A Ilha Fiscal na Baía de Guanabara

A Brasiliana Fotográfica destaca seis imagens da Ilha Fiscal, uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro, localizada na Baía de Guanabara. Foram produzidas pelos fotógrafos Jorge Kfuri (1893 – 1965)Juan Gutierrez ( c. 1860 – 1897) e Marc Ferrez (1843 – 1923). O registro de Kfuri é de 1916 e os de Ferrez e de Gutierrez das últimas duas décadas do século XIX.  O edifício da ilha, projeto do engenheiro Adolpho José Del Vecchio (1848 – 1927), foi inaugurado em 27 de abril de 1889.

Acessando o link para as fotografias da Ilha Fiscal disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Espécie de elo entre o passado e o presente, a Ilha Fiscal, que ocupa uma área de 7000 m2 e se distancia do continente por pouco mais de um quilômetro, notabilizou-se por ter sido o cenário do último baile do império, realizado em 9 de novembro de 1889, dias antes da Proclamação da República no Brasil, ocorrida em 15 de novembro de 1889. Na década de 1910, o domínio da Ilha Fiscal foi transferido do Ministério da Fazenda para a Marinha. Integra o Complexo Cultural da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. A Ilha Fiscal foi tombada, em 1990, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, e aberta à visitação pública em 1999.

 

 

A construção de um posto alfandegário para o controle de mercadorias comercializadas no porto do Rio de Janeiro foi solicitada pelo conselheiro João Antônio Saraiva (1823 – 1895), do Ministério da Fazenda, no século XIX, e a localização da, na época conhecida como Ilha dos Ratos, era ideal devido à proximidade aos pontos de fundeio dos navios mercantes estrangeiros que aportavam à Baía de Guanabara, na altura da atual Praça XV. Foi o imperador Pedro II que decidiu construir o prédio e que optou pelo estilo arquitetônico gótico-provençal, típico dos castelos franceses do século XIV e inspirado pelo trabalho do arquiteto francês Viollet-le-Duc (1814 – 1879). Durante a construção, fez frequentes visitas à ilha p.ara verificar o progresso dos trabalhos.

 

 

O projeto da edificação foi de Adolpho José Del Vecchio ( 1848 – 1927), então Engenheiro-Diretor de Obras do Ministério da Fazenda, e ganhou a Medalha de Ouro na Exposição da Academia Imperial de Belas Artes de 1890, tendo sido apresentado com a seguinte argumentação:

A construção planejada, tendo de ser levantada isoladamente em uma ilha, projetando-se sobre um fundo formado pela caprichosa Serra dos Órgãos, encimada por vasto horizonte, e de frente para a entrada da baía, devia causar impressão agradável aos que penetrassem no porto, suficientemente elevada para que pudesse facilmente ser vista de qualquer ponto entre a mastreação dos navios, e prestar-se ao mesmo tempo à fiscalização do ancoradouro.

Del Vecchio foi diretor de diversas outras obras de vulto como a das Docas Pedro II e da Praça do Comércio. Exerceu cargos importantes e recebeu diversas condecorações e prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua carreira (O Paiz, 6 e 7 de junho de 1927, terceira coluna; Revista Brasileira de Engenharia, junho de 1927).

 

 

 

 

 

 

Em 6 de novembro de 1881, foi assentada a primeira pedra do edifício (Gazeta de Notícias, 7 de novembro de 1881, última coluna). No ano seguinte, del Vecchio foi condecorado como Oficial da Ordem da Rosa (Gazeta de Notícias, 26 de março de 1882, terceira coluna). O prédio da Ilha Fiscal foi inaugurado em 27 de abril de 1889 com a presença de Pedro II, do Conde d´Eu e de uma grande comitiva de ministros e autoridades. A elegante construção ocupa cerca de um terço da ilha medindo 68 metros de frente e 28 de fundos. Seu torreão tem 53 metros de altura ( Jornal do Commercio, 28 de abril de 1889, sexta coluna).

A Ilha Fiscal era abastecida de água e em sua torre havia um holofote cuja movimentação e potência permitiam uma melhor fiscalização de qualquer ponto do porto. Todas as salas eram iluminadas com lâmpadas elétricas e a ilha estava ligada à alfândega por uma linha telefônica, para a qual havia sido instalado um cabo submarino. Os trabalhos de cantaria foram realizados pelo comendador Antonio Rodrigues Teixeira, a construção e a montagem da agulha de ferro do corpo central por Manoel Joaquim Moreira & C., o mosaico da sala de honra por Moreira & Carvalho, a montagem do relógio pela firma Krussman & C, a colocação dos aparelhos elétricos pelo sr. Léon Rodde e os trabalhos de pintura pelo alemão Frederico Steckel (1834 – 1921). Os vitrais coloridos a fogo foram confeccionados com cristal inglês e mostravam o imperador Pedro II entre os brasões da Casa Imperial Brasileira e da Casa de Saxônia; e a princesa Isabel  entre os brasões da Casa Imperial Brasileira e a Casa de Orléans.

 

 

 

“Essa importante construção esteve sob a direção do engenheiro Adolpho José del Vecchio, diretor das obras do ministério da Faqzenda, que deu provas da maior atividade e zelo, muito concorrendo para dotar esta cidade com tão bem acabado e importante edifício”

(Revista de Engenharia, 14 de maio de 1889).

