O Palácio Imperial de Petrópolis

 

A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores fotografias do Palácio Imperial de Petrópolis, que começou a ser construído em 1845 e foi concluído em 1862. São imagens produzidas por Georges Leuzinger (1813 – 1892), Phillip Peter Hees (1841 – 1880) e Revert Henrique Klumb ( 18? – c. 1886). Em 16 de março de 1843, dom Pedro II assinou o decreto da criação de Petrópolis e muitos imigrantes da Europa, principalmente da Alemanha, comandados pelo major e engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler (1804 – 1847), começaram a colonização da região.

Acessando o link para as fotografias do palácio imperial de Petrópolis disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Dom Pedro I se encantou com a região serrana, em 1822, quando viajava para Minas Gerais na busca de apoio à independência do Brasil. Ficou hospedado na fazenda do Padre Correia (1759 – 1824), cuja sede ficava na confluência dos rios Morto e Piabanha. A fazenda oferecia hospedagem e alimentação aos tropeiros. O padre Correia recusou uma oferta feita pelo imperador para a compra de sua propriedade. Então, em 1830, dom Pedro I comprou a fazenda do Córrego Seco, localizada no topo da Serra da Estrela, por considerá-la situada em uma região de salubridade e beleza ideais, o que beneficiaria sua filha, a princesa dona Paula (1823 – 1833), que tinha sérios problemas de saúde. D. Pedro I queria construir ali um palácio para o verão, o Palácio da Concórdia. Porém, sua abdicação, em 1831, e sua morte, em 1834, o impediram de realizar seu desejo. Seus credores entraram nas justiças europeia e brasileira e a fazenda foi destinada para cobrir suas dívidas. Em 1839, o governo do Brasil foi autorizado a comprar a propriedade ( Diário do Rio de Janeiro, 21 de setembro de 1839, na primeira coluna ) e, em 1840, ela passou a pertencer a dom Pedro II e a seus sucessores ( Diário do Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1840, na terceira coluna). A fazenda foi então arrendada por Frederico Koeler, que se tornou seu superintendente. Ele teria que edificar um palácio para o imperador, uma igreja e um cemitério, além de povoar a região.

Foi da dotação pessoal de Pedro II que vieram os recursos para a construção do palácio. O projeto original foi de Koeler e depois de seu falecimento, em 1847 (Diário de Notícias, 24 de novembro de 1847, na segunda coluna), foi alterado pelo italiano Cristóforo Bonini, responsável pelo acréscimo do pórtico de granito ao corpo central do edifício. Sob orientação de Pedro II, o botânico e paisagista francês Jean-Baptiste Binot (1810-1894) planejou e executou os jardins imperiais. O barão de Santo Ângelo, Manuel Araújo Porto Alegre (1806 – 1879), colaborou na decoração. Os arquitetos João Cândido Guillobel (1787 – 1859) e José Maria Jacinto Rebelo (1821 – 1871), ambos ligados à Academia Imperial de Belas-Artes, também participaram da obra. 

Com o banimento e o exílio da família real na Europa, ocorrido logo após a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, e com a morte da imperatriz dona Teresa Cristina na cidade do Porto, em Portugal, em 28 dezembro de 1889, e o falecimento, em 5 de dezembro de 1891, de dom Pedro II , a princesa Isabel (1846 – 1921) tornou-se a única herdeira do palácio. Ela o alugou para o Educandário Notre Dame de Sion, entre 1893 e 1908. Entre 1909 e 1939, o Colégio São Vicente de Paulo funcionou no prédio.

O político e historiador Alcindo de Azevedo Sodré (1895 – 1952), que havia estudado no Colégio São Vicente de Paulo, foi o mentor da transformação do seu antigo colégio em um museu histórico. O presidente Getúlio Vargas criou, em 29 de março de 1940, pelo Decreto-Lei n° 2.096, o Museu Imperial, inaugurado em 16 de março de 1943, na comemoração do centenário de Petrópolis (Jornal do Brasil, 18 de março de 1943). Azevedo Sodré foi seu primeiro diretor.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Site A História de Petrópolis

Site do Museu Imperial de Petrópolis

Para a elaboração desse post, a Brasiliana Fotográfica pesquisou em diversos periódicos disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

O Paço, a praça e o morro

 

Será inaugurada hoje no Paço Imperial a exposição O paço, a praça e o morro, que reúne imagens que construíram a representação fotográfica do Rio de Janeiro. São 200 registros de grandes mestres da fotografia brasileira do século XIX e das primeiras décadas do século XX, como Augusto Malta, Camillo VedaniGeorges Leuzinger, Guilherme Santos, Juan GutierrezMarc Ferrez, além de trabalhos produzidos por fotógrafos ainda não identificados. As fotografias fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles e a exposição é um desdobramento da mostra Rio, primeiras poses, realizada no centro cultural do IMS na Gávea, ao longo de 2015. Desta vez, o olhar é dirigido especificamente ao território onde a cidade nasceu e a partir do qual se desenvolveu em direção a sua configuração atual de grande metrópole, reconhecida internacionalmente como sítio urbano privilegiado pela conjunção única de paisagem natural e cultural.

