Novidade na Brasiliana Fotográfica – Cronologia de fotógrafos

A Brasiliana Fotográfica traz em sua primeira publicação de 2021 uma novidade: a criação da seção “Cronologia de fotógrafos”, onde estão reunidas todas as cronologias já publicadas no portal. A nova seção encontra-se no canto superior da página inicial. Assim, se o leitor quiser saber se determinado fotógrafo já tem uma cronologia e desejar pesquisar somente nela, pode ir direto na “Cronologia de fotógrafos” onde, em ordem alfabética, eles estão listados. Já são 45! Dentre eles, Augusto Malta (1864 – 1957), José Christiano Junior (1832 – 1902, Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897) e Marc Ferrez (1843 – 1923). Todos os fotógrafos que possuem cronologia já foram temas de artigos da Brasiliana Fotográfica, nos quais há também um perfil e um link para as imagens de autoria de cada um deles. Feliz Ano Novo! E vamos em 2021 continuar a cumprir nossa missão de difundir a fotografia brasileira!

 

Link para a página “Cronologia de fotógrafos”

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

O “artista fotógrafo” Louis Piereck (1880 – 1931)

 

O “artista fotógrafo” Louis Piereck (1880 – 1931)

 

 

O fotógrafo Louis Jacques Piereck (1880- 1931) é o autor do retrato destacado no sexto artigo da série “Feministas, graças a Deus”, sobre Júlia Medeiros (1896 – 1972), publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de dezembro de 2020. De origem austríaca e nascido em Campinas, em 13 de outubro de 1880, ele atuou no Recife, entre fins do século XIX e nas primeiras décadas do XX. Pernambuco, a partir da década de 1850, com a chegada de vários fotógrafos estrangeiros e o estabelecimento de diversos ateliês fotográficos, tornou-se uma referência importante na história da fotografia no Brasil. Piereck foi contemporâneo do português Francisco du Bocage (1860 – 1919) e do pernambucano Manoel Tondella (1861 – 1921), dentre outros. Considerado talentoso, tinha muito prestígio na sociedade pernambucana e, em seu estabelecimento, a Photographia Piereck, eram produzidos “os mais perfeitos trabalhos“. Anunciava como sua especialidade “retratos, grupos de criança e o bello sexo“.

 

 

Muito provavelmente Louis aprendeu seu ofício de fotógrafo convivendo com profissionais em estabelecimentos fotográficos onde seu pai, o pintor acadêmico austríaco Ferdinand (Fernando) Piereck (1844 – 1925), trabalhou como, por exemplo, os ateliês de Henrique Rosén (18? – 1892), em Campinas; Alberto Henschel (1827 – 1882), no Recife; e o de Carlos Hoenen (18? – ?), em São Paulo. Em 1870, Ferdinand esteve pela primeira vez no Brasil, onde todos os seus cinco filhos, que teve com a tcheca Elizabeth Taussig (1855 – 19?), nasceram: Wilhelmine Ernestine (Guilhermina Christiani) (1878 – 19?), Ferdinand Junior (1879 – ?), Louis (1880 – 1931), Babette (Elizabeth White) (1881 – 19?) e Laura Correia (1882 – 19?). Naturalizou-se brasileiro em 1896. A motivação de sua vinda para o Brasil é incerta. Teria vindo atraido pela natureza tropical? À procura de uma clientela desejosa de que sua prosperidade fosse retratada?

 

 

Em 1904, após uma estadia na Europa, Louis Piereck avisava a amigos, a antigos fregueses e ao público em geral que seu ateliê, a Photographia Piereck, no número 54 da rua dr. Rosa e Silva (1), antiga rua da Imperatriz, no Recife, tinha todos os requisitos necessários a fim de bem servi-los (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna). Era o mesmo endereço onde havia se localizado o ateliê do fotógrafo Flosculo de Magalhães (18? – 19?).

Casou-se, no Recife, com Hermínia Bastos Tigre (? – 1949), em 31 de janeiro de 1907, e tiveram cinco filhos, Luiz (c. 1907 – 1923), Edgard (1909 – 1993), Carmelita (19? -19?) – que faleceu ainda criança de crupe em uma das viagens da família à Europa -, Helena (19? – 19?) e Hermínia (Baby) (1917 – 1987) (Jornal Pequeno, 31 de janeiro de 1907, quarta coluna).

Louis Piereck conquistou o Grande Prêmio na Exposição Nacional de 1908 e medalhas de ouro na Exposição Internacional de Bruxelas de 1910, na Exposição Internacional de Turim de 1911, na Exposição Internacional do Trabalho de Milão de 1915, e na Exposição Internacional do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, em 1922. Seu estabelecimento fotográfico era uma Casa honrada com a preferência da alta sociedade pernambucana, onde além de produzir e expor fotografias, Piereck vendia equipamentos fotográficos. Frequentemente ia à Europa, de onde trazia as “novidades da arte“.

“Essa conhecida casa, de que é proprietário o habilíssimo e competente artista sr. Luiz Piereck, acaba de ser dotada de importantes melhoramentos e novidades da arte, tonando-se desta sorte o principal estabelecimento do gênero desta capital”

Jornal Pequeno, 20 de fevereiro de 1913

 

A Photographia Piereck também foi palco de exposições de artistas plásticos como Vicente do Rego Monteiro (1899 – 1970), que se tornaria um pintor de renome internacional, e do chargista e caricaturista paraibano Fausto Silvério Monteiro, (? – 1935), o Fininho, pioneiro nas produções de materiais gráficos do cinema pernambucano (Diário de Pernambuco, 7 de janeiro de 1920, primeira colunaDiário de Pernambuco, 27 de agosto de 1922, quinta coluna).

 

 

Acessando o link para as fotografias de Louis Piereck disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cerca de um ano antes de sua morte, Piereck foi o responsável pela última fotografia do então governador da Paraíba, João Pessoa  (1878 – 1930) que, no dia em que foi assassinado, 26 de julho de 1930, pelo jornalista João Dantas (1888 – 1930), no Recife, esteve na Photographia Piereck, onde tirou novas fotografias a fim de atender a pedidos que constantemente lhe eram feitos por jornalistas, amigos e parentes. O governador estava com o ex-deputado e futuro governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães (1893 – 1952), e com o jornalista Caio Lima Cavalcanti (1898 – 1975). Piereck era grande admirador de Pessoa e, segundo noticiado no Correio da Manhã, o encontro dos dois se deu com grande emoção. O assassinato é considerado um dos estopins da Revolução de 30.

 

 

O assassino de João Pessoa, João Dantas, e o engenheiro Augusto Caldas, seu cunhado, foram presos na Casa de Detenção do Recife, onde foram encontrados mortos em 6 de outubro (Diário de Pernambuco, 7 de outubro de 1930, primeira coluna). O motivo oficial das morte foi suicídio mas, anos depois, a descoberta de registros fotográficos produzidos por Piereck contribuíram para desacreditar essa versão.

Assim como Júlia de Medeiros, Louis Piereck teve um fim de vida trágico: suicidou-se, em 1931, ingerindo uma alta dose de oxianureto de mercúrio. Além da fotografia de Júlia, que pertence ao acervo do Arquivo Nacional, a Brasiliana Fotográfica disponibiliza 12 imagens produzidas por Piereck que pertencem ao acervo da Fundação Joaquim Nabuco. Ambas são instituições parceiras do portal.

 

 assinatura

 

Cronologia de Louis Piereck (1880 – 1931)

 

O fotógrafo Louis Piereck / Blog de Fernando Machado

O fotógrafo Louis Piereck / Acervo da família Piereck

 

1844 – Em Viena, na Áustria, nascimento do pintor Ferdinand (Fernando) Piereck (1844 – 1925), pai de Louis, em 10 de setembro.

1870 – Em 15 de outubro, Ferdinand chegou ao Rio de Janeiro, a bordo do paquete francês Amazone (Jornal do Commercio, 16 de outubro de 1870, sexta coluna).

1875 - Em Viena, em 13 de março, casamento de Ferdinand com Elizabeth Taussig (05/11/1855 – ?), nascida em Praga, de origem judaica. Os dois primeiros filhos do casal, Wilhelmine Ernestine (Guilhermina Christiani) (1878 – 19?) e Ferdinand Junior (1879 – ?), nasceram em Pernambuco. O fotógrafo Louis (1880 – 1931), Babette (Elizabeth White) (1881 – 19?) e Laura Correia (1882 – 19?), em São Paulo.

 

Louis Piereck. Ferdiand e Elizabeth Piereck com três filhos de Louis Piereck: Louis, Edgard e Hermínia (Baby), c. 19?

Ferdinand e Elizabeth Piereck e três de seu netos: Louis, Edgard e Hermínia (Baby), fotografados por Louis Piereck em torno de 1920/ Acervo da família Piereck

 

1876 – Ferdinand partiu do Rio de Janeiro para Pernambuco (O Globo, 1º de janeiro de 1876, quinta coluna). Foi contratado para trabalhar na Photographia Allemã de  Alberto Henschel (1827 – 1882) no Recife (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1876).

1877 – Ferdinand  foi contratado para ser o responsável pela pela policromia das fotopinturas a óleo e aquarela da Photographia Allemã, de Carlos Hoenen (18?-?), inaugurada em 1º de setembro de 1875, na rua do Carmo, 74, em São Paulo (Correio Paulistano, 31 de agosto de 1875, última coluna; Correio Paulistano, 23 de novembro de 1877).

1878 – Ferdinand ainda trabalhava no estabelecimento de Hoenen (Correio Paulistano, 30 de julho de 1878) e foi, muito provavelmente, o autor da pintura do teto de um dos cômodos do Grande Hotel, da Rua São Bento (Revista do IPHAN, nº 10, 1946), de propriedade de dois comerciantes: o teuto-suíço Frederico Glette (? – 1886) e o alsaciano Victor Nothmann (? – 1905).

 

 

Foi também o autor de uma pintura de tema religioso realizada para a Igreja da Penha (A Província de São Paulo, 28 de julho de 1878).

Transferiu-se para Campinas, onde trabalhou no ateliê Photographia Campinense, do sueco Henrique Rosén (18? – 1892), na época o mais importante fotógrafo do interior paulista, que, posteriormente, em janeiro de 1890, foi nomeado cônsul do Brasil da Suécia e da Noruega (Relatório do Ministério das Relações Exteriores, 1891; Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna). A expansão cafeeira no oeste paulista fez com que vários fazendeiros alojassem em suas casas artistas que retratavam suas famílias. Ferdinand pintou diversos barões do café e, neste ano, pintou o retrato de dom Pedro II, que está no casarão da Fazenda  Pinhal, em São Carlos, São Paulo.

 

 

Sua primeira filha, Wilhelmine (Guilhermina) (1878 -?), nasceu em Pernambuco.

1879 – Nascimento do segundo filho do casal Ferdinand e Elizabeth, Ferdinand Junior, em Pernambuco.

1880 – Nascimento de Louis Piereck, em 13 de outubro, em Campinas (Jornal Pequeno, 13 de outubro de 1919, terceira coluna; Jornal do Recife, 13 de outubro de 1923, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 14 de outubro de  1930, sexta coluna). Algumas fontes informam o ano de nascimento 1878, e, por vezes, indicam como local de seu nascimento a Áustria ou a Suíça, mas documentação enviada da Áustria para familiares do fotógrafo apontam 1880 e Campinas como o ano e o local corretos do nascimento do fotógrafo.

1881 – 1882 – Em São Paulo, nascimento dos últimos filhos do casal Ferdinand e Elizabeth: Elizabeth (Babette) (1881 – 19?) e Laura (1882 – 19?) .

1886 - Ferdinand Piereck, que havia voltado de Viena, foi contratado pela Photographia Allemã, de Albert Henschel (1827 – 1882), localizada na rua do Barão da Vitória, nº 52, no Recife. O gerente do estabelecimento era o também austríaco Constantino Barza (Jornal do Recife, 3 de março de 1886).

 

 

1887 – Segundo passaporte emitido na Áustria, em 16 de abril de 1887, para Ferdinand (Fernando) Piereck, com validade de três anos, ele estava em Viena, e viria ainda naquele ano para o Brasil. Aqui, após ter visitado as principais galerias durante sua viagem, voltou a trabalhar na Photographia Allemã, ficando encarregado dos retratos a óleo (Jornal do Recife, 26 de maio de 1887, quarta coluna).

1892 – De acordo com propaganda veiculada em 1910, a fundação do ateliê fotográfico de Louis Piereck teria ocorrido neste ano (Jornal Pequeno, 14 de novembro de 1910). Em janeiro de 1892, foi inaugurada a Photographia Brazil, de Flosculo de Magalhães (18? – 19?),  na rua da Imperatriz 54 A (que em 1895 passou a chamar-se rua dr. Rosa e Silva), primeiro estabelecimento do gênero no bairro da Boavista (Jornal do Recife, 6 de janeiro de 1892, terceira coluna). Em 1901, 1902 e 1903 continuava a funcionar no mesmo endereço. Flosculo mudou-se, em 1904, com a família para o Rio de Janeiro (A Província, 6 de novembro de 1901, quinta colunaA Província, 21 de janeiro de 1902, penúltima colunaA Província, 30 de janeiro de 1904, segunda colunaA Província, 1º de setembro de 1904, segunda coluna). É o mesmo endereço que, a partir de 1904, foi anunciado como o da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna). Teriam os fotógrafos trabalhado juntos ou Piereck teria sucedido Flosculo no mesmo endereço?

1895 – Louis enviou um cartão de felicitações a sra. H. Barza. Seria uma parente de Constantino Barza (18? – ?), que havia sido o gerente da Photographia Allemã, de Henschel (1827 – 1882)? (Jornal do Recife, 1º de novembro de 1895, terceira coluna.

1896 - Seu pai, Ferdinand (Fernando) Piereck, naturalizou-se brasileiro, em 22 de maio de 1896 (Gazeta de Notícias, 25 de maio de 1896, quinta coluna).

1899 - Fazia parte de um Club de Photographia que distribuiu prêmios durante o ano de 1899 e 1900. O primeiro sorteio premiou o sócio Tito Rosas e o segundo, Alfredo Garcia (Jornal Pequeno, 2 de janeiro de 1899, terceira coluna).

Morava no Entroncamento nº 37 (Jornal do Recife, 30 de julho de 1899, sexta coluna).

1900 - Possuía um estabelecimento fotográfico, em Campina Grande, na Paraíba.

1904 – Seu estabelecimento fotográfico, a Photographia Piereck, ficava no número 54 A  da rua dr. Rosa e Silva (1), antiga rua da Imperatriz, no Recife, mesmo endereço onde havia se localizado anteriormente o ateliê do fotógrafo Flosculo de Magalhães (18? – 19?). Foi anunciado que Piereck havia chegado há pouco da Europa onde havia se dedicado com esmero à arte fotográfica. Avisava a amigos, a antigos fregueses e ao público em geral que seu ateliê tinha todos os requisitos necessários a fim de bem servi-los (Jornal Pequeno, 30 de abril de 1904, primeira coluna).

 

 

Na mesma rua dr. Rosa e Silva, no número 39, ficava a Modern Photograph, de Manoel Ribeiro Filho (18? – 19?) (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1904, terceira coluna).

Piereck retratou a atriz e cantora Vittorina Cesana (1896? – 19?) caracterizada para o papel de militar da opereta Os 28 dias de Clarinha. Durante a apresentação da peça, no Teatro Santa Izabel, no Recife, esta fotografia foi distribuida aos espectadores (Jornal Pequeno, 21 de julho de 1904, terceira colunaDiário de Pernambuco, 23 de julho de 1904, penúltima coluna).

Na Photographia Piereck e na Maison Chic estavam sendo vendidos exemplares de A Linguagem dos selos pelo cartão postal ou o dicionário do amor pelo correio (Jornal Pequeno, 12 de outubro de 1904).

 

 

Seu pai, o pintor acadêmico Ferdinand (Fernando) Piereck, trabalhava na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 20 de outubro de 1904, quarta coluna).

1905 - Foi anunciada uma grande exposição artística na Photographia Piereck (A Província, 8 de abril de 1905).

Houve uma liquidaçao de cartões-postais em seu estabelecimento (Jornal Pequeno, 14 de junho de 1905, segunda coluna).

1906 – Estavam em exposição na Photographia Piereck o retrato de todos os presidentes da Câmara de Deputados Estaduais de Pernambuco desde a proclamação da República: José Maria, Moreira Alves, José Marcelino, Elpidio Figueireido, Mota Silveira e João Coimbra (Jornal do Recife, 20 de fevereiro de 1906, sétima coluna).

Anunciava seu estabelecimento fotográfico como uma Casa honrada com a preferência da alta sociedade pernambucana (Jornal do Recife, 23 de fevereiro de 1906, oitava coluna).

Anúncio da contratação do casamento com Hermínia Bastos Tigre, irmã do poeta, bibliotecário, publicitário e jornalista Manuel Bastos Tigre (1882 – 1957), filha do negociante Delfino Tigre (18? – 1932) e de Maria Leontina Bastos Tigre (18? – 1926) e publicação das proclamas (Diário de Pernambuco, 5 de outubro de 1906, penúltima coluna; e Jornal do Recife, 25 de dezembro de 1906, quarta coluna). Uma curiosidade: o cunhado de Piereck, Manuel Bastos Tigre, foi o responsável pelo slogan da Bayer que se tornou famoso em todo o mundo: “Se é Bayer é bom“. É também o autor da letra da música Chopp em Garrafa, com música de Ary Barroso (1903 – 1964), que foi interpretada por Orlando Silva (1915 – 1978). Foi inspirada no produto que a Brahma passou a engarrafar. Sucesso do carnaval de 1934, é considerado o primeiro jingle publicitário do Brasil. O Dia do Bibliotecário, 12 de março, dia de seu nascimento, foi instituído, em 1980, em sua homenagem.

1907 – Louis Piereck produziu as fotografias da turma de bacharéis de 1906 (Jornal Pequeno, 5 de janeiro de 1907, primeira coluna).

 

 

 

Casou-se, no Recife, com Hermínia Bastos Tigre (? – 1949), em 31 de janeiro de 1907, e tiveram cinco filhos, Luiz (c. 1907 – 1923), Edgard (1909 – 1993), Carmelita (19? -19?) – que faleceu ainda criança de crupe em uma das viagens da família à Europa -, Helena (19? – 19?) e Hermínia (Baby) (1917 – 1987) (Jornal Pequeno, 31 de janeiro de 1907, quarta coluna).

 

família piereck 2

Da esquerda para a direita: Louis (filho primogênito do fotógrafo), Hermínia, sua mulher; Edgard (seu filho), o fotógrafo Louis Piereck, duas irmãs de Hermína e a mãe de Hermínia, Maria Leontina Bastos Tigre, em um navio indo para a Europa, década de 10 / Acervo da família Piereck

 

Anunciava utilizar na Photografia Piereck o processo Van Bosch, garantido para os climas tropicais (Jornal Pequeno, 24 de maio de 1907).

 

 

Anunciou a Alta Novidade Photo-Pintura-Esmaltada como exclusividade da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 9 de dezembro de 1907). Com esta técnica foram realizados os retratos do desembargador Sigismundo Gonçalves (1845 – 1915) e do senador Rosa e Silva (1847 – 1929), expostos no depósito da Fábrica Lafayette (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1907, primeira coluna).

1908 – A Photographia Piereck ficou incumbida pelo retrato do príncipe Luiz Felipe de Portugal (1887 – 1908), assassinado em 1º de fevereiro de 1908, que seria colocado na galeria do Real Hospital Português de Pernambuco (Jornal do Recife, 22 de fevereiro de 1908, oitava coluna).

Exposição na Fábrica Lafayette, na rua 1º de Março, do retrato em photo-pintura-esmaltada do coronel Cornélio Padilha (18? – 19?), realizado pela Photographia Piereck. O retrato seria dado ao coronel por amigos na ocasião de sua chegada da Europa (Jornal do Recife, 16 de setembro de 1908, última coluna).

A Photographia Piereck conquistou o Grande Prêmio na Exposição Nacional de 1908 (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1908, primeira colunaGutemberg, 31 de dezembro de 1908Jornal Pequeno, 3 de junho de 1909, última coluna).

 

 

1909 – Foi publicada uma lista de personalidades fotografadas pelo sistema “Esmalte Piereck” (Jornal Pequeno, 3 de junho de 1909).

 

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Exposição de um retrato do ex-presidente Afonso Pena (1847 – 1909) na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco, 24 de junho de 1909, penúltima coluna).

Louis Piereck embarcou, em 10 de outubro, para a Europa, a bordo do Aragon, e anunciou que seu ateliê fotográfico continuaria funcionando. Retornou em 9 de dezembro de 1909 (A Província, 10 de outubro de 1909, terceira colunaJornal do Recife, 24 de outubro de 1909, terceira colunaA Província, 10 de dezembro de 1909, quinta coluna).

1910 – Na Fábrica Lafayette, exposição de retratos produzidos por Piereck, feitos por um novo e belíssimo processo, o mais moderno da arte fotográfica, imitação de fina gravura em relevo (A Província, 14 de janeiro de 1910, última coluna).

Venda de quadros e molduras a varejo e no atacado na Photographia Piereck (A Província, 30 de maio de 1910, quinta coluna).

A Photographia Piereck conquistou a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Bruxelas, realizada entre 23 de abril e 1º de novembro de 1910 (Diário de Pernambuco, 1º de novembro de 1910, última coluna). Também participaram da exposição os pintores brasileiros Lucilio de Albuquerque (1877 – 1939) e Antônio Parreiras (1860 – 1937). O encarregado pelos concertos de música brasileira no evento foi o maestro cearense Alberto Nepomuceno (1864 – 1920), então diretor do Instituto Nacional de Música. O pavilhão brasileiro foi projetado pelo arquiteto belga Franz van Ophen (18? – 19?).

 

 

Em 15 de novembro de 1910, foi inaugurada a instalação elétrica da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 14 de novembro de 1910).

 

 

O quadro das novas professoras formadas no Colégio Prytaneu foi confeccionado e exposto na Photographia Piereck (A Província, 28 de novembro de 1910, segunda coluna).

1911 A Photographia Piereck ganhou a Medalha de Ouro na Exposição de Turim, realizada entre 29 de abril e 19 de novembro de 1911 (Almanach de Pernambuco, 1912).

 

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Medalha de Ouro da Exposição de Turim / Acervo da família Piereck

 

Nessa mesma exposição, o fotógrafo amador alagoano Luis Lavènere Wanderley (1868 – 1966) também foi premiado com uma Medalha de Ouro exibindo fotografias sobre madeira, sobre porcelana e quadros de gênero  (Leituras para todos, janeiro de 1912).

 

 

O fotógrafo austríaco radicado no Brasil Otto Rudolf Quaas (c. 1862 – c. 1930) recebeu a Medalha de Prata. Segundo artigo de Boris Kossoy, publicado no O Estado de São Paulo, de 4 de março de 1973,  o fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941) participou da Exposição Universal de Turim, durante a qual foi agraciado com a comenda de Cavaleiro da Coroa, concedida pelo rei da Itália, por sua defesa da causa da imigração italiana para o fotógrafo Valério Vieira (1862 – 1941).

 

 

Em uma exposição do quadro de bacharéis em Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito na Photographia Piereck, a iluminação do ateliê foi descrita e referida como responsável por um surpreendente efeito luminoso. O evento, muito concorrido, contou com a apresentação da banda do 49º Batalhão de Caçadores (A Província, 6 de dezembro de 1911, quarta coluna).

1912 –  Exposição de um retrato de Eudoro Correia (1869 – 1961), prefeito do Recife, na Photographia Piereck. O retrato seria ofertado ao prefeito pelos carvoeiros da casa Cory Brothers (Jornal do Recife, 19 de abril de 1912).

Mais uma vez, o quadro de retratos das novas professoras formadas no Colégio Prytaneu foi confeccionado e exposto na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 16 de maio de 1912, quarta coluna).

A Photographia Piereck também confeccionava elegantes e custosas molduras (Jornal Pequeno, 20 de junho de 1912, última coluna).

Em julho, Louis Piereck foi passar uma temporada na Europa e deixou na direção de seu estabelecimento seu antigo auxiliar J. de Oliveira Lopes. Seu amigo Delfino da Silva Tigre cuidaria de seus assuntos particulares e comerciais (Jornal do Recife, 18 de julho de 1912, terceira coluna).

1913 – A bordo do Araguaya, Louis Piereck retornou de uma viagem à Europa quando visitou vários estabelecimentos fotográficos, especialmente em Viena e em Berlim. Comprou a patente para o processo fotográfico esmalte ouro para a América do Sul. Além disso, adquiriu uma utilíssima e magnífica máquina para operação em atelier, tipo 1912, a mais aperfeiçoada invenção e dotada de uma fina objetiva do importante cabricante Carl Zeiss…esse aparelho é o único que consegue apanhar clichês representando a maior naturalidade e nitidez, visto como o fotografado não vê diante de si a câmara, mas um grande espelho, onde se reflete a sua imagem, podendo desta natureza o artista, no momento crítico, apanhar uma fisionomia com a expressçao mais viva e natural. No interior da máquina  existe um aparelho instantâneo automático, de maneira que a pessoa que está sendo fotografada, por mais nervosa que seja, não pode modificar a expressão do rosto, evitando assim as tão frequentes reclamações de que “o trabalho não está bom a cópia não foi fiel”. Trouxe também fundos e decorações, uma coleção de animais para fotos com crianças, um projetor automático e elétrico, o maior do gênero em Pernambuco, que permitia apanhar no dia mais escuro qualquer clichê e um graduador automático de regulamentação de luz nas provas. Finalmente, comprou também uma rica e elegante cartonagem para a produção de um belíssimo efeito no acabamento dos retratos (Jornal do Recife, 1º de fevereiro de 1913, penúltima colunaJornal Pequeno, 20 de fevereiro de 1913, segunda coluna; e A Província, 25 de fevereiro de 1913, quarta coluna).

 

 

“Essa conhecida casa, de que é proprietário o habilíssimo e competente artista sr. Luiz Piereck, acaba de ser dotada de importantes melhoramentos e novidades da arte, tonando-se desta sorte o principal estabelecimento do gênero desta capital”.

Louis Piereck anunciou que havia reassumido a direção técnica de seu estabelecimento e a nova máquina fotográfica adquirida na Europa foi exposta na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 26 de fevereiro de 1913, terceira colunaJornal Pequeno, 1º de março de 1913, primeira coluna).

Anunciou possuir os aparatos mais modernos e necessários para transformar seu ateliê em um interior de igreja para os atos de 1ª Comunhão, casamentos e batizados (Jornal Pequeno, 7 de abril de 1913, primeira coluna).

 

A Photographia Piereck inaugurou seu serviço fotográfico noturno sem o processo do magnésio (Jornal Pequeno, 13 de junho de 1913, penúltima coluna).

 

 

A Photographia Piereck foi contratada para realizar o quadro dos formandos da Escola de Farmácia (A Província, 24 de julho de 1913, terceira coluna).

Em 14 de novembro, no Teatro Santa Izabel, no Recife, foi entregue a Medalha de Ouro conquistada por Louis Piereco, na Exposição Internacional de Turim, em 1911 (Jornal Pequeno, 15 de novembro de 1913, terceira coluna).

 

 

Foi noticiado que Louis Piereck embarcaria para a Europa com a família. Teria aceito a incumbência de realizar para o Jornal Pequeno reportagens fotográficas nas principais cidades que visitasse (Jornal Pequeno, 29 de novembro de 1913, segunda colunaJornal do Recife, 18 de abril de 1915, segunda coluna).

Na Photographia Piereck, exposição de um quadro com retratos da tripulação vencedora, do Club Náutico, do páreo de honra da última regata (Jornal Pequeno, 13 de dezembro de 1913, última coluna).

1914 – Exposição do quadro das professoras da Escola Normal Pinto Junior, confeccionado no ateliê fotográfico de Piereck que foi decorado, para o evento, em estilo japonês. Na ocasião, houve a apresentação de uma banda militar (A Província, 21 de novembro de 1914, última colunaJornal do Recife, 24 de novembro de 1914, última coluna).

1915 – Ganhou o Grande Prêmio de Honra e uma Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Trabalho em Milão.

 

Grande Prêmio de Honra, em Milão, 1915 / Arquivo da família Piereck

Grande Prêmio de Honra, Milão, 1915 / Acervo da família Piereck

 

Após uma longa viagem pela Europa, iniciada em fins de 1913, quando esteve em Viena, Paris e Berlim, Louis Piereck e sua família voltaram para o Recife, a bordo do transatlântico Avon. Trouxe para seu ateliê recentes descobertas fotográficas, dentre elas o processo de Pigment ou carvon verdadeiro, em que se notam nas provas 20 e tantas cores diferentes. Adquiriu também aparelhos para a execução de trabalhos esmaltados em moldura de diversos formatos – ovais, medalhões, redondos, quadrados, dentre outros – , e máquinas fotográficas para a realização de instantâneos de toda natureza … podendo apanhar as imagens com a rapidez de 2500 de segundo (Jornal do Recife, 18 de abril de 1915, segunda coluna; A Província, 23 de abril de 1915, segunda coluna; A Província, 27 de abril de 1915, quinta colunaJornal Pequeno, 28 de maio de 1915, penúltima coluna). Reassumiu seu estabelecimento fotográfico em 1º de junho (A Província, 27 de maio de 1915, segunda coluna).

Era o único depositário para todo o Brasil do medicamento Expulsin, fabricado em Berlim para o combate à gota, reumatismo e artrite (A Província, 27 de junho de 1915, primeira coluna; A Província, 17 de março de 1917, última coluna).

O inspetor de higiente, dr. Gouveia de Barros, foi retratado na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 4 de agosto de 1915, última coluna).

Inauguração de diversos e importantes melhoramentos na Photographia Piereck, dentre eles o aumento da iluminação elétrica. Havia no ateliê um espaçoso laboratório para lavagem, revelação e fixagem de chapas, uma prensa automática e elétrica para a impressão de provas e também um aparelho para o serviço de ampliação. Havia também a seção de colagem, cortagem de cartão e abertura de firma da casa e outros distintivos, além da sala de fotografia e da seção de molduras. Nesta ocasião, trabalhavam no ateliê os artistas Gustavo Fischer e o alemão Phil Schafer, que havia trabalhado no ateliê Hubart & Cia, no Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 29 de dezembro de 1915, última coluna).

1916 - Piereck esteve por cerca de três meses na Europa e reassumiu a direção artística de seu ateliê, em 30 de junho de 1916. Trouxe para seu estabelecimento um aparelho para fotografias noturnas usado nas grandes casas da Europa. Adquiriu também uma belíssima cartonagem, o que havia de mais chic e novo no gênero (Jornal Pequeno, 1º de julho de 1916, última coluna).

Viajou a passeio para o Rio de Janeiro (Jornal Pequeno, 22 de agosto de 1916, última coluna).

1917 - Em um aviso publicado no jornal A Província, Piereck denunciou fotógrafos que, usando de má fé, apresentavam-se como seus representante (A Província, 3 de abril de 1917, última coluna).

 

 

Devido à manifestações contra a Alemanha ocorridas no Recife, Piereck procurou a redação do Jornal do Recife e declarou, mostrando documentos, ser brasileiro (Jornal do Recife, 12 de abril de 1917, primeira coluna).

A Photograhia Piereck foi escolhida para realizar o quadro de retratos dos bacharelandos de Direito de 1917 (Jornal Pequeno, 26 de maio de 1917, última coluna).

Anúncio da instalação, na Photographia Piereck, de uma importante e bem montada oficina para o fabrico de molduras, a cargo de competentes artistas (Jornal Pequeno, 26 de julho de 1917).

No quarto e mais importante páreo da regata promovida pelo Club Sportivo Almirante Barroso, foi disputado pela primeira vez o rico e elegante brinde “Photo Piereck”, oferecido pela conceituada Photographia Piereck  (Jornal Pequeno, 4 de agosto de 1917, quinta coluna).

 

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Foi noticiado que Gustavo Fischer havia deixado de ser o auxiliar de Louis Piereck, por sua livre e espontânea vontade. Ele passou a gerenciar a Photographia Chic (Diário de Pernambuco, 23 de outubro de 1917, primeira colunaJornal Pequeno, 24 de outubro de 1917, última coluna).

1918 - Mais uma vez, a Photographia Piereck foi a responsável pela realização do quadro de bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 7 de fevereiro de 1918, segunda coluna).

 

 

Exposição de diversos retratos na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 2 de agosto de 1918, terceira coluna).

1919 – As capas da revista Vida Moderna passaram a trazer fotografias cedidas pela Photographia Piereck (Vida Moderna (PE), 5 de julho de 1919).

 

 

Inauguração na Photographia Piereck do quadro dos engenheiros formados em 1919 na Escola Livre de Engenharia. O passe-partout havia sido confeccionado pelo artista Moser (Jornal do Recife, 16 de agosto de 1919, penúltima coluna).

Realização de um magnífico trabalho na Photographia Piereck. Quadro do corpo médico e da junta administrativa de 1948, do Hospital Português (Jornal Pequeno, 20 de agosto de 1919, segunda coluna).

Foi anunciada a venda, na Photographia Piereck, de novas tintas para artistas pintores (Jornal Pequeno, 7 de outubro de 1919, primeira coluna).

A Photographia Piereck foi, de novo, a responsável pela realização do quadro de bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 10 de dezembro de 1919, penúltima coluna).

Na Photographia Piereck, inauguração do quadro de retratos dos professores da Escola Normal: Julio Pires Ferreira, França Pereira, Arthur Cavalcanti e José Ferreira Muniz (A Província, 13 de dezembro de 1919, quarta coluna).

1920 – O pintor Vicente do Rego Monteiro (1899 – 1970) fez uma exposição de ilustrações e aquarelas na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco, 7 de janeiro de 1920, primeira coluna). Rego Monteiro trouxe para o Recife, em 1930, uma exposição de artistas da Escola de Paris, que foi a primeira mostra internacional de arte moderna realizada no Brasil, com artistas ligados às grandes inovações nas artes plásticas, como o cubismo e o surrealismo. Foram expostas, dentre outras, obras de Fernand Léger (1881 – 1955), Georges Braque (1882 – 1963), Joan Miró (1893 – 1983) e Pablo Picasso (1881 – 1973), além de trabalhos dele.

 

 

Estavam à venda na Photographia Piereck, as chapas fotográficas de fabricação alemã que, devido à guerra e a consequente interrupção das exportações, passaram muito tempo em falta. Outros produtos fotográficos também eram vendidos no ateliê (A Província, 22 de julho de 1920, primeira colunaA Província, 20 de agosto de 1920, última coluna).

 

 

A Photographia Piereck foi escolhida para realizar o quadro de retratos dos formandos em odontologia (Jornal do Recife, 7 de agosto de 1920, quinta coluna).

Os retratos do presidente do Brasil, Epitácio Pessoa (1865 – 1942), e do governador de Pernambuco, José Rufino Bezerra Cavalcanti (1865 – 1922), realizados pela Photographia Piereck, foram expostos durante a realização da comemoração do primeiro ano de governo de Bezerra CAvalcanti (A Província, 18 de dezembro de 1920, quarta coluna).

1921 – A Photographia Piereck realizou o quadro de retratos dos formandos da Faculdade de Direito e dos farmacêuticos (Jornal do Recife, 13 de janeiro de 1921, sexta colunaA Província, 3 de dezembro de 1921, segunda coluna).

Piereck Irmãos vendiam carros (Diário de Pernambuco, 20 de janeiro de 1921).

A Photographia Piereck recebeu da Alemanha cartonagem para retratos de formatos visita e álbum em cores sortidas com os seus respectivos envelopes transparentes (A Província, 30 de janeiro de 1921, quarta coluna).

Exposição de diversos retratos na Photographia Piereck, uma das melhores de nosso país (A Província, 11 de fevereiro de 1921, primeira coluna).

Louis Piereck reassumiu, em 15 de setembro, a direção de seu estabelecimento (A Província, 20 de setembro de 1921, última coluna).

Phil Schafer, gerente da Photographia Piereck, anunciou que havia se desligado do estabelecimento e oferecia seus serviços profissionais de ampliação, sua especialidade, assim como outros ligados à fotografia. Posteriormente abriu um estabelecimento fotográfico na rua da Imperatriz, 285, bem perto da Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 20 de setembro de 1921, última colunaAlmanak Laemert, 1927, última coluna).

O Club Sportivo Almirante Barroso conquistou algumas taças nas regatas realizadas na baciaa do Capiberibe, uma delas a Taça Photo Piereck (A Província, 20 de setembro de 1921, segunda coluna).

Houve um incêndio na Photographia Piereck devido a um curto-circuito na fiação elétrica (Jornal Pequeno, 6 de dezembro de 1921, quinta colunaA Província, 7 de dezembro de 1921, última coluna).

1922 – Foi premiado com a Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada no Rio de Janeiro (A Província, 11 de julho de 1924, primeira coluna).

A Photo Piereck anunciou a chegada de uma nova remessa de chapas alemães do afamado fabricante Schleussner. No mesmo anúncio aconselhava os fotógrafos e amadores: só usem chapas preparadas com emulsão tropical  (Diário de Pernambuco, 19 de janeiro de 1922, terceira coluna). No mesmo ano, foi anunciada a chegada de uma remessa da tinta Helios, especiais para a pintura de tecidos (Diário de Pernambuco, 14 de juho de 1922, terceira coluna).

A Photographia Piereck realizou o quadro de retratos das professoras formadas na Escola Normal de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 2 de fevereiro de 1922, sexta coluna).

Nascimento de Fernando Carlos, filho de Elizabeth Piereck White, irmã de Louis, que era casada com Fernando White (Jornal Pequeno, 16 de fevereiro de 1922, quinta coluna).

Durante as exéquias celebradas, na basílica Nossa Senhora da Penha, em memória de José Rufino Bezerra Cavalcanti (1865 – 1922), foi exibido um retrato a óleo, realizado pela Photographia Piereck na época em que ele foi ministro da Agricultura, entre 1915 e 1917 (Diário de Pernambuco, 28 de abril de 1922, quarta coluna).

Após concorrer com o fotógrafo Fidanza – curiosamente, mesmo sobrenome do fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) – , foi escolhido para realizar o quadro de retratos dos bacharéis da Faculdade de Direito (A Província, 12 de maio de 1922, quinta coluna).

Na Photographia Piereck, exposição do chargista e caricaturista paraibano Fausto Silvério Monteiro, (? – 1935), Fininho, pioneiro nas produções de materiais gráficos do cinema pernambucano. Pode ser considerado como um dos primeiros artistas gráficos a trabalhar para o cinema no Brasil (Diário de Pernambuco, 27 de agosto de 1922, quinta coluna).

 

 

A Photo Piereck anunciava-se como a única importadora em Pernambuco de produtos fotográficos.

 

 

Foi, de novo, o responsável pela realização do quadro de retrato de bacharéis da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 15 de dezembro de 1922, quinta coluna).

1923 - Ferdinand Piereck Junior noticiou que seu irmão, Louis Piereck, estava se retirando da firma Piereck Irmãos, que ficava na Praça da Independência 31 e que havia há pouco anunciado a venda de tintas e anilinas de Brauns (A Província, 24 de abril de 1923, segunda coluna).

Exposição na Photographa Piereck do retrato do senador Manoel Borba (1864 – 1928), que seria colocado na Prefeitura de Jaboatão (Jornal Pequeno, 9 de junho de 1923, primeira coluna).

Eram vendidas na Photographia Piereck máquinas fotográficas Kodack Goerz, além de outros produtos fotográficos da marca Gevaert (Jornal Pequeno, 16 de janeiro de 1923, última colunaJornal Pequeno, 10 de julho de 1923, segunda coluna).

 

 

O alemão Martin Schumann dirigia a seção de retratos a óleo, pastel, aquarelas e ampliações fotográficas da Photographia Piereck. Anteriormente, já havia dirigido uma academia em Dresden onde ensinava essas técnicas. Em homenagem à data da independência do Brasil, foi realizada uma exposição na Photo Piereck de quadros a óleo e trabalhos outros do gênero (Jornal Pequeno, 5 de setembro de 1923, quinta colunaA Província, 7 de setembro de 1923, quarta coluna).

 

 

Morte do primogênito de Louis e Hermínia Piereck, Luiz, que estudava no Colégio Synodal, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul (Jornal Pequeno, 30 de novembro de 1923, primeira coluna).

Publicação de propagandas das lentes Goerz, vendidas na Photographia Piereck (Diário de Pernambuco9  e 30 de dezembro de 1923).

 

 

“A memória nem sempre é fiel….É recem-casado?…De futuro a sua alegria será enorme” – de uma propaganda da Photo Piereck (Jornal Pequeno, 31 de dezembro de 1923, última coluna).

 

 

1924 - Mário Araújo Sobrino e Felipe Nery dos Santos trabalhavam como auxiliares na Photographia Piereck  (Diário de Pernambuco, 14 de fevereiro, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 27 de maio de 1924, terceira coluna).

Realizou o quadro de retratos dos bacharéis em ciências comerciais (A Província, 29 de março de 1924, quarta coluna).

Exposição, na Photographia Piereck, do quadro de retratos dos formandos da Escola de Engenharia de Pernambuco. O passe-partout foi de autoria do pintor H. Moser  (Diário de Pernambuco, 5 de abril de 1924, quarta coluna).

Na Photographia Piereck eram vendidos diversos equipamentos fotográficos (Jornal Pequeno, 21 de maio de 1924).

 

 

Exposição na vitrine da Photographia Piereck de um magnífico retrato busto em tamanho natural enfaixado em rica moldura do abastado comerciante e nosso particular amigo coronel Othon Mendes Bezerra de Mello (Jornal Pequeno, 2 de setembro de 1924, segunda coluna).

Ganhou uma Medalha de Ouro do Instituto Agrícola,  no Rio de Janeiro.

1925 – Inauguração, na Photographia Piereck, do quadro de retratos de bacharéis da Faculdade de Direito (Diário de Pernambuco, 12 de março de 1925, primeira coluna).

 

 

Publicação de fotografias de Piereck na Revista de Pernambuco (Revista de Pernambuco, março de 1925).

 

 

Anunciou a venda de vários produtos “Para photografia!” como prensa de copiar 13:18 9:12, bacias de porcelana e ágata, copas de graduar, balanças, vidros finos despolidos, rubi e calibres diversos. Vendia também papéis mate e brilhantes de diversos fabricantes, além de cartolinas (Diário de Pernambuco, 31 de maio de 1925, terceira colunaDiário de Pernambuco, 4 de julho de 1925, primeira coluna).

A Photographia Piereck foi responsável pelo quadro de retratos da primeira turma de médicos formados na Faculdade de Medicina do Recife (A Província, 6 de dezembro de 1925, terceira coluna).

Falecimento de seu pai, Ferdinand, em sua casa na estrada dos Aflitos, 192 (Jornal do Recife, 12 de dezembro de 1925, segunda coluna).

1926 – Falecimento da sogra de Piereck, Maria Leontina Bastos Tigre (Jornal Pequeno, 4 de janeiro de 1926)

A Photo Piereck anunciava uma grande novidade, o metallon, um papel fotográfico ideal para efeitos artísticos (Diário de Pernambuco, 28 de março de 1926).

 

 

O chargista  e caricaturista Fausto Silvério Monteiro (? – 1935), Fininho, trabalhava na Photographia Piereck, na rua da Imperatriz, 198  (Jornal do Recife, 10 de abril de 1926, quinta coluna).

A Photographia Piereck produziu o quadro de retrato das primeiras diplomadas em Comércio do Instituto Nossa Senhora do Carmo (Jornal do Recife, 20 de novembro de 1926, quarta coluna).

1927 – Foi o responsável pelo quadro de retratos da Turma do Centenário da Faculdade de Direito do Recife (Diário de Pernambuco, 21 de abril de 1927, sexta coluna).

Foi noticiada uma reforma na Seção de amadores da Photo Piereck (Jornal Pequeno, 18 de julho de 1927, última coluna).

1928 – Anunciou a chegada novas remessas de papel Leonar, chapas Eisenberger (Jornal Pequeno, 8 de março de 1928, última coluna).

A Photographia Piereck realizou a fotografia de dom Miguel de Lima Valverde (1872 – 1951), arcebispo de Olinda e Recife (Diário de Pernambuco, 22 de julho de 1928, quarta coluna).

Em um anúncio, convidava os fotógrafos amadores a ver a nova Vest pocket à venda na Photographia Piereck (Jornal Pequeno, 22 de novembro de 1928, segunda coluna)

1929 - Também eram vendidos na Photographia Piereck produtos da Kodak, da Agfa, da Hauff e de outros fabricantes (Jornal Pequeno, 2 de janeiro de 1929, segunda coluna).

Um retrato da Photographia Piereck era um dos prêmios oferecidos à vencedora do concurso de beleza que elegeu a Miss Pernambuco, Connie Brás da Cunha (Jornal Pequeno, 21 de março de 1929, quarta coluna).

A professora e feminista Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) ofereceu à feminista e presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, Bertha Lutz (1894 – 1976), uma fotografia sua produzida por Louis Piereck, datada de 5 de maio de 1929.

 

 

1930 - No dia em que foi assassinado, 26 de julho de 1930, pelo jornalista João Dantas (1888 – 1930), no Recife, o então governador de Paraíba, João Pessoa (1878 – 1930), esteve na Photographia Piereck, onde tirou novas fotografias a fim de atender a pedidos que constantemente lhe eram feitos por jornalistas, amigos e parentes. O governador estava com Agamenon Magalhães (1893 – 1952), na época ex-deputado e futuro governador de Pernambuco; e com o jornalista Caio Lima Cavalcanti. Piereck era grande admirador de Pessoa e segundo o Correio da Manhã, o encontro dos dois se deu com grande emoção. Na ocasião, Piereck teria contado a Pessoa que tivera um pesadelo com a morte dele (Diário Carioca, 29 de julho de 1930, penúltima colunaCorreio da Manhã, 29 de julho de 1930, penúltima coluna). O assassinato é considerado um dos estopins da Revolução de 30.

 

 

Segundo o jornalista Domingos Meirelles em seu livro Órfãos da revolução, ao preparar os equipamentos, Piereck notou que João Pessoa continuava tenso, olhos baixos, expressão congelada, com tristeza na face. Produziu um segundo retrato, segundo o pesquisador Edival Varandas, ao se dar conta que as luvas no bolso do paletó do presidente estavam desalinhadas e, subitamente, solicitando que não se movesse, ajeitou as luvas, pediu que esboçasse um leve sorriso e tirou o outro retrato, que viria a ser o último de Pessoa (O Dia (PR)21 de novembro de 1931, quarta coluna).

O assassino de João Pessoa, João Dantas, e o engenheiro Augusto Caldas, seu cunhado, foram presos na Casa de Detenção do Recife, onde foram encontrados mortos em 6 de outubro (Diário de Pernambuco, 7 de outubro de 1930, primeira coluna). O motivo oficial das morte foi suicídio mas, anos depois, a descoberta de registros fotográficos produzidos por Piereck contribuiu para desacreditar essa versão:

 “João Dantas e seu cunhado Augusto Caldas estavam detidos, desde a morte de João Pessoa, na penitenciária em Recife, quando, na tarde de 6 de outubro, foram encontrados mortos. A notícia oficial apontou suicídio, e assim foi divulgado na imprensa. Somente após a morte do fotógrafo Piereck foi que uma nova versão para a morte foi trazida ao público – tratava-se de outras fotografias desconhecidas e que estavam guardadas no cofre do fotógrafo. Conta-se que Piereck, sabendo do que ocorrera, fotografou o local, mas foi obrigado a tirar novas fotos em que, num novo cenário fotografado, esconderia os sinais de luta e de assassinato. Essa versão se encontra no livro do irmão de Augusto Caldas, que foi recentemente publicado pela ONG “Parahyba Verdade”” e editado pela Gráfica e Editora Imprell  (Trecho da dissertação de mestrado Sacrifício, heroísmo e imortalidade: a arquitetura da construção da imagem do Presidente João Pessoa, de Genes Duarte Ribeiro – página 100).

Essas fotografias foram publicadas no livro de Joaquim Inojosa Andrade, A República de Princesa (José Pereira x João Pessoa, -1930) e reproduzidas no site princesapb.com.

 

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1931 – Piereck suicidou-se em 19 de novembro, ingerindo uma alta dose de oxianureto de mercúrio em sua residência, na avenida Rosa e Silva, 192. Desesperada, sua mulher, Herminia Tigre Piereck, também tentou se matar ingerindo ácido arsênico. O casal tinha, na época, dois filhos, Edgard e Herminia “Baby” Piereck. O primogênito, Luiz, havia falecido em 1923 (Diário de Pernambuco, 20 de novembro de 1931, penúltima colunaJornal Pequeno, 20 de novembro de 1931, quinta coluna; Diário de Pernambuco, 20 de novembro de 1931, sexta coluna).

“A dolorosa ocorrência repercutiu tristemente em nosso meio, onde o sr. Louis Piereck se tornara um homem popular, pela sua bondade, pelos seus dotes morais. E o seu gesto,não foi só uma desagradável surpresa para os que apenas o conheciam mas também para os que pertenciam a sua família que, de momento, não podiam atinar onde essa causa tão forte, que levava o chefe a praticar o ato de desespero que lhe roubara a vida. Entretanto, ao que se sabe, o sr.Louis Piereck, antes de objetivar a sua macabra resolução, teria escrito uma longa carta a seu filho de nome Edgard Piereck expondo-lhe com pormenores as causas que o levaram a procurar a morte de uma maneira tão violenta”.

Jornal Pequeno, 20 de novembro de 1931

 

Era diretor do Jockey Club e as corridas foram suspensas no domingo seguinte a seu falecimento. Estiveram presentes a seu enterro o interventor federal e figuras da maior represetação da alta sociedade pernambucana (Jornal Pequeno, 21 de novembro de 1931, primeira coluna).

1932 – Foi publicado um anúncio convocando todos os credores da Photographia Piereck a fim de se entenderem com Edgard Piereck, filho de Louis (Diário de Pernambuco, 5 e fevereiro de 1932).

O estabelecimento foi a leilão judicial, em abril de 1932.

 

 

1949 – Falecimento da esposa de Louis Piereck, Hermínia, no Rio de Janeiro (Diário de Pernambuco, 17 de setembro de 1949, última coluna).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

(1) De acordo com Lúcia Gaspar, da Fundaj, “curiosamente, a rua da Imperatriz Tereza Cristina mudou de nome três vezes. Em 1895, foi denominada Dr. Rosa e Silva. Passou para Floriano Peixoto. Finalmente, por meio da Lei nº 1.336, de 13 de março de 1923, voltou ao nome tradicional. De maneira espontânea, a população reduziu a sua denominação para Rua da Imperatriz, como é conhecida até hoje”. Por isso, apesar de entre 1904 e 1931 a Photographia Piereck ter existido no mesmo lugar, o endereço variou: rua dr. Rosa e Silva, 54; rua Floriano Peixoto, 54; rua Floriano Peixoto, 198; e rua da Imperatriz, 198.

 

Agradeço muitíssimo à família de Louis Piereck, especialmente à sua neta, Eliane Piereck, por inúmeras informações e pela cessão de registros do acervo pessoal da família.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Inojosa. República da Princesa (José Pereira x João Pessoa – 1930). Rio de janeiro/Brasília: Civilização Brasileira/INL-MEC, 1980.

Blog do Juan Esteves

BEZERRA, Dinarte Varela. 1930, a Paraíba e o inconsciente político da revolução: a narrativa como ato socialmente simbólico. 2009. 227 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Regional; Cultura e Representações) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2009.

CALDAS, Joaquim Moreira. Porque João Dantas assassinou João Pessoa: o delito do “Glória” e a tragédia da penitenciária do Recife em 1930. João Pessoa: Gráfica e Editora Imprell, 2008.

CAMPOS, Eudes. O antigo Beco da Lapa e o Grande Hotel. Informativo Arquivo Histórico Municipal, 4 (24): maio/jul. 2009

Google Arts and Culture

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

MEIRELLES, Domingos. Órfãos da revolução. Editora Record : Rio de Janeiro, 2006

RIBEIRO, Genes Duarte. Sacrifício, heroísmo e imortalidade: a arquitetura da construção da imagem do Presidente João Pessoa. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Paraíba, 2009.

Site CPDOC

Site Dezenovevinte.net

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Imigração Histórica

Site Silvia Matos Ateliê de Criatividade

Site princesapb.com

Site Propagandas Históricas

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VARANDAS, Edival Toscano. O último retrato do presidente João Pessoa.

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931)

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931)

 

A Brasiliana Fotográfica publica o sexto artigo da Série “Feministas, graças a Deus”, desta vez sobre Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972), uma das pioneiras no jornalismo, na educação e no feminismo no Rio Grande do Norte, destacando um retrato produzido pelo fotógrafo Louis Piereck (1880 – 1931), que será o tema do próximo artigo do portal.

Na imagem de Júlia Augusta de Medeiros, um expoente da cultura no Seridó, há uma dedicatória à líder feminista e bióloga Bertha Lutz (1894 – 1976): Dona Bertha, uma forma de minha admiração – Julia Medeiros, Caicó, 2 de maio de 1929. Bertha já foi o assunto do terceiro artigo da série “Feministas, graças a Deus“, de autoria da historiadora Maria do Carmo Rainho, do Arquivo Nacional, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 29 de setembro de 2020. Bertha Lutz fez uma visita ao Caicó, cidade natal de Júlia, em 1928. Tornaram-se amigas e iniciaram uma frequente troca de cartas. Além disto, Júlia acompanhava as atividades de Bertha pelos jornais. Em dezembro de 1929, Júlia, visitou, no Rio de Janeiro, a sede da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, presidido por Bertha.

 

 

Ao lado de mulheres como Dolores Cavalcante (1885 – 1968), Maria Carolina Wanderley Caldas (1876 – 1954), a Sinhazinha Wanderley; e a poeta e jornalista Palmyra Wanderley (1894 – 1978), desempenhou um papel fundamental para a conquista do direito à educação das mulheres do Rio Grande do Norte. Também lutou pelo voto feminino. Era uma idealista e sua atuação contribuiu para a construção da educação e do direito da cidadania da mulher.

Não era, apesar de suas posições a favor de mudanças e conquistas para as mulheres, uma ativista feminista exaltada. Para Júlia, a vitória do feminismo viria com a preparação da mulher a partir da educação, cultivando seu caráter forte e tornando-a amante da família e do lar. Essa noção denota seu comprometimento com os paradigmas do patriarcado nordestino e também com os princípios de sua formação católica. Lutava pela emancipação feminina, por uma maior participação da mulher no mundo moderno, sempre a partir do incremento de sua formação intelectual. Porém, de acordo com suas ideias, isto não poderia prejudicar o papel da mulher na família.

Não pretendia igualar-se aos homens: “a missão da mulher poderá se estender além do lar, cujo programa será sempre a dedicação, não procurando vencer senão pela virtudea nossa força e o nosso prestígio representam a modéstia e a delicadeza inerentes ao próprio sexo”. Neste mesmo texto, intitulado A missão da mulher e publicado na edição de setembro/outubro de 1925 da Revista Pedagogium levantou seu “brado de revolta contra os antigos preconceitos que nos escravizavam ao mais baixo nível da civilização”.

Anos depois, no Jornal das Moças, de 19 de abril de 1928, publicou:

“O feminismo educado e moralizado será a dinâmica das gerações novas. Hoje, vemos na pátria de Washington as mulheres exercendo funções públicas, jumas legislam na Câmara, outras são advogadas e uma chegou a governar um dos Estados daqueles singulares Estados Unidos. Vendo e percrustando a marcha do feminismo, não podemos deixar de encorajar as sertanejas, que aliam suas virtudes cívicas ao seu devotamento extremo e nobreza de sentimentos. Que a vitória seja o prêmio dos vossos esforços”.

Júlia Augusta de Medeiros nasceu, na Fazenda Umari, em Caicó, em 28 de agosto de 1896, filha de Antônio Cesino (18? – 1926) e Ana Célia Amélia Medeiros. Segundo Guerra Filho, foi “quem sabe a mulher do século de Caicó“. Ana Célia Amélia era a segunda esposa de Antônio Cesino. Júlia, segunda de uma prole de seis irmãs e um irmão, foi batizada, por seu tio, Ambrósio Florentino de Medeiros, e sua avó paterna, Ana Vieira Mimosa, em 10 de outubro do ano de seu nascimento.

Sua família pertencia à elite rural, tinha origem na ilha de São Miguel, nos Açores, Portugal, e teria vindo para o sertão nordestino no século XVIII. Seu pai, conhecido como “Tonho do Umari”, era um proeminente produtor de algodão, proprietário de terras, com destaque para a Fazenda Umari, uma das maiores do Seridó. A cotonicultura era uma atividade econômica importante no Rio Grande do Norte. Era também dono dos sítios Curral Queimados e Currulim, em Caicó, e do sítio Carrapateira, em São José do Sabugi. Herdou suas terras de seu pai, Francisco Antônio de Medeitos, o “Chico do Umari”. Foi eleito intendente de Caicó, cargo que exerceu entre 1914 e 1916 (Relatórios dos Presidentes dos Estados Brasileiros – RN – 1890-1930).

Júlia foi alfabetizada em casa por Misael de Barros, um professor particular, denominado mestre-escola, um privilégio da elite rural. Diferentemente da maioria dos homens de sua época, o pai de Júlia não fazia distinção de sexo no tocante à educação. Todas as suas filhas tiveram acesso à educação em uma época em que, na maioria das famílias, só os filhos homens recebiam instrução. A primeira instituição de ensino para mulheres em Caicó foi inaugurada em 15 de janeiro de 1926 e chamava-se Colégio Santa Terezinha, da Congregação Filhas do Amor Divino. Lá as moças da elite aprendiam prendas domésticas, francês, canto, dança e piano.

Para tornar-se professora, ainda adolescente e já órfã de mãe, Júlia foi estudar no Colégio Nossa Senhora da Conceição, em Natal, onde morou com o professor de português Joca Vicente, amigo de sua família. Em 1921, aos 25 anos, foi estudar na Escola Normal, também na capital. O curso compreendia as seguintes matérias:

 

listacursos

 

Já em 1925, ano em que se formou, escrevia para a revista Pedagogium (1921 – 1925), da Associação dos Professores do Rio Grande do Norte. Sua formatura aconteceu em 30 de janeiro de 1926, no Teatro Carlos Gomes, na Ribeira.

 

Lembrança da colação de grau de Júlia Medeiros / Acervo particular de Maria Julieta Dantas

Lembrança da colação de grau de Júlia Medeiros / Acervo particular de Maria Julieta Dantas

 

Nos anos em que morou em Natal, além de estudar, Júlia participava das atividades culturais e sociais da cidade. Era amiga da poetisa Palmyra Wanderley (1894 – 1978), do deputado, senador e governador do Rio Grande do Norte entre 1924 e 1927, José Augusto Bezerra de Medeiros (1884 – 1971), nascido como Júlia em Caicó e que durante sua gestão priorizou a educação no estado; de Juvenal Lamartine (1874 – 1956), governador do estado entre 1928 e 1930 e patrono do voto feminino no Brasil; e do professor e jornalista Amphilóquio Câmara (1899 – 1957), dentre outros.

Júlia retornou ao Caicó, em 1926, e, apesar da desvalorização do magistério pelo abandono dos homens desta profissão, tornando-se professora Júlia pode atuar na vida pública da cidade. De personalidade forte e considerada muito inteligente, culta e elegante, seu comportamento em Caicó era revolucionário: ela vestia roupas que mostravam costas e pernas e usava a cor preta fora do luto. Os cabelos, curtos. A moda era um indício de sua busca pela emancipação feminina.

 

 

Frequentava o Café Comercial, considerado um espaço masculino, e fazia discursos em público. Também dirigia automóvel, um Ford 1929, o que reforçava seu caráter de independência; ia ao Cine-Teatro Avenida, inaugurado em 1925, e, mais tarde, ao Cine Pax, aberto em 1936, e era assídua nos bailes e nas Festas de Sant´Anna, padroeira de Caicó, estando sempre presente na cena cultural e boêmia de sua cidade

Já em 1926, passou a dar aulas particulares na casa de sua irmã, Julieta Medeiros. Neste mesmo ano, assumiu, como interina, a cadeira Infanto-Misto Suplementar, do Grupo Escolar Senador Guerra, sob a direção do Professor Joaquim Coutinho. O Grupo Escolar havia sido criado por decreto em 16 de fevereiro de 1909 e seu nome foi uma homenagem ao padre Francisco de Brito Guerra (1777 – 1845), fundador da Escola de Latim, em 1832, em Caicó, na época Vila do Príncipe. Cerca de um ano depois da inauguração da sede própria do Grupo Escolar, ocorrida em 22 de setembro de 1925, com a presença do governardor José Augusto Bezerra de Medeiros (1884 – 1971), Júlia iniciou suas atividades na escola em 1º de julho de 1926, tendo sido efetivada em 30 de setembro do mesmo ano. Começava ali uma história de dedicação ao magistério, onde ela se destacou por suas práticas pedagógicas em busca de uma sociedade mais igualitária.

 

 

Segundo relatos de ex-alunos, as aulas de Júlia eram divertidas e ela era disciplinadora, afetuosa, dinâmica e enérgica. Usava a Nova Cartilha Analítico-Sintética e a Cartilha Ensino-Rápida de Leitura, ambas do educador paulista Mariano de Oliveira (1869 -19?). Em outubro de 1926, tornou-se 2ª secretária da Associação Educadora Caicoense (O Paiz, 13 de outubro de 1926, quarta coluna).

Sobre Júlia Medeiros:

“Conheço bem de perto a distinta perfilada que, hoje, não escapa à curiosidade de meu lápis. É uma das ilustres filhas desta boa terra, que à vista de seus esforços acaba de conquistar um título com o que muito há de lucrar o magistério do nosso estado. Possuidora de um excelente coração traz sempre um sorriso nos lábios, deixando-nos a impressão de que “A vida é um lago azul. Ela é bastante decidida em suas resoluções, gosta muito de trocar ideias e os seus verdes olhos nos dizem que tem o espírito dado a fantasias”.

                                                                                                                                              Jornal das Moças, 11 de abril de 1926

 

“Risonha e boa, de uma inteligência clara, com um coração que diz bem dos seus invulgares predicados. É uma das criaturas mais simpáticas da nossa elite que a estima na conta de um dos seus mais finos elemento de destaque. Hoje, dedica-se ao magistério e ao Jornal das Moças”. 