 

 

 

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Capa do cardápio do Baile da Ilha Fiscal / Acervo Arquivo Nacional

Poucos meses depois, em 9 de novembro de 1889, foi realizado o evento pelo qual a Ilha Fiscal ficou mais conhecida: o último baile do Império do Brasil. Inicialmente marcado para o dia 19 de outubro, foi adiado devido à morte do rei Luís I de Portugal (1861 – 1889), sobrinho do imperador Pedro II (Gazeta de Notícias, 20 de outubro de 1889). A festa foi uma homenagem aos oficiais do cruzador chileno Almirante Cochrane, ancorado na Baía de Guanabara desde 11 de outubro de 1889, sob o comando de Constantino Bannen (1847 – 1899) (Gazeta de Notícias, 12 de outubro de 1889). Com o baile, que contou com as presenças de dom Pedro II, de dona Teresa Cristinada princesa Isabel e do Conde d´Eu , e para o qual foram distribuídos cerca de três mil convites, pretendia-se realizar uma celebração inesquecível para fortalecer a monarquia diante da ameaça republicana. Não funcionou: seis dias depois foi proclamada a República no Brasil (Gazeta de Notícias, 9 de novembro de 1889O Paiz, 10 de novembro de 1889Gazeta de Notícias, 11 de novembro de 1889Novidades, 11 de novembro de 1889, primeira colunaRevista Illustrada, 16 de novembro de 1889; e O Paiz, 16 de novembro de 1889, primeira coluna).

Em 1893,  a Ilha Fiscal sofreu avarias durante a Revolta da Armada, quando parte da esquadra brasileira rebelou-se contra o governo do Marechal Floriano Peixoto. Durante mais de seis meses, a ilha ficou no meio da artilharia travada entre as fortalezas da costa e os navios que se encontravam na Baía de Guanabara. Seus vitrais foram quebrados e suas paredes ficaram crivadas de balas de canhão.

Em 1913, foi autorizada pelo ministro da Fazenda, Rivadávia da Cunha Correia (1866 – 1920), a transferência do domínio da Ilha Fiscal do referido ministério para a Marinha em troca do vapor Andrada, proposta feita pelo almirante Alexandrino Faria de Alencar (1848 – 1926), então ministro da Marinha,  (O Paiz, 9 de setembro de 1913, quinta coluna7 de de outubro de 1913, quinta coluna; Correio da Manhã, 24 de janeiro de 1914, última coluna).

 

 

Finalmente, em janeiro de 1914, foi assinado o termo  que oficializou a troca entre a Ilha Fiscal e o vapor Andrada, que passaria a servir de alojamento aos guardas da Alfândega (Correio da Manhã, 27 de janeiro de 1914, terceira coluna).

 

 

A partir de 1914 (até 1983), a Ilha Fiscal abrigou a Repartição Hidrográfica da Marinha do Brasil, então denominada Superintendência de Navegação (O Século, 9 de janeiro de 1914, primeira coluna; Correio da Manhã, 30 de janeiro de 1914, última coluna; e O Paiz, 30 de janeiro de 1914, terceira coluna). Nos primeiros anos de ocupação, a Marinha refez a decoração interna e externa do prédio da Ilha Fiscal, restaurando sua beleza arquitetônica. Os vitrais com motivos monárquicos foram restaurados pela mesma firma inglesa que os tinha instalado originariamente.

Logo no início dos anos 1930, a Ilha Fiscal foi ligada à Ilha das Cobras através de um estreito molhe de pedra.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

CALDEIRA, Jorge. Viagem pela História do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 222.

CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo : Blucher, 2008.

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Dicionátio de Verbetes do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

DUNLOP, Charles. Rio Antigo, vol 3. Rio de Janeiro : Editora Rio Antigo, 1960.

GOMES, Laurentino. 1889. São Paulo : Globo Livros.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SILVA, Hélio. Nasce a República. São Paulo: Três, 1975.

Site Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha

Site Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

Site Inepac

Site O Rio de Janeiro

Site Receita Federal

Site Riotur

Os cinco anos da Brasiliana Fotográfica

A Brasiliana Fotográfica, fundada pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Moreira Salles, em 17 de abril de 2015, completa cinco anos de existência buscando contribuir para uma escrita da história do Brasil onde as fotografias deixam de ser mera ilustração. A data seria comemorada com a realização do Seminário Brasiliana Fotográfica 5 anos – A imagem e a escrita da história, no auditório da Biblioteca Nacional que, devido à situação pela qual atravessa o Brasil e o mundo, foi adiado.

Decidimos então promover no contexto atual da pandemia de coronavírus um debate relacionando urbanismo, saúde pública e a história da cidade do Rio de Janeiro e das grandes metrópoles brasileiras, temas frequentes dos artigos semanais publicados no portal, dando visibilidade aos arquivos de imagem das instituições parceiras, ora disponibilizados na Brasiliana Fotográfica e também às pesquisas existentes sobre estes temas – elementos de reflexão sobre o momento presente. O encontro virtual será disponibilizado on-line ao vivo para o público, gratuitamente, no canal de facebook do Instituto Moreira Salles -  https://www.facebook.com/pg/institutomoreirasalles, no dia 17 de abril de 2020, às 17h30m.

