A cidade de Santos pelas lentes de Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905)

Com registros produzidos, na década de 1860, por Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905), um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, a Brasiliana Fotográfica homenageia a cidade de Santos. Fundada em 1546, seu aniversário é comemorado no dia 26 de janeiro, data em que, no ano de 1839, foi elevada de vila à cidade, a partir de uma lei assinada por Venâncio José Lisboa (1810 -1880), na época, presidente da província de São Paulo.

O Dr. Venâncio José Lisboa, presidente da Província de São Paulo. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei, a lei seguinte:

Artigo único – Fica elevada à categoria de Cidade de Santos, a Villa do mesmo nome, pátria do conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, revogadas para isso as disposições em contrário. Mando, portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém. O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio do Governo de São Paulo, aos 26 dias do mês de janeiro de 1.839. Venâncio José Lisboa’.

 

 

Acessando o link para as fotografias da cidade de Santos produzidas por Militão Augusto de Azevedo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

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Militão Augusto de Azevedo fotografado por A. Liébert. Photographie Americaine.

A obra de Militão Augusto de Azevedo, além de fotografias de aspectos urbanos e do interior de São Paulo, inclui também um grande número de retratos para a produção de cartes de visite, tanto de anônimos como de pessoas importantes na história do Brasil, como, por exemplo, Joaquim Nabuco, Castro Alves e Rui Barbosa. Foram 12.500 mil pessoas retratadas, entre 1876 e 1886, cerca de um terço da população de São Paulo na época. É o autor do Álbum  comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887, sua obra-prima, o primeiro realizado com o objetivo de mostrar as mudanças ocorridas na capital paulista, devido ao progresso. Realizou também os álbuns de vistas de São Paulo(1862), de Santos(1864-65) e da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

 

Arquivo Nacional: os 180 anos

O Arquivo Nacional, instituição parceira da Brasiliana Fotográfica, comemora hoje os 180 anos de sua fundação, em 2 de janeiro de 1838. Em meio às poucas imagens conhecidas das sedes ocupadas pelo Arquivo Público do Império tendem a se infiltrar as fotografias do edifício da Casa da Moeda construído em frente ao Campo de Santana, um dos poucos prédios reservados desde sua gênese à função pública na Corte. Com um texto da pesquisadora Claudia Heynemann, o portal homenageia a data e lembra um pouco da história do Arquivo Nacional.

Arquivo Nacional: os 180 anos

Claudia Beatriz Heynemann*

Em meio às poucas imagens conhecidas das sedes ocupadas pelo Arquivo Público do Império tendem a se infiltrar as fotografias do edifício da Casa da Moeda construído em frente ao Campo de Santana, um dos poucos prédios reservados desde sua gênese à função pública na Corte. Bem mais prolífica, a produção de registros sobre aquela instituição inclui estereoscopias, como a impressa por Rodrigues & Co, da década de 1890. De grande sucesso em exposições internacionais, testemunho da popularização do gênero e do processo de urbanização do Rio de Janeiro, o tom do progresso e da dinâmica da cidade é dado aqui pelo contraste entre a solidez da instituição e o bonde que passa apinhado de passageiros na rua ainda vazia da fotografia oitocentista.

 

 

Em 2004 o conjunto arquitetônico da Casa da Moeda, tombado pelo Iphan e totalmente restaurado, passou a ser a sede definitiva do Arquivo Nacional. Inaugurado em 1866, com a Exposição Nacional, registrada no álbum assinado pelo estúdio Barbosa & Lobo, distante em bem mais de um século de sua ocupação final, era, de todo modo, a face de uma instituição bastante próxima, por seu pressuposto de custódia e confiabilidade. Esse caráter fiduciário do papel moeda, nas palavras de André Rouillé [1] coincidiu em grande medida com o valor de que se imbuiu a fotografia, instâncias revestidas de realidade e verdade. Tais princípios se estenderam ainda às cidades modernas, à prova documental, aos arquivos. Organizações florescentes no século XIX, os arquivos nacionais partilharam a promessa de controle de um mundo complexo com seus planos de organização e arranjo, seu pressuposto de registro e veracidade, no século da História e dos estados nacionais.

A criação do Arquivo Público deve ser compreendida, assim, a partir de uma matriz e de um campo comum, essencialmente europeu, prevalecendo o do Arquivo Nacional da França. Na experiência brasileira, essa origem vinha distinguida com os matizes de um Estado recém-independente na América o qual, a despeito da citação na Constituição de 1824 e mesmo antes, em decretos de 1823, só viria a ser criado pelo Regulamento nº 2 de 2 de janeiro de 1838, estabelecido em caráter provisório na Secretaria de Estado dos Negócios do Império, com as assinaturas do regente Pedro de Araújo Lima (1793 – 1870), futuro marquês de Olinda, e do ministro da Justiça e interino do Império, Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795 – 1850) (Jornal do Commercio, 18 de janeiro de 1838, última coluna). Trinta anos após o desembarque da corte joanina no Rio de Janeiro, quando a criação ou migração de inúmeros órgãos foi vista como ruptura com a condição colonial, vinculava-se à necessidade do Estado de organizar informações sem, contudo, descuidar da “história do Império”. Sua primeira sede situava-se no edifício do Ministério do Império, na rua da Guarda Velha, atual Treze de Maio. A segunda, na rua Direita.

 

 

Em seus primórdios, o Arquivo enfrentou muitos obstáculos, na obtenção de uma sede permanente, ou no recolhimento do acervo, premido pela necessidade de reunir documentos existentes nas secretarias dos ministérios e pelo suprimento de “lacunas” constatadas no acervo sobre a história do país, recorrendo essencialmente aos arquivos portugueses. O pressuposto de que haveria uma narrativa histórica a ser constituída por documentos norteou medidas como a previsão do cargo de cronista voltado a escrever “com exatidão e circunstanciado desenvolvimento as efemérides sociais e políticas do Brasil”. A década de 1870 encontra o Arquivo no antigo prédio do Recolhimento do Carmo, em situação mais estável e, sob a direção de Joaquim Machado Portela quando é anunciado um plano de classificação nos moldes franceses, paradigma da metodologia arquivística de então.

 

 

Novas inflexões na história da Instituição alcançam o século XX, sendo notória a gestão do historiador José Honório Rodrigues (1958-1963) que buscou dotar o órgão de uma personalidade propriamente arquivística, propondo uma política nacional de arquivos, insistindo no recolhimento da “documentação federal” entre outras providências que recusaram a visão tradicional do arquivo como “velho guardião da memória”. Os anos 1980 foram decisivos para o Arquivo Nacional: a adoção do Projeto de Modernização Institucional Administrativa, a passagem para órgão autônomo da administração direta na estrutura do Ministério da Justiça e a mudança para o edifício anexo à antiga Casa da Moeda em janeiro de 1985 foram acompanhadas do lançamento da revista Acervo, de projetos inéditos na área de pesquisa e difusão, além da continuidade e aprofundamento das políticas de gestão e preservação que, a partir da década de 1970, situaram o Arquivo Nacional no campo da moderna teoria arquivística.

A Lei Nacional de Arquivos, ou Lei n.º 8.159, de 8 de janeiro de 1991 levou o Arquivo Nacional a atingir parte substantiva de seus objetivos ao estabelecer como dever do Poder Público, “a gestão documental e a proteção especial a documentos de arquivos, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação”. Assegura ao Arquivo Nacional “a gestão e o recolhimento dos documentos produzidos e recebidos pelo Poder Executivo Federal, bem como preservar e facultar o acesso aos documentos sob sua guarda, e acompanhar e implementar a política nacional de arquivos”. A criação do Conselho Nacional de Arquivos – Conarq em 1992, a instituição do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo – SIGA, da Administração Pública Federal em 2003, inscrevem-se entre as principais ações voltadas à gestão e proteção aos documentos de arquivo, tendo o Arquivo Nacional como órgão central desses sistemas.

