Bambus, por Marc Ferrez

Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Brasiliana Fotográfica selecionou uma fotografia de Marc Ferrez (1843 – 1923) produzida em torno de 1890. Nela estão retratados os bambus do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Convidamos os leitores a clicar em cima da imagem e, a partir da ferramenta de zoom, explorar o registro mais de perto. A utilização desse recurso tecnológico nos leva, a partir da magnificação e consequente detalhamento da imagem, a , por exemplo, um passeio entre os bambus e a uma proximidade com o homem que descansa solitário observando a natureza. Além do prazer que essa aproximação proporciona, destacamos também a importância da digitalização dos acervos fotográficos para a pesquisa, difusão e preservação dos mesmos.

 

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, também conhecida como Conferência de Estocolmo, realizada em junho de 1972, na capital da Suécia. Foi considerada a iniciativa mais importante tomada até então no campo da conservação do meio ambiente e da luta contra a poluição. Reuniu 1.200 delegados de 112 países e cerca de três mil observadores. Entre os acordos mais importantes selados durante a reunião estão, além da proclamação do dia 5 de junho como Dia Mundial do Meio Ambiente, a condenação das experiências nucleares, a proibição da pesca da baleia por dez anos,a redução da produção de materiais sintéticos aumentando paralelamente a manufatura de substitutivos degradáveis não poluentes e a convocação por parte da Assembléia Geral da ONU de uma segunda conferência sobre a proteção ambiental – a Rio-92.

 

Acessando o link para as fotografias de bambus produzidas por Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

 

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , publicada em 25 de janeiro de 2016O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, publicada em 30 de junho de 2015

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de Sérgio Burgi, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), publicada em 29 de junho de 2018

O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, publicado em 

Celebrando o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923), publicado em 4 de dezembro de 2019

Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, publicada em 7 de fevereiro de 2020

Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913, publicado 6 de março de 2020.

Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb, publicado em 16 de março de 2020.

A importância da digitalização para a pesquisa de acervos fotográficos

Inicialmente a fotografia Vagão ferroviário tombado chamou atenção por seu tema pouco usual em registros do século XIX e do início do século XX no Brasil: um acidente ferroviário. Mas uma observação mais atenta tornou a imagem uma excelente evidência da importância da digitalização para a pesquisa e também para a difusão e consequentemente para a própria preservação de acervos fotográficos. Na fotografia destacada, que integra a Coleção Pereira Passos, do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal, seu autor foi identificado a partir da utilização da ferramenta de zoom, que deu à cena fotografada outra visibilidade, abrindo as possibilidades de situá-la historicamente. O leitor ou o pesquisador pode com esse recurso tecnológico magnificar a imagem e verificar “de perto” seus detalhes. Um desses detalhes, nesse caso, foi uma assinatura: A. Bastos. Há, embaixo dela, alguns números legíveis, 3 – 19, e outros ilegíveis. Possivelmente os números legíveis indicam a data de março de algum ano começando por 19.

 

 

O autor seria Antônio José Teixeira Bastos (18? – 1917)? Tudo indica que sim porque ele é o único fotógrafo – conhecido até hoje – com a inicial A e o sobrenome Bastos, de fins do século XIX. Caso seja ele mesmo o autor, a fotografia se situa no período entre 1900 e 1915,  já que Bastos atuou no Rio de Janeiro entre os anos 1880 e 1915 e os números legíveis indicam algum ano começando com 19. Infelizmente esses dados não foram suficientes para a localização do acidente.

Bastos começou sua carreira trabalhando para o ateliê de Carneiro & Tavares – que existiu entre 1883 e 1888 – e, em 1889, transferiu-se para o estabelecimento de Moreira & Roltgen (Jornal do Commercio, 6 de janeiro de 1889).

 

 

Cerca de dois anos depois, Bastos comprou de Manoel Garcia o ateliê fotográfico Casa Garcia, que passou a dirigir com o nome de a Photographia do Commercio, na rua Sete de Setembro, 74 (O Brazil, 5 de setembro de 1891).

 

 

Entre 1891 e 1893, foi associado a José Gonçalves Vasquez que, em 1893, foi trabalhar em Curitiba, onde inaugurou a Photographia Moderna (Jornal do Commercio, 6 de junho de 1893, sexta coluna). Em 1900, Vasquez foi para Santos e abriu a Fotografia Modelo, na rua Amador Bueno, 91.

 

 

Em 1916, quando foi anunciada pela última vez, a Photographia do Commercio, funcionava na rua da Assembleia, 98 (Correio da Manhã, 25 de dezembro de 2013, quarta coluna; Gazeta de Notícias, 8 de outubro de 1915, terceira coluna; Almanak Laemmert, 1916).

 

 

O conhecido fotógrafo Antônio José Teixeira Bastos, que morava na rua do Senado, 14, faleceu em 28 de julho de 1917 e foi enterrado no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo. A missa de sétimo dia foi celebrada na Igreja de São Francisco de Paula (O Paiz, 29 de julho de 1917, quinta colunaJornal do Brasil, 29 de julho de 1917, primeira coluna; e Jornal do Brasil, 3 de agosto, segunda coluna). Eram seus filhos Júlio e João Durão Teixeira Bastos (Jornal do Commercio, 23 de novembro de 1917, quarta coluna).

 

cartão

Photographia do Commercio / Acervo IMS

 

 

Coleção Família Pereira Passos

A Coleção Família Pereira Passos, à qual pertence a fotografia destacada nesse artigo, é uma das mais importantes sob guarda do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República e é formada por cerca de 5.592 documentos textuais e 1.147 fotografias, produzidos entre 1806 e 1960. A coleção faz parte do acervo do Museu da República desde 1965, quando a primeira e maior leva de documentos foi doada pela família de Pereira Passos. Posteriormente foi acrescida: em 1966, através de novas doações de sua neta, Maria Passos de Castro (1888 – 1971), e, em 1980, pela transferência de fotos até então pertencentes ao Museu Histórico Nacional.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

Jornal Eletrônico Novo Milênio

Site do Museu da República