 

 

Convidamos para este encontro e debate o historiador Jaime Benchimol, a pneumologista Margareth Dalcolmo – ambos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, instituição integrante do portal Brasiliana Fotográfica – e o arquiteto e urbanista Guilherme Wisnik, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. O debate será mediado pelos dois curadores da Brasiliana Fotográfica – Sérgio Burgi, Coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles, e Joaquim Marçal, Coordenador da BN Digital -, e pela historiadora Aline Lopes de Lacerda, pesquisadora do Departamento de Arquivo da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.

 

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Queremos também celebrar o aniversário do portal agracedendo a você, nosso leitor, que percorre nosso acervo fotográfico que, até o momento, possui 6.709 imagens de 11 instituições, e também lê nossas publicações semanais: já são 249! Ao longo desses cinco anos já tivemos 38.437.165 acessos!

Com uma rigorosa seleção e indexação das imagens que integram nosso acervo fotográfico, com o uso de uma linguagem simples e com a realização de uma pesquisa minuciosa, um dos objetivos da Brasiliana Fotográfica é atrair o interesse do maior número de leitores possível, de todas as faixas etárias e níveis de formação acadêmica, para assuntos relativos à história da fotografia, do Brasil e do mundo. Os artigos, semanais, são escritos por profissionais ligados às instituições integrantes do portal,  por curadores convidados como Cassio LoredanoElvia BezerraEucanaã FerrazLilia Moritz SchwarczMaria Isabela Mendonça dos SantosMillard SchislerPedro Karp Vasquez e Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva e também pelos curadores do portal Sérgio Burgi (IMS) e Joaquim Marçal (FBN).

 

Acessando o link para as 6.709 fotografias publicadas ao longo desses cinco anos na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

A escolha dos temas é variado: pode ser baseada tanto em uma efeméride como em uma reflexão mais teórica, na beleza ou na importância histórica de uma imagem ou de um grupo delas ou pode, também, se relacionar com algum fato da atualidade como foi, por exemplo, a publicação do artigo E o ex e futuro presidente do Brasil morreu de gripe…a Gripe Espanhola de 1918, em 20 de março de 2020, quando o mundo e o Brasil enfrentavam (ainda enfrentam) a pandemia do coronavírus. O presidente em questão foi Rodrigues Alves (1848 – 1919), uma das milhões de vítimas da gripe espanhola.

 

 

A elaboração de perfis de fotógrafos acompanhados por galerias de suas fotografias disponíveis no acervo do portal e por cronologias é uma das marcas da Brasiliana Fotográfica. E uma das estrelas das pesquisas realizadas para esses artigos é, além da bibliografia disponível sobre os temas, a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, com os links para as notícias da época em que os fatos ocorreram. De abril de 2015 a março de 2020, foram publicados 44 perfis, o primeiro, Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e sua obra-prima, o “Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887″, em 24 de maio de 2015; e o último, As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966), em 21 de fevereiro de 2020.

 

 

Lista de todos os perfis de fotógrafos publicados na Brasiliana Fotográfica de abril de 2015 a março de 2020 

2015

 1 – Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e sua obra-prima, o “Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887″

2 – O alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), o empresário da fotografia

3 O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936

4Vincenzo Pastore (Casamassima, Itália 5 de agosto de 1865 – São Paulo, Brasil 15 de janeiro de 1918)

5 - Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe por Augusto Riedel (1836 -?)

6 – Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros

7 – O editor e fotógrafo suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892)

8 – Imagens do Espírito Santo por Albert Richard Dietze (Alemanha, 1838 – Brasil, 1906)

2016

9 – O fotógrafo francês Jean Victor Frond (1821 – 1881) e o “Brasil Pitoresco”

10 – O suicídio do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)

11 – Ipanema, que completa 122 anos, pelas lentes de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

12 - Notícia da viagem do fotógrafo Albert Frisch (31/05/1840 – 30/05/1918) à Amazônia

13 - O fotógrafo Juan Gutierrez de Padilla (c.1860 – 28/6/1897)

14 – O fotógrafo paisagista Camillo Vedani (18?, Itália – c. 1888, Brasil)

15 - O fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966)

16 – Revert Henrique Klumb, o fotógrafo da família real do Brasil

17 – O retratista português Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 14 de outubro de 1912)

18 – O fotógrafo Augusto Stahl (Itália 23/05/1828 – França, 30/10/1877)

19 – O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923)

2017

20- São Paulo sob as lentes do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928)

21 – Os trinta Valérios, uma fotografia bem-humorada de Valério Vieira (1862 – 1941) 

22- Os índios sob as lentes de Walter Garbe, em 1909 

23 - Abram-Louis Buvelot (Suíça, 03/03/1814 – Austrália, 30/05/1888) 

24 – Um fotógrafo inglês na Bahia: Benjamin Robert Mulock (18/06/1829 – 17/06/1863) 

25 - “Sete de Setembro: uma ponte entre dois maurícios”, por Pedro Vasquez

26 – Lampião e outros cangaceiros sob as lentes de Benjamin Abrahão 

27 – O cronista visual de Diamantina: Chichico Alkmim, fotógrafo (1886 – 1978)

28 - O fotógrafo austríaco Otto Rudolf Quaas e o construtor Ramos de Azevedo

29 –  O fotógrafo português Francisco du Bocage (14/04/1860 – 22/10/1919)

30- O fotógrafo Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto (1884-1951) e a Fundação Oswaldo Cruz

31 – O fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 30/01/1924)

 2018

 32 – A construção Madeira-Mamoré, a ferrovia da Morte”, pelas lentes de Dana B. Merrill (c. 1887 – 19?)