A instituição participa de diversos organismos internacionais como a ALA (Associação Latino Americana de Arquivos), o CIA (Conselho Internacional de Arquivos), ou a COLUSO (Comissão luso-brasileira para salvaguarda do patrimônio luso-brasileiro), o Programa ADAI e o Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da Unesco; integra, ainda, o Projeto InterPARES – International Research on Permanent Authentic Records in Electronic System (Pesquisa Internacional sobre Documentos Arquivísticos Autênticos Permanentes em Sistemas Eletrônicos), além de cooperar e manter convênios com muitas universidades para projetos comuns.

O Arquivo Nacional exerce sua missão também por meio de atividades de pesquisa, produção de conhecimento e da difusão nas diferentes áreas de sua competência. Publicações, exposições, concursos de monografias, sítios web,
bases de dados, seminários, um dos mais importantes laboratórios de preservação da América Latina, a participação em um portal colaborativo como a Brasiliana Fotográfica são iniciativas e perspectivas adotadas por um
organismo que, em sua origem, restringia o acesso à burocracia, seguindo uma política de sigilo e que teria portanto encontrado “sérias dificuldades para realizar os objetivos inerentes a esse tipo de instituição: ‘instrumentalizar’ a
ação administrativa do Estado nacional emergente e subsidiar a pesquisa histórica” [2].

Sua sede no Rio de Janeiro divide com a Coordenação Regional de Brasília a guarda de um acervo avaliado em cerca de 55 km de documentos [3]. Esse universo congrega registros datados do século XVI aos dias de hoje, provenientes da administração colonial, do governo metropolitano, de ministérios e órgãos do Império e da República, de indivíduos e instituições privadas, coleções e itens documentais, documentos audiovisuais e cartográficos, uma biblioteca especializada nas áreas afins à missão institucional e uma coleção de livros, folhetos e periódicos raros de cerca de 7 mil títulos. De muitas formas o Arquivo Nacional procura hoje responder aos dilemas característicos da história das instituições arquivísticas; às inegáveis rupturas operadas nas sociedades contemporâneas a partir das redes tecnológicas, com seus novos atores, leituras e reinterpretações de seu patrimônio, e a toda complexidade que os 180 anos comportam.

 

Acessando o link para as fotografias da antiga Casa da Moeda, sede do Arquivo Nacional, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

*Claudia Beatriz Heynemann – Doutora em História | Pesquisadora do Arquivo Nacional

 

[1] ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. São Paulo: Editora Senac, 2009, p. 51.

[2] COSTA, Célia. Arquivo Público do Império: o Legado Absolutista na Construção da Nacionalidade. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 14, nº 26, 2000, p. 217-231.

[3] O Sistema de Informações do Arquivo Nacional – SIAN é a principal base de dados da instituição para consulta ao acervo. Outras bases de dados e sites podem ser acessados no site do Arquivo Nacional.

 

 

Retrospectiva das sedes e denominações do Arquivo Nacional

1838 – O Arquivo Público do Império situa-se na rua da Guarda Velha, atual Treze de Maio, no edifício do Ministério do Império (Jornal do Commercio, 18 de janeiro de 1838, última coluna).

1844 – Transfere-se para a Praça do Comércio, por cima da rua Direita, atual Primeiro de Março (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1845).

1845 – Volta a sua primeira sede, na rua da Guarda Velha (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1848).

1855 – Está sediado no edifício do Convento de Santo Antônio (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1856).

1870 - Situa-se no segundo andar do antigo edifício do Recolhimento do Parto dos Terceiros da Ordem do Carmo, na rua dos Ourives, nº 1, atual rua Miguel Couto (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1871).

1889 – Com a proclamação da República, passa a chamar-se Arquivo Público Nacional (Jornal do Commercio, 20 de novembro de 1889, última coluna).

1907 – Ocupa a antiga sede do Museu Nacional, na Praça da República (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1908).

1911 – Muda sua denominação para Arquivo Nacional.

1985 – Após a transferência da Casa da Moeda do Brasil para instalações maiores, o Arquivo Nacional ocupa um dos prédios da instituição, construído nos anos 70 para a fabricação de papel-moeda (Jornal do Brasil, 3 de janeiro , primeira coluna; e 4 de janeiro, última coluna, de 1985).

2004 – O conjunto arquitetônico da Casa da Moeda, tombado pelo Iphan e totalmente restaurado, passa a ser a sede definitiva do Arquivo Nacional (Jornal do Commercio, 6 de setembro de 2004; O Estado de São Paulo, 9 de setembro de 2004, página A-7).

Retrospectiva dos diretores do Arquivo Nacional

Ciro Cândido Martins de Brito (1840 – 1857)

José Tomás de Oliveira Barbosa (interino) (1857 – 1860)

Antonio Pereira Pinto (1860 – 1869)

Joaquim Caetano da Silva (1869 – 1873)

Joaquim Pires Machado Portela (1873 – 1898)

Pedro Veloso Rebelo (1899 – 1902)

Francisco Joaquim Bethencourt da Silva (1902 – 1910)

Alcebíades Estevão Furtado (1910 – 1915)
Frederico Schumann (1915 – 1917)
Luís Gastão d’Escragnolle Dória (1917 – 1922)
João Alcides Bezerra Cavalcanti (1922 – 1938) Eugênio Vilhena de Morais (1938 – 1958)
José Honório Rodrigues (1958 – 1964)
Roberto Dias Groba (1964)
Pedro Moniz de Aragão (1964 – 1969)
Raul do Rego Lima (1969 – 1980)
Celina Vargas do Amaral Peixoto (1980 – 1990)
Tereza Maria Sussekind Rocha (interina) (1990 – 1991)
Maria Alice Barroso (1991 – 1992)
Jaime Antunes da Silva (1992 – 2016)
Maria Isabel de Oliveira (interina) (2016)
José Ricardo Marques (2016)
Ivan Fernandes Neves (interino) (2016)
José Ricardo Marques (2016 – 2017)
Diego Barbosa (2017)
Carolina Chaves de Azevedo ( 2017)

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ESTEVÃO, Silvia Ninita de Moura; FONSECA, Vitor Manoel Marques da. A França e o Arquivo Nacional do Brasil. Acervo, Rio de Janeiro, v. 23, no 1, p. 81-108, jan/jun 2010.

Folha de São Paulo, 18 de novembro de 2002.

LUCENA, Felipe. História do Arquivo Nacional. Diário do Rio, 2016.

Portal do Iphan

VERARDI, Cláudia Albuquerque. Arquivo Nacional: a memória de uma nação. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

Site do Arquivo Nacional

A fundação de Niterói

 

A Brasiliana Fotográfica destaca 23 imagens para celebrar o aniversário de Niterói, cidade do estado do Rio de Janeiro, fundada em 22 de novembro de 1573. São registros produzidos pelos fotógrafos Antônio Caetano da Costa Ribeiro (18? – 19?), Augusto Stahl (1828 – 1877)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Jorge Kfuri (1893 – 1965)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)Marc Ferrez (1843 – 1923) e por Sidney Henry Holland (1883 – 1936) Niterói foi a capital do estado do Rio de Janeiro de 1834 até 1975, quando aconteceu a fusão dos estados do Rio e da Guanabara.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Niterói disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

O pintor Antonio Parreiras (1860 – 1937), que nasceu e faleceu em Niterói, foi tema de uma publicação da Brasiliana Fotográfica, em 17 de outubro de 2015. 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

A fundação de São Luís do Maranhão

 

Brasão de São Luís

Brasão de São Luís do Maranhão

Com três imagens da capital do Maranhão, São Luís, produzidas por fotógrafos até hoje não identificados, e com a reprodução de seu mapa, datado de 1912, a Brasiliana Fotográfica lembra a fundação da cidade, em 8 de setembro de 1612. Localizada entre as baías de São Marcos e São José de Ribamar, na ilha Upaon-Açu, denominação que significa Ilha Grande - dada pelos índios tupinambás – São Luís é a única cidade do Brasil que foi fundada por franceses. Surgiu da tentativa francesa de criar a França Equinocial e o líder da expedição que fundou a cidade foi Daniel de la Touche.