As profundas e constantes transformações na região central do Rio de Janeiro nos últimos 120 anos são fundamentais para se compreender a cidade dos dias de hoje. As fotografias de época reunidas nesta exposição permitem que se compreenda o processo de crescimento e expansão urbana do Rio de Janeiro. No ano em que a cidade recebe um dos mais importantes eventos mundiais, a Olimpíada de 2016, revisitar estes marcos fundadores da cidade por meio do olhar de grandes nomes da fotografia brasileira é também um convite à imersão na paisagem e na vida de uma região que novamente passa por um processo de revitalização e transformação.

Além disso, realizar esta exposição no próprio Paço Imperial permite que se lance um olhar privilegiado sobre este importante edifício, de valor referencial único na cidade. Os registros fotográficos aqui reunidos são uma oportunidade de se confrontar in loco a evolução histórica de uma importante região da cidade, formada por este edifício e seu entorno − a praça ou largo do Paço, hoje praça XV de Novembro, e o próprio marco fundador da cidade, o morro do Castelo, removido há quase um século da paisagem e, consequentemente, também da própria memória que se tem da cidade.

Centro da vida econômica, social e política do Rio de Janeiro nos seus primeiros séculos de ocupação, o Paço Imperial, a praça XV e o morro do Castelo moldaram o crescimento da cidade a partir de sua configuração geográfica e urbana original até a virada para o século XX. Nesse momento, o centro do Rio sofreu grandes transformações e intervenções urbanas, associadas às reformas realizadas pelo prefeito Pereira Passos. Os dois grandes marcos dessa transformação foram a abertura da Avenida Central e o início do “bota-abaixo”, processo de expansão, valoração, modernização e gentrificação urbana que levaria ao total desmonte do morro do Castelo no final da década de 1920.

A exposição apresenta imagens que mostram a cidade no período anterior a essas mudanças e outras que documentam e acompanham as reformas urbanas do início do século XX, em registros de fotógrafos profissionais, como Marc Ferrez, Augusto Malta e Guilherme Santos, e amadores. Ferrez e Malta construíram, com seus trabalhos, o principal legado da fotografia para a memória da cidade nesse período. Por meio das imagens aqui expostas, é possível acompanhar o processo de transformação da cidade desde a chegada da daguerreotipia ao Rio de Janeiro em 1840, pouco antes da posse, no ano seguinte, de d. Pedro II como imperador, aos 15 anos, até o final da década de 1920, momento de fortes mudanças econômicas, sociais e políticas que culminariam na revolução de 1930 e lançariam o país e a própria cidade do Rio de Janeiro na modernidade e na contemporaneidade.

Acessando o link para as fotografias do Paço Imperial, da Praça XV e do Morro do Castelo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Notícia da viagem do fotógrafo Albert Frisch (31/05/1840 – 30/05/1918) à Amazônia

 

Christoph Albert Frisch (1840 – 1918) foi o fotógrafo responsável pela impressionante e pioneira série de 98 fotografias realizadas em 1867 na Amazônia: foram os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Ele foi o fotógrafo que acompanhou a expedição pela Amazônia liderada pelo engenheiro alemão Joseph Keller e pelo fotógrafo, desenhista e pintor Franz Keller (1835 – 1890). Este último era genro de Georges Leuzinger ( 1813 – 1892), considerado um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país. Há uma notícia sobre a  viagem de Frisch e Keller ao Pará, a bordo do paquete Paraná no Diário do Povo, de 14 de novembro de 1867 (na primeira coluna).  Frisch levou um escravizado, e a esposa de Franz e a filha de Joseph também estavam no navio. Seu retorno ao sul do Brasil, a bordo do vapor Cruzeiro do Sul, está registrado no Jornal Pedro II, de 24 de novembro de 1868, quarta coluna.

 

Acessando o link para as fotografias de Christoph Albert Frisch disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

A expedição transitou pela região dos rios Madeira e Mamoré, onde o governo imperial pretendia construir uma estrada de ferro. Segundo informações de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger em 1869, Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro , descoberto recentemente nos arquivos da Biblioteca Nacional, Frisch percorreu 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses, em um barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus.

As imagens produzidas por Frisch durante a expedição, copiadas em papel albuminado, foram comercializadas com sucesso pela Casa Leuzinger, em suporte cartão. Foi Frisch o autor das primeiras fotografias dos tipos indígenas brasileiros em seu próprio habitat conhecidas até hoje e, em sua produção fotográfica, reforçava a ideia de uma Amazônia selvagem e exótica. Ele anexava às imagens informações tais como relações de parentesco e status social dos líderes indígenas fotografados. Na época, esses registros eram muito valorizados por estudiosos de etnografia europeus e por viajantes estrangeiros em geral.