33- O fotógrafo, botânico e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935)

34 - O francês Hercule Florence (1804 – 1877), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo

35 - Lunara (1864 – 1937), um fotógrafo amador e fotoclubista de Porto Alegre

36 - O fotógrafo açoriano Christiano Junior (1832 – 1902) e sua importante atuação no Brasil e na Argentina

37 - A prisão do fotógrafo e aviador britânico S.H. Holland (1883 – 1936) no Rio de Janeiro, em 1930

2019

38 - Carlos Bippus e as paisagens cariocas

39 - Nudez na Galeria Ducasble causa polêmica no Recife do século XIX

40 - João Ferreira Villela, um dos primeiros fotógrafos pernambucanos

41 - Imagens de Blumenau: por Bernardo Scheidemantel e em álbum do início do século XX

42 - A Colônia Dona Francisca, Joinville, por Louis Niemeyer

43 – Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro

2020

44 - As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

 

 

Dentre esses perfis está o do fotógrafo Marc Ferrez, O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), publicada em 7 de dezembro de 2016.

 

 

Sobre a obra de Ferrez, que é por muitos considerado o mais importante fotógrafo que atuou no Brasil no século XIX, foram escritos mais 13 artigos na Brasiliana Fotográfica: O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de Sérgio BurgiNo primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923)Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882)O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles DunlopUma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923)Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913 e Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb.

Outro objetivo do portal é divulgar mais questões ligadas à preservação digital, um assunto que toca não apenas às instituições de memória, mas a todos aqueles que produzem imagens digitais em seu dia a dia sem, no entanto, cuidar de sua preservação. Nesse sentido, já publicamos alguns artigos mas ainda temos muito a percorrer. Também desejamos ampliar a abrangência do portal com a adesão de instituições de todos os estados do Brasil.

Ainda em seu primeiro ano, no blog do portal, tivemos uma publicação de relevância histórica: a presença de Machado de Assis (1839 – 1908) na fotografia da Missa Campal pela comemoração da abolição da escravatura (de autoria de Antonio Luiz Ferreira), realizada em 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, com a presença da princesa Isabel. A descoberta, realizada pela editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, Andrea Wanderley, foi saudada em outra publicação do blog pelo historiador José Murilo de Carvalho.

 

 

Os registros mais acessados pelos leitores nesses cinco anos foram as fotografias Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil, de Antonio Luiz Ferreira; Índios Botocudos, de Walter Garbe; Escola pública em Curytiba, de Marcos A. de Mello; A Família Imperial reunida, de Alberto Henschel; e Índios da Tribo Carajás, de autoria desconhecida.

 

 

Além das instituições fundadoras do portal, FBN e IMS, integram a Brasiliana Fotográfica o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, a Fiocruz, a Fundação Joaquim Nabuco, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, o Museu Aeroespacial, o Museu da República e o Museu Histórico Nacional. A gestão do portal é realizada por Roberta Zanatta (IMS) e por Vinicius Martins (FBN).

 

Mais uma vez, muito obrigada e vamos em frente!

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Cruzador Almirante Tamandaré

A Brasiliana Fotográfica selecionou registros do Cruzador Almirante Tamandaré que pertencem ao acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, um dos integrantes do portal. As fotografias foram produzidas por Marc Ferrez (1843-1923), agraciado por d.Pedro II como Fotógrafo da Marinha Imperial. Com um artigo do pesquisador da DPHDM, o Capitão de Corveta (T) Carlos André Lopes da Silva, os leitores poderão conhecer a história do navio e admirar suas imagens no dia de seu lançamento, em 20 de março de 1890 (O Paiz, 21 de março de 1890, primeira coluna).

 

O Cruzador Almirante Tamandaré

 Carlos André Lopes da Silva*
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Marc Ferrez. Lançamento do cruzador Almirante Tamandaré. O Cruzador na carreira antes do lançamento ao mar, 20 de março de 1890. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM

 

Em 20 de março de 1890, foi lançado ao mar da carreira nº 1 do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro o Cruzador Almirante Tamandaré. Era o segundo navio da Marinha do Brasil que levava o nome do Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré. O primeiro tinha sido um couraçado que lutou por toda a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), navio também construído no Arsenal, o estabelecimento mantido pela Marinha para a construção e reparo dos seus navios de guerra. Mesmo durante o Império, não era comum que navios da Marinha fossem batizados em deferência a personalidades vivas, ainda mais quando não pertenciam à Família Real. Já no início da República, o Almirante Tamandaré, no alto dos seus 82 anos e poucos meses, depois de deixar o serviço ativo da Marinha, era pela segunda vez homenageado do modo mais significativo para um marinheiro, tendo seu nome na popa de um navio de guerra.