Posteriormente, São Luís foi invadida por holandeses e colonizada pelos portugueses. É a cidade natal dos escritores Aluísio de Azevedo (1857 – 1913), Arthur Azevedo (1855 – 1908), Ferreira Gullar (1930 – 2016), Gonçalves Dias (1823 – 1864), Graça Aranha (1868 – 1931) e Odylo Costa Filho (1914 – 1979); da cantora Alcione (1947-), do músico Catulo da Paixão Cearense (1866 – 1946) e do carnavalesco Joãozinho Trinta (1933 – 2011). Além disso, São Luís também é conhecida por ritmos como o bumba-meu-boi, o reggae e o tambor-de-crioula. O nome da cidade foi uma homenagem ao rei da França, Luís IX (1214 – 1270).

 

Acessando o link para as fotografias de São Luís do Maranhão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

 

A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

A Brasiliana Fotográfica homenageia o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, inaugurado na Cinelândia, em 14 de julho de 1909, com uma seleção de fotografias de Augusto Malta (1864 – 1957), A. Ribeiro, Jorge Kfuri (1892/3? – 1965),  Marc Ferrez (1843 – 1923) e Uriel Malta (1910-1994), pertencentes aos acervos do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, da Biblioteca Nacional, da Diretoria do Patrimônio Histórico da Marinha e do Instituto Moreira Salles. O prédio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro é um dos mais bonitos e imponentes da cidade e sua história mistura-se com a trajetória cultural do Brasil. Considerado uma das mais importantes salas de espetáculos da América do Sul, ao longo de seus 108 anos recebeu grandes artistas nacionais e internacionais, como as cantoras Bidu Sayão (1902 – 1999), Maria Callas (1923 – 1977) e Renalta Tebaldi (1922 – 2004); os maestros Arturo Toscanini (1867 – 1957), Igor Stravinsky (1882 – 1971) e Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959); a atriz Sarah Bernhardt (1844 – 1923) e os bailarinos Margot Fonteyn (1919 – 1991), Rudolf Nureyev (1938 – 1993), Ana Botafogo (1957-) e Mikhail Baryshnikov (1948-); além de importantes personalidades como o papa Francisco (1936-) e o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (1961-).

 

Acessando o link para as fotografias do Theatro Municipal do Rio de Janeiro disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Um dos maiores entusiastas da construção do Theatro Municipal foi o dramaturgo Arthur Azevedo (1855-1908), que faleceu 9 meses antes de sua inauguração. Foi o prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), que durante seu mandato, de 1902 a 1906, realizou uma significativa reforma urbana na cidade, que ficou conhecida como o “bota-abaixo”. Foi aberta uma concorrência pública para a escolha do projeto arquitetônico do futuro teatro (Gazeta de Notícias, 20 de março de 1904, na quarta coluna e na quinta coluna). Em 20 de setembro de 1904, a subcomissão formada por José de Andrade Pinto, Morales de los Rios, Carlos Hargreaves, Rodolfo Bernardelli e Arthur Azevedo reuniu-se para estudar os projetos apresentados (Gazeta de Notícias, 21 de setembro de 1904, na quinta coluna). Finalmente, a comissão encarregada para a escolha do melhor projeto decidiu pelo empate entre os projetos Áquila e Isadora (Gazeta de Notícias, 22 de setembro de 1904, sétima coluna). O autor do primeiro foi o engenheiro Francisco de Oliveira Passos (1878 – 1958), filho do prefeito, e, o do segundo, o arquiteto francês Albert Guilbert, vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses. O parentesco do prefeito com um dos vencedores causou uma grande polêmica e a autoria do Áquila foi questionada: suspeitou-se que a seção de arquitetura da Prefeitura teria sido responsável pelo projeto. Os dois projetos premiados, inspirados na Ópera de Paris, se fundiram e resultaram no projeto final.

 

 

Em janeiro de 1905, as primeiras estacas necessárias à construção do teatro começaram a ser colocadas (Gazeta de Notícias, 4 de janeiro de 1905, na sétima coluna). Em 20 de maio do mesmo ano, com a presença do presidente da República, Rodrigues Alves (1848 – 1919), e das mais importantes autoridades do país, foi lançada sua pedra fundamental (Gazeta de Notícias19 de maio, na sexta coluna, e 21 de maio, na primeira coluna, de 1905). Artistas de renome como os irmãos Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931) e Henrique Bernardelli (1857 – 1936), Eliseu Visconti (1866 – 1944) e Rodolfo Amoedo (1857 – 1941) participaram da decoração do teatro.

 

 

Em 14 de julho de 1909, com capacidade para 1.739 espectadores, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi inaugurado na praça Marechal Floriano, esquina com a então avenida Central, atual Rio Branco. O evento teve a presença do presidente da República, Nilo Peçanha (1867 – 1924), e do prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Marcelino de Sousa Aguiar (1855 – 1935), dentre outras personalidades. A um discurso de Olavo Bilac (1865 – 1918), seguiu-se a programação artística da inauguração: sob a regência do maestro Francisco Braga (1868 – 1945) foram executados o poema sinfônico de sua autoria, Insomnia, e do noturno da ópera Condor, de Carlos Gomes (1836 – 1896). Depois foi encenado um delicioso ato em prosa do grande estilista Coelho Neto, BonançaNa terceira e última parte do espetáculo foi apresentada a ópera Moema, de Joaquim Torres Delgado de Carvalho (1872 – 1921). Após a apresentação, vários espectadores foram para o Salão Assyrio, restaurante do teatro (O Paiz14 de julho e 15 de julho de 1909; e Gazeta de Notícias, 15 de julho de 1909).

Desde 1909, o teatro passou por quatro grandes reformas: em 1934, 1975, 1996 e 2008. A última foi realizada em comemoração aos seu centenário. Foi reinaugurado em 27 de maio de 2010. Atualmente tem 2.252 lugares. Atravessa, em 2017, uma grande crise financeira. Funcionários do teatro protestaram, em 9 de maio de 2017, contra os atrasos salariais e a falta de investimentos na instituição com um espetáculo de ópera e música clássica na escadaria no prédio.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Site do CPDOC

Site do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Uma homenagem aos 452 anos do Rio de Janeiro: o Corcovado e o Pão de Açúcar

 

A beleza e a vocação exibicionista fez do Rio de Janeiro personagem constante de muitas fotografias desde o século XIX, quando, em 1843, o abade Conte chegou à cidade trazendo um daguerreótipo (Jornal do Commercio, 17 de janeiro de 1843, na primeira coluna). Na data de aniversário de sua fundação, a Brasiliana Fotográfica presta uma homenagem à cidade maravilhosa com uma seleção de registros dos morros do Corcovado, onde fica o Cristo Redentor, e do Pão de Açúcar, onde, desde 1912, funciona o bondinho. São seus principais pontos turísticos e marcas registradas da cidade. As imagens são de autoria de Alberto Henschel (1827 – 1882), Antonio Caetano da Costa Ribeiro, Augusto Malta (1864 – 1957), Augusto Stahl(1828 – 1877), F. Antunes, Georges Leuzinger (1813 – 1892), Jorge Kfuri (1892/3? – 1965), José Augusto de Paiva Meira, José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925), Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897), Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), Thiele, do aviador Sidney Henry Holland (1883 – 1936) e da firma LTM.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Corcovado e do Pão de Açúcar disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil, o Cristo Redentor é um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo art déco do mundo. Localizado no morro do Corcovado, a 710 metros de altitude, a estátua tem 38 metros de altura e pesa 1.145 toneladas. Foi inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1931 e O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931).

