Abram-Louis Buvelot (Suíça, 03/03/1814 – Austrália, 30/05/1888)

Suíço, nascido em Morges, o pintor e fotógrafo Abram-Louis Buvelot (1814 – 1888), chegou ao Brasil, em 1835, e foi, com seu associado, o francês Prat (? – 1852), o primeiro fotógrafo no Brasil a receber o real patrocínio de um monarca quando, em 8 de março de 1851, d. Pedro II autorizou o uso das armas imperiais na fachada do estabelecimento fotográfico Buvelot & Prat, na rua dos Latoeiros, no centro do Rio de Janeiro. Buvelot pintou, sob encomenda da imperatriz dona Teresa Cristina, uma paisagem de floresta brasileira, que foi exibida na Exposição Geral de Belas Artes de 1846. A obra agradou muito a d. Pedro II, que o agraciou com o título de Cavaleiro da Imperial Ordem do Rosa, em 1847 (Diário Novo, 22 de março de 1847, na segunda coluna). A imperatriz dava de presente a suas irmãs em Nápoles, Paris e Viena quadros de Buvelot.

Buvelot foi aluno do pintor suíço Marc Louis Arlaud (1772 – 1845), na Escola de Desenho de Lausanne, de Jean-George Volmar (1769 – 1831), em Berna, e do francês Camille Flers (1802 – 1868), em Paris. Este último havia passado uma temporada no Rio de Janeiro, onde trabalhou como cozinheiro, pintor e bailarino.

Em  Salvador, sua primeira residência no Brasil, Buvelot foi professor de pintura. Em 1840, passou a morar no Rio de Janeiro e produziu vistas, cenas de costumes urbanos da cidade que estão no álbum litográfico Rio de Janeiro Pitoresco, realizado com o pintor francês Louis Auguste Moreaux (1818 – 1877), e publicado em 1845, pela Heaton & Rensburg. Entre 1840 e 1852, participou de todas as exposições da Academia Imperial de Belas Artes, exceto nos anos de 1842, 1845 e 1851. Fundou, em torno de 1845, um estabelecimento fotográfico na rua dos Latoeiros, 36 (atual Gonçalves Dias), tornando-se um dos primeiros profissionais da daguerreotipia no Rio de Janeiro.

A oficina de Buvelot prestou diversos serviços para a Casa Imperial, dentre eles a produção de retratos de d. Pedro II, dona Teresa Cristina e de sua filha, a princesa Isabel, que integram a Coleção de Dom Pedro de Orleans e Bragança. Com seu associado, Prat, realizou, em 1851, uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos. Estiveram na cidade entre 25 de fevereiro a 1º de março e entre 9 e 15 de abril para fotografar aspectos da então colônia imperial e receberam da mordomia imperial 2:595$000. Foram pagos 92$000 ao Hotel Suíço de Francisco Gabriel Chifelli e ao colono Davi Heiderich pelo aluguel de carros que os transportou do Porto da Estrela a Petrópolis. Esses daguerreótipos estão desaparecidos. Segundo o historiador Guilherme Auler, alguns foram descritos por d. Pedro II em um dos manuscritos que estão no Arquivo da Casa Imperial. Seriam a descrição dos registros do palácio, ainda não concluído; do Hotel Suíço, da serraria, da residência do ministro da Rússia, além de aspectos da rua do Imperador e da rua Dona Francisca, dentre outros. Auler levantou a hipótese dessas fotografias terem sido ofertadas a Dona Francisca, a Princesa de Joinville que semestralmente recebia de maneira oficial, com correspondência da Mordomia da Casa Imperial ao Ministro brasileiro em Paris, caixas de doce de abacaxi, farinha de mandioca, feijão preto, barril de aguardente, caixas de goiabada e sementes de quiabo… A feijoada recordava o Brasil. E se havia o cuidado de remeter tais coisas, para o culto da saudade, certamente um daguerreótipo representava muito mais (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957). 

Em 1852, Buvelot retornou à Suíça, onde tentou, sem sucesso se estabelecer como fotógrafo. Em 1865, fixou-se na Austrália, onde tornou-se um dos maiores pintores paisagistas do país. Entre 1866 e 1882, contribuiu com paisagens em várias exposições nacionais e internacionais. Faleceu em 30 de maio de 1888.

Em uma carta enviada em 1877 para um de seus amigos mais próximos, o pintor francês Eugene Girardet (1853 – 1907), refletindo sobre as circunstâncias de sua vida e seu envelhecimento, Buvelot escreveu:
Apenas uma faculdade persiste em força total e esta é um sentimento pela natureza que unido a um coração sempre jovem para amar e valorizar aqueles que escolheu…me faz encontrar um charme na vida.

Cronologia de Abram-Louis Buvelot

1814 – Nascimento de Abram-Louis Buvelot, em 3 de março, em Morges, na Suíça, segundo filho de François-Simeon (? – 1848), fucionário do Correio, e de Jeanne-Louise-Marguerite Heizer (? – 1856), diretora escolar. Tinha um irmão, Eugene-Jean-Louis-Henri (c. 1820- 1852), gravador e litógrafo. A família Buvelot estabeleceu-se em Morges em 1677, onde chegou como refugiada protestante de Condé-en-Barrois, na França.

1830 – Em dezembro, Buvelot deixou sua cidade natal, provavelmente para estudar na Escola de Desenho de Lausanne, dirigida pelo pintor suíço Marc Louis Arlaud (1772 – 1845), que havia sido aluno do célebre pintor francês Louis David (1748-1825).