 

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Cartão-postal com desenho do rosto do Almirante Tamandaré, Joaquim Marques Lisboa (Rio Grande, RS, 13/12/1807 – Rio de Janeiro, 20/03/1897) / Coleção Jose Ramos Tinhorão/ Acervo IMS

 

 

Acessando o link para as fotografias do cruzador disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

O Cruzador Almirante Tamandaré, do mesmo modo que seu antecessor, foi projetado e construído por brasileiros. Seu projetista foi o Engenheiro Naval João Cândido Brasil e sua construção teve início em 1884, já como o maior navio até então construído no Brasil, com mais de 4.500 toneladas de deslocamento e 96 metros de comprimento. Mesmo hoje, continua sendo o maior navio de guerra, considerando seu deslocamento, construído no País. Equipado com dez canhões com calibre de 150 milímetros em sua bateria principal, além de peças de artilharia menores, metralhadoras e torpedos, foi concebido como um navio bastante poderoso.

Quando o Almirante Tamandaré foi lançado ao mar, em 1890, ainda era um navio misto, isto é, contava com mastros e velas para os cruzeiros transoceânicos, visando à economia de combustível, o carvão, e à preservação de suas duas máquinas a vapor inglesas de 6.500 cavalos-vapor, levando o navio a desenvolver velocidades de até 17 nós (milhas por hora). O casco de estrutura e revestimento de aço foi recoberto, para maior proteção, com placas de 175 milímetros de peroba, um arranjo de blindagem típico da época. A rápida evolução dos projetos de navios de guerra levou ao abandono da mastreação e das velas logo após o seu lançamento ao mar, sendo instalados dois mastros de combate que possibilitavam melhor pontaria das baterias principais. Seguiram-se modificações no armamento e na ventilação forçada para seus compartimentos internos.

Ainda antes de finalizada a construção, o navio foi tomado pela parcela da Marinha que se revoltou contra o Governo do Marechal Floriano Peixoto no episódio conhecido como Revolta da Armada (1893-1894). Reparados os danos sofridos no embate entre revoltosos e florianistas na Baía de Guanabara, o Almirante Tamandaré só foi incorporado à Esquadra brasileira em 1897, já numa configuração bem diferente daquela idealizada por seu projetista, o então Capitão-Tenente (EN) Brasil mais de uma década atrás.

Devido às suas grandes dimensões foi utilizado como quartel para os novos marinheiros e, posteriormente, como sede das Escolas Profissionais, a primeira experiência da Marinha do Brasil na reunião de diversos cursos de especialização para oficiais e praças num mesmo local. Em 1906, passaram a funcionar no Cruzador Almirante Tamandaré a Escola de Artilharia, direcionada para oficiais e praças; a Escola de Foguistas e a Escola de Timoneiros, que formava, além destes, sondadores, sinaleiros e telegrafistas.Brasil

Em 27 de dezembro de 1915, a Administração Naval determinou sua Mostra de Desarmamento e consequente baixa do serviço ativo.

 

*  Carlos André Lopes da Silva é pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

 

Pequena cronologia do Cruzador Almirante Tamandaré

 Andrea C. T. Wanderley**

1884 – Batimento da quilha do futuro Cruzador Almirante Tamandaré.

1886 – O cruzador, em construção no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, segundo os planos do CT (EN) João Cândido Brasil, foi batizado com o nome de Tamandaré (O Paiz, 3 de julho de 1886, sexta coluna). Foi o segundo navio batizado com esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Almirante Joaquim Marques Lisboa (1807 – 1897), o Marquês de Tamandaré, Patrono da Marinha,

1890 - O Almirante Tamandaré pediu ao ministro da Marinha, Eduardo Wandenkolk (1838 – 1902), segundo o jornal O Paiz num requinte de modéstia, que o cruzador fosse batizado com o nome de Almirante Cochrane (O Paiz, 13 de março de 1890, segunda coluna).

O Cruzador Tamandaré foi lançado ao mar em 20 de março com a presença do chefe do governo provisório do Brasil, Deodoro da Fonseca (1827 – 1892), além de ministros e outras autoridades. A construção do cruzador custou 3.700:000$000 e seu primeiro comandante foi o Capitão-de-Mar-e-Guerra Frederico Guilherme Lorena (O Paiz, 21 de março de 1890, primeira coluna).

1891 – O Capitão-de-Fragata João Francisco Velho Junior foi designado para comandar provisoriamente o Cruzador Almirante Tamandaré (O Paiz, 26 de novembro de 1891, sexta coluna).

1892 – O ministro da Marinha mandou ativar as obras do cruzador Almirante Tamandaré a fim de que esse vaso de guerra possa estar nos Estados Unidos na abertura da exposição de Chicago (O Paiz, 15 de junho de 1892, sexta coluna).

1893 - Polêmica em torno da substituição nos mastros do Almirante Tamandaré (O Paiz, 10 de fevereiro de 1893, penúltima coluna, O Paiz, 13 de fevereiro, terceira coluna, O Paiz, 14 de fevereiro, segunda coluna, O Paiz, 19 de fevereiro de 1893, primeira coluna).

Ficou montada toda a artilharia grossa das baterias cobertas do cruzador Almirante Tamandaré achando-se já, de há muito, montados os seus dois canhões de caça e retirada (O Paiz, 24 de agosto de 1893, quarta coluna).

