A primeira passagem do Graf Zeppelin pelo Rio de Janeiro, em 1930, e registros de outras viagens

A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi um grande acontecimento. Sua passagem silenciosa pelo céu da cidade parecia uma visão de sonho e deslumbrou a população causando uma verdadeira comoção. O fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965) registrou o evento e a Brasiliana Fotográfica relembra o fato destacando imagens que pertencem à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das parceiras do portal. São 10 fotografias aéreas do dirigível alemão sobrevoando diversos bairros e locais da Cidade Maravilhosa, dentre eles o Bairro Peixoto, Botafogo, Copacabana, Humaitá, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Pão de Açúcar e o Campo dos Afonsos, onde aterrissou. Kfuri produziu as imagens a bordo do avião Consul Dayte nº 332, da Marinha de Guerra, pilotado pelo capitão-tenente Antônio Dias Costa (? – 1930), que faleceu dois dias depois em um acidente de avião (Diário da Noite, 26 de maio, quarta coluna e 28 de maio de 1930).

A Brasiliana Fotográfica reuniu também registros de outras passagens tanto do Graf Zeppelin como do dirigível Hindenburg pelo Rio de Janeiro, que pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles – são de autoria do fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966) e de fotógrafos ainda não identificados. Há também uma fotografia, de autoria do fotógrafo húngaro Alfredo Krausz (1902 – 1953), de uma passagem do Graf Zeppelin por São Paulo tendo ao fundo o Edifício Martinelli. A Brasiliana Fotográfica também resgatou a crônica O morro em polvorosa, de Manuel Bandeira (1886 – 1968), sobre o impacto da presença do zepelim nos céus do Rio de Janeiro, publicada no Diário Nacional de 31 de maio de 1930.

Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e um dos curadores do portal, fez uma apreciação das fotografias selecionadas para essa publicação*.

 

 

Várias fotografias creditadas ao tenente J. Kfuri, do Serviço Fotográfico da Aviação Naval, foram publicadas na revista O Cruzeiro, de 7 de junho de 1930. Acima delas, os títulos eram exuberantes e líricos: “Na escuridão da noite como um meteoro…“, “Como um pássaro maravilhoso a aeronave parece voar entre as nuvens e as neblinas matinares” e “O refulgente pássaro aéreo voa sobre os bairros da cidade“, entre outros.

 

 

Na mesma edição, como as admiráveis fotografias do tenente Kfuri pediam um texto de excepcional significação, foi publicado o artigo Palavras do Ar, do engenheiro e professor Vicente Licínio Cardoso (1889 – 1931), único passageiro brasileiro do Graf Zeppelin. Estava na Europa como delegado da Federação Nacional das Sociedades da Educação, quando foi convidado pela Companhia Zeppelin para representar o país no primeiro voo da aeronave para o Brasil.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Graf Zeppelin no Rio de Janeiro pertencentes ao acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Acessando o link para as fotografias de passagens de zepelins pelo Brasil pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 O primeiro voo do Graf Zeppelin ao Brasil

Ferdinand von Zeppelin

Batizado pela filha do pioneiro dos dirigíveis, o conde Ferdinand Graf von Zeppelin (1838 – 1917), em 8 de julho de 1928, data em que ele completaria 90 anos, o Graf Zeppelin D – LZ127  – graf significa conde – realizou seu primeiro voo em 18 de setembro do mesmo ano. O primeiro voo comercial aconteceu em 11 de outubro, também em 1928. Tinha aproximadamente 236 metros de comprimento e cerca de trinta metros de altura. Seu luxo, tamanho e velocidade encantaram seus passageiros e as populações por onde passava. Sua presença nos céus cariocas foi referido em uma crônica de Manuel Bandeira (1886 – 1968) como um acontecimento empolgante e inédito…um espetáculo…perturbantemente inédito (Diário Nacional, 31 de maio de 1930).

O Graf Zeppelin tinha 10 cabines duplas, dois lavabos, banheiros masculino e feminino, restaurante, cozinha, sala de rádio, sala de navegação e sala de controle. Foi o primeiro balão dirigível a vir ao Brasil, o primeiro a transpor a linha equatorial atravessando o oceano Atlântico no hemisfério sul. Veio em voo experimental e seu destino era o Rio de Janeiro. Prateado, partiu da base de Friedrichshafen, na Alemanha, em 18 de maio de 1930, e fez na manhã do dia seguinte uma parada em Sevilha, na Espanha. Sobrevoou os céus do Recife, primeira parada em terras brasileiras, após um voo de 59 horas conduzido pelo comandante Hugo Eckener (1868 – 1954).  Aterrissou no Aeroporto do Jiquiá, na capital pernambucana, em 22 de maio de 1930, onde era esperado por uma multidão estimada em 15 mil pessoas – a data havia sido decretada feriado pelo prefeito do Recife, Francisco da Costa Maia. A chegada da aeronave foi saudada pelo sociólogo Gilberto Freyre (1900 – 1987), então oficial de gabinete do governador Estácio Coimbra (1872 – 1937) (Diário de Pernambuco, 22 e 23 de maio de 1930). Houve tumulto entre a multidão e a polícia e o cônsul da Inglaterra e sua esposa foram atropelados pela cavalaria (Correio da Manhã, 25 de maio de 1930, terceira coluna). Fotografias sobre a passagem do dirigível por Recife foram publicadas em O Cruzeiro de 7 de junho de 1930.