1834 – Provavelmente, deixou a Suíça e passou alguns meses em Paris, onde foi aluno do pintor francês Camille Flers.

1835 - Chegou em Salvador, na Bahia, onde deu aulas de pintura. Seu tio, François Buvelot (1777 – ?) possuiu uma plantação de café no estado entre 1825 e 1842. Buvelot permaneceu em Salvador até 1840 e os quadros que pintou da cidade, intitulados Vista da Bahia e Vista das Fortalezas da Entrada da Bahia, além de um retrato de Minerva Candida d’Albuquerque, o destacou entre as famílias europeias abastadas que viviam na Bahia.

1839 – Anunciou ao público ter aberto uma casa onde desenhava paisagens, retratos de todos os tamanhos e tudo quanto diz respeito a essa arte (Correio Mercantil, 9 de fevereiro de 1939, na segunda coluna).

1840 – Anunciou com o pintor francês Louis Auguste Moreau (1818 – 1877) aulas de desenho e pintura na rua Direita do Palácio, nº 65 (Correio Mercantil, 29 de janeiro, na segunda coluna, e 4 de fevereiro de 1840, na segunda coluna).

Em outubro, chegou ao Rio de Janeiro, a bordo do patacho Minerva. Três dias depois, compareceu à Polícia e no livro de legitimação de passaportes identificou-se como Luis Buvelot, suíço, solteiro, 27 anos, retratista. Como a maioria dos imigrantes, viveu um tempo no Hotel Pharoux, e depois teve várias moradias, dentre elas na ruas do Rosário, do Cano, Santa Teresa e Ourives (Jornal do Commercio, 31 de outubro de 1840, na terceira coluna e Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957). 

Em dezembro, participou da III Exposição Geral de Belas Artes com duas paisagens representando a praia de Santa Luzia e o Saco da Gamboa com o cemitério inglês (Jornal do Commercio, 16 de dezembro de 1840 e Diário de Pernambuco, 13 de janeiro de 1841, na primeira coluna). Na ocasião, Zeferino Ferrez (1797 – 1951), pai do fotógrafo Marc Ferrez, foi condecorado.

1841 – Foi anunciada a venda de uma litografia de Heaton & Rensburg representando a coroação e a sagração de d. Pedro II, quando ele se apresentou ao povo na varanda Largo do Paço, baseada em um desenho do pintor francês Louis Auguste Moreaux (1818 – 1877) e Buvelot. Estava à venda nas lojas de Georges Leuzinger (1813 – 1892) e Laemmert, dentre outras (Jornal do Commercio, 4 de agosto de 1841, na segunda coluna).

Participou da Exposição Geral de Belas Artes com quadros representando a Lagoa Rodrigo de Freitas e Botafogo (Jornal do Commercio, 6 de janeiro de 1842, na terceira coluna).

1842 – Foi publicado o primeiro número do Rio de Janeiro Pitoresco com seis estampas de vistas e figuras desenhadas por Buvelot e pelo pintor francês Louis Auguste Moreaux (1818 – 1877). Estava à venda nas lojas de Georges Leuzinger (1813 – 1892) e Laemmert (Jornal do Commercio, 24 de março de 1842, na terceira coluna).

Embarcou no navio Bom Sucesso, rumo a Vila Viçosa e Campos (Jornal do Commercio, 17 de novembro de 1842, na última coluna).

1843 - Em novembro, Buvelot casou-se com a parisiense Marie-Félicité Lalouette (1816 – ?), filha de Nicolas-Joseph e Appaline-Rosalie Piquet, meses depois do nascimento de Jeanne-Louise-Sophie, única filha do casal, em 24 de fevereiro.

Ele e o pintor cearense José dos Reis Carvalho (1800 – 1872) ganharam medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes.

1844 – A imperatriz dona Teresa Cristina, que havia chegado ao Rio de Janeiro, em 3 de setembro de 1843, comprou todos os quadros de Buvelot expostos na Exposição do Rio de Janeiro: Cemitério Inglês na Gamboa, Vista do Convento de Santo Antônio, Canto do Beco do Cairu, Vista da Cidade do Rio de Janeiro observado do Andaraí Pequeno e Vista de Nossa Senhora da Glória observada dos aquedutos. O recibo, no valor de 300$000, de 1º de fevereiro de 1844, encontra-se no Arquivo da Casa Imperial. (Jornal do Commercio, 23 de fevereiro de 1844, na primeira coluna e Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

Buvelot participou da Exposição Geral de Belas Artes com quatro quadros: Vista da cidade e da Baía observada da Fábrica de Rapé, no Andaraí; Vista da passagem da Boa Vista observada do mesmo lugar; Vista do Corcovado e da Lagoa Rodrigo de Freitas observada da Boa Vista da Gávea;Vista de Botafogo observada do caminho novo da praia Vermelha (Jornal do Commercio, 21 de dezembro de 1844, na primeira coluna e Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

c. 1845 – Fundou seu estabelecimento fotográfico, na rua dos Latoeiros (atual rua Gonçalves Dias), tornando-se um dos primeiros profissionais da daguerreotipia no Rio de Janeiro.

1845 – Foi publicado pela Heaton & Rensburg o álbum litográfico Rio de Janeiro Pitoresco, realizado por Buvelot e pelo pintor francês Louis Auguste Moreaux (1818 – 1877). Reunia três séries de gravuras realizadas desde 1842 (Anuário do Museu Imperial, 1960).