Segundo Pedro Karp Vasquez (1954 – ), Frisch tinha uma grande habilidade técnica, que usou para contornar problemas impossíveis de serem solucionados com o equipamento de que dispunha na época: obter exposição e focos simultaneamente perfeitos tanto do retratado no primeiro plano quanto da paisagem ribeirinha ao fundo. Segundo Karp, empregando “… um astucioso estratagema para realizar os retratos de índios na região do Alto Solimões…”,  Frisch fotografava seus modelos diante de um fundo neutro e produzia separadamente algumas vistas para compor o segundo plano. Para produzir as cópias fotográficas, combinava os dois negativos, alcançando assim o resultado desejado.

 

 

Como mencionado anteriormente, até hoje as fotografias dos índios da região norte do Brasil produzidas por Frisch são consideradas as primeiras que se conhece, apesar de antes dele, em 1843,  o fotógrafo norte-americano Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894) ter viajado pelos rios Orenoco e Amazonas. Nessa expedição, alguns daguerreótipos teriam sido produzidos, porém perdidos. Segundo Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, “… houve ainda o trabalho de fotografia antropométrica, em sua maioria de mestiços da região amazônica, realizado em 1865 – 1866 por Walter Hunnewell em Manaus, a pedido de Louis Agassiz, da Expedição Thayer, hoje arquivados num museu da Universidade de Harvard. O casal Agassiz publicou sua obra A Journey in Brazil em 1868 e dela constam reproduções xilográficas de algumas fotografias de Leuzinger, duas fotos de índios feitas pelo ‘Dr. Gustavo, of Manaos’, mas nenhuma de Frisch”.

Até o final do século XX, o alemão Albert Frisch era um personagem misterioso na história da fotografia. Segundo o site do Instituto Moreira Salles, “…o estudo dos documentos reunidos pela família Leuzinger, doados ao IMS em 2000, e a posterior localização de Klaus Frisch, neto do fotógrafo, pelo pesquisador Frank Stephan Kohl, permitiram reconstituir a trajetória de Frisch”.

 

Cronologia de Christoph Albert Frisch

 

1840 – Christoph Albert Frisch nasceu em Augsburgo, na Baviera, em 31 de maio. Foi criado em um orfanato devido à morte precoce de sua mãe.

Final da década de 1850 – Frisch partiu para Munique, capital da Bavária, onde começou a trabalhar no comércio de arte. Com o apoio de seu empregador, trabalhou como aprendiz em uma litografia em Paris.

Início da década de 1860 – Partiu para Buenos Aires, capital da Argentina, onde tentou, sem sucesso, se estabelecer como comerciante de estampas de imagens religiosas. Trabalhou, então, na região dos Pampas, como professor particular e gerente de um criador de gado.

1863 – Frisch retornou a Buenos Aires onde, aos 23 anos, começou sua carreira de fotógrafo, quando um alemão, que ele havia conhecido em uma taverna, o recomendou para seu empregador, o norte-americano Arthur Terry, dono de um estúdio fotográfico. Poucos meses depois, Frisch foi para o Paraguai abrir um estúdio fotográfico, a pedido do próprio presidente do país, Solano Lopez (1827- 1870).

1864 – Devido à Guerra do Paraguai, Frisch foi para o Rio de Janeiro.

1865 - Começou a trabalhar no recém-inaugurado setor de fotografia da Casa Leuzinger, no Rio de Janeiro.

1867 – Viajou ao Pará como fotógrafo de uma expedição liderada pelo engenheiro alemão Joseph Keller e pelo fotógrafo, desenhista e pintor Franz Keller (1835 – 1890)(Diário do Povo, de 14 de novembro de 1867, na primeira coluna).  Este último era genro de Georges Leuzinger ( 1813 – 1892), considerado um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país. Transitaram pela região dos rios Madeira e Mamoré, onde o governo imperial pretendia construir uma estrada de ferro. Albert Frisch … percorreu 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses…, num barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus. Produziu na ocasião uma pioneira série de 98 fotografias com os primeiros registros que chegaram até nós de índios brasileiros da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos.

1868 – Retornou ao sul do Brasil, a bordo do vapor Cruzeiro do Sul (Jornal Pedro II, de 24 de novembro de 1868, na quarta coluna).

1869 – As imagens produzidas por Frisch durante a expedição pela Amazônia começaram a ser comercializadas a partir de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger, Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro.

1870 – Frisch retornou à Alemanha e passou a trabalhar com o fotógrafo alemão Joseph Albert (1825 – 1886), que aperfeiçoou a técnica da colotipia, e com quem aprendeu as mais novas tecnologias de impressão fotomecânica da época.

1871 - Partiu para Nova York, onde continuou trabalhando como fotógrafo.

1872 – Voltou para a Alemanha, onde abriu seu próprio estúdio fotográfico.

1874 – Durante esse ano, Frisch trabalhou por um curto período com o fotógrafo Johannes Nöhring (1834 – 1913), de Lübeck.

Neste ano Franz Keller publicou o livro ilustrado Von Amazonas und Madeira, com gravuras baseadas em desenhos de seu irmão, o professor Ferdinand Keller, realizadas a partir dos esboços originais feitos por Franz na Amazônia.