 

Lista dos passageiros:

 

 

O Graf Zeppelin foi reabastecido com gás e seguiu para o Rio de Janeiro à meia-noite de 23 de maio (Diário de Pernambuco, 24 de maio de 1930).  Finalmente, a aeronave atingiu a cidade às 23:30 do dia 24 e durante toda a madrugada bordejou fora da barra com seus motores parados para não incomodar com barulho os habitantes do Rio. Seu sobrevoo à cidade, na manhã do dia 25 de maio, descrito como empolgante, como um dos mais imponentes espetáculos que poderia ser proporcionado pela aviação moderna, foi assistido por quase toda a população carioca. A espera pelo evento foi como a espera por um convidado de honra, um convidado para quem se reservam todas as atenções, todas as fidalguias, as fidalguias a que se dispensam aos grandes personagens que propositadamente se fazem aguardar com curiosidade…O prefeito Antônio da Silva Prado Junior (1880 – 1955) e outras autoridades, dentre elas o embaixador Morgan, dos Estados Unidos, foram receber o comandante Eckener ainda a bordo do zeppelin (Correio da Manhã, 26 de maio de 1930).

 

 

O conde Pereira Carneiro (1877 – 1954) e sua esposa, além do comandante Trompovsky e do capitão Fontenelle, representando o Ministro da Viação, embarcaram no dirigível (Correio da Manhã, 26 de maio de 1930, primeira coluna), que, cerca de uma hora depois da aterrissagem, voltou ao Recife, onde chegou no dia 26 (Correio da Manhã, 27 de maio de 1930). Dois dias depois, iniciou seu retorno à Alemanha. Ao sobrevoar Natal, a tripulação jogou uma coroa de flores sobre a estátua de um dos pioneiros da aviação, Augusto Severo (1864 – 1902), com a mensagem “A Alemanha ao Brasil na pessoa de seu grande filho Augusto Severo” (Correio da Manhã, 29 de maio de 1930). No fim do dia, cruzou a linha do Equador. A passagem por Havana, previamente programada, foi suspensa (Correio da Manhã, 31 de maio de 1930), e o Zeppelin chegou ao Aeroporto de Lakehurst, nos Estados Unidos, em 31 de maio (Correio da Manhã, 1º de junho de 1930). No dia 2 de junho partiu para Sevilha (Correio da Manhã, 3 de junho de 1930), onde chegou no dia 5 (Correio da Manhã, 6 de junho de 1930). Alcançou seu destino final, Friedrichshafen, em 6 de junho de 1930, após 19 dias desde o início de sua viagem tricontinental (Correio da Manhã, 7 de junho de 1930).

 

 

A história dos zeppelins foi interrompida pela explosão do dirigível Hindenburg, ocorrida, 77 horas depois da decolagem em Frankfurt, no final de uma tarde chuvosa, em Lakehurst, em Nova Jeresey, nos Estados Unidos, em 6 de maio de 1937, matando 36 pessoas – 13 passageiros, 22 tripulantes e um membro da equipe de terra (O Jornal, 7 de maio de 1937 e Revista da Semana, 15 de maio de 1937). Realizou 63 voos desde seu primeiro, em 4 de março de 1936. Segundo Claudio Lucchesi, autor do livro Loucos e heróis: fatos curiosidades da história da aviação, o Hindenburg fez 6 voos para o Brasil.

Após cerca de uma década, nenhum acidente foi registrado envolvendo o Graf  Zeppelin. Porém, após a tragédia com o Hindenburg, ainda em 1937, foi retirado de operação e ficou exposto em um hangar de Frankfurt (O Jornal, 19 de junho de 1937, quarta coluna). Foi desmanchado em março de 1940 por ordem de Hermann Goering (1893 – 1946), comandante-chefe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Em nove anos de operação, o Graf Zeppelin realizou 590 voos transportando milhares de passageiros e centenas de quilos de carregamentos e correspondência.

 

 

A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi uma notícia de destaque em vários jornais da época:

A semana ZeppelinFon-Fon, 24 de maio de 1930

O Conde Zeppelin no Rio de Janeiro – Correio da Manhã, 26 de maio de 1930

O rápido pouso do Zeppelin – Como A Noite soube que o dirigível não aterraria no Campo dos AfonsosA Noite, 26 de maio de 1930

O Rio de Janeiro viveu momentos de intensa emoção e entusiasmo com a visita do “Graf Zeppelin”O Jornal, 26 de maio de 1930

Sob aclamação delirante, o povo carioca consagra a jornada audaz do comandante Eckner – O raid triunfante do “Graf Zeppelin’Gazeta de Notícias, 26 de maio de 1930

O entusiasmo que despertou o empolgante espetáculo da chegada do “Conde Zeppelin” – Jornal do Brasil, 27 de maio de 1930

O “Graf” Zeppelin em visita ao Brasil – Continuando a sua rota magnífica, após ter sido aclamado pela população carioca, chegou ontem, pela manhã, a Recife, o grande dirigível alemão – O Paiz, 27 e 28 de maio de 1930

O “Graf” Zeppelin no BrasilO Cruzeiro, 31 de maio de 1930

O morro em polvorosa, por Manoel Bandeira – Diário Nacional, 31 de maio de 1930

A viagem do ZeppelinO Malho, 31 de maio de 1930

De Ícaro a Zeppelin, por Escragnole Dória – Revista da Semana, 31 de maio de 1930

A viagem do “Graf” Zeppelin ao Brasil – O Cruzeiro, 7 de junho de 1930

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Airships.net

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LAUX Paulo F. A memorável passagem do Zeppelin pelo Brasil, 2012. Aeromagazine, 3 de outubro de 2012.

LINS, Fernando Chaves. Por céus nunca d´antes navegados, 2006. Recife: Universidade Federal de Pernambuco

LUCCHESI, Claudio. Loucos e heróis: fatos curiosidades da história da aviação, 1996.

O Estado de São Paulo, 9 de junho de 2015

O Globo, 2 de julho de 2013

 

 

 

De Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e curador da Brasiliana Fotográfica:

Vejam as imagens, verdadeiramente oníricas, dos primeiros vôos dos dirigíveis nos céus do Brasil, fotografados do ar por Jorge Kfury e do solo, em estereoscopias, por Guilherme Santos, entre outros registros preciosos sobre o tema, que integram a Brasiliana Fotográfica. 
Somam-se nestas imagens muitos pioneirismos que marcaram o início do século XX: a aviação, vivendo ainda a convivência entre as duas grandes modalidades das quais Santos Dumont foi pioneiro, os balões dirigíveis e aviões a motor; a fotografia aérea, que concretizou e expandiu as ambições, desde as imagens pioneiras em balão de Nadar, de se realizar registros fotográficos a “olho de pássaro” de todo o território. É neste momento também que a fotografia estereoscópica se une à fotografia aérea para o início dos levantamentos aerofotogramétricos que revolucionariam toda a cartografia mundial.
E no solo, a fotografia estereoscópica era também redescoberta por uma legião de fotógrafos, amadores e profissionais, que, como o carioca Guilherme Santos, dedicaram-se a produzir verdadeiras crônicas visuais de seu tempo. Imagens de uma fotografia documental e direta, em chapas de vidro, porém já fortemente marcadas pelas inovações da época, que levariam a fotografia a novos horizontes de linguagem e representação ao longo do século XX.

*A apreciação de Sérgio Burgi foi integrada à publicação em 26 de maio de 2018.

O Hotel Glória – antes e depois

A Brasiliana Fotográfica destaca dois registros dos bairros da Glória e do Flamengo, no Rio de Janeiro, produzidas pelo fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965). As imagens são de 1917 e 1922 e mostram a mesma região: na primeira, vemos o terreno em que seria construído o Hotel Glória e, na segunda, já vemos o edifício concluído. O efeito antes e depois é um dos aspectos mais atraentes, interessantes e poderosos da fotografia, capaz de registrar desde as pequenas às grandes transformações da humanidade – por exemplo, suas paisagens, construções e população.

 

 

 

 

O Hotel Glória, aberto em 15 de agosto de 1922, com uma bênção realizada pelo arcebispo D. Sebastião Leme (O Paiz, 16 de agosto de 1922), foi o primeiro cinco estrelas do Brasil e também o primeiro prédio em concreto armado da América do Sul. Sua construção, motivada pelas festas do primeiro centenário da Independência do Brasil, foi uma iniciativa da firma Rocha Miranda & Filhos.

Em estilo clássico, o Hotel Glória abrigava um cassino, um teatro, diversos salões de festas, além de 150 quartos. Seu arquiteto foi o francês Joseph Gire ( 1872 – 1933), responsável por outros importantes prédios cariocas como o do Hotel Copacabana Palace, do Edifício Joseph Gire, mais conhecido como A Noite, e do Palácio das Laranjeiras, em parceria com Armando Silva Telles, dentre outros. Gire, formado pela École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris, desembarcou no Rio de Janeiro a convite de Octávio Guinle, em sua época, um dos homens mais ricos do Brasil.

Em março de 2008, o Glória foi comprado pelo empresário Eike Batista, que anunciou uma grande reforma que o tornaria um seis estrelas, um marco na história da hotelaria do Rio. Seria reaberto como Gloria Palace para a Copa do Mundo de 2014. Porém, com a crise no Grupo EBX, de Eike, a reforma foi paralisada, em 2013. No início de 2016, o hotel passou às mãos do fundo árabe Mubadala, de Abu Dhabi.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

A fundação de Niterói

 

A Brasiliana Fotográfica destaca 23 imagens para celebrar o aniversário de Niterói, cidade do estado do Rio de Janeiro, fundada em 22 de novembro de 1573. São registros produzidos pelos fotógrafos Antônio Caetano da Costa Ribeiro (18? – 19?), Augusto Stahl (1828 – 1877)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Jorge Kfuri (1893 – 1965)Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897)Marc Ferrez (1843 – 1923) e por Sidney Henry Holland (1883 – 1936) Niterói foi a capital do estado do Rio de Janeiro de 1834 até 1975, quando aconteceu a fusão dos estados do Rio e da Guanabara.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Niterói disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

 

O pintor Antonio Parreiras (1860 – 1937), que nasceu e faleceu em Niterói, foi tema de uma publicação da Brasiliana Fotográfica, em 17 de outubro de 2015. 