 

Em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado um caminho aéreo no Rio de Janeiro, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, que se tornaria o mundialmente famoso Bondinho do Pão de Açúcar (Careta, 5 de outubro de 1912). Alguns dias antes, houve uma visita da imprensa às obras (Correio da Manhã, 10 de outubro de 1912). Em 1º de dezembro, foi inaugurada a iluminação elétrica no caminho aéreo (Jornal do Brasil, 1º de dezembro de 1912, na última coluna). O bondinho no segundo trecho, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, numa extensão de 750 metros e 396 metros de altura, começou a funcionar no dia 18 de janeiro de 1913, completando a ligação até o alto do pico do Pão de Açúcar (O Paiz, 19 de janeiro, na quarta coluna).

 

 

 

Outras publicações da Brasiliana sobre o Rio de Janeiro:

A fundação do Rio de Janeiro

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

São Paulo sob as lentes do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928)

A Brasiliana Fotográfica homenageia os 463 anos de São Paulo, a maior cidade da América do Sul e a quarta maior do mundo, com imagens produzidas pelo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928). Ele nasceu em Wellhausen, cantão de Thurgau, e foi para Salvador, na Bahia, aos 5 anos de idade. Em 1871, após um período de aprendizado no ateliê de Alberto Henschel (1827 – 1882) na capital baiana, estabeleceu-se como fotógrafo. Destacou-se como retratista e como fotógrafo de paisagens urbanas e rurais. Em 1882, Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?) tornou-se seu sócio e, em 1894, a próspera empresa Gaensly & Lindemann abriu uma filial em São Paulo, onde Gaensly foi morar.

Foi o autor de importantes registros de São Paulo, vendidos como fotografias em papel albuminado e colotipias impressas na Suíça e comercializadas em álbuns. Ao lado de seu contemporâneo Marc Ferrez (1843 – 1923), foi provavelmente o fotógrafo mais publicado em postais no Brasil. Em 1899, a empresa The São Paulo Railway, Light and Power Company, o contratou como fotógrafo oficial, função que exerceu até 1925, três anos antes de sua morte. Na ocasião, a presença da Light representava a modernização da área urbana e dos serviços da cidade.

Acessando o link para as fotografias de São Paulo produzidas por Guilherme Gaensly, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

“Essa documentação, assinada por um fotógrafo plenamente maduro e no auge da carreira, possui particular importância já que Gaensly valia-se ainda da tecnologia e do olhar estético característico da fotografia do final do século XIX, o que lhe permitiu conferir peculiar qualidade a seus registros, fazendo-os mesmo transcender os aspectos estritamente técnicos das imagens que sabia capturar com extremo rigor formal e poder de síntese”(Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan, p.10)

Apesar de nunca ter sido o fotógrafo oficial de São Paulo, como foi Augusto Malta (1864 – 1957) no Rio de Janeiro, Gaensly foi o autor de uma abrangente obra sobre a capital paulista nas primeiras décadas do século XX, o que o coloca nessa posição. Ele e Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) são considerados os fotógrafos que mais cultuaram São Paulo. Gaensly fotografou a cidade em plena transição para a modernidade, tendo registrado todos os aspectos urbanos da nova metrópole que surgia. Registrou a inauguração dos bondes elétricos que substituíram as carroças, o Jardim da Luz, a agitação do comércio na região do entorno da Praça da Sé, o crescimento da avenida Paulista, além de palacetes, chácaras, edifícios públicos, igrejas, escolas, teatros e hospitais. Essas vistas de São Paulo foram comercializadas em álbuns impressos na Suíça a partir de fotografias em papel albuminado e de colotipias. Fotografou também a chegada de imigrantes italianos em Santos e em São Paulo. Dentre os prêmios que recebeu, está uma medalha de prata conquistada na Exposição Universal de Saint Louis, em 1904.

 

 

“Guilherme Gaensly foi sem dúvida o fotógrafo que mais aproximou o seu trabalho das necessidades e exigências do ideário republicano de progresso social e material. Dedicado e ativo nas primeiras décadas do século passado, produziu uma visão da metrópole emergente com requinte e elegância, buscando interpretá-la como um espaço urbano harmonioso; uma memória que não ultrapassa o estritamente fotográfico, mas que hoje se evidencia como um dos principais fios condutores da história da cidade” (Rubens Fernandes Junior, in Guilherme Gaensly, 2011).

 

Cronologia de Guilherme Gaensly

1843 – Em 1º de setembro (provavelmente), nascimento de Wilhelm (Guilherme) Gaensly, em Wellhausen, cantão de Thurgau, na Suíca, fronteira com a atual Alemanha, filho de Jacob Heinrich ( c.1804 – 1868) e Anna Barbara Kin (c. 1813 – 1895). Teve 4 irmãos: Ferdinand (c. 1837 – 1915), Frederick (c. 1838 – 1902), Julia (c.1848 – 1936) e Alaine (c.1852 – ?). Nesse mesmo ano, seu pai veio para o Brasil, repetindo a experiência de primos e irmãos, chegando em Salvador, em 19 de setembro.

1848 – Em julho, chegada de Anna Barbara com os filhos Ferdinand, Frederick e Guilherme em Salvador, na época a segunda cidade mais populosa do Brasil – a primeira era o Rio de Janeiro.

1850/1851 – Criação do Bahia Fremden Kirschhof, o Cemitério dos Estrangeiros. Os pais e irmãos de Gaensly estão enterrados lá, na área dos protestantes.

1868 – Morte de Jacob Heinrich em 4 de janeiro. Alberto Henschel (1827 – 1882) anuncia a técnica da marfimographia, a contratação de novos profissionais e a iminente abertura de uma filial da Photographia Allemã em Salvador, na Bahia (Jornal de Recife, edição de 21 de julho de 1868, quarta e quinta colunas, no pé da página). Em algum momento entre a inauguração do ateliê e 1871 Gaensly trabalhou para Henschel.

Década de 1870 – Segundo Kossoy, durante essa década, Gaensly também foi associado ao fotógrafo alemão Joseph Schleier (1827 – 1903), que havia chegado em Salvador em 1851.

1871 – Após um período de aprendizado no ateliê de Henschel, situado na rua da Piedade, 16 (Jornal da Bahia, 16 de setembro de 1871), Gaensly estabeleceu-se como fotógrafo na firma Maison Gaensly & Lange (segundo Kossoy, Waldemar Lange), com a colaboração de Karl Gustaff ( c. 1837 – 1872), alemão que também havia prestado serviços para Henschel. Provavelmente, a Maison Gaensly & Lange ficava na Estrada do Manguinho.

1874 – Segundo Geraldo da Costa Leal em Um cinema chamado saudade (1997), nessa época, o europeu Rodolpho Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?) já trabalharia com Gaensly.

1875 – No Jornal da Bahia de 29 de agosto de 1875, na página 3, de 31 de agosto, na página 4, e de 4 de setembro, na página 4, foram publicadas propagandas da Photographia do Commercio, de Gaensly, na Ladeira de São Bento, 1. A propaganda foi publicada outra vez em 14 e 19 de abril de 1876 no mesmo jornal.

