Dom Pedro II ( RJ, 2/12/1825 – Paris, 5/12/1891), um entusiasta da fotografia

Dom Pedro II foi um entusiasta da fotografia, seja como mecenas seja colecionador. Foi o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo, e, provavelmente, o primeiro fotógrafo nascido no Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país. Sua filha, a princesa Isabel (1846-1921), foi, inclusive, aluna do fotógrafo alemão Revert Henrique Klumb (c. 1826- c. 1886). Ao ser banido do país, em 1889, pelos republicanos, Pedro II doou à Biblioteca Nacional a coleção de cerca de 25 mil fotografias, que então denominou, juntamente com a coleção de livros, de Coleção Dona Theresa Christina Maria.  Segundo Pedro Vasquez, essa coleção é, até hoje, “o mais diversificado e precioso acervo dos primórdios da fotografia brasileira jamais reunido por um particular, e tampouco por uma instituição pública”.

A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: em 7 de janeiro de 1839, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851); cerca de 4 meses depois, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, na segunda coluna, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido assunto de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris em 9 de março de 1839 para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839.

Acessando o link para as fotografias de dom Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

O interesse de dom Pedro II pela fotografia teve quase a mesma idade do próprio daguerreótipo: menos de um ano após o anúncio oficial da invenção, feito por François Arago, em 19 de agosto de 1839, na França, ele, aos 14 anos, adquiriu o equipamento, em março de 1840, mesmo ano em que o abade francês Louis Compte apresentou-lhe o invento, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna; e de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna).

Por sediar o Império, o Rio de Janeiro foi a capital da fotografia no Brasil. O imperador foi retratado por diversos fotógrafos, dentre eles Marc Ferrez (1843-1923) e Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), tendo conhecido praticamente o trabalho de todos eles. A fotografia passou a ser o instrumento de divulgação da imagem de dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino”, segundo comenta Lilia Moritz Schwarcz no livro As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, e tornou-se também mais um símbolo de civilização e status.

Foi o primeiro monarca a oferecer seu real patrocínio a um fotógrafo, quando, em 1851, permitiu que Buvelot & Prat, que haviam realizado uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos – usassem as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento fotográfico. Só dois anos depois, a Rainha Vitória (1819 – 1901), da Inglaterra, também apreciadora da fotografia, conferiu ao fotógrafo Antoine Claudet (1797 – 1867) o título de Photographer in ordinary to the Queen.

Dom Pedro II governou o Brasil de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”. Em seus quase 50 anos de governo – só superados pelas rainhas Vitória (1819 – 1901) e Elizabeth II (1926 -), ambas da Inglaterra – o tráfico e a escravidão foram abolidos, a unidade do Brasil foi consolidada, as principais capitais brasileiras se modernizaram, a ciência e a cultura se desenvolveram. Sinais, sobretudo estes últimos, de um reinado que, não obstante o conservadorismo escravista dominante, perseguiu sempre uma pauta liberal, humanista e civilizatória.

Em seu diário de 1862, Pedro II declarou: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferia a de presidente da República ou ministro a imperador”. De fato, no século XIX, muito do que se fez no Brasil nos campos das letras e das ciências deveu-se a ele, um dos monarcas mais eruditos de sua época.

Lista dos Fotógrafos Imperiais, na ordem cronológica em que foram agraciados com este título, segundo Guilherme Auler, sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na Tribuna de Petrópolis, em 1º e 8 de abril de 1956, segundo o livro O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Vasquez:

Buvelot & Prat, título concedido em 8 de março de 1851 (província do Rio de Janeiro)

Joaquim Insley Pacheco, título concedido em 22 de dezembro de 1855 (província do Rio de Janeiro)

João Ferreira Villela, título concedido em 18 de setembro de 1860 (província de Pernambuco)

Revert Henrique Klumb, título concedido em 24 de agosto de 1861 (província do Rio de Janeiro)

Stahl & Wahnschaffe, título concedido em 21 de abril de 1862 (província do Rio de Janeiro)

Diogo Luiz Cipriano, título concedido em 20 de setembro de 1864 (província do Rio de Janeiro)

Antonio da Silva Lopes Cardoso, título concedido em 30 de novembro de 1864 (província da Bahia)

Tomas King, título concedido em 18 de maio de 1866 (província do Rio Grande do Sul)

José Ferreira Guimarães, título concedido em 13 de setembro de 1866 (província do Rio de Janeiro)

Fernando Starke, título concedido em 14 de dezembro de 1866 (província de São Paulo)

José Tomás Sabino, título concedido em 13 de agosto de 1873 (província do Pará)

Henschel & Benque, título concedido em 7 de dezembro de 1874 (província do Rio de Janeiro)

Antonio Henrique da Silva Heitor, título concedido em 2 de março de 1885 (província do Rio de Janeiro)

Juan Gutierrez de Padilla, título concedido em 3 de agosto de 1889 (província do Rio de Janeiro)

Ignácio Mendo, título concedido em 6 de agosto de 1889 (província da Bahia)

Apesar de não estarem na lista de Auler, os fotógrafos  Mangeon & Van Nyvel, radicados no Rio de Janeiro e Luiz Terragno, do Rio Grande do Sul, também anunciavam esse título e as armas imperiais no verso de suas fotografias. Já Marc Ferrez foi o único com a distinção de Fotógrafo da Marinha Imperial. Seis fotógrafos estrangeiros também foram agraciados com o título de fotógrafos imperiais: o francês Alphonse Liebert, o português Joaquim Coelho da Rocha, o austríaco Guilherme Perimutter, os tchecos Franz Piedrich e Charles Molock; e o italiano Francesco Pesce.

Galeria de dom Pedro II

 

Cronologia de dom Pedro II 

Alphonse Léon Nöel; Victor Frond. Dom Pedro II, 1861. Paris, França / Acervo FBN

 

1825 – Em 2 de dezembro, nascimento de Pedro II, às 2h30 da manhã, no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filho mais novo do imperador dom Pedro I do Brasil (1798 – 1834) e da imperatriz dona Maria Leopoldina de Áustria (1797 – 1826) (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de dezembro de 1825).

Foi batizado, em 9 de dezembro, e seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga (Império do Brasil: Diário Fluminense, de 10 de dezembro de 1825).

1826 – Em agosto, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de príncipe imperial .

Sua mãe, a imperatriz Leopoldina, faleceu em 11 de dezembro de 1826, poucos dias após dar a luz a um menino natimorto (Diário do Rio de Janeiro, de 15 de dezembro de 1826).

1829 – O imperador Pedro I casou-se com a duquesa Amélia de Leuchtenberg (1812 – 1873), com quem, apesar de ter convivido pouco, o príncipe Pedro estabeleceu um relacionamento afetuoso (Imperio do Brasil: Diário Fluminense, de 8 de outubro de 1829, sob o título “Baviera”).

1831 – Em 7 de abril, o imperador Pedro I abdicou (Aurora Fluminense, de 11 de abril de 1831). O príncipe imperial Pedro tornou-se “Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil“, sendo aclamado por uma multidão reunida no Campo de Santana. Dom Pedro I deixou seu filho aos cuidados do tutor José Bonifácio de Andrada (1763 – 1838), de dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (? – 1855), tornada condessa de Belmonte, em 5 de maio de 1844, aia de Pedro II desde seu nascimento, a quem ele chamava de Dadama; e de Rafael, que era um empregado do paço em quem Pedro I possuía grande confiança.

No mesmo dia da abdicação, foi eleita, no Senado, a Regência Provisória, formada pelos senadores Nicolau do Campos Vergueiro (1788 – 1859), por José Joaquim de Campos (1768 – 1836), o Marquês de Caravelas, e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), pai de Luís Alves de Lima e Silva (1803 – 1880), o Duque de Caxias.

Dom Pedro I partiu para a Europa com Dona Amélia, em 13 de abril (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de abril de 1831). Links para as cartas de despedida de dona Amélia, disponível no Correio IMS, e de Pedro I, ambas para dom Pedro II.

Em 17 de  junho, a Regência Trina Permanente foi eleita pela Assembleia Geral. Era composta pelo deputado da Bahia, José da Costa Carvalho (1796 – 1860), o Marquês de Monte Alegre; do Maranhão, João Bráulio Moniz (1796 – 1835), e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), do Rio de Janeiro (Aurora Fluminense, de 20 de junho de 1831, na primeira coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).

1833 - Em 15 de dezembro, José Bonifácio foi substituído pelo marquês de Itanhaém, Manuel Inácio de Andrada Souto Pinto Coelho (1782 – 1867), que passou a ser, por decreto, tutor de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 17 de dezembro de 1833, na segunda coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).

1834 - Em 12 de agosto foi aprovado o Ato Adicional, que estipulou o fim da Regência Trina e alterou a Constituição de 1824, autorizando cada uma das províncias a criar uma Assembleia Legislativa. A situação política do país se acalmou.

Em 24 de setembro, morreu, em Portugal, dom Pedro I (Diário do Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1834).

1835 - Em 7 de janeiro, teve início a Cabanagem no Pará.

Em abril, realizaram-se as eleições para a primeira Regência Una. Venceu o padre Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843), um dos líderes progressistas e antigo ministro da Regência Trina Permanente.

Em 20 de setembro, iniciou-se a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul.

Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843) assumiu a Regência Una em outubro (Aurora Fluminense, de 12 de outubro de 1835).

1837 - Para tentar acabar com o avanço da Cabanagem e da Farroupilha, movimentos revoltosos contra o governo, Feijó pediu a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do aumento dos efetivos militares do governo. Seu pedido foi negado e ele renunciou. O presidente da Câmara dos Deputados e líder da facção regressista, o marquês de Olinda, Pedro Araújo Lima (1793 – 1870), assumiu provisioriamente a regência (Jornal do Commercio, de 25 de setembro de 1837, na primeira coluna).

Em novembro, teve início a Sabinada, na Bahia.

Em 2 de dezembro, por decreto, foi fundado o Colégio Pedro II.

1838 – O senador Pedro Araújo Lima (1793 – 1870) foi eleito o novo regente, cujo mandato se prolongaria até 1842.

Foi criado, em 21 de outubro, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Jornal do Commercio, de 18 de outubro de 1838, na primeira coluna).

Em 13 de dezembro, teve início a Balaiada no Maranhão.

1839 – O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro recebeu o patronato do imperador dom Pedro II , que além de seu protetor, tornou-se um ativo membro, tendo presidido centenas de sessões.

1840 – O abade francês Louis Compte, capelão da corveta L´Orientale, fez na hospedaria Pharoux, a primeira apresentação do daguerreótipo no Brasil e na América Latina, realizando um ensaio fotográfico (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna). Dias depois, apresentou o invento a dom Pedro II (Jornal do Commercio, de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna). Em março do mesmo ano, com menos de 15 anos, dom Pedro II adquiriu o equipamento, através do negociante Felício Luzaghy.

O Brasil encontrava-se em uma situação delicada com as revoltas e dom Pedro II só poderia ser declarado maior com 18 anos de idade. Além disso, a Regência sempre motivaria conflitos políticos. Em abril, o senador do Partido Liberal, José Martiniano de Alencar (1794 – 1860), pai do romancista José de Alencar, propôs a criação da Sociedade Promotora da Maioridade, que passou a se chamar Clube da Maioridade. Seu presidente, Antônio Carlos de Andrada (1773 – 1845), levou a campanha para as ruas, conseguindo a adesão do povo.

Em 23 de julho, dom Pedro II foi emancipado pela Assembleia Geral Legislativa do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 27 de julho de 1840, sob o título “Rio de Janeiro”).

1841 – Em 18 de julho, realização da sagração e da coroação de dom Pedro II, imperador do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 19 de julho de 1941Jornal do Commercio, de 18 e 19 de julho de 1941, na segunda coluna e de 20 de julho, com ilustração de dom Pedro II coroado e da varanda da coroação). A cidade do Rio de Janeiro foi embelezada para a cerimônia e as festas se estenderam até o dia 24 de julho, quando foi realizado um grande baile de gala no Paço da cidade.

Terminou a revolta da Balaiada.

1843 – Em 30 de maio, dom Pedro II e dona Teresa Cristina (1822 – 1889), princesa das Duas Sicílias, casaram-se por procuração, em Nápoles. Como eles eram primos, tiveram que obter licença de Roma. Em 3 de setembro, ela chegou ao Rio de Janeiro. Eles se encontraram pela primeira vez, a bordo da fragata Constituição (Jornal do Commercio, de 4 de setembro, na última colunae de 5 de setembro de 1843, na primeira coluna, ambas sob o título “Jornal do Commercio”)Dom Pedro II ficou muito decepcionado com a aparência de sua esposa .

1845 – Em 23 de fevereiro, nasceu o primeiro filho do casal, dom Afonso (Diário de Rio de Janeiro, de 24 de fevereiro de 1845, sob o título “O Diário”).

Em 1º de março, fim da Farroupilha.

Em 6 de agosto, dom Pedro II viajou para o sul do Brasil e visitou as províncias de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

1846 – Nasceu a primeira filha do casal real, a princesa Isabel, em 29 de julho (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”).

1847 – Morreu dom Afonso, em 11 de junho (Diário do Rio de Janeiro, de 12 de junho de 1847) e nasceu a princesa Leopoldina, segunda filha do casal, em 13 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de julho de 1847, sob o título “O Diário”). Dom Pedro II percorreu a província do Rio de Janeiro.

1848 – Nasceu dom Pedro Afonso, segundo filho do casal, em 19 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 20 de julho de 1848).

Teve início a Revolução Praieira, em Pernambuco. De caráter liberal e federalista, ganhou o nome de Praieira, pois a sede do jornal Diário Novo, comandado pelos revoltosos, ficava na rua da Praia.

1850 – Morreu dom Pedro Afonso, em 10 de janeiro (Diário do Rio de Janeiro, de 11 de janeiro de 1850).

Foram promulgados o Código Comercial, baseado nos Códigos de Comércio de Portugal, França e Espanha; e a Lei de Terras,  que foi regulamentada em 1854. Esta lei estabelecia a compra como a única forma de acesso à terra e abolia, em definitivo, o regime de sesmarias.

Fim da Revolução Praieira (O Brasil, de 16 de abril de 1850, sob o título “Notícias Provinciaes”, na primeira coluna).

Em 4 de setembro, a Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico negreiro (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de setembro de 1850).

O governo brasileiro rompeu relações com a Confederação Argentina, governada por Juan Manuel de Rosas (1793 – 1877).

1851 – Brasil, Uruguai e as províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes firmaram, em Montevidéu, uma aliança ofensiva e defensiva contra Rosas, que declarou guerra ao Império brasileiro.

1852 – Em fevereiro, Rosas foi derrotado pelo general Justo José de Urquiza (1801-1870) com o apoio do Brasil, na Batalha de Monte Caseros (Correio da Tarde, de 24 de fevereiro de 1952).

Início da telegrafia elétrica no Brasil. Telegramas foram trocados entre o imperador, que se encontrava na Quinta de São Cristóvão, e o ministro da Justiça, Eusébio de Queiroz (1812 – 1868), e o professor Guilherme Schüch de Capanema (1824 – 1908), que estavam no Quartel General, no Campo da Aclamação, atual Campo de Santana.

1854 – No Rio de Janeiro, instalação da iluminação à gás (Jornal do Commercio, de 25 de março de 1854, na penúltima coluna).

Inauguração da estrada de ferro que ligava a Corte à Petrópolis (Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1854, na última coluna).

1855 - Em 17 de outubro, morte de Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (1779 – 1855), a Dadama, aia e governanta de dom Pedro II, vitimada pela cólera-morbo (Diário do Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1855, na segunda coluna).

1856 – Dom Pedro II conheceu a tutora de suas filhas, a condessa de Barral, Luisa Margarida Portugal de Barros (1816 – 1891), por quem se apaixonou e se correspondeu intensamente ao longo de 26 anos de relacionamento. Cartas trocadas entre os dois estão disponíveis no Correio IMS: em 12 de junho de 1876, em 15 de março de 1877, em 29 de março de 1877 e em 7 de junho de 1880.

1857 – Foi criada a Imperial Academia de Música e a Ópera Nacional (Jornal do Commercio, de 7 de junho de 1857, sob o título “Publicações a pedido”).

1861 - Início da Questão Christie, incidente diplomático envolvendo o Brasil Império e a Inglaterra.

1863 - Brasil e Inglaterra romperam relações diplomáticas.

1864 – Em 15 de outubro, casamento da princesa Isabel com o conde d´Eu (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864) e, em 15 de dezembro, casamento da princesa Leopoldina com o duque de Saxe (Diário do Rio de Janeiro, de 16 de dezembro de 1864). O conde d´Eu e o duque se Saxe eram primos.

O Paraguai declarou guerra ao Brasil, em dezembro.

1865 – Em 1º de maio, foi assinado o Tratado da Tríplice Aliança – Argentina, Brasil e Uruguai – contra o Paraguai.

Em 10 de julho, dom Pedro II foi para o teatro de operações da Guerra do Paraguai.

Em 23 de setembro, as relações diplomáticas entre o Brasil e a Inglaterra foram reatadas (Jornal do Commercio, de 5 de outubro de 1865, na sétima coluna, sob o título “27 de setembro”).

1870 - Solano López morreu e a Guerra do Paraguai terminou (O Paiz, suplemento de 14 de abril de 1870).

1871  – Em 7 de fevereiro de 1871, a filha de Dom Pedro II, a princesa Leopoldina de Saxe-Coburgo faleceu, em Viena (Diário de Notícias, de 7 de março de 1871).

Em 28 de de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de setembro de 1871).

1871 / 1872 – Em 25 de maio de 1871, dom Pedro II viajou pela primeira vez para a Europa e para o Oriente Médio. A princesa Isabel tornou-se, pela primeira vez, regente provisória. Em Lisboa, seu primeiro destino, Dom Pedro visitou dona Amélia, viúva de dom Pedro I, no palácio das Janelas Verdes. Conheceu diversos intelectuais portugueses, entre eles, Alexandre Herculano (1810 – 1877). Depois foi à França, onde encontrou a condessa de Barral e o filósofo Arthur de Gobineau ( 1816 -1882); à Bélgica, à Alemanha, onde conheceu o compositor Richard Wagner (1813 – 1883); à Itália e à Ásia Menor. Voltou à Itália e à França. Em 31 de março de 1872, retornou ao Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1872), trazendo o duque de Saxe, viúvo de de sua filha Leopoldina, e seus dois netos, Pedro Augusto (1866 – 1934) e Augusto Leopoldo (1867 – 1922), que seriam educados no Brasil.

1874 – Em 22 de junho, foi efetivada a ligação do Brasil a Portugal por telégrafo.

Teve início a revolta do Quebra-Quilos, quando várias cidades do nordeste se rebelaram contra o decreto que impunha a implantação de um novo sistema métrico. No ano seguinte, com a forte repressão promovida pelo governo imperial, a região foi pacificada.

1876 – Em março, dom Pedro II viajou para os Estados Unidos e para a Europa. Embarcou no Rio de Janeiro, no navio americano Hevelius, sob o comando do capitão Markwell (Diário do Rio de Janeiro, 26 de março de 1876, na terceira coluna). Acompanhando a comitiva real, estava o repórter J. O´Kelly, do jornal New York Herald. Chegou em Nova York, em 15 de abril. Visitou outras cidades como Chicago, Pittsburg e Washington. Inaugurou a Exposição da Filadélfia, que abriu ao lado do presidente Ulysses S. Grant (1822 – 1885), em 10 de maio, em meio a uma multidão de cerca de 200 mil pessoas. Lá conheceu os cientistas Thomas Edison (1847 – 1931) e Grahan Bell (1847 – 1922), que apresentou ao imperador sua invenção – o telefone. Foi também à Niagara Falls. Em 12 julho, partiu para a Europa no vapor Russia, da Cunard Line: foi a Londres e Bruxelas, onde encontrou o famoso médico francês Jean-Marie Charcot (1825 – 1893). Deixou a imperatriz Teresa Cristina em Gastein, na Áustria, para tratamento de saúde e partiu para a Grécia. No Oriente, a imperatriz e a condessa de Barral o encontraram. Foi à Roma, Viena e Paris, onde conheceu os intelectuais Jean Louis Quatrefages (1810 – 1892), Ernest Renan (1823 – 1892), Louis Pasteur (1822 – 1895) e Victor Hugo (1802 – 1885). Retornou em setembro.

1877 – Por ordem de dom Pedro II, foram instaladas linhas telefônicas entre as residências dos ministros e o palácio da Quinta da Boa Vista.

New York Herald relembrou a visita de Pedro II aos Estados Unidos, e apresentou a seguinte proposta: “Para nossa chapa Centenária, indicamos Dom Pedro II e Charles Francis Adams, para presidente e vice-presidente. Estamos cansados de gente comum, e sentimo-nos dispostos a apoiar gente de estilo”. O advogado, político, diplomata e escritor americano Charles Frances Adams ( 1807 – 1886) era neto do presidente John Adams e filho do presidente John Quincy Adams. Dom Pedro II recebeu, na Filadélfia, mais de 4.000 votos espontâneos.

1878 – Dom Pedro II viajou para a província de São Paulo.

1879 – Inauguração da iluminação elétrica na Estação Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Em 28 de dezembro de 1879, início no Rio de Janeiro da Revolta do Vintém, contra a cobrança de um tributo instituído pelo ministro da fazenda, o visconde de Ouro Preto, Afonso Celso de Assis Figueiredo (1836 – 1912), de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes. O ministério, desmoralizado, caiu no ano seguinte e o imposto foi revogado.

1880 – Criação da Telephone Company of Brazil, primeira companhia telefônica nacional.

Dom Pedro II viajou ao Paraná.

1881 – Em 9 de janeiro, aprovação da Lei Saraiva, que estabeleceu o voto direto e proibiu o voto dos analfabetos.

Dom Pedro II viajou para Minas Gerais.

1882 –  Caso do “Roubo das jóias da Coroa”: na madrugada de 17 para 18 de março de 1882, um ladrão invadiu o Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial, e roubou  todas as jóias da imperatriz Teresa Cristina e da princesa Isabel. O tesouro foi avaliado em 400 contos de réis – verdadeira fortuna na época (Gazeta de Notícias, de 19 de março de 1882, na primeira coluna). As jóias foram encontradas dias depois na casa de um ex-empregado do palácio, Manuel de Paiva (Gazeta de Notícias, de 22 de março de 1882, na segunda coluna).

1883 – A cidade de Campos (RJ) tornou-se o primeiro município da América do Sul a receber iluminação elétrica pública.

Início da Questão Militar, uma série de conflitos entre autoridades da monarquia e os oficiais do Exército brasileiro, que fortaleceu a campanha republicana.

1885 – Promulgação da Lei dos Sexagenários, em 28 de setembro.

1887 / 1888 – Em 30 de junho de 1887, dom Pedro II viajou pela terceira vez para a Europa. Seu primeiro destino foi Portugal. De lá, seguiu para Paris. Aconselhado por médicos, seguiu para Baden-Baden, e retornou a Paris, onde visitou intelectuais, entre eles, Louis Pasteur. Fez um cruzeiro pela Riviera italiana e foi para a estação de cura de Aix-les-Bains, na França. Em 22 de agosto de 1888, retornou ao Rio de Janeiro.

1888 – Foi abolida a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888 (O Paiz, de 14 de maio de 1888).

1889 – O imperador Pedro II sofreu um atentado (Gazeta de Notícias, de 17 de julho de 1889, na penúltima coluna).

Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (Gazeta de Notícias, de 11 de novembro de 1889), que passou à história como o último baile da monarquia no Brasil.

Em 15 de novembro, foi proclamada a República (Gazeta de Notícias, 16 de novembro de 1889). Quando foi deposto, dom Pedro II tinha governado por 49 anos, três meses e 22 dias. Só foi superado pela rainhas Vitória (1819-1901) e Elizabeth II (1926-), ambas da Inglaterra.

Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna).

Chegaram em Lisboa em 7 de dezembro. Visitaram Coimbra e o Porto, onde a imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro.

1890 / 1891 – Pedro II passou esses anos entre Cannes, Vichy, Versalhes e Baden-Baden.

1891 – Em 14 de janeiro, faleceu a Condessa de Barral, em Paris (Diário de Notícias, 16 de janeiro de 1891).

Em 24 de outubro, Dom Pedro II chegou em Paris, onde se hospedou no Hotel Bedford, número 17 da rua de l’Arcade.

Em 5 de dezembro, faleceu, de pneumonia (O Paiz, de 6 de dezembro de 1891, e Gazeta de Notícias, de 6 de dezembro de 1891). Tradução do registro de morte do imperador:

Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.

Paris, 5 de dezembro de 1891

J.M Charcot
C. de Motta Maia Bouchard

Link para o registro da morte de Pedro II.

1920 – Foi anulado o decreto que bania a Família Imperial do Brasil.

1921 - Chegaram no Rio de Janeiro os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina, que estavam no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa (O Paiz, de 9 de janeiro de 1921). Ficaram na Catedral Metropolitana.

1925 – Os  restos mortais dos monarcas foram para a Catedral de Petrópolis.

1939 – Em 5 de dezembro, foram para o Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada da Catedral de Petrópolis, numa cerimônia na qual estava presente o presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954). O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara pelo francês Jean Magrou (1869 – 1945) e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso (1899 – 1966) (Jornal do Brasil, de 6 de dezembro de 1939).

Para a elaboração dessa cronologia, além da pesquisa em inúmeros jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional, a Brasiliana Fotográfica também se valeu, principalmente, dos livros Pedro II: ser ou não ser, de José Murilo de Carvalho, e As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, de Lilia Moritz Schwarcz.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Bibliografia:

BESOUCHET, Lídia. Exílio e morte do Imperador. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

FLETCHER, James Cooley ; KIDDER, Daniel Parrish. O Brasil e os brasileiros. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1941.

PAGANO, Sebastião. Eduardo Prado e Sua Época – O Cetro, SP, 1960.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

WILLIAMS, Mary Wilhelmine. Dom Pedro the Magnanimous – the second emperor of Brazil. Oxon, Inglaterra: Frank Cass & Company Limited, 1966.

Outras fontes:

Artigo de Fabiana Rodrigues Dias: Polifonia e consenso nas páginas da Revista do IHGB: a questão da mão de obra no processo de consolidação na nação, na revista História da Historiografia, de setembro de 2010.

Artigo de Mauro Costa da Silva e Ildeu de Castro Moreira: A introdução da telegrafia elétrica no Brasil (1852-1870), publicado na Revista da SBHC, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 47-62, jan | jul 2007

Site da Câmara dos Deputados

Site do Ministério das Relações Exteriores

Site da MultiRio

Tese de doutorado de Lygia Segalla: Victor Frond – Luzes sobre um Brasil pitoresco, 2007.

A beleza das baianas na fotografia do século XIX no Brasil

A Brasiliana Fotográfica homenageia a beleza das baianas na fotografia do século XIX no Brasil na data da comemoração do Dia Nacional da Baiana de Acarajé, publicando imagens produzidas por Alberto Henschel (1827 – 1882) e por Marc Ferrez (1843 – 1923). Estas fotografias da segunda metade do século XIX, período ainda de vigência do trágico regime de escravidão que marcou e moldou a história de nosso país, nos colocam face a face com mulheres que vivenciaram diretamente a sociedade daquele momento em todas as suas contradições, algumas libertas, outras ainda na condição de escravizadas, todas, entretanto, integrantes da construção deste legado de cultura e de resistência. Os registros revelam sua beleza, dignidade e altivez.

A baiana, oriunda das ruas de Salvador, tornou-se ao longo da história uma figura emblemática e tradicional da cultura brasileira. Dá nome, inclusive, a uma ala obrigatória das escolas de samba do país. Foi na casa de uma baiana, Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata (1854 – 1924), no coração da Pequena África, apelido da Praça XI, que o samba nasceu, no Rio de Janeiro. Foi em 27 de novembro de 1916 que o compositor Donga (1889 – 1974) registrou na Biblioteca Nacional a música “Pelo telefone”, considerada o primeiro samba, composta em uma das festas da casa de Tia Ciata.

Acessando o link para as fotografias de baianas de autoria de Alberto Henschel e de Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

O Dia Nacional da Baiana de Acarajé foi instituído pela Lei nº 12.206, de 19 de janeiro de 2010, e é, desde então, comemorado anualmente, no dia 25 de novembro, em todo o país. Anteriormente só era festejado na Bahia. O ofício das baianas de acarajé é considerado patrimônio cultural imaterial do Brasil, um reconhecimento oficial e da sociedade à importância da atividade.

“Este bem cultural de natureza imaterial, inscrito no Livro dos Saberes em 2005, é uma prática tradicional de produção e venda, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao culto dos orixás, amplamente disseminadas na cidade de Salvador, Bahia. Dentre as comidas de baiana destaca-se o acarajé, bolinho de feijão fradinho preparado de maneira artesanal, na qual o feijão é moído em um pilão de pedra (pedra de acarajé), temperado e posteriormente frito no azeite de dendê fervente. Sua receita tem origens no Golfo do Benim, na África Ocidental, tendo sido trazida para o Brasil com a vinda de escravos dessa região.”

Alguns dos aspectos abordados quando o ofício foi registrado foram a indumentária da baiana, a preparação do tabuleiro e locais onde se instalam e os significados atribuídos pelas baianas ao seu ofício.

 

 

 

 

Dia da Bandeira do Brasil

A Brasiliana Fotográfica homenageia a bandeira nacional com uma imagem produzida pelo fotógrafo Aristógiton Malta (1904-1954) da comemoração do cinquentenário do Dia da Bandeira, ocorrida em 19 de novembro de 1939. A fotografia é de um aspecto da celebração da efeméride com a presença do presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954), no campo do Russell (Correio da Manhã, 21 de novembro de 1939). Aristógiton Malta era filho do importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX, Augusto Malta (1864 – 1953), que foi fotógrafo da prefeitura da cidade, entre 1903 e 1936. Aristógiton começou a trabalhar como seu assistente, em 1925, e, em 25 de agosto de 1936, quando seu pai se aposentou, o substituiu. A fotografia destacada pertence ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, acervo integrante do portal Brasiliana Fotográfica.

O portal identificou na imagem o ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1883 – 1974), o ministro da Marinha, Aristides Guilhem (1875 – 1949), ambos fardados, estando o primeiro de gravata e segurando o cap. Logo à esquerda e atrás do presidente Getúlio Vargas, com um lenço na lapela, está, de óculos, o ministro da Educação, Gustavo Capanema (1900 – 1985). O outro ministro usando óculos, alinhado com Getúlio, é Francisco Luís da Silva Campos (1891 – 1968), da Justiça e dos Negócios Interiores.

O Palácio Monroe

O Palácio Monroe, que na época de sua construção não tinha esse nome, foi a sede do pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis, também conhecida como Feira Mundial de Saint Louis, realizada entre 30 de abril e 1º de dezembro de 1904, em conjunto com os III Jogos Olímpicos da Era Moderna. Foi com uma premiação do Monroe que pela primeira vez a arquitetura brasileira recebia reconhecimento internacional. O prédio de estilo eclético, cujo projeto foi do político e engenheiro Francisco Marcelino de Souza Aguiar (1855 – 1935), que já havia projetado o Pavilhão do Brasil na Feira de Chicago, em 1893, conquistou o principal prêmio de arquitetura do evento, o Grande Prêmio Medalha de Ouro.

Acessando o link para as fotografias do Palácio Monroe disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A primeira página da edição dominical do jornal The St. Louis Republic de 10 de abril de 1904 foi dedicada à obra brasileira: “Observando, procura-se em vão uma simples falha, um ponto onde a vista sinta a aspereza de uma linha, onde uma curva, uma janela, qualquer decoração desagrade. Essa construção representa um poema”. No The Post Dispatch, de 24 de maio de 1904, lia-se: “O edifício do Brasil que vai ser hoje inaugurado é um dos mais belos da Exposição e também do mundo. Bastaria que as mesmas ideias seguidas no projeto e na construção, quanto à ordem, proporções, harmonia e, sobretudo, apropriações fossem tomadas como norma na vida de qualquer país para desenvolvê-lo, torná-lo grandioso em tudo quanto o espírito de seu povo possa conceber e as mãos humanas executar”.

Como sua estrutura era toda metálica, o prédio pode ser desmontado e remontado. Sua pedra fundamental foi lançada, no Rio de Janeiro, em novembro de 1905, com a presença de Rodrigues Alves (1848 – 1919), presidente da República, ministros e outras autoridades (Correio da Manhã, 20 de novembro de 1905, na quinta coluna, sob o título “Pavilhão de S. Luiz”). Em 1906, o Palácio do Itamaraty foi descartado para sediar o III Congresso Pan-americano, no Rio de Janeiro, e decidido que o então Pavilhão de São Luiz, futuro Palácio Monroe, abrigaria o evento (O Paiz, 27 de abril de 1906, na sétima coluna). Foram realizadas obras e ele foi erguido no fim da rua do Passeio, na avenida Central, atual Rio Branco, ponto mais nobre da capital do Brasil (O Paiz, 5 de junho de 1906, na quinta coluna). O congresso foi aberto em 23 de julho de 1906 e se prolongou-se até o dia 27 de agosto de 1906 (O Paiz, 24 de julho de 1906). Originalmente, o prédio ia se chamar Palácio São Luiz porém, durante o evento, o ministro das Relações Exteriores, o barão do Rio Branco (1845 – 1912), batizou o edifício de Palácio Monroe, uma homenagem ao presidente norte americano James Monroe (1758 – 1831), idealizador do Pan-americanismo. O Palácio Monroe tornou-se um ícone do Rio de Janeiro e sua imagem foi estampada em porcelanas, pratos, talheres, caixas de jóias, tinteiros, cartões-postais e em papéis de carta. Também ilustrou a cédula de 200 réis emitida em 1919.