1875 – Frisch mudou-se para Berlim e abriu o Kunstanstalt Albert Frisch, especializado na produção de reproduções fotomecânicas de alta qualidade. Depois de sua morte, seu filho, também Albert, continuou o negócio.

1918 – Faleceu em Berlim, em 30 de maio.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Link para o artigo Os Miranhas e as fotografias de Albert Frish, de Maria Luísa Lucas, publicado no site do Instituto Moreira Salles, em 17 de dezembro de 2019

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira de. As primeiras fotografias da Amazônia. BN Digital, 2013.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

FRANCESCHI, Antonio Fernando de. Um jovem mestre da fotografia na Casa Leuzinger. Christoph Albert Frisch e sua expedição pela Amazônia in Cadernos de Fotografia: Georges Leuzinger: um pioneiro do século XIX(1813-1892). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2006.

GÂMBERA, José Leonardo Homem de Mello. Fotografia na Amazônia Brasileira: considerações sobre o pioneirismo de Christoph Albert Frisch (1840-1918). Revista de Programa da Pós-Graduação em Arquitetur ae Urbanismo da FAUUSP,dez de 2013

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional 

KOHL, Frank Stephan. Albert Frisch and the first images of the Amazon to go around the world  in Explorers and Entrepreneurs behind the Camera The Stories behind the pictures and photographs from the image archive of the Ibero-American Institute. Berlim: Ibero-American Instituto, 2015.

KOHL, Frank Stephan. Um jovem mestre da fotografia na Casa Leuzinger: Christoph Albert Frisch e sua expedição pela Amazônia. In: Cadernos de fotografia brasileira, 3. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2006.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002

MARCOLIN, Neldson. Retratos na Selva, Revista Pesquisa Fapesp, setembro de 2014.

MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. Estou aqui. Sempre estive. Sempre estarei. Indígenas do Brasil. Suas imagens (1505/1955). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles

Site O Índio na Fotografia Brasileira

TACCA, Fernando de. O índio na fotografia brasileira: incursões sobre a imagem e o meio. História, ciências, saúde – Manguinhos – Vol. 18, nº 1, p.191-223. Rio de Janeiro., 2011

TURAZZI, Maria Inez. Poses e Trejeitos: a fotografia na era do espetáculo (1839 – 1889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. A. Frisch, ladrão de almas na Amazônia Imperial. Piracema – arte e cultura. Rio de Janeiro, nº1, ano 1, p.90-95, 1993

VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX / Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien. São Paulo: Metalivros, 2000

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003XIX (1813-1892). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2006: 185-203

 

O editor e fotógrafo suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892)

Insley Pacheco. Retrato de Georges Leuzinger, c. 1863. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

Georges Leuzinger (1813-1892) nasceu em Mollis, cidade do cantão de Glarus, na Suíça, e foi um dos mais importantes fotógrafos e difusores para o mundo da fotografia sobre o Brasil no século XIX, além de pioneiro das artes gráficas no país. Grande empreendedor, montou um sofisticado e diversificado complexo editorial, a Casa Leuzinger, que se tornaria um polo de publicações e de produções fotográficas, alçando o Brasil ao mesmo nível da produção europeia do setor.

A Casa Leuzinger era formada por oficinas de litografia, encadernação e fotografia, além de papelaria, tipografia e estamparia de livros e gravuras. Foi referência em artes gráficas, impressão e divulgação de gravuras e fotografias.  Além de produzir suas próprias imagens, o estabelecimento comercializava obras de fotógrafos como Marc Ferrez (1843 – 1923) e Albert Frisch (1840 – 1918) , entre outros.

Como fotógrafo, Leuzinger realizou, durante a década de 1860, apenas cerca de 20 anos após a invenção da daguerreotipia, um importante e pioneiro trabalho de documentação do Rio de Janeiro, incluindo cenas urbanas, vistas de Niterói, da Serra dos Órgãos e de Teresópolis.

Georges Leuzinger chegou ao Rio de Janeiro, em 1832, aos 19 anos, falando apenas alemão, para trabalhar na firma de comissões e exportações de seu tio Jean-Jacques Leuzinger. Foi, em 1840, quando a firma de seu tio faliu, que ele iniciou seu próprio negócio. Nesse mesmo ano, em 27 de novembro, casou-se com Anne Antoinette du Authier (1822-1898), conhecida como Eleonore, na igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. O casal teve 13 filhos.

Em 1845, a Casa Leuzinger publicou o Panorama circular da baía de Guanabara, em 6 partes, com litografias do francês Alfred Martinet (1821 – 1875). São as primeiras estampas por ele editadas. Leuzinger editou também vários jornais em alemão redigidos, segundo Ernesto Senna (1858 – 1913) em O velho commercio do Rio de Janeiro, de 1908, “por alguns revolucionários e socialistas que a revolução de 1848 havia feito fugir da Europa”. Ainda, segundo este autor, encarregou alguns desses forasteiros, que muitas vezes eram também artistas, de produzir imagens do Brasil e de seus costumes populares. Essas imagens eram adquiridas pelos estrangeiros que passavam pelo Brasil.