Novo estabelecimento

montado com todo o gosto

Photographia do Commercio

Guilherme Gaensly

1- Ladeira de S. Bento – 1

na localidade que ocupava a I.l.L. M. Sociedade Recreativa

Tendo sido todos os utensílios para esta nova galeria como instrumentos, mobílias, fundos, decorações, etc, escolhidos pessoalmente na minha última viagem à Europa onde visitei os maiores estabelecimentos deste gênero, venho oferecer ao respeitável público o ATELIER melhor montado desta capital garantindo trabalhos perfeitos e de DURAÇÃO visto que adotei todos os melhoramentos feitos nestes últimos anos.

A ótima colocação do ATELIER permite pela boa luz tirar constantemente bons resultados ainda nos dias chuvosos.

Sempre tem um trem  especial pronto para sair a qualquer chamado mediante prévio ajuste.

Preços reduzidos

A maior coleção de vidros da Bahia, Cartões de visita, Cartões imperiais, Cartões Bombés, Retratos Maiores 

1876 – Segundo Kossoy, Gaensly anunciou seu estabelecimento, a Photographia do Commercio, no Largo do Teatro, 1, no Jornal da Bahia, de 20 de junho de 1876.

1877 – Foi agraciado com 3 medalhas pelo Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1881 – Participou da grande mostra da Biblioteca Nacional, Exposição de História do Brasil, que reunia integrantes do acervo da instituição e também da coleção de dom Pedro II (1825 – 1891) e do barão Homem de Mello (1837 – 1918). Apresentou 28 fotografias de quadros a óleo de pessoas públicas como o padre Antônio Vieira (1608 – 1697) e o conde de Cavalleiros (1750 – 1807). Expôs também vistas da Bahia produzidas provavelmente durante a década de 1870 com o alemão Joseph Schleier (1827 – 1903) (Anais da Biblioteca Nacional, 1881 – 1882, volume 2, nas páginas 1418, 1419, 1421, 1495, 1501, 1542, 1544, 1545, 1546, 1552, 1554, 1555, 1558, 1566, 1571, 1572, 1574, 15751576, 1578, 1579, 1581, 1582, 1583, 1589, 1591, 1592 e 1597).

A presença de Schleier no catálogo da Exposição de História do Brasil parece confirmar a associação entre ele e Gaensly. As imagens são do Terreiro de Jesus com a cathedral e Faculdade de Medicina (antigo colégio dos jesuitas). Segundo Ricardo Mendes, “Considerando a abrangência do trabalho de Gaensly ao registrar a cidade de Salvador, não teria sentido a inclusão de imagens de locais tão conhecidos, a não ser que se tratasse de uma associação efetiva. De J. Schleier existem poucas referências, além de raras imagens no acervo da Biblioteca Nacional e dos Instituto Geográfico e Histórico da Bahia”.

Nesse ano o endereço de seu ateliê mudou para Largo do Teatro n° 92 – ao lado do Teatro São João – local que anos depois ficaria conhecido como Praça Castro Alves. O estúdio, um grande sobrado, era, provavelmente, também a residência de Gaensly.

Gaensly e Rodolpho Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?), futuramente seu sócio e cunhado, fotografaram a inauguração do segundo trecho da Estrada de Ferro Central da Bahia, entre São Félix e Tapera, atual Taperi (Diário de Pernambuco, 1º de janeiro de 1882, na última coluna).

1882 – Informava-se ao público novas mudanças e melhorias na Fotografia premiada de Guilherme Gaensly, que além de ateliê fotográfico funcionava também como uma galeria de seus trabalhos e anunciava  “a melhor coleção de vistas dos pontos mais bonitos da capital e subúrbios. Chama especial atenção para os retratos de tamanho natural pela câmara solar, retocados por um hábil artista de Paris”. O retoque deveria ser uma referência ao acabamento de fotopintura. (Diário de Notícias, 1 de janeiro de 1882).

Gaensly apresentou “excelentes trabalhos photographicos” na exposição dos 10 anos do Imperial Liceu de Artes e Ofícios (Diário de Pernambuco, 28 de outubro de 1882, na última coluna).

Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

Admitiu como ajudante Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?), que no final dessa década tornou-se seu sócio.

1883 –  Foi publicado um anúncio do ateliê fotográfico de Gaensly, com a denominação Photographia Gaensly, na Praça de Castro Alves (Diário de Notícias, 4 de abril de 1883).

“O conhecido e acreditado photographo Gaensly” registrou o grupo que estava presente ao lançamento da pedra fundamental para as obras do primeiro engenho central da companhia Bahia Central Sugar Factories, um empreendimento do engenheiro britânico Hugh Wilsonorganizador da Companhia Anônima da Imperial Estrada de Ferro Central da Bahia (Jornal do Commercio, 3 de junho de 1883, na primeira coluna).

Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1884 – Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1885 – Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1888 - Em 5 de maio, Guilherme casou-se com Ida Itschner (c.1863 – 1933), na residência dos pais da noiva, João Jacob Itschner e Elisabet Wolf Itschner. Teve como testemunhas seu sócio, Rodolfo Lindemann, e um de seus irmãos, Frederick. A cerimônia foi celebrada pelo pastor A.L. Blackford, um dos fundadores da igreja presbiteriana no Brasil.

Rodolfo Lindemann havia se casado com a irmã de Guilherme, Alaine, em 23 de abril, no ateliê fotográfico dele e de Guilherme, tendo como testemunhas os irmãos de Gaensly, Frederick e Ferdinand.

Photographia Gaensly

Verso de carte de visite da Photographia Gaensly Lindemann, c. 1890.

 

1889 – Rodolpho Lindemann, do ateliê Gaensly & Lindemann, foi premiado na Exposição Universal de Paris, no Campo de Marte, com uma medalha de bronze com quadros fotográficos da Bahia e de Pernambuco.

1891 – Gaensly embarcou rumo à Europa no paquete alemão Rosário (Diário de Notícias, 14 de janeiro de 1891, na penúltima coluna).

O casal Guilherme e Ida Gaensly embarcou no paquete alemão Mondevidéu rumo a Santos (O Paiz, 2 de julho de 1891, na última coluna).

1892 – Foi noticiado que o beco ao lado do ateliê fotográfico de Gaensly & Lindemann, na praça Castro Alves, em Salvador, havia se tornado um “mictório” (Jornal de Notícias, 28 de maio de 1892, na primeira coluna).

1893 – O casal Guilherme e Ida Gaensly embarcaram no paquete alemão Olinda rumo à Europa (Gazeta de Notícias, 9 de julho de 1893, na última coluna).

1894 – Inauguração da filial da firma Gaensly & Lindemann, em São Paulo, na rua XV de Novembro, 28, onde se concentrava o comércio de alto padrão na capital. Gaensly foi chefiar a sede paulista e Lindemann permaneceu em Salvador. A firma baiana teve seu nome alterado para Photographia Cosmopolita. Tudo indica que a crescente concorrência em Salvador e a queda do desempenho da economia baiana devido à seca foram as causas da abertura do ateliê em São Paulo.

Entre 1894 e  1897, editou a série de grandes estampas fotográficas de São Paulo.

O ateliê fotográfico Gaensly & Lindemann foi o responsável pela produção de um quadro com os retratos de todos os arcebispos da Bahia. Foi organizado por iniciativa de Olavo de Freitas Martins, um dos fundadores do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. “O trabalho artístico do systema photogravura foi executado pelo artista sr. Rodolpho Lindemann, ficando perfeito”. A matéria também informava que a sede paulista do ateliê Gaensly & Lindemann estava produzindo um quadro com os retratos dos arcebispos de São Paulo (Jornal de Recife, 24 de outubro de 1894, na quinta coluna).

As edições de 1894 e 1895 do livro São Paulo, de Gustav Köenigswald, foram ilustradas com as primeiras séries de vistas da capital paulista produzidas por Gaensly.

1895 – Aos 82  anos, faleceu em Salvador a mãe de Gaensly, Anna Barbara.

1896 – Anúncio em francês da Photographia Gaensly & Lindemann, com os endereços em São Paulo – rua Quinze de Novembro,28 – e em Salvador – Largo Castro Alves, 92 (Almanach, 1896).

Elogio à fotografia Otto de bicicleta, produzida pelo ateliê Gaensly & Lindemann, exposta na casa de música do sr. Luiz Levy, na rua Quinze de Novembro, em São Paulo (A Bicycleta, 12 de julho de 1896, na primeira coluna).

O fotógrafo Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897) anunciou que Gaensly e Lindemann haviam cedido “gentilmente” a ele o seu “magnífico atelier” na rua Quinze de Novembro, 28, na capital paulista. Gutierrez estava expondo suas fotografias no salão da Associação Comercial (O Commercio de São Paulo, 24 de novembro de 1896, na quinta coluna).

No periódico paulista A música para todos, exemplar de dez.1896 / jan.1897, foi anunciada a Photographia Gaensly & Lindemann recomendada aos nossos assinantes. No mesmo anúncio,  foi também noticiada a exposição de mais de cinquenta fotografias do ateliê na redação da revista.

1898 – Foi comercializado o álbum “Colleções de 27 cartões com vistas da Cantareira, Jardim Publico, Quartel de Policia, Serra de Santos, Fazendas de Café, Poços de Caldas, Escola Normal de Campinas, Estação de Campinas, Largo de São Bento, Largo do Palacio, Ypiranga e outros”, cartões postais impressos por Victor Vergueiro Steidel (1868 – 1906). Não foi apresentada a autoria das imagens, mas foram, muito provavelmente, baseadas em fotografias de Gaensly, de Paulo Kowalsky e de Marc Ferrez(1843 – 1923). O fotógrafo Kowalsky teria atuado em São Paulo entre 1891 e 1897.

Para a Escola Politécnica, o estúdio Gaensly & Lindemann produziu o quadro de formatura da turma de Engenheiros Geógrafos.

1899 – Gaensly & Lindemann presentearam o Correio Paulistano com “uma bella collecção de bilhetes postais contendo vistas dos principais edificios e dos logares mais pitorescos” de São Paulo (Correio Paulistano, 4 de agosto de 1899, na última coluna). Seria sua primeira série de postais, Lembrança de São Paulo.

Gaensly & Lindemann anunciaram o envio da Grande Collecção de Vistas de São Paulo para a Exposição Universal de Paris de 1900.

Em abril, foi constituída em Toronto, por um grupo de investidores canadenses estimulados por empresários paulistas a The São Paulo Railway, Light and Power Company Limited.  Em 17 de junho, a empresa obteve autorização para funcionar no Brasil e logo em seguida iniciou seus trabalhos no país.

Gaensly foi contratado pela companhia e foi seu principal fotógrafo até 1925. Com equipamentos de grande porte (negativos em vidro 24 x 30cm), passou, então, a documentar os trabalhos da empresa, produzindo registros das transformações urbanas de São Paulo, causadas por obras de implantação de linhas de bonde elétrico, de iluminação pública, imagens de casas de máquina e interiores de oficinas de manutenção, além de fotografias da construção de barragens e das hidrelétricas da Light no estado. A primeira fotografia produzida por ele para a Light foi das obras da rua 25 de março, em 5 de julho.

1900 – Terminou a sociedade entre Gaensly & Lindemann, em São Paulo, e Gaensly passou a atuar sozinho na Photographia Gaensly (Alkmanak Lammert, 1901). No mesmo Almanak, consta o ateliê Gaensly & Lindemann, em Salvador.

Produção da segunda série de postais, também denominada Lembrança de São Paulo, dessa vez apenas com a assinatura de Gaensly. A terceira série deve ter sido editada logo em seguida.

1901 – Foi noticiado que a Photographia Gaensly & Lindemann de Salvador havia fotografado uma criança natimorta e hermafrodita, que estava despertando a curiosidade da população e de médicos, dentre eles o professor  de medicina legal, Nina Rodrigues (1862 – 1906) (Diário do Maranhão, 31 de outubro de 1901, na última coluna sob o título “Criança fenomenal”).

1902 - As imagens publicadas no primeiro Relatório de Diretoria da Light dirigido aos acionistas no exterior foram baseadas em fotografias de Gaensly e Lindemann, produzidas especificamente para a empresa ou para o álbum Lembrança de São Paulo, editado pelo Instituto Politécnico de Zurique e impresso em colotipia.

O estúdio fotográfico Gaensly & Lindmann continuava funcionando em Salvador (Almanak Laemmert, 1903).

1903 - Para “auxiliar a propaganda do café” na Exposição de Saint Louis (1904), Gaensly começou a documentar as instalações e a  lavoura cafeeira da colônia americana em Santa Bárbara (Correio Paulistano, 6 de dezembro de 1903).

Enviou ao Correio Paulistano uma coleção de dez cartões-postais coloridos e 50 em planotipia (Correio Paulistano, 26 de abril de 1903, na primeira coluna).

1904 – Gaensly entregou “as vistas produzidas no interior da exposição (Saint Louis) e as dos mapas do café” (Correio Paulistano, 12 de fevereiro de 1904, na primeira coluna).

Gaensly integrou uma comitiva que visitou a Ilha dos Búzios, parte do Arquipélago de Ilhabela, onde seria instalada uma colônica correcional. O conhecido fotógrafo Gaensly tinha a tarefa de tirar vistas dos trechos mais pitorescos e menos conhecidos dos Búzios e das histórias do fortes coloniais de Bertioga, São Sebastião e Villa Bella. Dentre vários, também estavam na expedição o escritor e engenheiro Euclides da Cunha (1866 – 1909), autor de Os Sertões, e o pintor Benedito Calixto (1853 – 1927), além de autoridades como o secretário do Interior de São Paulo e o chefe de polícia (Correio Paulistano, 8 de agosto de 1904, na quarta coluna, e 12 de agosto de 1904, na última coluna).

Anúncio da Photographia de Guilherme Gaensly, antiga Gaensly & Lindemann. A propaganda seria publicada diversas vezes durante 1904 e 1905 (Correio Paulistano, 1º de novembro de 1904, na sétima coluna).

Untitled-1

Na Exposição Mundial de Saint Louis, realizada entre 30 de abril e 1º de dezembro de 1904,  Gaensly ganhou medalha de prata na categoria “Photographia” (Almanak Laemmert, 1905).

O estúdio fotográfico Gaensly & Lindmann continuava funcionando em Salvador (Almanak Laemmert, 1905).

1905 - Entre 1905 e 1907, nas notas fiscais da Photographia Gaensly existem muitas referências a serviços de reproduções de mapas para a Comissão Geográfica e Geológica.

Início das atividades da Rio de Janeiro Railway, Light and Power Company Limited e contratação do fotógrafo Augusto Malta (1864 – 1957).

Foi publicada uma fotografia de autoria de Gaensly da festa do Club da Guarda Nacional, realizada no Jardim da Luz, em 26 de julho de 1905 (Revista da Semana, 20 de agosto de 1905).

c. 1905 – Gaensly editou uma série no formato postal, que ficou conhecida como a série A, com cinquenta imagens. Foi produzida com uma técnica de impressão que resultava numa melhor visualização, próxima ao da cópia fotográfica.