 

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O inventor Alberto Santos Dumont (1873 – 1932) pelo fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965)

 

 

O fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, registrou a visita que o então presidente do Brasil, Wenceslau Braz (1868 – 1966), e Alberto Santos Dumont (1873 – 1932), conhecido como o “Pai da Aviação”, fizeram, em novembro de 1918, à Escola de Aviação Naval, na Ilha das Enxadas, localizada na Baía de Guanabara. O inventor e o presidente conversaram sobre os progressos da aviação e foram recebidos pelo então ministro da Marinha, o almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), que participou da Guerra do Paraguai e da Revolta da Armada, e que também foi ministro da Marinha dos presidentes Affonso Pena (1847 – 1909), Nilo Peçanha (1867 – 1924), Hermes da Fonseca (1855 – 1923),  e Arthur Bernardes (1875 – 1955). O almirante mostrou a seus convidados o serviço de aviação naval por ele organizado: uma flotilha de cerca de 30 aparelhos modernos, oficina para reparos e construção de aviões, quatro hangares e a Escola de Aviação. Na época, o capitão de fragata Henrique Aristides Guilhem (1875 – 1949), futuro ministro da Marinha entre 1935 e 1945, comandava a flotilha dos aviões de guerra.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Jorge Kfuri disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Durante a visita, foram feitos vários experimentos com o explosivo Brazilita, invento do químico brasileiro Álvaro Alberto da Silva desenvolvido por seu filho, o então 1º tenente Álvaro Alberto da Mota e Silva (1889 – 1976) e futuro presidente do CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, entre 1951 e 1955. (O Paiz, 13 de novembro de 1918, na última coluna e Gazeta de Notícias, 13 de novembro de 1918, na primeira coluna).

Desde 1945, a Ilha das Enxadas sedia o Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, destinado à formação de oficiais da Marinha da área de Saúde, Engenharia, dos Quadros Técnico, Complementar e de Capelães Navais. Anteriormente, abrigou depósito de carvão, depósito de construção naval, a Escola de Aviação Naval, a Escola Naval, e a Escola de Educação Física.

Uma curiosidade: foi nas proximidades da Ilha da Enxada que, em 1960, Americo Santarelli (1925 – 1987), pioneiro do mergulho livre, campeão de caça submarina e um dos maiores “apneístas”, superou o recorde mundial de mergulho livre (Jornal do Brasil, 1º de junho de 1960).

 

Acessando o link para as fotografias de Alberto Santos Dumont disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas

 

 

Pequeno perfil de Alberto Santos Dumont

 

Alberto Santos Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, paróquia de Palmira, em Minas Gerais. Sua cidade natal tem hoje o seu nome. Em 1906, em Paris, no campo de Bagatelle, Santos Dumont conseguiu voar em um aparelho – o 14 Bis – mais pesado do que o ar, que se elevou no ar sem ajuda externa. O feito foi realizado diante de uma comissão oficial e na presença de centenas de pessoas (A Gazeta de Notícias, 26 de outubro de 1906, na segunda coluna e Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1906, na quarta coluna). Santos Dumont faleceu em 23 de julho de 1932, no Guarujá, estado de São Paulo (A Noite, 25 de julho de 1932). Pela lei 165, de 5 de dezembro de 1947, passou a figurar permanentemente no quadro de oficiais-aviadores da Aeronáutica militar brasileira, com o posto de tenente-brigadeiro (Correio da Manhã, 6 de dezembro de 1947, na sexta coluna). A lei 3.636, de 22 de setembro de 1959, atribuiu-lhe o posto honorífico de marechal-do-ar. Pela lei 7.243, de 4 de novembro de 1984, tornou-se patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira. No ano do centenário do voo do 14 Bis, 2006, Santos Dumont teve seu nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria (Correio Braziliense, 5 de maio de 2006 e 27 de julho de 2006).

 

   Pequeno perfil e cronologia do fotógrafo Jorge Kfuri (1893 – 1965)

O fotógrafo aviador Jorge Kfuri nasceu em 3 de setembro de 1893, na Síria, e naturalizou-se brasileiro, em 19 de março de 1921 (O Paiz, 5 de maio de 1921, na terceira colunaRelatório da Marinha de 1922 e Relatório do Ministério da Justiça de 1922). Foi o autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, em 1916, quando voou com o piloto naval Virginius de Lamare, futuro major-brigadeiro, no C-1, uma das três aeronaves Curtiss Flying Boats. Foram encomendadas pelo então ministro da Marinha, almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), e chegaram ao Brasil em 9 de julho de 1916 (A Noite, 24 de outubro de 1953, na quarta coluna).

 

1893 – Nascimento de Jorge Kfuri, na Síria, em 3 de setembro.

1916 –  Kfuri já trabalhava como fotógrafo do jornal A Noite, quando passou mal, com sintomas de intoxicação, após tomar um chocolate em um café do Largo da Carioca. Foi noticiado que esses casos de envenenamento aconteciam porque os donos dos estabelecimentos usavam vasilhames de cobre, o que era proibido pela Saúde Pública e, para isso, contavam com a desonestidade dos fiscais (A Noite, 2 de abril de 1916, na última coluna).

Um falso advogado foi preso e no caminho para a delegacia tentou agredir Kfuri (A Razão, 12 de junho de 1917, na terceira coluna).

Kfuri foi o autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro, em 1916, quando voou com o piloto naval Virginius de Lamare, futuro major-brigadeiro, no C-1, uma das três aeronaves Curtiss Flying Boats. Foram encomendadas pelo então ministro da Marinha, almirante Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), e chegaram ao Brasil em 9 de julho de 1916 (A Noite, 24 de outubro de 1953, na quarta coluna).

1918 – Kfuri presenteou a Associação Brasileira de Imprensa com uma fotografia produzida por ele do sr.presidente da República em companhia dos ministros do Estado num dos maiores momentos históricos da vida nacional – assinando a declaração de guerra do Brasil à Alemanha (O Imparcial, 8 de outubro de 1918, na última coluna). O presidente era Wenceslau Braz (1868 – 1966) e a assinatura aconteceu em 26 de outubro de 1917.

1919 –  Fez parte do time de futebol de fotógrafos que jogou na festa do Audax Club (O Paiz, 16 de janeiro de 1919, na primeira coluna) e, ainda trabalhando no jornal A Noite, foi arrolado como testemunha de irregularidades praticadas em uma casa de saúde ( Jornal, 7 de outubro de 1919, na penúltima coluna). Participou da cobertura jornalística da prisão de um criminoso envolvido no tráfico de cocaína (A Noite, 23 de outubro de 1919, na terceira coluna).

1920 – Trabalhando como fotógrafo do jornal A Noite, Kfuri sofreu queimaduras de primeiro grau no dorso da mão direita pela explosão de magnésio quando se preparava para tirar uma chapa no edifício do Senado Federal. Na época, ele residia na rua Senador Dantas, nº 14, e foi identificado como sírio com a idade de 27 anos (O Jornal, 4 de maio de 1920, na última coluna).

Kfuri foi aceito como associado na Associação Brasileira de Imprensa (Jornal do Brasil, 23 de junho de 1920, na penúltima coluna).

1921 – O sírio Kfuri naturalizou-se brasileiro, em 19 de março (O Paiz, 5 de maio de 1921, na terceira coluna e Relatórios do Ministério da Justiça de 1922).

Kfuri foi contratado como encarregado técnico do serviço de fotografia aérea da Aviação Naval (O Paiz, 21 de dezembro de 1921, na primeira coluna, e O Relatório do Ministério da Marinha de 1922).

 

Sofreu um pequeno acidente aéreo com o piloto Epaminondas Santos, no aeromarino 40 (O Paiz, 28 de dezembro de 1921, na quarta coluna).

1922 – Kfuri estava no avião Avro nº 2, pilotado pelo tenente Luiz Leal Netto dos Reis, que sobrevoou a casa de Santos Dumont (1873 – 1932), em Petrópolis, onde deixaram cair um para-quedas com uma mensagem de saudações a ele, que a recolheu (O Paiz, 16 de março de 1922, na terceira coluna).

1923 – Para servir como encarregado técnico do serviço de fotografia aérea da Aviação Naval, o Ministério da Marinha contratou o sr. Jorge Kfuri, servindo também como operador cinematográfico em qualquer dos departamentos da Marinha para que seja requisitado (Jornal do Commercio, 14 de maio de 1923, na segunda coluna).

O ministro da enviou ao presidente do Tribunal de Contas uma cópia do contrato celebrado com Jorge Kfuri para servir como fotógrafo da Marinha (Última Hora, 15 de junho de 1923, na terceira coluna e O Paiz, 16 de junho de 1923, na última coluna).

Kfuri integrou como segundo tenente honorário da Marinha a esquadrilha de quatro hidroaviões que foi para a Bahia, sob o comando do capitão de mar e guerra e futuro ministro da Marinha Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938) (Gazeta de Notícias, 26 de junho de 1923, na quinta colunaA Rua, 2 de julho de 1923, na penúltima coluna). A esquadrilha voltou para o Rio de Janeiro e foi muito homenageada (O Paiz, 9 de agosto de 1923). Kfuri foi um dos convidados para o banquete oferecido no Palace Hotel pelo Aero Club Brasileiro a Protógenes e a seus comandados no raid de aviação entre Rio e Aracaju (O Imparcial, 30 de agosto de 1923, na segunda coluna).

Foi um dos tripulantes dos três hidroaviões que regressaram de Santos para o Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 12 de setembro de 1923, na quarta coluna).

1926 - Fez parte da tripulação de um dos aviões que recepcionou a chegada, no Rio de Janeiro, do avião Plus Ultra, que havia partido da Europa, pilotado por Ramon Franco (1896 – 1938), um dos pioneiros da aviação espanhola (A Manhã, 3 de fevereiro de 1926 e Jornal do Brasil, 10 de fevereiro de 1926, na terceira coluna).

Participou do segundo voo do avião 322 no serviço postal (O Paiz, 4 de abril de 1926, na sexta coluna).

Houve uma tentativa de assalto na casa de Kfuri na rua Taylor, nº 80 (Gazeta de Notícias, 21 de abril de 1926, na quarta coluna).

Kfuri fez parte da tripulação dos aviões que receberam o hidroavião Buenos Aires, pilotado pelos aviadores argentinos Duggan e Olivero (O Paiz, 19 e 20 de julho de 1926).

Integrava a equipe da esquadrilha da Marinha de Guerra, de três aviões, que partiu para pela primeira vez voar entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Estava no avião, pilotado pelo capitão-tenente Luiz Leal Netto dos Reis, que sofreu uma pane e caiu nos arredores de Petrópolis (O Brasil, 4 de agosto de 1926, O Paiz, 4 de agosto de 1926, na sexta coluna e O Jornal, 4 de agosto de 1926).

1927 – Sua participação na documentação fotográfica das pesquisas sobre os explosivos super-rupturita foi elogiada em um ofício encaminhado pelo diretor da comissão dos estudos desse tipo de explosivo ao diretor-geral da Aeronáutica (O Brasil, 11 de novembro de 1927, na última coluna).

1928 – Jorge Kfuri foi elogiado por seu trabalho à disposição do comando da esquadra no segundo período dos exercícios gerais, em dezembro de 1927, e que satisfazendo os desejos do referido comando, conseguiu organizar para o Diretório da Aeronáutica da Armada, valioso documento cinematográfico demonstrativo das fainas e exercícios naquela ocasião (O Paiz, 10 de agosto de 1928, na quinta coluna).

Kfuri foi um dos oficiais escalados para velar o corpo do aviador italiano Carlo del Prete (1897 – 1928), na Embaixada da Itália, no Rio de Janeiro. O italiano havia sofrido um acidente na Ponta do Galeão (Jornal do Commercio, 17 de agosto de 1928, na segunda coluna).

Na Escola de Grumetes de Angra dos Reis, Kfuri foi um dos três oficiais feridos com a explosão de uma bomba que deveria ser utilizada pelos aviadores navais durante os exercícios da Armada. Dois oficiais morreram (A Noite, 27 de novembro de 1928O Estado, 28 de novembro de 1928 e Careta, 1º de dezembro de 1928).

1929 - Foi ferido em um acidente no avião MF 4, pilotado por Raul Bandeira (Diário Nacional, 12 de junho de 1929, na última colunaJornal do Brasil, 12 de junho de 1929 e O Paiz, 13 de junho de 1929, na segunda coluna).

No Almanak Laemmert de 1929 e de 1931, Jorge Kfuri foi listado como o encarregado do serviço fotográfico da Escola de Aviação Naval.

1931 – Falecimento da mãe de Kfuri, dona Amélia Kfuri, no Rio de Janeiro (Diário da Noite, 16 de março de 1931, na primeira coluna).

A família de Kfuri mandou rezar uma missa em Ação de Graças por seu restabelecimento após o acidente de 1929 (Diáro da Noite, 11 de junho de 1931, na segunda coluna).

1932 – O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), elogiou a conduta de Kfuri no navio Belmonte, como auxiliar do aviador João Correia Dias Costa (Correio da Manhã, 21 de fevereiro de 1932, na terceira coluna).

Por decreto do Ministério da Marinha, Kfuri foi efetivado no lugar de encarregado técnico dos serviços fotográficos dos Centros e Escola de Aviação Naval com as honras e vantagens do posto de 1° tenente da Armada (Correio da Manhã, 14 de maio de 1932, na sétima coluna).

1933 – A reportagem Aspectos de Belém foi ilustrada com fotografias produzidas por Jorge Kfuri (A Noite Ilustrada, 19 de julho de 1933)

Kfuri foi um dos oficiais integrantes da 4ª Divisão de Esclarecimento e Bombardeio Aéreo que atuou no Alto Solimões na vigilância da neutralidade do Brasil no conflito entre a Colômbia e o Peru. A divisão foi comandada pelo capitão de corveta aviador Álvaro de Araújo (Jornal da Noite, 28 de junho de 1933, na terceira coluna, e Correio da Manhã, 21 de junho de 1933, na terceira coluna).

Entrevista com Kfuri sobre suas impressões da região do Alto Solimões nos 45 dias que passou lá (Jornal da Noite, 3 de julho de 1933).

Kfuri produziu a primeira fotografia aérea de Belo Horizonte, durante uma viagem do ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), a Minas Gerais. Kfuri voou em um avião Fairey pilotado pelo capitão de corveta Álvaro de Araújo (Diário da Noite, 19 de julho de 1933, na quinta coluna).

Kfuri ficou ferido em um acidente aéreo perto de Petrópolis, quando voava em um avião da Marinha em exercício no território fluminense, pilotado pelo capitão de corveta Álvaro Araújo. O terceiro tripulante era o aviador civil Raphael Chrisóstomo de Oliveira. Esses dois últimos sofreram pequenas escoriações. A aeronave, Fairey 55, ficou inutilizada. Kfuri foi referido como um dos nossos aviadores navais mais arrojados…Fotógrafo, talvez, o mais hábil da nossa aviação naval… (Pequeno Jornal, 3 de outubro de 1933, na quarta coluna, Jornal da Noite, 3 de outubro de 1933, e Jornal do Brasil, 4 de outubro de 1933). Segundo a matéria do Jornal da Noite, foi a sétima vez que Kfuri estava em uma avião que caiu (Jornal da Noite, 3 de outubro de 1933, na penúltima coluna).

1934 – Foi um dos filhos de libaneses homenageados pela Missão Libanesa Maronita do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 30 de janeiro de 1934).

Kfuri iria integrar como responsável pelo serviço aerofotográfico o grupo da Marinha que faria o levantamento aerotopográfico do litoral nortista (Jornal da Noite, 27 de abril de 1934, na sétima coluna).

1935 – O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 – 1938), solicitou ao consultor geral da República a extensão do abono salarial a três oficiais honorários da Armada brasileira e Kfuri era um deles (Jornal do Brasil, 2 de outubro de 1935, na segunda coluna).

1936 – Terrenos da aviação naval no campo de São Bento, na Ilha do Governador, estavam ameaçados de despejo pela Companhia Indústria e Comércio. Kfuri era um dos oficiais da Armada que possuía um dos lotes (O Imparcial, 27 de junho de 1936 e 28 de junho de 1936, na última coluna).

1939 - Participou de um cruzeiro aéreo entre o Rio de Janeiro e São Paulo (Correio Paulistano, 18 de julho de 1939, na última coluna).

1941 – Kfuri estava presente na posse do coronel Dias Costa como presidente do Aeroclube do Brasil (Jornal do Brasil, 1º de agosto de 1941, na quinta coluna).

1942 – O ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho (1888 – 1950), tornou sem efeito a transferência e nomeação de Jorge Kfuri para monitor de fotografia aérea da Escola de Especialistas da Aeronáutica (Diário de Notícias, 23 de maio de 1942, na segunda coluna, e A Manhã, 7 de julho de 1942, na quarta coluna).

1954 – Kfuri servia no gabinete do ministro da Aeronáutica (Correio da Manhã, 1º de setembro de 1954, na sétima coluna).

1956 – Em uma coluna sobre reportagens antigas do jornal A Noite,  o jornalista Bento Malafaia relatou que o fotógrafo Kfuri havia participado de uma reportagem onde ele se fez passar como secretário de um suposto faquir, na verdade, o redator Eustachio Alves. O “consultório” fez muito sucesso na cidade. Depois de revelada a verdade, foram tomadas medidas contra a exploração de faquires e cartomantes abrandando a crendice popular (A Noite, 24 de julho de 1956, na penúltima coluna).

1957 – Em cerimônia realizada na praça Salgado Filho, com a presença do presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), e de Thomas White, Chefe do Estado Maior da Força Aérea dos Estados Unidos, Kfuri foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito Aeronáutico. Foi publicada uma fotografia de Kfuri sendo condecorado (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1957Jornal do Brasil, 24 de outubro de 1957, na primeira coluna).

1959 – O presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), assinou um decreto suprimindo o cargo de chefe do Serviço Fotográfico da Aeronáutica, vago em virtude da aposentadoria de Jorge Kfuri (Jornal do Dia, 15 de setembro de 1959, na quarta coluna).

1965 – Falecimento de Jorge Kfuri, em 21 de janeiro, no Hospital Central da Aeronáutica. Sua esposa, Hilda Carelli Kfuri, publicou um anúncio do enterro, realizado no cemitério São João Batista (Correio da Manhã, 22 de janeiro de 1965, na primeira coluna).

1999 – No Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro, foi realizada entre dezembro de 1999 e abril de 2000 a exposição Imagens da Aviação Naval com fotografias pertencentes ao acervo do Serviço de Documentação da Marinha, que fazem parte de um álbum de 555 imagens produzidas por Kfuri com registros da aviação naval desde seu início, de vistas aéreas do Rio de Janeiro e de acontecimentos importantes na cidade.

 

Colaborou para esta pesquisa a bibliotecária Marcia Prestes Taft, Encarregada da Divisão de Documentos Especiais da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira. Milan Alram. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2015.

Arquivo Nacional

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Site da Biblioteca da Presidência da República

Site da Câmara dos Deputados

Site da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal

Site da Presidência da República – Casa Civil

Site do CPDOC

Site do Senado Federal

Site do Superior Tribunal Militar

Data Magna da Marinha do Brasil

Batalha Naval do Riachuelo – A Data Magna da Marinha do Brasil

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

A Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865, assinalou um momento capital na Guerra da Tríplice Aliança contra o Governo do Paraguai (1864-1870), o maior conflito entre Estados ocorrido na América. O controle dos rios Paraná e Paraguai, conquistado após a vitória sobre a Marinha paraguaia em Riachuelo, inviabilizou a ofensiva adversária sobre os territórios brasileiro e argentino, e também impediu que o Governo de Solano López ( 1827 – 1870) recebesse armamentos comprados no exterior.

Desde o início do conflito, com a invasão do Mato Grosso pelo Exército paraguaio, em dezembro de 1864, o Brasil e a Argentina sofriam seguidas derrotas no campo de batalha. O território de ambas as Nações foi invadido e algumas de suas cidades fronteiriças foram pilhadas pelas tropas adversárias, como Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e Corrientes, na Argentina. A vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo foi o primeiro triunfo aliado em quase sete meses de confronto e provocou uma grande onda de entusiasmo na população dos centros urbanos do País, antes apreensiva com os rumos da guerra.

O êxito da Força Naval, comandada pelo Chefe de Divisão Francisco Manoel Barroso da Silva (1804 – 1882), alcançado a quase 1.700 quilômetros da Capital do Império, continuou a ser celebrado nos anos posteriores à Guerra e deixou marcas profundas nas tradições da Marinha do Brasil. Tradições que não apenas cultuam a vitória através da figura do Almirante Barroso, mas os que tombaram em combate. Mesmo que muitos tenham perecido no bombardeio mútuo entre navios, foi na luta corpo a corpo que tomou conta do convés da Corveta brasileira Parnaíba, quando abordada por tripulações de três navios paraguaios, que emergiram os heróis que permanecem sendo celebrados pelos nossos marinheiros após um século e meio: o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh (1845 – 1865) e o Marinheiro de 1ª Classe Marcílio Dias (1838 – 1865).

 

 

Na imagem acima, registrada em 1917, ano que o Brasil entrava na Grande Guerra (1914-1918), a primeira guerra externa que o país se envolvia desde a travada no Paraguai, se vê uma das salas de aula da Escola de Aprendizes-Marinheiros do Ceará, instituição dedicada à formação militar dos novos tripulantes dos navios de guerra da Marinha do Brasil. O espaço, nomeado “Salão Riachuelo”, foi todo dedicado à celebração da Batalha. Na parede à direita dos alunos foram destacados os nove navios brasileiros que combateram naquele 11 de junho de 1865, expondo sua organização tática em duas divisões e o nome de cada um dos seus comandantes. À frente, onde todos os olhos se fixam, coroa o tablado designado ao professor o retrato do Almirante Barroso, ladeado pelas bandeiras do Regimento de Sinais que representaram os chamamentos daquele líder às tripulações durante os períodos mais adversos da Batalha: “Sustentar o fogo que a vitória é nossa” e “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. Encerrando aquela composição, à esquerda dos alunos há o retrato do Guarda-Marinha Greenhalgh e à direita o do Marinheiro Marcílio Dias, expostos como exemplos a serem perseguidos por aqueles jovens na busca por se tornarem combatentes na Marinha do Brasil.

