De Gênova, Itália, a Maruim, Sergipe: João Firpo, um artífice de imagens

Para comemorar a independência do estado de Sergipe, ocorrida há 200 anos, seguida pela nomeação como seu primeiro governador de Carlos Cesar Burlamaqui (1775 – 1844) (Gazeta do Rio de Janeiro, 26 de julho de 1820, segunda coluna), a Brasiliana Fotográfica publica o artigo “De Gênova, Itália, a Maruim, Sergipe: João Firpo, um artífice de imagens”, da historiadora e museóloga sergipana Sayonara Viana, leitora e entusiasta do portal. O italiano Giovanni Firpo chegou no Recife, em 1866, e três anos depois naturalizou-se brasileiro e adotou o nome João. Como fotógrafo itinerante percorreu diversas províncias do Nordeste brasileiro: Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, estado que foi sua última residência. Sua obra fotográfica registrou cidades e paisagens e documentou a construção de ferrovias. Além disso, teve uma grande produção de retratos.

 

Acessando o link para as fotografias de Sergipe disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Bandeira e brasão de Sergipe

Bandeira e brasão de Sergipe

 

Carta Régia que desanexou da Capitania da Bahia o território de Sergipe, emancipando-o politicamente

“Isenta a Capitania de Sergipe da sujeição ao Governo da Bahia, declarando-a independente totalmente.
Convido muito ao bom regimen deste Reino do Brasil, e a prosperidade a que me proponho elevá-lo, que a Capitania de Sergipe de El Rei tenha um Governo independente do da Capitania da Bahia.
Hei por bem isentala absolutamente da sugeição em que até agora tem estado do Governo da Bahia, declarando-a independente totalmente para que o Governador della a governe na forma praticada nas mais Capitanias independentes, communicando-se directamente com as Secretarias de Estado competentes, e podendo conceder sesmarias na forma das Minhas Reaes Ordens.
Thomas Antonio de Villanova Portugal, Ministro e Secretario de Estado dos Negócios do Reino, o tenha assim entendido, e faça executar com as participações convenientes às diversas estações. Palácio do Rio de Janeiro e 8 de julho de 1820. (Com a rubrica de S.M.)”

 

De Gênova, Itália, a Maruim, Sergipe: João Firpo, um artífice de imagens

                                                                                        Sayonara Viana*

 

 

O movimento das imagens evidencia seus diferentes contornos, revelando sentidos e significados produzidos pela arte fotográfica de João Firpo, que deixou vestígios documentais para a história da fotografia no Brasil ao registrar e elucidar traços peculiares de algumas cidades do país. Giovanni Firpo nasceu em Nervi, Gênova,na Itália, em 20 de fevereiro de 1839, filho de Domenico Firpo e Catterina Corsi. O registro encontra-se no Livro de Registro n°. 93, linha 422, do ano de 1839, na Lista Di Leva da cidade de Gênova. Até o momento são poucos os dados que conseguimos obter sobre esse fotógrafo. Existem muitas lacunas entre o seu nascimento e o ano em que imigrou para a América. O que se sabe é que Firpo foi proprietário de um laboratório fotográfico na cidade de Gênova.

 

figura 1

Cópia do livro de registro de nascimento em 1839 / Acervo Aroldo A. Firpo

 

Fotógrafo profissional e itinerante, viajou de Gênova com destino ao Brasil em 13 de agosto de 1866 e aportou no Recife, em Pernambuco, em 18 ou 19 de outubro desse mesmo ano. As informações contidas em seu passaporte permitem-nos construir a imagem de um jovem de 27 anos com “cabelo negro, sobrancelha escura, olhos castanhos, barba curta e cicatriz na testa“. Veio acompanhado da esposa Maria Lydia Firpo e dos seus três filhos menores: Domenico, de cinco anos; Giulio, de três anos; e Antônio, com oito meses. Viajaram na polaca italiana Linda (Diário de Pernambuco, 20 de outubro de 1866, quinta coluna).

 

figura 2

Cópia do passaporte utilizado na viagem para o Brasil em 1866 / Acervo Aroldo A. Firpo.

 

No Brasil, Giovanni Firpo adotou o nome de João Firpo, aprovado em sessão do Parlamento Brasileiro no Rio de Janeiro, em 25 de agosto de 1870, quando naturalizou-se brasileiro. Em 1867, fixou residência na cidade do Recife comprando o estabelecimento comercial de fotografia do Sr. Leon Chapelin, à Rua da Imperatriz, n° 14, conforme anúncio publicado no Diário de Pernambuco de 23 de abril de 1867.