Consta dos livros de fevereiro da mordomia imperial um recibo no valor de 500$000 para o pagamento de uma vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, de autoria de Buvelot (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

Francisco Buvelot, provavelmente François Buvelot, o tio de Louis Buvelot, partiu para a França, na barca francesa Emile (Jornal do Commercio, 20 de junho de 1845, na última coluna).

1846 – Era o professor de desenho do Colégio de São Pedro de Alcântara (Jornal do Commercio, 18 de outubro de 1846, na segunda coluna).

Pintou, sob encomenda da imperatriz dona Teresa Cristina, uma paisagem de floresta brasileira, Vista de mato virgem, que foi exibida na Exposição Geral de Belas Artes de 1846. Pelo quadro, foram pagos 300$000 conforme recibo de 4 de dezembro de 1846 existente no Arquivo da Casa Imperial (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

1847D. Pedro II o agraciou com o título de Cavaleiro da Imperial Ordem do Rosa  pelo mesmo decreto que tornou Grandjean de Montigny (1776 – 1850) Oficial da mesma Ordem (Diário Novo, 22 de março de 1847, na segunda coluna).

Apresentou uma aquarela na Exposição Geral de Belas Artes (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

1848 – Apresentou seis pinturas na Exposição Geral de Belas Artes: Vista de uma casa nas Laranjeiras, Vista de uma choupana, Vista do caminho dos aquedutos, Vista de uma casa em Catumbi, Vista da Gávea observada da Lagoa; e Vista das Laranjeiras (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

1848 a 1951 – Seu estabelecimento, intitulado Louis Buvelot  foi anunciado na seção de “Pintores e Retratistas” do Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro de 1848, 1849, 1950 e 1951. Em 1951, foi anunciado também na seção de “Daguerreótipos”, no mesmo endereço, mas intitulado Officina de Buvelot, 6, & Prat, r. dos Latoeiros, 36.

1849 – Em 30 de novembro, a Família Real pagou a Buvelot  544$000 pela realização de 19 retratos e pelo fornecimento de 20 estojos de daguerreótipos (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

Buvelot foi saudado como o artista que melhor sente e executa a natureza do Brasil, na Exposição da Academia de Belas Artes. Ele apresentou duas vistas (Correio Mercantil, 18 de dezembro de 1849, na terceira coluna).

1850 – Uma conta de 404$000 de retratos de d. Pedro II foi paga pela mordomia imperial, em setembro. A partir dessa informação, o historiador Guilherme Auler concluiu que o retrato do imperador que se encontra no Palácio do Grã-Pará é de autoria de Buvelot & Prat e sua data é 1850 (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

Em uma crítica às obras apresentadas na Exposição da Academia de Belas Artes, foi escrito: as paisagens do sr. Buvelot não podem ser mais naturais! Lamentamos que esse homem não seja brasileiro ou ao menos lente de paisagem da academia, que a esse respeito está muito mal servida… Ele apresentou duas aquarelas (Gazeta Mercantil, 17 de dezembro de 1850, na segunda coluna e Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

1851 – Buvelot e Prat estiveram em Petrópolis entre 25 de fevereiro a 1º de março e entre 9 e 15 de abril para fotografar aspectos da então colônia imperial e receberam da mordomia imperial 2:595$000. Foram pagos 92$000 ao Hotel Suíço de Francisco Gabriel Chifelli e ao colono Davi Heiderich pelo aluguel de carros que os transportou do Porto da Estrela a Petrópolis. Esses daguerriótipos estão desaparecidos. Segundo o historiador Guilherme Auler, alguns foram descritos por d. Pedro II em um dos 114 manuscritos que estão no Arquivo da Casa Imperial. Seriam a descrição dos registros do palácio, ainda não concluído; do Hotel Suíço, da serraria, da residência do ministro da Rússia, além de aspectos da rua do Imperador e da rua Dona Francisca, dentre outros. Auler levantou a hipótese dessas fotografias terem sido ofertadas a Dona Francisca, a Princesa de Joinville que semestralmente recebia de maneira oficial, com correspondência da Mordomia da Casa Imperial ao Ministro brasileiro em Paris, caixas de doce de abacaxi, farinha de mandioca, feijão preto, barril de aguardente, caixas de goiabada e sementes de quiabo… A feijoada recordava o Brasil. E se havia o cuidado de remeter tais coisas, para o culto da saudade, certamente um daguerreótipo representava muito mais  (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

Foi o primeiro fotógrafo no Brasil, com seu associado Prat, a receber o real patrocínio de um monarca quando, em 8 de março de 1851, d. Pedro II autorizou o uso das armas imperiais na fachada do estabelecimento fotográfico Buvelot & Prat.

1852 – O estabelecimento fotográfico foi anunciado no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro como Officina Imperial de Buvelot, 6, & Prat, r. dos Latoeiros, 36.

Buvelot retornou à Suíça por motivos de saúde, provavelmente havia contraido malária. Porém, no livro Famous Australian Artists, de Lois Hunter, publicado na Austrália, em 2003, foi mencionado que o motivo real de Buvelot ter deixado o Brasil teria sido a pressão pública devido a um escândalo desencadeado por um caso que ele teria tido com uma estudante. Algumas fontes informam que o ano foi 1851.