 

 

Nos anos que se seguiram ao III Congresso Pan-americano, o Palácio Monroe sediou recepções, formaturas, congressos e até velórios. Entre 1911 e 1914, foi a sede provisória do Ministério da Viação. Em 1914, passou a sediar a Câmara dos Deputados até 1922, quando, em junho, ali se instalou a Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil. Em 20 de setembro de 1920, o palácio foi palco de uma homenagem ao rei Alberto I da Bélgica (1875 – 1934), em visita oficial ao Brasil (O Paiz, 21 de setembro de 1920).

 

 

A partir de 1925, abrigou o Senado Federal, anteriormente sediado no Palácio Conde dos Arcos (Jornal do Brasil, 28 de abril de 1925O Paiz, 4 e 5 de maio de 1920). Entre 1923 e 1925, para adaptar-se às necessidades de seu novo ocupante, sofreu grandes mudanças arquitetônicas: construção de um piso intermediário e de um ao redor da cúpula e do terraço, além da instalação de elevadores e do envidraçamento de duas loggias laterais – espécie de varandas.

Durante a Revolução de 30, foi o quartel general das tropas gaúchas. Em 1945, foi provisoriamente sede do Tribunal Superior Eleitoral. Voltou a abrigar o Senado em 1946. Com a transferência da capital federal do Rio para Brasília, em 1960, o Senado seguiu para a nova capital, mas manteve o “Senadinho” no Monroe até 1975 (Jornal do Brasil, 29 de abril de 1975). Em 1961, o Monroe passou a sediar o Estado Maior das Forças Armadas.

Em julho de 1972, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) propôs ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) o tombamento do conjunto arquitetônico remanescente da antiga avenida Central, atual Rio Branco, composto pelo Obelisco, pelo Tribunal de Justiça, pela Biblioteca Nacional, pela Escola de Belas Artes, pelo Derby Clube, pelo Jóquei, pelo Clube Naval, pelo Teatro Municipal, pelo Monroe e pela Assembleia. O parecer do relator do processo, o arquiteto Paulo Santos (1904 – 1988), foi favorável à preservação. Cerca de dois meses depois, o arquiteto e urbanista Lúcio Costa (1902 – 1998) apresentou ao IPHAN, de onde era aposentado, um texto nomeado de “Problema Mal Posto”, rebatendo o parecer de Paulo Santos. Nele justificava a demolição do Monroe por uma questão de “desafogo da área”. Em fevereiro de 1973,  o conselho superior do IPHAN realizou a sessão final sobre o processo de tombamento, quando a proposta de Lúcio Costa de avaliar, em separado, os prédios foi aprovada. Não entraram no livro de tombamento o Jóquei, o Derby Clube e o Palácio Monroe.

 

 

Em 1974, foi iniciado o debate em torno da destruição do Monroe que supostamente estaria atrapalhando a obra da estação Cinelândia do metrô carioca. A polêmica tomou conta dos jornais e uma comissão do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro aprovou um parecer que recomendava ao IPHAN a preservação do prédio (Jornal do Brasil, 29 de agosto de 1974, na primeira coluna). O Clube de Engenharia também manifestou-se contra a demolição (Jornal do Brasil, 17 de janeiro, na primeira coluna e 22 de fevereiro de 1975, na terceira coluna). Em 04 de julho de 1974, o arquiteto e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Wladimir Alves de Souza (1908 – 1994), declarou que “a demolição do Palácio Monroe possibilitaria à cidade ganhar uma área ajardinada, um complemento do Passeio Público”(O Globo, 4 de julho de 1974).

Após uma intensa campanha em prol da destruição do Monroe, que contou com o apoio do jornal O Globo, a demolição do prédio foi autorizada pelo presidente da República, Ernesto Geisel (1907 – 1996), em outubro de 1975 (Jornal do Brasil, 10 de outubro de 1975, no “Informe JB” e O Globo, 11 de outubro de 1975, pág. 2). Foi iniciada logo nos primeiros dias de 1976 (Jornal do Brasil, 3 de janeiro6 de janeiro de 1976). Em junho, foi derrubada sua última parede (Jornal do Brasil, 7 de junho de 1976). Na ocasião, foi comentado que a autorização da demolição teve como um das causas uma suposta questão de rivalidade na carreira militar entre o presidente Geisel e um filho do marechal Souza Aguiar, Rafael de Souza Aguiar, sempre promovido antes de Geisel.

No lugar do Palácio Monroe, existe hoje o maior chafariz do Rio de Janeiro – com 10 metros de altura -, comprado na Áustria pelo governo imperial brasileiro, em 1878. Em homenagem ao palácio, é chamado de Chafariz do Monroe. No estilo Napoleão III,  é uma obra de Mathurin Moreau, que foi executada na fundição francesa Societé Anonyme des Hauts-Fourneaux & Fonderies du Val d’Osne.

 

Link para o filme “Arquivo S conta a história do Palácio Monroe, antiga sede do Senado”

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O fotógrafo Augusto Stahl (Itália 23/05/1828 – França, 30/10/1877)

Théophile Auguste Stahl é considerado um dos mais importantes fotógrafos que atuaram no Brasil no século XIX, tendo se dedicado tanto aos retratos como às paisagens – rurais e urbanas -, sempre com uma alta qualidade técnica e estética. Também destacou-se na reportagem etnográfica. Nascido em Bergamo, na Itália, em 23 de maio de 1828, originário de uma família da Alsácia, na França, pouco se sabe sobre sua vida na Europa, antes de vir para o Brasil, onde desembarcou do vapor inglês Thames, na cidade do Recife, em 31 de dezembro de 1853. Não se sabe com quem e onde aprendeu a fotografar.  É autor de uma obra importante e abrangente e foi um dos primeiros fotógrafos a produzir cartões de visita, os cartes de visite, no país. Teve estúdios em Recife e, a partir de 1862, estabeleceu-se no Rio de Janeiro. Foi agraciado por dom Pedro II com o título de “Fotógrafo de S.M , o Imperador”. O ex-curador de fotografia do Museu Getty, na Califórnia, e do Museu Metropolitano de Nova York, Weston Naef (1942 – ), no livro Pioneer photographers of Brazil, de 1976, referiu-se a Stahl como um dos “fotógrafos da vanguarda dos anos 1850 … a acuidade de sua visão e notável aptidão para descobrir o ângulo mais apropriado para fotografar um tema o coloca entre os 12 mais importantes fotógrafos de todos os tempos…”.

Acessando o link para as fotografias de Augusto Stahl disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

No Recife, onde ficou de 1853 a 1861, teve três estúdios: na rua do Crespo, na rua Nova e no Aterro da Boa Vista, posteriormente rebatizada como rua da Imperatriz. Além de produzir retratos, fotografou as paisagens de Recife, de Olinda, de Goiana e do interior de Pernambuco. Também registrou a estrada de ferro Recife – São Francisco. Em 1858 associou-se ao “químico fotógrafo” Adolpho Schmidt e ao “artista pintor” Germano Wahjschaffe. Em 1859, mesmo ano em que Schmidt deixou a sociedade, dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina visitaram o norte do país. No Recife, Stahl fotografou o evento e o próprio casal real. Stahl inovou registrando a chegada e o desembarque dos monarcas na direção contrária, ou seja, do mar para a terra. O imperador sugeriu que ele fotografasse as quedas de Paulo Afonso, no norte da Bahia. Uma imagem que ele produziu de Paulo Afonso é considerada muito importante na história da fotografia no Brasil. Segundo Bia Correa do Lago, no livro Os fotógrafos do império: “...Justapõe dois negativos para transmitir plenamente – dentro dos limites técnicos da época – toda a monumentalidade do fenômeno natural , e escolhe deliberadamente como personagem central, para aumentar a escala, uma criança negra”.

Stahl participou de diversas mostras, tendo sido premiado com uma menção honrosa na Primeira Exposição Nacional, em 1861. Na Segunda Exposição Nacional, em 1866, participou com fotografias, retratos da família real em fotopintura por Ulrich Steffen, retratos de negros, vistas de subúrbios e um panorama do Rio de Janeiro. Foi premiado com a medalha de prata.

Em 4 de fevereiro de 1862, embarcou para o Rio de Janeiro a bordo do vapor Paraná e deixou como sucessor, em Recife, Leon Chapelin. Estabeleceu-se na rua do Ouvidor, 117 , e, nos cerca de oito anos durante os quais possuiu estúdio no Rio de Janeiro, fez inúmeros e importantes registros da cidade, sendo o Panorama em cinco partes da cidade do Rio de Janeiro vista da Ilha das Cobras, produzida em torno de 1863, considerada uma de suas obras-primas. Stahl & Wahnschaffe foram agraciados, em 21 de abril de 1862, com o título de “Photographos da Caza Imperial”. Entre 1862 e 1863, Stahl voltou à Europa, onde se casou com Marie Julie Bing (1835 – 1921), nascida em Ostheim, na Alsácia. O casal teve dois filhos, Olga Marie e Paul Theodor Waldemar, ambos nascidos no Rio de Janeiro, em 1864 e 1865, respectivamente.

Em 1865, Stahl produziu para a missão científica Thayer, chefiada pelo naturalista suíço naturalizado norte-americano Louis Agassiz (1807 – 1873), retratos de “tipos” do país: portraits e fotografias antropométricas de chineses que residiam no Rio de Janeiro e de escravos negros. A obra Voyage au Brésil – 1865 – 1866 foi resultado dessa missão, realizada sob os auspícios de dom Pedro II. 

Provavelmente, as atividades do estúdio de Stahl & Wahnschaffe terminaram em 1870, já que o estabelecimento não foi anunciado pelo almanaque Laemmert de 1871. Os equipamentos teriam sido vendidos para os fotógrafos Cypriano & Silveira (Jornal do Commercio, 22 de maio de 1870). A família de Stahl retornou à Europa. Em 1875, ele partiu do Rio de Janeiro no paquete francês Senegal (O Globo, 26 de julho de 1875, na primeira coluna). Augusto Stahl faleceu em 30 de outubro de 1877, no Estabelecimento Público de Saúde Alsace Nord.

 

 

Cronobiografia de Augusto Stahl

 

1828 - Em Bergamo, na Itália, nascimento de Théophile Auguste Stahl, em 23 de maio de 1828, filho do pastor luterano Fréderic Stahl, que entre 1825 e 1841 trabalhou em Bergamo, e de Marie Elise Stahl (nascida Stamm). Sua famíla era da Alsácia, na França, e seu avô, Jean Georges, estabeleceu-se em Strasbourg como açougueiro. Auguste Stahl, segundo de oito filhos, foi batizado em 8 de junho e seus padrinhos foram Giovanni Steiner e Orsola Andreozzi.

1853 - Stahl chegou no Recife, a bordo do vapor Thames, da Mala Real Inglesa, em 31 de dezembro de 1853 (Diário de Pernambuco, 2 de janeiro de 1854, na quarta coluna sob o título “Movimento do Porto”).

1854 / 1856 – Nesse período, seu estabelecimento ficava na rua do Crespo, 21, esquina com a rua da Cadeia (Diário de Pernambuco, 14 de abril de 1856, na primeira coluna).

1855 - Realizou uma série de fotografias de Olinda.

1856 - Anunciou a mudança de seu estúdio para a rua Nova, 21 (Diário de Pernambuco, 13 de maio de 1856, na penúltima coluna, sob o título “Retratos”).

Publicação de uma propaganda do estabelecimento de Stahl com o título “O mais belo presente para noivos”(Diário de Pernambuco, 28 de agosto de 1856, na primeira coluna).

Mudou-se para o Aterro da Boa Vista, 12, logradouro que, posteriomente, passaria a chamar-se rua da Imperatriz (Diário de Pernambuco, 18 de outubro de 1856, na primeira coluna). O fotógrafo Agio Rio Pedro da Fonseca era seu ajudante.

1857 -  Stahl anunciou a chegada do segundo pintor para trabalhar em seu estabelecimento (Diário de Pernambuco, 24 de março de 1857, na última coluna).

1858 –  Realizou uma série de registros das obras da estrada de ferro Recife-São Francisco. Também fotografou Olinda, Goiana e o interior de Pernambuco.

Na barca francesa Tampico, chegada de uma encomenda de objetos para fotografia para Stahl (Diário de Pernambuco, 11 de janeiro de 1858, na quinta coluna).

Anunciou os melhoramentos em seu estabelecimento e sua associação ao “químico fotógrafo” Adolpho Schmidt e ao “artista pintor” Germano Wahjschaffe, que haviam chegado de Hamburgo (Diário de Pernambuco, 23 de setembro de 1858, na última coluna).

Foi noticiado que Stahl viajaria para a Europa (Diário de Pernambuco, 12 de outubro de 1858, na sexta coluna).

1859 - Stahl participou da terceira exposição fotográfica da Société Française de Photographie – SFP -, realizada entre 15 de abril e 15 de junho, em Paris. Apresentou vistas de Pernambuco e retratos de negros. Consta que foi o primeiro fotógrafo atuante no Brasil que enviou obras para uma exposição da SFP. Nessa exposição, foi desencadeada uma discussão acerca dos rumos da pintura após o surgimento da fotografia.

O “químico fotógrafo” Adolpho Schmidt deixou a sociedade (Diário de Pernambuco, 29 de julho de 1859).

Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina, chegaram no Recife, em 22 de novembro. Foi a primeira viagem do imperador ao norte do Brasil (Diário de Pernambuco, 2 de dezembro de 1859). Stahl fotografou o evento e os fotografou em 1º de dezembro, ocasião em que ofereceu a eles o álbum Memorando pitoresco de Pernambuco, com 34 imagens do desembarque dos dois no Recife, da própria cidade e da estrada de ferro Recife-São Francisco.

 

 

1860 – Fotografou as quedas de Paulo Afonso, sob encomenda da Casa Imperial.

Anunciava o ensino de fotografia em seu estabelecimento e também a produção de retratos em cartões de visita “como se usa em Paris” (Diário de Pernambuco, 10 de setembro de 1860, na última coluna). Provavelmente foi o introdutor dos cartões de visita em Pernambuco e também um dos primeiros fotógrafos a realizá-los no Brasil.

Em 31 de dezembro, fechou seu estúdio no Recife.

Por volta de 1860, foi o autor da única fotografia de uma natureza morta – até hoje conhecida – produzida no Brasil durante o século XIX.

 

 

1861 - Participou da Exposição Provincial de Pernambuco com retratos, dentre eles um retrato do presidente da província de Pernambuco, Antônio Marcelino Nunes Gonçalves (1823 – 1899); e uma vista da Cachoeira de Paulo Afonso. A maior parte dos trabalhos eram retratos sobre papel pintados por Ulrico Steffen e Germano Wahnschaffe.

Vendeu à Corte Imperial uma coleção de vistas de Goiana e Paulo Afonso.

Participou da Primeira Exposição Nacional com trabalhos em halótipos e recebeu uma menção honrosa.

1862 -  Em 23 de janeiro, no Diário de Pernambuco, foi anunciado que Stahl, Wahnschaffe e Ulrich Steffen iriam para o Rio de Janeiro. Stahl embarcou para o Rio de Janeiro em 4 de fevereiro a bordo do vapor Paraná e deixou como sucessor, no Recife, Leon Chapelin (Diário de Pernambuco, 6 de fevereiro de 1862, na terceira coluna).

Segundo publicado na Tribuna de Petrópolis de 1º de abril de 1956, por Ricardo Martim, pseudônimo de Guilherme Auler, Stahl & Wahnschaffe foram agraciados, em 21 de abril de 1862, com o título de “Photographos da Caza Imperial”. Porém, em janeiro de 1860, a sociedade Stahl & Cia já se identificava em anúncios no jornal como “Fotógrafos de S.M. o Imperador do Brasil” (Diário de Pernambuco, 10 de janeiro de 1860, na segunda coluna).

Participou da Exposição Universal de Londres com fotografias.

Entre 1862 e 1863, voltou à Europa, onde se casou com Marie Julie Bing (1835 – 1921), nascida em Ostheim, na Alsácia.

1863 a 1870 - Nesse período, era publicado anualmente, no Almanack Laemmert, o endereço do estabelecimento de Stahl & Wahnschaffe, na rua do Ouvidor, 117. Anteriormente, até 1862, Maupoint & Robin ocuparam esse mesmo endereço (Almanack Laemmert, edição de 1870).