 

 

Posteriormente, inaugurou um ateliê fotográfico, à Rua Nova n° 29, na cidade da Parahyba, onde estaria de passagem (O Publicador,  16 de dezembro de 1867).

 

 

Nesse período, os fotógrafos itinerantes anunciavam seus serviços nos periódicos locais informando que estavam vendendo material fotográfico e fotografando nas residências e fazendas das vilas e cidades. Sobre a itinerância fotográfica no Brasil, Segala (1998) descreve:

 

“Placas de vidro, frascos e drogas amarrados nas caixas, nos balaios das mulas. Os panos negros, os alaranjados, feitios da tenda fotográfica, cobrem das poeiras e dos ciscos a câmera escura. A viagem começa cedo, protegendo as águas e as químicas do sol alto”.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                (SEGALA, 1998, p.62).

 

João Firpo, como fotógrafo itinerante, viajou pelas Províncias do Norte do Brasil – Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe -, documentando famílias, personagens ilustres e paisagens urbanas, preservadas por instituições de memória desses estados.

 

Mapa das províncias por onde João Firpo itinerou

Mapa das províncias por onde João Firpo itinerou

 

Destacou-se pela densidade e intensidade de capturar “as vistas” da cidade da Parahyba ao fotografar prédios públicos, vistas, ruas e as mudanças na paisagem urbana. Residiu em vários locais da cidade procurando sempre se instalar próximo a uma potencial clientela e sempre buscando fixar as imagens em outro suporte para atingir a um público maior. Como informa  Lira (1997):

” No ano de 1876, já atuava na rua da Viração 17, o fotógrafo João Firpo com sua “Photographia Italiana”, oferecendo ao público, através de anúncio no Jornal da Paraíba de 09 de junho, seus “cartões sobre sistema de porcelana e photographia simples”. No ano seguinte, Firpo encontra-se instalado na rua Barão da Passagem (atual Rua da Areia), n° 92″.

Provavelmente por ter grande aceitação junto ao público, continuou atuando na cidade, acompanhando as mudanças na sua paisagem e Há indícios da sua atuação na Rua Direita n° 62 e, em 1885, na rua Duque de Caxias, n° 62, indicando a sua atividade na cidade entre 1877 e 1885 (BECHARA FILHO, 1983).

Sobre esses registros históricos, Azevedo (2017), assinala que:

“Em 1878, quando, provavelmente, o fotógrafo João Firpo tomou as primeiras imagens do Largo do Colégio, ele iniciou o registro uma série de informações sobre o ambiente construído que chegaram até os nossos dias em uma espécie de testemunho da conformação física de como já foi a paisagem urbana da cidade da Parahyba. De modo particular, essas fotografias nos contam o percurso histórico de como o Largo do Colégio e o seu entorno foram sendo construídos e, também, desconstruídos, ao longo de sete décadas, entre 1870 e 1930′.

(AZEVEDO, 2011, p. 2027).

 

Outra atuação que marcou a sua trajetória fotográfica foi o trabalho sistemático de documentação fotográfica da expansão ferroviária da Parahyba, muito comum no final do século XIX e utilizada pela administração pública para compor os relatórios das obras e as reportagens dos periódicos. João Firpo foi contratado  para acompanhar o progresso da ferrovia da Companhia Inglesa Conde D’Eu Railway Company Limited, responsável pela construção da primeira etapa do trecho entre Natal e Recife.

João Firpo deixou importante legado iconográfico pelas cidades e vilas por onde andou. Entretanto, várias imagens atribuídas a ele estão sem identicação porque durante um período da sua atuação nem sempre as fotografias eram carimbadas. No que diz respeito aos retratos, principalmente o modelo carte de visite’,  ao longo da sua produção ele utilizou diversas vinhetas.

Uma curiosidade: na primeira figura abaixo, que é o verso da fotografia “Retrato de criança”, destacada nessa publicação, estão impressos à esquerda, o brasão do Segundo Império, e, à direita, o do Reino da Itália.