Viveu entre julho de 1852 e dezembro de 1853 em Vevey, Vaud, onde tentou, sem sucesso, se estabelecer como retratista.

Apresentou  um quadri na Exposição Geral de Belas Artes (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

1853 - Em dezembro, mudou-se com Marie-Felicité e sua filha Jeanne-Louise-Sophie (1844 – ?) para Lausanne. 

1854 – Foi com o artista austríaco Ferdinand Krumholtz (1810 – 1878), que ele havia conhecido no Rio de Janeiro, para Calcutá, na Índia, onde tentaram as carreiras de pintor e fotógrafo.

1855 - Buvelot teria ido para a Escócia antes de voltar à Suíça (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957). Começou a trabalhar como desenhista na Escola de Design em La Chaux-de-Fonds, Neuchâtel. Permaneceu na cidade com sua mulher e filha até setembro de 1864. Nesse período, contribuiu inúmeras vezes em exposições organizadas pela Sociedade dos Amigos das Artes de Neuchâtel.

1856 – Participou da Exposição de Berna com a pintura de uma paisagem.

Pela última vez a Oficinna Imperial Buvelot & Prat foi anunciada no Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. O último anúncio  publicado no Correio Mercantil e Instrutivo, Político, Universal foi publicado em 21 de janeiro de 1956, na terceira coluna.

1857 – A oficina foi anunciada no Auxiliador da Administração do Correio da Tarde de 1857.

1859/1860 – Buvelot participou da Exposição Geral de Belas Artes de 1859 e de 1860 (Revista Popular, janeiro a março de 1861).

1864 – Buvelot trabalhou em um comitê que estabeleceu o Museu de Belas Artes em La Chaux-de-Fonds.

Segundo informação do dicionário de Emmanuel Bénézit (1854 – 1920), Buvelot teria voltado ao Brasil durante esse ano (Jornal do Brasil, 2 de junho de 1957).

Em setembro, deixou sua família em La Chaux-de-Fonds e, dois meses depois, partiu de Liverpool para a Austrália acompanhado de Caroline-Julie Beguin (? – 1902), que havia sido sua colega como professora de francês na Escola de Design de La Chaux-de-Fonds. Viveram juntos até a morte de Buvelot, em 1888.

1865 – Chegou em 18 de fevereiro em Melbourne, em Vitória, estado da Austrália, onde comprou um estúdio fotográfico na rua Bourke, nº 92.

1866 – Mudou-se para a rua La Trobe, nº 88 e retomou sua carreira de pintor. Caroline-Julie dava aulas de francês para ajudá-lo a se estabelecer como artista em Melbourne. Tornou-se conhecido, recebeu diversos prêmios, tendo-se notabilizado por suas paisagens. Entre 1866 e 1882, contribuiu com paisagens em várias exposições nacionais e internacionais. Segundo o crítico de arte do jornal australiano Argus, James Smith, ele reproduzia integralmente as paisagens australianas nas mais diversas técnicas: aquarelas, óleos e crayons.

1868 - Inscreveu-se para ser o instrutor das aulas de arte na Galeria Nacional de Vitória, sem sucesso. Dois anos depois, o austríaco Eugen von Guerad (1811 – 1901) foi designado para o cargo.

1869 – Em torno desse ano sua reputação como o principal pintor das paisagens da colônia australiana estava firmada.

Foi professor de desenho de paisagens na Escola de Design de Artisan, em Carlton, subúrbio de Melbourne.

Os quadros Winter morning near Heidelberg and Summer afternoon, Templestowe foram adquiridos pela Biblioteca Pública, como parte dos preparativos da Coleção Australiana para a Galeria Nacional de Vitória.

1870 / 1874 – Serviu no comitê da Academia de Artes de Vitória e também participou de exibições do grupo.

1873 –  O casal Buvelot mudou-se para o cottage Ma Retrait, na rua George, em Fitzroy, um subúrbio de Melborne.

1884 - Devido a problemas na visão e nas mãos, deixou de pintar.

1888 – A Academia de Belas Artes do Brasil adquiriu uma paisagem de Buvelot (Brasil. Ministério do Império, 1888).

Buvelot faleceu, em 30 de maio, na Austrália. Foi enterrado no cemitério de Kew, onde foi construído um memorial em sua homenagem.

1890 – Seu quadro, Vista da Gamboa, participou da Exposição Geral de Belas Artes de 1890 (Catálogo da Exposição Geral de Belas Artes de 1890).

1894 – A Galeria Grosvenor da Galeria Nacional de Vitória passou a chamar-se Galeria Buvelot.

Foster e  Martin. Retrato de Louis Buvelot, c. 1883

Foster e Martin. Retrato de Louis Buvelot, c. 1883 / La Trobe Picture Collection, Biblioteca de Vitória, Austrália

 

1953 – Integrou a mostra A Paisagem Brasileira até 1900, organizada por Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898 – 1969) para a II Bienal de São Paulo.

1961 – Na Biblioteca Estadual da Guanabara, foi um dos pintores expostos na mostra O Rio na Pintura Brasileira.

1962 – Foi um dos artistas da mostra Pintura Australiana: colonial, impressionista e contemporânea, realizada em Perth e em Adelaide, na Austrália.

1976 – Integrou a exposição Arte Australiana nos 1870s, em Melbourne e em Sidney, na Austrália.

1977 - Integrou a exposição Aspectos da Paisagem Brasileira: 1816-1916, no Museu Nacional de Belas Artes.