Em 1865, a Casa Leuzinger criou uma seção de fotografia, provavelmente dirigida por Franz Keller-Leuzinger (1835-1890), que era casado com uma das filhas de Leuzinger, Sabine Christine. Segundo Pedro Vasquez, Leuzinger foi “o primeiro marchand de fotografias do Brasil. Isso no sentido de distribuidor de fotografias e não no sentido moderno que damos ao termo, de galerista”. Possivelmente, o jovem Marc Ferrez (1843-1923) recebeu seus primeiros ensinamentos de fotografia de Franz Keller, na Casa Leuzinger. Dois anos depois, em 1867, o trabalho do ateliê fotográfico de Leuzinger ganhou uma Menção Honrosa na Exposição Universal de Paris, com um panorama tomado da ilha das Cobras. Foi a primeira premiação internacional do Brasil em fotografia. Apresentou também fotos de indígenas produzidas pelo alemão Albert Frisch (1840-c. 1905),  que havia viajado com Keller para o Amazonas.

O Catálogo da Exposição de História do Brasil, especialmente editado por Leuzinger para o evento realizado entre 1881 e 1882 pela Biblioteca Nacional, foi considerado pelo historiador José Honório Rodrigues (1913-1987) “o maior monumento bibliográfico da história do Brasil até hoje erguido”. Outros importantes trabalhos que editou foram uma série de fotografias da Amazônia de autoria do fotógrafo alemão Albert Frisch, o álbum Rio de Janeiro et ses environs, c. 1868, Caminho de Ferro de D. Isabel, 1875, dentre dezenas de outros.

Galeria de Georges Leuzinger

 

Acessando o link para as fotografias do Passeio Público disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cronologia de Georges Leuzinger

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Georges Leuzinger. Folha de rosto do Álbum Rio de Janeiro e seus Arredores, c. 1868 / Acervo IMS

 

1813 – Georg Leuzinger nasceu, em 31 de outubro, no cantão de Glarus, na cidade suíça de Mollis, filho de Georg Leuzinger e Sabine Laager. Posteriormente, já no Brasil, adotou para seu nome a grafia francesa Georges.

1817 - Nasceu o único irmão de Leuzinger, Johannes, em 31 de dezembro.

1822 – Nasceu em Saint-Léonard, na França, a futura esposa de Georges Leuzinger, Anne Antoinette du Authier (1822-1898), filha do visconde Du Authier e de Marie-Anne Mounier. Curiosamente, era chamada de Eleonore pela família.

1832 – Em 30 de dezembro, sozinho, falando apenas alemão e com 19 anos, Leuzinger desembarca no Rio de Janeiro, após uma viagem de 54 dias desde o porto de Havre. No Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1833, terceira coluna, foi noticiada a chegada Bergantim Francez Les Drigas, que trouxe ao Brasil 56 suíços e oito franceses. Vem para trabalhar na Leuzinger & Cia, firma de exportação e importação que pertencia a seu tio, Jean-Jacques Leuzinger. Links para notícias de negócios realizados pela firma do tio: Diário de Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1837, na primeira coluna, sob o título “Entradas no dia 31″; O Paquete do Rio, de 27 de maio de 1837, terceira coluna, sob o título “Entradas do dia 26 de maio”; Pharol do Imperio, de 20 e julho de 1837, sob o título “18 de julho – De portos estrangeiros”; O Sete d´abril, de 14 de março de 1839, na primeira coluna).

1839 – Eleonore, futura esposa de Leuzinger, veio morar no Brasil com a irmã, a baronesa de Geslin, dona  do Colégio de Meninas Francês, Português, no Rio de Janeiro. Posteriormente, Eleonore lecionou e dirigiu o estabelecimento.

1840  A firma do tio de Leuzinger foi liquidada.

Leuzinger comprou do também suíço Jean Charles Bouvier a papelaria e encadernação “Ao Livro Encarnado”, na rua do Ouvidor, 36, e abriu seu próprio negócio, em 1º de julho (Jornal do Commercio, 22 de julho de 1840, na terceira coluna). Ao longo das décadas seguintes, com a ampliação de seus negócios, tornou-se proprietário das seguintes firmas: Estamparia de G.Leuzinger, Litografia de G. Leuzinger e Officina Photographica de G.Leuzinger. Reunidas sob a marca G. Leuzinger, eram conhecidas como Casa Leuzinger.

Em 24 de novembro, Leuzinger e Eleonore se casaram, na igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. O casal, entre 1842 e 1862, teve 13 filhos: Sabine Christine (1842-?), Anne Marie (1843-1911), Georges Henri (1845 -1908), Mathilde (1846-?), Eugenie (1847-?), Jean Edmond (1848-1916). Victor Ulrich (1849-1877), Léonie Emilie (1851-?), Gabrielle Marie (1853-186?), Paul Alphonse (1855-1927), Elise Georgianne (1856-1927), Georges (1858-1905), e Jules Adolf (1862-1889).