 

 

figura 3

Verso de fotografia de João Firpo / Acervo Fundação Joaquim Nabuco

 

figura 4

Verso de fotografia de João Firpo / Acervo Fundação Joaquim Nabuco

 

Em 1893, provavelmente atraído pela prosperidade econômica da Província de Sergipe, cuja região da Cotinguiba era o centro da produção açucareira, escolheu a Villa de Maruim para residência de sua família e instalação do seu laboratório fotográfico e continuou a viajar pelo Norte anunciando nos periódicos locais o seu ofício.

João Firpo faleceu em Maruim, em 1899, aos 61 anos. Está sepultado no cemitério Cruzeiro do Novo Século. Deixou nove filhos: três nascidos na Itália, três nascidos no Rio Grande do Norte e três nascidos na cidade da Parahyba.

  • Domenico Firpo (Gênova – 1861 -?).
  • Giulio Firpo (Gênova – 1863 – ?)).
  • Antônio Firpo (Gênova – 1865- ?).
  • João Firpo Júnior (RN – 1869 -?).
  • Eládio Firpo (RN – 1874- ?).
  • Arthur Firpo (RN – 1876 -?).
  • Maria Augusta Firpo (Parahyba – 1877 – ?).
  • Leopoldina Firpo (Parahyba – 1878 – ?).
  • José Firpo (Parahyba – 1883 -?).

O seu falecimento está registrado no Livro de Óbitos de 1893 a 1948, da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Passos. De acordo com as palavras escritas pelo vigário Antônio Leonardo da Silveira Dantas:

No dia 10 de outubro de 1899, encomendei o cadáver de João Firpo, natural de Gênova, de 61 anos de idade, filho legítimo de Domenico Firpo e Catharina Corse (sic), casado com D. Maria Lydia Firpo, fallecido de ontem de moléstia cardíaca. Vigário Antônio Leonardo da Silveira Dantas”.

 

figura 5

Livro de Óbitos de 1893 a 1948. / Acervo Paróquia de Senhor Bom Jesus dos Passos. Maruim/SE

 

Seus filhos Arthur e Antônio Firpo deram continuidade ao ofício do pai, documentando indivíduos e grupos familiares através dos retratos: suas fisionomias, seus eventos mais representativos e suas celebrações, que foram registrados em suportes fotográficos por esses “artífices de imagens” e estão presentes nos acervos do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e na Biblioteca Pública Epifânio Dória/SE  “como vestígios documentais de múltiplas existências: deles próprios enquanto retratistas e dos seus retratados”.

As dimensões poéticas do passado materializadas na obra fotográfica de João Firpo produzem as rimas, as harmonias e as sintonias necessárias para que os versos e a consonâncias das imagens/palavras possam consolidar a impressão de quem as observam e interpretam, buscando nos aproximar dos caminhos percorridos e das realidades registradas e eternizadas que se perderiam ao longo de tempo.

 

*A historiadora e museóloga Sayonara Viana é pesquisadora do campo das Artes Visuais, no Patrimônio Cultural e História da Fotografia em Sergipe.

 

Cronologia de João Firpo (1839 – 1899)

Andrea C. T. Wanderley**

 

1839 - Meses antes do anúncio da invenção do daguerreótipo, feito por François Arago (1786 – 1853), secretário da Academia de Ciências da França, em 19 de agosto de 1839 , nascimento de Giovanni (João) Firpo em Nervi, Gênova, na Itália, em 20 de fevereiro de 1839, filho de Domenico Firpo e Catterina Corsi.

1861 – Em Gênova, nascimento de seu primeiro filho, Domenico.

1863 - Em Gênova, nascimento de seu segundo filho, Giulio

1865 Em Gênova, nascimento de seu terceiro filho, Antônio.

1866 – Firpo viajou para o Brasil 13 de agosto de 1866, na polaca Linda, em companhia de sua mulher, Maria Lydia Firpo, e de seus três filhos genoveses. Aportaram no Recife, em Pernambuco, em meados de outubro desse mesmo ano. Segundo informações de seu passaporte, era um jovem de 27 anos com “cabelo negro, sobrancelha escura, olhos castanhos, barba curta e cicatriz na testa(Diário de Pernambuco, 20 de outubro de 1866, quinta coluna).

 

 

1867 – Fixou residência na cidade do Recife comprando o estabelecimento comercial de fotografia do Sr. Leon Chapelin, à Rua da Imperatriz, n° 14. Chapelin havia sido o sucessor do estabelecimento do fotógrafo Augusto Stahl (1828 – 1877 ) no endereço mencionado (Diário de Pernambuco de 23 de abril de 1867; e Diário de Pernambuco, 26 de abril de 1867, quarta coluna).