1982 – Integrou a mostra 150 Anos de Pintura de Marinha na História da Arte Brasileira, realizada no Museu Nacional de Belas Artes.

1983 - Integrou a exposição Arcádia Australiana, em Sidney, na Austrália.

1992 – Integrou a mostra Natureza: Quatro Séculos de Arte no Brasil, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

AULER, Guilherme. O Paisagista e Retratista Buvelot, Jornal do Brasil, 2 Junho de 1957, Rio de Janeiro.

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FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983. 677 p.

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LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições gerais da Academia Imperial e da Escola Nacional de Belas Artes: período monárquico, catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1990. 317 p. / v.1

MELO JUNIOR, Donato. Buvelot no Brasil i (apontamentos 1963) e Buvelot no Brasil ii (novos apontamentos à guisa de adendo 1986). Boletim do Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro, 5 (13–5): 9–15, jan.-dez. 1986. il.

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STICKEL, Erico João Siriuba. Uma pequena biblioteca particular – Subsídios para o estudo da iconografia no Brasil. São Paulo:Editora da Universidade de São Paulo – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

O pintor Antonio Parreiras (20/01/1860, Niterói, RJ – 17/10/1937, Niterói, RJ)

 

A Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores algumas fotos do niteroiense Antonio Parreiras ( 1860 -1937), um dos maiores pintores brasileiros do final do século XIX e das primeiras décadas do século XX.  Foi justamente em um estabelecimento fotográfico, do português Joaquim Insley Pacheco (c. 1830-1912), um dos mais importantes retratistas do século XIX no Brasil e fotógrafo da Casa Imperial, que Parreiras realizou a sua primeira grande mostra artística, em 27 de maio de 1886 (O Paiz, 28 de maio de 1886, na sétima coluna). Não raramente havia uma colaboração próxima entre pintores e fotógrafos: foi justamento no ateliê de um fotógrafo, Félix Nadar (1820-1910), que foi realizada a primeira exposição dos impressionistas em Paris, entre 15 de abril e 15 de maio de 1874. Na época, os pintores impressionistas, dentre eles Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Camille Pissarro, Alfred Sisley, Paul Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas, eram rejeitados pela crítica.

Antonio Parreiras foi eleito, em 1925, o maior artista do país no Grande Concurso Nacional realizado entre os leitores da revista Fon-Fon (Revista Fon-Fon, 28 de março de 1925). Os segundo e terceiro lugares ficaram para Rodolfo Bernardelli e Baptista da Costa, respectivamente. Em outras categorias, brasileiros ilustres também se destacaram: Epitácio Pessoa, maior estadista; Guiomar Novaes, maior musicista; Coelho Netto, maior escritor; e Leopoldo Froes, maior ator; dentre outros.

Em seu ateliê, que hoje faz parte do Museu Antonio Parreiras, em Niterói, inaugurado em 21 de janeiro de 1942,  mandou esculpir em seu pórtico a epígrafe “Trabalhar é viver”. Segundo o próprio Parreiras, ao longo de uma carreira de cerca de 55 anos, realizou 850 pinturas, das quais 720 em solo brasileiro. Inicialmente, dedica-se à paisagem, mas após uma temporada de cerca de dois anos na Europa, entre 1888 e 1890, começa a se interessar pela figura humana. A partir de 1899, executa painéis em alguns palácios e prédios públicos. O renomado pintor Victor Meirelles (1832-1903) o estimula a pintar cenas históricas para o governo. Dentre elas, destacam-se Morte de Estácio de Sá”, “Prisão de Tiradentes” e “Proclamação da República”. Foi também o decorador do Instituto Nacional de Música e do Conservatório de Belo Horizonte.

Galeria de Antonio Parreiras

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Antonio Parreiras disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Cronologia da vida de Antonio Parreiras

 

1860 – Em 20 de janeiro, nascimento de Antonio Diogo da Silva Parreiras, em Niterói. Seu pai era o ourives Jacinto Antonio Diogo Parreiras, e sua mãe era Maria Rosa da Silva Parreiras. Quando criança estudou no Liceu Tintori e no Colégio Guilherme Briggs.

1875 – Com a morte do pai, em 12 de dezembro de 1874, interrompeu seus estudos e começou a trabalhar como balconista no comércio.

1878 – Solicitou inscrição no curso noturno de desenho da Academia Imperial de Belas Artes.

1881- Casou-se com Quirina Ramalho da Silva. Nessa época, empregou-se como escriturário na Estrada de Ferro de Cantagalo, em Nova Friburgo. Tornou-se sócio do sogro em uma sapataria.

1882 - Nascimento de Egídio, primeiro filho do casal, que faleceu 4 meses depois.

1883- Matriculou-se  como aluno amador na Academia Imperial de Belas Artes e estudou com o paisagista Georg Grimm (1846-1887). Realizou sua primeira pintura a óleo: “Meu primeiro estudo a óleo”. Fez duas exposições: uma em sua casa, em Niterói, na rua Santa Rosa, 12; e outra na Casa Moncada, no Rio de Janeiro.

1884 – Executou com Frederico de Barros e Orestes Coliva a pintura do pano de boca do Teatro Santa Teresa, atual Teatro Municipal João Caetano, em Niterói.

Tornou-se aluno efetivo da Academia Imperial de Belas Artes.