Anunciou a venda de “álbuns, pastas e carteiras de veludo e marroquim dourado, do gosto mais moderno de Paris; caixinhas ricas, contendo papéis diversos com cercaduras pintadas, para bilhetes de convites e cartas para senhoras, com todos os pertences de escrever e outros para pintura e desenho” (Jornal do Commercio, de 28 de dezembro de 1840, na terceira coluna).

1841- Anúncio da Leuzinger, com o endereço da rua do Ouvidor, 36, sobre a venda da Galeria Contemporânea Brasileira ou Colecção de Trinta Retratos de Brasileiros Célebres, desenhados e publicados pelo pintor e fotógrafo francês radicado no Rio de Janeiro, François-René Moreau (1807-1860) (O Despertador, 7 de outubro de 1841, na segunda coluna, sob o título “Annuncios”).

1842 - Leopoldo de Geslin, provavelmente o barão de Geslin, casado com a irmã de Leuzinger, tornou-se seu sócio (Jornal do Commercio, de 10 de maio de 1942, na primeira coluna sob o título “Objectos diversos”). Poucos meses depois, a sociedade terminou (Jornal do Commercio, de 5 de agosto de 1842, na terceira coluna).

1845 – Com litografias do francês Alfred Martinet (1821 – 1875), foram  publicadas as primeiras estampas editadas por Leuzinger, o Panorama circular da baía de Guanabara ( Jornal do Commercio, de 5 de março de 1845, na terceira coluna).

1846 – Leuzinger comprou a estamparia que pertencia a Eduardo Hulsemann (Jornal do Commercio, de 16 de janeiro de 1846, na primeira coluna).

1849 - O único irmão de Leuzinger, Johanes, mudou-se para Muscatine, no estado de Iowa, nos Estados Unidos.

Em parceria com o gravador (abridor) alemão R. Bollenberg, Leuzinger inaugurou uma oficina de estamparia. Oferecia, assim, dois serviços: o da “abrição”, que é a gravação da chapa em metal, e a sua impressão, função da estamparia (Jornal do Commercio, de 12 de julho de 1849, na segunda coluna).

Leuzinger publicou três projetos editoriais: um panorama da cidade, tomado do Corcovado em três partes; um conjunto de paisagem natural e outro de vistas da cidade. Este último foi impresso pela Maison Lemercier, em Paris.

1852 – Leuzinger comprou do francês Jean-Sébastian Saint-Amand uma tipografia, que ficava na rua São José, 64 (Jornal do Commercio, de 3 de novembro de 1852, na primeira coluna).

1853 - Leuzinger comprou uma oficina de litografia.

A Casa Leuzinger publicou o periódico semanal O Emigrado Alemão – Órgão para a colonização, Literatura, Ciências e Política  (Jornal do Commercio, de 18 de junho de 1853, na última coluna). 

A partir de daguerreótipos, Leuzinger publicou um conjunto de litografias da cidade do Rio de Janeiro. Anunciou no Jornal do Commercio, de 24 de dezembro de 1853, que as imagens poderiam ser “entregues em Paris, Londres, Hamburgo e Lisboa, conforme a vontade dos subscritores” (no topo da última coluna).

1854 - Imprimiu o periódico Courrier du Brésil, 5 de novembro de 1854..

1855 – Nasceu o décimo filho de Leuzinger, Paul, que teve como padrinho o pintor, escritor e jornalista dinamarquês Paul Harro-Harring (1798–1870)*, que foi um dos maiores ativistas e revolucionários europeus do século XIX. Era amigo de Leuzinger e esteve várias vezes no Brasil: em 1840, para denunciar a violência da escravidão; em 1842 e entre os anos de 1854 e 1855 como refugiado político (Correio Mercantil, de 21 de outubro de 1855, na terceira coluna, sob o título “Saíram ontem desse porto”) .

1856 - Foi aberta a oficina para escrituração da Casa Leuzinger.

1857 – Em dezembro, passou a imprimir o periódico Rio Commercial Journal.

1858 – Segundo registrado no volume XI dos Anais da Biblioteca Nacional, nesse ano, Leuzinger importou dos Estados Unidos “os primeiros prelos e tipos americanos, com que operou uma completa transformação na indústria tipográfica brasileira” (Annaes da Biblioteca Nacional, volume XI, de 1883).

1861 - Seus filhos Edmond e Victor foram estudar na Basiléia, na Suíça.

Leuzinger participou da Exposição Nacional com dois trabalhos na classe “Impressão, encadernação e objetos de escritório”. Recebeu a medalha de prata referente a “Livros grandes de encadernação”.

1862 – Leuzinger participou, pela primeira vez, de uma mostra internacional, a Exposição Universal de Londres.

Após  temporada de estudo, seu filho mais velho, Georges Henri, retornou da Europa e foi trabalhar na empresa do pai. Seria o gerente da Casa Leuzinger por mais de 40 anos.

Leuzinger ganhou a medalha de prata na categoria “Indústria fabril e manual”, da Exposição Nacional (Correio da Tarde, de 16 de março de 1862, na quinta coluna, sob o título “Collaboração”).

1865 – Foi aberto o ateliê de fotografia da Casa Leuzinger, especializado em “vistas da cidade, Tijuca, Petrópolis, Teresópolis e rio Amazonas”, como se lê no verso de uma de suas cartes de visite.

1865 a 1875 – Nesse período, Leuzinger realizou a maior e mais importante parte de sua produção fotográfica, que pode ser dividida em cinco séries principais: panoramas e paisagens da cidade do Rio de Janeiro e de seu entorno imediato, vistas de Niterói, vistas da Serra dos Órgãos de Teresópolis e Petrópolis, documentação botânica e documentação etnográfica, botânica e paisagística da região amazônica.

1866 – Seus filhos, Victor e Edmond, já estavam no Brasil trabalhando em seu ateliê fotográfico.

De 19 de outubro a 16 de dezembro de 1866, realizou-se a II Exposição Nacional. A fotografia apareceu pela primeira vez como categoria específica, separando-se do grupo destinado às Belas Artes. Leuzinger ganhou a medalha de prata na categoria “Paisagem”, com nove vistas da cidade e arredores (Semana Illustrada, de 18 de novembro de 1866). Seu trabalho chamou a atenção do pintor Victor Meirelles (1833-1903) que comentou:

“Os trabalhos fotográficos desse senhor primam pela nitidez, vigor e fineza dos tons e também por uma cor muito agradável. Pode-se dizer desses trabalho, que são perfeitos, pois que representam fielmente com todas as minudências os diversos lugares pitorescos de nosso característico país. Algumas provas são obtidas com tanta felicidade que parece antes um trabalho artisticamente estudado e que neste ponto rivalizam com a mais perfeita gravura em talhe doce; direi que estas provas poderiam perfeitamente servir de estudo aos artistas que se dedicam a arte bela da pintura de paisagens. As formas são ali reproduzidas com toda a fidelidade da perspectiva linear, e o que sobretudo torna-se ainda mais digno de atenção é a perspectiva aérea, tão difícil de obter-se na fotografia sem grande alteração.

Aquela gradação dos planos que tão bem se destacam entre si e vão gradualmente desaparecendo no horizonte até o último é obtida de modo a não ter-se mais que desejar, sendo nesta parte notáveis as seguintes vistas:

Gavia do lado da Tijuca, Vale do Andarahy, Montanha dos Órgãos vista da barreira, Vista da Praia Grande, A planície abaixo da cascata na Tijuca, O rochedo de Quebra Cangalhas, Panorama da cidade do Rio de Janeiro, Montanha dos Órgãos do lado de Teresópolis, O Garrafão, e muitas outras que deixaremos de mencionar”.

1867 - Sua filha Sabine Christine casou-se com o alemão Franz Keller, que passa a assinar Franz Keller-Leuzinger. Ele era engenheiro, cartógrafo, pintor e desenhista e foi encarregado pelo governo brasileiro de fazer os estudos preparatórios para a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré.

Leuzinger adquiriu a loja número 33 da rua do Ouvidor, posteriormente renumerada para 31, onde passou a funcionar sua papelaria.

O trabalho do ateliê fotográfico de Leuzinger ganhou uma Menção Honrosa na Exposição Universal de Paris, com um panorama tomado da ilha das Cobras. Foi a primeira premiação internacional do Brasil em fotografia.

O imperador Pedro II (1825 – 1891) pediu a Leuzinger que fotografasse o quadro Os funerais de Atahualpa, do pintor peruano Luiz Montero (1826-1869), que estava fazendo uma exposição no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, de 1º de setembro de 1867, sob o título “Gazetilha”, na sexta coluna).

1869 – A obra Flora Brasiliensis, iniciada por Carl Friedrich Phillip von Martius (Erlanger, Alemanha, 1794 – Munique, Alemanha, 1868), renomado naturalista do século XIX, e concluída pelos também alemães August Wilhelm Eichler (1839 – 1887) e Ignatz Urban (1848 – 1931), com a ajuda de 65 especialistas de vários países, foi publicada entre 1840 e 1906. A imagem Silva Montium Serra dos Orgâos Declivia Obumbrans, in Prov. Rio de Janeiro, publicada no fascículo de 1869, foi baseada em uma fotografia de Leuzinger.

 

 

Publicação do catálogo Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro , informando que o fotógrafo alemão Alberto Frisch (1840 – 1918) havia percorrido 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses, em um barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus.

1872 – A Casa Leuzinger estava em seu auge. Já tinha recursos como 19 mil quilos de tipos americanos para impressão, um motor a gás com potência de quatro cavalos e dez prelos mecânicos, além de empregar 50 funcionários (Annaes da Biblioteca Nacional, volume XI de 1883).

Em 1º de novembro, concedeu aos três filhos mais velhos a sociedade na Casa Leuzinger, passando a firma a se chamar G. Leuzinger & Filhos (Jornal do Commercio, de 8 de maio de 1873, na segunda coluna).