                                                                                                                                            Jornal das Moças, 29 de agosto de 1926

 

Erudita e excelente oradora, representava as professoras nas festividades do colégio e estava sempre presente nos eventos em torno de visitas de pessoas importantes à cidade como em agosto de 1926, na ocasião da visita do presidente eleito Washington Luis, à cidade, especificamente ao Educandário Santa Terezinha, organizada por uma de suas irmãs, Otávia Benigna (Diário de Pernambuco, 8 de agosto de 1926, segunda coluna); da feminista e bióloga Bertha Lutz (1894 – 1976), em campanha pelo voto feminino, em agosto de 1928 (O Paiz, 2 de setembro de 1928, última coluna), mesma época em que discursou na inauguração, no Sítio do Arroz, da primeira pista de pouso da cidade, quando aterrissou em Caicó um avião trazendo a bordo o governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine (1874 – 1956); e do presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954), em 1933 (Diário de Pernambuco, 13 de setembro de 1933, segunda coluna). Em outra passagem pela cidade, o governador Lamartine foi de novo saudado por Júlia (Gazeta de Notícias, 29 de setembro de 1929, terceira coluna).

Foi colaboradora, redatora e gerente do Jornal das Moças, que existiu em Caicó de 1926 a 1932. Fundado, em 7 de fevereiro de 1926, por Georgina Pires e inicialmente gerenciado por Dolores Diniz, o jornal pretendia trazer um espírito de modernidade à cidade. Segundo Júlia:

 

“Não me surpreendeu o gesto de minhas dignas conterrâneas, lançando um jornal à apreciação de nosso público, no momento atual, em que o problema do feminismo vem preocupando as camadas sociais. O Jornal das Moças será, portanto, o porta-voz de uma plêiade de jovens que, tratando de desenvolver o seu espírito tão rico de inteligência, ocupe-se, de modo particular, pelo progresso e desenvolvimento de nossa terra”.

Jornal das Moças, 28 de fevereiro de 1926

O Jornal das Moças, responsável pela inserção da mulher no jornalismo em Caicó, também promovia festivais culturais, além de concursos de graciosidade e simpatia. Outros de seus redatores foram Santinha Araújo, Maria Leonor Cavalcante, Julinda Gurgel, Renato Dantas, Janúncio Bezerra da Nóbrega e José Gurgel de Araújo, sob o pseudônimo Flor de Lis.

Começou a publicar artigos de sua autoria no ano de fundação do periódico, 1926. Júlia advogava e representava a conquista do direito à educação para as mulheres e o acesso às letras. Os assuntos mais abordados em seus artigos para o jornal eram sobre modernidade e a mulher na sociedade, religiosidade e fé, e sentimentos como o amor e a solidão. Também reivindicava a participação feminina no jornalismo.

 

“O jornalismo feito por nós viverá, porque para tal lhe foi emprestado o brilho, a tenacidade e a força de vontade desse punhado de conterrâneas, que certamente lhe vão bordar as colunas dos mais agradáveis artiguetes. Agradáveis sim, porque a mulher tem o espírito talhado para fantasias, para o amor e para as coisas de pureza de ideal. De pureza digo bem, porque elas primam por manter de pé essa rara elegância de espírito, essa rara elegância mental, ela, só elas, sabem mais do que todos e sustenta alto, bem alto, esses princípios que lhe dão encanto e formosura na sociedade”.

                                                                                                                                               Jornal das Moças, 8 de julho de 1926

 

Júlia foi a primeira mulher de Caicó a se alistar (O Paiz, 9 de dezembro de 1927, penúltima coluna) e a votar, o que ocorreu nas eleições de 5 de abril de 1928. O sufrágio feminino era uma de suas lutas. Júlia recebeu um telegrama de Bertha Lutz (1894 – 1976), datado de 4 de março de 1928, felicitando-a pelo alistamento e a convidando para tornar-se sócia da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, presidido por ela.

 

votando

Júlia Medeiros votando em 5 de abril de 1928 / Arquivo da Universidade de Brasília – UnB / Essa foto foi publicada no jornal O Paiz, de 4 de novembro de 1928

 

Apesar de, do ponto de vista eleitoral, o estado do Rio Grande do Norte ter reconhecido esta igualdade, faltava, porém, a concretização do “voto de saias”, o que ocorreu nas eleições municipais realizadas no dia 05 de abril de 1928. Em Natal votaram Antônia Fontoura, Carolina Wanderley, Júlia Barbosa e Lourdes Lamartine. Em Mossoró, além de Celina Guimarães, votaram Beatriz Leite e Eliza da Rocha Gurgel. Em Apodi as primeiras eleitoras foram Maria Salomé Diógenes e Hilda Lopes de Oliveira. Em Pau dos Ferros, Carolina Fernandes Negreiros, Clotilde Ramalho, Francisca Dantas e Joana Cacilda Bessa. Ainda em Caicó e Acari, respectivamente, Júlia Medeiros e Martha Medeiros. Além de votar, algumas mulheres, a exemplo de Júlia Alves Barbosa em Natal e Joana Cacilda de Bessa em Pau dos Ferros,  foram também eleitas para o cargo de intendente municipal, equivalente a vereador atualmente.

Centro de Memória do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte

 

O Rio Grande do Norte foi também o primeiro estado no Brasil a eleger uma prefeita mulher: Alzira Teixeira Soriano (1897 – 1963), na cidade de Lages, em setembro de 1928, venceu com 60% dos votos (O Paiz, 1º e 2 de outubro de 1928, penúltima colunaJornal Pequeno, 13 de outubro de 1928, segunda coluna).

Em torno de 1940, Júlia passou a administrar o Hospital do Seridó – inaugurado pelo presidente Washington Luís em 7 de agosto de 1926 -, tendo sido a primeira mulher a atuar  na administração pública de uma instituição de Caicó. Ficou no cargo por volta de quatro anos. Aos 55 anos, afastou-se do Grupo Escolar Senador Guerra e candidatou-se a vereadora nas eleições de 1951. Foi eleita e reeleita para o mandato de 1954-1958. Encerrou sua carreira política e, na época, por estar cansada e doente – com lapsos de memória e indícios de insanidade mental – afastou-se de todas as suas atividades, ficando reclusa em sua casa, na rua de Seridó, 157.

 

 

Em 1960, sua família a transferiu para Natal, onde foi morar na rua da Misericórdia, no bairro da Cidade Alta. Ganhou o apelido de “Rocas-Quintas“.

“Natal, década de 60, em algum lugar entre os bairros das Rocas e Quintas. Garotos se divertem provocando uma senhora trôpega, suja e maltrapilha. Os meninos fazem coro: “Rocas-Quintas”! E ela, com o dedo em riste, revida: “Me respeitem, que eu tive vida importante”! A zombaria continua, e a mulher, que se tornou folclórica por fazer todo santo-dia, a pé, o mesmo itinerário da linha de ônibus Rocas-Quintas (daí o apelido), retoma as passadas ligeiras e nervosas, parando sempre para catar lixo e restos de coisas podres” (Jornal Folha Regional, 19 de junho de 2017)

Faleceu, em 29 de agosto de 1977, no Hospital das Clínicas, de Natal. Em sua certidão de óbito a causa de morte é envenenamento, seguido da interrogação: suicídio? Assim terminava a vida de Júlia de Medeiros, uma vida entre a visibilidade e o anonimato.

 

morte

Certidão de óbito de Júlia Medeiros / 4º Ofício de Notas de Natal (RN)

 

Foi homenageada postumamente dando nome à Escola Profissionalizante Professora Júlia Medeiros, inaugurada em 16 de abril de 1975, na rua Coronel Bem Bem, nº 145, no bairro Paraíba; e também a rua Professora Júlia Medeiros, no centro de Caicó.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Centro de Memória do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Jornal Folha Regional

LOBO, Yolanda. Bertha Lutz. Pernambuco : Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010.

MELO, Elisângela de Araújo Nogueira; MORAIS, Maria Arisnette Câmara. Contribuição feminina à história da educação no Rio Grande do Norte: Maria Dolores Bezerra Cavalcanti. Departamento de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2003

OLIVEIRA, Larissa Constantino Martins de; ARAGÃO, Isabella Ribeiro. Apontamentos históricos sobre material de divulgação e cartelas dos filmes do Ciclo do Recife: A filha do advogado e Aitaré da praiaAnais do 9º Congresso Internacional de Design da Informação | CIDI 2019.

Portal da História do Ceará

Portal Instituto Federal Rio Grande do Norte

ROCHA NETO, Manoel Pereira. A educação da mulher norte-rio-grandense segundo Júlia Medeiros (1920 – 1930). Centro de Ciências Sociais Aplicadas / Programa de Pós-Graduação em Educação : Universidade Federal do Rio Grande Norte, 2005.

ROCHA NETO, Manoel Pereira. Júlia Medeiros – Uma trajetória entre a Educação e a Imprensa no Rio Grande do Norte. Rio Grande do Norte : Infinita Imagem, 2013.

Site CPDOC

Site Curiozzzo.com

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

Site Tok de História

SOLANO, Loriany; FAGUNDES, Flaviane; ALVES, Jussara; LOPES, Leyliane; LIMA, Caroline; ROCHA NETO, Manoel Pereira. Júlia Medeiros: uma mulher a frente do seu tempo. Universidade Potiguar, Rio Grande do Norte. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação X Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste – São Luis, MA – 12 a 14 de junho de 2008.

 

Leia também os outros artigos da série “Feministas, graças a Deus”:

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel, a feminista mineira que passou como um meteoro, publicado em 25 de julho de 2020, de autoria da historiadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, em parceria com Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Henrique Rosén (18? – 1892), um fotógrafo sueco no interior de São Paulo

 

 

A Brasiliana Fotográfica destaca oito imagens produzidas pelo fotógrafo sueco Henrique Rosén (18? – 1892) para a divulgação publicitária da Olaria, ferraria e oficina mecânica a vapor e água de propriedade de Antônio Carlos Sampaio Peixoto, inaugurada em 2 de dezembro de 1867, em Campinas (Correio Paulistano, 13 de outubro de 1867, primeira coluna; Correio Paulistano, 18 de janeiro de 1868, segunda coluna; Gazeta de Campinas, 1º de dezembro de 1870, primeira coluna; Gazeta de Campinas, 6 de janeiro de 1870, penúltima coluna). No período em que viveu em Campinas, o francês Hercule Florence (1904 – 1879),  inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo, também morava na cidade.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Henrique Rosén disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Rosén é considerado um dos mais importantes fotógrafos do interior de São Paulo, no período em que atuou: entre as décadas de 1860 e 1880. Foi, com os franceses Valentin Favreu e Louis Robin e com os brasileiros Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905), Candido Alvares Machado de Vasconcelos e Virgílio Gomes Guimarães, pioneiro da fotografia em São Paulo. Na década de 1860, já atuavam no Brasil os fotógrafos inglês A.W. Osborne (18?-?), o francês Leon Chapelin (18? – ?) e o alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), no Recife; o português José Ferreira Guimarães (1841 – 1924) e o brasileiro, filho de franceses, Marc Ferrez (1843 – 1923), no Rio de Janeiro; o português Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903), em Belém; o italiano Luiz Terragno (? – 1891), em Porto Alegre; o inglês Benjamin Mulock (1829 – 1863), em Salvador; o alemão Augusto Riedel (1836 – ?), em Alagoas, Bahia, Minas e Sergipe; e o brasileiro, filho de alemães, Pedro Hees (1841 – 1880), em Petrópolis, dentre outros.

Rosén, foi também um dos precursores do uso do ampliador no Brasil, tendo anunciado, em 1875, possuir uma câmara solar, como era então conhecida esta machina de augmentar retratos (Correio Paulistano, 8 de dezembro de 1875). No período em que permaneceu em Campinas, fez algumas viagens à Europa, da onde trazia o que havia de mais moderno para a arte da fotografia.

 

 

Retratou vários membros da aristocracia brasileira como, por exemplo, o fazendeiro Egídio de Sousa Aranha (1864-1929) e Luiza Jacques de Freitas Vale Aranha, pais do futuro ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha (1894 – 1960); e personalidades como o jornalista e político Quintino Bocaiuva (1836 – 1912).

Provavelmente, iniciou sua carreira de fotógrafo no Brasil, em Santos, entre julho e 15 de agosto de 1862.

todos os dias, independente de qualquer tipo, retratos das 8 horas da manhã às 2 da tarde. Durante o tempo de sua estada n’esta trabalhará a preços muito módicos, sendo as suas obras feitas com a maior perfeição e asseio possível; consistem elas em grupos de família, cartões de visita, retratos grandes, ditos pequenos para pulseiras, broches e medalhões, tanto sobre papel e vidro, como sobre encerado; vistas para cartas de 3 a 4$000 etc. As pessoas que quiserem honrá-lo com sua confiança acharão no seu gabinete grande número de amostras e serão servidas a contento“.                                                                              

                                                                                                                        Revista Commercial (Santos), 19 de julho de 1862

 

Voltou à cidade em outras ocasiões, quando montava estúdios provisórios.

Em 1862, transferiu-se para Campinas, na época povoada por fazendeiros abastados e, auxiliado pelo vereador dinamarquês Otto Langaard e pelo dr. Dupfer, conseguiu uma máquina fotográfica e tornou-se fotógrafo ambulante. Neste mesmo ano, um ilustre morador da cidade, o francês Hercule Florence (1804 – 1877), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo, redigiu o manuscrito Les Intérêtes materiéles. Florence e Rosén conheceram o escritor, engenheiro militar e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, Alfredo d´Escragnolle Taunay (1843 – 1899), na ocasião em que ele esteve em Campinas, em 1865, integrando Corpo Expedicionário em Operação no Sul de Mato Grosso, que atuaria na Guerra do Paraguai.

Rosén fundou, ainda em 1862, um dos pioneiros estabelecimentos fotográficos da cidade, a Photographia Campinense, na rua Direita, nº 28. Mas continuava a viajar por outras cidades de São Paulo como, por exemplo, Rio Claro, onde esteve, em 1866 (Correio Paulistano, 25 de agosto de 1866, segunda coluna). Casou-se com Luzia Rosén, que se tornou sua colaboradora. Em 1868, anunciou o Processo Crozat de fotografia em cores e a venda de retratos de indígenas, de Santos e de outras cidades, além de um grande sortimentos de álbuns, quadros e vistas estereocopos (O Ypiranga, 20 de dezembro de 1868, última coluna). Em 1878, contratou o pintor austríaco Ferdinand (Fernando) Piereck  (1844 – 1925) para trabalhar em seu ateliê fotográfico em Campinas. Ferdinand é o pai do fotógrafo Louis Piereck (1880 – 1931).

 

Chama-se, pois, a atenção das pessoas de bom gosto para as seguintes Especialidades: 1o . Retratos de tamanho natural; 2o . Retratos inalteráveis sobre porcelana (não imitação) coloridos ou em cores, transparentes e duma delicadeza excepcional, próprios para presentes em dias de anos, para o natal e ano bom, etc; 3o . Retratos Boudoir e Promenade há pouco tempo introduzidos em Paris, e muito estimados, próprios para as exmas. senhoras e toilettes elegantes; 4o . Retratos de crianças que são tirados instantaneamente, com a maior facilidade, por uma nova combinação química; 5o . Retratos coloridos a pastel, tamanho grande, reproduzidos de qualquer retrato antigo, por mais estragado que esteja; 6o . Grupos grandes de famílias e sociedades, por mais numerosas que sejam, tendo para isso máquinas de construção especial; 7o . Heliominiaturas, por processos aperfeiçoados; 8o . Vistas fotográficas ou desenhadas ou coloridas a aquarela, de fazendas, chácaras, jardins, etc. Os preços serão ao alcance de todos e com 20 por cento de abatimento para as exmas. famílias que preferirem pagar a vista”.

A Província de São Paulo, 3 de novembro de 1880

 

Em janeiro de 1890, Rosén foi nomeado cônsul do Brasil da Suécia e da Noruega (Relatório do Ministério das Relações Exteriores, 1891Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna). Faleceu em 1892.

 

 

 

 

 

Cronologia de Henrique Rosén (18? – 1892)

 

1862 – Após ficar entre julho e agosto em Santos, o fotógrafo sueco Henrique Rosén inaugurou, em Campinas, a Photographia Campinense, na rua Direita. nº 28.

1865Em abril de 1865, em meio ao clima outonal, a rica população da Campinas dos Barões de Café, de fazendeiros, de comerciantes e de escravos, foi tomada de surpresa e de êxtase com a chegada aos seus longínguos rincões dos soldados imperiais formando o Corpo Expedicionário em Operação no Sul de Mato Grosso. Acabara de eclodir a Guerra do Paraguai e D. Pedro II criara duas forças para enfrentar Solano López. Os expedicionários atacariam pelo flanco Norte, sob o comando do coronel Manuel Pedro Drago. Durante 66 dias, as tropas permaneceram acampadas no Largo Santa Cruz, hoje no bairro do Cambuí, um local sagrado e profano. E traziam no Corpo de Engenheiros a jovem figura heroica e diverida de Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay – o posterior Visconde de Taunay -, que proclama em seu livro A Retirada de Laguna: “A! Campinas”. Foram 66 dias de festas, banquetes, regabofes, bailes e flertes com as moças campineiras. Uma espécie de antessala no céu, antes da dança no inferno da Laguna!”(Retiro antes de Laguna em Campinas).

Nessa ocasião, Rosén conheceu Alfredo d´Escragnolle Taunay (1843 – 1899), escritor, engenheiro militar e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras que muito o impressionou como o mesmo registrou em suas memórias (Correio Paulistano, 11 de abril de 1865, segunda coluna; O Sete de Setembro, 13 de abril de 1865, primeira coluna; Jornal do Brasil, 28 de setembro de 1948, segunda coluna; Suplemento Literário, 15 de outubro de 1960, quarta coluna). Taunay também conheceu, na ocasião, o inventor francês radicado em Campinas, Hercule Florence.

 

 

1866 – Houve um desmoronamento de uma das paredes da matriz nova de Campinas, que estava em obras. Rosén foi um dos homens que participou dos trabalhos de salvamento de operários que ficaram soterrados (Correio Mercantil, e Instructivo, Político, Universal,  7 de fevereiro de 1866, quarta coluna).

Entre maio e junho, esteve na região do rio da Prata, para onde foi e voltou no paquete inglês Arno. Embarcou e desembarcou no porto do Rio de Janeiro (Correio Mercantile Instructivo, Político, Universal,  7 de maio de 1866, quinta coluna; Correio Mercantile Instructivo, Político, Universal,  4 de junho de 1866, quinta coluna).

Esteve em Rio Claro, cidade do interior de São Paulo e despediu-se agradecendo ao modo generoso e obsequioso que foi recebido e prometendo voltar no próximo ano (Correio Paulistano, 25 de agosto de 1866, segunda coluna).

1867 - Anunciou seus serviços, em Santos, inicialmente em um imóvel alugado na rua de Santo Antônio, 27, e depois no Hotel Millon (Revista Comercial (Santos), 12 de outubro de 1867).

1868 – Anunciou o Processo Crozat de fotografia em cores e a venda de retratos de indígenas, de Santos e de outras cidades, além de um grande sortimentos de álbuns, quadros e vistas estereocopos (O Ypiranga, 20 de dezembro de 1868, última coluna).

1869 – O fotógrafo Joaquim Feliciano Alves Carneiro (18? – 188?), um dos sócios do estabelecimento Carneiro & Gaspar, no Rio de Janeiro e em São Paulo, percorreu o estado de São Paulo e ficou algum tempo em Campinas, quando Rosén pode conhecer o que se usava de mais moderno em termos de fotografia na capital do Brasil. Uma curiosidade: com a morte do português Gaspar Antonio da Silva Guimarães (18? – 1875) e com a venda da parte de Joaquim Feliciano Alves Carneiro, Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905), autor do “Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887″, que era sócio-gerente da Photographia Academica de Carneiro & Gaspar, em São Paulo, tornou-se seu proprietário. Localizava-se na rua da Imperatriz, 58 (Correio Paulistano, 28 de novembro de 1875, segunda coluna).

Produziu a divulgação publicitária da Olaria, ferraria e oficina mecânica a vapor e água de propriedade de Antônio Carlos Sampaio Peixoto, que a Brasiliana Fotográfica destaca neste artigo. A fábrica havia sido inaugurada em 2 de dezembro de 1867, em Campinas (Correio Paulistano, 13 de outubro de 1867, primeira colunaCorreio Paulistano, 18 de janeiro de 1868, segunda coluna; Gazeta de Campinas, 1º de dezembro de 1870, primeira colunaGazeta de Campinas, 6 de janeiro de 1870, penúltima coluna).

1870 – Anunciou que a especialidade da Photographia Campinense, a mais antiga da província, era o processo novo de Crozat, belíssimos retratos a cores. Tira-se retratos todos os dias mesmo nos chuvosos, às horas do costume. (Gazeta de Campinas, 1º de janeiro de 1870, primeira coluna; Gazeta de Campinas, 27 de fevereiro de 1870, segunda coluna).

 

 

1871 - Anunciou a Photographia Campinense como a mais antiga da província (Gazeta de Campinas, 1º de janeiro de 1871, segunda coluna).

 

 

Foi um dos subscritores da obra humanitária em favor dos franceses vítimas da guerra franco-prussiana (Gazeta de Campinas, 19 de março de 1871, última coluna).

Anunciou a produção de retratos Bombés, novo processo, e também a produção de retratos de cavaleiros montados, em qualquer tamanho, tendo para isso os arranjos necessários (Gazeta de Campinas, 6 de abril de 1871, primeira coluna; Gazeta de Campinas, 31 de agosto de 1871, última coluna).

1872 – O retratista e pintor a óleo J. Stewart, de passagem em Campinas, anunciou que provas de seu trabalho estariam disponíveis na Photographia Campinense. O artista estava hospedado no Hotel Oriental (Gazeta de Campinas, 28 de março de 1872, segunda coluna; Gazeta de Campinas, 2 de maio de 1872, primeira coluna).

Rosén anunciou a chegada da Europa de um bonito sortimento de tudo o que pertence à arte fotográfica a seu estabelecimento. Chamava atenção para os retratos em cartão Victoria (Gazeta de Campinas, 19 de maio de 1872, segunda coluna).

 

 

Reproduziu em cartão o retrato a óleo de Joaquim Saldanha Marinho (1816 – 1895), que havia sido governador de São Paulo. O trabalho foi feito pelo sistema mezzo-tinto (Gazeta de Campinas, 15 de setembro de 1872, primeira coluna).

Anunciou uma grande redução nos preços de retratos. Destacava que os processos Victoria e Mezzo-Tinto só eram realizados, em Campinas, no seu estabelecimento  (Gazeta de Campinas, 8 de dezembro de 1872, segunda coluna).  

1873 - Publicou uma mensagem do Consulado Geral da Suécia e da Noruega no Rio de Janeiro: havia sido comissionado para receber de todos os suecos e noruegueses que vivessem em Campinas e em suas redondezas uma declaração de submissão ao rei Oscar II (1829 – 1907), que havia iniciado seu reinado em setembro de 1872. Para tal, dispunha de formulários (Gazeta de Campinas, 10 de janeiro de 1873).

 

 

Foi elogiado por sua inteligência e critério profissionais (Gazeta de Campinas, 1º de novembro de 1873, última coluna).

 

 

1875 – Anunciou que devido aos melhoramentos no salão de vidro da Photographia Campinense seriam tirados retratos das 7 horas da manhã às 5 horas da tarde, sendo preferíveis os dias cobertos e chuvosos. Anunciou também a filial do ateliê em São João do Rio Claro, na rua do Commercio, 20 (Gazeta de Campinas, 6 de janeiro de 1875).

Declarou que não tinha nenhuma dívida e que não se responsabilizaria por nenhuma compra feita em seu nome. Pedia que quem se considerasse seu credor se apresentasse a ele até 15 de maio (Gazeta de Campinas, 9 de maio de 1875, última coluna).

Chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Santos, no paquete a vapor Conde d´Eu (Jornal do Commercio, 23 de maio de 1875, última coluna). Foi anunciada sua partida e também a de Augusta Florence (1859 – ?), filha do francês Hercule Florence (1804 – 1877), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo – que morava em Campinas desde 1829 – e da alemã Carolina Krug (1828 – 1913), para a Europa. Ela iria aperfeiçoar seus estudos na Alemanha (Gazeta de Campinas, 27 de maio de 1875, penúltima coluna).

A Photographia Campinense anunciava a venda de vistas lindíssimas da cidade (Gazeta de Campinas, 1º de agosto de 1875, segunda coluna).

Retornou da Europa no paquete inglês Mondego (O Globo, 20 de novembro de 1875, última coluna). Anunciou que que havia estudados os principais estabelecimentos fotográfico de Londres, Paris e Berlim e que estava prestes a receber “grande sortimento de tudo que pertence à minha arte“. Informava também ter comprado o processo Lambertypie, que produzia “retratos grandes, sem retoques, de um efeito belíssimo” e mencionava todas as técnicas de que dispunha seu ateliê. Outra novidade foi a aquisição de uma câmara solar, como era então conhecida a “machina de augmentar retratos”, que o tornou pioneiro nessa técnica no Brasil. Seu ateliê ficava na rua Direita, nº 50 e possuia numerosas galerias abertas à visitação. Chamava atenção para o fato de que algumas técnicas de que seu ateliê dispunha não haviam sido introduzidas disponíveis na capital do Império. (Correio Paulistano, 8 de dezembro de 1875Almanach Litterario Paulista para 1876, 1875).

 

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1876 – Contratou seu irmão, Carlos Rosén, como auxiliar de seu ateliê.

1878 –  Contratou o pintor austríaco Ferdinand (Fernando) Piereck  (1844 – 1925) para trabalhar em seu ateliê fotográfico em Campinas. Ferdinand é o pai do fotógrafo Louis Piereck (1880 – 1931).

Chegou ao Rio de Janeiro, com sua mulher, Luiza, no vapor alemão Santos (O Cruzeiro, 28 de julho de 1878, terceira coluna).

1879 – O prussiano Jacques Vigier (1839 – ?), que havia chegado no Brasil em 1861, foi  sócio de Rosén, entre esse ano e 1880, quando fundou a Photographia de Jacques Vigier, na mesma rua Direita onde ficava o estabelecimento de Rosén.

1880 – Informava que havia chegado da Europa há pouco tempo. No anúncio, seu estabelecimento ficava na rua Direita, 48, e tinha o nome de Photographia Campineira. O “retrato em tamanho natural” continuava sendo uma das atrações e Rosén também oferecia tecnologia para retratos coletivos e de crianças, além de Retratos Boudoir e Promenade, há pouco introduzidos em Paris, o que conferia a seu estabelecimento uma aura de elegância e modernidade. Prometia a partir da foto-pintura, “retratos coloridos a pastel, tamanho grande, reproduzidos de qualquer retrato antigo, por mais estragado que esteja” (Almanach Campinense, 1880). No mesmo local, Rosén vendia pianos fabricados para o clima do Brasil (Almanach Campinense, 1880).

 

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1881 – Rosén  tornou-se sócio de B. Munchs.

Expôs na Casa Garraux, em São Paulo, uma coleção de retratos da atriz Lucinda (Correio Paulistano, 15 de novembro de 1881, última coluna).

1882 – A Fotografia Campineira abriu uma filial em Santos, nas instalações do estúdio do fotógrado Augusto Pinto de Oliveira (18? – ?) (Diário de Santos, 16 de abril de 1882; Diário de Santos, 7 de maio de 1882). Meses depois, em um anúncio, Rosén agradecia às “as pessoas que honraram com a sua confiança” a permanência de um representante seu na cidade, acrescentando que esperava que “sua volta no próximo ano” tivesse “a mesma aceitação” (Diário de Santos, 5 de setembro de 1882). Uma curiosidade: havia na cidade a chapelaria de Friederich Hempel, cuja vitrine era disputada pelos fotógrafos, dentre eles, Rosén (Diário de Santos, 13 de maio de 1882).

1883 -  B. Munchs foi sucedido pelo alemão Julius Nickelsen na sociedade com Henrique Rosén. Nickelsen havia trabalhado na casa Henschel & Benque, no Rio de Janeiro, entre 1878 e 1883.

 

 

1884 – Nickelsen e o português Bernardino Francisco Ferreira compraram a Photographia Campineira de Rosén e mudaram o nome do estabelecimento para Photographia Campinense. Bernardino havia trabalhado como funcionário do ateliê do fotógrafo açoriano Christiano Junior (1832 – 1902) – entre 1866 e 1870 – e também de Henschel & Benque – entre 1870 e 1884 -, ambos no Rio de Janeiro.

1890 - Em janeiro, Rosén foi nomeado cônsul do Brasil da Suécia e da Noruega e passou a residir em Estocolmo (Relatório do Ministério das Relações Exteriores, 1891Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna). A nomeação deveu-se, provavelmente, ao relacionamento de Rosén com dois campineiros que faziam parte do governo de Deodoro da Fonseca: o ministro da Justiça, Campos Salles (1841 – 1913); e o ministro da Agricultura, Francisco Glicério Cerqueira Leite (1846 – 1916) (Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna).

1891 –  Informou ao ministro da Agricultura que o número de imigrantes da Suécia para o Brasil seria avultado, a seu ver, devido à decisão do governo brasileiro de lhes dar passagens gratuitas  (O Tempo, 22 de maio de 1891, sexta coluna; Jornal do Brasil, 12 de junho de 1891, primeira coluna).

1892 – Falecimento de Rosén.

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Enciclopédia Itaú Cultural

FERREIRA, Dirceu Franco. Narrando viagens e invenções. Hercule Florence: amigo das artes na periferia do capitalismo. São Paulo : Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, volume 2, julho/dezembro 2014.

FERREZ, Gilberto. A Fotografia no Brasil: 1840-1900 / Gilberto Ferrez; [prefácio por Pedro Vasquez] – 2ª ed. – Rio de Janeiro: FUNARTE: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

TAUNAY, Afonso d’Escragnolle. Mémorias de Hércules Florence, in Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 janeiro 1946.

KOUTSOUKOS,Sandra Sofia Machado. No estúdio do fotógrafo: representação e autorepresentação de negros livres, forros e escravos no Brasil da segunda metade do século XIX. / Sandra Sofia Machado Koutsoukos . – Campinas, SP: [s.n.], 2006.

LAPA, José Roberto do Amaral Lapa. A cidade: os cantos e os antros : Campinas, 1850-1900. São Paulo ; Editora da Universidade de São Paulo, 1996.

REY, Luis Roberto Saviani. Retiro antes de Laguna em Campinas. Campinas : Ponte Editores, 2013.

Site Fundação Getúlio Vargas

Site Novo Milênio

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

 

 

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VI – Rua Augusto Ribas e outras, em Ponta Grossa, no Paraná, pelo fotógrafo Luiz Bianchi

 

No sexto artigo da série “Avenidas e ruas do Brasil”, a Brasiliana Fotográfica destaca imagens de ruas de Ponta Grossa, no Paraná, produzidas pelo fotógrafo Luiz Bianchi (1876-1943), que pertencem ao acervo fotográfico da Biblioteca Nacional, uma das fundadoras do portal. Uma delas é a rua Augusto Ribas, que liga a zona sul à zona norte da cidade e, anteriormente, era conhecida como “rua das tropas”. Bianchi foi um dos primeiros fotógrafos a se instalar em Ponta Grossa e seu estúdio atravessou o século XX, tendo sido dirigido por três gerações da família.