1864 - Nascimento de Olga Marie, primeira filha do casal, no Rio de Janeiro.

1865 - Stahl & Wahnschaffe participaram da Exposição da Academia Real de Belas Artes com várias fotografias, dentre elas um retrato da imperatriz Leopoldina.

Produziu para a missão científica Thayer pelo interior do Brasil chefiada pelo naturalista suíço naturalizado norte-americano Louis Agassiz (1807 – 1873) retratos de “tipos” do país: portraits e fotografias antropométricas de chineses que residiam no Rio de Janeiro e de escravos negros. A obra Voyage au Brésil – 1865 – 1866 foi resultado dessa missão. Agassiz era professor da Universidade de Harvard.

Nascimento de Paul Theodor Waldemar, segundo filho de Stahl, no Rio de Janeiro.

1866 - Stahl & Wahnschaffe participaram da Segunda Exposição Nacional com fotografias, retratos da família real em fotopintura por Ulrich Steffen, retratos de negros, vistas de subúrbios e uma panorama do Rio de Janeiro. Foram premiados com a medalha de prata.

A Revista Ilustrada de 18 de dezembro referiu-se a Stahl & Wahnschaffe como “mestres nas paisagens e vistas da cidade, tão bons aí como nos retratos”.

1867 - Stahl & Wahnschaffe participaram da Exposição Universal de Paris com paisagens do Rio de Janeiro.

1870 – Provavelmente, as atividades do estúdio de Stahl & Wahnschaffe terminaram neste ano, já que o estabelecimento não foi anunciado pelo Almanak Laemmert de 1871. Os equipamentos teriam sido vendidos para os fotógrafos Cypriano & Silveira (Jornal do Commercio, 22 de maio de 1870). A família de Stahl retornou à Europa.

Foi doada pelo sr. Manoel Figueiroa ao Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco uma fotografia das quedas de Paulo Afonso, de autoria de Stahl (Diário de Pernambuco, 16 de setembro de 1870, na penúltima coluna).

1875 - Stahl partiu do Rio de Janeiro no paquete francês Senegal (O Globo, 26 de julho de 1875, na primeira coluna).

1877 – Augusto Stahl faleceu em 30 de outubro, no Estabelecimento Público de Saúde Alsace Nord.

1921 - Sua mulher, Marie Julie, faleceu em Genebra, em 30 de maio.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

Catalogue de la troisième exposition de la Société Française de Photographie

ERMAKOFF , George. Rio de Janeiro 1840 – 1900 – Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.

FERREZ, Gilberto. A Fotografia no Brasil: 1840-1900 / Gilberto Ferrez; [prefácio por Pedro Vasquez] – 2ª ed. – Rio de Janeiro: FUNARTE: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LAGO, Bia Correia do. Augusto Stahl : obra completa em Pernambuco e Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2001.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

MARTIM, Ricardo (pseudônimo de Guilherme Auler). Dom Pedro II e a fotografia. Tribuna de Petrópolis. Petrópolis, 1 de abril de 1956.

MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diário de Pernambuco: arte e natureza no Segundo Reinado. Recife:Fundação Joaquim Nabuco/Editora Massangana, 1985.

Site da Encilopédia Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil. Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro, 1995.

A Brasiliana Fotográfica também pesquisou em diversos periódicos na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Para uma história da Fotografia Médica, no Brasil

Como seria a nossa vida, hoje, sem os diagnósticos médicos por imagem?

E qual tem sido a contribuição da fotografia no processo de ensino e aprendizagem da medicina, no Brasil, desde o século XIX?

Cabe aos pesquisadores da história da imagem médica e, mais especificamente, da fotografia médica – no Brasil – respondê-la.

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O que se vê acima são detalhes de fotografias que integram um conjunto maior, já amplamente divulgado, a partir de 1997, quando iniciou-se a itinerância da exposição A coleção do imperador – fotografia brasileira e estrangeira no século XIX que, no Brasil, foi apresentada no Rio de Janeiro (Centro Cultural do Banco do Brasil)  e em São Paulo (Pinacoteca do Estado).

Mas as perguntas persistem: foram feitas a pedido de quem, e para que usos? Como funcionava o sistema local de produção de fotografias para o campo da medicina, ao final dos oitocentos?

Façamos uma leitura preliminar destas imagens, levando em conta o que se segue: em meados da década de 1880 e a pedido de um médico, supõe-se, o jovem cidadão compareceu ao estúdio fotográfico de João Xavier de Oliveira Menezes, instalado à rua da Quitanda, no Centro do Rio de Janeiro. O estabelecimento estava configurado para produzir retratos – vide o tapete, a cena campestre no fundo pintado e a coluna ornada, sobre a qual o paciente apoiou as suas calças e pousou, de braços cruzados, revelando certa deformidade nos membros inferiores. O formato da fotografia, uma carte-cabinet, ainda era popular, naqueles tempos em que a democratização do fazer fotográfico não havia se cumprido. Observe-se a marca do fotógrafo, incluindo as palavras-chave “portrait” e “álbum.”

Tempos depois de submetido a tratamento, supõe-se, o paciente voltou ao estúdio para novo registro – desta vez, o fotógrafo tomou certos cuidados (técnicos) e desprezou outros (estéticos), realizando uma fotografia mais fria e objetiva, montada em um cartão neutro; observe-se, ainda, a base de um aparelho de pose, atrás de seus pés. O instrumento era utilizado para conferir maior estabilidade ao retratado, no ato da tomada da foto. Quase nada sabemos acerca da atuação do fotógrafo J. Meneses no campo médico.

Segundo o Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro de Boris Kossoy, J. Menezes era então proprietário da “antiga casa Christiano Junior & Pacheco” o que nos leva a indagar: teria sido ele o sucessor de Christiano Junior no atendimento à classe médica da corte? Pois o álbum Elephantiasis (que também integra o repositório deste portal) mostra pacientes nus, com hipertrofia e espessamento de tecidos decorrentes dessa doença (a filariose) e teria sido realizado por Christiano Junior durante seu período de atuação no Rio de Janeiro, antes de prosseguir para Buenos Aires – onde realizou estupendo trabalho documental daquele país e de seu povo, já estudado por Abel Alexander e Luis Priamo.[1]

No catálogo da primeira exposição do Club Industrial de Buenos Aires, em 1877, Christiano Junior escreveu [acerca de suas fotos médicas, realizadas no Brasil] que “segundo o parecer dos médicos nacionais e estrangeiros, nenhum fotógrafo, até aquela data [1866] havia tirado do natural um trabalho semelhante.”

Entre a década de 1860 e a virada do século, há registros da atuação de José Christiano de Freitas Henriques Junior em Maceió AL (onde teria iniciado as suas atividades), Rio de Janeiro RJ, Desterro SC, Mercedes (Uruguai) e diversas cidades argentinas por onde passou, antes de vir a falecer em Assunção, Paraguai, em 1902. Foi um dos maiores e mais versáteis fotógrafos dos oitocentos, além de empresário atuante em diversos ramos.

 

Acessando o link para as fotografias médicas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

Voltemos à fotografia médica. É na coleção de fotografias formada pelo último imperador do Brasil, guardada em sua maior parte na Biblioteca Nacional e inscrita no programa Memória do Mundo, da Unesco, que encontra-se um dos possíveis pontos de partida a motivar mais investigação neste campo. “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências”, anotou em seu diário, em 1862. Natural, assim, que a medicina estivesse entre os seus interesses. Na biografia de d. Pedro II por José Murilo de Carvalho, encontramos alguns desses indícios. As reuniões anuais da Academia de Medicina eram realizadas no Paço Imperial. Também gostava de assistir aos concursos públicos da Faculdade de Medicina. Doou 100 mil francos para a criação do Instituto Pasteur, em Paris.

Detalhes das fotomicrografias de sedimentos da urina humana, realizadas pelo dr. Ultzmann, de Viena – à esquerda, o ácido úrico “proveniente de cálculos urinários” e à direita, “precipitado pelo ácido clorídrico da urina normal.”

Os detalhes reproduzidos acima foram extraídos de fotomicrografias integrantes de um álbum de sua coleção. Foram realizadas pelo médico húngaro Robert Utzmann, importante referência mundial no campo da urologia, investigador e professor na Universidade de Viena. D. Pedro não perdia uma oportunidade para dialogar com a classe médica, aqui ou no exterior, mantendo-se a par dos progressos – inclusive das interseções com a fotografia. Bem sabemos que ele era dotado de profunda consciência e fascínio pelo conhecimento que certos aparatos de visão proporcionavam, tais como os telescópios e os microscópios, aproximando-o de outros mundos, invisíveis a olho nu.

No final de sua vida, exilado em Paris, d. Pedro II seguiu acompanhando de perto os progressos no campo das tecnologias da imagem (inclusive da fotografia a cores) mas não teve tempo de vivenciar o fascínio do “ver através’: quando Wilhelm Conrad Roentgen descobriu os raios-X, em 1895, ele havia falecido, havia poucos anos.

Sobre o emprego dos raios-X no campo médico, vale lembrar, o Brasil também deu importante contribuição. Hoje um tanto esquecida – mas ainda cultuada – a abreugrafia, uma radiografia do tórax em dimensões reduzidas  idealizada em 1936 pelo dr. Manoel de Abreu – cujo nome integra o panteão dos indicados ao Prêmio Nobel de Medicina de 1946, 51 e 53 –  já foi exame obrigatório do trabalhador brasileiro, visando a detecção da tuberculose em indivíduos aparentemente sadios, já que a doença é assintomática, em sua fase inicial.

Encerro este texto com a firme esperança de que médicos e demais interessados na história da imagem médica no Brasil se manifestem – através deste blog – comentando, corrigindo ou acrescentando informações relacionadas a estas imagens históricas. Precisamos avançar neste campo, cuja constituição e trajetória pouco conhecemos.

Seleção de imagens de Fotografia Medica da Brasiliana Fotográfica

 

Joaquim Marçal Ferreira de Andrade

Curador, pela FBN, do portal Brasiliana Fotográfica

 

[1] Un país en transición : fotografías de Buenos Aires, Cuyo y el Noroeste, 1867/1883 – Christiano Junior. Buenos Aires [Argentina] : Ediciones Fundación Antorchas, 2000.

 

 

O retratista Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 14 de outubro de 1912)

Um dos mais prestigiados e famosos retratistas do Brasil no século XIX, o fotógrafo e pintor português Joaquim José Pacheco, posteriormente Joaquim Insley Pacheco, nasceu em Cabeceiras de Bastos, em 1830. Era muito requisitado pela corte imperial brasileira e, além de ter sido muito procurado para a execução de retratos, era reconhecido por seu trabalho com fotopintura.

No fim dos anos 40, já estava em Fortaleza, capital do Ceará, onde teve contato com a fotografia com o daguerreotipista e mágico irlandês Frederic Walter, que tornou-se seu mestre. Segundo Mello Moraes Filho, Insley possuía uma “natureza em demasia curiosa, índole decidida e aventureira”. De acordo com o mesmo autor, Insley foi o introdutor da ambrotipia no Brasil. Ele teria adquirido, de um capitão de navio ancorado no porto do Rio de Janeiro, fórmulas e máquinas do referido processo.

O primeiro estabelecimento de Insley que se tem notícia ficava na rua Formosa, em Fortaleza. Entre 1949 e 1951, viajou pelos Estados Unidos, onde estudou com os fotógrafos Mathew Brady (c.1822 – 1896), Jeremiah Gurney (1812 – 1895) e Henry E. Insley (1811 – 1894). Acredita-se que em homenagem a esse último adotou o sobrenome Insley.

Em 1851, de volta a Fortaleza, seu estúdio ficava na rua da Palma Unidos (O Cearense, 9 de maio de 1851, na última coluna).  Um ano depois, vendeu “por menos de seu valor todos os utensílios pertencentes a sua profissão de retratista” (Pedro II, 21 de agosto de 1852, na terceira coluna). Partiu para Sobral (Pedro II, 8 de dezembro de 1852) e depois de uma rápida permanência em Pernambuco, em 1854, onde seu ateliê ficava no Aterro da Boa Vista, nº 4, em Recife, foi para o Rio de Janeiro e anunciava, em 1855, sua “Novíssima e esplêndida galeria de retratos pelo sistema cristalotipo”, em seu novo estúdio fotográfico, na rua do Ouvidor, nº 31, posteriormente 40 (Jornal do Commercio  7 de fevereiro de 1855 e Correio Mercantil, 9 de fevereiro de 1855 ). Já assinava com o sobrenome Insley. No estabelecimento, também eram comercializados quadros, caixas, molduras e alfinetes (Jornal do Commercio, 2 de agosto de 1855). Também funcionava, eventualmente, como uma galeria para exposições de artes plásticas.

Insley Pacheco fotografou, em 11 de agosto de 1855, o imperador Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e a filha do casal, princesa Leopoldina, na Quinta da Boa Vista (Diário do Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1856). Em 22 de dezembro desse ano, foi agraciado com o título de “Photographo da Caza Imperial” (segundo Guilherme Auler, sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na Tribuna de Petrópolis, em 1º e 8 de abril de 1956, conforme informado no livro O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Vasquez). Tudo isso contribuiu para que seu público fosse consistentemente de representantes da elite e retratos realizados em seu estabelecimento eram presenças constantes em álbuns fotográficos de famílias da alta sociedade do século XIX.

Em 1858, foi anunciado “um grande passo na arte fotográfica” no ateliê de Insley Pacheco: “É o ambrotipo e a pintura dando-se as mãos para reunirem a fidelidade da cópia à duração e à persistência das cores” (Diário do Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 1858, na quarta coluna). No mesmo ano, em um anúncio de seu estabelecimento, apresentava-se como “primeiro e único retratista em vidro” (Jornal do Commercio, 13 de maio de 1858).

Em 1860, a firma “Pacheco e Irmão Ambrotypista da Augusta Caza Imperial” abriu um estúdio em Salvador, que fecharia no mesmo ano, e outro em São Luís, fechado em 1861. Em 1863, abriu um novo estabelecimento, na rua do Ouvidor, nº 102, no Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro , 1º de abril de 1863, na quarta coluna).

Após diversas tentativas fracassadas, o Ministério do Império, com o decreto 5613, de 25 de abril, “concedeu privilégio de cinco anos a Joaquim Insley Pacheco, para fazer fotografias de sua invenção, aplicadas à porcelana, vidro opalino e marfim” (Diário do Rio de Janeiro, 15 de maio de 1874, na última coluna).

Insley Pacheco foi condecorado pelo governo português com a Ordem de Cristo  (Semana Ilustrada, 3 de março de 1866) e participou das exposições universais de Paris (1867 e 1889), de Viena (1873), e da Filadéfia (1876) e de outras exposições internacionais como as do Porto (1865), de Santiago do Chile (1875), de Buenos Aires (1882) e de Chicago (1893). No Brasil, esteve presente em diversas exposições nacionais e também em várias exposições da Academia Imperial de Belas Artes.

Em torno de 1892, na folha de proteção sobreposta às suas fotografias, Insley Pacheco identificava-se como “Fotógrafo e pintor. Cavaleiro da Real Ordem de Cristo. Premiado com a Menção de Honra nas exposições de Vienna e mais 16 medalhas nas exposições de Philadelphia, Porto, Brazil, Chile, Buenos Aires e Chicago. Novo sistema de platinotipia – Rua dos Ourives, 38 – Rio de Janeiro”.

Nas artes plásticas, seu mestre foi o pintor Arsênio da Silva (1833 – 1883) e seus quadros foram muitas vezes premiados. Eram adquiridos por destacadas figuras da sociedade como o Barão do Rio Branco (1845 – 1912). Insley Pacheco foi, em 1903, o primeiro presidente da Associação dos Aquarelistas. Em seu ateliê foram realizadas diversas exposições de pintores como Firmino Monteiro (1855 – 1888) e Pedro Weingarten (1853 – 1929).

Em 14 de outubro de 1912, faleceu Joaquim Insley Pacheco, “o fotógrafo tradicional do Rio” (Jornal do Brasil, 15 de outubro de 1912 e O Paiz, 16 de outubro de 1912, ambos na penúltima coluna).

 

Comentário de Boris Kossoy sobre o retrato acima: …um retrato do imperador, entretanto, datado de 1883, isto é, quando contava 58 anos de idade, é particularmente interessante pelo “clima” tropical criado no ateliê: cenário de natureza “plantada” como fundo para o retrato (bem ao contrário dos tradicionais fundos com paisagens europeias complementados por uma mescla de mobiliário vitoriano e clássico, recursos tão utilizados pelos fotógrafos no século XIX). Com a nova montagem do velho teatro tem-se explicitada a ideologia de uma civilização nos trópicos” (KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.).