Acessando o link para as fotografias do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

___________________________________________________________________

As fotografias do acervo da DPHDM disponibilizadas no portal são de autoria de Boute, H&J Tourte Éditeurs, Jorge Kfuri (1892/3 – 1965), um dos primeiros especialistas na fotografia aérea; Marc Ferrez (1843 – 1923) e de fotógrafos ainda não identificados. São imagens da visita do rei Alberto I da Bélgica ao Brasil em 1920, da Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará, do navio-escola Benjamin Constant, do cruzador Tamandaré e fotografias aéreas do Rio de Janeiro, além de outras.

 

 

Uma homenagem aos 452 anos do Rio de Janeiro: o Corcovado e o Pão de Açúcar

 

A beleza e a vocação exibicionista fez do Rio de Janeiro personagem constante de muitas fotografias desde o século XIX, quando, em 1843, o abade Conte chegou à cidade trazendo um daguerreótipo (Jornal do Commercio, 17 de janeiro de 1843, na primeira coluna). Na data de aniversário de sua fundação, a Brasiliana Fotográfica presta uma homenagem à cidade maravilhosa com uma seleção de registros dos morros do Corcovado, onde fica o Cristo Redentor, e do Pão de Açúcar, onde, desde 1912, funciona o bondinho. São seus principais pontos turísticos e marcas registradas da cidade. As imagens são de autoria de Alberto Henschel (1827 – 1882), Antonio Caetano da Costa Ribeiro, Augusto Malta (1864 – 1957), Augusto Stahl(1828 – 1877), F. Antunes, Georges Leuzinger (1813 – 1892), Jorge Kfuri (1892/3? – 1965), José Augusto de Paiva Meira, José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925), Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897), Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), Thiele, do aviador Sidney Henry Holland (1883 – 1936) e da firma LTM.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Corcovado e do Pão de Açúcar disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil, o Cristo Redentor é um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo art déco do mundo. Localizado no morro do Corcovado, a 710 metros de altitude, a estátua tem 38 metros de altura e pesa 1.145 toneladas. Foi inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1931 e O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931).

 

Em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado um caminho aéreo no Rio de Janeiro, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, que se tornaria o mundialmente famoso Bondinho do Pão de Açúcar (Careta, 5 de outubro de 1912). Alguns dias antes, houve uma visita da imprensa às obras (Correio da Manhã, 10 de outubro de 1912). Em 1º de dezembro, foi inaugurada a iluminação elétrica no caminho aéreo (Jornal do Brasil, 1º de dezembro de 1912, na última coluna). O bondinho no segundo trecho, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, numa extensão de 750 metros e 396 metros de altura, começou a funcionar no dia 18 de janeiro de 1913, completando a ligação até o alto do pico do Pão de Açúcar (O Paiz, 19 de janeiro, na quarta coluna).

 

 

 

Outras publicações da Brasiliana sobre o Rio de Janeiro:

A fundação do Rio de Janeiro

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Novos acervos: Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

A Marinha do Brasil e os primórdios da fotografia aérea

A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM) tem o propósito de preservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural da Marinha, contribuindo para a conservação de sua memória e para o desenvolvimento da consciência marítima brasileira. Além disso, cabe ainda à DPHDM a administração do Arquivo da Marinha, localizado na Praça Barão de Ladário s/n°, Ilha das Cobras, dentro do complexo do Comando do 1º Distrito Naval.

O Arquivo da Marinha é integrante do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR) e reconhecido como Instituição Arquivística Pública, com o acervo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). No acervo fotográfico, há imagens do século XIX até os dias atuais. A partir deste mês, passa a integrar o portal Brasiliana Fotográfica, compartilhando valiosas imagens.

Centro da Cidade: Praça Mauá e arredores

A imagem capturada na primeira metade da década de 1920 mostra a atual avenida Rio Branco em toda a sua extensão, da Praça Mauá (em primeiro plano) até a então Praia de Santa Luzia. Ao longo da avenida aparece a arborização, entre as pistas, que resistiu desde a sua inauguração até 1948. Na parte central da imagem, à direita da Avenida Rio Branco, está o Morro da Conceição com seu casario que persiste, até hoje. No lado oposto, junto ao mar, o Armazém do Sal, edificação construída pelos monges beneditinos em meados do século XVIII e hoje preservada como a sede do Comando do Primeiro Distrito Naval.

No canto superior esquerdo está a Igreja da Candelária, ainda cercada de sobrados, antes da abertura da Avenida Presidente Vargas, na primeira metade da década de 1940. Neste mesmo canto, na margem da imagem, vê-se o que parece uma mancha, mas é parte da aeronave da Aviação Naval da Marinha do Brasil onde o fotógrafo Jorge Kfuri registrou diversos locais da então Capital Federal.

Kfuri, como um dos primeiros especialistas na fotografia aérea, até então a serviço do jornal A Noite, foi contratado pela Marinha do Brasil para adestrar as tripulações das aeronaves da Aviação Naval no seu ofício – quando recebeu a patente honorária de Segundo-Tenente.

Acessando o link para as fotografias do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.