Recebeu uma crítica positiva por seus trabalhos expostos em Teresópolis (Gazeta de Notícias, de 15 de dezembro de 1884, na sexta coluna sob o título “Um túmulo no alto da serra de Theresópolis”).

1884 / 1885 - Em decorrência da proibição imposta ao professor Grimm para que não ministrasse suas aulas ao ar livre, Parreiras abandonou a academia com os pintores Giovanni Castagneto (1851 – 1900), Hipólito Boaventura Caron (1862 – 1892), Domingos Garcia y Vasquez (1859 – 1912), Joaquim José de França Junior (1838 – 1890), Francisco Joaquim Gomes Ribeiro (c. 1855 – c. 1900) e Thomas Driendl (1849 – 1919). Formaram então o Grupo Grimm, que representou uma renovação na pintura da paisagem no Brasil.

Nascimento de sua filha, Olga, em 19 de maio.

Parreiras realizou exposições individuais na loja “A Photografia”, em Niterói, e na “Casa de Wilde” e na “Casa Katele”, no Rio de Janeiro. Seus quadros, “Maruhy Pequeno”, “Um lago em S. Vicente” e “Foz do Icarahy’ são elogiados (O Fluminense, 7 de junho de 1885). Também expôs em sua casa, em Niterói.

1886 - Em 27 de maio, inaugurou  sua maior mostra artística, até então, no estabelecimento fotográfico de Joaquim Insley Pacheco, fotógrafo da Casa Imperial, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro (O Paiz, 28 de maio de 1886, na sétima coluna) e recebeu a visita do imperador Dom Pedro II. A exposição rendeu-lhe uma crítica do colega França Júnior (O Paiz, 1º de junho de 1886, sob o título “O Paisagista Parreiras”, na quinta coluna). O imperador Dom Pedro II comprou o quadro “Foz do Icarahy”.

Expôs também em Angra dos Reis e em Rezende.

1887 – Encontrou-se pela última vez com Georg Grimm, que retornou à Europa, e faleceu em Palermo, na Itália, em 24 de dezembro.

As obras de Parreiras “A Tarde” e “Efeitos da Tempestade” foram adquiridas pela Academia Imperial de Belas Artes, o que possibilita sua primeira viagem à Europa.

Foi noticiado que seria publicado o primeiro livro de versos de Olavo Bilac, “Via-Láctea”, e que traria na capa um desenho de Parreiras (Novidades, 27 de março de 1887).

A Semana, de 18 de junho de 1887 , publicou uma matéria elogiosa à carreira do pintor.

1888 - Em 27 de janeiro, uma nova exposição na Casa Insley Pacheco, na Rua do Ouvidor, foi inaugurada com 22 estudos de paisagem. Duas foram adquiridas pela própria princesa Isabel: “Ocaso no Arraial” e “Aldeia do Pontal” ( O Paiz, 29 de janeiro de 1888, sob o título “Noticiário”).

Nascimento de sua segunda filha.

Viajou para a Itália (Revista Illustrada, 10 de março de 1888, terceira coluna, última notícia) e durante dois anos frequentou a Academia de Belas Artes de Veneza, tornando-se discípulo de Filippo Carcano (1840-1910).

Em 17 de março, foi publicado na Pacotilha, uma poesia de Rodrigo Otávio dedicada a Parreiras. Expõs, com sucesso, um quadro que retratava um campo romano, no Salão Permanente de Belas Artes em Veneza.

Foi noticiado que uma fotografia da referida obra seria exposta em breve na galeria Leite Ribeiro, na rua do Ouvidor (Gazeta de Notícias, 19 de agosto de 1888, na sexta coluna).

Um artigo da Gazeta de Notícias elogiava fotografias de obras de Parreiras, que ainda estava em Veneza, e citou críticas favoráveis ao artista feitas por jornais italianos (Gazeta de Notícias, 27 de dezembro de 1888).

1889 – Nos salões do sr. Narciso e Artur Napoleão, com sucesso, foram expostos dez pinturas enviadas por Antonio Parreiras, de Veneza (Gazeta de Notícias, 20 de fevereiro de 1889, na sétima coluna, e Gazeta de Notícias, de 24 de fevereiro de 1889, quarta coluna), que foi visitada pelo conde d´Eu, marido da princesa Isabel (Gazeta de Notícias, 10 de março de 1889, última notícia da terceira coluna).

1890 – Em 5 de janeiro, retornou ao Brasil.

Foi nomeado professor interino na cadeira de Paisagem na Academia de Belas Artes e adotou o método de ensino do professor Grimm (Novidades, 7 de junho de 1890, sexta coluna, última notícia).

Ganhou medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes (Cidade do Rio, 10 de outubro de 1890, quarta coluna, última notícia).

1891- Rompeu com a Academia Imperial de Belas Artes, quando a cadeira de Paisagem foi extinta, devido à reforma curricular proposta por Rodolfo Bernardelli (1852-1931) e Rodolfo Amoedo (1857-1941). Escreveu sobre sua demissão e foi apoiado (Novidades, 27 de janeiro de 1891 e Novidades, 30 de janeiro de 1891). O nome da instituição foi alterado para Escola Nacional de Belas Artes – Enba.

Parreiras foi para Teresópolis e Friburgo.

Fundou, em 6 de julho, em Niterói, a Escola de Pintura ao Ar Livre, seguindo os ensinamentos de Grimm.

1892 - Em maio, comandou uma exposição dos membros da Escola ao Ar Livre, no salão do jornal Cidade do Rio, de José do Patrocínio (1853 – 1905). Das 92 obras exposta, 68 foram vendidas. A mostra foi um sucesso, tendo sido visitada por cerca de 10 mil pessoas, dentre elas os pintores Victor Meirelles (1832 – 1903) e Eliseu Visconti (1866 – 1944) (O Paiz, 30 de maio de 1892, na primeira coluna).

Em agosto, morte de sua filha caçula.

1893 – Em seu ateliê, exposição da pintura Panorama de Niterói.

Realizou outra exposição com os discípulos com o qual formou a Escola de Pintura ao Ar Livre, no salão do jornal Cidade do Rio (Cidade do Rio, 5 de fevereiro de 1893, na quarta coluna).

Em junho, realizou no Salão do Banco União, sua primeira exposição em São Paulo, um grande sucesso de vendas, público e crítica. Foi visitada por cerca de 4 mil pessoas e teve 24, dos 43 quadros expostos, vendidos (Cidade do Rio, 19 de junho de 1893, primeira coluna).

Conheceu o engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928), de quem encomenda o projeto de sua residência, atualmente, parte do Museu Antônio Parreiras. Ramos de Azevedo foi o grande construtor da cidade de São Paulo em fins do século XIX e nas primeiras décadas do século XX.

Realizou várias obras encomendadas por fazendeiros paulistas.

1894 –  O general Argollo, comandante-chefe da guarnição de Niterói  visitou o ateliê de Parreiras e admira o quadro Viva a República!, que retratava a esquadra legal, no dia 13 de março de 1894, durante a Revolta da Armada (O Paiz, 6 de abril de 1894).

Parreira terminou o segundo quadro de sua autoria sobre a Revolta da Armada, Bons dias a Villegaignon ( O Paiz, 19 de abril de 1894, na primeira coluna).

Entre 15 e 29 de agosto, realização de outra exposição de sucesso de Parreiras, em São Paulo, desta vez no Club dos Tenentes de Plutão.

No dia 24 de novembro, nascimento de seu filho e pupilo, Dakir (1894 – 1967).

Expôs em São Paulo, na Casa Steidel e no Salão Paulicéia.

As pinturas Panorama de NiteróiPaisagem e Noite foram apresentadas no Pavilhão Brasileiro da Exposição Universal de Chicago ( O Paiz, 11 de janeiro de 1895, penúltima notícia da quinta coluna). Em dezembro, Parreiras, Aurélio Figueiredo (1856 – 1916), Pedro Américo (1843 – 1905) e Victor Meirelles publicaram um manifesto e retiraram suas obras do julgamento do evento.

1894 / 1895 - Como correspondente do Estado de São Paulo escreveu textos críticos sobre diversos pintores, dentre eles Pedro Alexandrino (1856 – 1942) e Berthe Worms (1868 – 1937), e também sobre a reforma de ensino da Escola Nacional de Belas Artes.

1895 – Inaugurou em 11 de agosto sua residência-ateliê, projeto de Ramos de Azevddo, na rua Tiradentes, em Niterói, com a exposição de 45 trabalhos.

Publicou no Jornal do Commercio, um artigo contra a orientação da Escola Nacional de Belas Artes (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1895, quarta e quinta colunas).

1896 – Após dois anos, terminou a pintura “Sertanejas” (O Paiz, 22 de setembro de 1896, na quinta coluna).

Em novembro, fez uma exposição em seu ateliê com seus alunos Alberto Silva, Cândido de Souza Campos e Álvaro Castanheda no Pavilhão da Lapa, dedicada a Georg Grimm. A mostra foi um sucesso e no seu catálogo constavam poesias e textos de Olavo Bilac (1865-1918) e Coelho Neto (184-1934), dentre outros. Crítica de Oscar Guanabarino ( O Paiz, 6 de novembro de 1896).

1897 – Sua obra Sertanejas foi adquirida pelo governo federal para ser colocada no Palácio do Catete, inaugurado em 22 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Três anos depois, a pintura, danificada, foi transferida para a Escola Nacional de Belas Artes.

1898 – Foi contratado pelo presidente da República, Campos Salles (1841 – 1913), para produzir obras para oo Supremo Tribunal Federal.

Realizou suas duas primeiras pinturas históricas: Os Desterrados e Suplício de Tiradentes.

1902 – Expôs 23 telas em Santos.

Criou o estandarte para o jornal O Fluminense.

1903 - Realizou uma exposição de trabalhos de suas alunas, que frequentavam um curso feminino de pintura que criou em seu ateliê no ano anterior ( O Fluminense, 11 de janeiro de 1903).

1905 - Contratado pelo governador do Pará, Augusto Montenegro, Parreiras visitou Belém para executar A conquista do Amazonas (O Paiz, 6 de junho de 1905, na terceira colunaO Paiz, 13 de julho de 1905, segunda coluna). Expôs em Belém, no Teatro da Paz, e, em Manaus, no Palácio do Rio Negro.

Contraiu malária.

1906 - Em fevereiro, segunda viagem à Europa. Permaneceu em Lisboa por cerca de um mês, onde conheceu o pintor José Malhôa (1855-1933). Seguiu para Paris, onde instalou seu ateliê na rue Boissonade, 30 (O Paiz, 19 de junho de 1906). Encontrava-se frequentemente com o casal de artistas plásticos Lucílio de Georgina de Albuquerque, dentre outros. Posteriormente, transferiu seu ateliê para a Rue Le Goff (1908) e, depois, para a Rue Val de Grace (1913).

1907 - Retornou ao Brasil a bordo do navio Magellan (O Paiz, 8 de julho de 1907, terceira coluna).

1908 – Foi para Belém (Gazeta de Notícias, 3 de janeiro de 1908) e, de lá, com seu filho Dakir e sobrinho Edgard, seguiu para Paris, onde os iniciou na pintura.

1909 -  Sua pintura de nu, Fantasia, foi muito elogiada pela imprensa parisiense e foi noticiada sua iminente volta ao Brasil (Gazeta de Notícias, 21 de junho de 1909, sob o título “Notas e Notícias). Devido ao sucesso da obra, tornou-se associado da Societé Nationale de Beaux Arts et Lettres de Paris (Gazeta de Notícias, 21 de junho de 1909, na última coluna).

Retornou ao Brasil (Gazeta de Notícias, 5 de julho de 1909, sob o título “Notas e Notícias“).

Década de 10 - Vai várias vezes a Paris, onde tem um ateliê.

1910 - Inscreveu no Salon de la Societé Nationale de Beaux Arts a pintura Frineia. Apresentou posteriormente Dolorida (1911), Flor Brasileira(1913), Nonchalance (1914), e Modelo em Repouso (1920).

1911 – Seu sobrinho, Edgard, voltou de Paris.

Parreiras participou da exposição de Turim (O Paiz, 22 de junho de 1911).

Com a presença do presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, inauguração da exposição do quadro Morte de Estácio de Sá, no edifício da Associação dos Empregados do Comércio (O Paiz, 2 de julho de 1911). Crítica à exposição de Parreiras (O Paiz, 31 de agosto de 1911, na segunda coluna).

1913 – Terminou de pintar o quadro Flor brasileira.

 

 

 

1915 – Na Escola de Belas Artes, exposição de Antônio Parreiras, e de seu filho, Dakir (Revista da Semana, 27 de fevereiro de 1915).

Década de 20 – Prosseguiu na realização de pinturas históricas, mas é menor o número de paisagens.

1922 – Após a morte de sua primeira esposa, Parreiras casou-se com Laurence Palmire Martignet e retornou ao Brasil. Laurence foi a guardiã da obra de Parreiras. Ela foi a modelo dos quadros Dolorida e Flor Brasileira.

1923 – Recebeu a medalha de honra de ouro na 30ª Exposição Geral de Belas Artes, quando apresentou 79 trabalhos.

1925 – No concurso nacional Os maiores brasileiros vivos, promovido pela revista Fon-Fon, foi eleito o maior artista, com cerca de 19.827 mil votos, seguido por Rodolfo Bernardelli e Baptista da Costa (Fon-Fon, 14 de março de 1925, na segunda coluna, Fon-Fon, 28 de março de 1925, e Fon-Fon, 4 de abril de 1925).

1927 - Notícia sobre a publicação de seu livro de memórias, História de um pintor contada por ele mesmo (1926), que o conduziu à Academia Fluminense de Letras (Revista da Semana, de 8 de janeiro de 1927, na seção “Novos Livros”).

Esculpido em Paris por Marc Robert (1875 – ?), foi inaugurado um busto de Parreiras na Praça Getúlio Vargas, em Niterói (O Fluminense, 25 de janeiro de 1927).

 

 

 

1929 – Em outubro, fundou o Salão Fluminense de Belas Artes.

No Salão Ibero-Americano de Sevilha e na Exposição Universal de Barcelona foi premiado com medalha de ouro.

1936 – Parreiras realizou com dificuldades, pois já estava doente e debilitado, a sua última grande obra, o tríptico Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, encomendado pelo prefeito Pedro Ernesto (1884-1942).

1937 - Suas últimas telas foram “A Tarde” e “O Fogo”.

Em 17 de outubro, faleceu, aos 77 anos, em Niterói (Correio da Manhã, de 19 de outubro de 1937).

1942 - Inauguração, em 21 de janeiro, do Museu Antonio Parreiras, em Niterói. Instituído pelo Decreto-Lei nº 219, de 24 de janeiro de 1941, foi o primeiro museu brasileiro dedicado a um só artista (O Fluminense, de 22 de janeiro de 1942). O conjunto arquitetônico e paisagístico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Antonio Parreiras, pinturas e desenhos / curadoria Ana Paula Nascimento; textos de Ana Paula Nascimento e Telma Mösken; apresentação Ivo Mesquita et al. São Paulo: Pinacoteca de Estado, 1913

Enciclopédia Itau Cultural

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

NASCIMENTO, Ana Paula; TARASANTCHI, Ruth Sprung. Família Parreiras: Antonio, Edgar e Dakir. José Oswaldo de Paula Santos e Fundação Maria Luisa e Oscar Americano (Apresentação); Ana Paula Nascimento e Ruth Sprung Tarasantchi (Curadoria). São Paulo: SOCIARTE, 2013. 100p.:il.

PARREIRAS, Antonio. História de um pintor contada por ele mesmo. Brasil-França/1881-1939. 3.ed. Niterói (RJ): Niterói Livros, 1999. (1.ed.1926)

PONTUAL, Roberto. Dicionário de Artes Plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.

Site da Associação Brasileira dos Críticos de Arte

Site do Museu Antônio Parreiras