A Brasiliana Fotográfica, o Dia da Abolição da Escravatura e Machado de Assis na Missa Campal

Para lembrar os 130 anos da Abolição da Escravatura com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888 – acontecimento histórico mais importante do Brasil após a Proclamação da Independência, em 1822 – , a Brasiliana Fotográfica sugere a leitura de todos os textos já publicados no portal que de alguma forma contemplaram o evento. Um deles trouxe a descoberta, realizada pela pesquisadora Andrea Wanderley, editora-assistente do portal, da presença do escritor Machado de Assis (1839 – 1908) na missa campal realizada no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1888. Sobre o dia da abolição, Machado escreveu, anos depois, em 14 de maio de 1893, na coluna “A Semana”, no jornal carioca Gazeta de NotíciasVerdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto.

 

 

A escravidão no Brasil foi documentada pelos fotógrafos do século XIX. Contribuíram para isto o fato de ter a fotografia chegado cedo ao país, em 1840, sendo o imperador Pedro II um grande entusiasta, além do país ter sido o último das Américas a abolir a escravatura. Por cerca de 350 anos, o Brasil – destino de cerca de 4,5 milhões de escravos africanos – foi o maior território escravagista do Ocidente, mantendo este sistema tanto no campo como na cidade – o lugar de trabalho era o lugar do escravo.

 

 

Os escravizados foram retratados por diversos fotógrafos que atuaram no Brasil dos oitocentos que estão representados no acervo da Brasiliana Fotográfica, dentre eles Arsênio da Silva (1833 – 1883), Alberto Henschel (1827 – 1882), Antonio Lopes Cardoso (18? – ?),  Augusto Riedel (1836 – ?), Augusto Stahl (1828 – 1877), Jean Victor Frond (1821 – 1881), José Christiano Junior (1832 – 1902), George Leuzinger (1813 – 1892), João Goston (18? – ?), Marc Ferrez (1843 – 1923)Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e por fotógrafos ainda não identificados.

 

Seguem os links dos artigos:

Dia da Abolição da Escravatura

Missa Campal de 17 de maio de 1888

Machado de Assis vai à missa, de autoria de José Murilo de Carvalho

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

Princesa Isabel (RJ, 29 de julho de 1846 – Eu, 14 de novembro de 1921)

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Mais identificações

 

 

 

Acessando o link para as fotografias de escravizados disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar a imagem e verificar todos os dados referentes a ela.

 

 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Dia da Abolição da Escravatura

Marc Ferrez. Escravos na colheita de café, c. 1882. Vale do Paraíba, RJ.

Marc Ferrez. Escravos na colheita de café, c. 1882. Vale do Paraíba, RJ / Acervo IMS

A escravidão no Brasil foi amplamente documentada pelos fotógrafos do século XIX. Contribuíram para isto o fato de ter a fotografia chegado cedo ao país, em 1840, sendo o imperador Pedro II um grande entusiasta, além de ter sido o último país das Américas a abolir a escravatura, em 1888. Por cerca de 350 anos, o Brasil – destino de 4,5 milhões de escravos africanos – foi o maior território escravagista do Ocidente, mantendo este sistema tanto no campo como na cidade – o lugar de trabalho era o lugar do escravo.

Muitas vezes o objetivo das fotografias não era a denúncia e sim o estético ou, ainda, o registro do exótico. A Galeria do Dia da Abolição da Escravatura exibe fotos de escravos em situações de trabalho, em momentos de descanso ou mesmo em poses obtidas em estúdios. São imagens apaziguadoras da escravidão e das várias funções dos escravizados. Dentre seus autores estão Alberto Henschel, Augusto Riedel, Augusto Stahl, George Leuzinger, João Goston, Marc Ferrez , Revert Henrique Klumb, além de alguns anônimos.

As fotos revelam uma representação naturalizada da escravidão, deixando a impressão de que seria normal a posse de homens por outros homens, o que fica evidenciado pela venda dessas imagens para o exterior como um produto exótico de um país tropical distante. Porém, percebe-se em não poucas dessas fotografias, segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, que “mais do que propriedades ou figurantes com papéis prévia e exteriormente demarcados, os escravizados negociam efetivamente nos registros fotográficos, nos pequenos sinais que deixaram no tempo e na imagem, seu lugar e condição”.

A Abolição da Escravatura foi o acontecimento histórico mais importante do Brasil após a Proclamação da Independência, em 1822. No dia 13 de maio de 1888, após seis dias de votações e debates no Congresso, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que decretava a libertação dos escravos no país. Sobre este dia, Machado de Assis escreveu anos depois na coluna “A Semana”, no jornal carioca Gazeta de Notícias“Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”. Até hoje se manifestam as consequências sociais e culturais da longevidade e do alcance da escravatura no Brasil.

Além da Galeria do Dia da Abolição da Escravatura, estão disponíveis os links para os jornais O Paiz e Gazeta de Notícias, de 14 de maio de 1888, anunciando a Lei Áurea, e para vídeos em que a antropóloga Lilia Schwarcz analisa várias fotos de escravos.

O Paiz –  Edição de 14 de maio de 1888

A Gazeta de Notícias –  Edição de 14 de maio de 1888

Vídeos com comentários da antropóloga Lilia Schwarcz

Galeria do Dia da Abolição da Escravatura