O cruzador içou suas duas chaminés, quer isso dizer que já tem máquina para se mover (O Paiz, 17 de novembro de 1893,quinta coluna).

O Cruzador Almirante Tamandaré foi usado pelos revoltosos da Revolta da Armada (O Paiz, 18 de novembro de 1893, quarta coluna, O Paiz, 23 de novembro de 1893, quinta coluna, O Paiz, 5 de dezembro de 1893, quinta coluna, O Paiz, 6 de dezembro de 1893, terceira coluna).

1894 – O Almirante Tamandaré foi ocupado pelo governo, que nomeou o Capitão-de-Mar-e- Guerra Theotônio Coelho Cerqueira Carvalho para comandá-lo (O Paiz, 14 de março de 1894, segunda coluna).

1897 – O cruzador foi reformado, tendo sua armação em Galera, substituída por dois mastros modernos de combate. A ventilação foi mudada, recebendo no castelo novo ventilador metálico. Foram também retirados os canhões em bateria. Permaneceram, porém, muitas deficiências no navio, que passou a vida fundeado no porto do Rio de Janeiro, depois de realizar duas ou três comissões.

1901 / 1902 – Serviu de quartel de Guardas-Marinha.

1906/1914 – Serviu de sede das Escolas Profissionais, dentre elas, a Escola de Timoneiros.

1913 - Entre 21 de julho e 14 de agosto, ficou atracado no Dique Guanabara da Ilha das Cobras, para a substituição de 145 folhas de latão do fundo.

Por determinação do Aviso n.º 2612 de 16 de agosto, serviu provisoriamente de quartel da Escola de Grumetes, antes instalada no Cruzador Andrada. Foram embarcados 115 novos Grumetes provenientes da EAM do Rio de Janeiro. Nessa época o Tamandaré também era chamado de Cruzador-Escola.

1914 – Continuava servindo como Quartel da Escola de Grumetes, fundeado em frente a Ilha das Enxadas, na Baía da Guanabara. Não desempenhou comissão alguma e necessitava de reparos.

1915 - Em 27 de dezembro, deu baixa do serviço pelo Aviso nº 4525.

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha 

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Poder Naval

Data Magna da Marinha do Brasil

Batalha Naval do Riachuelo – A Data Magna da Marinha do Brasil

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

A Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865, assinalou um momento capital na Guerra da Tríplice Aliança contra o Governo do Paraguai (1864-1870), o maior conflito entre Estados ocorrido na América. O controle dos rios Paraná e Paraguai, conquistado após a vitória sobre a Marinha paraguaia em Riachuelo, inviabilizou a ofensiva adversária sobre os territórios brasileiro e argentino, e também impediu que o Governo de Solano López ( 1827 – 1870) recebesse armamentos comprados no exterior.

Desde o início do conflito, com a invasão do Mato Grosso pelo Exército paraguaio, em dezembro de 1864, o Brasil e a Argentina sofriam seguidas derrotas no campo de batalha. O território de ambas as Nações foi invadido e algumas de suas cidades fronteiriças foram pilhadas pelas tropas adversárias, como Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e Corrientes, na Argentina. A vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo foi o primeiro triunfo aliado em quase sete meses de confronto e provocou uma grande onda de entusiasmo na população dos centros urbanos do País, antes apreensiva com os rumos da guerra.

O êxito da Força Naval, comandada pelo Chefe de Divisão Francisco Manoel Barroso da Silva (1804 – 1882), alcançado a quase 1.700 quilômetros da Capital do Império, continuou a ser celebrado nos anos posteriores à Guerra e deixou marcas profundas nas tradições da Marinha do Brasil. Tradições que não apenas cultuam a vitória através da figura do Almirante Barroso, mas os que tombaram em combate. Mesmo que muitos tenham perecido no bombardeio mútuo entre navios, foi na luta corpo a corpo que tomou conta do convés da Corveta brasileira Parnaíba, quando abordada por tripulações de três navios paraguaios, que emergiram os heróis que permanecem sendo celebrados pelos nossos marinheiros após um século e meio: o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh (1845 – 1865) e o Marinheiro de 1ª Classe Marcílio Dias (1838 – 1865).

 

 

Na imagem acima, registrada em 1917, ano que o Brasil entrava na Grande Guerra (1914-1918), a primeira guerra externa que o país se envolvia desde a travada no Paraguai, se vê uma das salas de aula da Escola de Aprendizes-Marinheiros do Ceará, instituição dedicada à formação militar dos novos tripulantes dos navios de guerra da Marinha do Brasil. O espaço, nomeado “Salão Riachuelo”, foi todo dedicado à celebração da Batalha. Na parede à direita dos alunos foram destacados os nove navios brasileiros que combateram naquele 11 de junho de 1865, expondo sua organização tática em duas divisões e o nome de cada um dos seus comandantes. À frente, onde todos os olhos se fixam, coroa o tablado designado ao professor o retrato do Almirante Barroso, ladeado pelas bandeiras do Regimento de Sinais que representaram os chamamentos daquele líder às tripulações durante os períodos mais adversos da Batalha: “Sustentar o fogo que a vitória é nossa” e “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. Encerrando aquela composição, à esquerda dos alunos há o retrato do Guarda-Marinha Greenhalgh e à direita o do Marinheiro Marcílio Dias, expostos como exemplos a serem perseguidos por aqueles jovens na busca por se tornarem combatentes na Marinha do Brasil.