Acessando o link para as fotografias de Joaquim Insley Pacheco disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

  Cronobiografia de Joaquim Insley Pacheco

c. 1830 - Provavelmente em março, nascimento de Joaquim José (depois Insley) Pacheco, em Cabeceiras de Basto, em Portugal. Era filho de José Antonio Pacheco e Maria Antonia da Conceição. Joaquim era o mais novo de três irmãos: Bernardo, nascido em 1824, e Joaquina, nascida em 1827. Ficaram órfãos de pai em 1835 e, de mãe, em 1839. 

Anos 40 -  Provavelmente em fins de 1843 veio para o Brasil juntar-se ao seu irmão Bernardo, que teria partido em 1837. Também em torno de 1843 sua irmã Joaquina veio para o Brasil. Joaquim fixou-se em Pernambuco, onde trabalhava como mascate ou caixeiro viajante. Nos últimos anos dessa década, estava em Fortaleza, no Ceará, onde teve contato com a fotografia com o daguerreotipista e mágico irlandês Frederic Walter, que tornou-se seu mestre.

Seu ateliê ficava na rua Formosa e ainda como Joaquim José Pacheco anunciou que havia recebido dos Estados Unidos uma “excelente máquina e mais utensílios para tirar retratos pelo daguerreótipo”(O Cearense, 17 de maio de 1849, na última coluna).

Provavelmente no período entre 1949 e 1951, ele viajou pelos Estados Unidos, onde estudou com os fotógrafos Mathew Brady (c.1822 – 1896), Jeremiah Gurney (1812 – 1895) e Henry E. Insley (1811 – 1894). Acredita-se que em homenagem a esse último adotou o sobrenome Insley.

1851 - Anunciou que estava de volta à Fortaleza, depois de uma viagem aos Estados Unidos (O Cearense, 9 de maio de 1851, na última coluna). Seu ateliê ficava na rua da Palma.

1852 – Avisou que havia chegado de uma viagem às províncias do sul e divulgava seus retratos pelo “sistema electrotypo” (Pedro II, 30 de junho de 1852, na terceira coluna).

Provavelmente a falta de clientela levou-o a vender “por menos de seu valor todos os utensílios pertencentes a sua profissão de retratista”. Anunciava também possuir uma “máquina eletro-magnética, que além de servir para choques contra reumatismo, ou gota, paralisia ou dores e S. Victor e todas as moléstias provenientes de um distúrbio do sistema nervoso tem a vantagem de servir para galvanizar!”  (Pedro II, 21 de agosto de 1852, na terceira coluna).

Anuciou sua iminente partida de Fortaleza e aconselhava às pessoas a se deixarem retratar (Pedro II, 21 de setembro de 1852, na primeira coluna).

Partiu para Sobral (Pedro II, 8 de dezembro de 1852).

1854 – Em anúncio, ainda como Joaquim José Pacheco, divulgava seu novo estilo de retratar e informava que seu estabelecimento, em Recife, ficava na casa em que havia morado o sr. Lettarte (Diário de Pernambuco, 23 de março de 1854, na primeira coluna)Seu estabelecimento fotográfico localizava-se a no Aterro da Boa Vista, nº 4 (Diário de Pernambuco, 29 de março de 1853, na terceira coluna).

Mudou-se para o Rio de Janeiro.

1855 – Anúncio da “Novíssima e esplêndida galeria de retratos pelo sistema cristalotipo”, novo estúdio fotográfico de Insley Pacheco na rua do Ouvidor, nº 31, posteriormente 40 (Jornal do Commercio,  7 de fevereiro de 1855 e Correio Mercantil, 9 de fevereiro de 1855 ). Já assinava com o sobrenome Insley. Propaganda da nova galeria em inglês (Jornal do Commercio, 9 de fevereiro de 1855). No estabelecimento, anunciado como o primeiro a realizar retratos pela técnica mencionada na “América Meridional”, também eram comercializados quadros, caixas, molduras e alfinetes (Jornal do Commercio, 2 de agosto de 1855). 

Um “homem do público” o acusa de “charlatanismo”, questionando o anúncio de “retratos em cristotipo” em seu novo estúdio fotográfico (Diário do Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1855, na quinta coluna). Insley Pacheco respondeuao “homem do público” (Correio Mercantil, 12 de fevereiro de 1855, primeira coluna), que por sua vez replicou (Correio Mercantil, 14 de fevereiro de 1855, na primeira coluna).

Convite para uma exposição à noite na galeira de Insley Pacheco (Jornal do Commercio, 5 de abril de 1855, na quarta coluna). Elogio à exposição e comentário sobre as “duas soberbas molduras destinadas às augustas efígies de SS. MM. II” (Jornal do Commercio, 11 de abril de 1855, na sexta coluna).

Foi anunciada a nova iluminação a gás da galeria de Insley Pacheco (Jornal do Commercio, 4 de maio de 1855).

Insley Pacheco fotografou o imperador Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e a filha do casal, princesa Leopoldina, na Quinta da Boa Vista, em 11 de agosto (Diário do Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1856).

Propaganda de seu ateliê, agora batizado de Photographia Moderna (Diário do Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1855).

Foi noticiado que o estabelecimento de Insley Pacheco havia recebido dos Estados Unidos “um rico e variado sortimento de molduras, caixas, passe-partouts (franceses)” e outros produtos (Jornal do Commercio, 20 de dezembro de 1855).

Foi agraciado com o título de “Photographo da Caza Imperial”, em 22 de dezembro de 1855 (segundo Guilherme Auler, sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na Tribuna de Petrópolis, em 1º e 8 de abril de 1956, conforme informado no livro O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Vasquez).

1856 - Propaganda do estabelecimento de Insley Pacheco, destacando uma técnica que beneficiava a execução de retratos de crianças (Correio Mercantil, 7 de dezembro de 1856).

1857 -  O fotógrafo Thomaz Oxford Smith anunciou o fim de sua sociedade com Insley Pacheco no ateliê fotográfico da rua do Ouvidor, 40 (Gazeta Mercantil, 23 de outubro de 1857, na penúltima coluna). No Jornal do Commercio de 10 de dezembro de 1854, Smith apresentava-se como um professor de daguerreótipo recém chegado de Nova York.

Foi noticiado que Insley Pacheco havia sido agraciado com o título de “Photographo da Caza Imperial” (Diário do Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1857).

Em anúncio de seu estabelecimento fotográfico, apresentava-se como “Photografista da augusta Casa Imperial e miniaturista em marfim” (Jornal do Commercio, 22 de dezembro de 1857).

1858 -  Foi anunciado “um grande passo na arte fotográfica” no ateliê de Insley Pacheco: “É o ambrotipo e a pintura dando-se as mãos para reunirem a fidelidade da cópia a duração e a persistência das cores” (Diário do Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 1858, na quarta coluna). Carta de Insley Pacheco sobre o assunto (Diário do Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 1858, na terceira coluna).  Seu trabalho foi elogiado (Correio Mercantil, 17 de março de 1858, na segunda coluna).

Falecimento de Emilia, filha de Insley Pacheco de 18 meses, de mesenterites (Correio da Tarde, 22 de abril de 1858, na primeira coluna).

Em anúncio de seu estabelecimento, Insley Pacheco apresentava-se como “primeiro e único retratista em vidro” (Jornal do Commercio, 13 de maio de 1858).

Insley Pacheco ofereceu ao liceu de artes e ofícios da sociedade Propagadora das Belas-Artes material para ser usado nas aulas de desenho (Diário do Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1958).

Na casa do sr. Bernascone, na rua do Ouvidor, nº 143, exposição de um retrato do próprio Insley Pacheco colorido a óleo pelo pintor Giovanni Bruschetti (Jornal do Commercio, 29 de setembro de 1958, na terceira coluna).

Passou a integrar a comissão artística da sociedade Propagadora das Belas Artes (Diário do Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1958, na segunda coluna).

1859 - Insley Pacheco, sua mulher e dois filhos retornaram de uma viagem ao norte, a bordo do paquete a vapor “Oiapoque” (Correio Mercantil, 26 de junho de 1859, na sexta coluna). Voltou ao comando de seu ateliê (Correio Mercantil, 29 de junho de 1859, na primeira coluna).

Foi anunciada a exposição do retrato de uma dama da sociedade tendo ao fundo um bosque, “primeiro trabalho desse gênero obtido pelo sistema ambro-cromo-tipo, inventado pelo sr. J. Insley Pacheco” (Correio Mercantil, 10 de outubro de 1859, na segunda coluna).

Tornou-se suplente da comissão artística da sociedade Propagadora das Belas Artes (Correio Mercantil, 10 de dezembro de 1859).

1860 – “Pacheco e Irmão Ambrotypista da Augusta Caza Imperial” anunciaram sua presença em Salvador, na Ladeira de São Bento, 17 (Jornal da Bahia, 3 de janeiro de 1860). Pouco tempo depois, foi anunciado que o estabelecimento fecharia em junho (Jornal da Bahia, 15 de maio de 1860).

A firma abriu um ateliê em São Luís (Jornal do Commercio, Instrutivo, Agrícola e Recreativo, 7 de setembro de 1860). Provavelmente, foi seu irmão que seguiu para o Maranhão.

O fotógrafo João Ferreira Villela (18? – ?) anunciou sua volta a Recife, depois de temporada no Rio de Janeiro, apresentando-se como único discípulo de Insley Pacheco (Diário de Pernambuco, de 4 de outubro de 1860, na última coluna).

Insley Pacheco foi um dos subscritores de uma carta enviada ao escritor  francês Victor Hugo (1802-1885) na ocasião da construção de um monumento em homenagem ao jornalista e político francês Charles Ribeyrolles (1812-1860) (Courrier du Brésil, 9 de dezembro de 1860, na segunda coluna).

1861 – Anunciou que a “Pacheco e Irmão Ambrotypista da Augusta Caza Imperial” deixaria São Luís no fim de fevereiro (O Commercio, 2 de fevereiro de 1861, na quarta coluna).

Realização de uma exposição de retratos em cartões de visita na loja de Insley Pacheco, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 27 de abril de 1861, na terceira coluna).

Propaganda de Insley Pacheco anunciando o processo “hallotypo” (Jornal do Commercio, 7 de setembro de 1861).

1862 - Foi agraciado com a medalha de cobre na Exposição Nacional de 1861 / 1862, na qual participou na seção de Belas Artes com retratos da família imperial e com fotopinturas de paisagens (Correio da Tarde, 13 de março de 1862, na última coluna).

1863 - Foi noticiada a abertura do novo estabelecimento de Insley Pacheco, na rua do Ouvidor, nº 102 (Diário do Rio de Janeiro , 1º de abril de 1863, na quarta coluna).

Foi nomeado sócio efetivo da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (Diário do Rio de Janeiro, 13 de maio de 1863, na quarta coluna).

1864 -  O irmão e sócio de Insley Pacheco, Bernado José Pacheco, chegou da Europa, depois de uma temporada entre Bruxelas, Paris e Londres, onde estudou em diversas oficinas fotográficas (Diário do Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1864, na quarta coluna).

Um grande temporal ocorrido em 10 de outubro, no Rio de Janeiro, atingiu seriamente o estabelecimento fotográfico de Insley Pacheco (O Paiz, 8 de novembro de 1864, na segunda coluna).

1865 – Na Revista da Semana, de 3 de setembro de 1865, foi publicada uma charge mencionando Insley Pacheco.

Enviou para a Exposição Internacional do Porto, que foi inaugurada em 18 de outubro, diversos retratos de pessoas “notáveis” e da família real, de dom Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina, além de duas paisagens e dois estudos (Correio Paulistano, 3 de outubro de 1865, na segunda coluna). Esses trabalhos foram elogiados (O Despertador, 10 de outubro de 1865, na primeira coluna). Ele ganhou uma medalha de primeira classe por suas fotografias (Jornal do Commercio, 7 de novembro de 1865, na segunda coluna).

1866 - Anúncio de seu estabelecimento fotográfico, que já era na rua do Ouvidor, 102 (Índice Alfabético, edição de 1866).

No Club Fluminense, com a presença de dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, realização do Salão Literário e Artístico da Arcadia Fluminense, cuja galeria de arte havia sido arrumada por Insley Pacheco. (O Publicador Maranhense, 3 de janeiro de 1866, na terceira coluna sob o título “Arcadia Fluminense”).

Comentário sobre o governo português ter condecorado Insley Pacheco com a Ordem de Cristo (Semana Ilustrada, 3 de março de 1866).

Insley Pacheco foi premiado com um medalha de prata pela exposição de 1866, realizada pela Academia Real de Belas Artes (Jornal do Commercio, 16 de julho de 1866, na segunda colunaThe Anglo-Brazilian Time, 24 de julho de 1866, na primeira coluna).

1867 - Ganhou medalha de prata na Segunda Exposição Nacional, realizada pela Academia Real de Belas Artes, na qual participou com fotografias, retrato de uma senhora e fotopinturas (Diário do Rio de Janeiro, 1º de fevereiro de 1867, na última coluna).

Participou da Exposição Universal de Paris com fotopinturas.

Integrava o conselho da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (Jornal do Commercio, 16 de outubro de 1867, na segunda coluna).

Foi concedido a Joaquim Insley Pacheco o privilégio de cinco anos para fazer fotografias de sua invenção, aplicadas à porcelana, vidro opalino e marfim. Ele havia pedido 20 anos (Jornal do Commercio, 19 de dezembro de 1867, na quinta coluna ).

1868 - O privilégio foi suspenso, impugnado por Carneiro & Gaspar (Jornal do Commercio, 1° de abril de 1868, na sexta coluna).

Na loja do sr. Bernasconi, estavam expostos retratos de dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, de autoria de Insley Pacheco (Diário do Rio de Janeiro, 5 de abril de 1868, na coluna “Folhetim”).

1870 - Insley Pacheco foi cumprimentar dom Pedro II (Diário do Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1870, na terceira coluna).

Foi eleito conselheiro da Sociedade Propagadora das Belas Artes (Dezesseis de Julho, de 1870).

1871 -  Insley Pacheco foi cumprimentar dom Pedro II (Diário do Rio de Janeiro, 27 de março de 1871, na sexta coluna).

1872 – Insley Pacheco foi cumprimentar dom Pedro II (Diário do Rio de Janeiro1º de agosto de 1872, na segunda coluna).

Elogio aos trabalhos expostos no estabelecimento de Insley Pacheco (A Reforma, 25 de setembro de 1872, na quinta coluna).

1873 - Na Terceira Exposição Nacional, participou com pinturas a guache e pastel (fotopinturas) e com paisagens a óleo. Ganhou medalhas de prata e de cobre (Diário do Rio de Janeiro, 13 de março de 1873, na segunda coluna).

Na Exposição Universal de Viena, Insley recebeu uma menção honrosa no grupo das Artes Gráficas (Diário de São Paulo, 13 de setembro de 1873, na quinta coluna)

1874 - O Ministério do Império, com o decreto 5613, de 25 de abril, “concedeu privilégio de cinco anos a Joaquim Insley Pacheco, para fazer fotografias de sua invenção, aplicadas à porcelana, vidro opalino e marfim” (Diário do Rio de Janeiro, 15 de maio de 1874, na última coluna).

Anúncio do ateliê de Insley, já na rua do Ouvidor, 102 (A Vida Fluminense, 3 de julho de 1875, na terceira coluna).

1875 – Foi premiado com medalha de prata e menção honrosa na Terceira Exposição Nacional de 1873 (A Reforma, 12 de janeiro de 1875, nas primeiras e segunda colunas).

Insley Pacheco agradeceu à perícia do capitão Marques Sobrinho no combate a três incêndios ocorridos na rua dos Ourives (Diário do Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1875, na sexta coluna).

No Despertador de 26 de novembro de 1875, transcrição de matéria do jornal O Globo de 13 de novembro do mesmo ano sobre a participação do Brasil na Exposição Internacional de Santiago, mencionando Insley Pacheco.

Participou da Quarta Exposição Nacional de 1875 com desenhos e pinturas e foi premiado com a medalha de mérito (Diário do Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1876, na segunda coluna).

1876 - Elogio às pinturas de paisagens de autoria de Insley Pacheco expostas na Exposição Internacional de Santiago, no Chile (Diário de Maranhão, 13 de janeiro de 1876, sob o título “O Brasil na exposição de Santiago”).

Insley Pacheco recebeu uma medalha na Exposição Universal da Filadélfia por suas fotografias (O Liberal do Pará, 28 de novembro de 1876, na segunda coluna e Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1876, na sexta coluna).

1877 -  A casa de Insley Pacheco foi atingida por um temporal ocorrido em setembro. Sua esposa, Elvira Laura Garcia Pacheco (c. 1831 – 1877) estava “gravemente enferma (Diário do Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1877, na última colunaO Despertador, 23 de outubro de 1877, na quarta coluna). Ela faleceu de tuberculose, depois de “longos e dolorosos sofrimentos”, em 24 de outubro (Revista Ilustrada, 27 de outubro de 1877 e Diário do Rio de Janeiro, 27 de outubro de 1877, na quarta coluna).

1882 - Suas fotografias foram premiadas na Exposição Continental de Buenos Aires.

1883 - Em 18 de outubro, dom Pedro II visitou a exposição de pinturas de Arsênio da Silva (1833 – 1883), no estabelecimento de Insley Pacheco.

1884 - Insley Pacheco anunciou melhoramentos em seu estúdio fotográfico com a introdução da platinotipia, mencionando que Marc Ferrez (1843 – 1923) também já fazia uso da nova técnica (Jornal do Recife, 11 de maio de 1884, na terceira coluna).

Foi anunciada a exposição do artista plástico Firmino Monteiro (1855 – 1888) no ateliê de Insley Pacheco (Jornal do Recife, 3 de junho de 1884, na sexta coluna).

1885 a 1897 – Entre esses anos, o estabelecimento já pertencia à sociedade Joaquim Insley Pacheco & Filho.

1888 - Em seu estúdio, realizou-se a primeira exposição individual do artista plástico Pedro Weingartner (1853 – 1929).

1891 - Seu ateliê continuava localizado em um sobrado na rua do Ouvidor, 102 (Almanak Laemmert, 1891).

A neta de Insley Pacheco, Maria, faleceu (O Paiz, 18 de janeiro de 1891, na quarta coluna).

No salão nobre do Teatro São Pedro de Alcântara, participou do banquete oferecido por jornalistas e homens das letras ao corpo docente da Escola de Belas Artes para comemorar a inauguração de seus “trabalhos letivos” (Gazeta de Notícias, 17 de junho, na primeira coluna).

1892 - No ateliê de Insley Pacheco, exposição de quadros do artista alemão Breno Treidler (1857 – 1931) (O Tempo, 23 de janeiro de 1892, na última coluna, sob o título “Cabriolas”).

Em torno desse ano, na folha de proteção sobreposta às suas fotografias, Insley Pacheco identificava-se como “Photographo e pintor. Cavaleiro da Real Ordem de Cristo. Premiado com a Menção de Honra nas exposições de Vienna e mais 16 medalhas nas exposições de Philadelphia, Porto, Brazil, Chile, Buenos Aires e Chicago. Novo sistema de platinotipia – Rua dos Ourives, 38 – Rio de Janeiro”.

1893 - Com fotografias e pinturas a óleo, Insley participou da Exposição Universal Colombiana de Chicago, que aconteceu em 1893 para celebrar os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo (1451 – 1506) ao Novo Mundo, em 1492 (Gazeta de Notícias, 19 de janeiro de 1893, na última coluna).

Comentário sobre um quadro do pintor espanhol Fortuny (1838 – 1874), de propriedade de Insley (Gazeta de Notícias, 13 de março de 1893, na terceira coluna).

Seu filho, Joaquim Insley Pacheco Junior, casou-se em São João del Rei com Elvira de Oliveira Coelho (O Paiz, 16 de maio de 1893, na última coluna).

1895 – Seu filho, o engenheiro Alfredo Henrique Pacheco (? – 1895), faleceu. Ele era membro do Club de Engenheiros Civis de Londres e trabalhava no 2º distrito de obras públicas do Rio de Janeiro (O Paiz, 16 de fevereiro de 1895, na primeira coluna).

O estabelecimento de Insley Pacheco foi roubado (O Paiz, 10 de dezembro de 1895, na penúltima coluna).

1896 - Seu estabelecimento ficava no endereço Ourives, 40, no segundo andar (Almanak Laemmert, 1896).

Os pintores Augusto Petit (1844 – 1927), Madruga Filho (1882 – 1951) e Isnley pacheco receberam a terceira medalha na Exposição Geral de Belas Artes (Minas Gerais, 10 de outubro de 1896, na última coluna).

Inauguração do Club dos Repórteres em 12 de outubro. Em uma das salas havia uma pintura de Insley (Jornal do Commercio, 14 de outubro, na quarta coluna).

1897 - No “toucador principal” do Palácio do Catete, o novo palácio do governo no Rio de Janeiro, que seria inaugurado em poucos dias, havia uma aquarela de Insley Pacheco (Diário de Pernambuco, 6 de março de 1897, na terceira coluna).

1898 - O endereço de seu estabelecimento era Ourives, 38, 2º andar (Almanak Laemmert, 1898).

Participou da Exposição Retrospectiva do Centro Artístico com um guache de Arsenio Silva (1833 – 1883), uma marinha de Edoardo De Martino (1838 – 1912) , uma paisagem de Henri Langerock (1830 – 1915) e miniaturas de Thomaz da Costa Guimarães. O Centro Artístico, associação de jornalistas e literatos, criada em 1897,  tinha como objetivo a promoção da arte brasileira. A exposição, realizada durante o mês de julho, na Escola Nacional de Belas Artes, foi o primeiro evento organizado pela associação. Reuniu um grande número de objetos de arte, cedidos por proprietários e colecionadores (A Notícia, 28 e 29 de julho de 1898, na quarta coluna e 12 e 13 de agosto de 1898).

Participou com 37 quadros da 5ª Exposição Geral de Belas Artes (Gazeta da Tarde, 1º de setembro de 1898, na penúltima coluna).

1899 - Algumas vezes ao longo desse ano, foram publicados o anúncio: “Retratos – Admiráveis pelo novíssimo processo a platina, unicamente feitos por Insley Pacheco a rua do Ourives n.38 (Jornal do Commercio, 17 de janeiro de 1899, na sexta coluna).

Insley Pacheco, Marc Ferrez (1843 – 1923) e José Ferreira Guimarães (1841 – 1924) foram nomeados para formar a comissão de propaganda da classe de fotografia da Exposição do Quarto Centenário do Brasil, em 1900, promovida pela Sociedade Propagadora das Belas Artes (A Imprensa, 31 de outubro de 1899, na quarta coluna).

Insley Pacheco estava presente na cerimônia de exéquias mandada celebrar pelos alunos da Escola de Belas Artes pelo pintor Almeida Júnior (1850 – 1899), realizada na matriz da Candelária (Jornal do Commercio, 23 de novembro de 1899, na quinta coluna).

1901 - Insley Pacheco foi um dos jurados do 2º concurso entre fotógrafos amadores, promovido pela “afamada fotografia Leterre”. Os outros jurados foram o escultor Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931), diretor da Escola Nacional de Belas Artes, e o artista Hilário Teixeira (A Imprensa, 2 de março de 1901, na terceira coluna).

Insley Pacheco exibiu uma fotografia “em estereoscópio, reprodução em cores naturais de um vaso de flores , obtida por um processo inteiramente novo, ao que se diz superior ao de Lippman e de outros…A propósito desse processo de fotografia foi apresentado pelos seus inventores A.L. Lumière, um interessante relatório” (Jornal do Brasil, 7 de março de 1901,na terceira coluna).

Insley estava presente na inauguração da quinta exposição de paisagens de Antônio Parreiras ( 1860 – 1937)(O Fluminense, 12 de março de 1901, na segunda coluna).

Insley Pacheco foi um dos jurados do 3º concurso entre fotógrafos amadores, promovido pela fotografia Leterre, ocorrido no dia 3 de agosto de 1901. Os outros jurados foram o escultor Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931), diretor da Escola Nacional de Belas Artes, e o artista Hilário Teixeira (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1901, na terceira coluna).

Estava presente na Central do Brasil durante o embarque do presidente Prudente de Morais (1841 – 1902) para São Paulo (Jornal do Brasil, 30 de outubro de 1901, na terceira coluna).

1902 – Publicação de um artigo em resposta a um artigo publicado em 5 de abril na Gazeta do Commercio, em Porto Alegre, que relatava que durante uma reunião do Sploro Photo-Club haviam sido feitos protestos contra um artigo publicado pela revista parisiense Photographie Française, de janeiro de 1902, e também protestos contra o fotógrafo sr. A. Leterre, acusado de prejudicar os fotógrafos amadores do Rio Grande nos concursos que promovia. O artigo intitulado “Artigo Infamante – Aos Amadores de Fotografia no Brasil – Aos profissionais e a meus clientes e amigos “, era de autoria de A. Laterre e nele Insley Pacheco, um dos juízes dos concursos, era mencionado (Jornal do Brasil, 20 de abril de 1902).

Integrou a Exposição Geral de Belas Artes com 60 quadros (A Notícia, 30 e 31 de agosto de 1902, na última coluna). Alguns de seus quadros foram adquiridos pelo Barão Sampaio Vianna (O Paiz, 5 de setembro de 1902, na penúltima coluna). Foi um dos participantes da festa dos artistas da exposição, realizada no restaurante do Silvestre (A Notícia, 12 e 13 de setembro de 1902, na quinta coluna, sob o título “Festa entre artistas”).

Insley Pacheco foi à delegacia dar queixa sobre o não pagamento de uma dívida a seu filho Insley Pacheco Júnior pelo estabelecimento Jupiter Almeida & Comp (O Pharol, 12 de outubro de 1902, na penúltima coluna).

Foi um dos organizadores do Rancho das Reisadas (Gazeta de Notícias, 25 de dezembro de 1902).

1903 - Publicação de um daguerreótipo de Ludovina Soares da Costa, “primeira dama trágica do teatro brasileiro”, produzido em 1860 por Insley Pacheco (Brasil-Theatro, 1903).

Em São João del Rei, faleceu a neta de Insley Pacheco, Maria de Lourdes, filha de Joaquim Insley Pacheco Junior (Correio Paulistano, 31 de janeiro de 1903, na segunda coluna).

Ao longo de abril e maio de 1903, foram publicadas quatro colunas no Correio da Manhã, intituladas “Artistas do meu Tempo” – Carlos Kornis e Insley Pacheco, de autoria de Mello Moraes Filho.

Em uma reunião de artistas, promovida pelo pintor Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), na Escola de Belas Artes, foi fundada a Associação de Aquarelistas e Insley foi eleito para presidi-la. A primeira exposição da associação foi inaugurada em 1º de julho e Insley participou com oito marinhas (A Notícia, 24 e 25 de abril de 1903, na terceira coluna e Jornal do Brasil, 2 de julho de 1903, na oitava coluna).

Na matéria “Problema histórico” sobre o motivo de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746 – 1792), sempre ser representado com a fisionomia de Jesus Cristo, seu autor, Carlos Laet (1847 – 1927), afirmou que Insley Pacheco era responsável pelo fato. Uma das duas filhas de Insley estava copiando uma estampa da coleção Julien de uma cabeça de Cristo quando o estatuário Cândido Caetano de Almeida Reis (1838 – 1889) chegou para uma visita. Durante sua conversa com Insley, mencionou que haviam lhe feito uma encomenda de um busto de Tiradentes e ele não havia encontrado nenhuma representação em que ele pudesse se basear. Foi então que Insley ofertou a ele o desenho de sua filha (Jornal do Brasil, 20 de julho de 1903, na primeira coluna, sob o título “Problema histórico”).

1904 - Participou da Exposição Universal de Saint Louis, realizada entre 30 de abril e 1º de dezembro de 1904, em conjunto com os III Jogos Olímpicos, e obteve a medalha de ouro em fotografia e a de bronze na seção de arte (Almanak Laemmert, 1905).

Insley inaugurou uma exposição de seus últimos trabalhos, em seu ateliê, na rua dos Ourives, 38 (Correio da Manhã, 15 de maio de 1904, na segunda coluna).

O Barão de Rio Branco (1845 – 1912), na época ministro das Relações Exteriores do Brasil, adquiriu uma paisagem de Insley Pacheco, exposta no Club Petrópolis (Correio da Manhã, 24 de março de 1904, na quarta coluna).

A segunda exposição da Associação de Aquarelistas foi realizada na casa 70 da rua Gonçalves Dias e Insley apresentou quatro aquarelas a guache (A Notícia, 15 e 16 de junho de 1904, na segunda coluna).

Em 7 de setembro, reabriu seu ateliê na rua do Ouvidor esquina com Gonçalves Dias (Correio da Manhã, 7 de setembro de 1904, na penúltima coluna).

Participou da Exposição da Escola Nacional de Belas Artes de 1904 com 15 guaches (O Tagarela, 15 de setembro de 1904 e O Paiz, 25 de setembro de 1904, na primeira coluna).

1905 - O estabelecimento de Insley Pacheco ficava na rua do Ouvidor, 124, esquina com Gonçalves Dias, 70 (Almanak Laemmert, 1905).

Foi publicado que os participantes da Exposição de Saint Louis, ocorrida em 1904, podiam retirar os produtos enviados para o evento que lhes pertencessem (Jornal do Brasil, 6 de junho de 1905, na segunda coluna).

Foi noticiado que Insley Pacheco havia conseguido “em fotografia colorida um belo triunfo”  (Gazeta de Notícias, 11 de julho de 1905, na sexta coluna).

Foi um dos jurados da 2ª Exposição Artística do Photo Club (O Paiz, 26 de julho de 1905, na primeira coluna). Foi publicado um artigo de A. Leterre intitulado “Rapto de honra – Fotografia” sobre o resultado da 2ª Exposição Artística do Photo Club (Jornal do Brasil, 19 de agosto de 1905, nas penúltima e última colunas).

Nos “suntuosos salões” do Cassino Fluminense, realização de um baile, no qual Insley era um dos convidados (Jornal do Brasil, 22 de agosto de 1905, na terceira coluna).

1907 - No Palácio Monroe, em 2 de junho, foi realizada a entrega dos prêmios aos participantes brasileiros da Exposição Universal de Saint Louis, de 1904 (O Século, 3 de junho de 1907Relatórios do Ministério da Agricultura, 1908).

Participou da Exposição da Escola Nacional de Belas Artes (Jornal do Brasil, 31 de agosto de 1907, na sexta coluna).

1908 - Na Exposição Nacional de 1908, ganhou a medalha de prata na categoria de pintura e o grande prêmio de fotografia (Almanak Laemmert, 1909).

Insley Pacheco havia “iniciado um processo…para a impressão de clichês à tinta, processo esse que torna indelével a fotografia …” (O Paiz, 13 de outubro de 1908, nas quarta e quinta colunas).

1909 – Seu estabelecimento ficava na rua Gonçalves Dias, 74 (Almanak Laemmert, 1909).

Insley instalou em seu ateliê a tipocromia, “um novíssimo e interessante invento” (A Notícia, 6 e 7 de abril de 1909, nas quarta e quinta colunas , O Século, 7 de abril de 1909, na primeira coluna e O Paiz, 19 de maio de 1909, na segunda coluna).

Participou da Exposição de Belas Artes com uma coleção de guaches (O Paiz, 1º de setembro, na terceira coluna).

1910 - Pela última vez seu estabelecimento foi listado pelo Almanak Laemmert.

Participou da 17ª Exposição Geral de Belas Artes com guaches (A Imprensa, 29 de setembro de 1910).

O “comendador” Insley Pacheco estava presente ao desembarque do ex-diplomata português Camelo Lampreia, no Cais Pharoux (Gazeta de Notícias, 12 de março de 1911).

1912 - Notícia da morte e do enterro de Insley Pacheco, “o fotógrafo tradicional do Rio” (O Século, 15 de outubro de 1912, na sexta colunaJornal do Brasil, 15 de outubro de 1912, na sétima coluna , O Paiz, 16 de outubro de 1912, ambos na penúltima coluna e O Século, 21 de outubro de 1912).

1936 - Na revista O Malho, de 3 de setembro de 1936, Insley Pacheco foi o biografado da coluna “Figuras do Passado”.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

ERMAKOFF , George. Rio de Janeiro 1840 – 1900 – Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.

FERREZ, Gilberto. A Fotografia no Brasil: 1840-1900 / Gilberto Ferrez; [prefácio por Pedro Vasquez] – 2ª ed. – Rio de Janeiro: FUNARTE: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

GONÇALVES, Joaquim Castro. O fotógrafo do imperador. O Castro Manco, 9 de fevereiro de 2016.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

MORAES FILHO, Melo. Artistas do meu tempo. Rio de Janeiro: Garnier, 1904.

Site da Encilopédia Itaú Cultural

Site O Castro Manco

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil. Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro, 1995.

A Brasiliana Fotográfica também pesquisou em diversos periódicos na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

O Palácio Real de São Cristóvão

 

A Brasiliana destacou fotografias do Palácio Real de São Cristóvão produzidas por  Augusto Malta (1864 – 1957), Augusto Stahl (1828 – 1877), Georges Leuzinger (1813 – 1892), Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912)Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) . O Palácio Real ou Paço Real, localizado no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, havia sido um casarão de um rico comerciante, o traficante de escravos Elias Antônio Lopes, que possuía a área da Quinta da Boa Vista. Devido à carência de espaços residenciais no Rio de Janeiro, Elias doou sua propriedade ao então príncipe regente dom João quando ele chegou ao Brasil, em 1808. A partir de 1817, transformou-se na moradia da família real até 1889, quando foi proclamada a República no Brasil e a família partiu para Portugal (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna). Após a proclamação, o palácio sediou os trabalhos da Assembleia Nacional que resultaram na Constituição Brasileira promulgada em 24 de fevereiro de 1891 (Gazeta de Notícias, 25 de fevereiro de 1891, na primeira coluna). Em 1892, o Museu Nacional do Brasil, criado em 6 de junho de 1818 por dom João VI e sediado no Campo de Santana, mudou-se para o Palácio da Quinta (O Paiz, 13 de março de 1892, na terceira coluna). Hoje é chamado Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Acessando o link para as fotografias do Palácio Imperial de São Cristóvão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Link para a página “Redescobrindo a casa do imperador”, no site do Museu Nacional.

A viagem dos reis da Bélgica ao Brasil sob as lentes de Guilherme Santos

Nesse segundo post sobre a viagem dos reis da Bélgica ao Brasil em 1920, a Brasiliana Fotográfica conta um pouco dessa história e disponibiliza para seu leitores fotografias do acontecimento produzidas pelo fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966), guardadas no acervo do Instituto Moreira Salles. No primeiro post sobre o assunto, “Viagens do encouraçado São Paulo conduzindo os reis belgas em visita oficial ao Brasil“, publicado no último dia 19, foram destacadas as imagens da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.

A visita do rei Alberto I da Bélgica (1875 – 1934) ao Brasil, entre 19 de setembro e 15 de outubro de 1920, foi a primeira realizada por uma monarca europeu à América do Sul (A Noite, 2 de junho de 1920). Ele veio acompanhado de sua esposa, a rainha Elisabeth (1876 – 1965), e o filho do casal, o príncipe Leopoldo (1901 – 1983), futuro rei Leopoldo III, juntou-se a eles no princípio de outubro. Durante sua estadia no país, o casal real foi sempre aclamado pela população e os jornais comumente referiam-se ao soberano como o “rei herói” ou o “rei soldado”, devido à sua atuação na Primeira Guerra Mundial (Jornal do Brasil, 8 de abril de 1920).

Em artigo assinado pelo jornalista e escritor Gilberto Amado (1887 – 1969) foi ressaltada a capacidade do “grande rei católico” de conciliar em sua pessoa “o espírito democrático do nosso tempo com as tradições da velha casa dinástica” e sua visita ao Brasil seria, então, “um extraordinário acontecimento que representa uma honra para o Brasil e uma glória para o governo que o propicia” e uma oportunidade para o povo brasileiro “aclamar uma das mais belas figuras morais do mundo moderno” (O Paiz, 14 de junho de 1920). Segundo o primeiro-ministro belga, Léon Delacroix (1867 – 1929), a viagem teria como consequência uma estreita aproximação comercial entre os dois países (O Paiz, 4 de setembro de 1920). De fato, um dos frutos da viagem foi a criação da Companhia Belgo Mineira, em 1921.

O convite formal para a viagem dos reis da Bélgica foi feito pelo delegado do Brasil na Conferência de Versalhes, em 1919, Epitácio Pessoa. Foi precedida por vários preparativos como a reforma do Palácio da Guanabara (O Paiz, 27 de abril de 1920), o restabelecimento da Ordem do Cruzeiro – criada por Dom Pedro I, em 1822, e extinta com a proclamação da República (Gazeta de Notícias, 15 de junho de 1920) – , e a criação de um protocolo para recebê-los. Vários eventos foram programados para recepcionar os reis, desde festas públicas a jantares protocolares e visitas a instituições como ao Jardim Botânico e ao Instituto Oswaldo Cruz. Os soberanos também foram a São Paulo e a Minas Gerais.

Acessando o link para as fotografias da viagem dos reis da Bélgica ao Brasil em 1920, de autoria de Guilherme Santos e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Reveja as fotografias do encouraçado São Paulo e de outros aspectos da viagem dos reis da Bélgica ao Brasil em 1920, do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha publicadas no post do dia 19 de setembro, Viagens do Encouraçado São Paulo conduzindo os reis belgas em visita oficial ao Brasil.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Cronologia da viagem dos reis da Bélgica ao Brasil em 1920

 

19/09 – Chegada dos reis da Bélgica, Alberto I e Elisabeth, ao Rio de Janeiro, a bordo do encouraçado São Paulo. Desembarcaram no cais Mauá e a população os  recebeu de forma “apoteótica”. Seguiram com o presidente da República, Epitácio Pessoa (1865 – 1942), pela avenida Rio Branco, até o Palácio Guanabara, onde alunas do Instituto Nacional de Música e do Liceu Francês cantaram o hino da Bélgica, La Brabançonne. Na avenida Rio Branco, senhoritas da Cruz Vermelha venderam mais de 3500 edelweiss e 1500 laços com as cores da Bélgica em favor da Cruzada Nacional contra a Tuberculose. Às 18h, realização do círculo diplomático, quando os reis foram apresentados a vários embaixadores. O casal real chegou ao Palácio do Catete, às 17:35, para a visita protocolar ao presidente da República. Voltaram para o Palácio da Guanabara e, à noite, foram a um jantar íntimo no Palácio do Catete. Estavam presentes além dos reis, do presidente e da primeira-dama, a senhorita Laurita Pessoa e a condessa de Chimay (Correio da Manhã, 20 de setembro de 1920).

20/09 – Às 11h, no Palácio da Guanabara, os reis da Bélgica receberam os representantes do Congresso Nacional e outras autoridades. Às 15h, o rei Alberto I foi recebido no Palácio Monroe, para onde foi acompanhado pelo presidente da República. Foi saudado pelo presidente do Senado, Antonio Azeredo (1861 – 1936), e pelo presidente da Câmara, Bueno Brandão (1858 – 1931). Às 16h, seguiu então para o Supremo Tribunal Federal. Foi saudado pelo ministro André Cavalcanti (1834 – 1927). À noite, realização de um banquete para os reis no Palácio do Catete (O Paiz, 21 de setembro de 1920).

21/09 – Pela manhã, o rei Alberto I foi tomar um banho de mar em Copacabana. Depois deu uma volta de carro pelo Centro, pela Glória e por outros pontos da cidade. Visitou a igreja da Candelária. A rainha Elisabeth também foi tomar um banho de mar em Copacabana. À tarde, em companhia do presidente da República e da primeira-dama, o casal real foi visitar a Escola Nacional de Belas Artes e o Instituto Histórico e Geográfico (O Paiz, 22 de setembro de 1920).

 

22/09 - Pela manhã, em horários diferentes, o rei e a rainha voltaram a Copacabana onde tomaram um banho de mar. O rei, depois, passeou pelo bairro. À tarde, o rei Alberto I foi ao Segundo Regimento da Cavalaria, onde montou a cavalo. Depois, a rainha Elisabeth chegou em companhia de Epitácio Pessoa. Foi realizada uma parada militar, quando o rei passou em revista as tropas, tendo sido aclamado pela multidão que assistia ao cortejo. À noite, foram ao Corcovado (O Paiz, 23 de setembro de 1920).

23/09 – Às 11h, os reis receberam no prédio da legação da Bélgica, em Botafogo, os membros da colônia belga residentes no Rio de Janeiro. Foi oferecido um cheque de 50 mil francos para as obras de caridade da rainha. Dois pescadores portugueses ofereceram ao casal um cherne de cerca dede 80 quilos. Acompanhados pelo ministro da Bélgica, uma comissão dos presidentes das associações francesas do Rio de Janeiro visitaram a rainha e ofertaram um cheque de 25 mil francos para a Obra de Beneficência Belga. À tarde, o rei foi visitar o Colégio Militar em companhia de Epitácio Pessoa. Foram recebidos pelo ministro da Guerra. Os alunos jogaram pétalas de rosas no rei. Suas majestades visitaram o Pão de Açúcar, onde foi servido um chá.  À noite, no salão nobre do Club dos Diários, realização de uma solenidade promovida pelas associações científicas e literárias em homenagem aos reis. Foram saudados pelo barão Ramiz Galvão (1846 – 1938), presidente do Conselho Superior de Ensino e reitor da Universidade, após ouvirem a protofonia do “O Guarany”. O presidente do Instituto Histórico e Nacional, Afonso Celso (1860 – 1938), ofereceu a sua majestade o título de presidente honorário da mencionada instituição. O rei Alberto I condecorou o sr. Ramiz Galvão com a Ordem de Leopoldo II (O Paiz, 24 de setembro de 1920). A congregação dos professores da Academia de Comércio do Rio de Janeiro, por proposta de seu diretor, Cândido Mendes de Almeida (1866 – 1939), aclamou o rei Alberto I professor honoris causa da instituição (O Paiz, 26 de setembro de 1920).

24/09 – O rei começou o dia com o usual banho de mar em Copacabana. Depois, a bordo de uma lancha, passeou pela baía de Guanabara. A rainha ficou no Palácio da Guanabara lendo sua correspondência. O rei foi, ainda pela manhã, passear pela Floresta da Tijuca. Almoçou com sua comitiva no Hotel do Itamaraty. Uma curiosidade: o rei apreciou muito o bacalhau à brasileira, um dos pratos servidos, que chegou a repetir. Continuou então o passeio, escalou o Pico da Tijuca e ficou entusiasmado com a beleza da natureza. Chegou ao Palácio da Guanabara, às 18h. O major Mario Coutinho, intendente do palácio do governo, e vários oficiais do encouraçado São Paulo foram condecorados pelo rei Alberto I com o oficialato do rei Leopoldo II. Noticiou-se que as negociações para a reabertura da Câmara de Comércio Belgo Brasileira estavam intensificadas. Em Bruxelas, foi aceita a proposta para a criação da cátedra de português na Universidade da Bélgica. Nos cinemas da capital da Bélgica, foram projetados filmes sobre o Brasil (O Paiz, 25 de setembro de 1920).

25/09 – O rei começou o dia com o usual banho de mar em Copacabana. No meio da manhã, foi para o Derby Club, onde a colônia belga havia preparado uma recepção para o soberano. Às 14h, Alberto I foi com o presidente Epitácio Pessoa visitar o Instituto Oswaldo Cruz. Foram recebidos pelo doutor Carlos Chagas (1879 – 1934) e seus assistentes. Às 17h, a rainha Elisabeth foi visitar o Museu Nacional, tendo sido recebida pelo professor Bruno Lobo (1884 – 1945), diretor da instituição, que a presentou com um livro contendo os arquivos do museu ”ricamente encadernado”. O ministro da Marinha, Raul Soares (1877 – 1924), foi convidado para o almoço que os reis ofereceram no dia 26 na legação da Bélgica. O casal real foi visitado, no Palácio da Guanabara, por Max Fleuiss (1868 – 1943), Carlos de Laet (1847 – 1927), Ramiz Galvão (1846 -1938) e por Fontoura Xavier (1856 – 1922), embaixador do Brasil em Londres. A imprensa belga elogiou o Brasil e os brasileiros pela acolhida a seus soberanos (O Paiz, 26 de setembro de 1920).

26/09 - Apesar da chuva, os soberanos iniciaram o dia com um banho de mar em Copacabana. O rei foi seguido pelas senhoritas Zoraida Cavalcanti e Angelina Cock. Em seu passeio até o Leme, foi presenteado por uma caixa de charutos pela baiana Alva Leoni, filha do deputado baiano Arlindo Leoni (1869 – 1936). Às 9 horas, o casal assistiu à missa solene realizada no Palácio São Joaquim pelo cardeal Arcoverde (1850 – 1930). Almoçaram no Palácio da Guanabara, onde foram visitados por Hilário de Gouveia (1843 – 1923), sr. e sra. Bento Oswaldo Cruz, e pelo senador Irineu Machado (1872 – 1942). Moradores da estação do Encantado mandaram uma carta para o diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil pedindo que o nome da estação fosse mudado para Sua Majestade Elisabeth. Com a presença de Epitácio Pessoa e do casal real, realização no Derby Club de um páreo com o nome de Alberto I (O Paiz, 27 de setembro de 1920). Cerca de 35 mil pessoas compareceram ao estádio do Fluminense para participar da homenagem aos reis belgas. Segundo a imprensa: “foi uma apoteose sem igual!”. Cerca de 1500 jogadores de futebol, dos clubes da Liga Metropolitana, desfilaram para o casal real. Realizou-se uma partida de futebol entre os times da zona norte e da zona sul da Liga Metropolitana. A zona sul venceu por 3 a 0 (O Paiz, 27 de setembro de 1920).

27/09 – O soberano belga começou o dia com seu habitual banho de mar em Copacabana. Às 11:15, o rei recebeu no Palácio da Guanabara a imprensa brasileira. Saudou os jornalistas e Raul Pederneiras (1874 – 1953), presidente da Associação de Imprensa, apresentou a ele cada diretor de jornal presente à cerimônia. Na sede da legação da Bélgica, na praia de Botafogo, o rei Alberto ofereceu um almoço ao presidente da República, Epitácio Pessoa. Depois foram juntos, acompanhados pelo prefeito do Rio, Carlos Sampaio (1861 – 1930), e por outras autoridades dar um longo passeio pela Tijuca. Voltaram pela Gávea e o rei inaugurou oficialmente a avenida Niemeyer. A rainha Elisabeth visitou o Instituto de Manguinhos. À noite, jantaram no Palácio da Guanabara (O Paiz, 28 de setembro de 1920).

28/09 –  Os reis belgas e a comitiva real foram para Teresópolis em companhia de Epitácio Pessoa e outras autoridades. Seguiram no vapor Presidente até a estação Piedade, onde passaram para um trem especial da Estrada de Ferro Teresópolis. O casal real ficou hospedado no palacete do sr. Sloper. Almoçaram no bosque da Caixa d´Água e depois visitaram o salto do Imbuhy e o bosque da residência do comendador Gonçalo de Castro. Jantaram na Villa Sloper  e foram saudados com um show de fogos de artifício (O Paiz, 29 de setembro de 1920).

29/09 – O grupo partiu pela manhã para Petrópolis, onde hospedou-se na residência da sra. Franklin Sampaio. Almoçaram no Palácio da Prefeitura e depois visitaram o Colégio São Vicente de Paula. Chegaram ao Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro, depois das 20h (O Paiz, 30 de setembro de 1920).

30/09 –  Após trocar de roupa no palacete Mackenzie, o rei Alberto tomou seu habitual banho de mar em Copacabana. A rainha Elisabeth foi visitar o Jardim Botânico e o rei Alberto foi ao reservatório do Trapicheiro, na Fábrica das Chitas. Também percorreu a Floresta do Andaraí. O casal real almoçou no Palácio da Guanabara. O rei Alberto recebeu em audiência especial brasileiros que haviam cursado universidades belgas. À tarde, o soberano visitou o Jardim Botânico, onde a pedido do diretor da instituição, Pacheco Leão, plantou uma árvore. A rainha Elisabeth recebeu um donativo das senhoras da Cruz Vermelha. O governo brasileiro ofereceu ao soberanos uma garden party nos jardins do Palácio do Catete, a partir das 16:30. Foram apresentados vários bailados executados pela companhia Bonetti. Os soberanos se retiraram às 19h. Foram ao Teatro Municipal onde foi realizado um concerto de gala em homenagem ao casal, sob a regência dos maestros Francisco Braga (1868 – 1945), Elpidio Pereira (1872 – 1961), Octaviano Gonçalves (1892 – 1962) e de Villa-Lobos (1887 – 1959). Depois do espetáculo, o rei foi passear na Tijuca, subindo pela Gávea, de onde retornou por volta das duas horas da madrugada (O Paiz, 1º de outubro de 1920).

01/10 – Para “encanto” da população, os reis belgas percorreram ruas do centro do Rio de Janeiro. Após o almoço, o soberano visitou a brigada policial. A rainha Elisabeth voltou ao Jardim Botânico. A congregação da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro decidiu dar o título de doutor honoris causa para o rei Alberto da Bélgica. Às 19:10, o casal real embarcou para Belo Horizonte, em Minas Gerais. O comboio real partiu da Estação Central do Brasil. Como de hábito, a comitiva real foi aclamada pela população. O filho dos reis belgas, o príncipe Leopoldo (1901 – 1983), futuro Leopoldo III, rei da Bélgica, chegou no Recife, a bordo do transatlântico belga Pays de Waes (O Paiz, 2 de outubro de 1920).

02/10 –  A chegada dos soberanos a Belo Horizonte foi marcada pela aclamação popular. Epitácio Pessoa, outras autoridades e a comitiva real também foram para a capital mineira. Recebidos por Artur Bernardes (1875 1955), governador de Minas Gerais, ficaram hospedados no Palácio da Liberdade, para onde foram após o cortejo pela cidade. Almoçaram no palácio e depois visitaram Artur Bernardes. Receberam diversas autoridades e depois, em companhia de Epitácio Pessoa e sua mulher, foram visitar o Conselho Deliberativo e o Tribunal da Relação. Na Praça da Liberdade, alunos de escolas públicas cantaram o hino belga. Foi noticiado que o rei havia recebido o título de “Cidadão Carioca” (O Paiz, 3 de outubro de 1920).

Link para imagens da visita do Rei Alberto I a Belo Horizonte.

03/10 -   Às 9:00, o rei Alberto, acompanhado por Epitácio Pessoa e Artur Bernardes , visitou o quartel da força pública de Belo Horizonte. Às 10:30, em companhia da rainha Elisabeth, assistiu à missa no Colégio de Santa Maria das Irmãs Dominicanas, celebrada pelo abade Nols.  Almoçaram no palacete Afonso Penna. Os reis visitaram a Lagoa Santa. A Assembleia Legislativa do estado de Mato Grosso fez uma sessão em homenagem aos reis. O príncipe Leopoldo desembarcou em Salvador, onde foi recebido pelo cônsul belga e por representantes do governador da Bahia. Às 13:30, o transatlântico zarpou com destino ao Rio de Janeiro (O Paiz, 4 de outubro de 1920).

04/10 - Às 8 horas, o grupo seguiu para São Paulo de trem. No caminho, visitou a mineração de ouro em Morro Velho, em Vila Nova de Lima. Foram recebidos na residência do superintendente da companhia, Dr. Chalmers, onde foi servido um café da manhã e, mais tarde, um almoço. Às 16h, seguiram para Raposos, onde se despediram do governador de Minas e de outras autoridades do governo mineiro (O Paiz, 5 de outubro de 1920).

05/10 - O comboio real chegou em Rezende, às 10:40, e foi recebido pelo prefeito da cidade, o Dr. Cotrim Filho. Chegou na Estação da Luz, em São Paulo, às 19:20h, onde foi recebido pelo governador do estado, Washington Luiz (1869 – 1957), e por outras autoridades, em meio a uma grande aclamação popular. Foram executados os hinos do Brasil e da Bélgica e os soberanos seguiram em um cortejo até a Chácara do Carvalho, onde ficaram hospedados. Na entrada da chácara estava escrito: Gloire a vous Albert Premier, vainqueur de la bataille de Flandres, personification de l´honneur devant les générations. Foram recebidos pelo prefeito de São Paulo, Firmiano de Moraes Pinto (1861 – 1938). O presidente da República ficou hospedado no palacete Martinho Prado. No Tribunal do Juri, houve uma manifestação de “regojizo” pela visita dos soberanos a São Paulo. Chegada, às 20h, do príncipe Leopoldo ao Rio de Janeiro. Foi conduzido ao Palácio da Guanabara, onde ficou hospedado (O Paiz, 6 de outubro de 1920).

06/10 -  Às 9h, no Palácio dos Campos Elísios, o rei Alberto visitou Washington Luiz, a quem entregou o cordão da Ordem de Leopoldo II. Às 10h, os soberanos assistiram, na avenida Tiradentes, a uma parada e desfile da força pública. Visitaram a escola de educação física da força pública, onde foram saudados por uma pirâmide humana. À tarde, o rei foi visitar o Palácio das Indústrias e percorreu vários pontos da cidade (O Paiz, 7 de outubro de 1920). O príncipe Leopoldo visitou o Corcovado, o Pão de Açúcar e a Tijuca. Foi visitado pelo senador Antonio Azeredo e pelos senhores Honório e Álvaro Guimarães, com quem havia estudado na Inglaterra. Recebeu também diversos embaixadores e ministros (Gazeta de Notícias, 7 de outubro de 1920).

07/10 - O príncipe Leopoldo chegou a São Paulo com sua comitiva. Os reis belgas, o presidente da República, e membros de suas comitiva visitaram o Instituto Butantan. Voltaram para a Chácara do Carvalho onde receberam ex-alunos da Universidades de Liège, membros das colônias francesa e belga da capital e de Santos, além de uma comissão da imprensa. Os soberanos foram muito presenteados e a rainha Elisabeth determinou que todas as flores que ela havia recebido fossem distribuídas pelos hospitais de São Paulo. À tarde, visitaram em companhia de Washington Luiz, sua esposa e do príncipe Leopoldo, a Escola Normal, onde assistiram a um espetáculo musical e à uma demonstração de ginástica calistênica. Foram calorosamente saudados pelas alunas. Os soberanos se retiraram às 16:30 e voltaram para a Chácara do Carvalho. Às 19:30, partiram da Estação da Luz para a fazenda Guatapará. O comboio passou por Campinas e os soberanos jantaram em Rio Claro (O Paiz, 8 de outubro de 1920).

08 e 09/10 - Visita à Fazenda Guaratapá (O Paiz, 9 de outubro de 1920 e 10 de outubro de 1920).

10/10 – O rei Alberto iniciou o dia fazendo exercícios na piscina. Após o café da manhã, percorreu a propriedade em companhia do dr. Alves de Lima, diretor presidente da Companhia da Fazenda Guaratapá. No almoço só foram servidos pratos brasileiros. À tarde foi com Alves de Lima a Ribeirão Preto, onde assistiu a um jogo de futebol entre o Palestra e um clube local. Retornou por volta das 18h. A rainha Elisabeth e o príncipe Leopoldo , com a condessa Caraman Chimay e com o dr. Adolpho Lutz, fizeram um passeio de canoa pelo rio Mogi-Guaçu, onde pescaram e caçaram borboletas. Dois cinegrafistas da comitiva do rei fizeram um voo com o piloto Edu Chaves (O Paiz, 11 de outubro de 1920).

11/10 - O casal real, o príncipe Leopoldo e a comitiva voltaram a São Paulo. Chegaram na Estação da Luz por volta das 17:30 e seguiram para a Chácara do Carvalho. A Rainha Elisabeth foi então percorrer a avenida Paulista. De volta à chácara, ela, seu marido e seu filho passearam pelos jardins até a hora do jantar (O Paiz, 12 de outubro de 1920).

12/10 - O casal real, o príncipe Leopoldo e a comitiva visitaram a cidade de Santos, onde chegaram por volta das 12:10h. Seguiram em cortejo pela cidade, onde foram aclamados, e seguiram para o Parque Balneário, onde foi servido um banquete. À noite, partiram de São Paulo de volta ao Rio de Janeiro (O Paiz, 13 de outubro de 1920).

13/10 - Já no estado do Rio, na cidade de Pinheiros, os soberanos visitaram o Patronato de Menores e o Posto Zootécnico do governo federal. Chegaram ao Rio de Janeiro por volta das 16:30. Seguiram em cortejo para o Palácio da Guanabara. O casal foi nadar na praia de Copacabana, da onde retornaram por volta das 18:30 (O Paiz, 14 de outubro de 1920).

14/10 – Os reis foram ao Palácio do Catete, às 14h, de onde seguiram com o presidente da República e sua mulher para a Quinta da Boa Vista, onde assistiram à festa das crianças. Como lembrança da viagem ao Brasil, os reis belgas ofereceram ao presidente Epitácio Pessoa uma coleção de pratos de porcelana de Bruxelas com pinturas das principais cidades da Bélgica. À esposa de Epitácio Pessoa ofereceram um relógio pulseira e às filhas do casal pendentifs de platina e pedras preciosas. O presidente assinou um decreto dando cidadania brasileira ao rei Alberto e o tornando marechal do Exército nacional. Além disso, o decreto previa a construção de um monumento em homenagem à viagem dos belgas ao Brasil (O Paiz, 15 de outubro de 1920).

15/10 - Às 12h, o senador Rui Barbosa (1849 – 1923) chegou ao Palácio da Guanabara, onde almoçou com os soberanos belgas. À tarde, o rei visitou com o prefeito Carlos Sampaio o Campo de Santana. Foi presenteado com vários exemplares de palmeiras. Por ordem do presidente Epitácio Pessoa a legação da Bélgica foi elevada à categoria de embaixada. Os soberanos belgas receberam diversos presentes, dentre eles uma “rica e luxuosa encadernação de um volume da Constituição Brasileira e outra do Código Civil Brasileiro, acondicionada em uma bela caixa de veludo verde escuro guarnecida de ouro, tendo gravada na tampa as armas da República”, ofertada pelo diretor da Imprensa Nacional, sr. Castelo Branco. O casal presidencial jantou no Palácio da Guanabara com os reis belgas. Foi realizada na baía da praia de Botafogo a festa veneziana organizada pelo Conselho Municipal em homenagem aos reis da Bélgica, que compareceram com o príncipe Leopoldo e com Epitácio Pessoa e sua esposa. A festa teve a apresentação de um préstito de embarcações das sociedades de regatas associadas à Federação Brasileira das Sociedades de Remo, a execução de diversas músicas e fogos de artifício. A população lotou toda a enseada de Botafogo. Quando a festa terminou, os soberanos passearam pela enseada a bordo da lancha Internacional e se retiraram (O Paiz, 16 de outubro de 1920).

16/10 –  Às 10:30, o presidente Epitácio Pessoa e sua esposa, acompanhados de outras autoridades, chegaram ao Palácio da Guanabara, onde foram recebidos pelo casal real. Meia hora depois, o cortejo real partiu para a praça Mauá, passando pela rua Paissandu, e pelas avenidas Beira-Mar e Rio Branco. Foram aclamados por todo o trajeto, que contava com tropas de terra e de mar, sob o comando do general Luiz Barbedo. No cais Mauá, foram recebidos por várias autoridades. Embarcaram com o príncipe Leopoldo, com Epitácio Pessoa e sua esposa, e com mais algumas autoridades e membros de sua comitiva no galeão Dom João VI em direção ao encouraçado São Paulo. Demais membros da comitiva embarcaram na lancha Olga. Os soberanos foram recebidos no São Paulo pelo comandante Gomensoro e por toda a oficialidade. Foram para o salão de honra do navio, onde houve os últimos cumprimentos e a despedida. Às 14h, o encouraçado teve suas âncoras suspensas e iniciou a viagem de volta dos reis belgas (O Paiz, 17 de outubro de 1920).

Para a elaboração dessa cronologia, a Brasiliana Fotográfica consultou diversos periódicos da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

 

Viagens do Encouraçado São Paulo conduzindo os reis belgas em visita oficial ao Brasil, em 1920

CARLOS ANDRÉ LOPES DA SILVA*

Antes da difusão do avião, o principal meio de contato entre povos separados por grandes distâncias, os navios dominavam o transporte de passageiros, como ainda hoje prevalecem no transporte de carga. Neste contexto, era comum que chefes de estado e outros dignitários fossem conduzidos em viagens transoceânicas por navios de guerra como uma forma de demonstrar o poderio daquela nação mesmo para países com os quais mantinham boas relações.

Após a Primeira Guerra Mundial e durante um período marcado pela agitação política e crise econômica também no Brasil, o recém-eleito presidente Epitácio Pessoa pretendia elevar a precária posição do país no contexto internacional, percepção consolidada quando chefiou a delegação nacional na Conferência de Paz, em Versalhes. Foi lá que manteve contato com o soberano belga, Alberto I, apelidado de “rei soldado” por liderar, em campo de batalha, o exército de seu país contra a invasão alemã. O convite para uma visita oficial foi feito e logo aceito pelo monarca europeu, não sem despertar críticas dos que por aqui viam incoerência em uma ainda nova República se utilizar de um monarca para ampliar sua visibilidade internacional.

Para fornecer um transporte adequado à posição do rei belga e sua consorte, Rainha Elisabeth, o governo primeiro pretendeu utilizar um navio de transporte de passageiros de uma das companhias de navegação nacionais, claro, escoltado por um navio de guerra da Marinha do Brasil. Porém, a excelente impressão que teve o presidente da República quando inspecionou as acomodações do navio de escolta, o Encouraçado São Paulo, fez com que a missão de transporte do casal real recaísse naquele navio que acabara de retornar de uma modernização em estaleiro estadunidense. O São Paulo era um dos dois encouraçados adquiridos junto à Inglaterra no final da primeira década daquele século junto com toda uma nova Esquadra. A Marinha do Brasil tornou-se uma das primeiras operadoras mundiais daquele tipo de navio, os encouraçados denominados tipo Dreadnought, elevando o Brasil a uma potência naval no contexto sul-americano. Embora o São Paulo, como seu “irmão”, o Minas Gerais, já estivesse algo desatualizado perante o rápido progresso dos navios de guerra durante o conflito de 1914 a 1918 – ainda abastecia-se com carvão quando o uso do óleo combustível já se encontrava disseminado –, a belonave de 150 metros de comprimento, mais de 20 mil toneladas de deslocamento e tripulada por mil homens ainda era um poderoso símbolo para uma nação que pretendia participação mais ativa no concerto internacional. Àquela missão somariam-se outras duas, quando da viagem de retorno dos monarcas à Europa, o navio faria visitas protocolares aos aliados europeus no conflito recém-encerrado – sim, aliados conquistados com a declaração de guerra do Brasil à Tríplice Aliança em 1917, que redundou no envio de uma flotilha da Marinha do Brasil para atuar em operações antissubmarino no último ano da Guerra – e, na última parada europeia, em Lisboa, novamente serviria a monarcas, repatriando os restos mortais do último Imperador brasileiro e sua esposa, Pedro II e Teresa Cristina.

As adaptações nas acomodações para transportar o casal real e sua comitiva numa viagem transatlântica foram realizadas pelo Estaleiro de Henrique Lage e, em 27 de julho de 1920, o São Paulo partiu com destino a Zeebrugge, porto comercial no Mar do Norte, de intenso simbolismo naquela Europa recém-pacificada, por ter sido local de intensas lutas na última fase do conflito. A utilização desse porto para o embarque dos reis belgas foi desaconselhada por aquele governo e por autoridades navais britânicas, ambas envolvidas nos trabalhos de desobstrução do canal navegável, bloqueado por vários cascos propositalmente afundados pela Marinha britânica para inviabilizar o uso da base naval ali montada pelos alemães. Mesmo assim, a tripulação do São Paulo, em manobra precisa e arriscada, conseguiu realizar a atracação em 28 de agosto. Quatro dias depois, o casal real embarcou e foi recebido por uma salva de 21 tiros. No regresso ao Brasil, deram-se os festejos do 7 de setembro e a tradicional cerimônia naval da passagem do Equador, porém houve um momento de intensa tristeza. Durante a travessia, faleceu, vítima de um acidente, o grumete Francisco Soares Lima; a cerimônia fúnebre foi realizada no mar pelo capelão que acompanhava o casal real. Testemunhas afirmaram que os marinheiros ficaram tocados com a consternação da Rainha Elisabeth, que se ajoelhou ao lado do caixão para orar pelo grumete. Em 19 de setembro, o encouraçado já se aproximava do Rio de Janeiro e recebeu a escolta de outros navios da Marinha do Brasil, hidroaviões da Aviação Naval brasileira sobrevoavam a formação e inúmeros mercantes saíram porto afora para receber os ilustres visitantes. Coube à Galeota D. João VI, que serviu durante décadas aos Orleans e Bragança da Casa Imperial brasileira, conduzir a comitiva no último e menor trecho da viagem, do navio de guerra fundeado até a Praça Mauá, seguindo dali o séquito pela Avenida Rio Branco para receber a aclamação popular.

Menos de um mês depois, em 16 de outubro, o casal real voltava a embarcar no São Paulo para seu retorno à Europa. Em 1º de novembro, o Rei Alberto I desembarcou em Lisboa, e a Rainha Elisabeth permaneceu a bordo até a conclusão daquela missão, quando foi deixada junto com sua comitiva no porto belga de Dunquerque. O navio ainda aportou em Portsmouth, Antuérpia e Cherburgo, cumprindo o roteiro de visitas protocolares aos aliados da Primeira Guerra Mundial. A derradeira missão se iniciou em 19 de outubro, quando o São Paulo chegou a Lisboa para receber os restos mortais dos últimos imperador e imperatriz do Brasil. O cortejo fúnebre que saiu do Panteão dos Bragança  reuniu grande multidão nas ruas da capital portuguesa; acompanharam os corpos até o navio brasileiro o Conde D’Eu e o Príncipe D. Pedro. No mesmo dia o São Paulo deixou Portugal e, em 7 de janeiro de 1921, atracava na Praça Mauá encerrando com sucesso as três missões consecutivas iniciadas quase seis meses antes, quando percorreu sem falhas mais de 40 mil quilômetros.

* CARLOS ANDRÉ LOPES DA SILVA

Pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

Acessando o link para as fotografias do encouraçado São Paulo e de outros aspectos da visita dos reis belgas ao Brasil, em 1920, do acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.