1873 – Leuzinger voltou pela primeira vez à Europa.

A Casa Leuzinger  ocupava um prédio de três andares da rua Sete de Setembro, 35, além do segundo andar do número 37 da mesma rua. Nesses endereços funcionavam as oficinas de pautação, encadernação, douração, e livros para escrituração. A tipografia continuava na rua do Ouvidor, 36.

Com dois panoramas litografados do Rio de Janeiro, Leuzinger participou da Exposição Nacional. Ganhou Menção Honrosa na Exposição Universal de Viena nas duas categorias em que enviou trabalhos: “Fotografia” e “Livros de contabilidade e encadernação”.

1874 – Seu genro e funcionário, Franz Keller, publicou o livro ilustrado Do Amazonas ao Madeira ( Jornal do Commercio, de 31 de janeiro de 1874, na última coluna).

Polêmica em torno da vitória de Leuzinger em uma concorrência para a impressão de trabalhos da repartição geral de estatística (Jornal do Commércio, 1º de setembro, na última coluna; dois artigos no dia 2 de setembro, na quinta coluna da primeira página e na terceira coluna da segunda página; de 3 de setembro, na última coluna; de 4 de setembro, na sexta coluna; e de 5 de setembro, na terceira coluna).

Provavelmente nesse ano, Leuzinger imprimiu o Censo Geral do Império, de 1872, o primeiro da história do Brasil.

1875 – Seu filho Edmond casou-se com Leocádia de Faria e passou a trabalhar na firma do sogro, a Faria, Cunha e Cia.

A Casa Leuzinger participou da IV Exposição Nacional com um álbum composto de quatro fotogravuras impressas pela Casa Goupil, de Paris, e com fotografias de índios e paisagens da Amazônia.

1876 – A Casa Leuzinger participa da Exposição Universal da Filadélfia com material de encadernação. Imprime o primeiro volume dos Anais da Bibliotheca Nacional .

1878 a 1879 - Publicou O Besouro, jornal que trazia litografias impressas a vapor por Ângelo Agostini (1843 – 1910) e Paul Théodore Robin (? – 1897), a maioria de autoria do português Bordalo Pinheiro(1846 – 1905).

1881 – Para preservar seu trabalho como editor de estampas, Leuzinger doou para a Seção de Iconografia da Biblioteca Nacional um conjunto de 114 imagens de gravuras e desenhos.

No Rio Grande do Sul, a Casa Leuzinger participou da Exposição Provincial Brasileira-Alemã.

1882 – Foi realizada a Exposição Continental de Buenos Aires, com a participação da Casa Leuzinger.

1885 - Leuzinger participou da Exposição Internacional de Antuérpia. Foi fundada, em 23 de novembro, a Sociedade Beneficente dos Empregados da Casa Leuzinger.

1889 – A Casa Leuzinger participou da Exposição Universal de Paris.

1892 – Georges Leuzinger morreu em 24 de outubro (Gazeta de Notícias, 25 de outubro de 1892, na quinta coluna e Revista Illustrada, novembro de 1892, na terceira coluna). A família agradeceu às manifestações de pesar (O Tempo, 27 de outubro de 1892, no topo da quarta coluna).

1898 – Morte de Eleonore Leuzinger (Gazeta de Notícias, de 18 de outubro de 1898, no topo da quinta coluna).

Para a elaboração dessa cronologia, a Brasiliana Fotográfica pesquisou em várias fontes, principalmente no Cadernos de Fotografia Brasileira – Georges Leuzinger, do Instituto Moreira Salles, e em diversos jornais da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

*Para conhecer mais sobre Paul Harro-Harring, acesse o artigo Paul Harro-Harring, um viajante abolicionista, publicado em 18 de outubro de 2013, na Brasiliana Iconográfica.

 

Bibliografia

Cadernos de Fotografia Brasileira – Georges Leuzinger, IMS. Rio de Janeiro: Bei Comunicação, junho de 2006.

COSTA FERREIRA, Orlando da. Imagem e letra: introdução à bibliologia brasileira: a imagem gravada. São Paulo: Edusp, 1994.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

MEIRELLES, Victor. “Photographia” In BRASIL. Exposição Nacional. Relatório da Segunda Exposição Nacional de 1866, publicado […] pelo Dr. Antonio José de Souza Rego, 1o secretário da Commissão Directora. Rio de Janeiro: Typ. Nacional, 1869, 2ª parte, pp. 158-170

SANSON, Maria Lucia David de; AIZEN, Mario; VASQUEZ, Pedro. O Rio de Janeiro do fotógrafo Leuzinger 1860-1870. Rio de Janeiro: Editora Sextante Artes, 1998.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo – 1839/1889 / Maria Inez Turazzi – Rio de Janeiro: Rocco, 1995. 309p. : il

VASQUEZ, Pedro. O Brasil na fotografia oitocentista/ [pesquisa e texto]Pedro Karp Vasquez; [reproduções fotográficas Cesar Barreto, Rosa Gauditano].–São Paulo: Metalivros, 2003.