de 2020.

 

A farmácia dos senhores Granado, conhecido estabelecimento da rua Primeiro de Março, número 12, encomendou ao artista Frederico Antônio Steckel uma decoração especial. A pintura a óleo, reprodução de uma fotografia tirada depois do restabelecimento de D. Pedro, exibia em tamanho natural os avós e o neto: “o favorito”. No alto da grossa moldura, as armas imperiais. Em seda carmesim, tremulavam sobre o quadro os dizeres em letras douradas: “Feliz Regresso de Suas Majestades  Imperiais”. A novidade era a iluminação a gás que fazia brilhar as estrelas do Cruzeiro e as colunas do quadro. Embasbacados, os passantes se amontoavam na vitrine.”(1)

 

 

Acessando o link para a fotografia Pharmacia Drogaria Granado and Ca, produzida em 1888 por Marc Ferrez disponível na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

Frederico Steckel, autor da decoração da fachada da Granado

Frederico Steckel, autor da decoração da fachada fotografada por Ferrrez /Acervo de Fernando Argeu Murta

 

 

O casal imperial havia viajado em 30 de junho de 1887 para a Europa. Estiveram inicialmente em Portugal e, de lá, seguiram para Paris. Aconselhado por médicos, dom Pedro II foi para Baden-Baden, e retornou a Paris, onde visitou intelectuais, entre eles, Louis Pasteur. Fez um cruzeiro pela Riviera italiana e foi para a estação de cura de Aix-les-Bains, na França. Também visitou, atendendo a um desejo de sua esposa, as ruínas de Pompeia (Gazeta de Notícias, 17 de junho de 1888, quarta coluna).

A Casa Granado foi fundada por José de Barros Franco e pelo português José Antônio Coxito Granado com o nome “Botica de Barros Franco” e ficava na então denominada rua Direita, uma das mais movimentadas do centro do Rio de Janeiro, atual rua Primeiro de Março, onde permanece até hoje. Em 1876, Barros Franco retirou-se da sociedade e Pedro Gonçalves Bastos tornou-se sócio até 1878 (A Reforma, 16 de setembro de 1876, primeira coluna; Gazeta de Notícias, 19 de maio de 1878, penúltima coluna). A loja tornou-se ponto de encontro de personalidades ilustres como o prefeito Pereira Passos (1836 – 1913) e Rui Barbosa (1849 – 1923). Em 1903, João Bernardo Granado, irmão de Coxito, criou um dos produtos mais populares da botica: o polvilho antisséptico, cuja fórmula teve registro aprovado pelo cientista Oswaldo Cruz. Em 1915, lançamento de outro produto pioneiro: o sabonete de glicerina.

 

(1) PRIORI, Mary del. O Príncipe Maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, publicada em 30 de junho de 2015

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de Sérgio Burgi, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), publicada em 29 de junho de 2018

O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, publicado em 

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), publicado em 4 de dezembro de 2019

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, publicado 6 de março de 2020.

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, publicado em 16 de março de 2020.

 

Fontes:

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

GIANETTI, Ricardo. Frederico Steckel: pintor-decorador do Império e da República. IV Colóquio Internacional. A Casa Senhorial: Anatomia dos Interiores, Universidade de Pelotas no Rio Grande do Sul, 2017

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

PRIORI, Mary del. O Príncipe Maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Site da Granado

ilustração

O café sob a lente de vários fotógrafos

Com uma seleção de imagens a Brasiliana Fotográfica lembra o Dia Nacional do Café, data incorporada em 2005 ao Calendário Brasileiro de Eventos. O produto chegou ao Brasil no século XVIII e desde então é um importante gerador de riquezas, muito significativo na história da economia e da cultura do país. Por sua relevância, vários aspectos de seu cultivo, colheita e comercialização foram registrados por importantes fotógrafos, dentre eles Georges Leuzinger (1813 – 1892), Guilherme Gaensly (1843 – 1928) e Marc Ferrez (1843 – 1923). O café foi também tema de fotógrafos ainda desconhecidos, do Instituto de Expansão Comercial e da Centennial Photographic Co.