Acessando o link para as fotografias do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

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As fotografias do acervo da DPHDM disponibilizadas no portal são de autoria de Boute, H&J Tourte Éditeurs, Jorge Kfuri (1892/3 – 1965), um dos primeiros especialistas na fotografia aérea; Marc Ferrez (1843 – 1923) e de fotógrafos ainda não identificados. São imagens da visita do rei Alberto I da Bélgica ao Brasil em 1920, da Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará, do navio-escola Benjamin Constant, do cruzador Tamandaré e fotografias aéreas do Rio de Janeiro, além de outras.

 

 

O Navio-Escola Benjamin Constant

A Brasiliana Fotográfica selecionou registros do Navio-Escola Benjamin Constant que pertencem ao acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, um dos integrantes do portal. As fotografias foram produzidas por H & J Tourte Éditeurs, em 1906. Com um artigo do pesquisador da DPHDM, o Capitão de Corveta (T) Carlos André Lopes da Silva, os leitores poderão conhecer a história do navio.

 

 

Navio-Escola Benjamin Constant

 Carlos André Lopes da Silva*

O recrutamento de pessoal para as marinhas de guerra sempre foi mais difícil do que para os exércitos. Enquanto o treinamento básico para as tropas de terra, durante muito tempo, se limitou ao uso das armas individuais e às marchas coletivas, o emprego do navio como plataforma de armas obrigava não apenas a instrução com armamento, mas o aprendizado de uma variada gama de tarefas especializadas necessárias às viagens oceânicas, passando até pela adaptação fisiológica do homem ao jogo da embarcação no alto-mar.

No tempo das marinhas a vela, a solução difundida entre as marinhas de guerra era o recrutamento do pessoal que já labutava no mar, marinheiros dos navios mercantes e pescadores, que adestravam, durante as próprias viagens, os novatos que completavam as tripulações. Em uma época que a guerra no mar era algo pouco complexo, onde a vitória vinha pela abordagem, combates corpo-a-corpo nos conveses de navios inimigos emparelhados, o aprendizado se dava pela prática. Mesmo na formação dos oficiais, os homens que comandavam as equipes de um navio de guerra, o aprendizado vinha essencialmente pela convivência com os oficiais mais experientes durantes as travessias oceânicas.

Acessando o link para as fotografias do cruzador Benjamin Constant disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

O gradual aperfeiçoamento da guerra no mar e a aplicação cada vez maior de ciências como a matemática na navegação, induziu diversas marinhas a criarem escolas para formação profissional de oficiais e, algum tempo depois, de marinheiros. Contudo, o emprego do navio como ferramenta   para a formação profissional nunca foi abandonado.

Durante o século XIX, diversos navios de guerra foram eventualmente utilizados para instrução de futuros oficiais, os guardas-marinha, e marinheiros. Desde pequenos navios que realizavam cruzeiros de poucos dias no litoral brasileiro, como o Patacho Aprendiz-Marinheiro, até grandes veleiros equipados com máquinas a vapor que chegaram a realizar viagens de circunavegação instruindo guardas-marinha, como a Corveta Vital de Oliveira, em 1879, e o Cruzador Almirante Barroso, em 1888. O primeiro pensado desde o início como um navio-escola foi o Cruzador Benjamin Constant, um navio equipado como ferramenta de ensino prático para realizar longas viagens oceânicas com os guardas-marinha que terminavam o aprendizado teórico na Escola Naval.

 

 

 

Construído pelo estaleiro francês Société Nouvelle des Forges et Chantiers de la Méditerranée entre 1891 e 1894, o navio foi batizado em homenagem a Benjamin Constant Botelho de Magalhães, militar do Exército Brasileiro e professor da Escola Militar da Praia Vermelha, um dos principais líderes do movimento republicano de 1889. Ainda inacabado, o Benjamin Constant recebeu em seus alojamentos a tripulação do Cruzador Almirante Barroso, naufragado no Mar Vermelho, em 1893, no meio de uma viagem de instrução com guardas-marinha. No ano seguinte, quando foi entregue ao governo brasileiro, recebeu uma tripulação heterogênea, em grande parte formada pelo Exército, pois parte dos militares da Marinha tinham se sublevado contra Floriano Peixoto no evento que ficou demarcado na história como a Revolta da Armada.

Esse grande veleiro de três mastros, com 74 metros de comprimento e quase três mil toneladas de deslocamento, conduziu inúmeras turmas de guardas-marinha e aprendizes-marinheiros em cruzeiros de instrução pelo litoral brasileiro e por águas internacionais. Em 1908, realizou a terceira viagem de circunavegação de um navio da Marinha do Brasil, durante a qual  salvou um grupo de 20 náufragos do navio japonês Toyoshima Maru que tinham se asilado na desabitada Ilha Wake, no Pacífico Sul. Dez anos antes, durante outra viagem de instrução com guardas-marinha, foi o Benjamin Constant que formalizou a incorporação ao território brasileiro da Ilha da Trindade, com a instalação de um marco de posse naquele que é o ponto insular principal de um arquipélago, então disputado com a Grã-Bretanha, situado à 1.200 quilômetros do nosso litoral. Já na viagem de instrução de guardas-marinha realizada em 1917, que transcorreu logo após a entrada do Brasil na Primeira Guerra, a sua tripulação apresou o navio mercante alemão Blucher no porto de Recife.

 

 

 

O imponente navio recebeu de suas tripulações o afetuoso apelido de Garça Branca. Além de todos os compartimentos e equipamentos próprios a um navio de guerra do período, contava com uma biblioteca, alojamentos e banheiros reservados para os alunos e instrutores e uma sala de estudos. Desgastado pelo intenso emprego nas viagens de instrução e tornado obsoleto pelo rápido progresso tecnológico que atingiu os navios de guerra entre o início do século XX e o fim da Primeira Guerra Mundial, foi “aposentado” em 1926.

 

*  Carlos André Lopes da Silva é pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

Dia Nacional do Futebol

No Dia Nacional do Futebol, a Brasiliana Fotográfica homenageia o esporte mais popular do Brasil com a fotografia O foot-ball na Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará, de 1917. Sob o título de Companhia de Aprendizes-Marinheiros, a escola foi criada em 26 de novembro de 1864, mas foi instalada somente em 26 de fevereiro de 1865. A imagem destacada pertence ao acervo da Diretoria de Patrimônio Histórico da Marinha, uma das parceiras do portal. O Dia Nacional do Futebol foi instituído pela Confederação Brasileira de Desportos e a data foi escolhida porque o Sport Club Rio Grande, fundado em 19 de julho de 1900, é o mais antigo time de futebol brasileiro em atividade. Em 1984, o Congresso Nacional oficializou a data (Jornal do Brasil, 20 de julho de 1984, na última coluna).

 

 

O futebol chegou ao Brasil pelas mãos do paulista Charles William Miller (1874 – 1953), filho de um inglês e de uma brasileira. Após 10 anos estudando na Inglaterra, em 1894, Miller chegou ao Brasil, vindo de Southampton, a bordo do paquete inglês Magdalena, para trabalhar na São Paulo Railway. Trouxe duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro com as regras do futebol, uma bomba de encher bolas e uniformes usados ( O Paiz, 23 de outubro de 1894, na sexta coluna, sob o título “Movimento Marítimo” ). Aproximadamente um ano depois, em 14 de abril de 1895, foi realizada a primeira partida de futebol do Brasil, na Várzea do Carmo, em São Paulo, onde atualmente está localizado o Largo do Gasômetro. Foi disputada entre os funcionários da Companhia de Gás de São Paulo (Gas Company of São Paulo) e da Companhia Ferroviária de São Paulo (São Paulo Railway). O time de Charles Miller venceu por 4 a 2. Segundo o historiador John Mills, autor do livro Charles Miller, o Pai do Futebol Brasileiro,  o único documento que existe sobre esse jogo é o depoimento que Miller deu ao jornalista Thomaz Mazzoni , que foi publicado na Gazeta Esportiva, em 1942. Alguns historiadores contestam o pioneirismo de Charles Miller.

Novos acervos: Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

A Marinha do Brasil e os primórdios da fotografia aérea

A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM) tem o propósito de preservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural da Marinha, contribuindo para a conservação de sua memória e para o desenvolvimento da consciência marítima brasileira. Além disso, cabe ainda à DPHDM a administração do Arquivo da Marinha, localizado na Praça Barão de Ladário s/n°, Ilha das Cobras, dentro do complexo do Comando do 1º Distrito Naval.

O Arquivo da Marinha é integrante do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) e reconhecido como Instituição Arquivística Pública, com o acervo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). No acervo fotográfico, há imagens do século XIX até os dias atuais. A partir deste mês, passa a integrar o portal Brasiliana Fotográfica, compartilhando valiosas imagens.

Centro da Cidade: Praça Mauá e arredores

A imagem capturada na primeira metade da década de 1920 mostra a atual avenida Rio Branco em toda a sua extensão, da Praça Mauá (em primeiro plano) até a então Praia de Santa Luzia. Ao longo da avenida aparece a arborização, entre as pistas, que resistiu desde a sua inauguração até 1948. Na parte central da imagem, à direita da Avenida Rio Branco, está o Morro da Conceição com seu casario que persiste, até hoje. No lado oposto, junto ao mar, o Armazém do Sal, edificação construída pelos monges beneditinos em meados do século XVIII e hoje preservada como a sede do Comando do Primeiro Distrito Naval.

No canto superior esquerdo está a Igreja da Candelária, ainda cercada de sobrados, antes da abertura da Avenida Presidente Vargas, na primeira metade da década de 1940. Neste mesmo canto, na margem da imagem, vê-se o que parece uma mancha, mas é parte da aeronave da Aviação Naval da Marinha do Brasil onde o fotógrafo Jorge Kfuri registrou diversos locais da então Capital Federal.

Kfuri, como um dos primeiros especialistas na fotografia aérea, até então a serviço do jornal A Noite, foi contratado pela Marinha do Brasil para adestrar as tripulações das aeronaves da Aviação Naval no seu ofício – quando recebeu a patente honorária de Segundo-Tenente.

Acessando o link para as fotografias do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.