Em 28 de abril, Firpo inaugurou, no Recife, a Photographia Italiana (Diário de Pernambuco, 27 de abril de 1867).

 

 

Anunciou que todas as chapas de Augusto Stahl e Leon Chapellin estavam com ele e que reproduções das mesmas poderiam ser encomendadas. Oferecia também vistas de Pernambucos e seus arrebaldes (Diário de Pernambuco, de 23 de julho de 1867, primeira coluna).

 

 

Houve uma confusão entre João Firpo, uma senhora e o delegado Martins Pereira(O Conservador, 2 de novembro e 9 de novembro de 1867).

Nesse mesmo ano, inaugurou um ateliê fotográfico, à Rua Nova n° 29, na cidade da Parahyba, onde estaria de passagem (O Publicador,  16 de dezembro de 1867).

1868 – Firpo e sua mulher embarcaram em João Pessoa no vapor Ipojuca com destino a Natal (O Publicador, 26 de junho de 1868, primeira coluna).

Foi noticiado que em um dos armazéns da Alfândega de Pernambuco havia para João Firpo, dentre outros produtos, 70 libras de massas alimentícias. A mercadoria havia chegado em 10 de janeiro de 1868, no vapor Bourgogne, de Marseille, na França (Jornal do Recife, 21 de julho de 1868, quinta coluna). Fica a questão: teria ele pensado em ser importador de massas italianas para o Brasil?

1869 - No Rio Grande do Norte, nascimento de seu primeiro filho brasileiro, João Firpo Júnior.

1870 –  Giovanni Firpo adotou o nome de João Firpo, aprovado em sessão do Parlamento Brasileiro no Rio de Janeiro, em 25 de agosto de 1870, quando naturalizou-se brasileiro. Na época, ele residia no Rio Grande do Norte (Annaes do Parlamento Brasileiro, Tomo 4, 1870).

1874 - No Rio Grande do Norte, nascimento de seu segundo filho brasileiro, Eládio.

1876 - No Rio Grande do Norte, nascimento de seu terceiro filho brasileiro, Arthur.

Nesse ano, possuia um ateliê fotográfico, a Photographia Italiana, na rua da Viração, nº 17, em João Pessoa (Diário da Prahyba, 9 de junho de 1876).

1877 - Nascimento de sua primeira filha, Maria Augusta, na Paraíba.

Transferiu seu ateliê fotográfico para a rua Barão da Passagem, 92, em João Pessoa. Anunciou que iria “a qualquer parte mediante prévia convenção” e que também dava lições de fotografia. Na época,já comercializa retratos de homens públicos (A Opinião, 12 de julho de 1877 e 28 de outubro de 1877).

1878 - Nascimento de sua segunda filha, Leopoldina, na Paraíba.

Esteve No Recife (Diário de Pernambuco, 6 de abril de 1878, quarta coluna).

1883 - Nascimento de seu filho caçula, José, na Paraíba.

1885 – Anunciou a Grande Fotografia, na rua Duque de Caxias, 52, em João Pessoa (Diário da Parahyba, 24 de maio de 1885).

 

 

 

Foi um dos compatriotas que se solidarizou com o comerciante italiano F. de Angelo, preso, acusado de tramar uma fuga e de se esconder de credores (Diário da Parahyba, 16 de junho de 1885, primeira coluna).

Anunciou a venda de retratos de Joaquim Nabuco e de Victor Hugo no seu estabelecimento (Diário da Parahyba, 27 de outubro de 1885).

 

 

1886 – João Firpo estava no Recife, vindo da Paraíba. Segundo o jornal, havia armado sua tenda para aumentar sua galeria (Diário de Pernambuco, 9 de junho de 1886, segunda coluna).

Partiu do Recife rumo aos portos do Norte no vapor Pirapama (Jornal de Recife, 21 de outubro de 1886, quarta coluna).

1889 –  Partiu do Recife rumo aos portos do Norte no vapor Espírito Santo (Jornal de Recife, 30 de maio de 1889, quarta coluna).

1893 – Mudou-se com sua família para a Villa de Maruim, em Sergipe, e lá instalou seu ateliê fotográfico.

1896 - Esteve no Rio de Janeiro e  uma nota no jornal O Paiz se referiu a ele como um cavalheiro geralmente estimado e conceituado na cidade de Maruim, onde é comerciante e conselheiro municipal (O Paiz, 23 de agosto de 1896, segunda coluna).

1897 – Esteve de novo no Rio de Janeiro, de onde embarcou para Aracaju no vapor Penedo (Jornal do Commercio, 23 de outubro de 1897, última coluna).

1899 – João Firpo faleceu em Maruim, em outubro de 1899, aos 61 anos.

2018 – Em 18 de agosto, familiares de João Firpo reuniram-se em Maruim para a comemoração dos 152 nos da migração do patriarca da Itália para o Brasil. Foi reinaugurado o mausoléu de João Firpo e depois foi celebrada uma missa em ação de graças na Igreja Matriz Senhor dos Passos (Facebook).

 

**Andrea C. T. Wanderley é pesquisadora e editora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Link para o artigo  Aracaju – 160 anos de fundação, publicado em 25 de setembro de 2015 na Brasiliana Fotográfica

 

Fontes: 

AZEVEDO, Maria Helena. De Largo do Colégio a Praça João Pessoa: a transformação de uma paisagem urbana vista em fotografias. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/eneimagem/anais2011/trabalhos/pdf/Maria%20Helena%20Azevedo.pdf. Acesso em 31.05.2020.

BECHARA FILHO, Gabriel. Os Primórdios da Fotografia na Paraíba. Correio das Artes. Jornal A União,  João Pessoa. 27. Nov. 1983

FIRPO, Aroldo Andrade.  Folder Comemorativo aos 152 anos da migração da Família João Firpo de Gênova para o Nordeste do Brasil. Agosto/2018.

GONÇALVES, Eveline Filgueiras. A fotoautobiografia como espaço de recordação: fragmentos em álbuns de memórias sobre a Universidade Federal da Paraíba no arquivo Afonso Pereira.  Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/8846?locale=pt_BR. Acesso em 31.05.2020.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

LIRA, Bertrand de Souza. Fotografia na Paraíba: um inventário dos fotógrafos através do retrato (1850 a 1950). João Pessoa: Editora Universitária, 1997.

SEGALA, Lygia. Itinerância fotográfica e Brasil pitoresco. Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Rio de Janeiro, 1998, v. 27, p. 62-87.

Site Biblioteca Clodomir Silva

Os cinco anos da Brasiliana Fotográfica

A Brasiliana Fotográfica, fundada pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Moreira Salles, em 17 de abril de 2015, completa cinco anos de existência buscando contribuir para uma escrita da história do Brasil onde as fotografias deixam de ser mera ilustração. A data seria comemorada com a realização do Seminário Brasiliana Fotográfica 5 anos – A imagem e a escrita da história, no auditório da Biblioteca Nacional que, devido à situação pela qual atravessa o Brasil e o mundo, foi adiado.

Decidimos então promover no contexto atual da pandemia de coronavírus um debate relacionando urbanismo, saúde pública e a história da cidade do Rio de Janeiro e das grandes metrópoles brasileiras, temas frequentes dos artigos semanais publicados no portal, dando visibilidade aos arquivos de imagem das instituições parceiras, ora disponibilizados na Brasiliana Fotográfica e também às pesquisas existentes sobre estes temas – elementos de reflexão sobre o momento presente. O encontro virtual será disponibilizado on-line ao vivo para o público, gratuitamente, no canal de facebook do Instituto Moreira Salles -  https://www.facebook.com/pg/institutomoreirasalles, no dia 17 de abril de 2020, às 17h30m.

 

 

Convidamos para este encontro e debate o historiador Jaime Benchimol, a pneumologista Margareth Dalcolmo – ambos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, instituição integrante do portal Brasiliana Fotográfica – e o arquiteto e urbanista Guilherme Wisnik, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. O debate será mediado pelos dois curadores da Brasiliana Fotográfica – Sérgio Burgi, Coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles, e Joaquim Marçal, Coordenador da BN Digital -, e pela historiadora Aline Lopes de Lacerda, pesquisadora do Departamento de Arquivo da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.

 

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Queremos também celebrar o aniversário do portal agracedendo a você, nosso leitor, que percorre nosso acervo fotográfico que, até o momento, possui 6.709 imagens de 11 instituições, e também lê nossas publicações semanais: já são 249! Ao longo desses cinco anos já tivemos 38.437.165 acessos!

Com uma rigorosa seleção e indexação das imagens que integram nosso acervo fotográfico, com o uso de uma linguagem simples e com a realização de uma pesquisa minuciosa, um dos objetivos da Brasiliana Fotográfica é atrair o interesse do maior número de leitores possível, de todas as faixas etárias e níveis de formação acadêmica, para assuntos relativos à história da fotografia, do Brasil e do mundo. Os artigos, semanais, são escritos por profissionais ligados às instituições integrantes do portal,  por curadores convidados como Cassio LoredanoElvia BezerraEucanaã FerrazLilia Moritz SchwarczMaria Isabela Mendonça dos SantosMillard SchislerPedro Karp Vasquez e Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva e também pelos curadores do portal Sérgio Burgi (IMS) e Joaquim Marçal (FBN).

 

Acessando o link para as 6.709 fotografias publicadas ao longo desses cinco anos na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

A escolha dos temas é variado: pode ser baseada tanto em uma efeméride como em uma reflexão mais teórica, na beleza ou na importância histórica de uma imagem ou de um grupo delas ou pode, também, se relacionar com algum fato da atualidade como foi, por exemplo, a publicação do artigo E o ex e futuro presidente do Brasil morreu de gripe…a Gripe Espanhola de 1918, em 20 de março de 2020, quando o mundo e o Brasil enfrentavam (ainda enfrentam) a pandemia do coronavírus. O presidente em questão foi Rodrigues Alves (1848 – 1919), uma das milhões de vítimas da gripe espanhola.

 

 

A elaboração de perfis de fotógrafos acompanhados por galerias de suas fotografias disponíveis no acervo do portal e por cronologias é uma das marcas da Brasiliana Fotográfica. E uma das estrelas das pesquisas realizadas para esses artigos é, além da bibliografia disponível sobre os temas, a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, com os links para as notícias da época em que os fatos ocorreram. De abril de 2015 a março de 2020, foram publicados 44 perfis, o primeiro, Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e sua obra-prima, o “Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887″, em 24 de maio de 2015; e o último, As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966), em 21 de fevereiro de 2020.

 

 

Lista de todos os perfis de fotógrafos publicados na Brasiliana Fotográfica de abril de 2015 a março de 2020 

2015

 1 – Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e sua obra-prima, o “Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887″

2 – O alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), o empresário da fotografia

3 O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936

4Vincenzo Pastore (Casamassima, Itália 5 de agosto de 1865 – São Paulo, Brasil 15 de janeiro de 1918)

5 - Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe por Augusto Riedel (1836 -?)

6 – Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros

7 – O editor e fotógrafo suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892)

8 – Imagens do Espírito Santo por Albert Richard Dietze (Alemanha, 1838 – Brasil, 1906)

2016

9 – O fotógrafo francês Jean Victor Frond (1821 – 1881) e o “Brasil Pitoresco”

10 – O suicídio do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903)

11 – Ipanema, que completa 122 anos, pelas lentes de José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925)

12 - Notícia da viagem do fotógrafo Albert Frisch (31/05/1840 – 30/05/1918) à Amazônia

13 - O fotógrafo Juan Gutierrez de Padilla (c.1860 – 28/6/1897)

14 – O fotógrafo paisagista Camillo Vedani (18?, Itália – c. 1888, Brasil)

15 - O fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966)

16 – Revert Henrique Klumb, o fotógrafo da família real do Brasil

17 – O retratista português Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 14 de outubro de 1912)

18 – O fotógrafo Augusto Stahl (Itália 23/05/1828 – França, 30/10/1877)

19 – O brilhante cronista visual Marc Ferrez (RJ, 07/12/1843 – RJ, 12/01/1923)

2017

20- São Paulo sob as lentes do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928)

21 – Os trinta Valérios, uma fotografia bem-humorada de Valério Vieira (1862 – 1941) 

22- Os índios sob as lentes de Walter Garbe, em 1909 

23 - Abram-Louis Buvelot (Suíça, 03/03/1814 – Austrália, 30/05/1888) 

24 – Um fotógrafo inglês na Bahia: Benjamin Robert Mulock (18/06/1829 – 17/06/1863) 

25 - “Sete de Setembro: uma ponte entre dois maurícios”, por Pedro Vasquez

26 – Lampião e outros cangaceiros sob as lentes de Benjamin Abrahão 

27 – O cronista visual de Diamantina: Chichico Alkmim, fotógrafo (1886 – 1978)

28 - O fotógrafo austríaco Otto Rudolf Quaas e o construtor Ramos de Azevedo

29 –  O fotógrafo português Francisco du Bocage (14/04/1860 – 22/10/1919)

30- O fotógrafo Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto (1884-1951) e a Fundação Oswaldo Cruz

31 – O fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 30/01/1924)

 2018

 32 – A construção Madeira-Mamoré, a ferrovia da Morte”, pelas lentes de Dana B. Merrill (c. 1887 – 19?)

33- O fotógrafo, botânico e naturalista alemão George Huebner (1862 – 1935)

34 - O francês Hercule Florence (1804 – 1877), inventor de um dos primeiros métodos de fotografia do mundo

35 - Lunara (1864 – 1937), um fotógrafo amador e fotoclubista de Porto Alegre

36 - O fotógrafo açoriano Christiano Junior (1832 – 1902) e sua importante atuação no Brasil e na Argentina

37 - A prisão do fotógrafo e aviador britânico S.H. Holland (1883 – 1936) no Rio de Janeiro, em 1930

2019

38 - Carlos Bippus e as paisagens cariocas

39 - Nudez na Galeria Ducasble causa polêmica no Recife do século XIX

40 - João Ferreira Villela, um dos primeiros fotógrafos pernambucanos

41 - Imagens de Blumenau: por Bernardo Scheidemantel e em álbum do início do século XX

42 - A Colônia Dona Francisca, Joinville, por Louis Niemeyer

43 – Jorge Kfuri (1893 – 1965), autor das primeiras fotografias aéreas do Rio de Janeiro

2020

44 - As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

 

 

Dentre esses perfis está o do fotógrafo Marc Ferrez, O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), publicada em 7 de dezembro de 2016.

 

 

Sobre a obra de Ferrez, que é por muitos considerado o mais importante fotógrafo que atuou no Brasil no século XIX, foram escritos mais 13 artigos na Brasiliana Fotográfica: O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de Sérgio BurgiNo primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923)Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882)O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles DunlopUma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923)Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, Uma homenagem da Casa Granado ao imperial sob as lentes de Marc Ferrez, Ressaca no Rio de Janeiro invade o porão da casa do fotógrafo Marc Ferrez, em 1913 e Petrópolis, a Cidade Imperial, pelos fotógrafos Marc Ferrez e Revert Henrique Klumb.

Outro objetivo do portal é divulgar mais questões ligadas à preservação digital, um assunto que toca não apenas às instituições de memória, mas a todos aqueles que produzem imagens digitais em seu dia a dia sem, no entanto, cuidar de sua preservação. Nesse sentido, já publicamos alguns artigos mas ainda temos muito a percorrer. Também desejamos ampliar a abrangência do portal com a adesão de instituições de todos os estados do Brasil.

Ainda em seu primeiro ano, no blog do portal, tivemos uma publicação de relevância histórica: a presença de Machado de Assis (1839 – 1908) na fotografia da Missa Campal pela comemoração da abolição da escravatura (de autoria de Antonio Luiz Ferreira), realizada em 17 de maio de 1888, no Campo de São Cristóvão, com a presença da princesa Isabel. A descoberta, realizada pela editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, Andrea Wanderley, foi saudada em outra publicação do blog pelo historiador José Murilo de Carvalho.

 

 

Os registros mais acessados pelos leitores nesses cinco anos foram as fotografias Missa campal celebrada em ação de graças pela Abolição da escravatura no Brasil, de Antonio Luiz Ferreira; Índios Botocudos, de Walter Garbe; Escola pública em Curytiba, de Marcos A. de Mello; A Família Imperial reunida, de Alberto Henschel; e Índios da Tribo Carajás, de autoria desconhecida.

 

 

Além das instituições fundadoras do portal, FBN e IMS, integram a Brasiliana Fotográfica o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, a Fiocruz, a Fundação Joaquim Nabuco, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, o Museu Aeroespacial, o Museu da República e o Museu Histórico Nacional. A gestão do portal é realizada por Roberta Zanatta (IMS) e por Vinicius Martins (FBN).

 

Mais uma vez, muito obrigada e vamos em frente!

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica