São Paulo sob as lentes do fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928)

A Brasiliana Fotográfica homenageia os 463 anos de São Paulo, a maior cidade da América do Sul e a quarta maior do mundo, com imagens produzidas pelo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928). Ele nasceu em Wellhausen, cantão de Thurgau, e foi para Salvador, na Bahia, aos 5 anos de idade. Em 1871, após um período de aprendizado no ateliê de Alberto Henschel (1827 – 1882) na capital baiana, estabeleceu-se como fotógrafo. Destacou-se como retratista e como fotógrafo de paisagens urbanas e rurais. Em 1882, Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?) tornou-se seu sócio e, em 1894, a próspera empresa Gaensly & Lindemann abriu uma filial em São Paulo, onde Gaensly foi morar.

Foi o autor de importantes registros de São Paulo, vendidos como fotografias em papel albuminado e colotipias impressas na Suíça e comercializadas em álbuns. Ao lado de seu contemporâneo Marc Ferrez (1843 – 1923), foi provavelmente o fotógrafo mais publicado em postais no Brasil. Em 1899, a empresa The São Paulo Railway, Light and Power Company, o contratou como fotógrafo oficial, função que exerceu até 1925, três anos antes de sua morte. Na ocasião, a presença da Light representava a modernização da área urbana e dos serviços da cidade.

Acessando o link para as fotografias de São Paulo produzidas por Guilherme Gaensly, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

“Essa documentação, assinada por um fotógrafo plenamente maduro e no auge da carreira, possui particular importância já que Gaensly valia-se ainda da tecnologia e do olhar estético característico da fotografia do final do século XIX, o que lhe permitiu conferir peculiar qualidade a seus registros, fazendo-os mesmo transcender os aspectos estritamente técnicos das imagens que sabia capturar com extremo rigor formal e poder de síntese”(Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan, p.10)

Apesar de nunca ter sido o fotógrafo oficial de São Paulo, como foi Augusto Malta (1864 – 1957) no Rio de Janeiro, Gaensly foi o autor de uma abrangente obra sobre a capital paulista nas primeiras décadas do século XX, o que o coloca nessa posição. Ele e Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) são considerados os fotógrafos que mais cultuaram São Paulo. Gaensly fotografou a cidade em plena transição para a modernidade, tendo registrado todos os aspectos urbanos da nova metrópole que surgia. Registrou a inauguração dos bondes elétricos que substituíram as carroças, o Jardim da Luz, a agitação do comércio na região do entorno da Praça da Sé, o crescimento da avenida Paulista, além de palacetes, chácaras, edifícios públicos, igrejas, escolas, teatros e hospitais. Essas vistas de São Paulo foram comercializadas em álbuns impressos na Suíça a partir de fotografias em papel albuminado e de colotipias. Fotografou também a chegada de imigrantes italianos em Santos e em São Paulo. Dentre os prêmios que recebeu, está uma medalha de prata conquistada na Exposição Universal de Saint Louis, em 1904.

 

 

“Guilherme Gaensly foi sem dúvida o fotógrafo que mais aproximou o seu trabalho das necessidades e exigências do ideário republicano de progresso social e material. Dedicado e ativo nas primeiras décadas do século passado, produziu uma visão da metrópole emergente com requinte e elegância, buscando interpretá-la como um espaço urbano harmonioso; uma memória que não ultrapassa o estritamente fotográfico, mas que hoje se evidencia como um dos principais fios condutores da história da cidade” (Rubens Fernandes Junior, in Guilherme Gaensly, 2011).

 

Cronologia de Guilherme Gaensly

1843 – Em 1º de setembro (provavelmente), nascimento de Wilhelm (Guilherme) Gaensly, em Wellhausen, cantão de Thurgau, na Suíca, fronteira com a atual Alemanha, filho de Jacob Heinrich ( c.1804 – 1868) e Anna Barbara Kin (c. 1813 – 1895). Teve 4 irmãos: Ferdinand (c. 1837 – 1915), Frederick (c. 1838 – 1902), Julia (c.1848 – 1936) e Alaine (c.1852 – ?). Nesse mesmo ano, seu pai veio para o Brasil, repetindo a experiência de primos e irmãos, chegando em Salvador, em 19 de setembro.

1848 – Em julho, chegada de Anna Barbara com os filhos Ferdinand, Frederick e Guilherme em Salvador, na época a segunda cidade mais populosa do Brasil – a primeira era o Rio de Janeiro.

1850/1851 – Criação do Bahia Fremden Kirschhof, o Cemitério dos Estrangeiros. Os pais e irmãos de Gaensly estão enterrados lá, na área dos protestantes.

1868 – Morte de Jacob Heinrich em 4 de janeiro. Alberto Henschel (1827 – 1882) anuncia a técnica da marfimographia, a contratação de novos profissionais e a iminente abertura de uma filial da Photographia Allemã em Salvador, na Bahia (Jornal de Recife, edição de 21 de julho de 1868, quarta e quinta colunas, no pé da página). Em algum momento entre a inauguração do ateliê e 1871 Gaensly trabalhou para Henschel.

Década de 1870 – Segundo Kossoy, durante essa década, Gaensly também foi associado ao fotógrafo alemão Joseph Schleier (1827 – 1903), que havia chegado em Salvador em 1851.

1871 – Após um período de aprendizado no ateliê de Henschel, situado na rua da Piedade, 16 (Jornal da Bahia, 16 de setembro de 1871), Gaensly estabeleceu-se como fotógrafo na firma Maison Gaensly & Lange (segundo Kossoy, Waldemar Lange), com a colaboração de Karl Gustaff ( c. 1837 – 1872), alemão que também havia prestado serviços para Henschel. Provavelmente, a Maison Gaensly & Lange ficava na Estrada do Manguinho.

1874 – Segundo Geraldo da Costa Leal em Um cinema chamado saudade (1997), nessa época, o europeu Rodolpho Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?) já trabalharia com Gaensly.

1875 – No Jornal da Bahia de 29 de agosto de 1875, na página 3, de 31 de agosto, na página 4, e de 4 de setembro, na página 4, foram publicadas propagandas da Photographia do Commercio, de Gaensly, na Ladeira de São Bento, 1. A propaganda foi publicada outra vez em 14 e 19 de abril de 1876 no mesmo jornal.

Novo estabelecimento

montado com todo o gosto

Photographia do Commercio

Guilherme Gaensly

1- Ladeira de S. Bento – 1

na localidade que ocupava a I.l.L. M. Sociedade Recreativa

Tendo sido todos os utensílios para esta nova galeria como instrumentos, mobílias, fundos, decorações, etc, escolhidos pessoalmente na minha última viagem à Europa onde visitei os maiores estabelecimentos deste gênero, venho oferecer ao respeitável público o ATELIER melhor montado desta capital garantindo trabalhos perfeitos e de DURAÇÃO visto que adotei todos os melhoramentos feitos nestes últimos anos.

A ótima colocação do ATELIER permite pela boa luz tirar constantemente bons resultados ainda nos dias chuvosos.

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Preços reduzidos

A maior coleção de vidros da Bahia, Cartões de visita, Cartões imperiais, Cartões Bombés, Retratos Maiores 

1876 – Segundo Kossoy, Gaensly anunciou seu estabelecimento, a Photographia do Commercio, no Largo do Teatro, 1, no Jornal da Bahia, de 20 de junho de 1876.

1877 – Foi agraciado com 3 medalhas pelo Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1881 – Participou da grande mostra da Biblioteca Nacional, Exposição de História do Brasil, que reunia integrantes do acervo da instituição e também da coleção de dom Pedro II (1825 – 1891) e do barão Homem de Mello (1837 – 1918). Apresentou 28 fotografias de quadros a óleo de pessoas públicas como o padre Antônio Vieira (1608 – 1697) e o conde de Cavalleiros (1750 – 1807). Expôs também vistas da Bahia produzidas provavelmente durante a década de 1870 com o alemão Joseph Schleier (1827 – 1903) (Anais da Biblioteca Nacional, 1881 – 1882, volume 2, nas páginas 1418, 1419, 1421, 1495, 1501, 1542, 1544, 1545, 1546, 1552, 1554, 1555, 1558, 1566, 1571, 1572, 1574, 15751576, 1578, 1579, 1581, 1582, 1583, 1589, 1591, 1592 e 1597).

A presença de Schleier no catálogo da Exposição de História do Brasil parece confirmar a associação entre ele e Gaensly. As imagens são do Terreiro de Jesus com a cathedral e Faculdade de Medicina (antigo colégio dos jesuitas). Segundo Ricardo Mendes, “Considerando a abrangência do trabalho de Gaensly ao registrar a cidade de Salvador, não teria sentido a inclusão de imagens de locais tão conhecidos, a não ser que se tratasse de uma associação efetiva. De J. Schleier existem poucas referências, além de raras imagens no acervo da Biblioteca Nacional e dos Instituto Geográfico e Histórico da Bahia”.

Nesse ano o endereço de seu ateliê mudou para Largo do Teatro n° 92 – ao lado do Teatro São João – local que anos depois ficaria conhecido como Praça Castro Alves. O estúdio, um grande sobrado, era, provavelmente, também a residência de Gaensly.

Gaensly e Rodolpho Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?), futuramente seu sócio e cunhado, fotografaram a inauguração do segundo trecho da Estrada de Ferro Central da Bahia, entre São Félix e Tapera, atual Taperi (Diário de Pernambuco, 1º de janeiro de 1882, na última coluna).

1882 – Informava-se ao público novas mudanças e melhorias na Fotografia premiada de Guilherme Gaensly, que além de ateliê fotográfico funcionava também como uma galeria de seus trabalhos e anunciava  “a melhor coleção de vistas dos pontos mais bonitos da capital e subúrbios. Chama especial atenção para os retratos de tamanho natural pela câmara solar, retocados por um hábil artista de Paris”. O retoque deveria ser uma referência ao acabamento de fotopintura. (Diário de Notícias, 1 de janeiro de 1882).

Gaensly apresentou “excelentes trabalhos photographicos” na exposição dos 10 anos do Imperial Liceu de Artes e Ofícios (Diário de Pernambuco, 28 de outubro de 1882, na última coluna).

Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

Admitiu como ajudante Frederico Francisco Lindemann (c. 1852 – 19?), que no final dessa década tornou-se seu sócio.

1883 –  Foi publicado um anúncio do ateliê fotográfico de Gaensly, com a denominação Photographia Gaensly, na Praça de Castro Alves (Diário de Notícias, 4 de abril de 1883).

“O conhecido e acreditado photographo Gaensly” registrou o grupo que estava presente ao lançamento da pedra fundamental para as obras do primeiro engenho central da companhia Bahia Central Sugar Factories, um empreendimento do engenheiro britânico Hugh Wilsonorganizador da Companhia Anônima da Imperial Estrada de Ferro Central da Bahia (Jornal do Commercio, 3 de junho de 1883, na primeira coluna).

Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1884 – Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1885 – Foi agraciado com uma medalha do Imperial Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.

1888 - Em 5 de maio, Guilherme casou-se com Ida Itschner (c.1863 – 1933), na residência dos pais da noiva, João Jacob Itschner e Elisabet Wolf Itschner. Teve como testemunhas seu sócio, Rodolfo Lindemann, e um de seus irmãos, Frederick. A cerimônia foi celebrada pelo pastor A.L. Blackford, um dos fundadores da igreja presbiteriana no Brasil.

Rodolfo Lindemann havia se casado com a irmã de Guilherme, Alaine, em 23 de abril, no ateliê fotográfico dele e de Guilherme, tendo como testemunhas os irmãos de Gaensly, Frederick e Ferdinand.

Photographia Gaensly

Verso de carte de visite da Photographia Gaensly Lindemann, c. 1890.

 

1889 – Rodolpho Lindemann, do ateliê Gaensly & Lindemann, foi premiado na Exposição Universal de Paris, ocorrida entre 1º de abril e 3 de novembro de 1867, no Campo de Marte, com uma medalha de bronze com quadros fotográficos da Bahia e de Pernambuco.

1891 – Gaensly embarcou rumo à Europa no paquete alemão Rosário (Diário de Notícias, 14 de janeiro de 1891, na penúltima coluna).

O casal Guilherme e Ida Gaensly embarcou no paquete alemão Mondevidéu rumo a Santos (O Paiz, 2 de julho de 1891, na última coluna).

1892 – Foi noticiado que o beco ao lado do ateliê fotográfico de Gaensly & Lindemann, na praça Castro Alves, em Salvador, havia se tornado um “mictório” (Jornal de Notícias, 28 de maio de 1892, na primeira coluna).

1893 – O casal Guilherme e Ida Gaensly embarcaram no paquete alemão Olinda rumo à Europa (Gazeta de Notícias, 9 de julho de 1893, na última coluna).

1894 – Inauguração da filial da firma Gaensly & Lindemann, em São Paulo, na rua XV de Novembro, 28, onde se concentrava o comércio de alto padrão na capital. Gaensly foi chefiar a sede paulista e Lindemann permaneceu em Salvador. A firma baiana teve seu nome alterado para Photographia Cosmopolita. Tudo indica que a crescente concorrência em Salvador e a queda do desempenho da economia baiana devido à seca foram as causas da abertura do ateliê em São Paulo.

Entre 1894 e  1897, editou a série de grandes estampas fotográficas de São Paulo.

O ateliê fotográfico Gaensly & Lindemann foi o responsável pela produção de um quadro com os retratos de todos os arcebispos da Bahia. Foi organizado por iniciativa de Olavo de Freitas Martins, um dos fundadores do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. “O trabalho artístico do systema photogravura foi executado pelo artista sr. Rodolpho Lindemann, ficando perfeito”. A matéria também informava que a sede paulista do ateliê Gaensly & Lindemann estava produzindo um quadro com os retratos dos arcebispos de São Paulo (Jornal de Recife, 24 de outubro de 1894, na quinta coluna).

As edições de 1894 e 1895 do livro São Paulo, de Gustav Köenigswald, foram ilustradas com as primeiras séries de vistas da capital paulista produzidas por Gaensly.

1895 – Aos 82  anos, faleceu em Salvador a mãe de Gaensly, Anna Barbara.

1896 – Anúncio em francês da Photographia Gaensly & Lindemann, com os endereços em São Paulo – rua Quinze de Novembro,28 – e em Salvador – Largo Castro Alves, 92 (Almanach, 1896).

Elogio à fotografia Otto de bicicleta, produzida pelo ateliê Gaensly & Lindemann, exposta na casa de música do sr. Luiz Levy, na rua Quinze de Novembro, em São Paulo (A Bicycleta, 12 de julho de 1896, na primeira coluna).

O fotógrafo Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897) anunciou que Gaensly e Lindemann haviam cedido “gentilmente” a ele o seu “magnífico atelier” na rua Quinze de Novembro, 28, na capital paulista. Gutierrez estava expondo suas fotografias no salão da Associação Comercial (O Commercio de São Paulo, 24 de novembro de 1896, na quinta coluna).

No periódico paulista A música para todos, exemplar de dez.1896 / jan.1897, foi anunciada a Photographia Gaensly & Lindemann recomendada aos nossos assinantes. No mesmo anúncio,  foi também noticiada a exposição de mais de cinquenta fotografias do ateliê na redação da revista.

1898 – Foi comercializado o álbum “Colleções de 27 cartões com vistas da Cantareira, Jardim Publico, Quartel de Policia, Serra de Santos, Fazendas de Café, Poços de Caldas, Escola Normal de Campinas, Estação de Campinas, Largo de São Bento, Largo do Palacio, Ypiranga e outros”, cartões postais impressos por Victor Vergueiro Steidel (1868 – 1906). Não foi apresentada a autoria das imagens, mas foram, muito provavelmente, baseadas em fotografias de Gaensly, de Paulo Kowalsky e de Marc Ferrez(1843 – 1923). O fotógrafo Kowalsky teria atuado em São Paulo entre 1891 e 1897.

Para a Escola Politécnica, o estúdio Gaensly & Lindemann produziu o quadro de formatura da turma de Engenheiros Geógrafos.

1899 – Gaensly & Lindemann presentearam o Correio Paulistano com “uma bella collecção de bilhetes postais contendo vistas dos principais edificios e dos logares mais pitorescos” de São Paulo (Correio Paulistano, 4 de agosto de 1899, na última coluna). Seria sua primeira série de postais, Lembrança de São Paulo.

Gaensly & Lindemann anunciaram o envio da Grande Collecção de Vistas de São Paulo para a Exposição Universal de Paris de 1900.

Em abril, foi constituída em Toronto, por um grupo de investidores canadenses estimulados por empresários paulistas a The São Paulo Railway, Light and Power Company Limited.  Em 17 de junho, a empresa obteve autorização para funcionar no Brasil e logo em seguida iniciou seus trabalhos no país.

Gaensly foi contratado pela companhia e foi seu principal fotógrafo até 1925. Com equipamentos de grande porte (negativos em vidro 24 x 30cm), passou, então, a documentar os trabalhos da empresa, produzindo registros das transformações urbanas de São Paulo, causadas por obras de implantação de linhas de bonde elétrico, de iluminação pública, imagens de casas de máquina e interiores de oficinas de manutenção, além de fotografias da construção de barragens e das hidrelétricas da Light no estado. A primeira fotografia produzida por ele para a Light foi das obras da rua 25 de março, em 5 de julho.

1900 – Terminou a sociedade entre Gaensly & Lindemann, em São Paulo, e Gaensly passou a atuar sozinho na Photographia Gaensly (Alkmanak Lammert, 1901). No mesmo Almanak, consta o ateliê Gaensly & Lindemann, em Salvador.

Produção da segunda série de postais, também denominada Lembrança de São Paulo, dessa vez apenas com a assinatura de Gaensly. A terceira série deve ter sido editada logo em seguida.

1901 – Foi noticiado que a Photographia Gaensly & Lindemann de Salvador havia fotografado uma criança natimorta e hermafrodita, que estava despertando a curiosidade da população e de médicos, dentre eles o professor  de medicina legal, Nina Rodrigues (1862 – 1906) (Diário do Maranhão, 31 de outubro de 1901, na última coluna sob o título “Criança fenomenal”).

1902 - As imagens publicadas no primeiro Relatório de Diretoria da Light dirigido aos acionistas no exterior foram baseadas em fotografias de Gaensly e Lindemann, produzidas especificamente para a empresa ou para o álbum Lembrança de São Paulo, editado pelo Instituto Politécnico de Zurique e impresso em colotipia.

O estúdio fotográfico Gaensly & Lindmann continuava funcionando em Salvador (Almanak Laemmert, 1903).

1903 - Para “auxiliar a propaganda do café” na Exposição de Saint Louis (1904), Gaensly começou a documentar as instalações e a  lavoura cafeeira da colônia americana em Santa Bárbara (Correio Paulistano, 6 de dezembro de 1903).

Enviou ao Correio Paulistano uma coleção de dez cartões-postais coloridos e 50 em planotipia (Correio Paulistano, 26 de abril de 1903, na primeira coluna).

1904 – Gaensly entregou “as vistas produzidas no interior da exposição (Saint Louis) e as dos mapas do café” (Correio Paulistano, 12 de fevereiro de 1904, na primeira coluna).

Gaensly integrou uma comitiva que visitou a Ilha dos Búzios, parte do Arquipélago de Ilhabela, onde seria instalada uma colônica correcional. O conhecido fotógrafo Gaensly tinha a tarefa de tirar vistas dos trechos mais pitorescos e menos conhecidos dos Búzios e das histórias do fortes coloniais de Bertioga, São Sebastião e Villa Bella. Dentre vários, também estavam na expedição o escritor e engenheiro Euclides da Cunha (1866 – 1909), autor de Os Sertões, e o pintor Benedito Calixto (1853 – 1927), além de autoridades como o secretário do Interior de São Paulo e o chefe de polícia (Correio Paulistano, 8 de agosto de 1904, na quarta coluna, e 12 de agosto de 1904, na última coluna).

Anúncio da Photographia de Guilherme Gaensly, antiga Gaensly & Lindemann. A propaganda seria publicada diversas vezes durante 1904 e 1905 (Correio Paulistano, 1º de novembro de 1904, na sétima coluna).

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Na Exposição Mundial de Saint Louis, realizada entre 30 de abril e 1º de dezembro de 1904,  Gaensly ganhou medalha de prata na categoria “Photographia” (Almanak Laemmert, 1905).

O estúdio fotográfico Gaensly & Lindmann continuava funcionando em Salvador (Almanak Laemmert, 1905).

1905 - Entre 1905 e 1907, nas notas fiscais da Photographia Gaensly existem muitas referências a serviços de reproduções de mapas para a Comissão Geográfica e Geológica.

Início das atividades da Rio de Janeiro Railway, Light and Power Company Limited e contratação do fotógrafo Augusto Malta (1864 – 1957).

Foi publicada uma fotografia de autoria de Gaensly da festa do Club da Guarda Nacional, realizada no Jardim da Luz, em 26 de julho de 1905 (Revista da Semana, 20 de agosto de 1905).

c. 1905 – Gaensly editou uma série no formato postal, que ficou conhecida como a série A, com cinquenta imagens. Foi produzida com uma técnica de impressão que resultava numa melhor visualização, próxima ao da cópia fotográfica.

1906 - Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento da Secretaria de Agricultura de São Paulo (Correio Paulistano, 1º de novembro de 1906, na última coluna).

Foi elogiada como magnífica a fotografia do quadro da turma de graduandos da Escola de Farmácia de Ouro Preto, produzida por Gaensly (O Pharol, 11 de dezembro de 1906, na sexta coluna, sob o título “Municípios”).

Último registro do funcionamento do estúdio fotográfico Gaensly & Lindmann, em Salvador, no Almanak Laemmert, 1906.

1907 – Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento da secretaria de Agricultura de São Paulo (Commercio de São Paulo, 22 de novembro de 1907, na primeira coluna).

1908 – Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento das secretarias do Interior e da Agricultura de São Paulo (Commercio de São Paulo, 12 de janeiro de 1908, na primeira coluna, 26 de fevereiro, na quinta coluna, 8 de maio, na terceira coluna Correio Paulistano, 30 de outubro de 1908, na sexta coluna e 15 de dezembro de 1908, na última coluna).

Participou da Exposição Nacional e obteve a medalha de ouro na seção de “Photographia” (Commercio de São Paulo, 27 de novembro de 1897, na quarta coluna, sob o título “Notas e Notícias”, e Almanak Laemmert, 1909).

1909 – Guilherme Gaensly estava na folha de pagamento da secretaria de Agricultura de São Paulo (Correio Paulistano, 13 de julho de 1909, na penúltima coluna).

1910 – Iniciou a produção de um novo conjunto de 50 imagens de São Paulo no formato postal, posteriormente conhecida como a série B.

1911 - O naturalista Hermann von Ihering (1850-1930), que dirigiu o Museu Paulista entre 1894 e 1916, pediu à Diretoria de Terras, Colonização e Imigração um coleção de fotografias dos núcleos coloniais “ultimamente tiradas pelo dr. Gaensly” (Correio Paulistano, 29 de abril de 1911, na segunda coluna).

Uma coleção de fotografias de Guilherme Gaensly foi um dos prêmios da rifa organizada por artistas em prol das vítimas de uma inundação ocorrida em Santa Catarina e no Paraná (O Paiz, 18 de dezembro de 1911, na última coluna)

c. 1912 – O ateliê de Gaensly mudou-se para a rua Boa Vista, 39 (Almanak Laemmert, 1913).

1915 - Foi publicada no jornal Germania, da comunidade alemã, em 15 de junho de 1914, uma propaganda do ateliê do fotógrafo na rua Boa Vista, 39.

1917 – Gaensly prestou serviços à Prefeitura de São Paulo (Correio Paulistano, 4 de dezembro de 1917, na última coluna).

1922 – Fotografou os participantes do Sínodo Presbiteriano Independente reunido em São Paulo em 24 de maio, um importante evento da igreja presbiteriana. A imagem foi publicada na edição de 2 de março de 1922 na capa do jornal O Estandarte e encontra-se arquivada no Centro de Documentação e História Reverendo Vicente Themudo Lessa.

1925 – Gaensly deixou de trabalhar para a The São Paulo Railway, Light and Power Company Limited.

1927 –  Último registro do funcionamento de seu ateliê na rua Boa Vista, 39, no Almanak Laemmert de 1927.

1928 – Guilherme Gaensly morreu em 20 de junho de pneumonia, em São Paulo.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

BURGI, Sergio;DIETRICH, Ana Maria;MENDES,Ricardo. Imagens de São Paulo – Gaensly no acervo da Light 1899 – 1925, organização Vera Maria de Barros Ferraz. São Paulo:Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, 2001.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

FERNANDES JUNIOR, Rubens;KOSSOY,Boris;SEGAWA, Hugo. Guilherme Gaensly. São Paulo:Cosac Naify, 2011.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

HANNAVY, John. Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography. New York:Taylor and Francis Group, 205.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

KOSSOY, Boris. Origens e Expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Rio de Janeiro:Funarte, 1980.

KOSSOY, Boris. São Paulo, 1900. Rio de Janeiro:Editora Kosmos, 1988.

KOSSOY, Boris;FERNANDES JUNIOR, Rubens;SEGAWA, Hugo. Guilherme Gaensly. São Paulo:Cosac Naify, 2011.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

LIMA, Solange Ferraz de. São Paulo na virada do século. As imagens da razão urbana: a cidade nos álbuns fotográficos de 1887 a 1919. São Paulo:Universidade de São Paulo, 1995.

OLSZEWSKI FILHA, Sofia. A fotografia e o negro na cidade de Salvador, 1840 – 1914. Salvador:EGBA, Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1989.

Revista Carta Capital

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles

TEIXEIRA, Cid. Professores de daguerreotipia: eles deixaram a Imagem do Senhor-de-Engenho e Sinhazinhas. Jornal da Bahia, 10 e 11 de novembro de 1963.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

Para a elaboração dessa cronologia foi realizada uma ampla pesquisa em inúmeros jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Hotéis do século XIX e do início do século XX no Brasil

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Carlos Bippus. Hotel Central, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS

 

A Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores uma seleção de hotéis no Brasil do século XIX e das primeiras décadas do século XX. O fotógrafo Revert Henrique Klumb (c.1826 – c.1886) registrou o Hotel Pharoux e o Hotel Waltz, no centro do Rio de Janeiro, o Etablissement de Mr. Bennett, na Tijuca, além dos hotéis Anglais, Beresford e Bragança, em Petrópolis. Há também três fotografias de autoria de Augusto Malta (1864 – 1957) de hotéis cariocas: do Rio Palácio Hotel, do Hotel Glória e do Copacabana Palace. Ainda no Rio de Janeiro, há uma imagem do Hotel Central, produzida por Carlos Bippus. Em São Paulo, Guilherme Gaensly (1843 – 1928)  fotografou o Largo São Bento, onde havia o Hotel Rebechino e o Grande Hotel Paulista. Em Nova Friburgo, Henschel & Benque fotografaram o Hotel Leuenroth e, em Blumenau, o Hotel Holetz foi registrado por um fotógrafo até aqui não identificado.

Galeria dos Hoteis

Link para as fotografias disponíveis de hoteis na Brasiliana Fotográfica

Vincenzo Pastore (Casamassima, Itália 5 de agosto de 1865 – São Paulo, Brasil 15 de janeiro de 1918)

Vincenzo Pastore. Autorretrato de Vincenzo Pastore, c. 1910. São Paulo / Acervo IMS

A obra do fotógrafo italiano Vincenzo Pastore, importante cronista visual de São Paulo da segunda metade do século XIX e do início do século XX, ficou, durante décadas, em uma caixa de charutos, sem negativos. As ampliações foram produzidas pela própria mulher do fotógrafo, Elvira, que o ajudava no estúdio. Mas o segredo de família chegou ao fim quando as fotografias foram herdadas por seu neto, o pianista e professor Flávio Varani, que as doou – 137 imagens – para o Instituto Moreira Salles, em 1997.

Com sua câmara, Pastore, capturava tipos e costumes de um cotidiano ainda pacato de São Paulo, uma cidade que logo, com o desenvolvimento econômico, mudaria de perfil. Captava as transformações urbanas e humanas da cidade, que passava a ser a metrópole do café. Com seu olhar sensível, o bem sucedido imigrante italiano flagrava trabalhadores de rua como, por exemplo, feirantes, engraxates, vassoureiros e jornaleiros, além de conversas entre mulheres e brincadeiras de crianças. Pastore, ao retratar pessoas simples do povo, realizou, na época, um trabalho inédito na história da fotografia paulistana.

Registrou cenas de ruas de São Paulo com uma câmara de pequeno formato, produzindo imagens diferentes das realizadas, durante o século XIX, com câmeras de grande formato sobre tripés, tendo sido um dos pioneiros da nova linguagem da fotografia do século XX – “a linguagem do instantâneo produzida pelas emulsões fotográficas de maior sensibilidade à luz, que libertaram as câmeras fotográficas dos tripés e permitiram também a simultânea diminuição no tamanho dos aparelhos fotográficos, possível em função dos papéis fotográficos mais sensíveis que possibilitavam a ampliação dos negativos de menor formato em laboratório por meio do emprego de fontes de luz artificial”(Site do IMS).

É o autor de uma panorama de São Paulo a partir do Largo de São Bento e também fotografou eventos e prédios da capital paulista. Em seu estúdio, dedicava-se, com sucesso, ao retrato. Produzia retratos mimosos, que tinham como padrão o recorte losangular, mas os tamanhos e os tipos de cartões variavam. Oferecia serviços variados como imagens em esmaltes para broches, autocromos, platinotipias e fotominiaturas. Fazia montagens com desenhos e retratos de múltipla exposição, revelando um traço de humor. Também contemplou temas bucólicos e produziu ensaios com temas religiosos, muitas vezes com o uso de composições alegóricas. 

Link para a obra de Vincenzo Pastore na Brasiliana Fotográfica.

 

Cronologia de Vincenzo Pastore

 

Vincenzo Pastore. Retrato de Ferreiro, c. 1910. São Paulo

Vincenzo Pastore. Retrato de Ferreiro, c. 1910. São Paulo / Acervo IMS

5 de agosto de 1865 – nasce Vincenzo Pastore, em Casamassima, na região de Puglia, na Itália, filho de Francesco Pastore e Costanza Massara.

1890 – chega ao Brasil, em São Paulo, provavelmente no início dessa década, quando houve um grande fluxo de imigração de italianos para a cidade, em busca de novas oportunidades de trabalho. Entre sua chegada ao Brasil e sua morte, em 1918, volta algumas vezes à Itália.

1894 – inicia suas atividades de fotógrafo em São Paulo.

1898 – Pastore tem um estabelecimento fotográfico na Itália, em Potenza, na região de Basilicata. Casa-se com Elvira Leopardi Pastore (1876-1972). O casal tem 10 filhos: Costanza (1899-?), Beatriz (1902-?), Maria Lucia (1903-1988), Francisco (1905-1985), Pion Donato (1906-?), Eleonora ( 1908-1992), Olga (1909-?), Carmelita (1910 -?), Dante (1912-?) e Redento (1915-1918).

1899 - volta para São Paulo. Recebe uma carta protocolada do município de Potenza, transcrevendo carta do prefeito agradecendo pelo retrato do rei, que seria colocado na sala do Conselho Provincial.

1900 – possui um estabelecimento fotográfico na Rua da Assembleia, nº 12 (depois rua Rodrigo Silva), onde também reside. Em nota no Estado de São Paulo, edições de 22 e 23 de outubro de 1900, anuncia: “Dá de presente aos seus clientes seis photographias / novo formato Elena, em elegantíssimos cartõezinhos ornados, só 4$500 e por poucos dias”. Sua esposa, Elvira, trabalha no estúdio e é a responsável pelos serviços de fotopintura e acabamento. É ela, também, que registra em um caderno de anotações, intitulado “A arte de fotografar e revelar”, o trabalho realizado no laboratório e as técnicas de fotopintura.

1905 – recebe uma carta do consulado geral da Itália em São Paulo, transmitindo os agradecimentos do Ministro da Casa Real pelo envio de fotos de índios bororós.

1906 - recebe uma carta de Giacomo della Chiesa, futuro papa Bento XV, agradecendo o envio de fotografias de índios bororós para o papa Pio X.

1907 – novo estúdio, na Rua Direita nº 24-A. Em notas sobre a abertura do novo estabelecimento, é anunciada a distribuição de Retratos Mimosos, pequenas fotos com moldura especial de flores e arabescos, a cada visitante. Posteriormente, Pastore abre um novo estúdio na Praça da República, nº 95.

1908 – participa da Exposição Nacional, realizada no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da abertura dos portos no Brasil, com um conjunto de fotopinturas e trabalhos de grandes dimensões. Realiza também um concurso de beleza infantil, do dia 10 de maio a 10 de julho, em seu ateliê fotográfico de São Paulo (O Paiz, edição de 8 de maio de 1908, última nota da primeira coluna).

1911 – ganha a medalha de bronze na Espozione Internazionale delle industrie e dell lavoro, em Torino, na Itália.

1914 – viaja com a família para a Europa (Correio Paulistano, edição de 10 de fevereiro de 1914, na terceira coluna, sob o título “Hóspedes e Viajantes” ). Em novembro, inaugura o estabelecimento Fotografia Italo-Americana – ai Due Mondi, na Via Sparano, nº 117, em Bari, na Itália. O nome do estúdio italiano indica sua condição de imigrante bem sucedido, que pertence a dois mundos. Realiza uma grande exposição de fotografias.

1915 – devido à Primeira Guerra Mundial, encerra as atividades na Itália e volta a São Paulo.

1916 - sob os títulos “Bellezas Paulistanas”, “Melancholia”, “Quem é a moça dos óculos pretos? e “Oração”, são publicadas fotografias de autoria de Pastore, na revista Cigarra, nas edições  de 31 de março,  30 de abril  , 17 de agosto, 14 de setembro e 26 de outubroque pertencem ao acervo do Arquivo do Estado de São Paulo. No dia 17 de junho, é publicada no O Estado de São Paulo, a seguinte nota: “O Sr. Vincenzo Pastore, proprietario da Photographia Pastore, a rua Direita, recebeu communicação official, do sr. Giannetto Cavasola, ministro da Agricultura da Italia, e do prefeito da provincia de Bari, de que, a 4 de maio passado, foi nomeado pelo duque de Genova, principe regente, cavalheiro da Ordem da Corôa da Italia. O sr. Pastore é muito conhecido nesta capital, onde conta com muitas amizades. Em 1914, o sr. Pastore fez, em Bari, uma grande exposição italo-brasileira de photographias, que mereceu francos elogios da imprensa. Os seus esforços acabam de ser merecidamente recompensados”. Em 18 de dezembro, o prêmio é concedido.

1918 – em 15 de janeiro, falece, em São Paulo, devido a complicações após uma cirurgia de hérnia. Era alérgico e foi anestesiado com clorofórmio (Correio Paulistano, 19 de janeiro de 1918, na terceira coluna).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

Cadernos de Fotografia Brasileira. Número 2: São Paulo, 450 Anos (jan.04; 2.ed., ago 04). IMS, 2004.

Catálogo São Paulo de Vincenzo Pastore – IMS, 1997.

Depoimentos de familiares feitos ao pesquisador Ricardo Mendes, na década de 90.

Dois países sob o olhar do fotógrafo-cronista Vincenzo Pastore, estudo de Atilio Avancini, publicado em 2005, na revista PJ:BR.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

Site do Instituto Moreira Salles

 

Galeria de Vincenzo Pastore

Militão Augusto de Azevedo (RJ, 18 de junho de 1837 – SP, 24 de maio de 1905)

Militão Augusto de Azevedo. Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1887. São Paulo

Militão Augusto de Azevedo. Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1887. São Paulo / Acervo IMS

“…como Verdi despedindo-se da música escreveu o seu “Otello”, eu quis despedir-me da photografia fazendo o meu. É um álbum comparativo de São Paulo de 1862 e 1887. Parece-me um trabalho útil e talvez o único que se tem feito em photografia pois ninguém tem tido a pachorra de guardar clichês de 25 anos. Tenho trabalhado muito e creio que nada farei. Conheces o meu gênio: não sirvo para pedir”.

Foi assim, com um tom quase poético, que revela sua alma de artista, que o fotógrafo carioca Militão Augusto de Azevedo, numa carta a um amigo chamado Portilho, referiu-se, em 1º de junho de 1887, ao seu  Álbum Comparativo

Um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, Militão foi um dos precursores da documentação da cidade de São Paulo. O Álbum Comparativo comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887, sua obra-prima, foi o primeiro realizado com o objetivo de mostrar as mudanças ocorridas na capital paulista, devido ao progresso. O álbum evidencia o valor que Militão dava à fotografia como documento de época inserido em projeto artístico que sugere um passeio pela cidade no período de 1862 a 1887. O trabalho do fotógrafo muito contribuiu para a formação da imagem moderna de São Paulo.

A obra é formada por 60 fotografias – tomadas parciais de ruas, largos e prédios públicos e algumas vistas panorâmicas, todas coladas sobre cartão impresso. Dezoito delas são pares comparativos que criam uma atmosfera do antes e do depois. Feitas a partir de tomadas simples, que privilegiam a cidade construída, as fotos foram produzidas utilizando-se o processo negativo do colódio úmido. Sobre a técnica e as características das fotografias de Militão, Sergio Burgi escreveu o artigo “Composição em preto-e-branco. Os panoramas de 360º de Militão Augusto de Azevedo”(in São Paulo 450 Anos. Caderno de Fotografia Brasileira, volume 2, do Instituto Moreira Salles).

Militão mostrou com suas fotografias uma grande mudança na paisagem paulistana no período em que São Paulo foi palco de grandes transformações ocasionadas por intensa expansão urbana. Capital da província, a cidade abrigava a Faculdade de Direito, que atraia jovens de todo o Brasil, o que criou novas demandas como a realização de eventos culturais e a inauguração de teatros como o São José, em 1864. Bairros, ruas e avenidas surgiam no lugar de chácaras e sítios. A cidade crescia e com isso foram inaugurados os hotéis Itália, Europa e Globo, além de confeitarias e casas comerciais. O primeiro mercado de São Paulo, conhecido como Mercado dos Caipiras, foi criado em 1867 . Houve também a multiplicação de estradas de ferro, a expansão cafeeira e a imigração europeia. Na imprensa, o “Correio Paulistano” consolidava-se e Ângelo Agostini fundava os jornais humorísticos “Diabo Coxo”(1864) e “O Cabrião”(1866). A população da cidade em 1883 era de 35 mil pessoas e, em 1887, chegou a cerca de 47 mil. De cidade provinciana, São Paulo passou a ser a metrópole do café.

Provavelmente, foi em uma viagem à Europa, em 1886, que Militão percebeu a viabilidade comercial da venda, no mercado brasileiro, de fotografias de aspectos da cidade. Como havia preservado os negativos de 1862, decidiu fazer o Álbum Comparativo. Numa carta de 21 de janeiro de 1887 ao amigo Anatole Louis Garraux, na ocasião já residente na França e que havia sido proprietário da popular Livraria Garraux durante anos estabelecida em São Paulo, Militão escreveu: “Rogo-lhe o obséquio de me remeter o mais depressa possível a encomenda constante da nota junta; estou fazendo um trabalho, que julgo ser muito importante e talvez pouco rendoso. É um álbum comparativo de São Paulo antigo e moderno. Tenho os clichês de 1862 e estou fazendo os comparativos atuais“ .

O álbum demorou a ficar pronto e sobre isto um Militão desapontado escreveu ao ator e amigo Jacinto Heller, em 25 de julho de 1887: “eu ainda estou com o maldito álbum que, se nesses quinze dias ficar pronto, devo estar aí em setembro”. No dia 11 de agosto de 1887, no jornal “A Província de São Paulo”, primeiro nome do atual “O Estado de São Paulo”,  o álbum era anunciado, acompanhado do artigo “A Velha e a Nova Cidade de São Paulo:

“Vimos um álbum comparativo da cidade de S. Paulo em 1862 e 1887, trabalho da PHOTOGRAPHIA  AMERICANA, do sr. Militão, nesta capital. Aí figuram bairros, ruas, praças, jardins e edifícios com a sua cor local de 1862 e depois com a de 1887. É o progresso de São Paulo fotografado. O interessante trabalho do sr. Militão, que é por sua vez atestado do progresso de sua arte, traz-nos as recordações de outros tempos, da simplicidade dos costumes, do pouco luxo das edificações, mas também da falta de comodidade e de atividade industrial da velha cidade. O confronto é agradável e útil comparado com as estatísticas, o álbum de vistas fotográficas do sr. Militão tem um grande valor para se verificar o progresso da província, medido pela transformação da capital nos últimos 25 anos. O Álbum que temos entre as mãos não é somente um entretenimento para os que desejam passar alguns minutos e ver as alterações da cidade em suas velhas construções e esburacadas e mal calçadas ruas e praças; é mais que isso: tem o mérito de proporcionar a todos nós, os homens de hoje,um estudo real da cidade de São Paulo. Para nós, o trabalho do sr. Militão vale mais como fonte de estudo para a formação de uma opinião favorável ao engrandecimento da província do que como obra de arte. Não quer isto dizer que o trabalho artístico  não tenha mérito e que, apreciado por essa face, não seja melhor julgado por outros. E, de fato, o tem. Aplaudimos a obra o laborioso e inteligente artista que de tal forma concorre para a verificação do progresso da capital da província. Em nosso escritório acha-se uma lista para aquelas pessoas que desejarem assinar o Álbum”.

Apesar de sua importância histórica, o álbum foi um fracasso comercial e poucos foram comercializados. Sobre isto Militão escreveu a Gavreaux, em 7 de dezembro de 1887: “Muito pouco se vende e é preciso pedir pelo amor de Deus aos fregueses e ainda para eles pagarem quando quiserem. Isto está futricado, como o amigo sabe tão bem quanto eu”.

Como o álbum não era assinado, Militão caiu no esquecimento, mas suas fotos foram ficando famosas ao longo do século XX devido à publicação de álbuns e livros ilustrados por elas, porém sem crédito ao autor. Muitos dos quadros pintados pelo importante artista plástico Benedito Calixto(1853-1927) para a comemoração do Centenário da Independência foram baseados em fotos de Militão. As pinturas foram encomendadas por Afonso d´Escragnolle Taunay, na época diretor do Museu Paulista. Na década de 1930, o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte, na ocasião responsável pela Seção de Iconografia do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, e o historiador Nuto Santana organizaram, catalogaram e identificaram os negativos de vidro de Militão, que haviam sido reproduzidos pelo fotógrafo Aurélio Becherini, em 1914.

Em 1946, foi publicado na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o ensaio de Gilberto Ferrez “A fotografia no Brasil e um dos seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez(1843-1923)”. No artigo, considerado um marco na história da fotografia no Brasil, Ferrez destacou a obra de Militão. Na década de 1950, na ocasião da comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, foi editada uma série de cartões-postais com fotos do Álbum Comparativo sem crédito, no entanto, para o autor, Militão. Também sem indicação de autoria, em 1953, foram publicadas dezenas de fotografias de Militão numa série de três livros “São Paulo Antigo – São Paulo Moderno”, da editora Melhoramentos.

Foi no início da década de 70, quando a professora Ilka Brunhilde Laurito identificou um álbum com as vistas e outro com cartes de visite levadas por uma tetraneta de Militão para o colégio, que a obra do fotógrafo renasceu. Ilka Brunhilde Laurito escreveu então um artigo para o Suplemento Literário do jornal “O Estado de São Paulo”, de 31 de dezembro de 1972, intitulado “O século XIX na fotografia de Militão”, e chamou a atenção de historiadores e pesquisadores.

Em 1973, Pietro Maria Bardi e Boris Kossoy organizaram no Museu de Arte de São Paulo, a 1ª Exposição da Fotografia Brasileira. Nela foi exposta uma série de retratos e imagens do álbum. Dois anos depois, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo publicou o catálogo da exposição “Memória Paulistana”, organizada por Rudá de Andrade, destacando a obra de Militão. Em 1976, o trabalho do fotógrafo internacionalizou-se quando imagens de seus retratos e do Álbum Comparativo foram incluídas na exposição e no livro “Pioneer Photographers of Brazil”, realizados no Inter-American Relations, em Nova York. Em 1978, Boris Kossoy escreveu sua tese de mestrado sobre o fotógrafo, “Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887); recuperação da cena paulistana através da fotografia”. Em 1981, seu bisneto, Ruy Brandão Azevedo, coordenou a mostra “Fotografia: Arte e Uso”, no Museu de Arte de São Paulo, com cópias do Álbum comparativo restauradas por João Sócrates de Oliveira. No mesmo ano, foi lançado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo o Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862-1887: Militão Augusto de Azevedo, de Benedito Lima de Toledo, Boris Kossoy e Carlos Lemos.

A obra de Militão, além de fotografias de aspectos urbanos e do interior, inclui também com um grande número de retratos para a produção de cartes de visite tanto de anônimos como de pessoas importantes na história do Brasil, como, por exemplo, Joaquim Nabuco, Castro Alves e Rui Barbosa. Foram 12.500 mil pessoas retratadas, entre 1876 e 1886, cerca de um terço da população de São Paulo na época. Esses retratos formam um verdadeiro compêndio visual de documentação de todo o arco da sociedade paulistana e brasileira da época. Militão também realizou os álbuns de vistas de São Paulo(1862), de Santos(1864-65) e da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí(1868).  Além disso, preservou um Livro Copiador de Cartas enviadas por ele entre 1883 e 1902, com mais de 400 páginas de cópias de cartas pessoais e profissionais, recibos, cobranças, balanços e notas sobre a importação de material fotográfico.

O trabalho de Militão Augusto de Azevedo é precioso para o estudo da sociedade e da cidade de São Paulo no século XIX, uma referência para historiadores, fotógrafos e estudiosos.

Veja e explore com as ferramentas de zoom todas as fotografias de Militão disponíveis na Brasiliana Fotográfica

Cronobiografia de Militão Augusto de Azevedo

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Militão Augusto de Azevedo fotografado por A. Liébert. Photographie Americaine / Acervo IMS

1837 – 18 de junho – Nascimento de Militão Augusto de Azevedo, no Rio de Janeiro, filho de Antonio Ignácio de Azevedo e Lauriana Augusto de Azevedo.

1858-1860 – No Rio de Janeiro, Militão trabalha como cantor lírico (edição do Correio da Tarde de 3 de setembro de 1858)  e também como ator na Companhia Teatral Joaquim Heliodoro.

1860 – No Rio de Janeiro, integra a companhia do Gymnasio, denominada Sociedade Dramática Nacional(Entreacto, edição de 15 de setembro).

1862 - Em 21 de junho,  nascimento de Luiz Gonzaga de Azevedo, seu filho com a atriz Benedita Maria dos Santos Pedroso, com quem vivia. Conforme noticiado no Diário do Rio de Janeiro de 11 de agosto, participa da reunião que decide criar o Monte-Pio dos Artistas Dramáticos. Vai com a família para São Paulo como ator da Sociedade Dramática Nacional  para participar da estreia da peça “Luxo e vaidade”, de Joaquim Manoel de Macedo, que aconteceu em 29 de novembro(Correio Paulistano de 27 de novembro). Militão tira cerca de 90 fotografias de São Paulo. Segundo o historiador Affonso de E. Taunay, no livro “Velho São Paulo”(1954), “até 1860, data que nos aparece a providencial série de fotografias, aliás, ótimas de Militão de Augusto de Azevedo, os arrolamentos de peças de iconografia paulistana mantêm-se insignificantes”. Realiza o “Álbum de vistas de São Paulo 1862”, com trinta dessas fotos. Muitas serão utilizadas no trabalho que publicaria em 1887, o “Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887”.  Inicia seu trabalho como fotógrafo por volta deste ano, ou no ano seguinte, com Joaquim Feliciano Alves Carneiro e Gaspar Antonio da Silva Guimarães, proprietários do estúdio Carneiro & Gaspar, cuja matriz localizava-se no Rio de Janeiro, na rua Gonçalves Dias, 60. Em São Paulo, o estabelecimento ficava na rua do Rosário, 38. Depois o estúdio transferiu-se para a rua da Imperatriz, 58.

1863 – Em 26 de agosto realiza-se o espetáculo “Recordações da Mocidade”, em benefício de Militão, conforme noticiado na edição do Correio Paulistano de 25 de agosto. Na edição de 22 de outubro do mesmo jornal foi publicado o anúncio do “Álbum de vistas de São Paulo 1862”, destinado sobretudo aos estudantes de Direito que “terão assim uma recordação agradável da cidade onde passarão talvez a melhor época da vida”.

1864 a 1885 – Realiza dois álbuns importantes de vistas: o “Álbum de Santos” e o “Álbum da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí”. Militão cataloga cerca de 12.500 retratos.

1868 – Vai ao Rio de Janeiro para estudar novos métodos de fotografia, conforme noticiado no Ypiranga de 19 de fevereiro.

1870 – Nascimento de seu primeiro filho, Francisco de Paula Azevedo, com sua nova companheira Maria Affonso das Dores.

1871 - Nascimento de seu segundo filho com Maria Affonso das Dores, Francisco Militão Affonso de Azevedo.

1872 – Militão fica viúvo e sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo, se encarrega da criação de seus filhos.

1875 – Participa da IV Exposição Nacional com uma coleção de vistas de São Paulo. Com a morte de Gaspar Antonio da Silva Guimarães, Militão, que era sócio-gerente da Photographia Acadêmica, torna-se seu proprietário, conforme noticiado no Correio Paulistano de 25 de novembro. Rebatizou o estúdio com o nome de Photographia Americana. Uma curiosidade: no período de transição, nas cartes de visite do estabelecimento, o fotógrafo improvisou, apagando o antigo nome e o endereço no Rio de Janeiro e carimbando a nova denominação.

1878 – Viagem a Europa para estudar os aperfeiçoamentos da arte fotográfica. A fotografia de Militão que ilustra esta cronologia foi tirada durante essa viagem por A. Liébert, no estudio Photographie Americaine, em Paris, e enviada de presente a sua mãe. A Photographia Americana ficou sob a responsabilidade do fotógrafo e pintor retratista Caetano Ligi, que trabalhava no estúdio.

1885 – Em 7 de agosto, falecimento de sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo. Em 31 de dezembro, Militão encaminha um ofício às autoridades municipais informando sobre o  fim da Photographia Americana.

1886 – Militão tenta passar adiante a Photographia Americana, mas não consegue. Reforma e aluga a casa e vende aos poucos o equipamento fotográfico. Sobre isso, escreve a seu amigo, o ator Jacinto Heller, em 5 de abril: “Como deve saber estou hoje vagabundo. Liquidei mal e porcamente a fotografia, fazendo leilão no qual só vendi os trastes(vendi é um modo de dizer porque quase os dei) ficando com tudo de fotografia porque os colegas estão como eu”. Viagem a Europa. Na volta tenta incrementar a venda de vistas avulsas de São Paulo, mas não tem sucesso comercial.

1887 –  Tem a a ideia de montar um álbum de vistas de São Paulo de 1862 e 1887. Retorna então aos mesmos lugares das fotos que havia tirado em 1862 e produz uma nova série de fotografias.  No jornal “A Província de São Paulo”, do dia 11 de agosto, anúncio da obra-prima de Militão: o “Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887” acompanhado do artigo “A Velha e a Nova Cidade de São Paulo. Com sessenta fotografias, 18 pares comparativos e 24 vistas isoladas, foram postos à venda a 50 mil réis por exemplar(até o dia 31 de agosto. Depois custariam 70 mil réis).

1888 - Abandona definitivamente a fotografia.

1889- Viagem a Europa. Entre este ano e 1905, volta a viver no Rio de Janeiro, mas em algum momento retorna a São Paulo, possivelmente em 1902, onde vive com seu filho Luiz Gonzaga, um bem sucedido advogado.

1892 – Viagem aos Estados Unidos.

1900 – Viagem à Europa.

1905 – Falecimento de Militão de Augusto de Azevedo, em São Paulo, no dia 24 de maio.

A Brasiliana Fotográfica destaca instituições detentoras de importantes acervos da obra de Militão Augusto de Azevedo: a Biblioteca Mário de Andrade, a Casa da Imagem, o Museu Paulista e o Instituto Moreira Salles.

 

Contribuiu para esta pesquisa Virginia Albertini(IMS).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Bibliografia:

CALDATTTO BARBOSA, Gino; MEDEIROS, de CARVALHO FONTENELLE de, Marjorie; FERRAZ de LIMA, Solange; CARNEIRO de CARVALHO, Vania. Santos e seus arrabaldes: Álbum de Militão Augusto de Azevedo; organização de Gino Caldatto Barbosa, Marjorie de Carvalho Fontenelle de Medeiros, Solange Ferraz de Lima, Vânia Carneiro de Carvalho. São Paulo: Magma Cultural e Editora, 2004. 167 p., il. ISBN 85-98230-02-2.

FERNANDES JUNIOR, Rubens; BARBUY, Heloisa; FREHSE, Fraya. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Cosac Naify, 2012. 220pp.,ils ISBN 978-85-405-0235-2

KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil(1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. ISBN 85-86707-07-4

KOSSOY, Boris. Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887): a
recuperação da cena paulistana através da fotografia. Direção de Antonio Rubbo Müller. São Paulo: [s.n.], 1978. 121 p., il.

LAGO, Pedro Correa do. Militão Augusto de Azevedo: São Paulo nos anos 1860. Dedicatória de Rubens
Fernandes Junior. Rio de Janeiro: Capivara, 2001. v. 2. 263 p., il. (Coleção Visões do Brasil; v. 2). ISBN
8586011479.

LAURITO, Ilka Brunhilde; LEMOS, Carlos A.C.; RODRIGUES, Eduardo de Jesus; MACHADO, Lucio Gomes. São Paulo em Três Tempos – Álbum Comparativo da cidade de São Paulo(1862-1887-1914). Casa Civil / Imprensa Oficial do Estado S.A./ Secretaria da Cultura / Arquivo do Estado. São Paulo, 1982

MAGOSSI, Eduardo; LUQUET, Mara. São Paulo relembrada: Militão, um novo álbum comparativo: 1862-1887 e 2003. São Paulo: JCN, 2003. 147 p., il. ISBN 8585985143.

TOLEDO, Benedito Lima de; KOSSOY, Boris; LEMOS, Carlos. Album comparativo da cidade de São Paulo – 1862-1887: Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Secretaria de Cultura, 1981. 53 p.

Site do Instituto Moreira Salles

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

 

Galeria de vistas de Militão Augusto de Azevedo