1906 - Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento da Secretaria de Agricultura de São Paulo (Correio Paulistano, 1º de novembro de 1906, na última coluna).

Foi elogiada como magnífica a fotografia do quadro da turma de graduandos da Escola de Farmácia de Ouro Preto, produzida por Gaensly (O Pharol, 11 de dezembro de 1906, na sexta coluna, sob o título “Municípios”).

Último registro do funcionamento do estúdio fotográfico Gaensly & Lindmann, em Salvador, no Almanak Laemmert, 1906.

1907 – Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento da secretaria de Agricultura de São Paulo (Commercio de São Paulo, 22 de novembro de 1907, na primeira coluna).

1908 – Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento das secretarias do Interior e da Agricultura de São Paulo (Commercio de São Paulo, 12 de janeiro de 1908, na primeira coluna, 26 de fevereiro, na quinta coluna, 8 de maio, na terceira coluna Correio Paulistano, 30 de outubro de 1908, na sexta coluna e 15 de dezembro de 1908, na última coluna).

Participou da Exposição Nacional e obteve a medalha de ouro na seção de “Photographia” (Commercio de São Paulo, 27 de novembro de 1897, na quarta coluna, sob o título “Notas e Notícias”, e Almanak Laemmert, 1909).

1909 – Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento da secretaria de Agricultura de São Paulo (Correio Paulistano, 13 de julho de 1909, na penúltima coluna).

1910 – Iniciou a produção de um novo conjunto de 50 imagens de São Paulo no formato postal, posteriormente conhecida como a série B.

1911 - O naturalista Hermann von Ihering (1850-1930), que dirigiu o Museu Paulista entre 1894 e 1916, pediu à Diretoria de Terras, Colonização e Imigração um coleção de fotografias dos núcleos coloniais “ultimamente tiradas pelo dr. Gaensly” (Correio Paulistano, 29 de abril de 1911, na segunda coluna).

Uma coleção de fotografias de Guilherme Gaensly foi um dos prêmios da rifa organizada por artistas em prol das vítimas de uma inundação ocorrida em Santa Catarina e no Paraná (O Paiz, 18 de dezembro de 1911, na última coluna)

c. 1912 – O ateliê de Gaensly mudou-se para a rua Boa Vista, 39 (Almanak Laemmert, 1913).

1915 - Foi publicada no jornal Germania, da comunidade alemã, em 15 de junho de 1914, uma propaganda do ateliê do fotógrafo na rua Boa Vista, 39.

1917 – Gaensly prestou serviços à Prefeitura de São Paulo (Correio Paulistano, 4 de dezembro de 1917, na última coluna).

1922 – Fotografou os participantes do Sínodo Presbiteriano Independente reunido em São Paulo em 24 de maio, um importante evento da igreja presbiteriana. A imagem foi publicada na edição de 2 de março de 1922 na capa do jornal O Estandarte e encontra-se arquivada no Centro de Documentação e História Reverendo Vicente Themudo Lessa.

1925 – Gaensly deixou de trabalhar para a The São Paulo Railway, Light and Power Company Limited.

1927 –  Último registro do funcionamento de seu ateliê na rua Boa Vista, 39, no Almanak Laemmert de 1927.

1928 – Guilherme Gaensly morreu em 20 de junho de pneumonia, em São Paulo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

BURGI, Sergio;DIETRICH, Ana Maria;MENDES,Ricardo. Imagens de São Paulo – Gaensly no acervo da Light 1899 – 1925, organização Vera Maria de Barros Ferraz. São Paulo:Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, 2001.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

FERNANDES JUNIOR, Rubens;KOSSOY,Boris;SEGAWA, Hugo. Guilherme Gaensly. São Paulo:Cosac Naify, 2011.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

HANNAVY, John. Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography. New York:Taylor and Francis Group, 205.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

KOSSOY, Boris. Origens e Expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Rio de Janeiro:Funarte, 1980.

KOSSOY, Boris. São Paulo, 1900. Rio de Janeiro:Editora Kosmos, 1988.

KOSSOY, Boris;FERNANDES JUNIOR, Rubens;SEGAWA, Hugo. Guilherme Gaensly. São Paulo:Cosac Naify, 2011.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

LIMA, Solange Ferraz de. São Paulo na virada do século. As imagens da razão urbana: a cidade nos álbuns fotográficos de 1887 a 1919. São Paulo:Universidade de São Paulo, 1995.

OLSZEWSKI FILHA, Sofia. A fotografia e o negro na cidade de Salvador, 1840 – 1914. Salvador:EGBA, Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1989.

Revista Carta Capital

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles

TEIXEIRA, Cid. Professores de daguerreotipia: eles deixaram a Imagem do Senhor-de-Engenho e Sinhazinhas. Jornal da Bahia, 10 e 11 de novembro de 1963.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

Para a elaboração dessa cronologia foi realizada uma ampla pesquisa em inúmeros jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

A fundação de João Pessoa

Com uma seleção de fotografias, a Brasiliana Fotográfica homenageia João Pessoa, capital da Paraíba, estado do nordeste brasileiro. Uma das mais antigas capitais do Brasil, é também conhecida como “Porta do Sol” porque no município está localizada a Ponta do Seixas, ponto mais oriental do continente americano. Foi fundada por colonizadores portugueses com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, em 5 de agosto de 1585.

 

 

Passou a se chamar Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em 1588, em homenagem ao rei Filipe da Espanha e de Portugal. Durante a invasão holandesa, em 1634, tornou-se Frederikstad. A partir de 1654, seu nome foi trocado para Parahyba do Norte. A denominação de João Pessoa foi aprovada em  setembro de 1930 (Correio da Manhã, 7 de setembro de 1930, na sexta coluna, sob o título “…e do Senado“) como uma homenagem ao político paraibano homônimo, assassinado em 26 de julho de 1930, na Confeitaria Glória, em Recife, por João Duarte Dantas (1888 – 1930), quando era governador da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas. O assassinato de João Pessoa ( 1848 – 1930), causou grande comoção popular e foi considerado o estopim da Revolução de 30, que depôs o presidente Washington Luiz e levou Getúlio Vargas ao poder.

 

Brasão_de_João_Pessoa.svg

O brasão de João Pessoa

 

Alguns historiadores afirmam que, apesar da fundação ser comemorada em 5 de agosto, quando, em 1585, foi selada a paz entre os portugueses e os tabajaras, a data real seria 4 de novembro do mesmo ano, quando o português Martim Leitão teria iniciado a construção da cidade.

Acessando o link para as fotografias da cidade de João Pessoa disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A fundação de Salvador

“São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador”

(“São Salvador”, de Dorival Caymmi)

No dia de sua fundação, Salvador, capital da Bahia e primeira capital do Brasil, é homenageada pela Brasiliana Fotográfica. São imagens da segunda metade do século XIX até 1916 produzidas pelo inglês Benjamin R. Mulock (1829 – 1863), pelo italiano Camillo Vedani (18? – ?), pelo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), pelos alemães Joseph Schleier (1827 – 1903) e Rodolfo Lindemann (c. 1852-19?), e pelos brasileiros Marc Ferrez (1843 – 1923) e Pedro Gonsalves da Silva (18? -19?).

A cidade foi fundada com o nome de Cidade do Salvador e foi a capital do Brasil de 1549 a 1763. A data oficial de sua fundação foi determinada pela portaria 299 de 11 de março de 1952, assinada pelo então prefeito Osvaldo Veloso Gordilho, e marca o dia em que o português Tomé de Sousa (1503 – 1579) desembarcou no atual Porto da Barra, em 29 de março de 1549, dando início à construção da cidade-fortaleza. Ele havia sido nomeado primeiro governador-geral do Brasil pelo rei dom João III (1502 – 1557). Chegou com seis embarcações, trazendo mais de mil pessoas para o país. A razão principal de sua vinda para o Brasil foram as revoltas promovidas pelos indígenas, onde a presença dos portugueses não era efetiva.