O nome da rua já citada é uma homenagem ao político ponta-grossense Augusto Lustosa de Andrade Ribas (1847 – 1897), muito ativo na vida pública da cidade (A República, 22 de julho de 1897, primeira coluna). Ele participou da organização da visita de dom Pedro II (1825 – 1891) a Ponta Grossa, em 1880 (Dezenove de Dezembro, 1º de junho de 1880); e também foi um dos idealizadores da mudança do traçado da Estrada de Ferro do Paraná e da construção do cemitério da cidade (Dezenove de Dezembro, 9 de fevereiro de 1889, primeira coluna). Foi agraciado com a comenda de Oficial da Ordem da Rosa (Dezenove de Dezembro, 9 de outubro de 1889, última coluna).

 

 

As outras ruas registradas por Luiz Bianchi (1876 – 1943)* e disponíveis no portal, a avenida Fernandes Pinheiro e a XV de Novembro, foram endereços de seus ateliês fotográficos. O fotógrafo nasceu na Argentina, em 1º de novembro de 1876, filho dos italianos Carlos e Carolina Bianchi, que migraram para a Argentina, provavelmente nessa época. Segundo o historiador José Augusto Leandro:

“Carlos Bianchi, natural de Bologna, resolvera emigrar por desentendimentos familiares. Não era um artesão em vias de tornar-se um proletário urbano. Nem tampouco um camponês que almejava tornar-se um pequeno proprietário de terra no Novo Mundo, como a maioria dos imigrantes europeus que se dirigiram para a América do Sul naquele tempo”.

Luiz Bianchi teria aprendido o ofício da fotografia com o pai, que possuia um pequeno jornal em Buenos Aires, ou durante o período em que passou no Exército? Sobre esta informação, as fontes consultadas variam. Não há um consenso.

 

Acessando o link para as fotografias de Luiz Bianchi disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O fato é que no início do século XX, Luiz Bianchi veio para o Brasil e começou sua trajetória profissional na Lapa, cidade do Paraná, como agricultor. Não teve sucesso. Foi então contratado como fotógrafo pela Brasil Railway Company, empresa responsável pela construção da estrada de ferro na região. Casou-se, em Curitiba, com Maria Thommen, de família suíça, e mudaram-se para Ponta Grossa, em torno de 1909. Na época da chegada de Luiz Bianchi a Ponta Grossa, a cidade se beneficiava pela exportação de erva-mate e pela condição de entroncamento ferroviário e, devido a estes fatores, urbanizava-se, modernizava-se. Era, então, um local de oportunidades, e atraia um considerável fluxo de imigração.

 

 

Em 1909, o casal Bianchi abriu uma loja de comércio de vários produtos, a Casa de Armarinho e Modas Thommen & Bianchi. A fotografia era uma ocupação paralela e o ateliê Fotografia Bianchi só foi formalizado como empresa, em 1913. Foram três gerações que estiveram à frente do ateliê –  até 2001 – e ao longo destas décadas o estabelecimento conquistou prestígio e confiabilidade. A família Bianchi se tornou uma importante propagadora da fotografia, tanto em seu aspecto artístico como técnico. Produzia registros em ambientes externos e também no espaço do estúdio.

 

 

Inicialmente, a Fotografia Bianchi funcionava na avenida Fernandes Pinheiro, perto da Estação Saudade, inaugurada em 1900. Posteriormente, transferiu-se para a rua XV de Novembro, e, finalmente, a partir de fevereiro de 1940, estabeleceu-se na rua Sete de Setembro, nº 92, onde Bianchi passou também a residir.

 

 

 

O aparato técnico utilizado por Bianchi foi muitas vezes fabricado por ele mesmo como, por exemplo, chapas de vidro umedecidas com nitrato de prata e um ampliador que teria copiado de um manual fotográfico do século XIX. Possuia duas máquinas fotográficas. Produziu muitos retratos de família e também de aspectos dos Campos Gerais do Paraná.

“Comercializava, em seu estúdio, imagens das principais ruas, praças, eventos e pontos turísticos dos Campos Gerais. Nas fotos panorâmicas de Bianchi, o público tem a oportunidade, entre outras temáticas, da visão da Catedral, das movimentações nas estações de trem, da ampliação do comércio, das festividades religiosas e cívicas – e das apresentações militares”.

Portal da Universidade Estadual de Ponta Grossa

 

 

Maria Thommen Bianchi tornou-se sua colaboradora e realizava os serviços de laboratório como revelação e retoques. O casal teve quatro filhos, Rauly (1911 -1987), Fleury (19? -?), que se dedicou à cinematografia; Leonardo (19? – ?) e Raul, que morreu com pouco tempo de vida. Rauly e, posteriormente, seu filho e neto de Luiz, Raul (1950 – 2002), seguiram a profissão de fotógrafo. Rauly sucedeu o pai e trabalhou na Fotografia Bianchi até 1987, ano em que faleceu. Seu filho Raul o sucedeu, ficando á frente do estabelecimento até 2001. Luiz faleceu em 12 de abril de 1943. O cineasta Sérgio Bianchi (1945 – ) é bisneto de Luiz, filho de Rauly e Celina Bianchi, e irmão de Raul.

 

 

A Fotografia Bianchi foi roubada em 26 de janeiro de 2001 e segundo Raul (1950 – 2002), seu proprietário na ocasião, foi perdida uma média de 90 mil reais em equipamentos e ele teria ficado “sem os dedos para trabalhar”.  No mesmo ano a loja foi fechada e vendida. Parte do acervo de negativos do ateliê foi vendido, em 30 de março de 2001, à Prefeitura Municipal de Ponta Grossa.

O acervo da Fotografia Bianchi, composto por cerca de 45 mil negativos em chapa de vidro e celulos e flexível, assim como os cadernos de registo do estabelecimento, estão sob a responsabilidade da Casa da Memória Paraná/Fundação de Cultura. Em 2014, o Museu Campos Gerais realizou uma exposição com 20 registros de Luiz Bianchi.

 

 

 

Cronologia do fotógrafo Luiz Bianchi (1876 – 1943)

 

1870 – 1879 – Luiz Bianchi nasceu, em 1º de novembro de 1876 , na Argentina. Era filho dos italianos Carlos e Carolina Bianchi, que motivados por brigas familiares imigraram para a Argentina. Algumas fontes informam que Luiz teria nascido na Itália e registrado, meses depois, na Argentina. A pesquisadora Patricia Camera, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, dirimiu essa dúvida quando consultou o atestado de óbito do fotógrafo.

1880 – 1899 – Carlos Bianchi, seu pai, possuia um pequeno jornal em Buenos Aires, frequentado por ele. Luiz passou um tempo no Exército. Luiz teria aprendido o ofício de fotógrafo no período em que residiu na Argentina.

1900 – 1910 - No início do século XX, Luiz Bianchi veio para o Brasil e começou sua trajetória profissional na Lapa, cidade do Paraná, como agricultor, mas não teve sucesso.

Ainda na Lapa, trabalhou com um fotógrafo alemão, entre 1906 e 1907, ano em que fotografou a pedra fundamental da Santa Casa de Misericórida de Ponta Grossa, inaugurada em 1913.

Foi contratado como fotógrafo pela Brasil Railway Company, empresa responsável pela construção da estrada de ferro na região.

Casou-se, em Curitiba, com Maria Thommen, de família suíça, e mudaram-se para Ponta Grossa, em torno de 1909, ano em que o casal Bianchi abriu uma loja de comércio de vários produtos, a Casa de Armarinho e Modas Thommen & Bianchi. A fotografia era uma ocupação paralela e o estabelecimento ficava na rua Fernandes Pinheiro.

1910 – 1919 –  Maria Thommen Bianchi tornou-se sua colaboradora e realizava os serviços de laboratório como revelação e retoques.

O casal teve quatro filhos, Rauly (1911 -1987), Fleury (19? -?), que se dedicou à cinematografia; Leonardo (19? – ?) e Raul, que morreu com pouco tempo de vida.

O ateliê Fotografia Bianchi foi formalizado como empresa, em 1913, e passou a funcionar na rua XV de Novembro, nº5. Na época, era a rua mais movimentada de Ponta Grossa.

1920 – 1939 – A Fotografia Bianchi permaneceu no novo endereço tendo sempre a sua frente Luiz.

1940 – 1949 – Em fevereiro de 1943, a Fotografia Bianchi transferiu-se para na rua Sete de Setembro, nº 92, onde a família passou a morar.

Em 12 de abril de 1943, falecimento de Luiz Bianchi, que foi sucedido por seu filho Rauly.

1950 – 1979 – Durante este período a Fotografia Boanchi foi dirigida por Rauly (1911 – 1987).

Em 1950, nascimento de Raul Bianchi (1949 – 2002), filho de Rauly e neto de Luiz.

1980 – 1999 – Em 1987, falecimento de Rauly (1911 – 1987), que foi sucedido na Fotografia Bianchi por  seu filho Raul (1949 – 2002).

2000 – 2009 – A Fotografia Bianchi foi roubada em 26 de janeiro de 2001 e segundo Raul, seu proprietário na ocasião, foi perdida uma média de 90 mil reais em equipamentos e ele teria ficado “sem os dedos para trabalhar”.  No mesmo ano a loja foi fechada e vendida. Parte do acervo de negativos do ateliê foi vendido, em 30 de março de 2001, à Prefeitura Municipal de Ponta Grossa.

O acervo da Fotografia Bianchi, composto por cerca de 45 mil negativos em chapa de vidro e celulose flexível, assim como os cadernos de registo do estabelecimento passam a ficar sob a responsabilidade da Casa da Memória Paraná/Fundação de Cultura.

Em 2002, falecimento de Raul Bianchi (1949 – 2002).

2010 – 2019 – Em 2014, o Museu Campos Gerais, inaugurado em Ponta Grossa, em 1983, realizou uma exposição com 20 registros de Luiz Bianchi.

* Muitas vezes o nome do fotógrafo é escrito Luís, com “s”, mas a pesquisadora Patricia Camera, achou a marca dele “Luiz Bianchi” em alguns cartões de visita e postais.

 

A Brasiliana Fotográfica agradece à colaboração da pesquisadora Patricia Camera, da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALVARENGA, Jhennifer Batista de; VARELA, Patricia Camera. O contexto de formação do acervo Foto Bianchi em Ponta Grossa/PR (2001-2016)In: XV Encontro Regional de História, 2016. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 26 a 29 de julho de 2016.

BARBOSA, Audrey Franciny. Foto Bianchi: retratos e representações visuais do escolar (Ponta Grossa/PR. 1913-1943). Dissertação (Mestrado em História). Paraná: Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2019.

BEDIM, Willian; CAMERA, Patricia. O contexto comercial e a produção de Luís Bianchi: memória escrita e fotográfica. In: ENCONTRO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DA IMAGEM, 2., 2015, Londrina. Anais… Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2015. v. 8.

BIANCHI, Rauly. Rauly Bianchi [3 nov. 1982]. Entrevistadores: Loreno Luiz Zatelli Hogedorn e Roseli T. Boschilia. Ponta Grossa, 1982. Papel, p. 13. Entrevista concedida ao Projeto Fotógrafos Pioneiros do Paraná (Acervo da Casa da Memória de Curitiba).

BIANCHI, Raul. Bianchi e suas batalhas [9 set. 2001]. Entrevistador: Irinêo Netto. Ponta Grossa, 2001. Entrevista concedida ao jornal Diário dos Campos.

CAMERA, Patricia. Curadoria do Fundo Foto Bianchi: cultura fotográfica em Ponta Grossa e região. Anais do Museu Paulista vol.26  São Paulo, 3 de dezembro de 2018.

CHAVES, Niltonci Batista. Os “problemas citadinos” em uma “cidade civilizada”: estratégias discursivas de um intelectual polivalente no Jornal Diário dos Campos – Ponta Grosa/PR (Década de 1930). In. II Congresso Internacional de História UEPG – UNICENTRO: Produção e circulação do conhecimento histórico no século XXI. 2015. Ponta Grossa/PR, Anais eletrônico.

DROPPA, Ana Maria. O Fotógrafo Luís Bianchi. Diário dos Campos, Ponta Grossa, 17 fev. 2002.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LEANDRO, José Augusto. Luís Bianchi, fotógrafo dos Campos Gerais. Jornal de História, Ponta Grossa, v. 3, 1996.

Portal da Universidade Estadual de Ponta Grossa

SANTOS, Francieli Lunelli. Arranjos fotográficos, arranjos familiares: representações sociais em retratos de família do Foto BianchiDissertação (Mestrado em Ciências Sociais). Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2009.

SANTOS, Francieli Lunelli. Luís Bianchi e as Práticas do Italiano no Brasil: fotografia, profissão do imigrante. Revista Domínios da Imagem, Londrina, ano VI, n. 11, p. 57-70, 2012.

Site Academia Paranaense de Letras

Site Artes na Web

Site Enciclopédia Itaú Cultural

Site Prefeitura de Ponta Grossa

 

Links para os outros artigos da série “Avenidas e ruas do Brasil”:

Série “Avenidas e ruas do Brasil” I – Avenida Central, atual Rio Branco, publicada em 7 de setembro de 2016

Série “Avenidas e ruas do Brasil” II – A rua do Imperador em Petrópolis por Klumb, Leuzinger e Stahl, publicada em 26 de junho de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” III – A rua do Bom Jesus, no Recife, publicada em 6 de agosto de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” IV – A rua 25 de Março, em São Paulo, publicada em 1º de setembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” V – A rua Direita, a rua das Mercês e a rua Macau do Meio, em Diamantina, Minas Gerais, publicada em 22 de outubro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil” VII – A avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, publicada em 23 de dezembro de 2020

Série “Avenidas e ruas do Brasil VIII – A rua da Carioca por Cássio Loredano, publicada em 20 de janeiro de 2021

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel (1906 – 1932), a feminista mineira que passou como um meteoro

Série “Feministas, graças a Deus!” I – Elvira Komel

 

A Brasiliana Fotográfica inaugura hoje a série “Feministas, graças a Deus!” com a publicação de um artigo sobre a advogada e sufragista mineira Elvira Komel (1906 – 1932), líder do movimento feminista em Minas Gerais, na década de 1920 e no início da de 30, e , com seu espírito ativo e inteligência brilhante, uma das mais destacadas militantes do feminismo no Brasil e um dos expoentes da intelectualidade mineira de sua época. A ideia da série surgiu a partir da proposta da pesquisadora Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes, do Instituto Moreira Salles, de escrever sobre Elvira. Seu artigo, seguido de uma cronobiografia elaborada pela editora do portal, Andrea C. T. Wanderley, abre a série.

A proposta de Maria Silvia surgiu quando ela assistiu à última mesa do seminário online “Do ponto de vista do antropólogo”, “Arquivos de Mulheres e memória visual”, apresentada por Carolina Alves e Adelina Novaes e Cruz, ambas pesquisadoras do CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas, em 29 de junho de 2020. A série “Feministas, graças a Deus!” pretende dar visibilidade à trajetória de mulheres que trabalharam vigorosamente pelas conquistas femininas e pelo desenvolvimento do Brasil. Muitas vezes, a história não lhes faz jus.

A fotografia em destaque pertence ao fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino – FBPF -, do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. O fundo possui quase 500 fotografias e evidencia, segundo as historiadoras Claudia Beatriz Heynemann e Maria do Carmo Rainho, a rede formada por mulheres em várias partes do mundo – dos Estados Unidos à Turquia, da Argentina à República Tcheca – na luta por seus direitos, por trabalho, educação, mas, sobretudo, por representatividade política através do voto. Elas são as autoras do artigo Memória das lutas feministas, embrião desta série, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 8 de agosto de 2017.

 

Elvira Komel (1906 – 1932), a feminista mineira que passou como um meteoro

 Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes *

 

Primeira advogada mulher no Fórum de Belo Horizonte, sufragista e primeira eleitora mineira, alistada em 1928, Elvira Komel apoiou a Revolução de 1930, publicando nos jornais manifestos dirigido às mulheres, convocando-as a integrar o Batalhão Feminino João Pessoa, que fundou para servir de base de apoio ao movimento na capital mineira. Defendeu também a luta pela educação formal feminina liderando congressos e encontros. Sua breve trajetória foi marcada pelo engajamento nas bandeiras feministas e movida pelo sentimento de construção de um novo Brasil. Ela se posicionou na contramão de juristas que valorizavam a proteção oferecida às mulheres pelo casamento, que fornecia aparência e fazia perpetuar subserviência e obediência.

 

 

No retrato acima destacado, produzido no estúdio do fotógrafo J. Bonfioti, em 1928, Elvira aparece de cabelos curtos, a la garçonne, prático e moderno, como ditava a moda. Essa nova estética buscava simbolizar a independência feminina, a mentalidade moderna.

Elvira Komel nasceu em São João do Morro Grande, hoje município Barão de Cocais, em 24 de junho de 1906, filha de Ernest Komel, austríaco, especialista em montagem hidráulica e usinas elétricas; e da mineira Marieta Correia Guedes. Cursou o ensino primário em sua terra natal e, entre 1921 e 1924, fez o curso ginasial em Viçosa, para onde sua família havia se mudado. Revelou-se uma excelente aluna. Foi para o Rio de Janeiro onde, com apenas 19 anos, em 10 de janeiro de 1925, prestou vestibular para Direito. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, na Universidade do Rio de Janeiro, em novembro de 1929. Foi apontada como a “leader do movimento feminista” de Minas Gerais (Diário Carioca, 8 de janeiro de 1930, primeira coluna).

 

 

 

Voltou para Belo Horizonte e foi morar com os pais no bairro da Floresta. Foi a primeira advogada a atuar em Minas Gerais, no Fórum da Comarca de Belo Horizonte, enfrentando juízes conservadores da época, inclusive o então promotor de Justiça, pronuncia, futuro ministro de Relações Exteriores e constituinte em 1988. Segundo Alberto Deodato, “ela teve grande atividade forense, enfrentando em vários júris o promotor Afonso Arinos de Mello Franco, que levou dela sempre a pior.” [i] No depoimento de Afonso Arinos prestado à historiadora Lélia Vidal para o livro Elvira Komel: Uma estrela riscou o céu, afirmou acreditar “que a formação feminista de Elvira teve o seu forjamento no âmbito universitário, pois naquele tempo já se discutia o voto feminino no Rio de Janeiro. Já a mulher mineira era mais do lar, recatada e não participava dos movimentos organizados em prol de seus direitos”. [ii]

Outra bandeira defendida com entusiasmo por Elvira era a educação feminina, fato que fica evidenciado na conferência pronunciada por ela na Radio Club, “Pela educação da mulher brasileira”, e publicada na íntegra no O Jornal, 05 de janeiro de 1930.

 

 

Durante a Revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas (1882 – 1954), cuja esposa, Alzira Vargas (1914 – 1992), era sua amiga, Elvira fundou o Batalhão Feminino João Pessoa e seu empenho na causa conseguiu reunir legiões de mulheres em toda Minas Gerais, “de  fardas de brim cáqui e confeccionando a bem da Revolução mais de quatro mil fardamentos para os soldados e servindo nos hospitais de sangue da Capital e dos municípios mineiros, além de terem como obrigatória a instrução militar feminina. Eram mulheres de todas as classes e profissões sociais, incluindo 300 enfermeiras práticas, postas à disposição da Saúde Pública (através de aquiescência do secretário da Saúde, Dr. Ernani Agrícola) e bem comandadas pela inesperada comandante.”[iii]

Foi publicada na primeira página de O Jornal, 15 de novembro de 1930 sob manchete “A colaboração da mulher mineira no movimento revolucionário” uma reportagem completa sobre o Batalhão Feminino.

 

 

O Batalhão Feminino João Pessoa, nome escolhido em homenagem ao Governador da Paraíba que morrera assassinado durante a Revolução de 30, possuía oito mil seguidoras em 52 municípios do Estado de Minas Gerais, sendo 1.200 em Belo Horizonte. No desfile das forças militares realizado no Rio de Janeiro em 15 de novembro, em comemoração à Proclamação da República, o Batalhão da Komel, representado por 75 mulheres, comandadas por Elvira foi uma grande atração (Diário Carioca e o Diário de Notícias, ambos de 15 de novembro de 1930; Jornal do Brasil, 16 de novembro de 1930).

 

 

 

No Rio de Janeiro, ainda participou da inauguração da Praça João Pessoa, onde ficava a Praça dos Governadores (Jornal do Brasil, de 20 de novembro de 1930).

É importante lembrar que a louvação do militarismo e patriotismo, presentes fortemente ideário de Elvira e de suas companheiras, se ajustava à atmosfera carregada do pré-guerra europeu e da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na ampla mobilização social desejada pelos intelectuais de sua época. O que não impedia que elas fossem muito hostilizadas por questões de gênero, a exemplo da publicação da revista Careta.

 

 

 

No dia 23 de novembro de 1930, na sede do América Futebol Clube, na rua dos Caetés, 343, no centro de Belo Horizonte, Elvira Komel transformou o batalhão feminino na Associação Feminina João Pessoa (AFJP). A reunião preparatória para a fundação da AFJP determinou uma comissão elaboradora dos estatutos: Celina Coelho, a bacharelanda Elza Pinheiro Guimarães; as farmacêuticas Zinah Coelho Júnior e Elvira Poch; as professoras Olympia Duarte, Diva Magalhães, Esmeralda Alves e Irene Dias. Adeptas de 52 municípios mineiros receberam ofícios da Comandante Komel comunicando o início da Associação Feminina João Pessoa e autorizando e estimulando as a fundação de centros municipais e centros filiais nos bairros de Belo Horizonte, por professoras.

 

 

Em janeiro de 1931, esteve no Rio de Janeiro com a também sufragista e advogada gaúcha Natércia da Silveira (1905 – 1993), e se encontraram com o ministro do Trabalho, Lindolpho Collor (1890 – 1942), com Oswaldo Aranha, ministro da Justiça e Assuntos Internos, e com outras autoridades para pleitear a igualdade de direitos entre os sexos, reivindicando para as mulheres o direito ao voto e as honras militares de oficiais do Exército (Jornal do Brasil, 14 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Foi a presidente do I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, entre 21 e 2de junho de 1931, com a participação de representantes de municípios mineiros, do Espírito Santo, de Goiás, da Paraíba, do Rio Grande do Sul, e da Aliança Nacional de Mulheres, fundada por Natércia Silveira (1905 – 1993), 1ª vice-presidente do evento. A primeira-dama Alzira Vargas foi a presidente de honra do congresso. Na ocasião, foram discutidas questões de interesse das mulheres, inclusive a equiparação dos direitos da mulher ao do homem perante à legislação nacional. Foi também votada e aprovada por unanimidade uma moção de solidariedade ao governo de Getúlio Vargas.  O congresso foi encerrado em 29 de junho (Correio da Manhã, 6 de junho de 1931, segunda coluna; Correio da Manhã, 23 de junho de 1931, terceira coluna; Correio da Manhã, 30 de junho de 1931, sétima coluna; Diário Carioca, 14 de agosto de 1931, última coluna). Um pouco antes, em 11 de junho, a brasileira Odete Carvalho (1904 – 1969) participou da Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, conselheira técnica governamental;  e, em 19 de junho de 1931, havia sido inaugurado o II Congresso Internacional Feminista, no Rio de Janeiro, sob a direção de Bertha Lutz (1894 – 1976).

 

 

Fundou, em 1931, o Partido Liberal Feminino Mineiro, uma fusão da Associação Feminina João Pessoa e da Legião Feminina, “formando uma única corporação com finalidades amplas: sociais, humanitárias, cívicas e políticas. O nosso programa visa proteger a mulher, trabalhar pela sociedade e pela pátria, colaborando, também, na realização do programa revolucionário, para que a República Nova se torne realidade” (Correio da Manhã, 24 de setembro de 1931, primeira colunaA Noite, 7 de outubro de 1931, quarta coluna).

 

 

Finalmente, através do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que instituiu o Código Eleitoral Provisório, foi reconhecido o direito de voto às mulheres. Em julho do mesmo ano, Elvira foi para Juiz de Fora, onde proferiu diversas palestras sobre a Revolução de 30 e seu caráter político, preparando-se para a sua candidatura ao senado estadual (deputada estadual). Voltando para Belo Horizonte, sentiu fortes dores de cabeça e, vítima de meningite, faleceu no dia 25 de julho de 1932, com apenas 26 anos de idade, sendo sepultada no Cemitério do Bonfim, na capital mineira (Jornal do Brasil, 27 de julho de 1932; Correio da Manhã, 27 de julho de 1932, sexta coluna). Este laudo foi contestado por sua família, que atribuiu sua morte precoce a um aneurisma cerebral.

A morte inesperadamente a vem colher no desdobramento de um programa de úteis iniciativas em prol da causa feminina, que a Dra. Elvira Komel defendia com desassombro[iv].

                                                                                                                                   Jornal Minas Gerais de 27 de agosto de 1932

 

Os amigos de Elvira, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Cyro dos Anjos, Edmundo Hass, Olinto Fonseca e Alberto Deodato lamentaram sua morte.

 

[i] DUARTE, CARMO & LUZ in Mulheres em Minas: Lutas e Conquistas. Conselho Estadual da Mulher de Minas Gerais – 25 anos. Belo Horizonte: Imprensa Oficial. 2008, p 270

[ii] Idem, p 271

[iii] Idem, p 271

[iv] Idem, p 272

 

*Maria Silvia Pereira Lavieri Gomes é historiadora e é desde 2014 pesquisadora responsável pelo acervo do embaixador Walther Moreira Salles, no Instituto Moreira Salles.

 

Cronologia de Elvira Komel (1906 – 1932)

Andrea C. T. Wanderley**

 

 

1906 – A mineira Elvira Komel nasceu em São João do Morro Grande, hoje município Barão de Cocais, em 24 de junho de 1906, filha de Ernest Komel, austríaco, especialista em montagem hidráulica e usinas elétricas; e da mineira Marieta Correia Guedes. Cursou o ensino primário em sua terra natal.

(Correio da Manhã, 27 de junho de 1931, sétima coluna)

1921 a 1924 - Fez o curso ginasial em Viçosa, para onde sua família havia se mudado. Revelou-se uma excelente aluna.

1925 – Foi para o Rio de Janeiro onde, com apenas 19 anos, em 10 de janeiro de 1925, prestou vestibular para Direito.

1925 – Registro de sua aprovação plena nos exames do primeiro ano da facudade de Direito (Jornal do Commercio, 20 de março de 1926, primeira coluna).

1928 – Por volta desse ano começou a exercer a advocacia nos auditórios de Belo Horizonte (O Paiz, 6 janeiro de 1930, quarta coluna).

Quando o politico e advogado Maurício de Lacerda (1888 – 1959) visitou Belo Horizonte, antes de proferir sua palestra sobre o voto secreto no Teatro Municipal da cidade, foi saudado por Elvira. Na ocasião, ela discursou acerca de “conceitos oportuníssimos sobre as mais palpitantes questões políticas do momento, monstrando-se profunda conhecedora de nosas prementes necessidades” (O Jornal, 15 de junho de 1928, quinta coluna; A Esquerda, 20 de setembro de 1928, terceira coluna).

Foi a segunda mulher mineira a se alistar para ter o direito do exercício do voto: “É, pois, um novo valor que se vem  juntar ao esforço coletivo em prol da n,ossa regeneração política” (O Paiz, 20 de setembro de 1928, segunda colunaDiário Carioca, 20 de setembro de 1928, penúltima colunaA Esquerda, 20 de setembro de 1928, terceira coluna).

Ela e a advogada mineira Mietta Santiago (1903 – 1995) foram citadas no relatório que a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) – entidade civil criada no Rio de Janeiro, em 1922, cuja fundadora e principal líder foi a bióloga Bertha Lutz  (1894 – 1976) – apresentou à Comissão Redatora da História do Movimento Feminista Internacional, da Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino (O Paiz, 21 de outubro de 1928).

Publicação do artigo Requerendo o meu alistamento eleitoral, de autoria de Elvira Komel (O Paiz, 4 de novembro de 1928, terceira coluna).

Em entrevista, Elvira declarou que o feminismo em Minas estava efetivamente triunfante e que várias mineiras já haviam se alistado. Argumentou também em favor do voto feminino. Nessa matéria, está reproduzida a fotografia de Elvira Komel que se encontra no acervo fotográfico da Brasiliana Fotográfica (A Noite, 16 de novembro de 1928).

 

 

1929 – Foi a primeira eleitora a exercer o direito do voto em Minas Gerais (O Jornal, 8 de maio de 1929, sexta colunaDiário Carioca, 10 de maio de 1929, penúltima colunaDiário Nacional: A Democracia em Macha, 10 de maio de 1929, quinta coluna e Brasil Social, julho de 1929).

 

 

Era a única mulher integrante da embaixada universitária mineira que passou pelo Rio de Janeiro em direção ao Paraná, onde para participaria de uma confraternização acadêmica. Foi como representante da FederaçãoBrasileira pelo Progresso Feminino e da União Universitária Feminina de Minas. O advogado e escritor Cyro dos Anjos (1906 – 1994), na época redator do Diário de Minas, e José Américo de Macedo (1906 – ?), futuro prefeito de Ituiutaba, eram os líderes do grupo. elvira proferiu uma palestra sobre feminismo no Club Curitibano onde depois houve um sarau dançante em homenagem à embaixada universitária (Correio da Manhã, 17 de julho de 1929, segunda coluna; A República: órgão do Partido Republicano Paranaese, 22 de julho de 1929, terceira colunaO Dia (PR), 22 de julho de 1929, segunda colunaO Dia (PR), 27 de julho de 1929, segunda coluna; A República: órgão do Partido Republicano Paranaese, 29 de julho de 1929, penúltima coluna).

 

 

Em reunião da União Universitária Feminina, presidida pela engenheira Carmen Portinho (1903 – 2001), foi comunicado que Elvira Komel estava fundando com a colaboração de Alzira Reis Vieira Ferreira (1886 – 1970), de Teófilo Otoni, o Diretório Mineiro da entidade. O evento foi realizado na sede da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, na avenida Rio Branco, nº 111 (Jornal do Commercio, 2 de novembro de 1929, quarta coluna).

Foi anunciado que Elvira Komel seria a palestrante da pemúltima conferência da série promovida pela Federação bBrasileira pelo Progresso Feminino, na Rádio Club (O Paiz, 21 de dezembro de 1929, quinta coluna).

Foi uma das duas mulheres que se graduaram em Ciências Jurídicas e Sociais, na Universidade do Rio de Janeiro, em 1929. A outra foi Myrthes Etienne Dessaune. A cerimônia de colação de grau dos bacharelandos realizou-se no Instituto Nacional de Música, com a presença do presidente da República, Washington Luis (1869 – 1957) e de outras autoridades. O reitor da universidade, Cícero Peregrino, abriu a cerimônia, o orador da turma foi Narcélio de Queiroz e o paraninfo, Clóvis Bevilaqua (1859 – 1944). O aluno apontado como o melhor da turma foi Helvecio Xavier Lopes, que recebeu a medalha de ouro das mãos do presidente da República. A benção dos anéis foi feita pelo arcebispo coajutor do Rio de Janeiro, Sebastião Leme (1882 – 1942). Uma curiosidades: na mesma turma formou-se Paschoal Carlos Magno (1906 -1980), futuro ator, dramaturgo, poeta e diplomata de destaque no Brasil (A Noite, 27 de dezembro de 1929, primeira coluna).

 

1930 – De volta a Belo Horizonte e morando com os pais no bairro da Floresta, Elvira tornou-se a primeira advogada a atuar em Minas Gerais, no Fórum da Comarca de Belo Horizonte, enfrentando juízes conservadores da época. Foi apontada como a “leader do movimento feminista” de Minas Gerais (Diário Carioca, 8 de janeiro de 1930, primeira coluna).

Pronunciou a conferência “Pela educação da mulher brasileira”, na Rádio Club, de Belo Horizonte (O Jornal, 05 de janeiro de 1930.

Era a representante de Minas Gerais da União Universitária Feminina (A Noite, 5 de abril de 1930, segunda coluna).

Durante a Revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas (1882 – 1954), cuja esposa, Alzira Vargas (1914 – 1992), era sua amiga, Elvira fundou, em 5 de outubro, o Batalhão Feminino João Pessoa para apoiar o movimento. O batalhão, cujo nome foi escolhido para homenagear o governador da Paraíba que morrera assassinado durante a Revolução, chegou a possuir  oito mil seguidoras em 52 municípios do Estado de Minas Gerais, sendo 1.200 em Belo Horizonte (Jornal do Brasil, 15 de novembro de 1930).

O Batalhão Feminino João Pessoa participou do desfiles de forças militares realizados no Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1930. A porta-bandeira foi Esmeralda Alves, sobrinha de Olegário Maciel (1855 – 1933), presidente do estado de Minas Gerais.

 

 

O Batalhão tinha um hino, escrito por Zinah Coelho Junior e Celina Coelho (Diário da Noite, 14 de novembro de 1930Correio da Manhã, 15 de novembro de 1930, sexta colunaO Estado de Florianópolis, 19 de novembro de 1930, quarta coluna; Jornal do Brasil, 16 de novembro de 1930).

 

 

Foi publicada uma entrevista com Elvira no Diário da Noite de 15 de novembro de 1930.

 

 

Participaram também de diversos eventos sociais e homenagens como a realizada pela União do Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, de um Chá na Cruzada Feminina do Brasil Novo e de uma festa no Teatro João Caetano (Diário de Notícias, 18 de novembro de 1930A Batalha, 15 de novembro de 1930A Batalha, 18 de novembro de 1930, terceira coluna; Diário de Notícias, 18 de novembro de 1930O Jornal, 18 de novembro de 1930, penúltima coluna).

 

 

O pai de Elvira, o engenheiro Ernest Komel, foi agredido por um cabo do Exército, quando passava em frente ao Quartel dos Barbonos, na rua Evaristo da Veiga, no Rio de Janeiro. Foi atendido no posto de saúde da Praça da república e retornou ao Hotel Magnífico, na rua do Riachuelo, 124, onde o Batalhão Feminino João Pessoa e sua filha estavam hospedados (A Noite, 18 de novembro de 1930, penúltima coluna).

O Diário de Notícias publicou uma grande reportagem com diversas fotografias sobre o Batalhão Feminino João Pessoa, no Hotel Magnífico (Diário de Notícias, de 18 de novembro de 1930).

 

Elvira participou da inauguração da Praça João Pessoa, onde ficava a Praça dos Governadores, no Centro do Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 20 de novembro de 1930, última colunaJornal do Brasil, de 20 de novembro de 1930).

 

 

Foi publicado artigo “A Mulher Mineira“, do médico e jornalista Floriano de Lemos (1906 – 1965), sobre o desfile do Batalhão Feminino João Pessoa (Diário da Noite, 20 de novembro de 1930, última coluna).

Fez uma visita à redação do Jornal do Brasil (Jornal do Brasil, 21 de novembro de 1930). Também visitou a sede do Touring Clube do Brasil acompanhada de Zinah Coelho Junior, Elvira Rodrigues e Julia Guerra (Jornal do Commercio, 30 de novembro de 1930, quinta coluna).

 

 

No dia 23 de novembro de 1930, na sede do América Futebol Clube, na rua dos Caetés, 343, no centro de Belo Horizonte, Elvira Komel transformou o batalhão feminino na Associação Feminina João Pessoa (AFJP).

Durante a sessão do Partido Nacional Feminino, em Nova York, a sra. Oliveira Lima, membro brasileiro da Comissão Interamericana de Mulheres citou o Batalhão João Pessoa, comandado por Elvira, como um exemplo da atuação das mulheres na Revolução de 30, comparável a dos homens (A Gazeta (SP), 22 de dezembro de 1930, quinta coluna).

1931 – Em janeiro, em companhia da também advogada e sufragista Natércia Silveira (1905 – 1993), Elvira esteve no Rio de Janeiro onde permaneceu até dia 17 de janeiro. Em pauta, o apoio à causa do voto feminino.

O mineiro Augusto Lima (1859 – 1934), diretor do jornal A Noite, publicou o artigo “A Mulher Militar“, onde elogiava a ação de Elvira Komel (A Noite, 13 de janeiro de 1931, primeira coluna). Ela agradeceu com uma carta publicada no jornal A Noite, de 20 de janeiro de 1931, penúltima coluna.

Fizeram visitas ao prefeito Adolpho Bergamini (1886 – 1945), às redações de A Batalha, do Jornal do Brasil , de O Jornal  e de A Noite. Na manchete da notícia da visita neste último jornal foram classificadas como “Duas batalhadoras do ideal feminista, no Brasil” (A Batalha, 16 de janeiro de 1930, última colunaA Noite, 17 de janeiro de 1931).

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Encontraram-se com o então ministro do Trabalho, Lindolpho Collor (1890 – 1942), para pleitear a igualdade de direitos entre os sexos reivindicando para as mulheres o direito ao voto e as honras militares de oficiais do Exército (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1931, quarta colunaJornal do Brasil, 14 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Publicação de uma reportagem sobre o encontro de Elvira Komel e  Natércia Silveira (1905 – 1993) com o Barão de Itararé, alcunha de Aparicio Torelly (1895 – 1971), dono do semanário humorístico A Manha (A Manha, 16 de janeiro de 1931).

Publicação de uma entrevista com Elvira a respeito da luta pelo voto feminino e sobre o Batalhão João Pessoa (Correio da Manhã, 16 de janeiro de 1931, penúltima coluna).

Foi citada em uma reportagem do jornal O Globo acerca da possibilidade de uma mulher poder ser oficial honorária do Exército (República (SC), 16 de janeiro de 1931, segunda coluna).

Durante sua estadia no Rio de Janeiro, Elvira e  Natércia Silveira (1905 – 1993) encontraram-se também com o ministro da Fazenda, José Maria Whitaker (1878 – 1970), e com o general Juarez Távora (1898 – 1975), no Rio de Janeiro (A Notícia (SC), 20 de janeiro de 1931, quarta colunaEu vi, 21 de janeiro de 1931).

 

 

Já em Belo Horizonte, Elvira deu uma entrevista sobre o direito da mulher de ser jurada (A Notícia (SC), 22 de janeiro de 1931).

Elvira declarou-se confiante no êxito das reivindicações feministas que havia feito ao Governo Provisório e ao Cardeal Sebastião Leme durante sua estadia no Rio de Janeiro (A Batalha, 23 de janeiro de 1931, primeira coluna).

Na seção “Notas e comentários”, foi questionada as reivindicações de Elvira: “Ora, para que diabo é que a dra. Elvira Komel quer ser generala? Em que lucra a pátria? Em que melhora o câmbio? Que benefícios trará a distinção à mulher brasileiro? Que ideias novas acarretará?” (Excelsior, fevereiro de 1931).

No Tribunal de Júri de Belo Horizonte, o reú, Agostinho Simão Santos, defendido por Elvira, foi considerado culpado (Correio da Manhã, 4 de fevereiro de 1931, sexta coluna)

A revista Careta de 7 de fevereiro de 1931publicou uma caricatura de Elvira Komel pleiteando patentes de oficiais do Exército. Em 11 de março de 1931, ela enviou uma carta a Alzira Reis Vieira Ferreira (1886 – 1970), que na época dirigia a União Feminina de Teófilo Otoni, comentando algumas críticas em relação a essa reivindicação (O Fluminense, 31 de julho de 1932).

 

 

Elvira e  Natércia Silveira (1905 – 1993) encontraram-se com Delminda Aranha, mulher de Oswaldo Aranha (1894 – 1960), então ministro da Justiça e Assuntos Internos, para conversar sobre direitos politicos das mulheres na organização da constituinte. Já haviam estado com o prórpio ministro, em janeiro (O Estado de Florianópolis, 15 de janeiro de 1931, primeira colunaO Dia (PR), 11 de fevereiro de 1931, última coluna).

Publicação de um telegrama enviado ao Correio da Manhã desmentindo o que havia sido noticiado por alguns jornais mineiros em relação à atuação de Elvira à frente do movimento feminista em Minas Gerais. De acordo com o telegrama ela continuava firme no comando, tendo inclusive feito um discurso na chegada do Chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, quando ele visitou a capital mineira (Correio da Manhã, 6 de março de 1931, terceira coluna).

Elvira enviou telegramas para Getúlio Vargas e para Batista Luzardo (1892 – 1992), chefe da polícia do Distrito Federal, após a divulgação, em Minas Gerais, do discurso desse último em nome do Governo Provisório, anunciando a concessão do voto feminino (A Noite, 19 de março de 1931, segunda coluna).

Como diretora do recém criado Núcleo Feminino da Legião de Outubro, lançou um manifesto às mulheres mineiras chamando-as para participarem da reconstrução nacional (A Noite, 12 de março, terceira colunaA Noite, 23 de  março de 1931, segunda coluna).

 

 

Respondendo à enquente promovida peo jornal A Esquerda, Deve a mulher ser guerreira ou pacifista?, Elvira Komel declarou “a mulher mineira é inteiramente pacifista, como devem ser todas as mulheres, qualquer que seja o país a que pertencem” (A Esquerda, 31 de março de 1931).

Foi conferido à Elvira o título de sócia honorária da Cruz Vermelha Internacional (A Noite, 15 de abril de 1931).

Presidiu, em junho de 1931, o I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, cuja presidente de honra foi a primeira-dama, Alzira Vargas. Foi publicada a programação do evento (Excelsior, junho de 1931).

 

 

 

Durante o evento, representantes de municípios mineiros, do Espírito Santo, de Goiás, da Paraíba, do Rio Grande do Sul, e da Aliança Nacional de Mulheres, fundada por  Natércia Silveira (1905 – 1993), 1ª vice-presidente do evento, discutiram questões acerca da emancipação da mulher. Foi aprovada unanimemente uma moção de apoio ao governo revolucionário (Correio da Manhã, 6 de junho de 1931, primeira colunaCorreio da Manhã, 23 de junho de 1931, terceira coluna; Diário de Notícias, 23 de junho de 1931, quarta colunaCorreio da Manhã, 30 de junho de 1931, sétima coluna; Diário Carioca, 14 de agosto de 1931, última coluna).

 

 

 

Publicação de uma entrevista com Elvira Komel sobre a realização do I Congresso Feminino Mineiro (Diário da Noite, 31 de julho de 1931, quinta coluna).

Pela passagem do primeiro ano de morte de João Pessoa (1878 – 1930), a Associação dos Voluntários Mineiros promoveu uma homenagem no Teatro Municipal de Belo Horizonte, sob a presidência de Ribeiro Junqueira, secretário de Agricultura de Minas Gerais (1871 – 1946). Na ocasião Pedro Aleixo (1901 – 1975), um dos fundadores da Legião Liberal Mineira, versão estadual da Legião de Outubro; e Elvira discursaram (Correio da Manhã, 28 de julho de 1931, quarta coluna).

Anunciou, em setembro, a fundação do Partido Liberal Feminino Mineiro, uma fusão da Associação Feminina João Pessoa e da Legião Feminina.  (Correio da Manhã, 24 de setembro de 1931, primeira coluna; Diário de Pernambuco, 25 de setembro de 1931, quarta colunaA Noite, 7 de outubro de 1931, quarta coluna).

Elvira Komel lançou um manifesto congratulando-se com suas associadas pela publicação do ante-projeto da lei eleitoral, no qual ficou claramente estipulado o voto feminino (A Notícia (SC), 30 de setembro de 1931, penúltima coluna).

 

 

Foi recebida, no Palácio do Catete, por Getúlio Vargas (Diário de Notícias, 26 de setembro de 1931, segunda coluna).

Elvira participou da reunião da Aliança Nacional de Mulheres, no Rio de Janeiro, e sua presença foi anunciada pela presidente da entidade,  Natércia Silveira (1905 – 1993), e saudada pela professora Adélia de Lacerda (Correio da Manhã, 2 de outubro de 1931, sétima coluna).

Elvira comentou o ante-projeto de reforma eleitoral e criticou alguns de seus aspectos como o de colocar a mulher casada em inferioridade ao homem e também as solteiras, viúvas ou desquitadas sujeitando-as a uma interminável tutela (Diário de Pernambuco, 10 de outubro de 1931, quarta coluna).

1932 – O Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres, uma das bandeiras defendidas por Elvira.

O jornal A Batalha parabeniza Elvira por seu aniversário e anuncia que ela havia acabado de contratar casamento com o engenheiro Clarkson de Mello Menezes (A Batalha, 24 de junho de 1932, primeira coluna).

Elvira era correspondente especial da revista Brasil Feminino (Brasil Feminino, julho de 1932).

Em julho, Elvira foi para Juiz de Fora, onde proferiu diversas palestras sobre a Revolução de 30. Preparava sua candidatura ao senado estadual (deputada estadual).

Elvira apoiou a indicação de  Natércia Silveira (1905 – 1993), da Aliança Nacional de Mulheres, para ingressar na comissão que Getúlio Vargas havia prometido nomear para elaborar o ante-projeto da nova Constituição. Havia um impasse porque outras feministas apoiavam Bertha Lutz (1894 – 1976), da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (A Batalha, 6 de julho de 1932).

Já em Belo Horizonte, lançou um manifesto em prol da pacificação do Brasil, onde se inciava a Revolução Constitucionalista de 1932, que tinha o objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte  (Jornal do Brasil, 20 de julho de 1932, quinta coluna).

Vítima de meningite, faleceu no dia 25 de julho de 1932, com apenas 26 anos de idade, sendo sepultada no Cemitério do Bonfim, na capital mineira. Na ocasião, Elza Pinheiro Guimarães e Anibal Vaz de Melo, representando Sociedade Cultural e Coligação dos Universitários Independentes, fizeram discursos enaltecendo as qualidades e a atuação de Elvira em favor dos “fracos e oprimidos” (Jornal do Brasil, 27 de julho de 1932Correio da Manhã, 27 de julho de 1932, sexta coluna; Diário de Notícias, 5 de agosto de 1932, primeira colunaNação Brasileira, setembro de 1932). O laudo da causa de sua morte foi contestado por sua família, que atribuiu seu falecimento precoce a um aneurisma cerebral.

A passagem do féretro, todo de branco, foi uma nota muito comovente, arrancando lágrimas a muitos dos circuntantes

(A Noite, 27 de julho de 1932, penúltima coluna).

Amélia Duarte, aluna de Direito da Faculdade de São Paulo, publicou um comentário sobre a morte de Elvira (Correio da Manhã, 28 de julho de 1932, segunda coluna).

A Aliança Nacional de Mulheres, que decretou luto de oito dias pelo falecimento de Elvira Komel, a homenageou  com a celebração de uma missa de sétimo dia na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. O Chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, foi convidado, não compareceu, tendo sido representado por seu ajudante de ordens, Amaro da Silveira (Correio da Manhã, 28 de julho de 1932, penúltima colunaO Radical, 1º de agosto de 1932, quarta colunaFon-Fon, 6 de agosto de 1932).

 

 

A poetisa Ilka Labarthe falou sobre a vida de Elvira em um programa da Rádio Club (Correio da Manhã, 31 de julho de 1932, quinta coluna).

Foi feita uma homenagem  a Elvira Komel na reunião da Aliança Nacional de Mulheres (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1932, quinta coluna).

Na passagem do trigésimo dia de seu falecimento, foi feita uma romaria a seu túmulo, em Belo Horizonte (Correio da Manhã, 30 de agosto de 1932, sétima coluna).

 

 

A escritora e jornalista curitibana Rachel Prado (1891 – 1943) publicou um artigo sobre Elvira Komel (Brasil Feminino, dezembro de 1932).

 

 

1934 - Existia em Belo Horizonte o Grêmio Literário Elvira Komel (Lavoura e Commercio (MG), 3 de março de 1934, quarta coluna).

 

** Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

CAMPOS, Raquel Discini de. Floriano de Lemos no Correio da Manhã, 1906-1965. Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.20  supl.1 Rio de Janeiro Nov. 2013

DUARTE, CARMO & LUZ in Mulheres em Minas: Lutas e Conquistas. Conselho Estadual da Mulher de Minas Gerais – 25 anos. Belo Horizonte: Imprensa Oficial.

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi. São Paulo: Contexto, 1997

DEL PRIORI, Mary. História e conversas de mulher. São Paulo: Planeta Brasil, 2014

ENGLER, Isabel. A primeira prefeita brasileira Alzira Soriano: o poder polpitico coronelístico, Lages/RN, 1928. Trabalho de Conclusão de Curso  – Universidade Federal da Fronteira do Sul, Curso de História – Licenciatura, Chapecó, SC, 2019

GAMA, Lélia Vidal Gomes de. Elvira Komel: uma estrela riscou o céu. EDIÇÃO IMPRENSA OFICIAL DE BELO HORIZONTE, 1987

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

HEYNEMANN, Claudia; RAINHO, Maria do Carmo. Memória das lutas feministas in Brasiliana Fotográfica, 8 de agosto de 2017.

PINTO, Celi Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo (coleção história do povo brasileiro) 2003.

Portal da Câmara dos Deputados

SHUMAHER, Schuma; BRAZIL, Erico Vital (organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2000.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

SEVCENKO, Nicolau. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 1992

Site Acontece Online

Site CPDOC

Site Mulheres de Minas- Lutas e conquistas

Site Mulher 500 anos atrás dos panos

Site Observatório do Terceiro Setor

Tribuna do Paraná, 19 de janeiro de 2013

 

Leia também os outros artigos da série “Feministas, graças a Deus”:

Série “Feministas, graças a Deus!” II  – Natércia da Cunha Silveira (1905 – 1993), o jequitibá da floresta, publicado em 20 de agosto de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

Série “Feministas, graças a Deus!” III  – Bertha Lutz e a campanha pelo voto feminino: Rio Grande do Norte, 1928, publicado em 29 de setembro de 2020, de autoria de Maria do Carmo Rainha, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” IV  – Uma sufragista na metrópole: Maria Prestia (? – 1988), publicado em 29 de outubro de 2020, de autoria de Claudia Heynemann, doutora em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” V – Feminista do Amazonas: Maria de Miranda Leão (1887 – 1976), publicado em 26 de novembro de 2020, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, mestre em História e pesquisadora do Arquivo Nacional

Série “Feministas, graças a Deus!” VI – Júlia Augusta de Medeiros (1896 – 1972) fotografada por Louis Piereck (1880 – 1931), publicado em 9 de dezembro de 2020, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

O fotógrafo amador Guilherme Santos e sua coleção de estereoscopias eróticas

A historiadora Maria Isabela Mendonça dos Santos escreveu para o portal o artigo O erotismo na fotografia e a coleção de estereoscopias eróticas de Guilherme Santos, onde conta um pouco da história desse tipo de imagem, focando na série de fotografias estereoscópicas de nus femininos produzidas pela Richard/Verascope encontrada na coleção Guilherme Santos do acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles. Faz parte de um conjunto de cerca de 3000 imagens relacionadas ao fotógrafo adquiridas pelo Instituto Moreira Salles, em 2013.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Guilherme Santos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

 

Guilherme Antônio dos Santos (1871 – 1966) era um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope, um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real. Antes dele, entre os anos de 1855 e 1862, o “Photographo da Casa Imperial”, Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886), favorito da imperatriz Teresa Christina e professor de fotografia da princesa Isabel, havia produzido vários registros utilizando a técnica da estereoscopia. A Casa Leuzinger também produziu fotografias estereoscópicas. Guilherme Santos se interessou pela técnica, em 1905, quando viajou em férias para Paris e adquiriu um Verascope, após visitar uma exposição de fotografias estereoscópicas e constatar que havia pouquíssimos registros do Brasil. A fotografia passou a ser seu hobby. A maior parte da obra de Santos, que inclui 17.812 mil negativos e 9.310 mil positivos (em vidro), além de 1.302 ampliações em papel feitas a partir dos negativos, está guardada no MIS-RJ.

 

 

O erotismo na fotografia e a coleção de estereoscopias eróticas de Guilherme Santos

 

Maria Isabela Mendonça dos Santos*

 

 

O sucesso mercadológico das estereoscopias eróticas entre as décadas finais do século XIX e as primeiras décadas do século XX é amplamente conhecido e consta em toda bibliografia que trata de fotografia estereoscópica. “Como meio de representação, o estereoscópio era inerentemente obsceno (…) Ele destruía a relação cênica entre espectador e objeto (…) Não é coincidência que, cada vez mais, o estereoscópio tenha se tornado sinônimo de imaginário erótico e pornográfico ao longo do século XIX.”[i]

A Maison Richard, fábrica responsável pela produção das câmeras e vistas estereoscópicas Verascope, foi uma das grandes incentivadoras da estereoscopia erótica, graças aos interesses pessoais do proprietário da marca. Jules Richard foi um amante do erotismo tendo produzido, ele próprio, uma infinidade de fotografias de mulheres nuas e, até mesmo se casando com uma de suas modelos.

 

Acessando o link para as fotografias eróticas da Coleção Guilherme Santos, sob a guarda do Instituto Moreira Salles, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Segundo Jorge Leite Jr. a fotografia “pornográfica” nasceu junto aos primeiros daguerreótipos, provavelmente na década de 1840, em Paris. A primeira foto erótica de que se tem registro data de 1850 e foi tirada por Féliz-Jacques-Antoine Moulin, que chegou a ser condenado a um mês de prisão pela produção de imagens do tipo. Reinhard Seufert em seu estudo sobre porno-fotografia, no entanto, afirma que o primeiro nu frontal feminino é de 1860. Até então as mulheres apareciam sempre de costas, com as nádegas expostas. Ainda segundo Leite Jr, no início, as fotografias pornográficas tinham prostitutas como modelos, que as usavam como cartão de visitas para clientes. Outro uso frequente das fotos eróticas era como cartão postal.

O surgimento da cultura de massa na segunda metade do século XIX, contribui significativamente para a publicação de revistas eróticas. Na França, a revista La Vie Parisienne, fundada em 1863, vai se tornar muito popular quando em 1905, seu novo proprietário decide transformá-la em uma publicação erótica. Em termos estéticos, a revista refletiu a estilização da ilustração Art Nouveau e Art Déco, com belos desenhos animados em cores de vários artistas da época. A estética Art Nouveau das ilustrações de La Vie Parisienne vai influenciar, sem dúvidas, as fotografias eróticas do período. A fotografia “pornoerótica” vai acompanhar, desse modo, as tradições dos nus artísticos da pintura, mostrando as mulheres nuas nas posições iguais as dos quadros clássicos.

 

 

Leite Jr. destaca o lesbianismo encontrado nas produções da virada do século, como um exemplo da visão masculina, presente em imagens e textos desde o século XIX. “As mulheres que entregam-se a esse prazer, mostram-se nesses trabalhos sempre disponíveis também para o homem. A prática homossexual entre elas é mostrada mais como um passatempo que uma paixão, pois o prazer verdadeiro é sempre alcançado graças à virilidade masculina.”[ii]

De fato, a série de fotografias estereoscópicas de nus femininos encontradas na coleção Guilherme Santos do acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, comprovam as afirmações de Leite Jr.. Produzidas pela Richard/Verascope, as vistas apresentam mulheres de maneira muito semelhante aos postais de mesmo gênero do período. Muitas são as imagens de mulheres em dupla, ou em grupo, insinuando um lesbianismo descompromissado. Em quartos de decoração romântica, ou em jardins floridos, os estilos Art Nouveau e o Art Déco dominam os cenários em que as fotos eram tiradas. Geralmente as mulheres eram retratadas com acessórios como colares, tiaras ou até mesmo tecidos que cobriam parte do corpo.

 

 

As imagens eróticas da Richard são geralmente reconhecíveis pela localização. Jules Richard costumava produzir seus nus femininos em três locais distintos: numa propriedade que possuía no interior da França, num cabaré frequentado pela classe média francesa, o Tabarin, e num estúdio construído em frente à sua residência parisiense com o propósito de receber e fotografar mulheres jovens, conhecido como L’Atrium.[iii] A arquitetura do local tinha inspiração na Grécia Antiga o que, de acordo com Tomas Weynants, foi uma estratégia utilizada para dar às imagens pornográficas um ar de aceitabilidade artística, uma vez que o nudismo total não era tolerado à época.[iv]

Dificilmente os órgãos genitais aparecem nas imagens, e em nenhuma delas encontramos insinuações do ato sexual propriamente dito. Por conta disso, podemos dizer que as estereovistas da série enquadravam-se mais no estilo  “erótico” do que “pornográfico”, apesar de os limites entre os dois termos ser fluido e, na maioria das vezes, de alta complexidade de definição.[v] Além disso, estamos nos referindo apenas às vistas da Richard. Ou seja, fotografias estereoscópicas de teor mais explícito tiveram uma circulação significativa no período em questão, porém ficaram restritas a um mercado clandestino especial, sujeito a prisões e confisco de coleções.[vi]

 

 

Se o lugar por excelência da fotografia estereoscópica é a sala da família burguesa, a volumosa produção de estereoscopias pornográficas vai assombrar essa mesma família. “Banido da sala de visitas e da mirada familiar, a imagem estereoscópica pornográfica encontra caminho de entrada no domínio masculino exclusivo do drawing room.”[vii] Este “quarto de vestir” constitui aquilo que  identifica como o “lugar de tolerância” das sociedades burguesas da virada do século.[viii] No quarto de vestir, longe das vistas da esposa e dos filhos, o homem burguês podia desfrutar de momentos de prazer, ainda que virtualmente, através da observação de vistas estereoscópicas de temática erótica.

O fotógrafo Guilherme Santos encontrava-se inserido na lógica da família conjugal monogâmica e da pureza moral do corpo social e evidentemente cumpria as normas comportamentais que lhe eram socialmente apresentadas. Estas normas, no entanto, concediam-lhe o direito de frequentar “lugares de tolerância” e colecionar estereoscopias eróticas. Desfrutar destas concessões morais, configuravam não somente uma expressão de masculinidade e virilidade, mas sobretudo, a maneira pela qual o fotógrafo se conduzia moralmente dentro de sua fidelidade conjugal. A presença de uma coleção robusta de estereoscopias eróticas da Richard no acervo de Guilherme Santos, nos revela desde já, aspectos de sua subjetividade e de sua inserção na sociedade burguesa da virada do século. Mas este é assunto para outro artigo.[ix]

 

 

*Maria Isabela Mendonça dos Santos é  Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense.

 

[i] CRARY, Jonathan. Técnicas do observador: Visão e modernidade no século XIX. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012. P. 125.

[ii] LEITE JR., Jorge. Das maravilhas e prodígios sexuais: a pornografia bizarra como entretenimento. Annablume: São Paulo, 2006. P.69.

[iii] Informação extraída de: http://www.ignomini.com/photographica/stereophotovintage/richardnudes/richardnudes.html. Último acesso em 23/01/2019 às 21:00 h.

[iv] Disponível em: http://users.telenet.be/thomasweynants/jules-richard.html: Último acesso em 24/01/2019 às 14:00 h.

[v] Ver: CARDOSO, Erika Natasha. Carlos Zéfiro e os discursos morais no Brasil (1950 – 1970). Dissertação. (Mestrado em História) Universidade Federal Fluminense: Niterói, 2014.

[vi] PARENTE, José Inácio. A estereoscopia no Brasil. Rio de Janeiro: Sextante, 1999. P. 14.

[vii] ADAMS, Gavin. A mirada estereoscópica e a sua expressão no Brasil. Tese (Doutorado em Comunicação e Estética do Audiovisual) Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004. p. 7.

[viii] FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: A vontade de saber. São Paulo: Paz e Terra, 2014.

[ix] Para mais informações sobre a vida e a obra de Guilherme Santos ver : SANTOS, Ma. Isabela M. dos. A mirada estereoscópica de Guilherme Santos: Cultura Visual na cidade do Rio de Janeiro Séculos XIX e XX. 2019. Tese (Doutorado em História) – Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, Niterói (RJ).

 

 

 Cronologia de Guilherme Antônio dos Santos

Andrea C. T. Wanderley**

1871 – No Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro, nasceu Guilherme Antonio dos Santos, cuja família residia na Rua do Rezende. Seu pai era o joalheiro José Antonio dos Santos (? – 1905).

1883 - No encerramento das aulas do Colégio Aquino, onde fez seus estudos, Guilherme Santos e Escragnolle Doria (1869 – 1948) receberam do imperador Pedro II medalhas por terem respondido “com prontidão e segurança a todas as suas perguntas sobre História do Brasil” (Correio da Manhã, 31 de maio de 1952).

1896 – Guilherme casou-se com Maria Mendonça dos Santos, conhecida como dona Mariquinhas. Tiveram quatro filhos: Guilherme dos Santos Júnior (? – 1980), médico que foi diretor do Souza Aguiar e do Hospital Paulino Werneck; Amália Santos Pinto da Silva (? – 1986), Manoel Antônio dos Santos , que sempre trabalhou com o pai na representação dos cofres belgas Fichet; e Francisca Mendonça dos Santos (1901 – ?) . Os filhos estudaram no Colégio São Vicente de Paulo e as filhas no Colégio Santa Isabel, em Petrópolis.

dezembro de 1898 – A joalheria e galeria de arte Luiz de Rezende & Cia, cujo um dos sócios era o pai de Guilherme Santos, José Antonio dos Santos, foi roubada. Ficava na rua do Ouvidor 88 e 89 e na rua Ourives 69 ( Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1898, na última coluna e  Jornal do Brasil, 19 de dezembro de 1903, na sétima coluna, sob o título “O buraco do Rezende”). Anteriormente, a joalheria chamava-se Santos Moutinho e Cia. Na época do roubo, que teve grande repercussão, Guilherme Santos morava no último andar da loja.

1901 – Guilherme Santos foi empossado no conselho da Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives (Jornal do Brasil, 31 de julho de 1901, na última coluna). Nasceu sua filha caçula, Francisca, (Jornal do Brasil, de 16 de dezembro de 1901, na quarta coluna). Nos Almanak Laemert de 1901190219031904, 19051906 e 1907, Guilherme e seu irmão, Francisco Antonio, aparecem como dois dos sócios da joalheria Luiz de Rezende & Cia. Luiz de Rezende ( – 1927) era português e foi com o pai de Guilherme Santos, José Antônio, que ele aprendeu a ourivesaria.

1905 / 1906 – No Almanak Laemert de 1905, Guilherme Santos aparece como o 2º secretário da Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives. Viajou para Paris com a família para, a conselho de seu pai, se tratar de um estado de nervosismo permanente ocasionado pelo roubo à joalheira em 1898. Cuidou-se com um tratamento de auto-sugestão cujo lema era “Hoje sob todos os pontos de vista vou cada vez melhor”. Interessou-se pela técnica da estereoscopia e adquiriu um equipamento Verascope, da Maison Richard, após visitar uma exposição de fotografias estereocópicas no Grand Palais. Lá constatou que havia pouquíssimos registros do Brasil, todos de mulheres negras vendendo abacaxis. Santos começou a praticar a fotografia amadora e foi em Portugal que produziu seu primeiro registro, no pinhal de Caldas da Rainha. Seu pai, José Antonio dos Santos, faleceu (Correio da Manhã, 20 de maio de 1952).

1907 – Provavelmente, foi um dos proprietários do Cinema Pavilhão Progresso, na rua Hadock Lobo, 16. O cinema foi inaugurado em 31 de outubro de 1907 (Jornal do do Brasil, 30 de outubro de 1907, na primeira coluna).

1920 – Guilherme Santos morava na rua Conde de Bonfim, 86, na Tijuca.

1922 – Santos cedeu ao então ministro do Exterior, José Manuel de Azevedo Marques (1865 – 1943), milhares de reproduções estereográficas de quadros da natureza brasileira que foram distribuídas aos estrangeiros que vieram representar seus países nas comemorações do centenário da independência do Brasil. Deixou de trabalhar na Casa Luiz de Rezende ( Correio da Manhã, 20 de maio de 1952).

1923 – Foi criado o Photo Club Brasileiro, uma associação de fotógrafos, no Rio de Janeiro, pelos associados do Photo Club do Rio de Janeiro, fundado em 1910, que se juntaram a fotógrafos de arte para debater as relações entre fotografia e arte. O Photo Club Brasileiro promovia cursos, concursos, exposições e excursões. Publicou as revistas Photo Revista do Brasil (1925 – 1926) e Photogramma (1926 – 1931). Também organizava salões anuais, o primeiro deles inaugurado em 4 de julho de 1924, no Liceu de Artes e Ofícios (artigo de Fernando Guerra Duval, na Gazeta de Notícias, 9 de julho de 1924), além de divulgar novas técnicas e estéticas, mantendo correspondência com sociedades internacionais de fotografia. Até o fim da década de 1940, foi uma instituição fundamental na difusão da ideia da fotografia como arte. Uma matéria da revista Para Todos, de 17 de setembro de 1927, sobre a quarta exposição anual do Photo Club ilustrava essa função primordial da associação. Alguns de seus membros de destaque foram Alberto Friedmann, Barroso Neto, Fernando Guerra Duval, Herminia Borges, João Nogueira Borges, Oscar de Teffé e Silvio Bevilacqua.

maio de 1925 –  Guilherme Santos tornou-se membro do Photo Club Brasileiro. Publicou na edição de lançamento da Photo Revista do Brasil, órgão oficial da associação, o artigo “Photographia Estereoscópica”. No expediente da revista, aparece como um de seus principais colaboradores. E, nas páginas dedicadas às notícias do Photo Club, que acabava de se instalar em uma nova sede, na rua 13 de maio, 35, aparece como um dos membros recentes da associação. O presidente e o vice-presidente do Photo Club Brasileiro eram Alberto Friedmann e Fernando Guerra Duval, respectivamente.

 

“Photographia Estereoscópica”

Por Guilherme A Santos

Confeccionar uma photographia é quasi sempre reconstruir uma recordação!

Nenhuma outra photographia trabalhada pelos processos conhecidos, pôde dar-nos tamanha satisfação, produzir-nos impressão tão viva  e tão nitida daquilo que quizermos recordar como a photographia estereoscopica! Seja o retracto de um ente querido, seja uma paysagem, ou ainda uma reunião de família, cujo objecto exprima um momento feliz da nossa existencia!

A sensação do relevo e da perspectiva que nos dá um positivo sobre vidro, copia de um cliche estereoscopico, introduzido no instrumento apropriado, é inegualavel! inconfundivel! incomparavel!

Ao olhar, apresentam-se as imagens das creaturas, da Natureza ou dos objectos, com a expressão a mais perfeita e verdadeira , mostrando-nos em destaque todos os planos que as objectivas colheram na extensão do angulo focal!

Como passa tempo, o que é possível de encontrar que seja mais agradável, mais divertido do que os positivos sobre vidro da photoestereoscopia!?

Reunidos em família e acompanhados de bons amigos sentados em redor de uma mesa, passa-se de mão em mão o apparelho estereoscópicos exibindo as differentes séries de positivos! Algumas, despertando recordações aos que, num afogar de saudades revêem os bons momentos que passaram, contemplando imagens de creaturas que talvez nunca mais encontrem no caminho da vida e que fizeram a delícia daqueles momentos, em uma estação de águas, em uma excursão, em cidades de verão, a bordo de um transatlântico, na convivência íntima de uma longa viagem, etc.

Outras séries apresentando o esplendor da Natureza em grandes quadros compostos com senso esthético, com observação artística que estasiam, que empolgam e que nunca cançaríamos de contemplar são photografias que provam como é impossível negar o extraordinário poder que tem a natureza, de impressionar e fazer vibrar a alma das creaturas com suas majestosas creações!

Nesse particular a nossa terra recebeu do CREADOR um dote precioso, o qual infelizmente em vez de ser transportado para as chapas da photographia por meio das objectivas dos differentes apparelhos, tem o homem esbanjado e destruido quasi inconscientemente sem considerar o grande mal que causa ao bem commum e sem reflectir no crime que pratica!

Disse PAULO MANTEGAZZA, capitulo IV no “O LIVRO DAS MELANCHOLIAS” de uma forma encantadora e com a alma amargurada: que se conhecesse DEUS, dir-khe-hia que na sua infinita misericordia, perdoasse todos os peccados dos homens e reservasse toda a sua ira, toda as suas vinganças, tododos seus raios, para o homem que destróe uma “FLORESTA”!!…

Faço minhas as palavras do primoroso escriptor, mas accrescento que o homem que dedicar-se á photographia, de preferenciaa estereoscopica, no contacto intimo e constante que ele tiver com a NATUREZA, quando a tiver estudado bem, irá lentamente habituando-se a apreciar devidamente a sua obra grandiosa, sentirá despertar em sua alma, sentimentos delicadosque até então desconhecia e difficilmente será capaz de derrubar uma arvore ou consentir que alguem o faça em sua presença!

A falta de amor e o abandono ás nossa bellezas naturaes é patente! Cito um exemplo mui recente:

Por uma destas lindas manhãs de ABRIL (era dia feriado) percorremos uma parte da estrada que liga o ALTO DA BOA VISTA ao SUMARÉ.

É uma das maravilhas da TIJUCA! A vegetação é abundante e variada e conta-se ás dezenas, arvores gigantescas cujas ramadas projectam sombras extensas sobre o caminho!

O sol imprimia uma luz de oiro sobre o verde esmeralda do arvoredo e fazia pensar que foi a NATUREZA quem inspirou os nossos antepassados sobre a escolha das cores para a nossa bandeira!

Caminhamos cerca de 6 kilometros ida e volta e gastamos cerca de 5 horas. Pois bem, nesse demorado percurso, cruzamos com 3 outros grupos de excursionistas, todos elles, compunham-se de estrangeiros!

Nem um brasileiro! nem um amador da photographia! Digo, encontramos um brasileiro, que empunhando uma vara que tinha um sacco de gaze preso a uma das extremidades, caçava as lindas borboletas azues de grandes azas que faziam o encanto daquellas paragens! aquelle rapaz de 20 annos presumives, de bella estaturaphysica, fazia-o como meio de vida! Contamos estendidas sobre um jornal, 20 daquellas borboletas, apanhadas em menos de uma hora! Pobrezinhas! a  NATUREZA limitou-lhes curtíssima existência, nem mesmo a essas deixam viver!

Creio ser o momento de ser transformada essa situação. A Photo-Revista vem preencher uma lacuna e acreditamos que uma campanha sustentada com perseverança por todos os seus collaboradores, daria bom resultado, no sentido de desenvolver o gosto dos brasileiros pela arte photographica: talvez conseguíssemos convence-los de trocar uma ou outra vez (às horas de ócio) os encantos do lar doméstico, pelos encantos naturaes, lembrando-lhes que em companhia de nossa família e em contacto com a floresta, também construímos lares provisorios sob a benção da mãe de tudo e de todos que é a NATUREZA!

(Photo Revista do Brasil, vol 1, maio de 1925, pg 14)

Além disso, a fotografia da capa era de sua autoria (O Brasil, 31 de maio de 1925, na sexta coluna, sob o título “Publicações”). E, na mesma edição da revista, foi publicada uma propaganda das fotografias estereoscópicas de Guilherme. O endereço, rua Buenos Aires, 93, é o mesmo do escritório dos cofres belgas Fichet, empresa que ele representava no Brasil. Posteriormente, o escritório foi transferido para a rua do Rosário, 146.

1937  Resumo do assalto ocorrido na Casa Luiz de Rezende, em 1898, com retratos dos sócios Luiz de Rezende e José Antonio dos Santos, pai de Guilherme (Noite Illustrada, 25 de maio de 1937).

1942 – Publicação da matéria “Rio desaparecido”, de Escragnolle Doria, sobre a importância dos arquivos fotográficos de Augusto Malta e Guilherme Santos (Revista da Semana, 30 de maio de 1942).

1945 – Publicação no Boletim de Belas Artes de outubro de um artigo sobre o desmonte do Morro do Castelo com entrevista de Guilherme Santos (Correio da Manhã, 8 de maio de 1952).

1950 – Publicação de matéria elogiando a coleção de fotografias de Guilherme Santos (Jornal do Brasil, 24 de março de 1950, na última coluna sob o título “Belas Artes). Publicação de uma reportagem de Walter Sampaio sobre o “Arquivo Guilherme dos Santos”. Na matéria, Santos revelou ter vontade de “expor em um museu o seu valioso arquivo histórico e estereoscópico nacional”. (A Noite Ilustrada, 1º de agosto de 1950).

1951  O Departamento de História e Documentação do Rio de Janeiro examinou a coleção fotográfica de Guilherme Santos (O Malho, setembro de 1951).

1952 – Faleceu sua esposa, Maria Mendonça dos Santos, em 26 de maio ( Correio da Manhã, 30 de maio de 1952, na primeira coluna). Na coluna “Pequenas Reportagens”, é lembrado um artigo do Boletim de Belas Artes de outubro de 1945, onde Guilherme Santos comentava seus registros fotográficos do desmonte do Morro do Castelo (Correio da Manhã, 8 de maio de 1952). Na mesma coluna, foi publicada uma matéria sobre Guilherme Santos ( Correio da Manhã, 20 de maio de 1952). Finalmente na coluna de 31 de maio de 1952, o assunto foi a coleção de fotografias de Santos.

 

 

1954 –  Às vésperas do Natal, a sede da G.A. Santos & CIA, localizada na Rua do Rosário, 146, sofreu um incêndio. A única coisa resgatada foi o acervo de fotografias de Guilherme que estava dentro de um cofre à prova de fogo. Foi devido a esse fato que Santos decidiu vender sua coleção de fotografias (Correio da Manhã, 24 de dezembro de 1954).

1956 – Na primeira página do Jornal do Brasil, foi publicada a matéria “O Rio de Janeiro através da estereoscopia”, assinada por Augusto Maurício, sobre a coleção de fotografias de Guilherme Santos ( Jornal do Brasil, 27 de maio de 1956).

1964 – A Coleção Guilherme Santos foi adquirida pelo Banco do Estado da Guanabara, em 28 de abril de 1964, para iniciar, juntamente com a coleção de fotografias de Augusto Malta (1864 – 1957), o acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. O contrato de compra e venda foi assinado pelo filho e procurador de Guilherme, Manoel Antônio dos Santos.

1965 – Inauguração do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 3 de setembro de 1965 (Diário de Notícias, 2 de setembro de 1965). A maior parte da obra de Santos, que inclui 17.812 mil negativos e 9.310 mil positivos (em vidro), além de 1.302 ampliações em papel feitas a partir dos negativos, está sob a guarda da instituição.

janeiro de 1966 – Guilherme Santos faleceu em 26 de janeiro, na casa de sua filha Francisca, na Ilha do Governador. Na época, ele morava na rua Cesário Alvim, 39. Anúncio da missa de sétimo dia de Guilherme Santos (Diário de Notícias, 30 de janeiro de 1966).

1984 – Fotografias do Rio Antigo de autoria de Guilherme Santos fizeram parte da exposição “19 anos do Museu da Imagem e do Som” (Última Hora, 27 de dezembro de 1984, na última coluna).

2013 – Um conjunto de cerca de 3000 imagens produzidas pelo fotógrafo foi adquirida pelo Instituto Moreira Salles, em 2013.

 

Links para artigos publicados na Brasiliana Fotográfica sobre o fotógrafo Guilherme Santos e sobre estereoscopia

 

O fotógrafo Guilherme Santos (1871 – 1966), publicada em de julho de 2016

A viagem dos reis da Bélgica ao Brasil sob as lentes de Guilherme Santos, publicada em 26 de setembro de 2016

A estereoscopia e o olhar da modernidade, de Maria Isabela Mendonça dos Santos, publicada em 29 de maio de 2019

 

**Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica.

 

As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

A Brasiliana Fotográfica homenageia o carnaval brasileiro, que é o maior e mais conhecido do mundo e também a festa mais popular do país, destacando uma cena da folia momesca em Maceió, em 1906. É uma fotografia do bloco carnavalesco Camélias Japonezas, agremiação que nasceu na rua General Hermes, na Cambona, antigo bairro da capital alagoana. O registro foi realizado por Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966), um dos pioneiros fotógrafos amadores de Alagoas, e mostra uma situação de carnaval de rua com pessoas – fantasiadas ou não – acompanhando o desfile, cuja figura central empunha o estandarte do bloco, onde, além do nome da agremiação, há a figura de uma gueisha. Vê-se também alguns membros da banda com instrumentos nas mãos. A fotografia pertence ao acervo do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

Foi justamente nas primeiras décadas do século XX que Lavenère, estimulado pelos fotógrafos amadores Joaquim da Silva Costa e F. Porto, se dedicou mais consistentemente à fotografia, tendo sido listado como fotógrafo no Almanak Laemmert de 1906 e 1907.  Foi, muito provavelmente, o primeiro repórter fotográfico de Alagoas. Imagens de sua autoria foram publicadas em revistas como Mundo Elegante de Paris, O Malho e Tico-Tico. Um álbum com imagens de Maceió de sua autoria, impresso e encadernado pela Livraria Fonseca, foi ofertado, em maio de 1906, em nome do jornal Evolucionista, do qual era diretor, ao político Afonso Pena (1847 – 1909), meses antes dele se tornar presidente da República, em novembro do mesmo ano. Foi premiado com uma medalha de ouro na Exposição Internacional de Turim, na Itália, em 1911, quando exibiu fotografias sobre madeira, sobre porcelana e quadros de gênero. Nesse mesmo ano foram editados 24 cartões-postais de Maceió, de sua autoria. Em um artigo elogioso em torno da obra literária de Lavenère, publicado em 1926,  foi mencionado que ele teria sido um fotógrafo emérito e responsável por um processo prático, original, rápido e barato de preparo de “clichês” (Diário de Pernambuco, 2 de dezembro de 1926, quarta coluna).

Personagem bastante atuante na vida social alagoana, Lavenère foi também jornalista, escritor, professor, político e musicólogo, além de ter sido um dos precursores do estudo do folclore de Alagoas. Participou da campanha abolicionista, trabalhou na Repartição Geral dos Telégrafos e durante a Primeira Guerra Mundial exerceu a função de Agente Consular da França. Foi também proprietário da Livraria Americana e de A Conquista, primeiro periódico ilustrado com a técnica da fotogravura, preparado totalmente em Maceió. Ocupou a cadeira número 36 da Academia Alagoana de Letras e é o patrono da cadeira 41 do Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas, do qual foi secretário entre 1934 e 1943. Publicou diversos livros, dentre eles Zéfinha: scenas da vida alagoana (1921) e Padre Cornélio: scenas da vida alagoana (1921), duas partes de uma mesma novela; Compêndio de Teoria Musical (1927) e Ad Memoriam (1948). Foi agente das revistas Fon-Fon e Selecta em Alagoas e representante da Casa dos Artistas em Maceió.

Nasceu em Maceió, Alagoas, em 17 de fevereiro de 1868, filho do jornalista e funcionário da Fazenda federal Stanislau Wanderley (1830 – 1899), provavemente o primeiro fotógrafo amador de Maceió; e de Amélia Lavenère Wanderley (1835  – 1905). O casal teve mais dois filhos: Rachel (1869 – 1952) e o futuro general Alberto Lavenère Wanderley (1870 – 1930), pai de Nelson Lavenère Wanderley (1909 – 1985), que foi ministro da Aeronáutica no governo Castelo Branco, em 1964, e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, entre 1966 e 1968. Luiz Lavenère foi casado com Maria Capitulina (18? – 1890) , com quem teve uma filha, Albertina (1889 – 1914). Depois casou-se com Túlia dos Reis (1877 – 1940) e o casal teve cinco filhos: Jessie (1894 – 19?), Edith (1896 – 1916), Olga (? – 19?), os gêmeos Carmen (1906 – 1910) e Túlio (1906 – 1932), e Yvonne (1915 – 1998) . Faleceu em Maceió, em 29 de outubro de 1966.

Foi lançado, em dezembro de 2018, o livro Olhares de Maceió por Luiz Lavenère, com 220 fotografias de Maceió, a maioria inédita e rara, organizado por Gian Carlos de Melo Silva e Wilma Maria Nóbrega Lima e editado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos em parceria com o Arquivo Público Alagoano. As fotografias foram separadas em grupos: Águas, Construções, Cotidiano e  e Lavenère. São registros de diversos aspectos de Maceió. Também está reproduzido no livro o artigo A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana, publicado na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, 1962.

 

Cronologia de Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

 

 

Acessando o link para as fotografias de Luiz Lavenère disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

1868 – Em Maceió, Alagoas, em 17 de fevereiro, nascimento de Luiz Lavenère Wanderley, filho do jornalista e funcionário da Fazenda federal Stanislau Wanderley (7 de maio de 1830 – 18 de março de 1899) e de Amélia Lavenère Wanderley (1835  – 1905). O casal teve mais dois filhos: Rachel (1869 – 1952) e o futuro general Alberto Lavenère Wanderley (1870 – 1930).

1876 – 1878 – Quando tinha entre 8 e 10 anos de idade, encontrou a câmara fotográfica e o material de laboratório pertencentes ao seu pai.

1881 – Em prol do movimento abolicionista, instalação da Sociedade Libertadora Alagoana, em 28 de setembro, no antigo Teatro Maceioense. Dela fizeram parte, entre outros:  Luiz Lavenère,  e seu pai, Stanislau Wanderley. Seu primeiro presidente foi Antônio de Almeida Monteiro.

1883 – Começou a lecionar (Gutenberg, 13 de julho de 1899, última coluna).

Foi o representante da Sociedade Recreio Scientífico na cerimônia fúnebre pelo 30 º dia do falecimento de Dias Cabral, no Instituto Arqueológico Alagoano (Gutemberg, 21 de agosto de 1883, primeira coluna).

Luiz Lavenère era o primeiro secretário do jornal literário Castro Alves (Castro Alves, 11 de novembro de 1883, última coluna).

1884 – Foi aprovado no Colégio Bom Jesus – Boletim de 10 de dezembro de 1884 (O Orbe, 16 de janeiro de 1885).

Contribuiu com o movimento abolicionista escrevendo no jornal Lincoln, dirigido pela Sociedade Libertadora Alagoana, cujos redatores eram, além dele, Francisco Domingues da Silva e Euzébio de Andrade.

1885 – Era um dos redatores do periódico quinzenal José de Alencar, lançado em 15 de maio de 1885 e propriedade do clube literário homônimo (José de Alencar, 15 de maio de 1885, segunda coluna).

1886 - Foi aprovado como sócio correspondente do Instituto dos Professores Primários de Alagoas (O Orbe, 19 de setembro de 1886, quarta coluna).

1887 - Embarcou para Pernambuco no vapor Pará (Gutemberg, 11 de maio de 1887, última coluna).

Ensinava francês, inglês e matemáticas elementares em sua casa, na rua da Boa Vista, nº 110, ou na casa dos alunos (Gutenberg, 12 de agosto de 1887, terceira coluna).

 

 

Foi publicado um artigo de Lavenère na revista pedagógica, científica, literária e noticiosa O Magistério, de 30 de outubro de 1887. Começava assim: O Brasil não progride: é arrastado pela avalanche universal da civilização.

Foi um dos oradores da sessão magna de aniversário da instalação do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Gutenberg, 3 de dezembro de 1887, primeira coluna).

Anunciou que no ano seguinte abriria um Curso Primário Misto ministrado por sua esposa, Maria Capitulina (18? – 1890) e avisou que continuaria dando aulas particulares (Gutenberg, 24 de dezembro de 1887).

 

 

1888 – Doou livros para a formação da biblioteca do Instituto dos Professores Primários de Alagoas (O Magistério, 15 de fevereiro de 1888, última coluna).

1889 - Nascimento da única filha do casal, Albertina, em 27 de julho (1889 – 1914).

1890 - Falecimento de sua esposa, Maria Capitulina.

Foi um dos representantes do Clube Federal Republicano em um encontro realizado na sede do Club Centro Popular Republicano. Em pauta a eleição do presidente do Partido Republicano de Maceió e a escolha dos candidatos do partido à Constituinte (Diário do Povo, 24 de fevereiro de 1890, segunda coluna).

Fora publicados os contos O mais infeliz dos três, O philosopho apaixonado e Secção de moral, de sua autoria (O Republicano (SE), 21 de novembro de 1890, 24 de novembro de 1890 e 19 de dezembro de 1890).

1891 – O conto Um typo de mulher, de autoria de Lavenère que foi publicado nos jornais Monitor Fidelense (RJ) e no Publicador Goyano (O Republicano (SE), 21 de janeiro de 1891, primeira coluna; e 12 de março de 1891, primeira coluna).

Publicação da fantasia A ermida dos mortos, também de sua autoria (O Republicano (SE), 9 de abril de 1891).

Foi trabalhar como telegrafista da estação do Recife (Jornal do Commercio, 4 de novembro de 1891, quarta coluna). Provavelmente foi nessa época professor no Colégio Spencer e do Instituto Ayres Gama.

1892 – Foi promovido a 3º telegrafista da estação do Recife (Cruzeiro do Norte, 14 de fevereiro de 1892, terceira coluna).

 

 

1894 – Foi noticiado no Almanak do Estados das Alagoas de 1894, que Lavenère era o encarregado da estação telegráfica de Piassabussu.

Em 23 de dezembro, nascimento da primeira filha de Lavenère com Túlia dos Reis (1877 – 1940), Jessie (1894 – 19?) (Gutenberg, 23 de dezembro de 1896, quinta coluna). O casal teve mais quatros filhos: Edith (1896 – 1916), Olga (? – 19?), os gêmeos Carmen (1906 – 1910) e Túlio (1906 – 1932), e Yvonne (1915 – 1998) .

1896 – Durante a realização de um jantar a bordo do navio alemão Helas, Lavenère, representando o jornal Gutenberg, fez um brinde em inglês (Gutenberg, 17 de janeiro de 1896, última coluna).

Lançou a revista quinzenal literária Paulo Affonso, em 6 de abril, com Goulart de Andrade e Hugo Jobim. A gazeta, impressa na Tipografia de Tertuliano de Menezes, só teve dois números publicados, provavelmente, por falta de recursos (Gutenberg, 8 de abril de 1896, última colunaJornal de Recife, 21 de abril de 1896, quarta colunaO Trabalho, 27 de junho de 1896, primeira coluna).

Foi o tradutor dos contos Qui pro quo, de William Rogers;  A Vingança, de Miss Lambie (Gutemberg, 8 de outubro de 1896, e 11 de outubro de 1896).

Participou da festa de aniversário e da homenagem prestada ao engenheiro chefe do distrito telegráfico em que trabalhava (Gutenberg, 29 de outubro de 1896, quinta coluna).

Escreveu o artigo Sete anos saudando a proclamação da República em 1889 (Gutenberg, 15 de novembro de 1896).

Foi eleito suplente do 2º secretário do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas, Manuel Laurindo Martins Junior. Também fazia parte da comissão de redatores e revisores da revista da instituições e da comissão realizadora de trabalhos históricos, geográficos, arqueológicos e estatísticos (Gutenberg, 28 de novembro de 1896, primeira coluna).

Era um dos fiscais de raia das corridas realizadas pelo Club Veloz (Gutenberg, 13 de dezembro de 1896, quarta coluna).

Foi eleito segundo secretário do Club Atlético Alagoano, do qual foi um dos fundadores (Gutenberg, 24 de dezembro de 1896, quarta coluna).

1897 – Fundação em 18 de janeiro do Club Atlético Alagoas “com a finalidade de promover o desenvolvimento muscular de seus associados, empregando para isso qualquer tipo de força e agilidade”. Sua sede era em Jaraguá, seu presidente era Carlos Leopoldo Ferreira; seu vice, Napoleão Goulart; seu 1o secretário, Luiz Lavenère Wanderley e 2o secretário, José A. Leão.

1899 – Falecimento de seu pai, Stanislau Wanderley (1830 – 1899), republicano, abolicionista e um dos fundadores da Associação Libertadora Alagoana (Gutenberg, 19 de março de 1899, primeira coluna).

Ensinava inglês e francês pelo método indutivo e anunciou também ensinar para crianças.

 

 

Escrevia para a seção Questões gramaticais (Gutenberg, 17 de junho de 1899, primeira coluna; 1º de julho de 1899, quarta coluna; 16 de julho de 1899, quarta coluna; 18 de julho de 1899, primeira coluna; 19 de julho de 1899, terceira coluna; 10 de agosto de 1899, segunda coluna; 22 de agosto de 1899, terceira coluna).

Mudou-se para a rua do Commercio, nº 19 (Gutenberg, 18 de junho de 1899, quinta coluna).

1901 – Lavenère foi promovido a telegrafista de 2ª classe na Repartição Geral dos Telégrafos (Jornal do Brasil, 1º de maio de 1901, sétima coluna).

1902 - Era um dos jurados do concurso de tradução para o português do soneto Ave Dea, de Victor Hugo, promovido pelo jornal Gutenberg (Diário do Maranhão, 26 de junho de 1902, primeira coluna).

Lançamento do jornal Evolucionista, em 1º de setembro de 1902, sob a direção de Lavenère. No início era semanal e publicado às segundas-feiras.

Uma série de artigos intitulados Contra o socialismo, foram publicados  por Lavanère, no Evolucionista ( no ano seguinte foram vendidos como um libreto). Causaram grande polêmica com o socialista João Ferro (1872 – 1902) que respondeu a eles com a publicação de 7 artigos intitulados O “Evolucionista” e o Socialismo, publicados no periódico O Trocista, entre setembro e outubro do mesmo ano.

Já vendia material fotográfico e foi o primeiro em Alagoas a fcomercializar regularmente esses produtos.

Era o diretor da Empresa do Almanak Alagoano das Senhoras, anuário editado por Manoel Gomes da Fonseca, proprietário das Oficinas Tipográficas da Livraria Fonseca ou Oficinas Fonseca; e diretor do jornal  Evolucionista, que passou a ser diário (Almanak Laemmert, 1903).

1904 – Foi publicado no Almanak de Mato Grosso de 1904 uma tabela de fases da Lua para Cuiabá calculada por Lavenère.

1905 – Entre esse ano e 1906, fotografou o folguedo Festa da Chegança.

 

 

Era redator- chefe do jornal Evolucionista. O outro redator era Arroxelas Galvão, e os colaboradores eram Paulino Santiago, Sebastião de Abreu, Aurélio Jatubá e de P. Julio de Albuquerque.

Foi convidado por Joaquim Goulart de Andrade para ser um dos fundadores de uma associação para promover a construção de um monumento em homenagem ao marechal Floriano Peixoto (Gutenberg, 28 de janeiro de 1905).

Era deputado em Alagoas e foi convidado para ser o 2º secretário da Câmara (Gutenberg, 14 de abril de 1905, segunda coluna; e 27 de abril de 1905, primeira coluna). Foi deputado até 1908.

Falecimento de Amélia, mãe de Lavenère (Evolucionista, 19 de abril de 1905, última coluna).

Foi eleito para integrar a comissão de Finanças do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas (Gutenberg, 19 de abril de 1905, quarta coluna).

Polêmica entre Lavanère e José Correia da Silva, revisor do jornal Gutenberg (Gutenberg, 17 de junho de 1905, última coluna; Gutenberg, 18 de junho de 1905, segunda coluna).

Polêmica entre os jornais Gutenberg e o Evolucionista (Gutenberg, 6 de julho de 1905, quarta coluna; Gutenberg, 7 de julho de 1905, primeira coluna).

Lavenère foi eleito sócio efetivo e secretário da Associação Comercial (Evolucionista, 20 de julho de 1905, quinta colunaGutenberg, 21 de julho de 1905, segunda coluna; e 23 de julho de 1905, quinta coluna).

No Teatro Polytheama, participou do espetáculo em benefício de A. Sierra (Gutenberg, 28 de julho de 1905, segunda coluna).

Segundo noticiado no jornal Gutenberg, o jornal Correio de Alagoas dirigiu-se a Lavenère com o calão baixo e afrontoso (Gutenberg, 15 de setembro de 1905, primeira coluna; e Evolucionista, 20 de setembro de 1906, quinta coluna).

Lavenère ficou doente durante o mês de setembro e não pode dar aulas de inglês no Liceu de Artes e Ofícios, onde era professor (Gutenberg, 19 de outubro de 1905, última coluna).

Foi aceito unanimemente para ser sócio efetivo da Sociedade de Agricultura Alagoana (Evolucionista, 5 de outubro de 1905, primeira coluna).

Participou de uma almoço no paquete Castro Alves, a convite de seu comandante e do fiscal da Empresa Freitas de Navegação. Fotografou o grupo (Evolucionista, 10 de novembro de 1905, última coluna).

Fotografou uma mulher que havia sido assassinada (Jornal Pequeno (PE), 14 de novembro de 1905, terceira coluna).

Foi noticiado que um retrato do poeta Aristheu de Andrade (1878 – 1905) e duas fotografias de Maceió, de autoria de Lavenère haviam sido publicadas na revista Mundo Elegante de Paris (Evolucionista, 18 de dezembro de 1905, terceira coluna).

1906 – Foi listado como fotógrafo no Almanak Laemmert de 1906 e seu endereço era rua do Commercio, 40. Em 1907, continuava no mesmo endereço (Almanak Laemmert, 1907).

 

fotogra

 

Foi referido como diretor do Evolucionista (Evolucionista, 1º de janeiro de 1906).

Em fevereiro, nascimento dos gêmeos Túlio e Carmem, filhos de Lavenère e Túlia (Evolucionista, 28 de fevereiro de 1906, quinta coluna).

Foi distribuída a herança de sua mãe entre ele e seus dois irmãos, Rachel (1869 – 1952) e Alberto (1870 – 1930), que residia em São Paulo (Evolucionista, 7 de março de 1906, terceira coluna).

Em Paris,  falecimento de seu cunhado, o comerciante Gustavo Augusto dos Santos, casado com sua irmã Rachel (1869 – 1952) – tinham 7 filhos (Gutenberg, 27 de maio de 1906, quarta coluna).

Recepcionou na Câmara dos Deputados o político Afonso Pena (1847 – 1909), que se tornaria presidente da República em novembro de 1906. Em nome da Associação Comercial visitou Afonso Pena e em nome do jornal Evolucionista lhe ofertou um álbum de fotografias de Maceió de sua autoria, impresso e encadernado pela Livraria Fonseca (Evolucionista,  30 de maio de 1906, quarta coluna; e 31 de maio de 1906, primeira coluna). Lavenère fotografou a recepção a Afonso Pena no Palácio dos Martírios, em 28 de maio.

 

 

Denunciou que um canalha qualquer havia assinado um soneto em seu nome na revista O Malho (O Malho, 7 de julho de 1906, primeira coluna; e Evolucionista, 18 de julho de 1906, terceira coluna).

Na edição de 17 de julho de 1906 do Evolucionista, seu nome constava no expediente com a atribuição de redator do jornal com Raymundo de Miranda. O jornal deixou de ser publicado em dezembro.

 

 

Foi um dos 30 candidatos a deputado de Alagoas pelo Partido Republicano e foi eleito (Gutenberg, 23 de outubro de 1906, última coluna; 27 de abril de 1907, primeira coluna).

1907 - A casa editora da Livraria Fonseca publicou pela primeira vez imagens de autoria de Lavenère como cartões-postais.

Foi constituída uma empresa, da qual Lavenère fazia parte, para fazer reaparecer o Diário das Alagoas (Jornal de Recife, 15 de janeiro de 1907, sexta coluna).

Participou do desfile carnavalesco do Club dos Antigos, organizado por profissionais da imprensa (Gutenberg, 10 de fevereiro de 1907, última coluna).

Aposentou como telegrafista de 2ª classe (Gutenberg, 7 de abril de 1907, última coluna).

Foi publicada na revista Tico-Tico uma fotografia de Edith (1896-1916). Será de autoria de seu pai, Luiz Lavenère? (Tico-Tico, 5 de junho de 1907).

 

 

Era redator do Diário de Alagoas (Gutenberg, 6 de junho de 1907, primeira coluna).

Mudou-se para rua Macena nº 42 (Gutenberg, 12 de setembro de 1907, terceira coluna).

Realização do casamento de sua filha Albertina (1889-1914) com Manoel Gomes Machado (Gutenberg, 27 de outubro de 1907, primeira coluna).

1908 –  Uma fotografia de autoria de Lavenère de sua filha Edith (1896-1916) foi descrita no jornal Gutenberg de 30 de outubro de 1908. Na notícia, foi mencionado que ele havia sido elogiado pelo diretor da revista parisiense Photo Magazine, Charles Mendel. A foto foi publicada no ano seguinte na revista Tico-Tico. Outras fotografias de sua autoria foram expostas no jornal Gutenberg durante o ano.

 

 

 

 

Enviou um cartão de Boas Festas e um de Ano Novo usando fotografias de sua autoria. No de Boas Festas retratou sua filha, que aparecia no meio dos quatros jornais de Alagoas. No de Ano Novo, disfarçou-se e fotografou-se para representar o Ano Velho.

 

 

 

1909 - Foi listado no Almanak Laemmert de 1909 como professor particular e também como intérprete juramentado.

Recebeu 100 votos no concurso do oficial ou praça mais garboso do Tiro Alagoano (Guternberg, 4 de março de 1909).

 

 

 

 

 

Foi publicada uma fotografia de Aurora Silva, primeira farmacêutica alagoana, de autoria de Lavenère (O Malho, 4 de dezembro de 1909).

 

 

1910 – Ainda era diretor do jornal Evolucionista (Almanak Laemmert, 1910).

Publicação de uma carta de sua autoria onde ele explicava o significado do termo boycottage (Gutenberg, 15 de janeiro de 1910, sexta coluna).

Passou a dar aulas de inglês no Instituto de Humanidades, dirigido por Anisio Jobim (Gutenberg, 20 de janeiro de 1910, quarta coluna).

Estava em exposição na loja Lauria, em Maceió, um quadro retratando Lavenère de autoria do pintor baiano Olavo Baptista (1879-1953) (Gutenberg, 5 de fevereiro de 1910, quinta coluna).

Foi publicada na revista O Malho uma fotografia de autoria de Laverène suas filhas Edith e Jessie com uma amiga. Elas desfilaram no Club das Japonezas fantasiadas de gueishas (O Malho, 30 de abril de 1910).

 

 

Participou do primeiro concerto que o Círculo Musical de Alagoas, associação de musicistas de Maceió, apresentou no Teatro Maceioense. O Círculo Musical, do qual se tornou associado, foi fundado em 14 de julho de 1910 sob a presidência do músico e juiz Manoel Lopes Ferreira Pinto (Gutenberg, 6 de setembro de 1910, última coluna).

1911 - Foi identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1911).

Foi editada uma série de 24 cartões-postais de autoria de Lavenère.

 

serie

Série de cartões-postais Phot. L. Lavenère. Jami Abib, Elysio de Oliveira Belchior, Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e Josebias Bandeira de Oliveira.

 

Foi premiado na Exposição Universal de 1911 em Turim, na Itália, na qual expôs trabalhos fotográficos executados em porcelana, madeira e papelão. Os diplomas de suas medalhas estão no Instituto Histórico de Alagoas (Leituras para todos, janeiro de 1912).

 

 

1912 – No mesmo ano em que o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) começou a fazer suas experiências com fotografias em cores utilizando as placas autocromos Lumière, Lavenère  introduziu a fotografia em cores em Alagoas com a imagem de um trecho da rua Barão de Anadia. Segundo o Jornal de Alagoas a respeito da chapa autocromo: “A fotografia das cores naturais, onde sobressai o efeito da luz do sol sobre o solo e o mar, com esse brilho misterioso que o pincel dos mais afamados pintores não pode ainda levar à tela, foi conseguido pelo hábil amador (L. Lavenère) em placas diretamente importadas da Europa. É um deslumbramento” (Jornal de Alagoas, 10 de setembro de 1912).

1913 – Continuava dirigindo o Almanach Alagoano das Senhoras e foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1913).

1914 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1914).

 

 

Em 25 de setembro, falecimento de sua filha Albertina, 25 anos (Diário de Pernambuco, 26 de setembro de 1914, quinta coluna).

1915 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1915).

Publicação do livro O bonde elétrico, de sua autoria.

1916 - Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1916).

Em 19 de maio, falecimento de sua filha Edith, com 20 anos (Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1916, segunda coluna).

Era o proprietário da Livraria Americana, em Jaraguá, bairro de Maceió (Diário do Povo(AL), 19 de setembro de 1916).

 

 

Era o agente das revistas Fon-Fon e Selecta em Alagoas (Diário do Povo (AL), 19 de novembro de 1916, terceira coluna).

1917 - Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1917).

Importou da Europa papel para impressão (Diário do Povo (AL), 31 de janeiro de 1917, segunda coluna; 1º de fevereiro, quarta coluna).

Foi nomeado encarregado da Agência Consular da França em Alagoas (Diário do Povo (AL), 18 de março de 1917, primeira coluna).

Era árbitro da Alfândega de Maceió por parte do comércio e da indústria (Diário do Povo (AL), 25 de março de 1917, terceira coluna).

1918 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas, mas desta vez também como proprietário da Livraria Americana e como litógrafo, zincógrafo e tipógrafo (Almanak Laemmert, 1918).

 

 

Pediu exoneração do cargo de gerente da Agência Consular da França em Alagoas (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1918, segunda coluna).

1919 - Foi identificado como guarda-livros e proprietário da Livraria Americana (Almanak Laemmert, 1919).

Foi um dos fundadores, em 1º de novembro, da Academia Alagoana de Letras.

1920 – Editada pela Livraria Machado uma série de cartões-postais de autoria de Lavenère.

Lançamento em 14 de março , de A Conquista, o primeiro periódico ilustrado com a técnica da fotogravura, preparado totalmente em Maceió.  Lavenère era seu proprietário.

Semanário publicado em Maceió de 14 de março a 25 de dezembro de 1920. O primeiro, em Alagoas, a ter clichê de zinco. Confeccionado pelo dono do periódico – L. L. Lavenère -, o clichê intitulado “O Paurílio”, reproduz a figura de Hipólito Paurílio, tendo sido publicado no segundo número, a 21/3/1920. Em 14/7/1920 publicou um número dedicado à França, inclusive com a música da Marselhesa. Lavenère nele usava o pseudônimo de Marie Pambrun” (ABC das Alagoas).

Ao longo dos anos 20 continuou a atuar como guarda-livros, intérprete juramentado e dono da Livraria Americana.

Denunciou que um homem chamado Guedes Alcoforado estava recebendo criminosamente dinheiro por conta da Livraria Machado (Diário de Pernambuco, 17 de fevereiro de 1920, segunda coluna).

Instalação, em 17 de julho, da Academia Alagoana de Letras, no salão nobre do Teatro Deodoro. Lavenère foi o primeiro ocupante da cadeira número 36.

1921 – Foi anunciado o lançamento de um novo livro de Lavenère, identificado como jornalista e fotógrafo premiado (Diário de Pernambuco, 12 de maio de 1921, primeira coluna).

 

 

O livro se chamava Zefinha (Diário de Pernambuco, 10 de agosto de 1921, primeira coluna). Os srs. Monteiro Lobato e C. propuseram a edição da continuação da obra, que se chamaria O Padre Cornélio (Diário de Pernambuco, 24 de setembro de 1921, terceira coluna).

 

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1922 - Publicou o livro Mostruário de gravuras de zinco.

1924 – Lançamento do livro Novo método de escrituração, de autoria de Lavenère, identificado como verdadeira competência em assuntos comerciais, editado pela Livraria Machado (Diário de Pernambuco, 11 de setembro de 1924, penúltima coluna).

1926 – Foi pela última vez listado como dono de uma livraria na rua da Alfândega, 115, no Almanak Laemmert de 1926.

Em um artigo elogioso em torno da obra literária de Lavenère foi mencionado que ele teria sido um fotógrafo emérito e responsável por um processo prático, original, rápido e barato de preparo de “clichês” (Diário de Pernambuco, 2 de dezembro de 1926, quarta coluna).

 

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Foi eleito um dois membros da comissão da revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1926, quarta coluna).

1927 - Lançamento de um Compêndio de Teoria Musical de autoria de Lavenère e publicado pela Livraria Machado de Alagoas (Diário de Pernambuco, 30 de julho de 1927, terceira coluna; e Diário de Pernambuco, 20 de agosto de 1927, penúltima coluna).

Lavenère escreveu vários artigos contra o aumento dos impostos (Gazeta de Notícias, 27 de dezembro de 1927, sexta coluna).

1929 – Lançou Musicologia, continuação do Compêndio de Teoria Musical (Diário de Pernambuco, 10 de julho de 1929, terceira coluna).

1930 – Continuou a ser identificado no Almanak Laemmert  de 1930 e de 1931 como guarda-livros e tradutor juramentado.

O livro Compêndio de Teoria Musical de autoria de Lavenère foi adotado no ensino primário de Alagoas por recomendação do Conselho de Ensino do estado (Revista de Ensino, 1930).

Falecimento de seu irmão Alberto, na época general de brigada, em 4 de outubro de 1930. Ele era desde 1929 comandante da 7ª Região Militar, em Recife. Com o assassinato de João Pessoa em fins de julho de 1930  o comando da 7ª RM foi transferido para o 22º Batalhão de Caçadores, na capital paraibana. Em 4 de outubro, revoltosos militares e civis que apoiavam a Revolução de 30 atacaram p 22º BC e controlaram, apo´s alguns combates, a situação. Houve troca de tiros e o general Alberto foi atingido. Foi operado mas faleceu à noite. Foi promovido post mortem a general de divisão no dia 15 de outubro de 1930. Alberto Lavenère Wanderley era pai de Nélson Lavenère Wanderley (1909 – 1985), que foi ministro da Aeronáutica em 1964 e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1966 a 1968.

1931 - Era 2º vice-presidente do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Almanak Laemmert, 1931).

Era um dos colaboradores de Novidade Semanário Illustrado, lançado em 11 abril de 1931. Publicou um artigo na seção de Música na oitava edição da revista (Novidade, 30 de maio de 1931).

Foi eleito membro da Academia Alagoana de Letras (Novidade, 18 de julho de 1931, primeira coluna).

1933 - No Teatro Deodoro, instalação em 6 de abril, da Liga Alagoana Pró-Pensamento Livre, sob a presidência de Lavenère (Jornal de Recife, 18 de abril de 1933, segunda coluna). Fundada em

1934 - Em 24 de fevereiro de 1934, a Liga Alagoana Pró-Pensamento Livre realizou um ato em comemoração ao aniversário da promulgação da constituição de 1891, sob a presidência de  Lavenère com a participação dos oradores Levy Pereira, Barbosa Júnior, Sebastião da Hora, Esdras Gueiros e Américo Mello, “que expressaram seus veementes protestos contra a intromissão da igreja católica na política nacional, tendente a coarctar a liberdade de pensamento no que concerne ao ensino religioso nas escolas”.

Foi entre esse ano e 1943 secretário do Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas (Diário de Pernambuco, 5 de agosto de 1934, quinta coluna).

Passou a lecionar Escrituração Mercantil na sede da Federação Alagoana para o Progresso Feminino (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1934, terceira coluna).

Seu livro Compêndio de Teoria Musical foi adotado pelo Instituto Português de Música de Lisboa (Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1934, terceira coluna).

 

1935 - Publicou o livro Nigumba, conto africano.

1936 – Foi o vereador mais votado de Maceió (Diário de Pernambuco, 29 de janeiro de 1936, terceira coluna).

Apresentou um projeto de lei criando um serviço de Assistência à Infância Desvalida (Diário de Notícias, 21 de agosto de 1936, terceira coluna).

1937 - Como vereador por Maceió aderiu à candidatura de Armando Salles (1887 – 1945) à presidência da República e foi eleito membro da União Democrática Brasileira (O Jornal, 16 de setembro de 1937, segunda coluna).

1938 - Foi nomeado representante da Casa dos Artistas em Maceió (Diário de Notícias, 24 de abril de 1938, terceira coluna).

Contribuiu financeiramente para a confecção do busto do presidente Getúlio Vargas na Casa dos Artistas (O Imparcial, 25 de junho de 1938, primeira coluna).

1939 - Mantinha uma seção diária na Gazeta de Alagoas (A Noite, 12 de junho de 1939, quinta coluna).

Publicação de uma poesia de Lavenère (Correio de Manhã, 15 de junho de 1939).

 

 

1941 - Na inauguração do Sindicato dos Jornalistas Profissionais em Maceió, foi eleito um dos membros da comissão fiscal (Diário de Notícias, 3 de janeiro de 1941, terceira coluna).

Foi o orador do encerramento da Semana da Siderurgia no Teatro Deodoro, em Maceió (Jornal do Brasil, 25 de maio de 1941, terceira coluna).

1942 – Escreveu contra as indecências de cantigas carnavalescas (A Ordem (RN), 13 de fevereiro de 1942, terceira coluna).

1944 - Instalação em 8 de março do Centro de Estudos Econômicos e Sociais de Alagoas, no auditório da Faculdade de Direito, por iniciativa do Rotary Clube de Maceió. Sua primeira diretoria: presidente, Diegues Júnior; vice-presidentes, Sebastião da Hora e Barreto Falcão; secretários, Ruy de Almeida, Aurélio Viana e Luiz Lavenère; tesoureiros, Ismael Brandão e Luiz Calheiros; diretor da Biblioteca, Afrânio Melo; e diretor de Publicidade, Carvalho Veras. Tinha por finalidade discutir a realidade alagoana e os problemas regionais, dentro de uma visão interdisciplinar: econômica, social, histórica, sociológica, antropológica, sem exclusão da visão política ou ideológica.

1945 – Foi candidato ao senado por Alagoas concorrendo pelo Partido Republicano Progressista mas foi o candidato menos votado: só obteve 194 votos (O Jornal, 20 de dezembro de 1945, última coluna).

1946 – Foi eleito para integrar a Comissão de História do Instituto Histórico de Alagoas (A Noite, 28 de abril de 1946, quinta coluna).

Publicou o livro Meu Waterloo na imprensa de Maceió.

1948 – Publicou o livro Ad memoriam.

1949 – Publicou, pela Livraria Machado, Conversas com o reverendo.

1950 – Era o diretor do Teatro Deodoro, em Maceió (Diário de Pernambuco, 26 de março de 1950, quinta coluna).

Foi eleito tesoureiro da Academia Alagoana de Letras (A Noite, 15 de dezembro de 1950, sexta coluna).

1962 – O Arquivo Público de Alagoas, criado em dezembro de 1961, adquiriu para sua Fototeca a coleção de negativos fotográficos de vidro de Luiz Lavenère, composta de cerca de 350 chapas, em vidro, na sua maioria de trechos desaparecidos da cidade de Maceió e seus arrabaldes no princípio do século XX. Na época era dirigido por Moacir Medeiros de Santana.

Publicação, na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, do artigo pioneiro sobre a história da fotografia na capital alagoana desde seus primórdios intitulado A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana.

1966 – Falecimento de Luiz Lavenère Wanderley, em 29 de outubro de 1966, em Maceió.

 

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1985 - Foi escolhido para ser o patrono da cadeira número 41 do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

2012 - Início dos trabalhos de conservação e reprodução da coleção de imagens de Lavenère adquiridas pelo Arquivo Público de Alagoas em 1961.

2018 -  Foi lançado, em dezembro de 2018, o livro Olhares de Maceió por Luiz Lavenère, com 220 fotografias de Maceió, a maioria inédita e rara, organizado por Gian Carlos de Melo Silva e Wilma Maria Nóbrega Lima e editado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos em parceria com o Arquivo Público Alagoano. As fotografias foram separadas em grupos: Águas, Construções, Cotidiano e Lavenère. São registros, dentre outros, do antigo farol, de atletas, avenidas, bairros, barcos, do carnaval de rua, de casas, cenas de teatro, engraxates, escolas, estação de trem, fábricas, festas, do folguedo Barca da Chegança, de hospital, hotéis, igrejas, inundações, da Livraria Fonseca ao lado do jornal Evolucionista, de lojas, do mercado público, de paisagens, pescadores, pessoas, praças, do prado, de praias, prédios governamentais, do primeiro avião em Maceió, de procissão, quartel, da recepção ao presidente da República Afonso Pena no Palácio dos Martírios, de ruas, do Teatro Deodoro e do Teatro Polytheama, além de imagens do próprio Lavenère. Também está reproduzido no livro o artigo A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana, publicado na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, 1962 (Agenda “a” (AL) , 28 de dezembro de 2020).

 

livro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes: 

Agência Alagoas

BARROS, Francisco Reinaldo Amorim de. ABC das Alagoas: dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico de AlagoasBrasília : Senado Federal, Secretaria Especial de Editoração e Publicação, 2005.

CAMPELLO, Maria de Fátima de Melo Barreto. A cidade de papel e a cidade de vidro: Maceió na Coleção de fotografias de Luiz Lavenère. In: ENANPARQ – arquitetura, cidade e projeto: uma construção coletiva. III, 2014, São Paulo, SP. Anais eletrônicos. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie; Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 2014.

CAMPELLO, Maria de Fátima de Melo Barreto; CABRAL, Renata Campello; DUARTE, Jaianne Fernandes; SILVA. Thaysa de Oliveira. Cartões-postais: entre as práticas visuais e a conservação do patrimônio urbano. Postcards: betweeen visual practices and the conservation of urban heritage. Urbana: Rev. Eletrônica Cent. Interdiscip. Estud. Cid. Campinas, SP v.9, n.3 [17] p.659-676 set./dez. 2017

DUARTE, Jaianne Fernandes. Quando se olha para o escuro: A Maceió de Luiz Lavenère Wanderley através de seus negativos de vidro. 2019. 196f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura: Dinâmica do Espaço Habitado). Faculdade de Arquitetura, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Alagoas, 2018.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas

LAVENÈRE, Luiz; SANT’ANA, Moacir Medeiros de (1962). A fotografia em Maceió (1858-1918). Revista do Arquivo Público de Alagoas, nº 1.

LIMA, Mariana. Luís Wanderley Lavenère. Universidade Federal de Alagoas, fevereiro de 2019.

MACIEL, Osvaldo Batista Acioly. Filhos do trabalho, apóstolos do socialismo: os tipógrafos e a construção de uma identidade de classe em Maceió (1895 – 1905)Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, 2004.

SANTOS, José Fabino Cassiano dos. HISTÓRIA E CONSTRUÇÃO LITERÁRIA NAS NOVELAS ZÉFINHA (1921) E PADRE CORNÉLIO (1921) DE LUIS LAVENÈRE .  Trabalho apresentado na 70ª Reunião Anual da SBPC – 22 a 28 de julho de 2018 – UFAL – Maceió.

SILVA, Gian Carlos de Melo; LIMA, Wilma Maria Nóbrega (organizadores). Olhares de Maceió por Luiz Lavenère. Maceió : Imprensa Oficial Ramos, 2018.

Site Geni

Site O ABC das Alagoas

 

 

Links para artigos sobre carnaval já publicados na Brasiliana Fotográfica

Imagem relacionada

O carnaval nas primeiras décadas do século XX, publicado em 5 de fevereiro de 2016

 

O carnaval do Cordão da Bola Preta, publicado em 9 de fevereiro de 2018

 

Cenas da folia em Manaus em 1913, publicado em 28 de fevereiro de 2020

 

Acessando o link para as fotografias de Carnaval disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro

A Brasiliana Fotográfica publica seu último artigo de 2019. É sobre o fotógrafo aviador Jorge Kfuri que nasceu em 3 de setembro de 1893, na Síria, e naturalizou-se brasileiro, em 19 de março de 1921 (O Paiz, 5 de maio de 1921, na terceira colunaRelatório da Marinha de 1922 e Relatório do Ministério da Justiça de 1922). Foi o autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, produzidas em 1916, quando voou com o piloto naval Virginius de Lamare, futuro major-brigadeiro, no C-1, uma das três aeronaves Curtiss Flying Boats encomendadas pelo então ministro da Marinha, o almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), que chegaram ao Brasil em 9 de julho de 1916 (A Noite, 24 de outubro de 1953, na quarta coluna). O acervo da Brasiliana Fotográfica possui 106 fotografias produzidas por Kfuri, sendo a maioria da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras do portal.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Jorge Kfuri disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Há registros de diversos bairros do Rio de Janeiro, como Botafogo, Centro, Lapa, Leblon e São Cristóvão; de prédios famosos como o Hotel Glória e a Central do Brasil; de ícones da paisagem carioca como o Corcovado, o Pão de Açúcar e a Lagoa Rodrigo de Freitas; do Zeppelin voando sobre a cidade; das ilhas Fiscal, Paquetá e Brocoiós; de navios iluminados na ocasião do Centenário da Independência do Brasil e da visita dos aviadores Sacadura Cabral e Gago Coutinho, ambos em 1922; e também de outras cidades como Florianópolis, Niterói, Petrópolis, São Paulo, São Vicente e Santos, dentre várias outras fotografias.

 

Breve cronologia do piloto e fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965)

 

1893 – Nascimento de Jorge Kfuri, na Síria, em 3 de setembro.

1916 –  Kfuri já trabalhava como fotógrafo do jornal A Noite, quando passou mal, com sintomas de intoxicação, após tomar um chocolate em um café do Largo da Carioca. Foi noticiado que esses casos de envenenamento aconteciam porque os donos dos estabelecimentos usavam vasilhames de cobre, o que era proibido pela Saúde Pública e, para isso, contavam com a desonestidade dos fiscais (A Noite, 2 de abril de 1916, na última coluna).

Um falso advogado foi preso e no caminho para a delegacia tentou agredir Kfuri (A Razão, 12 de junho de 1917, na terceira coluna).

Kfuri foi o autor das até hoje conhecidas primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, em 1916, quando voou com o piloto naval Virginius de Lamare, futuro major-brigadeiro, no C-1, uma das três aeronaves Curtiss Flying Boats. Foram encomendadas pelo então ministro da Marinha, almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), e chegaram ao Brasil em 9 de julho de 1916 (A Noite, 24 de outubro de 1953, na quarta coluna).

 

 

 

1918 – Kfuri presenteou a Associação Brasileira de Imprensa com uma fotografia produzida por ele do sr.presidente da República em companhia dos ministros do Estado num dos maiores momentos históricos da vida nacional – assinando a declaração de guerra do Brasil à Alemanha (O Imparcial, 8 de outubro de 1918, na última coluna). O presidente era Wenceslau Braz (1868 – 1966) e a assinatura aconteceu em 26 de outubro de 1917.

1919 –  Fez parte do time de futebol de fotógrafos que jogou na festa do Audax Club (O Paiz, 16 de janeiro de 1919, na primeira coluna) e, ainda trabalhando no jornal A Noite, foi arrolado como testemunha de irregularidades praticadas em uma casa de saúde ( Jornal, 7 de outubro de 1919, na penúltima coluna). Participou da cobertura jornalística da prisão de um criminoso envolvido no tráfico de cocaína (A Noite, 23 de outubro de 1919, na terceira coluna).

1920 – Trabalhando como fotógrafo do jornal A Noite, Kfuri sofreu queimaduras de primeiro grau no dorso da mão direita pela explosão de magnésio quando se preparava para tirar uma chapa no edifício do Senado Federal. Na época, ele residia na rua Senador Dantas, nº 14, e foi identificado como sírio com a idade de 27 anos (O Jornal, 4 de maio de 1920, na última coluna).

Kfuri foi aceito como associado na Associação Brasileira de Imprensa (Jornal do Brasil, 23 de junho de 1920, na penúltima coluna).

1921 – O sírio Kfuri naturalizou-se brasileiro, em 19 de março (O Paiz, 5 de maio de 1921, na terceira coluna e Relatórios do Ministério da Justiça de 1922).

Kfuri foi contratado como encarregado técnico do serviço de fotografia aérea da Aviação Naval (O Paiz, 21 de dezembro de 1921, na primeira coluna, e Relatório do Ministério da Marinha de 1922).

 

Sofreu um pequeno acidente aéreo com o piloto Epaminondas Santos, no aeromarino 40 (O Paiz, 28 de dezembro de 1921, na quarta coluna).

1922 – Publicação de fotos de autoria de Kfuri da Ilha das Cobras e do Cemitério do Caju (Fon-Fon, 4 de fevereiro de 1922).

Kfuri estava no avião Avro nº 2, pilotado pelo tenente Luiz Leal Netto dos Reis, que sobrevoou a casa de Santos Dumont (1873 – 1932), em Petrópolis, onde deixaram cair um para-quedas com uma mensagem de saudações a ele, que a recolheu (O Paiz, 16 de março de 1922, na terceira coluna).

 

 

 

1923 –  Para servir como encarregado técnico do serviço de fotografia aérea da Aviação Naval, o Ministério da Marinha contratou o sr. Jorge Kfuri, servindo também como operador cinematográfico em qualquer dos departamentos da Marinha para que seja requisitado (Jornal do Commercio, 14 de maio de 1923, na segunda coluna).

O ministro da enviou ao presidente do Tribunal de Contas uma cópia do contrato celebrado com Jorge Kfuri para servir como fotógrafo da Marinha (Última Hora, 15 de junho de 1923, na terceira coluna e O Paiz, 16 de junho de 1923, na última coluna).

Kfuri integrou como segundo tenente honorário da Marinha a esquadrilha de quatro hidroaviões que foi para a Bahia, sob o comando do capitão de mar e guerra e futuro ministro da Marinha Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938) (Gazeta de Notícias, 26 de junho de 1923, na quinta coluna e A Rua, 2 de julho de 1923, na penúltima coluna). A esquadrilha voltou para o Rio de Janeiro e foi muito homenageada (O Paiz, 9 de agosto de 1923). Kfuri foi um dos convidados para o banquete oferecido no Palace Hotel pelo Aero Club Brasileiro a Protógenes e a seus comandados no raid de aviação entre Rio e Aracaju (O Imparcial, 30 de agosto de 1923, na segunda coluna).

Foi um dos tripulantes dos três hidroaviões que regressaram de Santos para o Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 12 de setembro de 1923, na quarta coluna).

1926 – Fez parte da tripulação de um dos aviões que recepcionou a chegada, no Rio de Janeiro, do avião Plus Ultra, que havia partido da Europa, pilotado por Ramon Franco (1896 – 1938), um dos pioneiros da aviação espanhola (A Manhã, 3 de fevereiro de 1926 e Jornal do Brasil, 10 de fevereiro de 1926, na terceira coluna).

Participou do segundo voo do avião 322 no serviço postal (O Paiz, 4 de abril de 1926, na sexta coluna).

Houve uma tentativa de assalto na casa de Kfuri na rua Taylor, nº 80 (Gazeta de Notícias, 21 de abril de 1926, na quarta coluna).

Kfuri fez parte da tripulação dos aviões que receberam o hidroavião Buenos Aires, pilotado pelos aviadores argentinos Duggan e Olivero (O Paiz, 19 e 20 de julho de 1926).

Integrava a equipe da esquadrilha da Marinha de Guerra, de três aviões, que partiu para pela primeira vez voar entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Estava no avião, pilotado pelo capitão-tenente Luiz Leal Netto dos Reis, que sofreu uma pane e caiu nos arredores de Petrópolis (O Brasil, 4 de agosto de 1926, O Paiz, 4 de agosto de 1926, na sexta coluna e O Jornal, 4 de agosto de 1926).

 

 

1927 –  Sua participação na documentação fotográfica das pesquisas sobre os explosivos super-rupturita foi elogiada em um ofício encaminhado pelo diretor da comissão dos estudos desse tipo de explosivo ao diretor-geral da Aeronáutica (O Brasil, 11 de novembro de 1927, na última coluna).

1928 – Jorge Kfuri foi elogiado por seu trabalho à disposição do comando da esquadra no segundo período dos exercícios gerais, em dezembro de 1927, e que satisfazendo os desejos do referido comando, conseguiu organizar para o Diretório da Aeronáutica da Armada, valioso documento cinematográfico demonstrativo das fainas e exercícios naquela ocasião (O Paiz, 10 de agosto de 1928, na quinta coluna).

Kfuri foi um dos oficiais escalados para velar o corpo do aviador italiano Carlo del Prete (1897 – 1928), na Embaixada da Itália, no Rio de Janeiro. O italiano havia sofrido um acidente na Ponta do Galeão (Jornal do Commercio, 17 de agosto de 1928, na segunda coluna).

Na Escola de Grumetes de Angra dos Reis, Kfuri foi um dos três oficiais feridos com a explosão de uma bomba que deveria ser utilizada pelos aviadores navais durante os exercícios da Armada. Dois oficiais morreram (A Noite, 27 de novembro de 1928O Estado, 28 de novembro de 1928 e Careta, 1º de dezembro de 1928).

 

 

1929 - Foi ferido em um acidente no avião MF 4, pilotado por Raul Bandeira (Diário Nacional, 12 de junho de 1929, na última colunaJornal do Brasil, 12 de junho de 1929 e O Paiz, 13 de junho de 1929, na segunda coluna).

No Almanak Laemmert de 1929 e de 1931, Jorge Kfuri foi listado como o encarregado do serviço fotográfico da Escola de Aviação Naval.

1931 – Falecimento da mãe de Kfuri, dona Amélia Kfuri, no Rio de Janeiro (Diário da Noite, 16 de março de 1931, na primeira coluna).

A família de Kfuri mandou rezar uma missa em Ação de Graças por seu restabelecimento após o acidente de 1929 (Diáro da Noite, 11 de junho de 1931, na segunda coluna).

1932 – O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), elogiou a conduta de Kfuri no navio Belmonte, como auxiliar do aviador João Correia Dias Costa (Correio da Manhã, 21 de fevereiro de 1932, na terceira coluna).

Por decreto do Ministério da Marinha, Kfuri foi efetivado no lugar de encarregado técnico dos serviços fotográficos dos Centros e Escola de Aviação Naval com as honras e vantagens do posto de 1° tenente da Armada (Correio da Manhã, 14 de maio de 1932, na sétima coluna).

1933 – A reportagem Aspectos de Belém foi ilustrada com fotografias produzidas por Jorge Kfuri (A Noite Ilustrada, 19 de julho de 1933)

Kfuri foi um dos oficiais integrantes da 4ª Divisão de Esclarecimento e Bombardeio Aéreo que atuou no Alto Solimões na vigilância da neutralidade do Brasil no conflito entre a Colômbia e o Peru. A divisão foi comandada pelo capitão de corveta aviador Álvaro de Araújo (Jornal da Noite, 28 de junho de 1933, na terceira coluna, e Correio da Manhã, 21 de junho de 1933, na terceira coluna).

Entrevista com Kfuri sobre suas impressões da região do Alto Solimões nos 45 dias que passou lá (Jornal da Noite, 3 de julho de 1933).

Kfuri produziu a primeira fotografia aérea de Belo Horizonte, durante uma viagem do ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), a Minas Gerais. Kfuri voou em um avião Fairey pilotado pelo capitão de corveta Álvaro de Araújo (Diário da Noite, 19 de julho de 1933, na quinta coluna).

 

 

Kfuri ficou ferido em um acidente aéreo perto de Petrópolis, quando voava em um avião da Marinha em exercício no território fluminense, pilotado pelo capitão de corveta Álvaro Araújo. O terceiro tripulante era o aviador civil Raphael Chrisóstomo de Oliveira. Esses dois últimos sofreram pequenas escoriações. A aeronave, Fairey 55, ficou inutilizada. Kfuri foi referido comoum dos nossos aviadores navais mais arrojados…Fotógrafo, talvez, o mais hábil da nossa aviação naval… (Pequeno Jornal, 3 de outubro de 1933, na quarta colunaJornal da Noite, 3 de outubro de 1933, e Jornal do Brasil, 4 de outubro de 1933). Segundo a matéria do Jornal da Noite, foi a sétima vez que Kfuri estava em uma avião que caiu (Jornal da Noite, 3 de outubro de 1933, na penúltima coluna).

1934 – Foi um dos filhos de libaneses homenageados pela Missão Libanesa Maronita do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 30 de janeiro de 1934).

Kfuri iria integrar como responsável pelo serviço aerofotográfico o grupo da Marinha que faria o levantamento aerotopográfico do litoral nortista (Jornal da Noite, 27 de abril de 1934, na sétima coluna).

1935 – O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), solicitou ao consultor geral da República a extensão do abono salarial a três oficiais honorários da Armada brasileira e Kfuri era um deles (Jornal do Brasil, 2 de outubro de 1935, na segunda coluna).

1936 – Terrenos da aviação naval no campo de São Bento, na Ilha do Governador, estavam ameaçados de despejo pela Companhia Indústria e Comércio. Kfuri era um dos oficiais da Armada que possuía um dos lotes (O Imparcial27 de junho de 1936 e 28 de junho de 1936, na última coluna).

1939 – Participou de um cruzeiro aéreo entre o Rio de Janeiro e São Paulo (Correio Paulistano, 18 de julho de 1939, na última coluna).

1941 – Kfuri estava presente na posse do coronel Dias Costa como presidente do Aeroclube do Brasil (Jornal do Brasil, 1º de agosto de 1941, na quinta coluna).

1942 – O ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho (1888 – 1950), tornou sem efeito a transferência e nomeação de Jorge Kfuri para monitor de fotografia aérea da Escola de Especialistas da Aeronáutica (Diário de Notícias, 23 de maio de 1942, na segunda coluna, e A Manhã, 7 de julho de 1942, na quarta coluna).

1954 – Kfuri servia no gabinete do ministro da Aeronáutica (Correio da Manhã, 1º de setembro de 1954, na sétima coluna).

1956 – Em uma coluna sobre reportagens antigas do jornal A Noite,  o jornalista Bento Malafaia relatou que o fotógrafo Kfuri havia participado de uma reportagem onde ele se fez passar como secretário de um suposto faquir, na verdade, o redator Eustachio Alves. O “consultório” fez muito sucesso na cidade. Depois de revelada a verdade, foram tomadas medidas contra a exploração de faquires e cartomantes abrandando a crendice popular (A Noite, 24 de julho de 1956, na penúltima coluna).

 

 

 

1957 – Em cerimônia realizada na praça Salgado Filho, com a presença do presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), e de Thomas White, Chefe do Estado Maior da Força Aérea dos Estados Unidos, Kfuri foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito Aeronáutico. Foi publicada uma fotografia de Kfuri sendo condecorado (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1957 e Jornal do Brasil, 24 de outubro de 1957, na primeira coluna).

1959 – O presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), assinou um decreto suprimindo o cargo de chefe do Serviço Fotográfico da Aeronáutica, vago em virtude da aposentadoria de Jorge Kfuri (Jornal do Dia, 15 de setembro de 1959, na quarta coluna).

1965 – Falecimento de Jorge Kfuri, em 21 de janeiro, no Hospital Central da Aeronáutica. Sua esposa, Hilda Carelli Kfuri, publicou um anúncio do enterro, realizado no cemitério São João Batista (Correio da Manhã, 22 de janeiro de 1965, na primeira coluna).

1999 – No Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro, foi realizada entre dezembro de 1999 e abril de 2000 a exposição Imagens da Aviação Naval com fotografias pertencentes ao acervo do Serviço de Documentação da Marinha, que fazem parte de um álbum de 555 imagens produzidas por Kfuri com registros da aviação naval desde seu início, de vistas aéreas do Rio de Janeiro e de acontecimentos importantes na cidade.

 

 

 

 

Colaborou para esta pesquisa a bibliotecária Marcia Prestes Taft, Encarregada da Divisão de Documentos Especiais da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira. Milan Alram. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2015.

Arquivo Nacional

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Site da Biblioteca da Presidência da República

Site da Câmara dos Deputados

Site da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal

Site da Presidência da República – Casa Civil

Site do CPDOC

Site do Senado Federal

Site do Superior Tribunal Militar

Novos acervos: Fundação Joaquim Nabuco

A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores seu décimo parceiro, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Quem faz a apresentação é  Albertina Malta,  historiadora da instituição e responsável pela Coordenação de Documentação e Pesquisa, vinculada ao Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade – Cehibra. Nesse primeiro momento, estão sendo disponibilizadas imagens de autoria do fotógrafo Manoel Tondella (1861 – 1921) com a publicação do artigo O fotógrafo pernambucano Manoel Tondella: breve perfil e cronologia, escrito por Andrea Wanderley, editora e pesquisadora do portal. Com mais essa importante adesão, a Brasiliana Fotográfica segue cumprindo um de seus objetivos, o de abordar todos os usos e funções da fotografia brasileira, expandindo seu acervo e possibilitando a seus leitores o acesso a um número cada vez maior de imagens.  Seus outros parceiros são o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, o Museu Histórico Nacional e o Museu da República, além do Instituto Moreira Salles e da Fundação Biblioteca Nacional, criadores da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Novos acervos: Fundação Joaquim Nabuco

Albertina Malta*

A Fundação Joaquim Nabuco passa a integrar, com alegria, o projeto Brasiliana Fotográfica desenvolvido pelo Instituto Moreira Sales e pela Fundação Biblioteca Nacional. Essa parceria possibilita a ampliação dos canais de divulgação de acervos fotográficos brasileiros que contém informações preciosas para a recuperação visual do passado, além de revelarem a produção de artistas muitas vezes desconhecidos.

A Fundação Joaquim Nabuco apresenta, inicialmente, um conjunto de imagens originais de reconhecido valor documental, em bom estado de conservação, de autoria do fotógrafo Manoel Tondella. Trata-se de vistas do Recife produzidas entre 1890 e 1905, em papel fotográfico num tom violeta. Oferecido à Fundação, o conjunto foi adquirido em 1985. Segundo o historiador Fernando Ponce de Leon, então coordenador da Fototeca e responsável pelo processo de aquisição das imagens de Tondella, as vistas “são valiosas por representar intensamente e com boa qualidade os bairros centrais do Recife (o do Recife, o de Santo Antônio, o de São José, o da Boa Vista), além dos arrabaldes e subúrbios quase rurais da cidade… as imagens registram o Recife intacto, antes das demolições e obras de reurbanizações”.

Foi também neste momento da aquisição que dois renomados especialistas – Gilberto Ferrez e Boriz Kossoy – consultados por Ponce de Leon, avaliaram a pertinência da Fundação em adquirir a coleção de Manoel Tondella, especialmente por se tratar de conjunto documental original. E, por serem vistas antigas da cidade, tornavam-se ainda mais raras, paisagens com riscos de se perderem para sempre.

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Manoel Tondella disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

*Albertina Malta é historiadora e responsável pela Coordenação de Documentação e Pesquisa, vinculada ao Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade – Cehibra.

 

O fotógrafo pernambucano Manoel Tondella: breve perfil e cronologia

Andrea C. T. Wanderley**

 

 

Breve perfil

 

Manoel Tondella é um dos mais importantes fotógrafos de Pernambuco da segunda metade dos século XIX, período a partir do qual Recife tornou-se referência histórica para a fotografia no Brasil. Nascido em 3 de outubro de 1861, de ascendência portuguesa, Tondella dedicou-se à fotografia da paisagem urbana, documentando em imagens as transformações da cidade, entre os anos 1890 e as duas primeiras décadas do século XX. Foi contemporâneo dos fotógrafos Alfredo Ducasble (18? – 19?)Francisco du Bocage (1860 – 1919), Hermina de Carvalho Menna da Costa (18? – 19?) , considerada a primeira mulher fotógrafa do Recife, Louis Piereck (18? – 1931) e Ludgero Jardim da Costa (18? – 19?) , dentre outros.

Tondella registrou, predominantemente no Recife e em Olinda, as ruas, a estação de trem, os prédios, o Mercado Público de São José, os casebres, as pontes, as igrejas, os ancoradouros, o teatro Santa Isabel, as praças, a Assembleia Legislativa, o Ginásio Pernambucano, as praias, cemitérios, locomotivas, engenhos, quiosques, feiras, estradas, os bairros centrais e também os subúrbios, com suas casas de taipa, além de vendedores, de pessoas se banhando no rio Beberibe e até um grupo de ciclistas à beira de um açude. São imagens muito ricas em detalhes que se destacam pela beleza, pela qualidade técnica e nos ajudam a entender a vida em Pernambuco no início do século XX. Alguns registros foram inspirados nas antigas litografias que desenhavam o perfil do litoral do Recife, da tradição holandesa ou portuguesa. Muitas imagens foram editadas em cartões-postais.

 

 

Não se sabe, até o momento, quando exatamente Tondella começou a trabalhar como fotógrafo, mas tudo indica não ter sido antes da década de 1890. Em 1895, presenteou o Jornal do Recife com duas fotografias de sua autoria e, nessa época, seu estabelecimento fotográfico ficava na rua da Concórdia, nº 13. Em 1897, já era associado a João José de Oliveira (18? – 19?) no ateliê fotográfico Photographia Popular Oliveira & Tondella, e, em 1889, o estabelecimento ficava, na rua da Imperatriz, 79. Ficaram juntos até 1904 quando a sociedade foi desfeita e Tondella abriu um ateliê na então rua Velha, posteriormente, rua Antônio Carneiro. Oliveira continuou no mesmo endereço. Tondella seguiu trabalhando como fotógrafo até, pelo menos, 1919, tendo falecido em 1921.

 

 

Filho de Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, provavelmente português, e de Marcionilla Francisca Soares, o fotógrafo Tondella teve três irmãos: Francisco (18? – 1913), Antônio (18? – 1898) e Maria  (c. 1860 – 1905). Francisco foi proprietário da tipografia Acadêmica e do periódico mensal O Filatelista. Na ocasião do falecimento de uma tia dos Tondella, em 1902, a família foi adjetivada como ilustre e Francisco e Manoel Tondella referidos como seus dignos sobrinhos. Manoel Tondella casou-se com Anna Amelia Celestina Ramos (18? – 19?), em 1892, e não tiveram filhos.

 

 

 Cronologia

 

1854 – O pai do do fotógrafo Tondella, Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, provavelmente português, e José Barros Veiga dissolveram amigavelmente a sociedade comercial que possuíam denominada Veiga & Tondella (Diário de Pernambuco, 26 de setembro de 1854, última coluna).

1855 – O Gabinete Português de Leitura decidiu promover uma subscrição em favor da construção de um hospital para atender os portugueses indigentes que não pudessem receber tratamento adequado contra a epidemia que se alastrava por algumas províncias do Brasil e que eles acreditavam que chegaria no Recife. No Bairro do Recife, Manoel Pereira de Figueiredo Tondella era o encarregado pelas subscrições (Diário de Pernambuco, 25 de agosto de 1855, primeira coluna). Fez parte da comissão responsável pela instalação do Hospital Português em Pernambuco para o qual contribuiu com 50 mil reis (Diário de Pernambuco,  7 de setembro de 1855, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 15 de novembro de 1855, penúltima coluna).

1861 / 1862 – O fotógrafo Manoel Tondella, nasceu em 3 de outubro de 1861, filho de Manoel Pereira de Figueiredo Tondella e Marcionilla Francisca Soares, e foi batizado em 1º de janeiro do ano seguinte, na freguesia de Boa Vista, no Recife. A família morava no bairro Capunga, no Recife (Diário de Pernambuco, 3 de outubro de 1862, segunda colunaDiário de Pernambuco, 17 de abril de 1862, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 22 de julho de 1899, segunda coluna).

1863 – José Carneiro de Faria Lins informava ter feitos as pazes com Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, a quem teria ofendido em momentos de delírio (Diário de Pernambuco, 22 de abril de 1863, última coluna).

1881 – O irmão de Manoel, Francisco Tondella (18? – 1913), era proprietário da tipografia Acadêmica (Diário de Pernambuco, 12 de abril de 1881, penúltima coluna).

1884 – Casamento de seu irmão Francisco com Francisca Olympia Rodrigues (? – 1891) (Jornal do Recife, 22 de setembro de 1884, última coluna).

1885 - Francisco era sócio da Biblioteca do Club Dramático Familiar (Jornal do Recife, 19 de março de 1885, quinta coluna).

Anúncio do casamento do irmão de Manoel, Antônio Pereira de Figueiredo Tondella com Francelina Maria de França Caldas (Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1895, última coluna).

1886 - Falecimento de uma das avós de Manoel Tondella, Maria Monteiro da Silva, cuja missa de sétimo dia foi celebrada na matriz de Santo Antônio do dia 8 de novembro de 1886 (Jornal do Recife, 5 de novembro de 1886, última coluna). Manoel era irmão de Francisco (18? – 1913), Antônio (18? – 1898) e Maria Tondella (c. 1860 – 1905), que também convidavam para a missa, além da mulher de Francisco, Francisca Olympia Rodrigues (? – 1891) e da tia dos Tondellas, Antônia Monteiro da Silva (1826 – 1902), filha da falecida.

1890 - Era um dos subscritores para os festejos do aniversário de Deodoro da Fonseca contribuindo com 5 mil réis (Jornal do Recife, 7 de agosto de 1890, quarta coluna).

Publicação do primeiro número do periódico mensal O Filatelista, de propriedade de Francisco Tondella, seu irmão, direcionado para os colecionadores de selos  (Jornal do Recife, 17 de outubro de 1890, penúltima coluna)

1891 Falecimento de sua cunhada, Francisca Olympia Rodrigues Tondella, casada com seu irmão Francisco (Jornal do Recife, 10 de abril de 1891, última coluna).

1892 Anúncio de seu casamento com Anna Amelia Celestina Ramos (18? – 19?) (Jornal do Recife, 9 de fevereiro de 1892, última coluna).

Anna Amelia Tondella foi eleita juíza da Sociedade Beneficente Nossa Senhora do Carmo no período de 1892 a 1893 (Jornal do Recife, 20 de julho de 1892, primeira coluna).

1894 – Anunciou com sua mulher e outros parentes a missa pelo 1º ano de falecimento de Lesbina Celestina Ramos (? – 1893), mulher de seu compadre Caetano Ferreira Ramos (? – 1919) e irmã de sua esposa, Anna Amelia (Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1894, segunda coluna).

1895 – Presenteou o Jornal do Recife com duas fotografias de sua autoria: uma da estação da Estrada de Ferro Central de Pernambuco e outra da rua Larga do Rosário por ocasião da procissão das Chagas. “Um correto trabalho que muito recomenda o seu autor” (Jornal do Recife, 28 de maio de 1895, quinta coluna). Nessa época, provavelmente seu estabelecimento fotográfico ficava na rua da Concórdia, nº 13.

Seu irmão Antônio casou-se com Francelina Maria de França Caldas (Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1895, última coluna).

1897 - Manoel Tondella enviou ao Diário de Pernambuco 2 exemplares de lindíssimas fotografias em ponto pequeno. É no gênero um trabalho de grande perfeição e cuja apreciação recomendamos ao público (Diário de Pernambuco, 13 de janeiro de 1897, quarta coluna).

Presenteou o Jornal do Recife com três fotografias de quadros de pintores célebres (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1897, sexta coluna).

Estava à venda na Livraria Francesa fotografias de autoria de Tondella do préstito que havia acompanhado o general Artur Oscar no dia 15 de novembro (Jornal do Recife, 23 de novembro de 1897, sexta coluna).

Já existia a sociedade Oliveira & Tondella, entre Manoel e João José de Oliveira (18? – 19?). Tornaram-se devedores de impostos do período entre 1897 e 1898 (Diário de Pernambuco, 3 de junho de 1899, terceira coluna).

1898 - Ele e o sócio importaram uma caixa com objetos de fotografia (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1898, segunda coluna).

Chegou uma caixa de mercadorias para Oliveira & Tondella , do vapor inglês Ile, que vinha de potos da Europa (Diário de Pernambuco, 18 de março de 1898, terceira coluna).

Falecimento do irmão de Manoel Tondella, Antônio (? – 1898). Ele, seu irmão Francisco (? – 1913) e filhos, sua irmã Maria (1860 – 1905), sua tia Antônia Maria Monteiro da Silva  (1826 – 1902) e sua esposa Anna Amelia convidaram para a missa de Sétimo Dia, na matriz de Santo Antônio. Pelo anúncio, Maria não era casada e Manoel e Anna Amélia não tinham filhos. Na missa de trigésimo dia, quem convida é a mulher de Antônio, Francelina França Caldas (Diário de Pernambuco, 27 de agosto de 1898, terceira colunaDiário de Pernambuco, 21 de setembro de 1898, penúltima coluna; e Jornal do Recife, 23 de fevereiro de 1899, quarta coluna).

Anna Amelia era uma das paraninfas da bênção solene da imagem do Santíssimo Coração de Jesus, na Matriz de São José. A solenidade contou com a presença do governador de Pernambuco (Jornal do Recife, 4 de novembro de 1898, segunda coluna).

Oliveira & Tondella importaram álbuns e papel albuminado (Diário de Pernambuco, 30 de novembro de 1898, segunda coluna).

1899 – O estabelecimento dos fotógrafos ficava na rua da Imperatriz, nº 79 (Almanach de Pernambuco, 1900).

Oliveira & Tondella importaram artigos para fotografia (Diário de Pernambuco, 8 de março de 1899, segunda coluna).

Como era assinante da America Illustrada, Revista Nacional de Letras e Artes, a firma Oliveira & Tondella ganhou de brinde um Livro de Ouro do Brasil  na Exposição de 1900 em Paris (Jornal do Recife, 23 de julho de 1899, penúltima coluna).

1900 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos, envelopes e cartões.

Tondella foi o fotógrafo responsável pela realização de uma imagem que a Celestial Confraria da Santíssima Trindade ofereceria à Sociedade Musical Charanga do Recife (A Província (PE), 17 de julho de 1900, penúltima coluna).

Encontrava-se exposto no ateliê  Photographia Popular Oliveira & Tondella, na rua da Imperatriz, nº 79, um quadro dos bacharéis da Faculdade de Direito do Recife de 1900 (Jornal do Recife, 22 de novembro de 1900, última coluna)

A firma Oliveira & Tondella realizou um retrato em busto do professor Gaspar Regueira Costa na ocasião de seu aniversário, com o qual o magistério municipal o presentearia (Jornal Pequeno, 20 de dezembro de 1900).

1901 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos, cartões, papel para desenho.

 

 

Encontrava-se exposto no ateliê  Photographia Popular Oliveira & Tondella, na rua da Imperatriz, nº 79, um quadro dos bacharéis da Faculdade de Direito do Recife de 1901 (Jornal do Recife, 26 de novembro de 1901, última coluna).

 

 

1902 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos.

Na Travessa da Concórdia, nº 13, falecimento da tia de Tondella, Antônia Maria Monteiro da Silva (1826 – 1902). A família foi adjetivada como ilustre e Francisco e Manoel Tondella foram referidos como seus dignos sobrinhos (Jornal do Recife, 18 de junho de 1902, segunda coluna; A Província, 24 de junho, quinta coluna; e Diário de Pernambuco, 18 de junho de 1902, quarta coluna).

Oliveira & Tondella realizaram um retrato em tamanho natural do tenente-coronel Miranda Curio, delegado de saúde do Exército junto ao comando do 2º Distrito Militar, que lhe seria dado como presente de aniversário pelos farmacêuticos do corpo de saúde de Pernambuco (A Província (PE), 22 de agosto de 1902, quarta coluna).

Jornalistas do Diário de Pernambuco fizeram uma visita ao ateliê fotográfico de Oliveira & Tondella e elogiaram os retratos e as vistas expostas e também a amabilidade dos dignos artistas. “Mostraram-nos os mesmos srs. os estereoscópios que acabam de receber, novidade que expõem à venda…” (Diário de Pernambuco, 22 de outubro de 1902, quinta coluna).

 

 

A firma Oliveira & Tondella ofereceu uma fotografia de presente ao Jornal do Recife: uma imagem do general Marinho da Silva passando em revista as tropas federais na Campina do Bode (Jornal do Recife, 28 de novembro de 1902, quarta coluna).

Oliveira & Tondella enviaram ao Jornal do Recife um cartão de boas festas com uma imagem de um trecho do rio Capibaribe próximo aos arrecifes. Além disso, enviaram a fotografia de uma paisagem (Jornal do Recife, 23 de dezembro de 1902, sétima coluna). Enviaram para o periódico A Província uma fotografia do farol de Olinda e uma de uma lancha (A Província (PE), 23 de dezembro de 1902, quarta coluna). E enviaram para o Jornal Pequeno uma fotografia dos bairros do Recife e de Santo Antônio como votos de boas festas (Jornal Pequeno, 23 de dezembro de 1902, primeira coluna).

1903 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos.

Um retrato a óleo feito no ateliê de Oliveira & Tondella foi oferecido ao alferes Virgílio Antônio Borba (Diário de Pernambuco, 8 de janeiro de 1903, sexta coluna).

Foi noticiado o novo endereço do ateliê fotográfico de Oliveira & Tondella, devido à mudança do nome da rua da Imperatriz para rua Rosa e Silva. O número, 79, continuou o mesmo. Eles haviam produzido um retrato do conselheiro Rosa e Silva durante um banqueteExpuseram as vistas do salão do banquete, que deveriam ser apreciadas com um estereoscópio (Diário de Pernambuco, 12 de fevereiro de 1903, sexta coluna; e 13 de fevereiro de 1903, última coluna). Expuseram as vistas do salão do banquete, que deveriam ser apreciadas com um estereoscópio (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1903, última coluna).

Os hábeis artistas Oliveira & Tondella produziram uma fotografia da Igreja de Santa Cruz na ocasião da festa do Bom Jesus da Via Sacra, realizada em 3 de maio, e a enviaram de presente para o Jornal do Recife, para o Jornal Pequeno e para o periódico A Província (Jornal Pequeno, 16 de maio de 1903, segunda colunaJornal do Recife, 17 de maio de 1903, terceira coluna; e A Província (PE), 17 de maio de 1903, última coluna).

Casamento de Amália de Oliveira, filha de José Joaquim Oliveira, com Tacito Altino Correia de Araújo (Diário de Pernambuco, 5 de setembro de 1903, sexta coluna).

Leonilla Lusetta de Oliveira, esposa de Joaquim José de Oliveira, sócio de Tondella, faleceu (Jornal Pequeno, 31 de outubro de 1903, terceira coluna).

Oliveira & Tondella presentearam o Jornal Pequeno com fotografias em miniatura da primeira página edição de 28 de junho de 1902 do periódico (Jornal Pequeno, 4 de dezembro de 1903, terceira coluna).

Oliveira & Tondella presentearam o Diário de Pernambuco com fotografias do edifício do referido jornal na rua Duque de Caxias esquina com a Praça da Independência (Diário de Pernambuco, 25 de dezembro de 1903, quarta coluna)

1904 – Oliveira & Tondella enviaram votos de um feliz ano novo para o Jornal do Recife (Jornal do Recife, 1º de janeiro de 1904, quinta coluna).

Chegada, da Inglaterra, de papel fotográfico, de câmaras escuras, de cartões cortados e obras impressas para Oliveira & Tondella (Província (PE), 16 de janeiro de 1904, segunda coluna21 de maio de 1904, terceira coluna, 15 de junho, segunda coluna29 de julho de 1904, terceira coluna; e 31 de agosto de 1904, terceira coluna).

Oliveira & Tondella foram citados pela Diretoria de Contabilidades e Rendas Municipais do Recife. O endereço era av. Rosa e Silva, 79 (Diário de Pernambuco, 4 de fevereiro de 1904, sexta coluna).

A firma Oliveira & Tondella produziu uma fotografia da Companhia dos Bombeiros (Diário de Pernambuco, 6 de março de 1904, sexta coluna).

Tondella abriu, sem sócios, um estabelecimento fotográfico na rua da Velha, 137, no primeiro andar, onde também residia. Anos depois essa rua passou a chamar-se Antônio Carneiro. Na época, oferecia cartões postais da procissão Encontro, que havia saído da Igreja de Santa Cruz, no Recife (Jornal do Recife, 22 de abril de 1904, penúltima coluna; A Província, 13 de setembro de 1904, penúltima coluna). A recente abertura do ateliê do hábil e conhecido fotógrafo foi anunciada. Provisoriamente a entrada seria feita a partir da rua da Alegria (Jornal do Recife, 13 de setembro de 1904, última coluna; e A Província,(PE), 13 de setembro de 1904, penúltima coluna).

 

 

Tondella produziu de uma janela da Igreja de Santa Cruz uma fotografia da Charanga do Recife (A Província, 20 de setembro de 1904, última coluna).

1905 – Com cerca de 45 anos, falecimento de Maria Tondella, irmã de Manoel (A Província, 26 de abril de 1905, primeira colunaJornal do Recife, 6 de maio de 1905, sexta coluna).

Publicação de uma propaganda da Photographia Tondella anunciando o desligamento de Tondella da firma Oliveira & Tondella, realizado no ano anterior (A Província, 16 de julho de 1905, primeira coluna). No mesmo ano, publicação de uma propaganda da Photographia Popular apenas com o nome de Joaquim José de Oliveira no mesmo endereço, na rua da Imperatriz, 79 (Almanach de Pernambuco, 1905).

 

 

Ofertou ao Jornal do Recife a fotografia da canhoneira Pátria e seu trabalho foi considerado perfeitíssimo. Uma fotografia ampliada da mesma canhoneira estava exposta na Livraria Francesa, na rua Primeiro de Março, nº 9 (Jornal do Recife, 21 de setembro de 1905, oitava coluna).

O Jornal Pequeno homenageou Anna Amélia no dia de seu aniversário, 5 de dezembro (Jornal Pequeno, 5 de dezembro de 1905, primeira coluna).

1910 - O nome da rua de seu estabelecimento mudou de rua da Velha para rua Antônio Carneiro (Diário de Pernambuco, 11 de agosto de 1910, quarta coluna).

1913 - Falecimento de sue irmão Francisco, que havia sido livreiro no Recife, proprietário da antiga casa Bolitreau, a Livraria Tondella, Cockles & Co, desde 1897, na rua do Imperador, 46 (Diário de Pernambuco, 13 de fevereiro de 1898, penúltima coluna; e Diário de Pernambuco, 19 de março de 1898, terceira coluna) e que ultimamente trabalhava como contador na Papelaria Brasil. Era pai de Marcionila e de Francisco Tondella Junior (Diário de Pernambuco, 21 de setembro de 1897, penúltima coluna; e Jornal Pequeno, 19 de novembro de 1913, última coluna)

1917 -Morte de sua sobrinha, Marcionila Tondella, filha de seu irmão e comerciante Francisco (já falecido), que também era pai do poeta Tondella Junior (Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1917, segunda coluna).

1919 - Falecimento do compadre e cunhado de Tondella, Caetano Ferreira Ramos (? – 1919) (Jornal do Recife, 20 de abril de 1919, última coluna).

Morte de seu sobrinho, o poeta Francisco Tondella Junior, aos 28 anos, filho de seu irmão já falecido, Francisco (Diário de Pernambuco, 15 de junho de 1919, segunda coluna).

Foi publicado um anúncio do estabelecimento fotográfico de Tondella, na rua Antônio Carneiro, 403 (antiga Velha) no qual eram oferecidos retratos Mignon, Visita, Elisabeth, Gabinete, Boudoir, Salão, cartões postais, e fotos de edifícios, de grupos ao ar livre em papel platina ou brilhante, retratos em tamanho natural em preto ou em cor pelo novo sistema americano. Oferecia também uma grande coleção de vistas de Pernambuco. Além disso, consertava máquinas e obturadores e fazia revelação, impressão e retoque em chapas de amador. O mesmo anúncio foi publicado diversas vezes ao longo de 1919 e 1920.

 

 

Foi anunciado que o artista e fotógrafo Manoel Tondella estava diariamente, na rua Velha, 103, à disposição dos assinantes e dos anunciantes de La Revue de revues de l´Amerique du Sud, de Daniel Valenford & C sobre Recife (A Província (PE), 8 de fevereiro de 1920, segunda coluna; e Jornal do Recife, 17 de outubro de 1919, penúltima coluna).

1921 - Foi realizada uma missa fúnebre pela alma de Manoel Tondella, na Igreja de Santa Cruz (A Província (PE), 22 de fevereiro de 1921, primeira coluna).

1922 -Pela última vez foi anunciado o estabelecimento fotográfico de Tondella, na rua Antônio Carneiro, nº 137 (Almanak Laemmert, 1922).

 

 

 

**Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

FERREZ, Gilberto. Velhas fotografias pernambucanas: 1851-1890. Rio de Janeiro: Campo Visual, 1988.

GASPAR, Lúcia. As ruas do Recife. Site da Fundaj, 2009

GASPAR, Lúcia; BARBOSA, Virginia. O Recife: uma bibliografia. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2008. 360 p.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

MALTA, Albertina – Memória em sais de prata: fotografias do Recife em instituições memoriais. Dissertação para Universidade Federal de Pernambuco, fevereiro de 2013.

MEDEIROS, R. M. H. (Orgs.). Arquivos e coleções fotográficas da Fundação Joaquim Nabuco. Recife: Massangana, 1995.

MENDES, Luciana Cavalcanti. O campo fotográfico em Pernambuco: um resumo do final do XIX até 1930. XXIX Simpósio Nacional de História – Anpuh, 2017.

SILVA, Fabiana Bruce. Entre fotógrafos, modernidade e fotografia no Recife do século XX, uma pesquisa. Apresentado durante XI Encontro Regional Sudeste de História Oral, realizado na Universidade Federal Fluminense, em Niteroi, em julho de 2015

Site da Fundação Joaquim Nabuco