 

 

Acessando o link para as fotografias relacionadas ao café disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

O café chegou ao Brasil, por Belém no Pará, em 1727, trazido pelo sargento-mor Francisco de Melo Palheta (1670 -1750) que, sob as ordens do governador do Maranhão e Grão Pará, o português João da Maia Gama, foi à Guiana Francesa para resolver problemas de fronteira. Lá conseguiu sementes de café que, na época, já tinham grande valor comercial. Seu cultivo espalhou-se da região Norte para outros estados e em meados do século XIX estabeleceu-se fortemente no Vale do Rio Paraíba, nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, gerando um novo ciclo econômico no país. Tornou-se o principal produto das exportações nacionais. Foi também muito cultivado em Minas Gerais e no Espírito Santo.

 

 

Sua produção e comercialização fomentaram o desenvolvimento e a criação de cidades, a construção de ferrovias para seu escoamento e São Paulo tornou-se a metrópole do café enquanto o Porto de Santos tornava-se seu principal ponto de saída. Após a abolição da escravatura, em 1888, aconteceu uma grande onda de imigração, principalmente de italianos, que vinham para o Brasil e se empregavam nos cafezais de São Paulo. A riqueza produzida nas lavouras de café gerou o crescimento do comércio, da oferta de serviços e da indústria nacional. O Brasil ainda é o maior exportador da bebida e o segundo maior país consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos.

 

 

“As plantações de café no Brasil, entre meados do Século XIX até o final do século XX, além das divisas econômicas, gerou também um rico patrimônio cultural, envolvendo as edificações, os costumes regionais e a paisagem marcante, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Para resgatar, preservar e valorizar toda essa riqueza, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) criou o Grupo Interinstitucional sobre o Patrimônio Cultural do Café da região sudeste do Brasil que, entre outras iniciativas, deverá estreitar a parceria entre órgãos de proteção do patrimônio cultural, universidades, sociedade civil organizada e iniciativa privada, buscando desenvolver a melhor estratégia para a preservação e a valorização do patrimônio cultural referente ao café no Brasil” (Iphan, 2011).

 

Fontes:

Embrapa

Iphan

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Observatório Eco -Direito Ambiental

Revista Cafeicultura

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O comércio no século XIX e nas primeiras décadas do século XX

Ateliers D. A. Longuet Imp. Phot.. Rio de Janeiro: a Torre Eiffel: [interior da loja visto de cima], c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN

Ateliers D. A. Longuet Imp. Phot.. Rio de Janeiro: a Torre Eiffel: [interior da loja visto de cima], c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN

A Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para um passeio pelo comércio, em algumas cidades brasileiras, na segunda metade do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. São ruas e lojas em Belém, Manaus, Pirapora, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Embora todas estas cidades tenham sofrido mudanças radicais, ainda estão de pé alguns dos estabelecimentos aqui retratados. E quanto aos demais… recordar é viver! O mais antigo registro fotográfico da galeria data de 1870 e o mais recente, de 1929.

Entre os fotógrafos, estão os renomados Augusto Malta (1864 – 1957), Georges Huebner, Guilherme Gaensly (1843 – 1928) ,Marc Ferrez (1843 – 1923)Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905), Moritz Lamberg e Vicenzo Pastore (1865 – 1918). Mas há, também, imagens produzidas por fotógrafos que ainda não figuram nas páginas da história da fotografia no Brasil.

As fotografias paulistanas de Frédéric Manuel foram realizadas em 1906 para Menotti Levy, editor do Guia Levy, “utilíssimo vade-mécum para viajantes”, publicado em São Paulo. Já a Pharmacia Castro, de Pirapora, em Minas Gerais, foi documentada em 1927 por Reginald Gorham, representante da S. S. White no Brasil – empresa atuante na intermediação e promoção de vendas no campo odontológico – além de membro ativo do Rotary Club, entre outras atividades. Em suas viagens pelo Brasil, documentou muitas localidades do país e todas estas imagens já integram o portal Brasiliana Fotográfica.

Há, ainda, algumas fotografias cujos autores não foram identificados. As colaborações são bem-vindas.

 

Galeria do comércio do século XIX e das primeiras décadas do século XX

 

Todas as fotos da galeria, se acessadas diretamente do acervo da Brasiliana Fotográfica, dispõe da ferramenta de zoom.