Painel azulejos

Painel de azulejos que integra o monumento Marco de Fundação da Cidade do Salvador, do artesão Eduardo Gomes

Atualmente, há no local do desembarque de Tomé de Souza o monumento Marco de Fundação da Cidade do Salvador, inaugurado em 29 de março de 1952 – uma estrutura vertical, esculpida por João Fragoso (1913 – 2000) em pedra de lioz portuguesa, com o símbolo da Coroa Portuguesa e a Cruz de Cristo, além de um painel de azulejos, originariamente de autoria de Joaquim Rebucho, que retrata a chegada de Tomé de Souza. O painel atual, uma réplica do original, foi feito, em 2003, pelo artesão Eduardo Gomes.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Salvador disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

“E fiquei radiante de alegria

Quando cheguei na Bahia

Bahia de Castro Alves, do acarajé

Das noites de magia, do candomblé”

(“Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira, samba-enredo da Escola de Samba Império Serrano em 1964)

Diamantina, Chichico Alkmim (1886 – 1978) e Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868.

Os registros produzidos entre as décadas de 1910 e 1950 são do mineiro Chichico Alkmim (1886 – 1978), autodidata e pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo do fotógrafo, de 5.549 negativos de vidro, foi transferida para o Instituto Moreira Salles, em 2015. A obra de Chichico, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Foi o mestre do fotógrafo Assis Horta(1918 – 2018), mineiro de Diamantina, que se tornou conhecido por registrar a classe trabalhadora na era Vargas.

Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica Encanto de Diamantina, do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), publicada no Jornal do Brasil, de 19 de outubro de 1972 (Jornal do Brasil, 19 de outubro de 1972, última coluna).

 

“Encanto de Diamantina”

Carlos Drummond de Andrade

De Diamantina se pode dizer o que em Diamantina se diz musicalmente no famoso tim-tim:

Quem não gosta dela,

de quem gostará?

Quem, conhecendo Diamantina, será capaz de não gostar de Diamantina? Mesmo não conhecendo: ouvindo falar. Pois, entre outras excelências, povo de Diamantina é povo que canta, e isto significa riqueza de coração. Canta, sem necessidade de festival de canção, essa psicose do grito que já começa a invadir cidades mineiras.

À noite, depois do batente – é Aires da Mata Machado Filho que informa – há sempre um barzinho aberto a pessoas de temperamento melódico. Finda a libação mais ou menos discreta – o que depende antes do frio do que da vontade – os cidadãos saem para a rua, providos de violão, clarineta, saxofone, flauta. Saem “cantando à toa”. Pelo prazer de cantar. Depois é que se lembram, aniversário de Fulano? Então vamos lá? Vamos. Em frente à janela fechada de Fulano – fechada, parece, deliberadamente, para o gosto de abrir-se às lufadas de música – a turma bate um castelo. Pode ser noite alta, olha lá a janela se abrindo feliz. Havendo modinha, Diamantina ignora o sono. Acabada a cantoria, pensam que os seresteiros vão dormir? Aí começa a segunda parte, mais íntima, de ternura ou dor-de-cotovelo: eles se dispersam, mas em direção a outras janelas, atrás das quais dormem (ou esperam) suas respectivas amadas. Nesse deambular já de madrugada, os seresteiros voltam a encontrar-se, cruzando os caminhos do sentimento. Assim é a noite em Diamantina: música por todos os lados, abrindo janela e alma, entre o chão e os sobrados. E, em boa parte, música de tradição local, obra de compositores e poetas diamantinenses, conhecidos ou anônimos, que desafiam o tempo.

O peixe-vivo, marca de Diamantina, que cobre vasta região mineira, conta-nos o mesmo Aires, foi enriquecido de trovas feitas no Rio de Janeiro, por volta de 1939. Manuel Bandeira fez quatro, a primeira delas aproveitada, com variante, na Lira dos Cinquent´anos:

Vi uma estrela tão alta,

Vi uma estrela tão fria.

Estrela, por que me deixas

sem a tua companhia?

Vinícius de Morais fez duas por conta própria, e uma de parceria com Pedro Nava. Este, por sua vez, compôs duas e mais uma quintilha. Ouçamos Nava:

Dom Diniz, o rei poeta,

derrotou a mouraria

para merecer um pouco

dessa tua companhia.

E Carlos Sá, cearense-mineiro:

Vivo alegre na tristeza

vivo triste na alegria,

no desejo e na saudade

dessa tua companhia.

Mas Diamantina não é apenas serenata e coreto. Como nas boas cidades antigas de Minas, tem tesouro escondido, como por exemplo “duas garrafas de ouro e três chifres de diamante”, e quem cavar junto ao córrego Pururuca, atrás do quartel do III BP, é capaz de encontrá-los: segredos de padre, à espera de decifrador. Lendas, festas religiosas e populares que teimam em resistir na medida do possível à descaracterização universal da sociedade mercantil. Igrejas antigas de fino acabamento artístico, sobrados que a gente desejaria ver em pé para sempre, não vá o progresso arrasá-los. Diamantina enfrenta o problema da industrialização. Precisa criar riquezas outras além das que derivam do temperamento amável de seus filhos. Lá se fala agora em incentivos fiscais, energia elétrica, e até já se exporta a flor da sempre-viva para outros países.

Que Deus conserve Diamantina gostosa, musical e hospitaleira depois que subir nas asas do chamado desenvolvimento. É o voto que faço depois de ler Dias e Noites em Diamantina, livro que o bom Aires acaba de publicar corajosamente em edição de autor, e tão chamativo, tão cheio de graça e apelo sensorial, que dá vontade de sair correndo, e:

_ Rápido, uma passagem para Diamantina, mas de ida só, porque eu fico por lá!

 

Galeria de Diamantina

 

Acessando o link para as fotografias de Diamantina disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Pequeno histórico de Diamantina

A formação de Diamantina está ligada à exploração de diamante e de ouro.  Foi  Jerônimo Gouvêa que, a partir da descoberta de uma grande quantidade de ouro nas confluências do Rio Piruruca e do Rio Grande, deu início à ocupação do território. O povoado, então denominado Arraial do Tejuco, começou a ser formado nas primeiras décadas do século XVIII, sempre seguindo as margens dos rios que eram garimpados. Aos poucos foi surgindo o conjunto urbano de Diamantina. O Arraial do Tijuco emancipou-se do município do Serro, em 1831, e passou a se chamar Diamantina.

Uma das cidades históricas mais conhecidas e visitadas do Brasil, Diamantina, o Portal do Vale do Jequitinhonha, é  também o ponto inicial da Estrada Real, que levava ouro e diamantes até Paraty, no Rio de Janeiro. A cidade conserva o casario colonial, as edificações históricas e as igrejas seculares. Em 1938, o conjunto arquitetônico de seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e, em 1999,  recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Além do patrimônio construído, a cidade possui um rico patrimônio natural e cultural, com uma marcante tradição religiosa, folclórica e musical.

Foi em Diamantina, na época Arraial do Tijuco, que a escrava alforriada Chica da Silva (c. 1732-1796) viveu. É também a cidade natal do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek (1902-1976).

 

Publicações relacionadas a Chichico Alkmim:

 

Família, texto de Silviano Santiago sobre uma fotografia de autoria de Chichico Alkmim

O anfitrião de Chichico, por Elvia Bezerra.

O retratista de Diamantina, por Manya Millen

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica