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Novos acervos: Fundação Joaquim Nabuco

A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores seu décimo parceiro, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Quem faz a apresentação é  Albertina Malta,  historiadora da instituição e responsável pela Coordenação de Documentação e Pesquisa, vinculada ao Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade – Cehibra. Nesse primeiro momento, estão sendo disponibilizadas imagens de autoria do fotógrafo Manoel Tondella (1861 – 1921) com a publicação do artigo O fotógrafo pernambucano Manoel Tondella: breve perfil e cronologia, escrito por Andrea Wanderley, editora e pesquisadora do portal. Com mais essa importante adesão, a Brasiliana Fotográfica segue cumprindo um de seus objetivos, o de abordar todos os usos e funções da fotografia brasileira, expandindo seu acervo e possibilitando a seus leitores o acesso a um número cada vez maior de imagens.  Seus outros parceiros são o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional, a Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, o Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, o Museu Histórico Nacional e o Museu da República, além do Instituto Moreira Salles e da Fundação Biblioteca Nacional, criadores da Brasiliana Fotográfica.

 

 

Novos acervos: Fundação Joaquim Nabuco

Albertina Malta*

A Fundação Joaquim Nabuco passa a integrar, com alegria, o projeto Brasiliana Fotográfica desenvolvido pelo Instituto Moreira Sales e pela Fundação Biblioteca Nacional. Essa parceria possibilita a ampliação dos canais de divulgação de acervos fotográficos brasileiros que contém informações preciosas para a recuperação visual do passado, além de revelarem a produção de artistas muitas vezes desconhecidos.

A Fundação Joaquim Nabuco apresenta, inicialmente, um conjunto de imagens originais de reconhecido valor documental, em bom estado de conservação, de autoria do fotógrafo Manoel Tondella. Trata-se de vistas do Recife produzidas entre 1890 e 1905, em papel fotográfico num tom violeta. Oferecido à Fundação, o conjunto foi adquirido em 1985. Segundo o historiador Fernando Ponce de Leon, então coordenador da Fototeca e responsável pelo processo de aquisição das imagens de Tondella, as vistas “são valiosas por representar intensamente e com boa qualidade os bairros centrais do Recife (o do Recife, o de Santo Antônio, o de São José, o da Boa Vista), além dos arrabaldes e subúrbios quase rurais da cidade… as imagens registram o Recife intacto, antes das demolições e obras de reurbanizações”.

Foi também neste momento da aquisição que dois renomados especialistas – Gilberto Ferrez e Boriz Kossoy – consultados por Ponce de Leon, avaliaram a pertinência da Fundação em adquirir a coleção de Manoel Tondella, especialmente por se tratar de conjunto documental original. E, por serem vistas antigas da cidade, tornavam-se ainda mais raras, paisagens com riscos de se perderem para sempre.

 

 

Acessando o link para as fotografias de autoria de Manoel Tondella disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

*Albertina Malta é historiadora e responsável pela Coordenação de Documentação e Pesquisa, vinculada ao Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade – Cehibra.

 

O fotógrafo pernambucano Manoel Tondella: breve perfil e cronologia

Andrea C. T. Wanderley**

 

 

Breve perfil

 

Manoel Tondella é um dos mais importantes fotógrafos de Pernambuco da segunda metade dos século XIX, período a partir do qual Recife tornou-se referência histórica para a fotografia no Brasil. Nascido em 3 de outubro de 1861, de ascendência portuguesa, Tondela dedicou-se à fotografia da paisagem urbana, documentando em imagens as transformações da cidade, entre os anos 1890 e as duas primeiras décadas do século XX. Foi contemporâneo dos fotógrafos Alfredo Ducasble (18? – 19?)Francisco du Bocage (1860 – 1919), Hermina de Carvalho Menna da Costa (18? – 19?) , considerada a primeira mulher fotógrafa do Recife, Louis Piereck (18? – 1931) e Ludgero Jardim da Costa (18? – 19?) , dentre outros.

Tondella registrou, predominantemente no Recife e em Olinda, as ruas, a estação de trem, os prédios, o Mercado Público de São José, os casebres, as pontes, as igrejas, os ancoradouros, o teatro Santa Isabel, as praças, a Assembleia Legislativa, o Ginásio Pernambucano, as praias, cemitérios, locomotivas, engenhos, quiosques, feiras, estradas, os bairros centrais e também os subúrbios, com suas casas de taipa, além de vendedores, de pessoas se banhando no rio Beberibe e até um grupo de ciclistas à beira de um açude. São imagens muito ricas em detalhes que se destacam pela beleza, pela qualidade técnica e nos ajudam a entender a vida em Pernambuco no início do século XX. Alguns registros foram inspirados nas antigas litografias que desenhavam o perfil do litoral do Recife, da tradição holandesa ou portuguesa. Muitas imagens foram editadas em cartões-postais.

 

 

Não se sabe, até o momento, quando exatamente Tondella começou a trabalhar como fotógrafo, mas tudo indica não ter sido antes da década de 1890. Em 1895, presenteou o Jornal do Recife com duas fotografias de sua autoria e, nessa época, seu estabelecimento fotográfico ficava na rua da Concórdia, nº 13. Em 1897, já era associado a João José de Oliveira (18? – 19?) no ateliê fotográfico Photographia Popular Oliveira & Tondella, e, em 1889, o estabelecimento ficava, na rua da Imperatriz, 79. Ficaram juntos até 1904 quando a sociedade foi desfeita e Tondela abriu um ateliê na então rua Velha, posteriormente, rua Antônio Carneiro. Oliveira continuou no mesmo endereço. Tondella seguiu trabalhando como fotógrafo até, pelo menos, 1919, tendo falecido em 1921.

 

 

Filho de Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, provavelmente português, e de Marcionilla Francisca Soares, o fotógrafo Tondella teve três irmãos: Francisco (18? – 1913), Antônio (18? – 1898) e Maria  (c. 1860 – 1905). Francisco foi proprietário da tipografia Acadêmica e do periódico mensal O Filatelista. Na ocasião do falecimento de uma tia dos Tondella, em 1902, a família foi adjetivada como ilustre e Francisco e Manoel Tondella referidos como seus dignos sobrinhos. Manoel Tondella casou-se com Anna Amelia Celestina Ramos (18? – 19?), em 1892, e não tiveram filhos.

 

 

 Cronologia

 

1854 – O pai do do fotógrafo Tondella, Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, provavelmente português, e José Barros Veiga dissolveram amigavelmente a sociedade comercial que possuíam denominada Veiga & Tondella (Diário de Pernambuco, 26 de setembro de 1854, última coluna).

1855 – O Gabinete Português de Leitura decidiu promover uma subscrição em favor da construção de um hospital para atender os portugueses indigentes que não pudessem receber tratamento adequado contra a epidemia que se alastrava por algumas províncias do Brasil e que eles acreditavam que chegaria no Recife. No Bairro do Recife, Manoel Pereira de Figueiredo Tondella era o encarregado pelas subscrições (Diário de Pernambuco, 25 de agosto de 1855, primeira coluna). Fez parte da comissão responsável pela instalação do Hospital Português em Pernambuco para o qual contribuiu com 50 mil reis (Diário de Pernambuco,  7 de setembro de 1855, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 15 de novembro de 1855, penúltima coluna).

1861 / 1862 – O fotógrafo Manoel Tondella, nasceu em 3 de outubro de 1861, filho de Manoel Pereira de Figueiredo Tondella e Marcionilla Francisca Soares, e foi batizado em 1º de janeiro do ano seguinte, na freguesia de Boa Vista, no Recife. A família morava no bairro Capunga, no Recife (Diário de Pernambuco, 3 de outubro de 1862, segunda colunaDiário de Pernambuco, 17 de abril de 1862, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 22 de julho de 1899, segunda coluna).

1863 – José Carneiro de Faria Lins informava ter feitos as pazes com Manoel Pereira de Figueiredo Tondella, a quem teria ofendido em momentos de delírio (Diário de Pernambuco, 22 de abril de 1863, última coluna).

1881 – O irmão de Manoel, Francisco Tondella (18? – 1913), era proprietário da tipografia Acadêmica (Diário de Pernambuco, 12 de abril de 1881, penúltima coluna).

1884 – Casamento de seu irmão Francisco com Francisca Olympia Rodrigues (? – 1891) (Jornal do Recife, 22 de setembro de 1884, última coluna).

1885 - Francisco era sócio da Biblioteca do Club Dramático Familiar (Jornal do Recife, 19 de março de 1885, quinta coluna).

Anúncio do casamento do irmão de Manoel, Antônio Pereira de Figueiredo Tondella com Francelina Maria de França Caldas (Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1895, última coluna).

1886 - Falecimento de uma das avós de Manoel Tondella, Maria Monteiro da Silva, cuja missa de sétimo dia foi celebrada na matriz de Santo Antônio do dia 8 de novembro de 1886 (Jornal do Recife, 5 de novembro de 1886, última coluna). Manoel era irmão de Francisco (18? – 1913), Antônio (18? – 1898) e Maria Tondella (c. 1860 – 1905), que também convidavam para a missa, além da mulher de Francisco, Francisca Olympia Rodrigues (? – 1891) e da tia dos Tondellas, Antônia Monteiro da Silva (1826 – 1902), filha da falecida.

1890 - Era um dos subscritores para os festejos do aniversário de Deodoro da Fonseca contribuindo com 5 mil réis (Jornal do Recife, 7 de agosto de 1890, quarta coluna).

Publicação do primeiro número do periódico mensal O Filatelista, de propriedade de Francisco Tondella, seu irmão, direcionado para os colecionadores de selos  (Jornal do Recife, 17 de outubro de 1890, penúltima coluna)

1891 Falecimento de sua cunhada, Francisca Olympia Rodrigues Tondella, casada com seu irmão Francisco (Jornal do Recife, 10 de abril de 1891, última coluna).

1892 Anúncio de seu casamento com Anna Amelia Celestina Ramos (18? – 19?) (Jornal do Recife, 9 de fevereiro de 1892, última coluna).

Anna Amelia Tondela foi eleita juíza da Sociedade Beneficente Nossa Senhora do Carmo no período de 1892 a 1893 (Jornal do Recife, 20 de julho de 1892, primeira coluna).

1894 – Anunciou com sua mulher e outros parentes a missa pelo 1º ano de falecimento de Lesbina Celestina Ramos (? – 1893), mulher de seu compadre Caetano Ferreira Ramos (? – 1919) e irmã de sua esposa, Anna Amelia (Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1894, segunda coluna).

1895 – Presenteou o Jornal do Recife com duas fotografias de sua autoria: uma da estação da Estrada de Ferro Central de Pernambuco e outra da rua Larga do Rosário por ocasião da procissão das Chagas. “Um correto trabalho que muito recomenda o seu autor” (Jornal do Recife, 28 de maio de 1895, quinta coluna). Nessa época, provavelmente seu estabelecimento fotográfico ficava na rua da Concórdia, nº 13.

Seu irmão Antônio casou-se com Francelina Maria de França Caldas (Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1895, última coluna).

1897 - Manoel Tondella enviou ao Diário de Pernambuco 2 exemplares de lindíssimas fotografias em ponto pequeno. É no gênero um trabalho de grande perfeição e cuja apreciação recomendamos ao público (Diário de Pernambuco, 13 de janeiro de 1897, quarta coluna).

Presenteou o Jornal do Recife com três fotografias de quadros de pintores célebres (Jornal do Recife, 14 de janeiro de 1897, sexta coluna).

Estava à venda na Livraria Francesa fotografias de autoria de Tondella do préstito que havia acompanhado o general Artur Oscar no dia 15 de novembro (Jornal do Recife, 23 de novembro de 1897, sexta coluna).

Já existia a sociedade Oliveira & Tondella, entre Manoel e João José de Oliveira (18? – 19?). Tornaram-se devedores de impostos do período entre 1897 e 1898 (Diário de Pernambuco, 3 de junho de 1899, terceira coluna).

1898 - Ele e o sócio importaram uma caixa com objetos de fotografia (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1898, segunda coluna).

Chegou uma caixa de mercadorias para Oliveira & Tondella , do vapor inglês Ile, que vinha de potos da Europa (Diário de Pernambuco, 18 de março de 1898, terceira coluna).

Falecimento do irmão de Manoel Tondella, Antônio (? – 1898). Ele, seu irmão Francisco (? – 1913) e filhos, sua irmã Maria (1860 – 1905), sua tia Antônia Maria Monteiro da Silva  (1826 – 1902) e sua esposa Anna Amelia convidaram para a missa de Sétimo Dia, na matriz de Santo Antônio. Pelo anúncio, Maria não era casada e Manoel e Anna Amélia não tinham filhos. Na missa de trigésimo dia, quem convida é a mulher de Antônio, Francelina França Caldas (Diário de Pernambuco, 27 de agosto de 1898, terceira colunaDiário de Pernambuco, 21 de setembro de 1898, penúltima coluna; e Jornal do Recife, 23 de fevereiro de 1899, quarta coluna).

Anna Amelia era uma das paraninfas da bênção solene da imagem do Santíssimo Coração de Jesus, na Matriz de São José. A solenidade contou com a presença do governador de Pernambuco (Jornal do Recife, 4 de novembro de 1898, segunda coluna).

Oliveira & Tondella importaram álbuns e papel albuminado (Diário de Pernambuco, 30 de novembro de 1898, segunda coluna).

1899 – O estabelecimento dos fotógrafos ficava na rua da Imperatriz, nº 79 (Almanach de Pernambuco, 1900).

Oliveira & Tondella importaram artigos para fotografia (Diário de Pernambuco, 8 de março de 1899, segunda coluna).

Como era assinante da America Illustrada, Revista Nacional de Letras e Artes, a firma Oliveira & Tondella ganhou de brinde um Livro de Ouro do Brasil  na Exposição de 1900 em Paris (Jornal do Recife, 23 de julho de 1899, penúltima coluna).

1900 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos, envelopes e cartões.

Tondella foi o fotógrafo responsável pela realização de uma imagem que a Celestial Confraria da Santíssima Trindade ofereceria à Sociedade Musical Charanga do Recife (A Província (PE), 17 de julho de 1900, penúltima coluna).

Encontrava-se exposto no ateliê  Photographia Popular Oliveira & Tondela, na rua da Imperatriz, nº 79, um quadro dos bacharéis da Faculdade de Direito do Recife de 1900 (Jornal do Recife, 22 de novembro de 1900, última coluna)

A firma Oliveira & Tondella realizou um retrato em busto do professor Gaspar Regueira Costa na ocasião de seu aniversário, com o qual o magistério municipal o presentearia (Jornal Pequeno, 20 de dezembro de 1900).

1901 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos, cartões, papel para desenho.

 

 

Encontrava-se exposto no ateliê  Photographia Popular Oliveira & Tondela, na rua da Imperatriz, nº 79, um quadro dos bacharéis da Faculdade de Direito do Recife de 1901 (Jornal do Recife, 26 de novembro de 1901, última coluna).

 

 

1902 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos.

Na Travessa da Concórdia, nº 13, falecimento da tia de Tondella, Antônia Maria Monteiro da Silva (1826 – 1902). A família foi adjetivada como ilustre e Francisco e Manoel Tondella foram referidos como seus dignos sobrinhos (Jornal do Recife, 18 de junho de 1902, segunda coluna; A Província, 24 de junho, quinta coluna; e Diário de Pernambuco, 18 de junho de 1902, quarta coluna).

Oliveira & Tondella realizaram um retrato em tamanho natural do tenente-coronel Miranda Curio, delegado de saúde do Exército junto ao comando do 2º Distrito Militar, que lhe seria dado como presente de aniversário pelos farmacêuticos do corpo de saúde de Pernambuco (A Província (PE), 22 de agosto de 1902, quarta coluna).

Jornalistas do Diário de Pernambuco fizeram uma visita ao ateliê fotográfico de Oliveira & Tondella e elogiaram os retratos e as vistas expostas e também a amabilidade dos dignos artistas. “Mostraram-nos os mesmos srs. os estereoscópios que acabam de receber, novidade que expõem à venda…” (Diário de Pernambuco, 22 de outubro de 1902, quinta coluna).

 

 

A firma Oliveira & Tondella ofereceu uma fotografia de presente ao Jornal do Recife: uma imagem do general Marinho da Silva passando em revista as tropas federais na Campina do Bode (Jornal do Recife, 28 de novembro de 1902, quarta coluna).

Oliveira & Tondella enviaram ao Jornal do Recife um cartão de boas festas com uma imagem de um trecho do rio Capibaribe próximo aos arrecifes. Além disso, enviaram a fotografia de uma paisagem (Jornal do Recife, 23 de dezembro de 1902, sétima coluna). Enviaram para o periódico A Província uma fotografia do farol de Olinda e uma de uma lancha (A Província (PE), 23 de dezembro de 1902, quarta coluna). E enviaram para o Jornal Pequeno uma fotografia dos bairros do Recife e de Santo Antônio como votos de boas festas (Jornal Pequeno, 23 de dezembro de 1902, primeira coluna).

1903 – Ao longo do ano, Oliveira & Tondella importaram diversas vezes materiais fotográficos.

Um retrato a óleo feito no ateliê de Oliveira & Tondella foi oferecido ao alferes Virgílio Antônio Borba (Diário de Pernambuco, 8 de janeiro de 1903, sexta coluna).

Foi noticiado o novo endereço do ateliê fotográfico de Oliveira & Tondella, devido à mudança do nome da rua da Imperatriz para rua Rosa e Silva. O número, 79, continuou o mesmo. Eles haviam produzido um retrato do conselheiro Rosa e Silva durante um banqueteExpuseram as vistas do salão do banquete, que deveriam ser apreciadas com um estereoscópio (Diário de Pernambuco, 12 de fevereiro de 1903, sexta coluna; e 13 de fevereiro de 1903, última coluna). Expuseram as vistas do salão do banquete, que deveriam ser apreciadas com um estereoscópio (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1903, última coluna).

Os hábeis artistas Oliveira & Tondella produziram uma fotografia da Igreja de Santa Cruz na ocasião da festa do Bom Jesus da Via Sacra, realizada em 3 de maio, e a enviaram de presente para o Jornal do Recife, para o Jornal Pequeno e para o periódico A Província (Jornal Pequeno, 16 de maio de 1903, segunda colunaJornal do Recife, 17 de maio de 1903, terceira coluna; e A Província (PE), 17 de maio de 1903, última coluna).

Casamento de Amália de Oliveira, filha de José Joaquim Oliveira, com Tacito Altino Correia de Araújo (Diário de Pernambuco, 5 de setembro de 1903, sexta coluna).

Leonilla Lusetta de Oliveira, esposa de Joaquim José de Oliveira, sócio de Tondella, faleceu (Jornal Pequeno, 31 de outubro de 1903, terceira coluna).

Oliveira & Tondella presentearam o Jornal Pequeno com fotografias em miniatura da primeira página edição de 28 de junho de 1902 do periódico (Jornal Pequeno, 4 de dezembro de 1903, terceira coluna).

Oliveira & Tondella presentearam o Diário de Pernambuco com fotografias do edifício do referido jornal na rua Duque de Caxias esquina com a Praça da Independência (Diário de Pernambuco, 25 de dezembro de 1903, quarta coluna)

1904 – Oliveira & Tondela enviaram votos de um feliz ano novo para o Jornal do Recife (Jornal do Recife, 1º de janeiro de 1904, quinta coluna).

Chegada, da Inglaterra, de papel fotográfico, de câmaras escuras, de cartões cortados e obras impressas para Oliveira & Tondella (Província (PE), 16 de janeiro de 1904, segunda coluna21 de maio de 1904, terceira coluna, 15 de junho, segunda coluna29 de julho de 1904, terceira coluna; e 31 de agosto de 1904, terceira coluna).

Oliveira & Tondella foram citados pela Diretoria de Contabilidades e Rendas Municipais do Recife. O endereço era av. Rosa e Silva, 79 (Diário de Pernambuco, 4 de fevereiro de 1904, sexta coluna).

A firma Oliveira & Tondella produziu uma fotografia da Companhia dos Bombeiros (Diário de Pernambuco, 6 de março de 1904, sexta coluna).

Tondella abriu, sem sócios, um estabelecimento fotográfico na rua da Velha, 137, no primeiro andar, onde também residia. Anos depois essa rua passou a chamar-se Antônio Carneiro. Na época, oferecia cartões postais da procissão Encontro, que havia saído da Igreja de Santa Cruz, no Recife (Jornal do Recife, 22 de abril de 1904, penúltima coluna; A Província, 13 de setembro de 1904, penúltima coluna). A recente abertura do ateliê do hábil e conhecido fotógrafo foi anunciada. Provisoriamente a entrada seria feita a partir da rua da Alegria (Jornal do Recife, 13 de setembro de 1904, última coluna; e A Província,(PE), 13 de setembro de 1904, penúltima coluna).

 

 

Tondela produziu de uma janela da Igreja de Santa Cruz uma fotografia da Charanga do Recife (A Província, 20 de setembro de 1904, última coluna).

1905 – Com cerca de 45 anos, falecimento de Maria Tondela, irmã de Manoel (A Província, 26 de abril de 1905, primeira colunaJornal do Recife, 6 de maio de 1905, sexta coluna).

Publicação de uma propaganda da Photographia Tondella anunciando o desligamento de Tondella da firma Oliveira & Tondella, realizado no ano anterior (A Província, 16 de julho de 1905, primeira coluna). No mesmo ano, publicação de uma propaganda da Photographia Popular apenas com o nome de Joaquim José de Oliveira no mesmo endereço, na rua da Imperatriz, 79 (Almanach de Pernambuco, 1905).

 

 

Ofertou ao Jornal do Recife a fotografia da canhoneira Pátria e seu trabalho foi considerado perfeitíssimo. Uma fotografia ampliada da mesma canhoneira estava exposta na Livraria Francesa, na rua Primeiro de Março, nº 9 (Jornal do Recife, 21 de setembro de 1905, oitava coluna).

O Jornal Pequeno homenageou Anna Amélia no dia de seu aniversário, 5 de dezembro (Jornal Pequeno, 5 de dezembro de 1905, primeira coluna).

1910 - O nome da rua de seu estabelecimento mudou de rua da Velha para rua Antônio Carneiro (Diário de Pernambuco, 11 de agosto de 1910, quarta coluna).

1913 - Falecimento de sue irmão Francisco, que havia sido livreiro no Recife, proprietário da antiga casa Bolitreau, a Livraria Tondella, Cockles & Co, desde 1897, na rua do Imperador, 46 (Diário de Pernambuco, 13 de fevereiro de 1898, penúltima coluna; e Diário de Pernambuco, 19 de março de 1898, terceira coluna) e que ultimamente trabalhava como contador na Papelaria Brasil. Era pai de Marcionila e de Francisco Tondella Junior (Diário de Pernambuco, 21 de setembro de 1897, penúltima coluna; e Jornal Pequeno, 19 de novembro de 1913, última coluna)

1917 -Morte de sua sobrinha, Marcionila Tondella, filha de seu irmão e comerciante Francisco (já falecido), que também era pai do poeta Tondella Junior (Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1917, segunda coluna).

1919 - Falecimento do compadre e cunhado de Tondella, Caetano Ferreira Ramos (? – 1919) (Jornal do Recife, 20 de abril de 1919, última coluna).

Morte de seu sobrinho, o poeta Francisco Tondella Junior, aos 28 anos, filho de seu irmão já falecido, Francisco (Diário de Pernambuco, 15 de junho de 1919, segunda coluna).

Foi publicado um anúncio do estabelecimento fotográfico de Tondella, na rua Antônio Carneiro, 403 (antiga Velha) no qual eram oferecidos retratos Mignon, Visita, Elisabeth, Gabinete, Boudoir, Salão, cartões postais, e fotos de edifícios, de grupos ao ar livre em papel platina ou brilhante, retratos em tamanho natural em preto ou em cor pelo novo sistema americano. Oferecia também uma grande coleção de vistas de Pernambuco. Além disso, consertava máquinas e obturadores e fazia revelação, impressão e retoque em chapas de amador. O mesmo anúncio foi publicado diversas vezes ao longo de 1919 e 1920.

 

 

Foi anunciado que o artista e fotógrafo Manoel Tondela estava diariamente, na rua Velha, 103, à disposição dos assinantes e dos anunciantes de La Revue de revues de l´Amerique du Sud, de Daniel Valenford & C sobre Recife (A Província (PE), 8 de fevereiro de 1920, segunda coluna; e Jornal do Recife, 17 de outubro de 1919, penúltima coluna).

1921 - Foi realizada uma missa fúnebre pela alma de Manoel Tondella, na Igreja de Santa Cruz (A Província (PE), 22 de fevereiro de 1921, primeira coluna).

1922 -Pela última vez foi anunciado o estabelecimento fotográfico de Tondela, na rua Antônio Carneiro, nº 137 (Almanak Laemmert, 1922).

 

 

 

**Andrea C. T. Wanderley é editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

FERREZ, Gilberto. Velhas fotografias pernambucanas: 1851-1890. Rio de Janeiro: Campo Visual, 1988.

GASPAR, Lúcia. As ruas do Recife. Site da Fundaj, 2009

GASPAR, Lúcia; BARBOSA, Virginia. O Recife: uma bibliografia. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2008. 360 p.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

MALTA, Albertina – Memória em sais de prata: fotografias do Recife em instituições memoriais. Dissertação para Universidade Federal de Pernambuco, fevereiro de 2013.

MEDEIROS, R. M. H. (Orgs.). Arquivos e coleções fotográficas da Fundação Joaquim Nabuco. Recife: Massangana, 1995.

MENDES, Luciana Cavalcanti. O campo fotográfico em Pernambuco: um resumo do final do XIX até 1930. XXIX Simpósio Nacional de História – Anpuh, 2017.

SILVA, Fabiana Bruce. Entre fotógrafos, modernidade e fotografia no Recife do século XX, uma pesquisa. Apresentado durante XI Encontro Regional Sudeste de História Oral, realizado na Universidade Federal Fluminense, em Niteroi, em julho de 2015

Site da Fundação Joaquim Nabuco

Ilha da Trindade: síntese histórica

A Ilha de Trindade, localizada na costa do estado do Espírito Santo, foi diversas vezes, entre os séculos XVI e XIX, alvo de disputas entre Portugal e Inglaterra. Devido à Primeira Guerra Mundial, foi criada uma guarnição mista de terra e mar, sob administração do Ministério da Marinha, na Ilha da Trindade, onde, em 24 de maio de 1916, chegou o cruzador Barroso com militares e uma comissão científica, com o material necessário à instalação de uma estação radiotelegráfica. Foi a partir desta comissão científica, capitaneada pelo Museu Nacional que, de maio a outubro de 1916, pesquisadores colheram materiais, produziram registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. São dessa época as fotografias que pertencem ao acervo do Departamento do Patrimônio Histórico da Marinha do Brasil – uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica – que ilustram o artigo Ilha da Trindade: síntese histórica, escrito pelo capitão de corveta Daniel Martins Gusmão. 

José Domingues dos Santos Filho (1866 – 19?), que fazia parte da equipe do museu, e o então capitão-tenente Moraes Rego (1882 – 1941), encarregado pela instalação de uma estação radiotelegráfica na ilha, foram os responsáveis pelas fotografias. Posteriormente, Santos Filho foi trabalhar no Museu Paulista, onde confeccionava fotografias, copiava mapas, fazia desenhos científicos e foi responsável por pelo menos uma série composta por 12 desenhos aquarelados, a maioria deles baseada nas obras de Hercule Florence (1804-1877). Já Moraes Rego tornou-se patrono das Comunicações Navais no Brasil.

 

Ilha da Trindade: síntese histórica

Daniel Martins Gusmão*

 

 

Em 1501, de passagem a caminho da Índia, o explorador galego João da Nova (c. 1460 – 1509), a serviço de Portugal, avistou a Ilha da Trindade. No entanto, sua posse só foi confirmada pela Coroa portuguesa, em 1503, quando Afonso de Albuquerque (1453 – 1515) navegava pela mesma rota. Ainda no século XVI, foi transformada em capitania e transferida por carta de doação de d. João III (1502 – 1557) ao fidalgo Belchior Camacho, em 1538, que nunca a ocupou. O documento é a primeira manifestação da soberania portuguesa sobre a ilha. Porém, no decorrer dos séculos XVII a XIX, a ilha foi ocupada, por breves períodos, para fins científicos ou militares, por ingleses e portugueses, tendo sido também alvo de disputa por estes reinos devido à sua posição estratégica privilegiada. Em 1825, no tratado que confirmou a Independência do Brasil, Trindade foi incorporada definitivamente ao território brasileiro. No final do século XIX, voltou a ser alvo de disputa e cobiça pelos britânicos.

Em 15 de abril de 1700, o capitão inglês Edmond Halley (1656 – 1742) visitou a Ilha da Trindade para estudos astronômicos e dela tomou formalmente posse em nome do rei Guilherme III (1650 – 1702) e da rainha Ana II (1662 – 1694), da Grã-Bretanha. Como prática usual entre os navegadores da época, foram soltos diversos animais na ilha, entre cabras e porcos, para servir de alimento a possíveis náufragos ou futuros ocupantes. Mais tarde, tal ato desencadearia drásticas alterações na flora da ilha, com consequências extremas na perda do solo e na descaracterização geral da cobertura vegetal. Em 22 de fevereiro de 1724, uma carta régia de d. João V ordenou providências no sentido de impedir que a Companhia Inglesa de Guiné se servisse da Ilha da Trindade para o comércio de escravos. Foi, sem dúvida alguma, um protesto solene contra o ato de 1700 praticado pelo Capitão Halley.

 

Acessando o link para as fotografias da Ilha da Trindade disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Em 28 de maio de 1775, o navegador inglês James Cook (1728 – 1779) também visitou Trindade sem muitas pretensões, deixando-nos impressionante descrição da agressiva natureza da ilha. Os primeiros passos para o início de uma colonização inglesa foi efetivada em 1781, quando desembarcaram no Porto do Príncipe e ergueram um forte, deixando na ilha uma guarnição armada. Os ingleses tinham como objetivo transformar a Ilha da Trindade em ponto de apoio para as suas rotas oceânicas, com o intuito de hostilizar o comércio espanhol com as colônias do Prata devido à guerra travada pela Grã-Bretanha com este país. Ao tomar conhecimento dessa invasão, Portugal formalizou protestos em Londres e, em 1783, deslocou um contingente de militares e civis para ocupar a ilha que, no momento da chegada dos portugueses, já havia sido abandonada pelos ingleses. No ano seguinte contava com 200 habitantes, e, em 1789, este contingente decresceu até 88 militares, quando finalmente, em 1795, a ilha, muito provavelmente pelas condições inóspitas e agressivas já destacadas pelo inglês James Cook, foi completamente desguarnecida.

Seguiu-se um longo período em que a ilha foi visitada por sucessivos navegantes entre ingleses, franceses e americanos que, porém, nela não se fixaram. Por ocasião da Independência do Brasil, o projeto de Constituição elaborado em 1823 incluía, no seu art. 2º, a Ilha da Trindade como compreendida no âmbito do território brasileiro.

Em 1825, visitaram-na uma comissão do Governo brasileiro com a corveta Itaparica. No período da Regência, em 1831, foi expedido um aviso mandando proceder a estudos e exames para a utilização da ilha, entretanto ela continuou relegada ao esquecimento. Em 1839, o notável explorador do continente antártico, James Clark Ross (1800 – 1862), empenhado em fixar a posição do polo sul magnético, esteve na ilha com os naturalistas Joseph Dalton Hoocker (1817 – 1911) e Robert Mac Cormick (1800 – 1890).

Em 1846, a corveta brasileira Sete de Abril esteve na ilha e, em 1856, a corveta Dona Isabel também a visitou durante uma viagem de instrução. A Marinha preocupou-se constantemente para que suas embarcações realizassem visitas periódicas à ilha. Como forma de demonstrar a ocupação do território, o Governo Imperial, por meio do Decreto nº 9.334, de 29 de novembro de 1884, concedeu permissão ao cidadão João Alves Guerra para “explorar minerais e extrair produtos naturais, assim como estabelecer salinas na Ilha da Trindade, podendo explorar-lhe os minérios pelo prazo de 10 anos e as salinas pelo de 30”, fato que não se concretizou. Entre o final do século XIX até 1916 nada menos de 12 expedições aportaram na ilha à procura de tesouros escondidos por hipotéticos piratas.

 

 

 

Preocupados ainda com a questão da não ocupação efetiva da ilha, o Governo Imperial enviou uma comissão no vapor Penedo a fim de estudar a possibilidade de sua utilização como local para exílio de presos políticos, bem como para fixação de um posto de ocupação, o que não aconteceu. Nova ocupação só ocorreria em 1895, quando a Inglaterra tomou posse da ilha mais uma vez, sob o pretexto de instalar uma estação de cabo submarino, que se estenderia até a Argentina, com o argumento de “se tratar de território abandonado e nela não haver vestígio algum de posse de qualquer outra nação”. Desta forma, o comandante do HMS Baraconta, de passagem pela ilha, nela arvorou o pavilhão britânico. Mobilizada a diplomacia brasileira, houve troca de notas. O ministro das Relações Exteriores de Portugal ofereceu-se como mediador, prevalecendo a tese de que a ilha, embora não ocupada, pertencia de direito ao Brasil. A 14 de janeiro de 1897, o cruzador Benjamin Constant transportou para a ilha um marco padrão de granito que não pôde desembarcar. No entanto, no local do Forte da Rainha, um sinal de posse foi hasteado, afirmando a definitiva soberania do Brasil.

 

Marco da Ilha da Trindade

Marco da Ilha da Trindade

 

Em 1910, um novo marco em granito, transportado pelos Cruzadores República e Andrada, foi erguido como forma de confirmar a posse da Ilha da Trindade. O local do marco, que até hoje encontra-se lá instalado, está situado na Praia do Andrada, junto ao Morro das Tartarugas. Em 1915, o governo britânico indagou sobre a ocupação da ilha com o intuito de comprá-la.  O então ministro da Marinha, o almirante Alexandrino de Alencar, respondeu: “quanto à ocupação ou não da Ilha da Trindade, não interessa a estrangeiros: e quanto à venda, o Brasil, apesar de muito grande, não negociava com seus territórios”.

 

 

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, foi criada pelo Decreto nº 11.181, de 30 de setembro de 1914, uma guarnição mista de terra e mar, sob administração do Ministério da Marinha, nas ilhas de Fernando de Noronha e da Trindade. Para a Ilha da Trindade, chegou, em 24 de maio de 1916, o cruzador Barroso com uma guarnição militar e uma comissão científica, com o material necessário à instalação de uma Estação Radiotelegráfica. Terminada a guerra, a guarnição foi evacuada em 2 de setembro de 1919.

 

 

Foi a partir desta comissão científica, capitaneada pelo Museu Nacional, que, de maio a outubro de 1916, pesquisadores colheram materiais, fizeram observações, registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. A fauna brasileira ficou acrescida e a ciência ganhou novas espécies, principalmente entre aves e peixes, conforme levantamento fotográfico demonstrado pela comissão.

 

 

De 1924 a 1926, a Ilha da Trindade serviu de presídio político. Com o intuito de consolar um dos presos políticos, a filha do coronel Waldomiro de Lima, Lourdes de Lima, levou para a ilha a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, que se encontra numa gruta que leva o seu nome. Evacuados os presos políticos, a partir de 1927, novamente a Ilha da Trindade ficou despovoada.

A Ilha voltou a ser guarnecida em 1941 para impedir que os submarinos do Eixo fossem apoiados durante a Segunda Guerra Mundial, além de garantir o domínio efetivo deste longínquo território pelo Brasil. Tal situação perdurou até junho de 1945, com a retirada da guarnição militar.

Em 1950, uma expedição visitou a ilha com a finalidade de avaliar a sua ocupação permanente e a construção de uma base aeronaval. Em 29 de maio de 1957, por meio do Aviso n° 1.420 do Ministro da Marinha, foi criado o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), como parte do programa de participação da Marinha no Ano Geofísico Internacional, possibilitando desta forma, a ocupação permanente da ilha pela Marinha do Brasil, que inicialmente era uma organização militar subordinada à Diretoria de Hidrografia e Navegação. As atividades científicas na ilha foram retomadas e, desde então, são desenvolvidas ações de observações meteorológicas, apoio às pesquisas científicas, atividades de preservação do meio ambiente, além do controle do tráfego marítimo na área. Esta continuidade somente tem sido viável em virtude do apoio da Marinha às pesquisas, sendo a instituição responsável por garantir a presença do Estado brasileiro naquela longínqua porção da Amazônia Azul.

 

 

Por sua localização, em latitude próxima das principais bacias petrolíferas e da região de maior desenvolvimento econômico e concentração populacional do País, a Ilha da Trindade constitui um posto avançado, permanentemente ocupado por um destacamento militar, sendo importante para a Defesa Nacional no que concerne ao emprego do Poder Naval.

As pesquisas científicas permitem identificar o potencial sustentável de exploração e utilização sustentável do patrimônio. Além disso, novas descobertas podem contribuir para preservação do meio ambiente. No caso particular da Ilha da Trindade, o caminho da ciência tem sido uma das prioridades da atuação conjunta da MB, das instituições de pesquisa e universidades.

A partir de 1986, a Organização Militar foi transformada em um setor do Comando do Primeiro Distrito Naval, sendo desde então administrada logística e operacionalmente por este comando. Conforme dispõe o inciso IV, do Art. 20, da Constituição da República, a Ilha da Trindade é um bem da União, entregue pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ao encargo da Marinha do Brasil (MB), por meio do Termo de Entrega nº SCC-001/84, de 24 de abril de 1984. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar dá ao Brasil o direito de estabelecer, ao redor da Ilha da Trindade, Mar Territorial, Zona Contígua, Zona Econômica Exclusiva e Plataforma Continental, o que foi concretizado pela Lei nº 8.617/1993.

Nos últimos anos a Marinha tem recebido uma quantidade crescente de solicitações para a realização de pesquisas na Ilha da Trindade. Tais solicitações recomendaram a criação de um programa específico, sob a égide da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), coordenado pela MB, aproveitando o apoio logístico regular por ela prestado às instalações que mantém na ilha. Este programa, criado em abril de 2007 e denominado PROTRINDADE (Programa de Pesquisas Científicas na Ilha da Trindade), destina-se a gerenciar o desenvolvimento de pesquisas científicas na Ilha da Trindade, Arquipélago de Martin Vaz e na área marítima adjacente, possibilitando, dessa forma, a obtenção, a sistematização e a divulgação de conhecimentos científicos sobre a região.

 

Geografia

 

A Ilha da Trindade é o cume de elevada montanha submarina que se eleva de uma profundidade de 5.000 metros do assoalho oceânico, sobre uma base de 50 km de diâmetro. Está situada na latitude de 20º 30’S e longitude 29º 49’W e encontra-se no limite da bacia do Brasil, profunda depressão que atinge os 7.000 metros. O seu ponto culminante é o Pico do Desejado, com 600 m de altitude. Está situada a 1.140 km da costa, no pararelo que passa 70 km ao sul de Vitória (ES), tendo o comprimento de 5 km de N.W a S.E e a largura de 2,5 Km, é circundada por uma plataforma que atinge 3 km de largura, com a profundidade de 200 m.

Os rochedos de Martin Vaz, situados 48 km a leste, fazem parte do arquipélago vulcânico. Suas rochas são análogas às da Ilha da Trindade. Grande parte do litoral, especialmente as enseadas e menores reentrâncias, possui um banco de coral que protege a orla do mar. A formação coralígena forma um barranco na zona de arrebentação (afastada da terra 50 m ou mais), com a altura de 5 a 10 m.

A abundância de material piroclástico presente na Ilha da Trindade propiciou a existência de diversas fontes de água. O solo é pouco espesso e escasso, havendo predominância de gramíneas e ciperáceas, enquanto que nas regiões sombrias e úmidas existem grandes florestas de samambaias gigantes. A ilha é cercada por costões abruptos, o que torna difícil e perigosa a sua abordagem, sendo a topografia bastante acidentada nessas áreas.

Nos planaltos originados pelos derrames e depósitos quase horizontais de material piroclástico, a topografia já é mais suave. As rochas que preenchiam antigas chaminés vulcânicas são frequentemente responsáveis pelas formas acidentadas do relevo, como o chamado Monumento, composto de fonólito. As raras e estreitas praias existentes na ilha constituem-se principalmente de fragmentos calcários derivados de recifes de algas calcárias e restos de carapaças de moluscos, formando-se em menos de 10% de fragmentos de rochas vulcânicas.

 

 

 Naufrágios históricos da Ilha da Trindade

 

Atualmente, ao longo de área habitável do POIT é possível encontrar diversos vestígios arqueológicos, tais como âncoras e restos de navios. Tais conjuntos de artefatos fazem parte da cultura material que compõe o contexto de ocupação da ilha ao longo do tempo. No museu do POIT e ao lado da Casa da Chefia estão expostos remanescentes do navio Oceanográfico Beberibe, que naufragou em 1966; do pesqueiro chinês HWA Shing, encalhado deliberadamente em 1989 (ambos na Praia dos Portugueses); e do veleiro Le Roi des Harengs, lançado sobre as pedras em 1994, na Ponta do Valado (Enseada dos Portugueses). Estes sítios arqueológicos representam um pouco da história da ilha.

Cabe destacar também que o Projeto Atlas dos Naufrágios de Interesse Histórico da Costa do Brasil, desenvolvido pela Marinha, possui registros de quatro embarcações naufragadas ao largo da Ilha da Trindade. Tais vestígios, se localizados, representam sítios arqueológicos submersos, consideravelmente formados por restos de embarcações naufragadas. O primeiro desses registros é o do cúter inglês HMS Rattlesnake, que naufragou por mau tempo em 21 de outubro de 1781, quando realizava levantamento hidrográfico no entorno da ilha. Em 1805, uma baleeira americana pegou fogo e os sete sobreviventes foram resgatados pelo navio inglês Agamenon. Em 1817, o bergantim francês La Jeune Sophie naufragou ao se aproximar da ilha. Por último, no ínicio da Grande Guerra, em setembro de 1914, a Ilha da Trindade foi palco de um confronto naval entre o cruzador alemão Cap Trafalgar e o cruzador inglês RMS Carmania, tendo sido o primeiro bombardeado e vindo a naufragar nas proximidades da ilha. Tal evento ficou conhecido na história como a Batalha de Trindade e foi retratado por Charles Dixon (1872 – 1934), em aquarela de papel, tendo como pano de fundo a Ilha da Trindade e o Cap Trafalgar afundando.

 

Carmania sinking Cap Trafalgar off Trinidad, September 14, 1914, 1923 / Acervo do Museu Marítimo Nacional em Londres

Charles Dixon. Carmania sinking Cap Trafalgar off Trinidad, September 14, 1914, 1923 / Acervo do Museu Marítimo Nacional em Londres

 

*Daniel Martins Gusmão é Capitão de Corveta (T) e Ajudante da Divisão de Arqueologia Subaquática da Marinha do Brasil.

 

 

 

FONTES:

ALVES, Ruy José Válka. Ilha da Trindade & Arquipélago Martin Vaz: um ensaio geobotânico. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 1998.

ARRAES, Virgílio Caixeta. A presença britânica na Ilha da Trindade: a reação do Parlamento brasileiro. Brasília: Revista de Informação Legislativa, n. 153, 2002.

CAMINHA, Herick Marques. Organização e Administração do Ministério da Marinha na República. Ministério da Marinha, Brasília˗Rio de Janeiro: Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1986.

De Tordesilhas ao Mercosul – uma exposição da história da diplomacia brasileira: Catálogo da exposição. Rio de Janeiro: Ministério das Relações Exteriores, s/d.

PETTIGREW, Willian A. A Dívida da Liberdade: A Companhia Real Africana e a Política do Comércio de Escravos do Atlântico, 1672–1752. Chapel Hill, Carolina do Norte: University of North Carolina Press, 2014.

SECRETARIA DA COMISSÃO INTERMINISTERIAL PARA OS RECURSOS DO MAR. PROTRINDADE: programa de pesquisas científicas na Ilha da Trindade – 10 anos de pesquisas. Brasília: SECIRM, 2017.

TONELLI, Nicélio. A dimensão da ocupação britânica da ilha brasileira de Trindade (1895-1896). Brasília: Revista Brasileira de Política

 

 

Um pouco da história e cronologia da comissão científica na Ilha de Trindade em 1916 e

sobre José Domingues dos Santos Filho (1866 – 19?) e o comandante Tácito Reis de Moraes Rego

Andrea Wanderley**

 

Professor Bruno Lobo

Professor Bruno Lobo, diretor do Museu Nacional

O professor e médico Bruno Lobo (1884 – 1945), diretor do Museu Nacional entre 1915 e 1923, aproveitando a ida do cruzador Barroso para a Ilha da Trindade, em 1916, promovida pelo almirante e ministro da Marinha Alexandrino de Alencar (1848 – 1926), foi para lá acompanhado por quatro auxiliares: Arnaldo Blake de Santa Anna (18? – 19?), Armando dos Santos Belleza (18? – 19?), Pedro Pinto Peixoto Velho (18? – 19?) e José Domingues dos Santos Filho (1866 – 19?). Estes dois últimos ficaram cerca de 6 meses na ilha. Santos Filho foi responsável pela maioria das fotografias produzidas. No período, colheram o seguinte material: mamíferos, aves, répteis, crustáceos, insetos, moluscos, vermes, equinodermes e esponjas, além de espécimes vegetais. O professor Lobo distribuiu o material entre os naturalistas Carlos Moreira (1869 – 1946) – crustáceos e insetos -, Hermann von Ihering (1850 – 1930) – moluscos – Alípio de Miranda Ribeiro (1874 – 1939) – vertebrados – e h (1882 – 1959) – botânica. Também integrava a comissão científica, o assistente de Oswaldo Cruz, o médico e zoólogo Lauro Travassos (1890 – 1970), de Manguinhos, que colheu vermes endoparasitas e colecionou peixes para o Museu Nacional.  As

 

 Breve cronologia

 

1916 – Foi noticiado que o diretor da Museu Nacional, Bruno Lobo, seguiria para a Ilha da Trindade, a bordo do cruzador Barroso (Gazeta de Notícias, 19 de maio de 1916, sexta coluna).

O cruzador Barroso zarpou do Rio de Janeiro, em 20 de maio, sob o comando do capitão de Mar e Guerra José Libânio Lamenha Lins, levando Bruno Lobo e sua equipe: Pedro Pinto Peixoto Velho, José Domingues dos Santos Filho, Arnaldo Blake de Santa Anna e Armando dos Santos Belleza. A comissão do museu conduzia todos os aparelhos e objetos necessários para os minuciosos estudos que vai empreender na ilha no que possa interessar a esse referido estabelecimento (Gazeta de Notícias, 21 de maio de 1916; e Revista Marítima Brasileira, 1916).

Em 24 de maio, chegada do cruzador à Ilha da Trindade (Gazeta de Notícias, 26 de maio de 1916, última coluna).

Em 6 de junho, o Barroso partiu de Trindade e chegou no Rio de Janeiro, em 9 de junho. Bruno Lobo, que retornou, foi muito elogiado. O preparador de taxidermia Pedro Pinto Peixoto Velho e o auxiliar petrógrafo José Domingues dos Santos Filho, da equipe do Museu Nacional, ficaram lá (Gazeta de Notícias, 8 de junho de 1916, penúltima coluna e Gazeta de Notícias, 10 de junho de 1916, terceira coluna). De maio a outubro de 1916, eles colheram materiais, produziram registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. A fauna brasileira ficou acrescida e a ciência ganhou novas espécies, principalmente entre aves e peixes, conforme levantamento fotográfico realizado por José Domingues dos Santos Filho (Revista da Sociedade Brasileira de Ciências, 1919).

 

 

O vapor Carlos Gomes partiu do Rio de Janeiro, em 24 de setembro, para a Ilha da Trindade onde permaneceu por cerca de 15 dias. Chegou de volta ao Rio de Janeiro, em 13 de outubro, trazendo os preparadores do Museu Nacional, Pedro Pinto Peixoto Velho e José Domingues dos Santos Filho (Gazeta de Notícias, 23 de setembro de 1916, sexta coluna;  Gazeta de Notícias, 15 de outubro de 1916, segunda coluna; e Revista Marítima Brasileira, 1916).

Foi noticiado que haviam sido feitas importantes descobertas pela equipe do Museu Nacional que havia regressado da Ilha da Trindade (Gazeta de Notícias, 22 de outubro de 1916, última coluna).

1918 – Em 3 de agosto, o professor Bruno Lobo fez uma conferência sobre a Ilha da Trindade, na Biblioteca Nacional. Na plateia, o professor Ramiz Galvão (1846 – 1938), o ministro da Marinha Alexandrino de Alencar e o senador Epitácio Pessoa (1865 – 1942), entre outros (Gazeta de Notícias, 5 de agosto de 1918, segunda coluna).

 

 

1919 - O volume de 1919 dos Arquivos do Museu Nacional, dedicado à comemoração do centenário do museu, trouxe três artigos relativos às descobertas realizadas na expedição de 1916 à Ilha da Trindade: de Bruno Lobo, de Lauro Travassos e de Alípio de Miranda Ribeiro (Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 1919).

 

José Domingues dos Santos Filho (1866 – 19?) e almirante Moraes Rego (1882 – 1941)***

 

As fotografias publicadas nesse artigo, que pertencem ao acervo do Departamento do Patrimônio Histórico da Marinha do Brasil, foram utilizadas durante a conferência proferida pelo então diretor do Museu Nacional, Bruno Lobo, em 3 de agosto de 1918, na Biblioteca Nacional. Ao final, ele comentou sobre as fotografias:

As fotografias que documentam o presente trabalho foram executadas em sua maioria pelo praticante do Museu Nacional José Domingues dos Santos, devendo contudo algumas à gentileza do comandante Moraes Rego‘.

Tanto Moraes Rego como Santos Filho haviam ido para Trindade a bordo do cruzador Barroso, que chegou à ilha em maio de 1916. Porém Moraes Rego retornou ao Rio de Janeiro no mesmo navio, em junho, enquanto que Santos Filho permaneceu na Ilha da Trindade até outubro de 1916, quando voltou para o Rio de Janeiro a bordo do vapor Carlos Gomes.

 

José Domingues dos Santos Filho (1866 – 19?)

 

Nascido em 22 de fevereiro de 1866, em Rezende, José Domingues dos Santos Filho, da equipe do Museu Nacional, na viagem de 1916 para a Ilha da Trindade,  foi, como já mencionado, o responsável pela maioria das fotos produzidas na ocasião. Em maio de 1917, poucos meses depois de assumir a diretoria do Museu Paulista, Affonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958) contratou José Domingues dos Santos Filho, nascido em Rezende, em 22 de fevereiro de 1886, como desenhista-fotógrafo e auxiliar do botânico Frederico Carlos Hoehne (1882-1959). Ambos vinham do Rio de Janeiro, onde haviam colaborado em instituições científicas como, por exemplo, o Museu Nacional. Hoehne e ele também atuavam nos Institutos Soroterápico (futuro Butantan) e Bacteriológico.

José Domingues dos Santos Filho seria responsável no Museu Paulista pela confecção de fotografias, de cópias de diversos mapas, pelos desenhos científicos e ao menos de uma série composta por 12 desenhos aquarelados, a maioria deles baseada nas obras de Hercule Florence (1804-1877). Essas aquarelas integraram a sala “Consagrada ao passado da cidade de São Paulo”, que foi inaugurada em outubro de 1918. Também faziam parte da sala telas como as de José Wasth Rodrigues (1891-1957)  representando os largos do Palácio e da Sé, o grande panorama Inundação da Várzea do Carmo (1892), de Benedito Calixto (1853-1927), documentos históricos emprestados pelo Arquivo Municipal de São Paulo, referidos como uma série de alto valor evocativo absolutamente insubstituível, além de plantas da cidade de São Paulo, como a produzida pelo engenheiro alemão (1804 – 1856), em 1841, copiada por José Domingues dos Santos Filho (Correio Paulistano, 11 de outubro de 1918, quarta coluna).

Em 1920, apesar de estar doente, Santos Filho encaminhou uma série de mapas a Taunay mas informou não ter mais condições de realizar serviços muito extensos. Provavelmente referia-se ao Ensaio geral das Bandeiras paulistas, carta cartográfica onde seu nome aparece com destaque. No mesmo ano foi exonerado, a pedido, do Instituto Soroterápico (Butantan), onde era fotógrafo-micrografista  (Correio Paulistano, 11 de novembro de 1920, quarta coluna). Em 1921, continuava a prestar serviços fotográficos para o Museu Paulista. Seria ele, entre 1928 e 1929, o fotomicrógrafo do Laboratório Central da Diretoria do Serviço de Inspeção e Fomento Agrícola do Ministério da Agricultura? (Almanak Laemmert, 1929 e 1930, )

 

Tácito Reis de Moraes Rego (1882 – 1941)

 

 

O então capitão-tenente Tácito Reis de Moraes Rego foi para Trindade como o encarregado pela montagem da estação radiotelegráfica da ilha (Gazeta de Notícias, 20 de maio de 1916). Ele, Bruno Lobo e o pessoal do escaler que os levou do navio à ilha foram os primeiros a desembarcar em Trindade (Correio de Notícias, 1º de junho de 1916, quinta coluna). Retornou ao Rio de Janeiro, a bordo do cruzador Barroso, em 9 de junho de 1916, e, no dia seguinte, apresentou-se ao então ministro da Marinha, Alexandrino de Alencar, e explicou ser impossível a instalação de uma estação radiotelegráfica na ilha (Correio de Notícias, 11 de junho de 1916, quinta coluna).

Nascido no Rio de Janeiro, em 8 de março e 1882, Moraes Rego ingressou na Escola Naval em 1898, serviu nos navios Minas Gerais e Rio Grande do Sul como radiotelegrafista. Em 1928, quando era adido naval, cursou a Escola de Guerra Naval. Comandou os cruzadores Barroso e o Rio Grande do Sul. Em 1930, comandou a Divisão Naval do Norte e a Divisão de Cruzados. Em julho de 1932, foi designado capitão do Portos de São Paulo, sediado em Santos. Foi também comandante da 2ª Divisão Naval, diretor geral da Fazenda da Marinha, diretor do Serviço de Rádio e diretor geral de Navegação. Quando faleceu, em 14 de dezembro e 1941, era diretor geral do Ensino Naval e presidente do Conselho do Almirantado (Correio da Manhã, 16 de dezembro de 1941, quarta coluna).

É o patrono das Comunicações Navais no Brasil por ter sido o primeiro encarregado da Estação Radiotelegráfica da Ilha das Cobras – Estação Central e por sua atuação nos primórdios das comunicações na Marinha do Brasil.

 

**Andrea Wanderley é editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica

*** O pequeno perfil aqui publicado sobre José Domingues dos Santos Filho foi baseado principalmente no trabalho Desenhos como intermediários no projeto de exposição de Taunay para o Museu Paulista: as aquarelas de José Domingues dos Santos Filho, publicado em 2019, de autoria de Ana Paula Nascimento, doutora em História da Arquitetura e do Urbanismo.

 

Fontes:

Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832 – 1930) – Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz

DUARTE, Regina Horta. Barth e a Ilha da Trindade in Histórias, Ciências, Saúde –  Manguinhos, 2012

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

LOBO, Bruno. Conferência sobre a Ilha da Trindade in Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1919.

NASCIMENTO, Ana Paula. Desenhos como intermediários no projeto de exposição de Taunay para o Museu Paulista: as aquarelas de José Domingues dos Santos Filho, 2019

RIBEIRO, A. de Miranda. A fauna vertebrada da Ilha da Trindade in Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1919.

RIBEIRO, Paulo de Miranda. O professor Carlos Moreira. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1947.

Site do Instituto Oswaldo Cruz

Site do Ministério da Defesa

O objeto de trabalho: Augusto Malta e sua câmera fotográfica

O objeto de trabalho: Augusto Malta e sua câmera fotográfica

Beatriz Kushnir e Carolina Ferro*

 

A facilidade com a qual produzimos uma fotografia nos dias atuais faz com que nos esqueçamos das dificuldades enfrentadas no passado para registrar um determinado momento, monumento ou evento. Da vinda do daguerreótipo para o Brasil, na década de 1840, até as primeiras décadas do século XX, os objetos destinados às fotografias eram muito maiores e mais complexos. As imagens eram, em sua grande maioria, em preto e branco, tendo em vista que a versão colorida era uma novidade que seria popularizada aos poucos, pós 1907. Também aos poucos os fotógrafos se profissionalizavam e se preocupavam com seus instrumentos de trabalho, acompanhando os avanços técnicos que se aceleravam. Nesse período, mais especificamente no início do século XX, Augusto Malta, fotógrafo oficial do município do Rio de Janeiro, foi um dos nomes mais célebres da fotografia no Brasil.

Malta percorreu a cidade do Rio de Janeiro com diversas câmeras, uma boa parte operada com chapas de vidro à base de gelatina. Segundo Amanda Danelli Costa (2019), essas chapas eram bastante sensíveis à luz, o que permitiam “diafragmas bem fechados e velocidades de obturador entre um segundo e um quarto de segundo”, o que é um avanço se compararmos com os vários minutos que a fotografia demorava a ficar pronta nos seus primórdios. Segundo a autora (COSTA, 2019), os objetos de trabalho de Malta carregavam grandes formatos de negativos (24X30 cm, 18X24 cm e 13X18 cm) e essas informações nos ajudam a afirmar que as técnicas e as câmeras utilizadas por ele são essenciais para a compreensão da qualidade das fotografias que esse profissional nos proporcionou durante mais de 30 anos de trabalho. Ele se deslocava pela cidade sempre com uma câmera pesada, um tripé de madeira, um flash de magnésio e uma maleta com as chapas (BUENO, 2014). Uma dessas câmeras se encontra, hoje, no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

 

Máquina fotográfica de Augusto Malta

Máquina fotográfica de Augusto Malta

 

Não cabe aqui retomar toda a vida de Augusto Malta, tão amplamente divulgada por inúmeros estudiosos. Mas cabe salientar que detalhes importantes de sua vida profissional estão em documentos encontrados no AGCRJ. Do decreto de nomeação à aposentadoria, o viés público de Malta nos faz refletir sobre a prática de produção de uma memória política e histórica pelo poder público e sobre a importância da fotografia como documento.

O alagoano Augusto Malta tornou-se fotógrafo através do decreto n° 445, de 27 de junho de 1903, publicado pelo prefeito Pereira Passos, um dos grandes responsáveis pela remodelação da cidade do Rio de Janeiro. Dentre suas atribuições, estavam “tirar provas photographicas, no número que for necessário, dos edifícios, monumentos, obras da municipalidade e pontos do Districto Federal que lhe forem determinados e bem assim, quando o diretor geral o julgar conveniente, auxiliar o expediente da Directoria”, que era a de Obras e Viação. Para cumprir com uma missão tão grandiosa, Malta precisou de auxiliares, sendo os seus filhos, Aristógiton e Uriel, os mais conhecidos.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Augusto Malta e de seus filhos Aristógiton e Uriel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Em 1909, o cargo de fotógrafo oficial da prefeitura foi extinto, mas em 1913 ele foi recriado e Malta foi o escolhido para ocupar esse lugar devido ao seu profissionalismo e à qualidade de suas fotografias. Ele começou seu trabalho de forma amadora, mas era um grande estudioso e autodidata, o que fez com que aprimorasse sua técnica e a qualidade de suas obras. Ficou na prefeitura até 25 de agosto de 1936, quando se aposentou, tendo passado por 19 prefeitos, comprovando que as disputas políticas pelas quais o Brasil enfrentou, inclusive no período dos movimentos da década de 1930, deixaram intocáveis seu serviço público muito bem prestado. Quem o substituiu foi seu filho Aristógiton, sendo nomeado alguns dias depois, em 9 de setembro do mesmo ano.

No percurso da carreira de Malta, há um momento que, para os historiadores e pesquisadores do Rio de Janeiro em geral, é precioso. Em 1931, o cargo de fotógrafo oficial da prefeitura passa da Diretoria Geral de Viação e Obras para a Diretoria Geral de Engenharia e, no ano seguinte, através do decreto n° 3.759, de 30 de janeiro, novas atribuições somam-se às já relatadas. Agora, é necessário “§2 – Organizar o Archivo photographico e histórico dos serviços executados” e “§3º – Fornecer ao Archivo geral as fotografias históricas relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimonias realisadas e que tiverem sido photographadas”. Isto significa que Malta passa a ser obrigado por lei a entregar o material produzido na execução de seu trabalho ao Arquivo do Distrito Federal, atual AGCRJ. Graças a essa decisão é que temos mais de 30 mil negativos de Malta em nosso acervo, uma vasta coleção que carrega a história das fotografias e suas técnicas, bem como a história de nossa cidade.último decreto nos faz supor que, ao se aposentar, Malta também teria entregado uma de suas câmeras (talvez a mais utilizada para os serviços da prefeitura), tendo em vista que era um patrimônio da municipalidade, mas, infelizmente é só uma suposição. Malta continuou trabalhando como fotógrafo até sua morte, por enfarto, aos 93 anos.

 

 

A Câmera que se encontra no AGCRJ, provavelmente, é uma Speed Graphic, da empresa Graflex. Lançada pela primeira vez em 1912, ela tinha como propósito ser um instrumento de fotografia de paisagens, voltadas para profissionais que necessitavam de uma câmera mais leve, eficaz e preparada especificamente para esta função. Possivelmente, esse objeto foi adquirido bem depois de seu lançamento, tendo em vista que, à época, as novidades tecnológicas não chegavam com a mesma rapidez que nos dias atuais e, muitas vezes, era necessário importa-las. Sua qualidade é tão notável que, ainda hoje, existem fotógrafos que usam essa câmera para ter a mesma experiência do passado.

 

Máquina fotográfica de Augusto Malta

Máquina fotográfica de Augusto Malta

 

Ao pesquisar sobre a câmera utilizada por Augusto Malta, inúmeras questões são levantadas. Como e quando ela chegou ao AGCRJ? Em que momentos Malta utilizou esse instrumento? Será que ela foi uma das câmeras mais utilizadas pelo fotógrafo? Por que decidiram doar esta e não as outras câmeras? Qual era a circulação e como era a utilização desse tipo de câmera no Rio de Janeiro e no Brasil? Onde esse objeto teria sido comprado?

Infelizmente não temos muitas informações sobre a câmera de Augusto Malta, tendo em vista que os funcionários do Arquivo do Distrito Federal da época não registraram sua entrada, nem suas especificidades. Por isso, convidamos especialistas em câmeras fotográficas e em história da fotografia a visitarem o AGCRJ e nos ajudarem a resgatar um pouco mais da memória desse que foi um personagem icônico de nossa cidade e que nos forneceu inúmeros caminhos de pesquisa.

 

Máquina fotográfica de Augusto Malta

Máquina fotográfica de Augusto Malta

 

 

*Esse artigo teve uma preciosa ajuda na pesquisa e revisão de Rafael Martins de Araújo, estagiário da Gerência de Pesquisa do AGCRJ.

Beatriz Kushnir é diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). Tem estágio pós-doutoral pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e é doutora em História pela mesma instituição.

Carolina Ferro é gerente de pesquisa do AGCRJ, professora do Centro Universitário Carioca (UniCarioca) e doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

Fontes:

Fontes secundárias:

Livros e artigos:

BUENO, Débora Gauziski de Figueiredo. Documentando a experiência urbana carioca: o Rio de Janeiro pelas fotografias de Augusto Malta e do Rio 365. 2014. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.

COSTA, Amanda Danelli. Augusto Malta e a fotografia da alma dos quiosques cariocas. Acervo, Rio de Janeiro, v. 32, n. 2, p. 117-132, maio/agosto 2019.
______. Impressões imagéticas: história, memória e a fotografia carioca de Augusto Malta. 2007. Dissertação (Mestrado em História Social da Cultura) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

TURAZZI, Maria Inez. Câmara fotográfica de Marc Ferrez. In: KNAUSS, Paulo; LENZI, Isabel; MALTA, Marize (Orgs.). História do Rio de Janeiro em 45 objetos. Rio de Janeiro: FGV Editora / Jauá editora / FAPERJ, 2019.

KOSSOY, Boris. O daguerreotipo nos trópicos. Jornal da USP. Publicado em: 29 mar. 2019. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=233593. Acesso em: 30 jul. 2019.

LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (Coord.). Augusto Malta: catálogo da série negativo em vidro / Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Divisão de Editoração, 1994.

MOREIRA, Regina da Luz. Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio. Portal Augusto Malta. Publicado em: 18 ago. 2008. Disponível em: http://portalaugustomalta.rio.rj.gov.br/blog-post/augusto-malta-dono-da-memoria-fotografica-do-rio. Acesso em: 30 jul. 2019.

Sites:

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/speed-graphic/which-model.html. Acesso em: 15 ago. 2019.

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/speed-graphic/graphic-models.html. Acesso em: 15 ago. 2019.

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/graflex-products-list.html. Acesso em: 15 ago. 2019.

Informações sobre as máquinas Graflex. Disponível em: https://graflex.org/speed-graphic/. Acesso em: 16 ago. 2019.

CLEAVE, Joe Van. A 75 year Old Camera Review. Youtube. Publicado em: 28 mar. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IQEXobv3OC4. Acesso em: 15 ago. 2019.

LENG, Bopp. Graflex Pacemaker Speed Graphic. Youtube. Publicado em: 19 jan. 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/results?search_query=Graflex+speed+graphic++1920. Acesso em: 15 ago. 2019.

Fontes primárias:

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 445, de 27/06/1903.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 1365, de 22/07/1919.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 3484, de 13/04/1931.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Decreto nº 3759, de janeiro de 1932.

PREFEITURA DO DISTRICTO FEDERAL. Boletim da PDF. Jul./set. 1936, p. 316.

 

 

Cronologia de Augusto Malta

Andrea Wanderley**

 

1864 – Em 14 de maio, Augusto Cesar Malta de Campos nasceu em Mata Grande, Alagoas, filho do escrivão Claudino Dias de Campos e Blandina Vieira Malta de Campos. Foi batizado em 5 de junho, na matriz de Nossa Senhora de Mata Grande.

1886 – Deixou de morar com o padre Antonio Marques de Castilho, com quem havia ido residir por decisão de seu pai, que queria que ele seguisse a carreira religiosa. Alistou-se no Exército, no Recife. Pretendia seguir a carreira militar, mas, posteriormente, quando cumpriu o prazo de tempo de serviço, foi dispensado.

1887 - Serviu no Exército como cadete sargento. Tornou-se republicano e participou com estudantes de encontros revolucionários.

1888 – Em maio, participou, ainda no Recife, de manifestações a favor da abolição da escravatura. No fim desse ano, chegou ao Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego na cidade foi o de auxiliar de escrita da Casa Leandro Martins, localizada na rua dos Ourives, atual rua Miguel Couto.

1889 - Foi promovido a guarda-livros. Participou dos acontecimentos de 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República no Brasil e, no dia seguinte, foi um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dando posse ao governo provisório republicano.

1890 – Por volta desse ano, Augusto Malta visitou a família, em Alagoas, e trouxe, para o Rio de Janeiro, seus irmãos Alfredo e Joaquim Pópolo. Seus irmãos Fernando e Teófilo vieram para o Rio um pouco depois. Casou-se com sua prima distante, a alagoana Laura Oliveira Campos. O casal teve cinco filhos: Luthgardes (1896-?), Arethusa (1898-1913), Callisthene (1900-1919), Aristocléa (1903-1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; e Aristógiton (1904-1954). Todas as filhas do casal morreram de tuberculose. Durante a década de 1890, abriu casas comerciais, mas não foi bem sucedido. Fundou uma loja de secos e molhados, a Casa Ouvidor, na rua de mesmo nome, mas teve que fechá-la. Depois, instalou outra loja de secos e molhados, na rua Larga de São Joaquim, atual avenida Marechal Floriano, que também não prosperou. Começou, então, a vender tecidos finos.

1900 – Em agosto, foi criado, entre os sócios do Congresso Commercial, o Grupo de Velocemen com o objetivo de organizar passeios ciclísticos pela cidade. Augusto Malta foi aclamado secretário da agremiação (Semana Sportiva, 25 de agosto de 1900, na seção “Velocipedia”).  Foi noticiado o passeio ciclístico inaugural do grêmio velocipédico (Semana Sportiva, 29 de setembro de 1900, na seção “Velocipedia”). Um dos clientes de Malta, um aspirante da Marinha, propôs que ele trocasse a bicicleta, que usava para entregar encomendas de tecidos, por uma máquina fotográfica. No início, Malta não aceitou, mas dias depois concordou com a troca. Continuou a vender fazendas, a pé, e começou, então, a se interessar por fotografia. Aos domingos, saía para tirar fotografias com um amigo, também fotógrafo amador.

1903 – Foi apresentado pelo empreiteiro Antônio Alves da Silva Júnior, fornecedor da Prefeitura do Rio de Janeiro, que já havia visto suas fotografias, ao prefeito, Francisco Pereira Passos (1836-1913), que promovia uma grande reforma urbana na cidade, que ficou conhecida como o “bota-abaixo”. Ele precisava de um fotógrafo para registrar as obras e os imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações. Em 27 de junho, pelo Decreto Municipal 445, Augusto Malta foi nomeado fotógrafo da Prefeitura do Distrito Federal. O cargo foi criado para ele e era subordinado à Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura. Trabalhou durante 33 anos para a Prefeitura do Rio de Janeiro.

1904 – Fotografou a comemoração do Dia do Trabalho, promovida por Domingo Rodrigues Pacheco e Antônio Alves da Silva Júnior, proprietários das pedreiras situadas à rua Conselheiro Bento Lisboa (Correio da Manhã, 02 de maio de 1904, sob o título “Um almoço”). Este último foi quem apresentou Malta a Pereira Passos. Malta um dos fundadores da Sociedade Cartophila Emanuel Hermann, uma associação incentivadora da divulgação de cartões-postais.

Foi realizada no escritório do jornal Correio da Manhã uma exposição com as fotos que Malta produziu da Batalha de Flores, e de outras de sua autoria (Correio da Manhã, 29 de setembro de 1904, quarta coluna).

1905 – O então prefeito Pereira Passos, na Mensagem enviada ao Conselho Municipal, chamava atenção para a importância do trabalho realizado no laboratório fotográfico da Diretoria de Obras e Viação pela verificação que permitirá aos vindouros da transformação que operam na cidade com os melhoramentos ora em execução. No dia 7 de novembro, ocorreu um incêndio de grandes proporções no Centro do Rio de Janeiro, entre as ruas do Lavradio, da Relação, dos Inválidos e do Rezende. O laboratório e a residência de Malta, localizados na rua do Lavradio, nº 96, foram atingidos. Ele e a família conseguiram escapar apenas com a roupa do corpo (O Paiz, 8 de novembro de 1905, sob o título “Pavoroso Incêndio). Na ocasião, foram destruídos cerca de quinhentos clichês da coleção de Malta de pontos demolidos ou desaparecidos da cidade do Rio de Janeiro, devido à reforma urbana promovida pela Prefeitura.

Foi contratado pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited – que ficaria popularmente conhecida como Light. Ao longo dos anos, prestando serviços para a empresa, Malta fotografou as atividades modernizadoras da Light no Rio de Janeiro, como a implantação dos bondes elétricos e da iluminação pública.

1906 – Faleceu sua esposa, Laura Oliveira Campos. Augusto Malta passou a viver maritalmente com Celina Augusta Verschueren (1884 – 19?), que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, Malta teve mais quatro filhos: Dirce (1907 – ?), Eglé (1909 – ?), Uriel (1910 – 1994) e Amaltéa (1912 – 2007).

Fotografou a Conferência Internacional Pan Americana, inaugurada, no Rio de Janeiro, em 23 de julho. Durante o evento, conheceu Joaquim Nabuco, na época representante do Brasil nos Estados Unidos. Tornaram-se amigos.

Em setembro, feriu sua mão esquerda fazendo experimentos com a câmara escura (Correio da Manhã, 12 de setembro de 1906,a primeira coluna, abaixo de “Assistência à Infância”).

Obteve a carta patente de major da Guarda Nacional assinada pelo então presidente da República, Afonso Pena (1847-1909). 

Foi identificado como major, além de fotógrafo da Prefeitura, quando fez uma visita ao ministro da Justiça e Negócios Interiores, Felix Gaspar de Barros e Almeida (1865 – 1907), que foi fotografado por ele (Correio da Manhã, 26 de setembro de 1906, na seção “Do Maranhão”, na sexta coluna).

1907 – Participou com fotografias que documentavam as transformações do Rio de Janeiro da Terceira Exposição do Photo-Club e primeira do Salão Livre de Belas Artes, promovida pelo Photo-Club. A mostra, realizada no Museu Commercial, na avenida Central, contava com 170 fotografias e 142 pinturas (Gazeta de Notícias, 13 de agosto de 1907, sob o título “Nossos Artistas”). Ganhou o terceiro prêmio na categoria de profissionais. O júri não considerou nenhum dos trabalhos merecedores do 1º e 2º lugares (O Paiz, 28 de agosto de 1907, abaixo da propaganda “Retalhos e Saldos”).

Malta apareceu em duas fotos da revista O Malho. Na primeira, de 3 de agosto de 1907, foi fotografado durante a queima das listas e cadernetas que serviram para o recenseamento feito pelo ex-prefeito Pereira Passos. Na edição de 10 de agosto, foi fotografado participando da inauguração oficial, pela Light and Power, do serviço de distribuição de energia elétrica, produzida por motor hidraúlico, no Rio de Janeiro.

1908 – Colaborou com fotografias na revista Exposição Nacional, edição especial da Revista da Época, fundada por Carlos Vianna.

1909 –  A Prefeitura, através da Diretoria de Estatística, ilustrou o guia La ville de Rio de Janeiro et ses environs com algumas de suas fotografias.

Foi extinto o cargo de Malta, que ficou adido à Subdiretoria de Serviços da Carta Cadastral, na Diretoria de Obras e Viação. Prestou, então, serviços particulares de fotografia para o ex-prefeito Pereira Passos.

Malta encontrou os equipamentos fotográficos que haviam sido roubados de sua casa (A Notícia, 26 de agosto de 1909, sob o título “Apprehensão de Furto“).

Passou a ser sócio efetivo do Centro Alagoano (O Século, 7 de outubro de 1909, sob o título “Centro Alagoano“).

Com o prefeito do Rio de Janeiro, Serzedelo Correa ( 1858-1932), visitou a Villa Ipanema e participa da inauguração da área de diversões da Brahma (O Paiz, 29 de novembro de 1909, sob o título “Villa Ipanema”).

1910 - Criou o Centro Fotográfico de Propaganda no Brasil.

Por ordem do prefeito Serzedelo Correa, foi posto à disposição da comissão de inspeção escolar (Gazeta de Notícias, 6 de agosto de 1910, na seção “Prefeitura“).

1911 – Em junho, fotografou o presidente da República, Hermes da Fonseca (1855 – 1923).

Foi autorizado pelo prefeito do Rio de Janeiro, Bento Ribeiro ( 1856-1921), a organizar a galeria dos ex-prefeitos (Gazeta de Notícias, 10 de julho de 1911, na seção “Prefeitura“).

Em outubro, lançou, em edição de autor, o Álbum geral do Brasil, primeiro fascículo de uma coleção de fotos do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras.

1913 – O prefeito Bento Ribeiro recriou o cargo de fotógrafo oficial da Prefeitura e Malta foi reconduzido à sua antiga posição.

1914 - No Palácio da Guanabara, retratou o presidente da República, Wenceslau Brás (1868-1966) (Gazeta de Notícias, 14 de dezembro de 1914, última notícia da terceira coluna).

1919 – Foi inaugurada a nova sede do Centro Alagoano, sob a direção de Augusto Malta, na rua São José nº 34 (Gazeta de Notícias, 9 de março de 1919).

Com uma nota ilustrada com foto, foi noticiado o aniversário de Augusto Malta (Gazeta de Notícias 14 de maio de 1919).

1922 - Pela primeira vez, devido ao acúmulo de trabalho ocasionado pela Exposição do Centenário da Independência, Malta contratou um ajudante – seu irmão, Teófilo.

1925 – Quando prestava um serviço para a Sul América, uma explosão ocasionada pelo flash de sua máquina fotográfica dilacerou um de seus dedos. Malta foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Seu filho, Aristógiton, começou a auxiliá-lo na Prefeitura.

1930 – Ao longo dessa década, suas fotos ilustraram artigos de Ulysses de Aguiar, um dos pseudônimos de Luiz Gastão d’ Escragnolle Dória (1869-1948), na Revista da Semana, e também de outros autores (Revista da Semana, 2 de fevereiro de 1935, 2 de março de 193527 de julho de 193522 de outubro de 1938).

Em 13 de maio, foi inaugurada, na Associação Brasileira de Imprensa, uma exposição individual de fotografias de Augusto Malta, “O Rio de Janeiro Antigo”.

1931 -1932 –  A Diretoria Geral de Obras e Viação foi substituída pela Diretoria Geral de Engenharia e Malta começou a organizar o arquivo histórico e fotográfico dos serviços executados. Começou então a fornecer ao Arquivo Público as fotografias relativas ao desenvolvimento da cidade ou de cerimônias realizadas.

1936 – Malta deu uma entrevista sobre a extinção dos quiosques no Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 10 de janeiro de 1936). Uma semana depois, um leitor contestou a entrevista (Correio da Manhã, 17 de janeiro de 1936, na última coluna, sob o título “Os velhos kiosques do Rio de Janeiro”).

Foi concedida a ele, pela Associação Brasileira de Imprensa, a carteira de jornalista profissional (Diário Carioca, 4 de abril de 1936).

O jornal O Globo de 1° de agosto, publicou uma matéria sobre a elegância de Malta e comentou o fato dele ter lançado a moda dos óculos de aro de tartaruga. Comentou, também, que ele sempre usava um panamá de fita preta. Sempre sem colete, ao pescoço esvoaçava e ainda esvoaça como borboleta uma gravata de laço preto.

Em 25 de agosto, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por seu filho, Aristógiton, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Posteriormente, seu outro filho, Uriel, passou a trabalhar com o irmão. Augusto Malta continuou a trabalhar como fotógrafo.

Foi um dos colaboradores da homenagem que o Diário de Notícias publicou na ocasião do centenário do ex-prefeito Pereira Passos (Diário de Notícias, 29 de agosto de 1936). Com a publicação de uma foto de Malta, o suplemento do jornal A Noite agradeceu a Malta por ter facilitado singularmente o trabalho de reminiscência fotográfica da remodelação da cidade em uma matéria publicada pelo periódico na ocasião do centenário de Pereira Passos (A Noite, 1º de setembro de 1936).

Malta foi um dos homenageados por serviços prestados ao Centro Alagoano, na ocasião da comemoração do 119º aniversário da emancipação de Alagoas e do 49º aniversário da associação (A Offensiva, 16 de setembro de 1936, na última coluna, sob o título “Emancipação política do Estado de Alagoas”).

1937 - Participou, como escrutinador, das eleições da Associação Brasileira de Imprensa (Correio da Manhã, 4 de maio de 1937, na terceira coluna).

1938 – Foi publicada uma reportagem sobre Augusto Malta. Nela, Malta comentou ter produzido a foto do Barão de Rio Branco de costas por sugestão do escultor Rodolfo Bernardelli (Diário da Noite, 13 de janeiro de 1938).

O jornal Diário da Noite sugeriu que a Prefeitura adquirisse o arquivo fotográfico de Malta (Diário da Noite, 2 de março de 1938, na última coluna, sob o título “Uma suggestão do Diário de Noite”).

Tornou-se sócio honorário do Centro Carioca (O Imparcial, 29 de junho de 1938, sob o título “A grande Assembléa Geral do Centro Carioca”).

Foi lançado o livro O Rio de Janeiro de meu tempo, de Luiz Edmundo, ilustrado com fotos de diversos fotógrafos, dentre eles, Malta (O Jornal, de 28 de agosto de 1938).

O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos stands de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (A Noite, 31 de outubro de 1938, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”).

1939 – O Diário da Noite publicou uma fotografia de autoria de Malta, de 1907, em que o escritor Machado de Assis foi retratado tendo uma síncope e sendo socorrido por populares no Cais Pharoux (Diário da Noite, 21 de junho de 1939).

1940 – Durante essa década, suas fotos ilustram vários artigos de Luiz Gastão d’ Escragnolle Dória (1869-1948) na Revista da Semana.

Foi morar em Niterói e anunciou a venda de alguns de seus quadros (Correio da Manhã, 8 de fevereiro de 1940, na primeira coluna, sob o título “Photographias do Rio Antigo”).

1941 – Vende para a Biblioteca Nacional 280 fotos distribuídas em vários álbuns.

Na coluna assinada por Roberto Macedo, intitulada “Notas Históricas – A Primeira Posse Republicana”,  no Correio da Manhã, Augusto Malta foi citado como um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 16 de novembro de 1889, dando posse ao governo provisório republicano (Correio da Manhã, 24 de outubro de 1941, na sétima coluna).

1942 – Vendeu fotografias para o Museu Paulista.

Foi a uma missa de Ação de Graças pelo restabelecimento da saúde do presidente do Brasil, Getúlio Vargas (1882-1954), realizada na igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro (O Jornal,  27  de agosto de 1942).

Sofreu uma intervenção cirúrgica (O Jornal, 26 de setembro de 1942, na seção “Notas Mundanas”).

1943 – Malta apoiou que se presenteasse os condutores de bondes no Natal (Gazeta de Notícias, 24 de novembro de 1943).

Em reportagem sobre o Barão do Rio Branco, foram publicadas várias fotos de autoria de Augusto Malta (Illustração Brasileira, outubro de 1943)

1944 – Malta foi roubado por uma ladra na barca entre o Rio de Janeiro e Niterói (Correio da Manhã10 de fevereiro de 1944, na seção “O Dia Policial”).

Na edição de natal da Revista da Semana, de 16 de dezembro de 1944, foi descrito como um nortista tipo perfeito da classificação conhecida: braquicéfalo, altura mediana, maxilares salientes, olhos amendoados como os de um mongol. Na verdade, visto de perfil, parece-se com um soldado de Chiang-Kai-Chek, que tivesse abandonado a farda… Há cinquenta anos usa uma gravata borboleta, dessas preferidas pelos pintores e poetas do século passado.

1945 – Malta foi comparado a Marc Ferrez (Boletim da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, 1945): A documentação fotográfica e de gravuras era, como se vê, abundante e valiosa, oriunda de desenhos de Rugendas e outros, e de fotografias de Marc Ferrez, que desempenhou no Império a função que mais tarde seria, no Rio, exercida por Augusto Malta, fotógrafo da Prefeitura: de documentador pela imagem dos principais acontecimentos de seu tempo”. No Jornal do Brasil, de 11 de fevereiro de 1945, Malta é comparado a José de Alencar, no artigo “A velha e nobre Tijuca”, de Everardo Backheuser: “José de Alencar em Sonhos d´Ouro foi para a Tijuca das cercanias da Guerra do Paraguai o que Augusto Malta representa para o Rio de Janeiro do tempo de Pereira Passos. Cada qual ao seu modo gravou de maneira indelével as recordações do “quadro geográfico” da respectiva era. Graças a Malta, eu e outros temos podido documentar asserções sobre a geografia carioca do princípio do século. José de Alencar vai me servir para ilustrar com exemplos fatos da geografia da Tijuca daqueles afastados tempos. Em artigos posteriores, Backheuser voltou a elogiar o trabalho de Malta.

1946 - Foi noticiado que Augusto Malta teve sua carteira roubada em um bonde no Rio de Janeiro (O Fluminense, 21 de agosto de 1946, sob o título “Cuidado com os batedores de carteiras”).

1947 - Em seu aniversário, foi homenageado pelos jornalistas credenciados junto ao gabinete do prefeito (A Noite, 14 de maio de 1947, na coluna “Sociedade”).

1948 – Publicação da reportagem Centenário de Rodrigues Alves, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (O Cruzeiro, 17 de julho de 1948).

Publicação da reportagem Biografia da cidade – Largo da Carioca, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta e Ângelo Regato (O Cruzeiro, 16 de outubro de 1948).

1949 – Publicação da reportagem Centenário de Joaquim Nabuco, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta, identificado como o fotógrafo mais antigo do Brasil (O Cruzeiro, 20 de agosto de 1949).

Publicação da reportagem Rui na intimidade, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta e Aristogiton Malta (O Cruzeiro, 12 de novembro de 1949).

1950 – Foi internado na Ordem Terceira da Penitência (A Manhã, 19 de janeiro de 1950, na seção “Mundo Social”).

Publicação da reportagem Banho de mar – 1915, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (O Cruzeiro, 22 de abril de 1950).

Por ocasião de seu aniversário, foi saudado como o mais velho repórter fotógrafo do Brasil (A Manhã, 13 de maio de 1950, na seção “Mundo Social“).

Na edição de O Cruzeiro, de 9 de setembro de 1950foi publicada a matéria Biografia da cidade – Do Convento da Ajuda às luzes da Cinelândia , com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta e Luciano Carneiro. Contava a história da Cinelândia e as  fotos antigas que ilustraram a reportagem foram produzidas por Malta, em 1911. São do Convento da Ajuda, de sua demolição e do terreno que ocupava, após a demolição; e do edifício do antigo Conselho Municipal. As fotografias abaixo estavam entre as que foram publicadas na reportagem.

 

 

 

 

1951 – Publicação da reportagem Biografia da Cidade – O Flamengo e suas ressacas, com texto de Raymundo Athayde e fotos de Augusto Malta (O Cruzeiro, 12 de maio de 1951).

1952 – Ao longo desse ano, a coluna “Transformações da Cidade”, do jornal Correio da Manhã, foi ilustrada com fotos de Malta.

Também a partir desse ano até 1955, a coluna “Rio Antigo”, de Charles Julius Dunlop (1908 – 1997), no mesmo jornal, foi, muitas vezes, ilustrada por fotos de Malta. Charles Dunlop e Malta haviam se conhecido na época em que Malta prestava serviços para a Light, empresa na qual Dunlop começou a trabalhar na década de 20.

1953 – Foi publicada uma fotografia dos arquivos de Augusto Malta sobre os banhos a fantasia do carnaval carioca (Diário da Noite, 14 de fevereiro de 1953).

Para ilustrar uma matéria sobre Ipanema, foi publicada uma foto do bairro, tirada por Malta, em 1907 (Diário de Notícias, 27 de março de 1953).

Foi publicado o artigo O Jubileu do Bota Abaixo, sobre a radical reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos no Rio de Janeiro, de autoria do acadêmico Pedro Calmon, com fotos de Augusto Malta (Revista da Semana, 8 de agosto de 1953). Como parte das comemorações da Quinzena do Jornalismo, é um dos 35 decanos da imprensa premiados pelo Sindicato dos Jornalistas com o diploma de honra (Diário Carioca, 21 de novembro de 1953, sob o título “Jornalistas Veteranos”).

1955 - é publicada uma foto de jornaleiros em torno de um quiosque, de Augusto Malta,  sob o título de “O Rio da Velha Guarda” (Diário da Noite, 8 de março de 1955). Na série “Rio de Amanhã”, escrita por Almir de Andrade, é publicada uma foto de Ipanema de autoria de Malta (Diário de Notícias, 1º de maio de 1955). No mesmo ano, foram publicadas pelo Diário de Notícias fotos antigas de Copacabana, do Lido e do Leblon, também de autoria de Malta. Reportagem sobre o lançamento do livro Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop. Publicado pela Editora Gráfica Laemmert Ltda, conta a história do Rio com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Revista da Semana, 5 de novembro de 1955).

1957 – é publicada uma reportagem sobre o arquivo de fotografias de Augusto Malta, na coluna “Letras Vivas” (Diário da Noite, 30 de março de 1957). É lançado o segundo fascículo da publicação Rio Antigo, do pesquisador Charles Dunlop, com ilustrações de Ângelo Agostini, reproduzidas da Revista Illustrada, e com fotos de Malta, Marc Ferrez, George Leuzinger e E.A. Mortimer (Careta, 4 de maio de 1957, sob o título “Documentário Militar no Rio Antigo”). Em 30 de junho, morte de Augusto Malta, no Hospital da Ordem Terceira da Penitência, devido a uma insuficiência cardíaca. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Caju (Correio da Manhã, 2 de julho de 1957, na seção “Prefeitura”).

Para a elaboração da presente cronologia de Augusto Malta, além da pesquisa em dezenas de periódicos e revistas, valemo-nos, especialmente, do livro Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936, de George Ermakoff, e do artigo de Regina da Luz Moreira, “Augusto Malta, dono da memória fotográfica do Rio”, publicado no Portal Augusto Malta.

O lançamento do Portal Augusto Malta, em 2008, foi uma importante iniciativa do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ). No portal, estão reunidos o acervo do fotógrafo na referida instituição e no Museu Histórico da Cidade, além de fotografias de seus filhos, Aristógiton e Uriel Malta. Um dos curadores da Brasiliana Fotográfica, Joaquim Marçal, foi consultor do projeto.

O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, o Arquivo Fotográfico da Light, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional são outros importantes acervos da obra do fotógrafo.

Link para publicações sobre a obra de Augusto Malta no site do Instituto Moreira Salles

Link para a matéria Banho de mar – 1915, escrita por Raymundo Athayde e ilustrada com fotografias de Augusto Malta, publicada na revista O Cruzeiro, 22 de abril de 1950).

Link para a matéria Do Convento da Ajuda às luzes da Cinelândia, escrita por Raymundo Athayde com fotos de Augusto Malta e Luciano Carneiro, publicada na revista O Cruzeiro, 9 de setembro de 1950. 

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Anais do Museu Histórico Nacional: volume XXXII – 2000, pág 131.

BULHÕES, Antonio & REBELO, Marques. O Rio de Janeiro do bota-abaixo. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997

CAMPOS, Fernando Ferreira. Um fotógrafo, uma cidade: Augusto Malta, Rio de Janeiro: Maison Graphique, 1987.

Catálogo da Exposição comemorativa da doação do Acervo Brascan ao IMS – Guilherme Gaenly e Augusto Malta: dois mestres da fotografia brasileira no Acervo Brascan. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2002

ERMAKOFF, George. Augusto Malta e o Rio de Janeiro: 1903-1936 / George Ermakoff; tradução para o inglês Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2009. 288p. : il.; 28cm

KOSSOY, Boris. A fotografia como fonte histórica: introdução à pesquisa e interpretação das imagens do passado. São Paulo: Secretaria da Ind., Com., Ciência e Tecnologia, 1980. (Coleção Museu &Técnicas; 4).

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (coord.). Augusto Malta, Aristógiton Malta: catálogo da série negativo em vidro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994. (Biblioteca carioca, 29. Instrumentos de pesquisa)

Nosso Século. São Paulo; Abril Cultural, 1980. vol 1 (1900-1910)

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site da Enciclopédia Itau Cultural

Site do Centro Cultural da Light

Site do Instituto Moreira Salles

Site do Museu da Imagem e do Som

Os 180 anos da invenção do daguerreótipo – Os álbuns da Comissão Geológica do Império com fotografias de Marc Ferrez

Para comemorar os 180 anos do daguerreótipo, invento que revolucionou em pouco tempo e para sempre a forma do registro do mundo e de seus habitantes, inundando nosso planeta de imagens fotográficas, a Brasiliana Fotográfica apresenta a seus leitores dois artigos. Nesse segundo, o portal traz para seus leitores os dois álbuns da Comissão Geológica do Império, que pertencem ao J. Paul Getty Museum, localizado em Los Angeles, nos Estados Unidos. Foram disponibilizados em alta resolução através do Programa de Conteúdo Aberto do Getty e as fotografias foram produzidas por Marc Ferrez (1843 – 1923), que integrou a expedição, chefiada por Charles Frederick Hartt (1840 – 1878).

Segundo Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles, já com pleno domínio de sua virtuosidade técnica, Ferrez realizou para a comissão um primoroso trabalho documental e paisagístico:

‘…Seu domínio da luz, sua precisão na escolha do ponto de vista, sempre buscam ressaltar os aspectos mais formais e abstratos da cena sendo registrada. É igualmente importante ressaltar que em diversas imagens realizadas por Ferrez, sempre o elemento humano participa de maneira discreta porém marcante, conferindo escala aos cenários naturais e urbanos, e principalmente nos convidando a percorrer a imagem em todas as suas dimensões…Os trabalhos realizados em Paulo Affonso, Pernambuco, Recôncavo Baiano, Abrolhos e sul da Bahia representam um grande esforço documental e registram, além dos aspectos mais claramente geológicos, paisagens naturais e vistas urbanas de grandes cidades e pequenas povoações daquelas regiões, além de elementos antropológicos e etnográficos, como a série dos índios botocudo… Essas imagens também foram utilizadas para ilustrar  a conferência do professor Charles Frederick Hartt durante a IV Exposição Nacional, no Rio de Janeiro… Da mesma maneira, diversas imagens fizeram parte da Exposição Universal da Filadélfia, EUA, em 1876, que contou com a presença de D. Pedro II…’

 

Links para os álbuns da Comissão Geológica do Império, que pertencem ao J. Getty Museum e estão no site da instituição: Primeiro álbum e Segundo álbum

Links para os pdfs dos álbuns da Comissão Geológica do Império, que pertencem ao J. Getty Museum:  Primeiro álbum e Segundo álbum

 

 

Um pouco da história da Comissão Geológica do Império (1875 – 1878), de seu chefe, Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), e da participação de Marc Ferrez (1843 – 1923) como fotógrafo da expedição

 

 

Em 1874, Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), realizou uma expedição científica ao Brasil, durante a qual convenceu as autoridades brasileiras da importância da elaboração de um mapa geológico do Império. Antes, Hartt havia vindo ao Brasil quatro vezes. Pela primeira vez, como membro da Expedição Thayer, entre 1865 e 1866, financiada pelo empresário e filantropo norte-americano Nathaniel Thayer, Jr. (1808-1883) e chefiada por seu ex-professor no Museu de Zoologia Comparada, em Harvard, o suíço Louis Agassiz (1807 – 1873), quando ocupou-se sobretudo em fazer um mapeamento geológico da área do Rio de Janeiro até o norte da Bahia. Em 1867, já estabelecido como conferencista no Instituto Cooper, em Nova York, voltou ao Brasil, de maneira independente, e durante três meses examinou a costa entre Pernambuco e Rio, explorando mais particularmente as vizinhanças da Bahia e as ilhas e recifes do coral dos Abrolhos. Em 1968, tornou-se professor de História Natural no Vassar College e no mesmo ano assumiu a mesma posição na Universidade de Cornell. Em 1870 e em 1871, chefiou as Expedições Morgan ao Amazonas, financiadas pelo político norte-americano Edwin D. Morgan (1811- 1883) .

Além de ter obtido sucesso em seu pleito junto ao Governo Imperial, Hartt conseguiu criar a Comissão Geológica do Império, pelo Aviso de 30 de abril de 1875. Como a comissão estaria ligada ao Ministério da Agricultura, o desenvolvimento das atividades agrícolas e mineradoras a partir do conhecimento que a geologia propiciaria foi um argumento decisivo para sua criação. Foi convidado para chefiá-la e foram nomeados como seus assistentes os geólogos Orville Adalbert Derby (1851 – 1915) e Richard Rathbun (1852-1918) – ambos da Universidade de Cornell -, que chegaram ao Brasil em fins de 1875; John Casper Branner (1850-1922), do Departamento de Botânica e Geologia da Universidade de Indiana; e os brasileiros Elias Fausto Pacheco Jordão (1849 – 1901), que havia se doutorado em 1874 em engenharia civil na Universidade de Cornell, e Francisco José de Freitas, assistente geral e tradutor. Integraram, também, o corpo técnico da comissão os geólogos Luther Wagoner, substituto de Pacheco Jordão, em 1876, que foi posteriormente substituído por Frank Carpenter; o naturalista Herbert Huntington Smith (1851-1919), e o fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923). Segundo Gilberto Ferrez, foi durante as viagens que fez com a Comissão Geológica que Marc Ferrez contraiu uma doença no fígado, da qual nunca se curou.

A Comissão, criada em abril de 1875, iniciou seus trabalhos ativos em 10 de junho de 1875 e percorreu os atuais estados de Alagoas, Bahia, Fernando de Noronha, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe, e parte da região amazônica nessa importante missão científica realizada no Brasil sob os auspícios do governo imperial, que gerou a primeira grande representação fotográfica de diversas regiões do território brasileiro (Illustração Brasileira, 1º de agosto de 1876). O governo decretou o fim da Comissão em 1º de julho de 1877 (Diário do Rio de Janeiro, 7 de julho de 1877, quarta coluna). Segundo Rathbun, o fato aconteceu devido a motivos econômicos e a discordâncias em torno do volume e do valor do trabalho realizado até ali pela comissão. Porém Hartt conseguiu seis meses de prorrogação nos trabalhos. No início de janeiro de 1878, com a formação do novo gabinete liberal, sob o comando do primeiro-ministro João Lins Vieira de Cansanção, o visconde de Sininbu (1810 – 1906), que também era ministro da Agricultura, sua extinção foi efetivada. Segundo Hartt, em junho de 1877,  as coleções zoológicas, geológicas e etnográficas feitas pela Comissão Geológica possuíam cerca de 500 mil espécimes.

Hartt foi contratado como naturalista-viajante do Museu Nacional do Rio de Janeiro, por volta de 1874. Em 1876, assumiu a Seção de Geologia, criada pela reforma do botânico Lasdilau de Souza Mello Netto (1838 – 1894), e reorganizou as coleções e preparou a mostra mineralógica brasileira apresentada na Exposição Universal de Filadélfia de 1876. Faleceu em 18 de março de 1878, um domingo, no Rio de Janeiro, de febre amarela, em sua casa no número 44 da rua da Princesa, atual Correia Dutra, no Flamengo (O Vulgarizador, 15 de maio de 1878) . Os professores e demais funcionários do Museu Nacional deliberaram tomar luto por oito dias (Gazeta de Notícias, 19 de março de 1878, segunda e penúltima colunaJornal do Commercio, 19 de março de 1878, quarta colunaRevista Illustrada, 30 de março de 1878; e O Vulgarizador, 15 de maio de 1878). Morreu sem sua família porque  sua mulher, Lucy Lynde Hartt, com quem havia se casado em 1869, havia voltado com os dois filhos do casal, Mary and Rollin, para Buffalo, nos Estados Unidos, em dezembro de 1876  – não suportou os períodos de solidão, os mosquitos, as doenças e os desconfortos do Rio de Janeiro. Quando partiu do Brasil, ela estava grávida de gêmeos mas a gravidez não se completou, o que trouxe grande tristeza para o casal. Hartt foi enterrado no cemitério de São Francisco Xavier mas, a pedido de sua esposa, seu corpo foi transladado para os Estados Unidos, em 1883.

Suas coleções foram colocadas sob a guarda do Museu Nacional do Rio de Janeiro, única instituição da época capaz de receber intelectual e fisicamente todo o trabalho da Comissão Geológica.

Acessando o link para as fotografias de Marc Ferrez realizadas para a Comissão Geológica do Império disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Breve cronologia da participação de Marc Ferrez nos trabalhos da Comissão Geológica do Império

 

 

1875 – Ferrez começou a trabalhar como fotógrafo da Comissão Geológica do Império, chefiada pelo norte-americano Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), que se tornaria diretor da Seção de Geologia do Museu Nacional em 1876. Percorreu os atuais estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e parte da região amazônica numa importante missão científica realizada no Brasil sob os auspícios do governo imperial, que gerou a primeira grande representação fotográfica de diversas regiões do território brasileiro.

Marc Ferrez e outros membros da Comissão Geológica do Império embarcaram no paquete Parácom destino a Pernambuco (Jornal do Commercio, 10 de julho de 1875, na segunda coluna). Ele, Elias Fausto Pacheco Jordão, Francisco José de Freitas e Charles Frederick Hartt, todos membros da Comissão, agradeceram, publicamente, ao “digno comissário” J. Feliciano Gomes, que os recebeu no navio (Jornal do Recife, 26 de julho de 1875, na quarta coluna).

Foi publicado o relatório preliminar dos trabalhos da Comissão Geológica na província de Pernambuco, de autoria de Hartt. Ferrez foi mencionado (Diário de Pernambuco, 25 de novembro de 1875, na primeira coluna).

As fotografias produzidas por Marc Ferrez para a Comissão Geológica, mostradas durante uma visita do governador, do chefe da Polícia e do Diretor de Obras de Pernambuco na residência de Haart no Recife, foram muito elogiadas: “Rara vez um fotógrafo é tão feliz na reprodução dos quadros naturais como o Sr. Ferrez o foi neste trabalho, do qual com justiça se deve se regozijar” (Diário do Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1875, segunda coluna).

 

 

Na residência do inspetor do arsenal de Marinha, em Recife, o chefe da Comissão Geológica do Império, Charles Frederick Hartt, fez uma conferência sobre os arrecifes e outros aspectos de Pernambuco como o cabo de Santo Agostinho, praias, o rio São Francisco e a cachoeira de Paulo Afonso, ilustrados com fotografias de Marc Ferrez (Diário do Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1875, nas quinta e sexta coluna, sob o título “Norte do Império”).

Ferrez  apresentou na Exposição de Obras Públicas, evento paralelo à IV Exposição Nacional, dois álbuns com imagens dos recifes de Pernambuco, do baixo São Francisco e da cachoeira de Paulo Afonso, além de registros de corais e madrepérolas. As imagens produzidas durante a viagem da Comissão Geológica foram projetadas por Ferrez durante uma conferência do professor Hartt (Diário do Rio de Janeiro, 27 e 28 dezembro de 1875, primeira colunaO Globo, 4 de janeiro de 1876, na penúltima coluna, e Diário do Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1876, quarta coluna).

1876 -  Apresentou na Exposição Universal da Filadélfia, aberta em 10 de maio, panoramas do Rio de Janeiro e fotografias realizadas para a Comissão Geográfica do Império, tendo sido premiado com uma medalha de ouro. O New York Commercial Advertiser, de 29 de maio de 1876, publicou um artigo que informava que “riquíssimas fotografias da exploração geológica a cargo do professor Hartt” haviam sido apresentadas pelo Brasil na exposição.

Foi publicada uma fotografia de autoria de Ferrez da cachoeira de Paulo Afonso na Revista Ilustração Brasileira, 1º de agosto de 1876, acompanhada por um texto de Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), chefe da Comissão Geológica do Império. Na mesma edição, publicação de matéria sobre a Comissão Geológica do Império.

Ferrez havia chegado do sul da Bahia com o geólogo Richard Rathbum, também ajudante da Comissão Geológica, com diversas fotografias dos índios botocudo, dentre outras (Revista Ilustração Brasileira, 1º de novembro de 1876, na última coluna). Essas teriam sido as primeiras imagens desses índios produzidas no Brasil (Palcos e Telas, 8 de abril de 1920). Botocudo foi um termo genérico utilizado pelos colonizadores portugueses para denominar diversos grupos indígenas integrantes do tronco macro-jê (grupo não tupi), caracterizados pelo uso de botoques labiais e auriculares, habitantes originais do sul da Bahia e região do vale do rio Doce, incluindo o norte do Espírito Santo e Minas Gerais. A série de fotografias de indígenas tirada por Marc Ferrez na Bahia, durante uma segunda etapa de viagens realizadas por ele para a Comissão Geológica do Império do Brasil, no final de 1876, compõe um conjunto de  registros fotográficos pioneiros e raros dessas tribos, que se mantiveram isoladas e resistentes ao contato com os brancos, sendo violentamente perseguidas e praticamente  dizimadas nas primeiras décadas do século XX.

 

 

 

 

1877 – Publicação da fotografia do farol da Barra da Bahia, de autoria de Marc Ferrez, na capa da Revista Ilustração Brasileira, 15 de janeiro de 1877.

 

 

 

O governo decretou o fim da Comissão em 1º de julho de 1877 e em janeiro do ano seguinte sua extinção foi efetivada.

Publicação de uma matéria sobre o trabalhos da Comissão Geológica do Império e sobre o local onde estavam guardados e onde os membros da comissão cuidavam de sua classificação, estudo e do desenvolvimento, na rua da Constituição, nº 41, visitado pelo imperador Pedro II, no dia 27 de outubro. Foi mencionada a existência de um laboratório fotográfico, “grande e espaçoso…nele estão guardados algumas centenas de clichês , feitos no campo pelos Srs. Ferrez e Branner e no laboratório pelo Sr. Ratbunn (Rathbun), que hoje toma conta dessa parte do serviço da comissão” (O Vulgarizador, 3 de novembro de 1877). O imperador já havia visitado o local dos trabalhos da Comissão, em 30 de julho de 1877 (Diário do Rio de Janeiro, 31 de julho de 1877, segunda coluna).

1878 – No Almanak Laemmert de 1878, Ferrez foi identificado como fotógrafo da Marinha Imperial e da Comissão Geológica. Seu estabelecimento ficava na rua São José, 88 com depósito na rua do Ouvidor, 55.

Foi noticiada a morte de Charles Frederick Hartt, que havia sido o chefe da Comissão Geológica do Império. Ferrez foi mencionado (A Boa Nova, 24 de abril de 1878, na terceira coluna).

1879 -  Em inglês, foram publicados anúncios das fotografias de Ferrez no jornal Rio News de 5 de agosto, de 15 de setembro15 de outubro5 de novembro, mencionando que ele havia recebido uma medalha na Exposição da Filadélfia e que havia sido fotógrafo da Comissão Geológica do Império. Os anúncios seguiram sendo publicados em 1880 e 1881.

 

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, publicada em 30 de junho de 2015

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de Sérgio Burgi, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), publicada em 29 de junho de 2018

O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), publicada em 7 de dezembro de 2018 

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias, publicado em 5 de abril de 2019

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, publicado em 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

 

CASTRO, Danielle Ribeiro. Photographos da Casa Imperial: a Nobreza da Fotografia no Brasil do Século XIX, 2013

Charles F. Hartt e a Comissão Geológica do Império (Youtube)

FREITAS, Marcus Vinícius. Hartt: expedições pelo Brasil Imperial 1870 – 1878, 2001. São Paulo : Metalivros

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

SANJAD, Nelson. Charles Frederick Hartt e a institucionalização das ciências naturais no Brasil, maio/agosto de 2004. Rio de Janeiro: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, volume 11, nº2

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Serviços Geológicos nos trópicos: a experiência brasileira

 

 

O “descobrimento” do Forte do Príncipe da Beira: a expedição de 1913 do almirante José Carlos de Carvalho

O Real Forte do Príncipe da Beira é considerado a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa, no Brasil Colonial. É sua história que Carlos André Lopes da Silva, pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, traz para os leitores do portal. Inaugurado em 20 de agosto de 1783, na margem direita do rio Guaporé, perto do atual município de Costa Marques, em Rondônia, o forte foi batizado em homenagem a dom José de Bragança, o Príncipe da Beira, filho da Rainha D. Maria I. Majestosa relíquia da arquitetura militar luso-brasileira, é uma das mais importantes construções do Brasil Colônia. As fotografias reproduzidas nesse artigo são de autoria do fotógrafo Augusto Clímaco de Carvalho (18? – 19?) que participou de uma expedição ao local liderada pelo almirante José Carlos de Carvalho (1847 – 1934) realizada em 1913.

Empreendimento de imenso custo, a construção do Forte do Príncipe da Beira em plena floresta amazônica, representava uma iniciativa da coroa portuguesa e da política do Marquês de Pombal, poderoso e influente ministro do governo de dom José I, rei de Portugal, para proteger as fronteiras do centro-oeste do Brasil nas disputas com a Espanha. Com a proclamação da República, em 1889, ficou durante muito tempo abandonado. Foi tombado em 1950 pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e faz parte do Conjunto de Fortificações candidato a Patrimônio Mundial da UNESCO em 2019. Atualmente, o 1º Pelotão de Infantaria de Selva Destacado, pertencente ao 3o Batalhão da 17a Brigada de Infantaria de Selva, é o responsável pela preservação e manutenção desse patrimônio histórico.

Acessando o link para as fotografias do Forte Príncipe da Beira disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Pouco se sabe sobre o fotógrafo Alfredo Clímaco de Carvalho. Provavelmente nasceu na segunda metade do século XIX. Em 1910, foi eleito suplente da diretoria da Associação dos Empregados no Comércio do Amazonas , dois anos depois, fotografou Rodolfo Aranz, Delegado Nacional no Território de Colônias na Bolívia, e seus companheiros em visita ao Amazonas. Foi referido como inteligente amador. Em 1913, diversas guardas da coletoria foram extintas e Alfredo Clímaco de Carvalho (18? – 19?), que seria o responsável por uma delas, foi dispensado. No mesmo ano, em julho, integrou a expedição ao Forte do Príncipe da Beira, liderada pelo contra-almirante honorário José Carlos de Carvalho (1847 – 1934), e produziu diversas imagens da construção e dos integrantes da viagem. Várias dessas fotos foram publicadas na imprensa. Ainda em 1913, em novembro, foi nomeado subdelegado de Porto Velho. Foi empossado, em 24 de janeiro de 1915, um dos suplentes do primeiro Conselho Municipal de Porto Velho. Em 1918 e em 1919, foi listado no Almanak Laemmert como fotógrafo no estado do Amazonas. Há registros de que um homônimo ou ele próprio teria ido para o Rio Grande do Norte.

 

Planta e desenho aproximado do Forte do Príncipe da Beira feita por algum membro da expedição de 1913, provavelmente pelo próprio José Carlos de Carvalho que era engenheiro / Acervo DPHDM

Planta e desenho aproximado do Forte do Príncipe da Beira feita por algum membro da expedição de 1913, provavelmente pelo próprio José Carlos de Carvalho que era engenheiro / Acervo DPHDM

 

O “descobrimento” do Forte do Príncipe da Beira: a expedição de 1913 do contra-almirante José Carlos de Carvalho

Carlos André Lopes da Silva*

 

 

Em 6 de julho de 1913, num ponto altaneiro da margem direita do rio Guaporé, que demarca a divisa entre o Brasil e a República da Bolívia, oito membros destacados do então estado do Mato Grosso se reuniram com um oficial-general da Marinha e um fotógrafo para assinar um documento que alertava para o esquecimento e abandono do que os mesmos identificaram como “monumento histórico”: o Real Forte do Príncipe da Beira. 

No interior das sólidas muralhas de 10 metros de altura, inspecionaram aquele amplo forte setecentista: o intendente da Vila de Santo Antônio do Madeira, a sede municipal mais próxima, dr. Joaquim Augusto Tanajura, médico que atuou como chefe do serviço de saúde da Comissão Rondon; Octávio Costa Marques, delegado fiscal de Mato Grosso; Francisco Paes, um agente fiscal estadual; J. da Silva Campos, um engenheiro da Inspetoria Federal das Estradas; A. W. Wohott, também médico e sub-diretor do Hospital da Candelária de Porto Velho; R. A. Gesteira, um coronel do Exército venezuelano; Rudolph O. Kesselring, engenheiro alemão, representante da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que apenas no ano anterior tinha iniciado sua operação comercial, e diretor da recém instalada Guaporé Rubber, companhia de capital dos Estados Unidos que explorava os seringais e inaugurou a navegação comercial no Guaporé; coronel Paulo Saldanha, gerente da mesma empresa; José Carlos de Carvalho (1847 – 1934), contra-almirante honorário, veterano da Guerra do Paraguai, político, explorador e a maior autoridade federal presente; e Alfredo Clímaco de Carvalho (18? – 19?), o fotógrafo que acompanhava aquela expedição. 

 

 

O documento em forma de ata, na ocasião redigido e assinado por esses homens, foi entregue ao então presidente da República, também um militar como Carvalho, Saldanha e Gesteira, o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923), destacando os objetivos da expedição: a entrega do Forte à guarda do governo estadual enquanto o federal estudava formas de ocupá-lo e a remoção de vestígios de um passado imponente para salvaguarda do Museu Nacional. A fortaleza, longe de ser um Eldorado perdido por séculos na floresta tropical, se manteve ocupado por guarnição militar desde sua prontificação, em 1783, até início do período republicano.

Sua construção, iniciada em 1776, se deu dentro da política do ministro do rei dom José I de Portugal, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699 – 1782), o marquês de Pombal, de garantir a posse e defesa da fronteira Oeste dos domínios portugueses, questionada pelos espanhóis nas deliberações dos diversos tratados firmados ao longo da segunda metade daquele século. A edificação seguia os preceitos mais altos da engenharia de fortificações do período, com formato quadrangular e quatro baluartes no sistema consagrado por Sébastien Le Prestre de Vauban (1633 – 1707), o grande arquiteto militar do reinado de Luís XIV (1638 – 1715). Com 970 metros de perímetro, os baluartes, com quatorze canhoneiras cada, permitiam o cruzamento de fogos para atacar os assediadores das muralhas, uma obra em pedra extraordinária para aquela fronteira inóspita. Iniciada pelo engenheiro militar italiano a serviço do Exército português Domingos Sambucetti (? – 1780) e terminada pelo sargento mór do Real Corpo de Engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra (1748 – 1809), a edificação da fortaleza engajou cerca de 200 trabalhadores especializados e mais de mil em regime de escravidão – negros e indígenas. Muitos desses, como o próprio Sambucetti, pereceram de doenças tropicais, sobretudo a malária, que ainda, em 1913, gerava crises sanitárias na região e a pobre Vila de Santo Antônio do Madeira era de seus epicentros. 

Contudo, o início da operação prática do Real Forte Príncipe da Beira coincidiu com o relaxamento das tensões sobre as fronteiras americanas entre Portugal e Espanha que sobreveio ao Tratado de Santo Ildefonso de 1777. Com a independência dos estados sul-americanos nas primeiras décadas do século XIX, o permanente guarnecimento pelo Exército brasileiro de fronteira não contestada com a Bolívia tornou-se custoso para um aparato militar franzino que se ocupava de conter revoltas regionais e atuar na conflituosa fronteira do rio Prata. As guarnições do Forte da Beira foram minguando até seu completo abandono em 1895. 

Em pouco menos de duas décadas, até a expedição de 1913, muito do material aproveitável foi retirado pela pobre e esparsa população do entorno. Telhas, tijolos, blocos menores de pedra, portas e janelas, madeirame do telhado e até os poucos e valiosos canhões de bronze, se espalharam para ambos os lados da fronteira. A ata encabeçada por José Carlos de Carvalho relatava que as muralhas e muros de pedra do casario interno ainda estavam bem conservados, mas tomados pela vegetação; antigos canhões de ferro fundido, sem valor comercial, tombados nos baluartes e a inscrição de 1776 em placa de pedra ainda encontrava-se fixada no frontão. Cumprindo o objetivo de recolher vestígios daquela marca de ocupação territorial para o Museu Nacional, trabalhadores da Guaporé Rubber transportaram um canhão calibre 24 de provável procedência inglesa, pelas alegadas inscrições “GR” (George Rex) encimada por coroa, encosta abaixo até um dos vapores daquela companhia. Também foram levadas partes da única porta de madeira maciça encontrada no baluarte Sul.

 

 

José Carlos de Carvalho, utilizando sua influência como deputado federal em três legislaturas, solicitou aos dirigentes daquela companhia a derrubada da vegetação que tinha tomado o interior da praça da fortaleza e impingiu ao mais graduado representante do estado do Mato Grosso presente, o delegado fiscal Octávio Costa Marques, a guarda da edificação. Este prometeu transferir para ali o posto fiscal de Lamego, outro povoamento criado no período pombalino para a defesa da calha do Guaporé, o que manteria aquele sítio pelo menos ocupado.

Mas pouco do dito e lavrado em ata, em 1913, foi realizado. Em 1930, o militar e sertanista Cândido Rondon (1865 – 1958) “redescobriu” o Forte tão abandonado como Carvalho o tinha encontrado. Muito por iniciativa do próprio Rondon, que dedicou a maior e melhor parte de sua carreira na exploração, mapeamento e extensão das linhas telegráficas pelos sertões do Mato Grosso e Amazonas, o sítio que se encontra o Forte Príncipe da Beira foi reocupado pelo Estado em 1937 com o estabelecimento do 7º Pelotão de Fronteira em quartel contíguo às muralhas. Em 1950, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou a edificação, oficializando sua descoberta como “monumento histórico” requerida por José Carlos de Carvalho quando da expedição de 1913.

 

José Carlos de Carvalho, acompanhado por Gastão de Orléans e pela Princesa Isabel, em visita a usina dedicada à fabricação de armamentos militares, 1886 / Site do Exército

José Carlos de Carvalho, acompanhado por Gastão de Orléans e pela Princesa Isabel, em visita a usina dedicada à fabricação de armamentos militares, 1886 / Site do Exército

 

 

Fontes:

BARCELOS, Giovani da Silva. Forte Príncipe da Beira: conhecimento, valoração e preservação, 2018. 206 fls. Dissertação (Mestrado em Preservação do Patrimônio Cultural) – IPHAN, Rio de Janeiro, 2018. 

BARROSO, Lourismar da Silva. Real Forte Príncipe da Beira: ocupação oeste da Capitania do Mato Grosso e seu processo construtivo (1775-1783), 2015. 102 fls. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2015.

NASCIMENTO. Sílvio Melo do. Real Forte Príncipe da Beira: história e estórias do imaginário popular do Vale do Guaporé. Revista Labirinto, ano XIII, n. 18, jun. 2013, p. 113-124. 

TEIXEIRA. Paulo R. Rodrigues. Forte Príncipe da Beira. Da Cultura, ano III, n. 4, p. 45-52.

Forte “Príncipe da Beira”. A Illustração Brazileira, n. 110, 16 de dezembro de 1913, p. 420,421.

Necrologia – Vice-Almirante José Carlos de Carvalho. Revista Marítima Brasileira, 1934, p. 1253-1257.

Noticiário – Presidência da República. Diário Official, 11 de setembro de 1913, p. 13305, 13306.

 

*Carlos André Lopes da Silva é pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.

 

 Breve cronologia do Real Forte Príncipe da Beira

Andrea C. T. Wanderley**

 

 

1743 – Desde esse ano espanhóis estavam implantando alguns povoados na margem direita do rio Guaporé.

1748 – O português Antônio Rolim de Moura Tavares (1709 – 1782) foi nomeado governador de Mato Grosso e recebeu instruções da metrópole para manter a todo o custo a posse da referida área. Ao longo de seu governo destruiu povoados fundados pelos espanhóis.

1750 – Assinatura, em 13 de janeiro de 1750, do Tratado de Madri, firmado entre os reis João V de Portugal (1689 – 1750) e Fernando VI da Espanha (1713 – 1759) para definir os limites entre as respectivas colônias sul-americanas. Seu objetivo foi substituir o Tratado Tordesilhas, que na prática não era respeitado. As duas partes reconheceram ter violado o antigo tratado e utilizaram rios e montanhas para a demarcação dos novos limites, que se sobreporiam aos anteriores. As negociação foram baseadas no Mapa das Cortes.

c. 1760 - Foi erguido o Fortim Nossa Senhora da Conceição na margem direita do rio Guaporé.

1761 – O Tratado de El Pardo, de 12 de fevereiro de 1781, anulou todas as disposições e feitos decorrentes do Tratado de Madri, de 1750, que havia falhado em promover a paz nas colônias espanhola e portuguesa “de sorte que todas as coisas pertencentes aos limites da América e Ásia se restituem aos termos dos tratados, pactos e convenções que haviam sido celebrados entre as duas Corôas contratantes, antes do referido ano de 1750, ficam daqui em diante em sua fôrça e vigor..”

1767 /1769 – O então já denominado Forte Nossa Senhora da Conceição, que havia sido arruinado, teve sua estrutura reconstruída a partir de 26 de setembro de 1767 e foi rebatizado, em 1769, pelo então governador do Mato Grosso, o português Luís Pinto de Sousa Coutinho (1735 – 1804) como Forte de Bragança.

1772 – Em 13 de dezembro de 1772, tomou posse como governador da capitania do Mato Grosso, Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres (1739 – 1797), que futuramente tomaria a iniciativa de construir o Forte do Príncipe a Beira. Ocupou o cargo até novembro de 1789 (O Comércio (MT), 28 de junho de 1911, penúltima coluna).

c. 1775 - O Forte de Bragança estava em ruínas devido às enchentes regulares na região e foi iniciada a elaboração do Plano do Forte Príncipe da Beira, que o substituiria, no estilo do francês Sébastien Le Prestre de Vauban (1633 – 1707), o grande arquiteto militar do reinado de Luís XIV (1638 – 1715). As obras foram iniciadas em novembro de 1775.

 

Plano do Forte Príncipe da Beira, Mato Grosso", ca. 1775. Cartografia do Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa

Plano do Forte Príncipe da Beira, Mato Grosso”, c. 1775. Cartografia do Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa

 

1776 – Em 20 de junho, foi colocada a pedra fundamental do Forte Príncipe da Beira (Anais da Biblioteca Nacional, 1881). Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres (1739 – 1797), como já mencionado,  era o governador e capitão-geral da capitania de Mato Grosso, cargo que ocupou entre 1772 e 1788. Foi dele a iniciativa da construção do forte, erguido a cerca de dois quilômetros a montante, do Forte de Bragança, na mesma margem do rio:

A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um forte, e isso é obra a serviço dos homens de El-Rei, nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalho que isso dê… é serviço de Portugal. E tem que se cumprir.”

1780 – O engenheiro militar genovês a serviço de Portugal Domingos Sambuceti (? – 1780), que havia iniciado a obra, contraiu malária e faleceu. Assumiu, então, o capitão José Pinheiro de Lacerda, substituído, alguns meses depois, pelo sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros do Exército, Ricardo Franco de Almeida e Serra (1748 – 1809), que seria nos últimos anos do século XVIII responsável pela nova fortificação de Coimbra, na margem direita do rio Paraguai, perto da cidade de Corumbá.

1783 – Em 20 de agosto, inauguração do Forte Príncipe da Beira. Seu primeiro comandante foi o Capitão de Dragões, José de Melo de Souza Castro e Vilhena.

O astrônomo paulista Francisco José de Lacerda (1753 – 1798) relatou observações astronômicas que havia realizado do Forte Príncipe da Beira (Anais da Biblioteca Nacional, 1881).

1789 – O Forte Príncipe da Beira foi visitado, em 9 de junho, em missão científica oficial denominada Viagem Filosófica, pelo baiano Alexandre Rodrigues Ferreira (1756 – 1815), considerado um dos primeiros grandes naturalistas brasileiros.

1830 – Aportava a primeira artilharia que lhe era destinada, constante de quatro bocas de fogo de calibre 24, enviadas do Pará. Mais tarde ali foram ter mais 14 canhões de ferro, de calibre 12.

1836 – O Forte do Príncipe da Beira passou a receber sentenciados para ali cumprirem suas penas.

1869 – O cronista Joaquim Ferreira Moutinho (1833 – 1914) lançou um um livro sobre a província de Mato Grosso seguido de um roteiro de viagem de sua capital a São Paulo. Visitou o forte que, segundo ele, já apresentava sinais de abandono (Jornal do Commercio, 16 de julho de 1869, última coluna).

1876 -  O major de Engenharia Guilherme de Lassance,  o 1º Tenente da Marinha Frederico de Oliveira e o médico João Severiano da Fonseca (1836 – 1897), autor da Viagem ao Redor do Brasil, que compunham a Comissão Demarcadora dos Limites do Brasil com a Bolívia visitaram o Forte do Príncipe da Beira, que encontraram guarnecido com 14 praças e um sargento.

1887 – O benemérito João Severiano da Fonseca (1836 – 1897) declarou sobre o forte: “a pena e o pesar verdadeiros de existir tal monumento em lugar onde apenas um ou outro degredado, um ou outro selvagem e o raríssimo viajante tem ocasião de contemplá-lo“(O Paiz, 30 de março de 1911).

1889 – Após a Proclamação da República, o Forte deixou de receber assistência do Governo e a partir daí, passou a ser saqueado tanto por brasileiros quanto por bolivianos. Seu último comandante foi o sargento Queiroz.

1895 – Canhões e um grande sino de bronze foram levados da fortaleza.

1904 a 1908 - O Forte do Príncipe da Beira era guarnecido por um destacamento militar do 19º Batalhão de Infantaria (Almanak Laemmert, 1905, 1906, 1907 e 1909).

1906 – O engenheiro mato-grossense Manoel Esperidião da Costa Marques (c. 1859 – 1906), que dá nome ao município que abriga o Forte, em expedição ao Vale do Guaporé, visitou a edificação e registrou seu estado de abandono. Costa Marques contraiu malária durante essa expedição e faleceu, em 18 de abril de 1906.

Em entrevista, o coronel Serzedelo Correia (1858 – 1932) mencionou o abandono do Forte do Príncipe da Beira e também revelou que havia sido enviado para lá, em julho de 1905, um oficial e seis praças, mas que até março, quando havia deixado Corumbá, não havia tido notícias da expedição (Correio da Manhã, 8 de abril de 1906, penúltima coluna; e Correio do Norte, 10 de maio de 1906, terceira coluna).

A comissão construtora da linha telegráfica do Mato Grosso indicou procedimentos para a ligação com o Forte do Príncipe da Beira (Relatórios do Ministério da Guerra, 1906).

1909 – Foi noticiado que os bolivianos da fronteira com o rio Guaporé haviam saqueado o forte e denunciada a existência de problemas nas fronteiras de Mato Grosso (Correio da Manhã, 22 de julho de 1909, quinta coluna; e O Paiz, 2 de agosto de 1909, segunda coluna).

1910 – Alfredo Clímaco de Carvalho (18? – 19?), fotógrafo das imagens que seriam produzidas do Forte Príncipe da Beira, em 1913, foi eleito suplente da diretoria da Associação dos Empregados no Comércio do Amazonas (A Província, 2 de abril de 1910, sétima coluna).

João da Costa Garcia, fiscal do governo de Mato Grosso junto a Societe Industrielle e Agricole du Brésil, concessionária de seringais na região do baixo Guaporé, esteve no Forte do Príncipe da Beira e um relatório realizado por ele de sua viagem seria entregue ao governador do estado (O Comércio (MT), 29 de outubro de 1910, penúltima coluna, 24 de novembro de 1910, última coluna; e

1911 –  Em artigo para a revista Illutração Brazileira, Pires de Almeida relatou que existiam informações de que um dos canhões do Forte fora comprado por um cruzador inglês, no porto chileno de Antofagasta e remetido ao Museu Histórico de Londres, e denunciou o abandono do local, além da invasão de bolivianos e brasileiros nos seringais da área (A Illustração Brazileira, de 1º de abril de 1911).

1912 - Rodolfo Aranz, Delegado Nacional no Território de Colônias na Bolívia, em visita ao Amazonas, foi fotografado com com seus companheiros de viagem pelo inteligente amador Alfredo Clímaco de Carvalho (Jornal do Commercio(AM), 20 de fevereiro de 1912, última coluna).

1913 – Diversas guardas da coletoria foram extintas e Alfredo Clímaco de Carvalho (18? – 19?), que era o responsável por uma delas, foi dispensado (Jornal do Commercio (AM), de 18 de janeiro de 1913, terceira coluna).

Em 6 de julho, num ponto da margem direita do rio Guaporé, que demarca a divisa entre o Brasil e a Bolívia, oito membros destacados do então estado do Mato Grosso se reuniram com um oficial-general da Marinha e um fotógrafo para assinar um documento que alertava para o esquecimento e abandono do que os mesmos identificaram como “monumento histórico”: o Real Forte Príncipe da Beira. A comissão era formada pelo o intendente da Vila de Santo Antônio do Madeira, a sede municipal mais próxima, dr. Joaquim Augusto Tanajura, médico que atuou como chefe do serviço de saúde da Comissão Rondon; Octávio Costa Marques, delegado fiscal de Mato Grosso; Francisco Paes, um agente fiscal estadual; J. da Silva Campos, um engenheiro da Inspetoria Federal das Estradas; A. W. Wohott, também médico e sub-diretor do Hospital da Candelária de Porto Velho; R. A. Gesteira, um coronel do Exército venezuelano; Rudolph O. Kesselring, engenheiro alemão, representante da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que apenas no ano anterior tinha iniciado sua operação comercial, e diretor da recém instalada Guaporé Rubber, companhia de capital dos Estados Unidos que explorava os seringais e inaugurou a navegação comercial no Guaporé; coronel Paulo Saldanha, gerente da mesma empresa; José Carlos de Carvalho (1847 – 1934), contra-almirante honorário, veterano da Guerra do Paraguai, político, explorador e a maior autoridade federal presente; e Alfredo Clímaco de Carvalho (18? – 19?), o fotógrafo que acompanhava aquela expedição (Jornal do Commercio, 16 de junho de 1913, terceira coluna e Jornal do Commercio, 19 de julho de 1913, terceira coluna) Algumas das fotografias por ele produzidas foram publicadas no Jornal do Commercio(AM), 27 de julho de 1913; e na  A Illustração Brazileira, 16 de dezembro de 1913). 

 

 

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No Palácio Monroe, o contra-almirante José Carlos de Carvalho (1847 – 1934) proferiu uma palestra sobre sua viagem ao norte do Brasil e algumas das fotografias produzidas durante a visita ao Forte Príncipe da Beira foram utilizadas durante a apresentação (O Paiz, 23 de outubro de 1913, penúltima coluna). Dias depois, informou ao governo sobre a chegada de dois canhões trazidos da fortaleza (O Paiz, 28 de outubro de 1913, penúltima coluna).

Alfredo Clímaco de Carvalho (18? – 19?), autor das imagens do forte realizadas em 1913,  foi nomeado subdelegado de Porto Velho (Jornal do Commercio (AM), 4 de novembro de 1913, quarta coluna).

1914 – Segundo o site do Exército, nesse ano, uma expedição do futuro marechal Cândido Rondon (1865 – 1958) chegou ao Forte Príncipe da Beira.

Major Cândido Mariano da Silva Rondon e sua comitiva / Site do Exército

Major Cândido Mariano da Silva Rondon e sua comitiva / Site do Exército

 

1915 – Alfredo Clímaco de Carvalho  (18? – 19?) era um dos suplentes do primeiro Conselho Municipal de Porto Velho, constituído pelos vereadores José Jorge Braga Vieira, Luzitano Barreto, Antônio Sampaio, Manuel Félix de Campos e José Z. Camargo. Os outros suplentes eram José de Pontes, Achiles Reis, Horácio Bilhar e Alderico Castilho. O município de Porto Velho havia sido criado em 2 de outubro de 1914 mas só foi instalado em 24 de janeiro de 1915, data em que os vereadores e suplentes foram empossados (Alto Madeira, 24 de janeiro de 1976).

1918 – Alfredo Clímaco de Carvalho  (18? – 19?) foi listado como fotógrafo no estado do Amazonas no Almanak Laemmert de 1918

1919 – Publicação de um artigo sobre o Forte Príncipe da Beira com a reprodução de algumas das fotografias produzidas por Alfredo Clímaco de Carvalho, em 1913 (Eu sei tudo, fevereiro de 1919). Ele foi listado como fotógrafo no estado do Amazonas no Almanak Laemmert de 1919.

1930 – Rondon (1865 – 1958) retornou ao Forte e alertou às autoridades sobre suas más condições e também ressaltou sua importância histórica. Sugeriu a ocupação do local por uma unidade do Exército Brasileiro (O Jornal, 13 de abril de 1930).

1932 – Foi anunciado a iminente exibição no cinema Pathé Palácio, no Rio de Janeiro, do filme Ao redor do Brasil, cujo um dos temas seria o Forte do Príncipe da Beira (O Jornal, 12 de maio de 1932, quinta coluna).

Foi noticiado que seria enviado ao Forte do Príncipe da Beira um contingente formado por um 2º sargento, dois cabos e 15 soldados (O Jornal, 25 de setembro de 1932, terceira coluna).

1934 – Foi iniciado junto ao Forte a construção de novas instalações, em madeira, onde durante vários anos ficou sediado o 7° Pelotão de fronteira subordinado à 6° Companhia de Fronteira em Guajará-Mirim.

1943 - O magnata das comunicações Assis Chateaubriand (1892 – 1968) integrou a caravana dos Diários Associados em viagem ao norte do Brasil, que visitou o Forte Príncipe da Beira, a convite da Rubber Development Corporation (O Jornal, 27 de maio de 1943).

1950 – O Forte foi tombado pelo antigo SPHAN, informado pelo então Diretor do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rodrigo Melo Franco de Andrade, à Diretoria de Patrimônio da União. A Notificação n°643 de 06 de julho de 1950 comunicava que o Forte do Príncipe da Beira seria inscrito no Livro Tombo das Belas Artes. A inscrição realizada, conforme o Arquivo Noronha Santos, foi a de número 281 em 7 de agosto de 1950, porém no Livro Tombo Histórico e não no de Belas Artes.

Publicação da reportagem Três bandeiras no forte da beira, sobre a visita de personalidades importantes ao Forte Príncipe da Beira, com texto de Flávio Tambellini e fotos de Peter Scheier e Roberto Malta. Dentre os visitantes, o jornalista espanhol Duque de Parcent, o todo-poderoso dos Diários Associados, Assis Chateaubriand (1892 – 1968); o general Nelson de Mello, o empresário Antônio Seabra e o Barão Sten Ramel,(O Cruzeiro, 2 de setembro de 1950).

2007 – A partir desse ano, o Iphan e o Exército passaram a desenvolver atividades de restauração do Forte e escavações arqueológicas na área. O Exército mantém instalações militares vizinhas ao Forte.

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BARCELOS, Giovani da Silva. Forte Príncipe da Beira: conhecimento, valoração e preservação, 2018. 206 fls. Dissertação (Mestrado em Preservação do Patrimônio Cultural) – IPHAN, Rio de Janeiro, 2018.

BARROSO, Lourismar da Silva. Real Forte Príncipe da Beira: ocupação oeste da Capitania do Mato Grosso e seu processo construtivo (1775-1783), 2015. 102 fls. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2015.

BORZACOV, Yêdda Maria Pinheiro. Forte Príncipe da Beira. apud: Governo de Rondônia/Secretaria de Educação e Cultura. Calendário Cultural 1981/85. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1981. p. 65-72.

COSTA, Maria de Fátima. Alexandre Rodrigues Ferreira e a capitania de Mato Grosso: imagens do interior. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, vol.8 , Rio de Janeiro  2001.

Guia Geográfico de Rondônia

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

NASCIMENTO. Sílvio Melo do. Real Forte Príncipe da Beira: história e estórias do imaginário popular do Vale do Guaporé. Revista Labirinto, ano XIII, n. 18, jun. 2013, p. 113-124.    

NUNES, José M. de S.; ADONIAS, Isa. Real Forte Príncipe da Beira. Fundação Odebrecht, 1985

Site da Prefeitura de Porto Velho

Site do Exército do Brasil

Site do IPHAN

Site Expressão Rondônia

Site Fortalezas.org

TEIXEIRA, Paulo Roberto Rodrigues. Forte Príncipe da Beira. Rio de Janeiro: Revista DaCultura, ano III, nº 4, maio de 2003, p. 46-52.

 

João Ferreira Villela, um dos primeiros fotógrafos pernambucanos

João Ferreira Villela, um dos primeiros fotógrafos pernambucanos* 

Contemporâneo no Recife dos estrangeiros Augusto Stahl (1828 – 1877) e Alberto Henschel (1827 – 1882), João Ferreira Villela (18? – ?) é considerado, até hoje, um dos primeiros fotógrafos pernambucanos, tendo sido antecedido por Cincinato Mavignier (1826 – 1868), pensionista de S.M. o Imperador, que anunciou, em 9 de junho de 1854, uma Galeria de retratos a óleo e daguerreótipo, no Aterro da Boa Vista, nº 82, primeiro e segundo andares, em 1854, um ano antes de Villela (1).

A biografia de Villela é ainda bastante desconhecida. Iniciou sua vida profissional como taquígrafo mas foi como retratista e paisagista que se notabilizou. Seu primeiro ateliê, aonde permaneceu de 1855 a 1858, ficava no Aterro da Boa Vista nº 4, mesmo endereço onde anteriormente trabalharam os fotógrafos norte-americanos Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894), em 1851 e, em 1854, Augustin Lettarte (18? – ?) e o português Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912). Desse último, Villela afirmava ser o único discípulo. Sempre demonstrou interesse em ter máquinas modernas para a realização dos trabalhos de seu estabelecimento e prometia, como resultado, a perfeição.

 

 

Em fins de 1858, transferiu-se para a rua Nova, nº 18, primeiro andar.  No ano seguinte, quando dom Pedro II(1825 – 1891) visitou Recife, Villela ofereceu a ele seis molduras douradas com imagens obtidas sobre chapas metálicas. Na ocasião, o monarca encomendou a Villela vistas de locais no interior de Pernambuco que havia conhecido durante sua viagem pelo nordeste. Em 18 de setembro de 1860, Villela tornou-se o único pernambucano a ser agraciado por dom Pedro II com o título de Fotógrafo Imperial. No fim de 1860, o casal real foi padrinho de uma de suas filhas. Na cerimônia, realizada na Igreja Paroquial de Santo Antônio, fizeram-se representar pelo Presidente da Província de Pernambuco, Ambrósio Leitão da Cunha, o Barão de Mamoré (1825 – 1898), e sua esposa.

 

Acessando o link para as fotografias de João Ferreira Villela disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Inaugurou seu novo ateliê na rua do Cabugá, nº 18, em 1861. Oferecia retratos por ambrótipos e por melainótipos sobre panos encerados próprios para remeter dentro de cartas ou sobre malacacheta ou talco especiais para alfinetes ou cassoletas, além de retratos transparentes, oferecendo o mesmo retrato em duas vistas, uma colorida e outra em preto e branco, além de retratos dos principais personagens da Europa, vistas estereoscópicas, vidros para ambrótipos e químicas fotográficas. Nesse mesmo ano, assinou alguns artigos da coluna “Palestra sobre o Theatro”, do jornal pernambucano O Constitucional: jornal político, religioso, científico e literário.

Em 7 de abril de 1870, após 10 meses de obras, o estabelecimento de Villela na rua do Cabugá, agora denominado Photographia Imperial, foi reinaugurado. A reforma teve como modelo o ateliê do fotógrafo Insley Pacheco, na rua do Ouvidor, 102, no Rio de Janeiro, que Villela havia visitado em 1868. A partir de 1870, o pintor alemão Jorge Augusto Roth (c. 1840 – 1893), passou a colaborar no ateliê de Ferreira Villela como encarregado de colorir as cópias fotográficas. A última notícia sobre seu estabelecimento fotográfica é de 1873. Acredita-se que depois dessa data ele tenha se dedicado exclusivamente à produção de tintas de escrever indeléveis e produtos farmacêuticos.

 

 

Ferreira Villela participou de diversas exposições, dentre elas as Exposições Provinciais de Pernambuco de 1861, 1866 e 1872; da II Exposição Nacional do Rio de Janeiro de 1866, quando recebeu com Leon Chapelin a 3ª menção honrosa; da III Exposição Nacional no Rio de Janeiro de 1873, expondo produtos farmacêuticos e tintas de escrever, tendo sido premiado com as medalhas de prata e de bronze; e da IV Exposição Nacional no Rio de Janeiro de novo com tintas de escrever, quando ganhou uma medalha de mérito. No exterior, participou da Exposição Universal de Viena de 1873 com produtos farmacêuticos, tendo sido premiado com a medalha de mérito e com uma menção honrosa; dois anos depois, da Exposição Internacional de Santiago do Chile, com tintas de escrever, tendo conquistado o segundo prêmio; e, finalmente da Exposição Universal da Filadélfia, ocorrida entre 10 de maio e 10 de novembro de 1876, também com tintas de escrever, quando conquistou a medalha de honra. Dessas duas últimas constou como expositor do Rio de Janeiro. Teria ido viver na corte?

 

 

Cronologia de João Ferreira Villela

1840 – O aluno João Ferreira Villela, do Colégio Pernambucano, foi aprovado na prova geral de primeiras letras e gramática nacional (Diário de Pernambuco, 23 de dezembro de 1840, última coluna).

1841 – João Ferreira Villela foi aprovado na prova de História, seção de História Sagrada, do Colégio Pernambucano (Diário de Pernambuco, 18 de dezembro de 1841, segunda coluna).

1849 – João Ferreira Villela requereu à Assembleia Provincial de Pernambuco uma gratificação para que ele pudesse concluir o curso de taquigrafia. Ele e outro aluno, Joaquim Izidoro Simões, receberam uma gratificação de  400 mil réis cada um, e o professor de arte recebeu 800 (Diário de Pernambuco, 30 de maio de 1849, primeira coluna; e Diário de Pernambuco, 23 de junho de 1849, primeira coluna).

1850 – Fez outro requerimento à Assembleia Provincial de Pernambuco em relação a financiamento para seu curso de taquigrafia e passou a ser adido da secretaria da assembleia (Diário de Pernambuco, 25 de maio de 1850, primeira coluna, e Diário de Pernambuco, 2 de julho de 1850, primeira coluna).

1851 – João Ferreira Villela e Joaquim Izidoro Simões solicitaram a criação de lugares de taquígrafos na Assembleia Provincial de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 13 de março de 1851, terceira coluna).

1852 – Foi concedida uma licença de um mês e 24 dias para João Ferreira Villela, praticante de taquigrafia, ir à Paraíba (Diário de Pernambuco, 11 de maio de 1852, quinta coluna).

No dia 13 de novembro, a bordo do vapor brasileiro Mucury, Villela chegou ao Rio de Janeiro (O Globo, 20 de novembro de 1852, primeira coluna).

1853 – O então taquígrafo João Ferreira Villela voltou para Pernambuco, em 12 de novembro, no vapor Guanabara e informou que não devia nada nesta praça (Diário do Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1853, primeira coluna; e Diário do Rio de Janeiro, 13 de novembro de 1853, última coluna).

1855 – Inicialmente, segundo Boris Kossoy, sem anunciar seu nome, João Ferreira Villela possuía um ateliê de fotografia no Aterro da Boa Vista, nº4, mesmo endereço onde anteriormente trabalharam os fotógrafos norte-americanos Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894), em 1851 (Diário de Pernambuco, 23 de julho de 1851, última coluna), e, em 1854, Augustin Lettarte (18? – ?) (Diário de Pernambuco, 6 de fevereiro de 1854, segunda coluna) e o português Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912) (Diário de Pernambuco, 29 de março de 1854, na terceira coluna). O ateliê de Villela oferecia retratos de pessoas idosas, de crianças e anunciava que iria a qualquer lugar para tirar retratos de pessoas mortas. Anunciava também tirar retratos em stereoscopo, isto é de maneira a apresentar a pessoa em relevo e ao natural e incumbiam-se de tirar cópias em daguerreótipo (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1855, penúltima coluna).

1856 – Vendia-se no estabelecimento de Villela um grande sortimento de objetos para a colocação de retratos que lá se tiravam com a maior perfeição tanto pelo sistema francês como pelo norte-americano (Diário de Pernambuco, 3 de outubro de 1856, primeira coluna).

 

1857 – Publicação de propaganda da Grande Oficina de Galeria de Daguerreótipo informando a chegada de produtos de Nova York e também informando os preços dos retratos (Diário de Pernambuco, 13 de junho de 1857, terceira coluna).

1858 –  Recém chegado à cidade, no vapor Oyapock, o retratista J. Villela abriu seu novo estabelecimento de daguerreotipia à rua Nova, nº 18, primeiro andar. Anunciava possuir o mais completo sortimento de caixinhas, molduras pretas, douradas e jóias para a colocação dos retratos. Anunciava também que iria a qualquer parte tirar retrato de família ou de pessoa morta (Diário de Pernambuco, 15 de dezembro de 1858, segunda coluna).

1859 –  Em uma propaganda de seu estabelecimento, Villela divulgou sua habilidade como restaurador de daguerreótipos (Diário de Pernambuco, 7 de setembro de 1859).

Quando dom Pedro II visitou Recife, em outubro, Villela ofereceu a ele seis molduras douradas com imagens obtidas sobre chapas metálicas: do Pavilhão construído a mando da Câmara Municipal para a recepção do imperador, do porto de desembarque do imperador com quiosque, dois barracões, chafariz e cais do Colégio; da continuação da citada vista com o mastro norte do pavilhão da Câmara e mosqueiro com todas as embarcações ali fundeadas; de uma marinha, do Templo dos Ingleses, na rua da Aurora; e do fim da rua da Cruz com o princípio do arsenal de Marinha. S. Majestade, com a bondade que todos conhecem, dignou-se receber o mimo, declarar que conhecia todas as vistas e achava bom o trabalho. O monarca encomendou a Villela vistas de locais no interior de Pernambuco que havia conhecido. Ficou combinado que seriam remetidas para o Rio de Janeiro. É mais uma prova do quanto nosso adorado monarca aprecia e anima as artes assim como do valor e importância que dá ao que é nosso (Diário de Pernambuco, 26 de dezembro de 1859, quarta coluna; e Correio Mercantil (RJ), 7 de janeiro de 1860, quarta coluna).

1860 – Sobre a foto abaixo, produzida por Villela em torno de 1860, Luis Felipe de Alencastro comentou no livro História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade nacional, publicado pela Companhia das Letras, em 1998:

 

Imagem representativa da obra

João Ferreira Villela. Augusto Gomes Leal com a Ama-de-Leite Mônica, c. 1860. Recife. Pernambuco / Acervo da Fundação Joaquim Nabuco

 

A fotografia feita no Recife por volta de 1860. Na época era preciso esperar no mínimo um minuto e meio para se fazer uma foto. Assim, preferia-se fotografar as crianças de manhã cedo, quando elas estavam meio sonolentas, menos agitadas. O menino veio com a sua mucama, enfeitada com a roupa chique, o colar e o broche emprestado pelos pais dele. Do outro lado, além do fotógrafo Villela, podiam estar a mãe, o pai e outros parentes do menino. Talvez por sugestão do fotógrafo, talvez porque tivesse ficado cansado na expectativa da foto, o menino inclinou-se e apoiou-se na ama. Segurou-a com as duas mãozinhas. Conhecia bem o cheiro dela, sua pele, seu calor. Fora no vulto da ama, ao lado do berço ou colado a ele nas horas diurnas e noturnas da amamentação, que os seus olhos de bebê haviam se fixado e começado a enxergar o mundo. Por isso ele invadiu o espaço dela: ela era coisa sua, por amor e por direito de propriedade. O olhar do menino voa no devaneio da inocência e das coisas postas em seu devido lugar. Ela, ao contrário, não se moveu. Presa à imagem que os senhores queriam fixar, aos gestos codificados de seu estatuto. Sua mão direita, ao lado do menino, está fechada no centro da foto, na altura do ventre, de onde nascera outra criança, da idade daquela. Manteve o corpo ereto, e do lado esquerdo, onde não se fazia sentir o peso do menino, seu colo, seu pescoço, seu braço escaparam da roupa que não era dela, impuseram à composição da foto a presença incontida de seu corpo, de sua nudez, de seu ser sozinho, da sua liberdade. O mistério dessa foto feita há 130 anos chega até nós. A imagem de uma união paradoxal mas admitida. Uma união fundada no amor presente e na violência pregressa. A violência que fendeu a alma da escrava, abrindo o espaço afetivo que está sendo invadido pelo filho do senhor. Quase todo o Brasil cabe nessa foto‘.

Em propaganda de sua oficina e galeria da rua Nova, 18, anúncio de que Ferreira Villela já havia tirado mais de cinco mil retratos em quatro anos (Diário de Pernambuco, 22 de maio de 1860, terceira coluna).

 

 

Lado a lado, propagandas dos estabelecimentos fotográficos de Villela e de Augusto Stahl (1828 – 1877) (Diário de Pernambuco, 3 de fevereiro de 1860).

 

 

Embarcou no vapor Oyapock rumo aos portos do sul (Diário de Pernambuco, 6 de agosto de 1860, quarta coluna).

Embarcou, no Rio de Janeiro, no paquete Cruzeiro do Sul, rumo a Pernambuco (Correio Mercantil(RJ), 13 de setembro de 1860, penúltima coluna). Anunciou seu retorno, a iminência da inauguração de seu novo estabelecimento fotográfico, na rua do Cabugá, nº 18, e identificou-se como único discípulo de Insley Pacheco. Oferecia retratos por ambrótipo, daguerreótipo e ambrocromótipo. Este último sistema, invenção do distinto professor Insley Pacheco, de quem o anunciante é o único discípulo (Diário de Pernambuco, 4 de outubro de 1860).

 

 

De acordo com Guilherme Auler (6/1/1914 – 27/12/1965), sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na Tribuna de Petrópolis, em 1º e 8 de abril de 1956, segundo o livro O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Vasquez, João Ferreira Villela, teve seu título de Fotógrafo Imperial concedido por dom Pedro II(1825 – 1891), em 18 de setembro de 1860. Foi o primeiro e único pernambucano agraciado. Antes dele, os fotógrafos Buvelot & Prat e Joaquim Insley Pacheco, ambos da província do Rio de Janeiro, haviam recebido o título em 8 de março de 1851 e em 22 de dezembro de 1855, respectivamente.

Os padrinhos de uma de suas filhas foram dom Pedro II e dona Teresa Cristina (1822 – 1889), que se fizeram representar pelo Presidente da Província de Pernambuco, Ambrósio Leitão da Cunha (1825 – 1898) e sua esposa. Muitas autoridades estavam presentes à cerimônia, na Igreja Paroquial de Santo Antônio, e também à festa na casa de Ferreira Villela (Diário de Pernambuco, 18 de dezembro de 1860, penúltima coluna; e Diário do Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 1860, penúltima coluna).

1861 –  No Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Província de Pernambuco de 1861 , Villela foi listado como taquígrafo e, com Augusto Stahl, como fotógrafo.

 

taquigrafo

 

 AUGUSTO

 

Apresentou-se como Retratista da Augusta Casa Imperial em anúncio de seu estabelecimento fotográfico na rua do Cabugá, nº 18 (Diário de Pernambuco, 13 de abril de 1861).

 

 

Oferecia retratos por ambrótipos e por melainótipos sobre panos encerados próprios para remeterem-se dentro de cartas ou sobre malacacheta ou talco especiais para alfinetes ou cassoletas, além de retratos transparentes, oferecendo o mesmo retrato em duas vistas, uma colorida e outra em preto e branco (Diário de Pernambuco, 22 de junho de 1861).

Durante 1861, assinou alguns artigos da coluna “Palestra sobre o Theatro”, do jornal pernambucano O Constitucional: jornal político, religioso, científico e literário: em 31 de julho, 7 de agosto, 14 de agosto, 21 de agosto, 4 de setembro, 18 de setembro, e 25 de setembro.

Abaixo, uma reclamação do bilheteiro do Teatro Santa Isabel sobre Ferreira Villela que identificou como hábil em daguerreotipar os defeitos alheios. Há também uma resposta do diretor e regente da orquestra, Francisco Libânio Colás ( 1827 – 1885) a crítica feita a ele no O Constitucional de 7 de agosto de 1861 (Diário de Pernambuco, 8 de agosto de 1861, segunda coluna).

 

 

Villela deu um esclarecimento sobre a reclamação do bilheteiro do Teatro Santa Isabel, o Cunha  (Diário de Pernambuco, 9 de agosto de 1861, primeira coluna).

Em seu estabelecimento eram oferecidos retratos dos principais personagens da Europa, vistas estereoscópicas, vidros para ambrótipos e químicas fotográficas (Diário de Pernambuco, 26 de outubro de 1861, terceira coluna).

Participou com uma coleção de retratos pelo sistema ambrótipo da Exposição Provincial de Pernambuco, inaugurada em 16 de novembro de 1861, no Palácio do Governo (Diário de Pernambuco, 18 de novembro de 1861, última coluna e Jornal do Recife, 19 de novembro de 1861). Sua esposa, Idalina Teixeira Leal Ferreira Villela, participou expondo uma caixa envidraçada contendo um grupo de frutas de cera (Jornal do Recife, 23 de novembro de 1861, primeira coluna).

 

 

1862 – Villela ofereceu retratos a dom Pedro II, que haviam sido exibidos na Exposição Nacional (Boletim do Expediente do Governo: Ministério do Império, janeiro de 1862).

Foi qualificado como juiz de fato (Diário de Pernambuco, 7 de fevereiro de 1862, terceira coluna).

Anunciou a decoração de seu estabelecimento fotográfico com retratos dos imperadores, das princesas imperiais e de pessoas importantes do Recife. Afirmava que os preços dos retratos eram os mais razoáveis da cidade (Diário de Pernambuco, 17 de julho de 1862, última coluna).

Nessa mesma época, atuava no Recife o retratista norte-americano Augusto W. Osborn, na rua do Imperador (Diário de Pernambuco, 5 de agosto de 1862).

 

 

1864 – Candidatou-se a vereador (Diário de Pernambuco, 26 de agosto de 1864, penúltima coluna).

 

 

1866 – Participou com uma coleção de retratos da Exposição Provincial de Pernambuco e ganhou a medalha de cobre. Era na época o único fotógrafo brasileiro no Recife. Os outros eram estrangeiros (Diário de Pernambuco, 5 de dezembro de 1866, primeira coluna).

 

 

Participou da II Exposição Nacional do Rio de Janeiro quando recebeu com Leon Chapelin a 3ª menção honrosa (Diário do Rio de Janeiro, 1º de fevereiro de 1867, última coluna).

Sobre eles, o pintor Victor Meirelles (1832 – 1903), que assinou em nome do júri do quarto grupo – onde se incluía a fotografia – comentou no Relatório da II Exposição Nacional do Rio de Janeiro:

‘Os trabalhos fotográficos que esses senhores apresentaram não são absolutamente sem defeitos e, salvo algumas provas mais felizes, pecam em geral pela aparência que têm de dureza, e pouca transparência nas sombras, tendo alguns retratos os fundos pouco convenientes, e de modo que prejudicam antes o relevo das figuras, por não lhes dar maior destaque.

O efeito do contraste bem calculado é uma das qualidades essenciais, de que nem todos sabem tirar bom partido, e que requer mesmo muito estudo’.

Seu ateliê fotográfico continuava funcionando na rua do Cabugá, 18 (Diário de Pernambuco, 21 de dezembro de 1866).

 

 

1867 – Villela informou que havia comprado o material fotográfico do estabelecimento fotográfico de Eugênio & Maurício que ficava na rua Nova, 25 (Diário de Pernambuco, 1º de março de 1867).

Na coluna “Revista Diária”, muitos elogios foram feitos ao trabalho de Villela (Diário de Pernambuco, 12 de agosto de 1867, penúltima coluna).

Publicação de anúncios dos estabelecimentos fotográficos de Ferreira Villela e do berlinense Alberto Henschel (1827 – 1882) (Diário de Pernambuco, 25 de outubro de 1867).

 

 

1868 – Ferreira Villela publicou um convite para a missa de sétimo dia de sua mãe (Diário de Pernambuco, 15 de fevereiro de 1868, última coluna).

Em propaganda anunciava seus cartões de visita sem o menor retoque de lápis ou de nanquim e chamava a atenção do público para os retratos expostos no salão de cortar cabelos do sr. José Ricardo Coelho e na livraria do sr. Nogueira de Souza (Diário de Pernambuco, 27 de fevereiro de 1868, última coluna).

Anunciou uma liquidação de vistas estereoscópicas de países da Europa e também de estereoscopos (Diário de Pernambuco, 21 de março de 1868, última coluna).

Anunciou a venda de retratos do bispo dom Francisco Cardoso Ayres (1821 – 1870). Anunciou também a utilização sem economia de uma lavagem sobre os retratos para extrair todo o hipossulfito de soda, causa da alteração das provas (Diário de Pernambuco, 4 de junho de 1868, última coluna).

Após uma temporada no Rio de Janeiro, para onde havia ido a fim de conhecer e examinar os melhores estabelecimentos fotográficos da corte, tendo passado um mês estudando e aproveitando as lições do fotógrafo Insley Pacheco, retornou ao Recife no dia 7 de dezembro e retomou a direção de seu ateliê (Diário de Pernambuco, 23 de dezembro de 1868, terceira coluna).

1869 – No Almanak Administrativo, Mercantil, Industrial e Agrícola de Pernambuco de 1869 , Villela foi listado como taquígrafo e, com Alberto Henschel (1827 – 1882), como fotógrafo.

 

taquigrafo

 

Anunciou que estava sempre em dia com os melhoramentos e progressos que na América do Norte, na Europa ou no Rio de Janeiro se consegue na arte fotográfica e para alcançarmos tal fim nunca poupamos despesas nem sacrifícios de sorte que nossos numerosos fregueses podem ter a certeza de que sempre encontrarão em nosso estabelecimento tudo quanto a arte e a moda oferecer de bom no novo e velho mundo aos amantes da fotografia (Diário de Pernambuco, 22 de janeiro de 1869).

 

 

Após 10 meses de reforma em seu estabelecimento, anunciou o fim das obras para a primeira quinzena do mês de dezembro de 1869. A reforma teve como modelo o ateliê fotográfico de Insley Pacheco, na rua do Ouvidor, 102, no Rio de Janeiro, que Villela visitou em 1868. Em 16 de dezembro, informou um novo prazo para a conclusão das obras: 7 de janeiro de 1870 (Diário de Pernambuco, 24 de novembro de 1869, terceira coluna; Diário de Pernambuco, 16 de dezembro de 1869, terceira coluna; e O Liberal, 2 de setembro de 1870, última coluna).

 

 

1870 – Em 7 de abril, após uma grande reforma, abertura da Photographia Imperial e Galeria de Pintura de João Ferreira Villela, no mesmo endereço, rua do Cabugá, 18 (Diário de Pernambuco, 7 de abril de 1870, terceira colunaDiário de Pernambuco, 23 de junho de 1870, terceira coluna; e O Liberal, 2 de setembro de 1870, última coluna).

 

 

A partir desse ano, o pintor alemão Jorge Augusto Roth (18? – ?), no Brasil desde 1868, quando desembarcou do vapor francês Extremadure (Diário de Pernambuco, 13 de junho de 1868, penúltima coluna) passou a colaborar no ateliê de Ferreira Villela, como encarregado de colorir as cópias fotográficas (Diário de Pernambuco, 3 de junho de 1870, segunda coluna; Diário de Pernambuco, 22 de agosto de 1870).

Na livraria francesa dos srs. Lalhacar & C., na rua do Crespo, exposição de quatro retratos produzidos no estabelecimento de Ferreira Villela (Diário de Pernambuco, 27 de julho, quarta coluna).

A Photographia Imperial anunciava os Retratos Timbre-posts, excelentes para circulares, convites, ou simplesmente para cartas a amigos (Diário de Pernambuco, 14 de novembro de 1871, terceira coluna).

A Photographia Imperial anunciava retratos de grupos de cinco a 100 pessoas (Diário de Pernambuco, 25 de novembro de 1871, última coluna).

1872 – A Photographia Imperial anunciava a grande novidade dos cartões de visita e afirmava ser o único estabelecimento que possuía as máquinas e os aparelhos precisos para preparar esses cartões (Diário de Pernambuco, 16 de fevereiro de 1872, segunda coluna).

Villela participou da Exposição Provincial de Pernambuco, inaugurada em 20 de outubro (Diário de Pernambuco, 21 de outubro de 1872, primeira coluna), com um quadro a óleo (fotopintura?), dois quadros com fotografias no formato carte de visite e 3 quadros de retratos a óleo (fotopinturas?). O fotógrafo alemão Alberto Henschel (1827 – 1882) também participou com 2 quadros de fotografias. Ambos ganharam medalhas de prata. Villela expôs também uma variada coleção de produtos químicos de seu fabrico que revelam uma capacidade artística congênita e de uma força de vontade digna de toda animação (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1873, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 21 de fevereiro de 1873, última coluna).

Como relator da Comissão da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco, fez o discurso na sessão fúnebre que o Club Popular do Recife celebrou em homenagem à memória de Antônio Rangel de Torres Bandeira (Diário de Pernambuco, 27 de dezembro de 1872, primeira coluna).

1873 – Ele e o fotógrafo Leon Chapelin eram integrantes avulsos da loja Capitular União e Beneficência da maçonaria de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 9 de janeiro de 1873, segunda coluna).

Participou da III Exposição Nacional no Rio de Janeiro com produtos farmacêuticos e tintas de escrever, tendo sido premiado com as medalhas de prata e de bronze.

Participou da Exposição Universal de Viena com produtos farmacêuticos, tendo sido premiado com a medalha de mérito e com uma menção honrosa.

A Photographia Imperial anunciou ter cartões de visitas coloridos ao natural (Diário de Pernambuco, 18 de junho de 1873, última coluna).

A Photographia Imperial anunciou possuir retratos do papa Pio IX (1792 – 1878), de outros religiosos e da infeliz Maria da Conceição, assassinada pelo desembargador Pontes Visgueiro (Diário de Pernambuco, 12 de novembro de 1873, primeira coluna).

1874 – Estava na lista de devedores de um imposto de 4% cobrados a alguns estabelecimentos comerciais (Diário de Pernambuco, 7 de abril de 1874, quarta coluna).

Em 8 de abril de 1874, foi veiculado uma propaganda do estabelecimento de Lopes & C, na rua do Barão da Vitória, 14, denominado Photographia Imperial, mesmo nome do estabelecimento de Villela. Note-se que a última propaganda da Photographia Imperial de Villela foi veiculada em novembro de 1873 (Diário de Pernambuco, 8 de abril de 1874 e Diário de Pernambuco, 9 de abril, segunda coluna).

Participou de uma reunião do Instituto Arqueológico e Geográfico e na ocasião ofertou à entidade duas fotografias: da fortaleza do Brum e do porto de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 21 de agosto de 1874, segunda coluna; e Jornal do Recife, 21 de agosto de 1874, penúltima coluna).

Chegou ao Rio de Janeiro a bordo do paquete a vapor Pará (O Globo, 2 de setembro de 1874, última coluna).

1875 - Participou da IV Exposição Nacional no Rio de Janeiro com tintas de escrever e ganhou uma medalha de mérito (O Globo, 4 de fevereiro de 1876, segunda coluna; e Diário de Pernambuco, 14 de fevereiro de 1876, terceira coluna).

Participou da Exposição Internacional de Santiago do Chile, ocorrida entre 16 de setembro de 1875 e 16 de janeiro de 1876, com tintas de escrever, tendo conquistado o segundo prêmio (O Globo, 4 de maio de 1876, primeira coluna). Na listagem dos premiados, apareceu como expositor do Rio de Janeiro. Teria se mudado para a corte?

1876 – Participou da Exposição Universal da Filadélfia, ocorrida entre 10 de maio e 10 de novembro de 1876, com tintas de escrever, e conquistou a medalha de honra (O Novo Mundo, setembro de 1876, quarta coluna; e O Novo Mundo, janeiro de 1877, quarta coluna). Da mesma forma como na listagem dos premiados na Exposição Internacional de Santiago do Chile, apareceu como expositor do Rio de Janeiro. Teria ido viver na corte?

 

 

(1) Em 1845, há o registro da atuação de um daguerreotipista no Recife, que se anunciava como Mr. Roberto, provavelmente estrangeiro (Diário de Pernambuco, 20 de setembro de 1845, terceira coluna). Os outros, de quem se têm notícia até  hoje e que também atuaram na cidade na década de 1840, eram com certeza estrangeiros: os norte-americanos Joseph Evans (? -18?) e Charles DeForest Fredricks (1823 – 1894). Na década de 1850, quando Villela começou a trabalhar como fotógrafo, foi o segundo pernambucano na profissão. O primeiro foi Cincinato Mevignier que, em junho de 1854, identificava-se-se como retratista e pensionista de S.M. o Imperador e possuía uma Galeria de retratos a óleo e daguerreótipo, no Aterro da Boa Vista, nº 82, primeiro e segundo andares. Anunciava ter encomendado da Europa uma máquina extraordinária daguerreótipo…será sem dúvida maior que tem de se apresentar-se nessa capital e mesmo em todas as outras províncias do império…Também, na mesma propaganda, afirmou ser pernambucano o que o torna o primeiro daguerreotipista nascido no referido estado conhecido até os dias de hoje: “Pernambucanos! a nossa província tão bela e tendo em si os melhores golpes de vista pra os astistas que sabem apreciar a natureza…” (Diário de Pernambuco, 9 de junho de 1854, segunda coluna). O primeiro registro de Villela como daguerreotipista é de 1855.

 

*Esse artigo foi atualizado em 25 de julho de 2019.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

ALENCASTRO, Luis Felipe de. História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Enciclopédia Itaú Cultural

FERREZ, Gilberto. Velhas fotografias pernambucanas: 1851-1890. Rio de Janeiro: Campo Visual, 1988.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil : século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: A fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839 – 1889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Companhia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.

VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

A descoberta da doença de Chagas

No último mês de maio, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 14 de abril como Dia Internacional da Doença de Chagas. É a história de sua descoberta pelo médico e jovem pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, contada por Simone Petraglia Kropf, historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, que o portal publica hoje. Segundo Simone: Carlos Chagas expressou de modo exemplar um projeto de ciência e de nação cujos princípios balizam até hoje a Fundação Oswaldo Cruz: a aliança entre excelência acadêmica e compromisso social.

A descoberta da doença de Chagas 

Simone Petraglia Kropf *

 

Em abril de 1909, os jornais da recém-reformada capital federal anunciavam com orgulho um “grande feito” da ciência brasileira: a descrição, por um mesmo pesquisador, de uma nova doença tropical, do parasito que a causava e do inseto que a transmitia. Na jovem república brasileira, a descoberta foi celebrada como emblema das contribuições inovadoras que o país era capaz de proporcionar à chamada “época de ouro” da medicina tropical européia, marcada por estudos que vinham mudando substancialmente a compreensão das doenças parasitárias transmitidas por vetores.

O autor da “tripla descoberta” era um médico e jovem pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), criado em 1900 como Instituto Soroterápico Federal para produzir soros e vacinas contra uma epidemia de peste bubônica que ameaçava atingir a cidade do Rio de Janeiro. Sob a liderança de Oswaldo Cruz (que havia se notabilizado por comandar as campanhas de saneamento da capital federal no governo de Rodrigues Alves), o também chamado Instituto de Manguinhos vinha ampliando suas atividades de modo a se tornar um centro de excelência na pesquisa e no ensino em microbiologia e medicina tropical.

Acessando o link para as fotografias relativas a Carlos Chagas e à doença de Chagas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Carlos Chagas, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903, era um especialista em malária, tema de sua tese de doutoramento (para a conclusão do curso médico) que desenvolveu sob a orientação de Oswaldo Cruz em Manguinhos. O caminho que o levou à descoberta da doença que leva seu nome está diretamente ligado à sua trajetória como pesquisador no campo da medicina tropical. Em junho de 1907, ele foi designado por Oswaldo Cruz, diretor da saúde pública federal, para combater uma epidemia de malária que paralisava as obras de prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil em Minas Gerais, na região do rio das Velhas, entre Corinto e Pirapora. Aquela era uma obra emblemática do projeto de modernização republicana. Enquanto coordenava a campanha de profilaxia na pequena cidade de Lassance, onde se construía uma estação da ferrovia, Chagas costumava coletar espécies da fauna brasileira, motivado por seu crescente interesse pela entomologia e pela protozoologia. Por intermédio do chefe da comissão de engenheiros, Cornélio Homem Cantarino Mota, tomou conhecimento de um percevejo hematófago muito comum na região, conhecido vulgarmente como barbeiro pelo hábito de picar o rosto de suas vítimas enquanto dormiam. Esses triatomíneos eram abundantes nas casas de pau-a-pique da região típicas da população pobre das áreas rurais.

 

 

Sabendo da importância dos insetos sugadores de sangue como transmissores de doenças parasitárias, Chagas examinou alguns barbeiros e encontrou neles um protozoário. Por não dispor em Lassance de condições experimentais para avançar neste estudo, enviou alguns insetos a Oswaldo Cruz, em Manguinhos. Depois de experiências com saguis criados em laboratório, Chagas concluiu que se tratava de uma nova espécie de tripanossoma, que batizou então de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao mestre. As doenças causadas por tripanossomas (como a tripanossomíase africana ou doença do sono) eram temas de grande interesse na medicina tropical européia, impulsionada pelo empreendimento colonialista.

De volta a Lassance, Chagas realizou exames de sangue nos moradores e, no dia 14 de abril de 1909, encontrou o Trypanosoma cruzi no sangue de uma criança febril, chamada Berenice. Em nota enviada ao Brasil Médico, uma das principais revistas médicas do país, anunciou a descoberta, que seria também comunicada mediante publicações em revistas estrangeiras. A imprensa daria destaque ao episódio e o próprio Oswaldo Cruz apresentaria a descoberta na Academia Nacional de Medicina.

 

 

Os estudos sobre a nova doença ganharam centralidade na pauta de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz e mobilizaram vários cientistas, sob a condução de Chagas, que passou a assumir posições importantes na instituição, da qual viria a tornar-se diretor em 1917 por ocasião do falecimento de Oswaldo Cruz. Chagas se tornaria igualmente reconhecido pela comunidade científica internacional, recebendo inúmeros prêmios e sendo indicado ao Nobel de medicina em 1913 e 1921.

Além de sua importância para a agenda científica, a doença de Chagas tornou-se, desde o início, um tema de destaque nos debates políticos sobre os problemas e rumos da nação brasileira. Carlos Chagas afirmava que aquela era uma descoberta que descortinava não apenas uma nova enfermidade e um novo problema de saúde pública, mas um Brasil até então desconhecido e abandonado: o Brasil dos sertões. Segundo ele, o tão propalado “atraso” do país era consequência não do clima tropical ou da composição racial de sua população, como muitos defendiam, mas das doenças endêmicas que assolavam as populações rurais. Nesse sentido, a “nova doença” se fazia um emblema da capacidade da ciência de, ao identificar e estudar tais problemas, indicar os caminhos concretos para superá-los e promover o tão ansiado ingresso do país no “rol das nações civilizadas”.

Chagas se tornou uma liderança do movimento em prol do saneamento rural do Brasil, que, a partir de meados da década de 1910, reuniria médicos, cientistas, intelectuais e políticos em torno da reivindicação de que o Estado ampliasse sua capacidade de implementar políticas e serviços de saúde pública, tendo em vista sobretudo atender as populações das áreas rurais. Tal bandeira seria empunhada por Chagas tanto como diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública quanto em sua atuação com professor da cadeira de medicina tropical, no âmbito da qual defendia com veemência a importância do estudo e do enfrentamento das endemias ruais, que chamava de as “doenças do Brasil”.

 

 

Como cientista, gestor e professor, Carlos Chagas expressou de modo exemplar um projeto de ciência e de nação cujos princípios balizam até hoje a Fundação Oswaldo Cruz: a aliança entre excelência acadêmica e compromisso social.

Em maio de 2019, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 14 de abril como Dia Internacional da Doença de Chagas. Ao dar visibilidade e chamar a atenção para a importância das chamadas doenças negligenciadas (e, sobretudo, das pessoas por elas afetadas), esta é uma homenagem que nos leva a refletir sobre a atualização do legado deste cientista, expresso na própria Constituição Federal de 1988: “saúde como direito de todos e dever do Estado”. Ao celebrarmos os 110 anos da descoberta da doença de Chagas, a defesa veemente da ciência, da saúde pública, da educação e da democracia é o que deve nos unir em nome da memória e das lutas dos que construíram esta história.

 

Para saber mais:

 

BENCHIMOL, Jaime L. Manguinhos do sonho à vida: a ciência na Belle Époque. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.

KROPF, Simone P. Carlos Chagas e as doenças do Brasil. In: HOCHMAN, Gilberto; LIMA, Nísia Trindade. Médicos intérpretes do Brasil. São Paulo: Hucitec, 2015, p. 194-222.

KROPF, Simone P. Doença de Chagas, doença do Brasil: ciência, saúde e nação (1909-1962). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.

KROPF, Simone P.; LACERDA, Aline. Carlos Chagas, um cientista do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009 (edição bilíngue).

KROPF, Simone P. SÁ, Magali R. The discovery of Trypanosoma cruzi and Chagas disease (1908-1909): tropical medicine in Brazil. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v.16, suplemento, p.13 -34, 2009.

KROPF, Simone P. Carlos Chagas e os debates e controvérsias sobre a doença do Brasil (1909-1923). História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v.16, suplemento 1, p.205-227, 2009.

 

*Simone Petraglia Kropf é historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz e professora do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da COC.

 

Breve cronologia de Carlos Chagas (1878 – 1934)

Andrea C. T. Wanderley

 

1878 - Nascimento de Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, em 9 de julho, na Fazenda do Bom Retiro, a cerca de 20 quilômetros de Oliveira, cidade mineira. Era filho de José Justiniano Chagas e Mariana Candida Ribeiro de Castro.

1883 - Ficou órfão de pai.

1887 – Foi matriculado no Colégio São Luís, um dos mais importantes estabelecimentos de ensino do Brasil no século XIX, dirigido por jesuítas em Itu, interior de São Paulo.

1888 – Em maio, informado que escravos recém-libertados estariam depredando fazendas, Carlos Chagas fugiu do colégio e foi ao encontro de sua mãe. A indisciplina causou sua expulsão do São Luís. Foi então transferido para o Ginásio São Francisco, em São João del-Rei, Minas Gerais.

1895 / 1897 - Sua mãe decidiu que ele deveria estudar Engenharia e Chagas ingressou no curso preparatório da Escola de Minas de Ouro Preto. Foi reprovado e voltou para Oliveira. Com a ajuda de seu tio médico, o tio Calito, conseguiu convencer sua mãe, e mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Medicina.

1897 – Em 13 de abril, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Dois professores foram muito importantes durante sua formação acadêmica: Miguel Couto (1865-1934), de quem se tornou amigo pessoal; e Francisco Fajardo (1864-1906), pioneiro da microbiologia no Brasil, em cujo laboratório, na Santa Casa de Misericórdia, Chagas iniciou-se nas pesquisas sobre a malária.

1901 – Íris Lobo (1882 – 1950), futura esposa de Carlos Chagas, foi uma das portadoras de listas para arrecadação de fundos para a celebração de uma missa – iniciativa dos alunos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro –  em memória das vítimas de um episódio de violência policial na cidade durante manifestação popular contra o aumento de preço de passagens de bondes (Jornal do Brasil, 20 de junho de 1901, quinta coluna; e Jornal do Brasil, 21 de junho de 1901, primeira coluna).

Chagas foi um dos estudantes de Medicina que se envolveu na campanha de obtenção de recursos para a construção de uma estátua em homenagem ao recém-falecido médico baiano Francisco de Castro (1857 – 1901) (O Paiz, 22 de outubro, quarta coluna).

1902 – Para elaborar sua tese de doutoramento, indispensável para a conclusão do curso médico, passou a frequentar a Instituto Soroterápico Federal – também conhecido como Instituto de Manguinhos -, sob a orientação de seu diretor, o médico Oswaldo Cruz (1872 – 1917).

Como presidente do Grêmio dos Internos dos Hospitais do Rio de Janeiro fez a apresentação da primeira revista da associação (Brazil-Medico, 1º de agosto de 1902O Paiz, 12 de setembro de 1902, penúltima coluna).

Com frases entusiásticas, Carlos Chagas fez uma apologia aos méritos do professor e médico alemão Rudolf Virchow (1821 -1902), recém-falecido, durante uma sessão solene promovida pelo Grêmio dos Internos dos Hospitais do Rio de Janeiro, na biblioteca do Hospital de Misericórdia (Brazil-Medico, 1º de setembro de 1902).

Era um dos doutorandos de 1902 da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Uma curiosidade: havia apenas uma mulher entre os doutorandos, Evarista de Sá Peixoto (O Malho, 10 de janeiro de 1903).

1903 - Defendeu, em 12 de maio, a tese Estudos hematológicos no impaludismo. Foi aprovado e, dois dias depois, colou grau de doutor em Medicina na Faculdade do Rio de Janeiro.

Oswaldo Cruz o convidou para trabalhar em Manguinhos, mas por sentir-se atraído pela prática da clínica médica, Chagas recusou o convite.

1904 - Em crítica publicada sobre a tese Estudos hematológicos no impaludismo, considerada brilhante, Chagas foi referido como um cientista a que o futuro não negará as glórias a que vem fazendo direito (Brazil-Medico, 1º de janeiro de 1904).

Em março, foi nomeado médico da Diretoria Geral de Saúde Pública e foi trabalhar no Hospital de Jurujuba, em Niterói (RJ), onde pacientes com suspeita de peste bubônica que chegavam em navios eram colocados em quarentena e sob cuidados médicos (Almanak Laemmert, 1905).

Trabalhava no Instituto Soroterápico Federal com Antônio Cardoso Fontes (1879 – 1943), Ezequiel Dias (1880 – 1922), Henrique de Figueiredo Vasconcellos (1873 – 1948) e Henrique da Rocha Lima (1879 – 1956) (Almanak Laemmert, 1905).

Seu nome constava na lista de médicos do Hospital São Sebastião, dirigido por Carlos Pinto Seidl e localizado na Praia do Retiro Saudoso, nº 27, Ponta do Caju (Almanak Lammert de 1905).

Instalação de seu consultório particular na rua da Assembléia, no centro do Rio de Janeiro.

Casou-se com Íris Lobo (1882 – 1950 ), filha do senador mineiro e presidente do Banco de Crédito Real de Minas, Fernando Lobo Leite Pereira (1851-1918), que conheceu por intermédio de seu antigo professor e amigo Miguel Couto que, assim como seu grande amigo, o médico Luiz Almada Horta, foi seu padrinho de casamento (O Pharol, 23 de julho de 1904, quarta coluna).

1905 - Em 10 de agosto, nascimento do primeiro filho de Chagas e Íris, o futuro cientista e médico Evandro Chagas (1905 – 1940). Na edição de 7 de outubro da revista O Malho, foi publicado o poema Mãe que Violeta Carneiro de Melo dedicou a Íris.

A Companhia Docas de Santos solicitou a Oswaldo Cruz, diretor geral de Saúde Pública, providências para combater uma epidemia de malária entre os trabalhadores que construíam uma hidrelétrica em Itatinga, São Paulo. Carlos Chagas foi comissionado para coordenar a campanha.

1906 - Viajou para Juiz de Fora, em Minas Gerais, com o médico Alcides Godoy (1880 – 1950) e com outros para executar os testes finais da vacina da manqueira.

1907 - Ele e o sanitarista e médico baiano Arthur Neiva (1880 – 1943) foram enviados por Oswaldo Cruz a Xerém, na Baixada Fluminense, para combater uma epidemia de malária (O Paiz, 14 de maio de 1907, terceira coluna; O Paiz, 1º de julho de 1908).

O primeiro busto oficial de Pasteur, há bem pouco chegado ao Brasil, é hoje propriedade do dr. Carlos Chagas, ilustrado e esperançoso bacteriologista da diretoria de saúde, por delicada e significativa oferta eminente e operosíssimo dr Sampaio Correia, atual inspetor geral de Obras Públicas…gratidão que traduz pelos inestimáveis serviços prestados por Carlos Chagas (O Paiz, 17 de junho de 1907. segunda coluna).

Carlos Chagas estava presente à inauguração do Instituto Soroterápico de Belo Horizonte, filial de Manguinhos, sob a direção de Ezequiel Dias (1880 – 1922), seu colega de turma na Faculdade de Medicina (1880 – 1922) (O Paiz, 4 de agosto de 1907, segunda coluna).

1907/1908 – Em 6 de junho de 1907, Chagas partiu para o norte de Minas Gerais, em uma terceira campanha contra a malária com o médico Belisário Penna (1868-1939), também da Diretoria Geral de Saúde Pública, para combater uma epidemia de malária que paralisava as obras de prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil em Minas Gerais, na região do rio das Velhas, entre Corinto e Pirapora (O Paiz, 7 de junho de 1907, quinta coluna).

Aquela era uma obra emblemática do projeto de modernização republicana. Chagas costumava coletar espécies da fauna brasileira e, pelo chefe da comissão de engenheiros, Cornélio Homem Cantarino Mota, tomou conhecimento de um percevejo hematófago muito comum na região, conhecido como barbeiro pelo hábito de picar o rosto de suas vítimas enquanto dormiam. Esses percevejos eram muito comuns nas casas de pau-a-pique da região – habitações típicas da população pobre das áreas rurais. Chagas examinou alguns barbeiros e encontrou neles um protozoário. Por não dispor em Lassance de condições experimentais para avançar neste estudo, enviou alguns insetos a Oswaldo Cruz, em Manguinhos. Depois de experiências com saguis criados em laboratório, Chagas concluiu que se tratava de uma nova espécie de tripanossoma, que batizou então de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao mestre.

1908 - Nomeação de Carlos Chagas como pesquisador assistente do Instituto Oswaldo Cruz, em 20 de março. Eram também assistentes Alcides Godoy  (1880 – 1950), Antônio Cardoso Fontes (1879 – 1943), Arthur Neiva (1880 – 1943), Ezequiel Dias (1880 – 1922) e Henrique Aragão (1879 – 1956). Os chefes de serviço eram Henrique de Figueiredo Vasconcellos (1873 – 1948) e Henrique da Rocha Lima (1879 – 1956) (Almanak Laemmert, 1909).

Em 17 de dezembro, redigiu a nota-prévia anunciando a descoberta do Trypanosoma cruzi, publicada na revista alemã Archiv für Schiffs-und Tropen-Hygiene, em 1909.

1909 – De volta a Lassance, Chagas realizou exames de sangue nos moradores e, no dia 14 de abril de 1909, encontrou o Trypanosoma cruzi no sangue de uma criança febril, chamada Berenice. Anunciou a descoberta em nota publicada em uma das principais revistas médicas do Brasil, o Brazil-Medico, de 22 de abril de 1909 (O Paiz, 22 de maio de 1909, segunda coluna).

 

 

Em 22 de abril, Oswaldo Cruz anunciou formalmente à Academia Nacional de Medicina a descoberta por Carlos Chagas da doença de Chagas. Estavam presentes à sessão, concorridísima, o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923), futuro presidente do Brasil; e os generais Luiz Mendes de Morais (1850 – 1914) e Antônio Geraldo de Souza Aguiar (? – 1915) (O Paiz, 23 de abril de 1908, quarta coluna; e O Paiz, 3 de maio de 1909).

Na Revista Syniatica, publicação de um artigo de Carlos Chagas sobre sua descoberta do Trypanosoma cruzi (O Paiz, 26 de maio de 1909, última coluna).

Tornou-se membro da Sociedade de Medicina da Bahia e da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

1910 - Em 1º de junho, foi nomeado chefe de serviço do Instituto Oswaldo Cruz.

Em 12 de setembro, nascimento do segundo filho de Chagas e Íris, o futuro médico, cientista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Chagas Filho (1910 – 2000).

Foi nomeado membro titular da Academia Brasileira de Medicina (ABM), em 26 de outubro, quando fez uma conferência sobre o Trypanosoma cruzi. Como não havia vagas na época, sua admissão foi aceita em caráter de excepcionalidade (O Paiz, 27 de outubro de 1910, terceira coluna; e O Paiz, 31 de outubro de 1910, quarta coluna). É o patrono da cadeira nº 86 e foi saudado por Miguel da Silva Perreira (1897 – 1918), na ocasião, presidente da ABM.

1911 – A Doença de Chagas despertou grande interesse durante a Exposição Internacional de Higiene e Demografia, em Dresden, na Alemanha. O filme Chagas em Lassance, de 9 minutos, foi exibido por Oswaldo Cruz durante o evento. O pavilhão do Brasil, único país das Américas a construir um estande próprio no evento, foi inaugurado em 15 de junho (O Paiz, 16 de junho de 1911, quinta coluna). Segundo o historiador Eduardo Thielen, que escreveu a dissertação Imagens da saúde no Brasil – A fotografia na institucionalização da saúde pública, o fotógrafo Joaquim Pinto da Silva, conhecido como J. Pinto (1884 – 1951) teria sido possivelmente o autor do primeiro filme científico feito no Brasil, justamente Chagas em Lassance (Agência Fiocruz, 15 de agosto de 2008). J. Pinto produziu um expressivo número de fotografias do acervo da Fundação Oswaldo Cruz : milhares de imagens, documentando os trabalhos científicos, os primeiros prédios e as transformações urbanas da região onde seria construído o centro de pesquisa, ensino e produção de medicamentos.

Na Academia Brasileira de Medicina, realização de uma palestra de Chagas sobre a doença de Chagas (O Século, 5 de agosto de 1911, segunda coluna; e O Malho, 12 de agosto de 1911).

Na mesma edição de O Malho em que foi publicada a foto acima, a revista fez uma sátira aos políticos usando a descoberta de Chagas (O Malho, 12 de agosto de 1911).

Publicação de um retrato do cientista Carlos Chagas (1878 – 1934), produzido na Photographia Guimarães, do fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 1924) (A Noite, 8 de agosto de 1911).

1912 – Recebeu o Prêmio Schaudinn, pelo Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo, na Alemanha (O Século, 29 de junho de 1912, quarta coluna).

1912 / 1913 -  Carlos Chagas, Pacheco Leão (1872 – 1931) e João Pedro de Albuquerque (1874 – 1934) realizaram uma expedição para avaliar as condições sanitárias e de vida dos principais centros de produção da borracha através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco, em expedição requisitada pela Superintendência da Defesa da Borracha. Em relatório ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, foi ressaltada a situação de abandono médico e social em que viviam as populações amazônicas e enfatizada a necessidade de medidas sanitárias para a viabilização do desenvolvimento econômico da região (O Paiz, 5 de maio de 1913, última coluna).

1913 - Carlos Chagas foi, pela primeira vez, indicado ao Nobel de Medicina. O vencedor foi o francês Charles Robert Richet (1850 – 1935), que descreveu a anafilaxia. A indicação foi feita pelo médico baiano Manuel Augusto Pirajá da Silva (1873 – 1961), professor de parasitologia na Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia e responsável por ter identificado, em 1908, o verme adulto do Schistosoma mansoni.

No Palácio Monroe, durante a Exposição Nacional da Borracha, Carlos Chagas fez uma conferência sobre as condições médico-sanitárias na Amazônia (O Paiz, 13 de outubro de 1913O Paiz, 25 de outubro de 1913).

O governador de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão (1858 – 1931), e sua comitiva visitaram o Hospital de Lassance para conhecer os estudos do mal de Chagas e foram recebido por Carlos Chagas e seus auxiliares (O Paiz, 10 de novembro de 1913, segunda coluna).

1915 – Publicação no periódico La Prensa Médica Argentina de um trabalho do microbiologista austríaco e diretor do Instituto Bacteriológico de Buenos Aires, Rudolf Kraus (1868-1932), de Carlos F. Maggio e de Francisco Rosenbusch (1887 – 1969) questionando os enunciados de Chagas sobre a correlação entre o bócio e a doença de Chagas.

1916 – Carlos Chagas participou do  Primeiro Congresso Médico Argentino, realizado em Buenos Aires, inaugurado em 17 de  setembro e encerrado em 24 de setembro (A Época, 11 de setembro de 1916, terceira coluna; A Época, 18 de setembro de 1916, quinta coluna; e O Paiz, 25 de setembro de 1916, segunda coluna). Poucos dias antes da abertura do congresso, esteve no Instituto Bacteriológico de Buenos Aires, onde foi recebido por Rudolf Kraus (O Paiz, 13 de setembro de 1916, última coluna). Esteve presente também à inauguração da Sociedade de Higiene, Microbiologia e Patologia, no Instituto Bacteriológico de Buenos Aires (O Paiz, 20 de setembro de 1916, última coluna). Na Universidade de Medicina de Buenos Aires, Chagas fez uma conferência sobre a doença de Chagas (O Paiz, 21 de setembro de 1916, quarta coluna).

Tornou-se membro da Sociedade Brasileira de Ciências, posteriormente denominada Academia Brasileira de Ciências.

1917 - Com o falecimento de Oswaldo Cruz (O Paiz, 13 de fevereiro de 1917), Chagas foi nomeado diretor de Manguinhos, em 14 de fevereiro (O Paiz, 15 de fevereiro de 1917, quinta coluna). No campo da pesquisa, sua administração privilegiou a investigação das causas e dos aspectos epidemiológicos e clínicos das endemias rurais. Foi responsável também pela criação de seções científicas, definidas por áreas de conhecimento, com as quais pretendia estabelecer uma divisão de trabalho mais nítida no Instituto. Na área de ensino, ampliou o programa dos Cursos de Aplicação do Instituto. Quanto à área de produção, Chagas diversificou a pauta de medicamentos e produtos biológicos fabricados em Manguinhos – alguns desenvolvidos pelos próprios pesquisadores – e estimulou a sua comercialização, fortalecendo a renda da instituição. A partir de 1920, o Instituto assumiu também a responsabilidade pelo controle da qualidade dos produtos utilizados na medicina humana no país, nacionais ou importados.

1918 – Em Manguinhos, organizou o Serviço de Medicamentos Oficiais, criado por decreto federal com o objetivo de produzir e fornecer, gratuitamente ou a preços subsidiados, a quinina (profilático e terapêutico para a malária) e outros medicamentos.

Inaugurou, em outubro, o Hospital Oswaldo Cruz, nas dependências do Instituto Oswaldo Cruz,  destinado à internação de portadores de doenças infecciosas e também à pesquisa clínica sobre tais enfermidades (A Noite, 15 de agosto de 1918, quarta colunaJornal do Brasil, 9 de outubro de 1918, última coluna; e Gazeta de Notícias, 28 de março de 1919). Em 1942, passaria a ser chamado de Hospital Evandro Chagas (Diário de Notícias, 13 de novembro de 1942, quinta coluna).

Foi o responsável pela coordenação dos serviços de atendimento hospitalar e de socorro domiciliar durante a epidemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro. Ele e o médico Fernando de Magalhães (1878 – 1944) recusaram qualquer tipo de remuneração pelo trabalho realizado (O Paiz, 20 de outubro de 1918, quinta coluna, O Paiz, 22 de outubro de 1918, última coluna; O Paiz, 23 de outubroO Paiz, 15 de novembro de 1918, primeira colunaO Paiz, 17 de novembro de 1918, terceira coluna).

1919 – Em 4 de outubro, tomou posse, tendo sido nomeado pelo presidente Epitácio Pessoa (1865 – 1942), na Diretoria Geral de Saúde Pública, que passou a chamar-se, em janeiro do ano seguinte, Departamento Nacional de Saúde Pública. Durante sua gestão, até 1926, o novo órgão foi responsável, mediante convênio com os estados, pela ampliação e criação de serviços de saúde no interior do país, com especial foco na profilaxia e no combate às endemias rurais. Implementou também medidas relativas à higiene pública criando um extenso Código Sanitário, responsável pela organização e modernização da legislação sanitária no Brasil (O Paiz, 5 de outubro de 1919, primeira coluna).

Alguns médicos brasileiros questionaram a definição clínica da doença de Chagas e, sobretudo, a importância social da tripanossomíase americana.

Carlos Chagas tornou-se membro da Sociedade Americana de Medicina Tropical.

1920 - Tornou-se Membro do Conselho Médico da Liga das Sociedades da Cruz Vermelha e Cavaleiro da Ordem da Coroa da Itália.

Carlos Chagas e seus assistentes receberam os reis da Bélgica, Alberto I (1875 – 1934) e Elizabeth (1876 – 1965), e o presidente Epitácio Pessoa (1865 – 1942), no Instituto Oswaldo Cruz (O Paiz, 26 de setembro de 1920).

 

1921 - Na Biblioteca Nacional, Chagas proferiu a conferência sobre A nova orientação dos serviços sanitários no Brasil (Jornal do Commercio, 5 de fevereiro de 1921, sexta coluna).

Em 23 de junho, tornou-se o primeiro brasileiro nomeado Doutor Honoris Causa, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Nesse ano não houve vencedor na categoria Medicina do Prêmio Nobel. Chagas havia sido indicado à láurea por Hilário de Gouvêia (1843-1923), professor de oftalmologia e otorrinolaringologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

1922 – Tornou-se Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de Buenos Aires.

Teve início, na Academia Nacional de Medicina uma acirrada polêmica em torno da definição clínica da doença de Chagas e, sobretudo, da importância social da tripanossomíase americana Os críticos de Chagas, liderados por Julio Afrânio Peixoto (1876-1947), catedrático de higiene da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, afirmavam que a doença não seria um flagelo nacional já que, segundo eles, sua ocorrência era restrita à região de Lassance. Também questionaram a patogenicidade do Trypanosoma cruzi e a autoria de sua descoberta, que, segundo alguns, caberia não a Chagas mas a Oswaldo Cruz (O Paiz, 21 de dezembro de 1922, primeira coluna).

1923 – Tornou-se presidente da Sociedade Brasileira de Higiene, fundada no ano anterior (O Jornal, 29 de setembro de 1921, quinta coluna; O Jornal, 22 de dezembro de 1922, quarta coluna; e O Jornal, 11 de janeiro de 1923, segunda coluna).

Na Europa participou da sessão de abertura dos trabalhos do Comitê de Saúde das Nações Unidas, do qual era membro. Na ocasião, foi convidado para integrar a equipe encarregada pela elaboração das bases da Organização Permanente de Higiene Internacional.  Posteriormente, participou como chefe da comissão brasileira na Conferência Comemorativa sobre o Centenário de Louis Pasteur, realizado em Paris e em Estrasburgo. Ganhou o Prêmio Hors-Concours (O Jornal, 31 de maio de 1923, segunda coluna; e Correio da Manhã, 21 de agosto de 1923).

Foi agraciado com os títulos de Comendador da Coroa da Bélgica e de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra da França.

Promoveu a criação do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura e a fundação da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, filiada à Sociedade de Biologia de Paris.

Carlos Chagas solicitou ao Ministério da Justiça a renovação da Patente da vacina da manqueira por mais 15 anos. Foi o segundo produto que obteve no Brasil a renovação da Patente, fato só ocorrido anteriormente pela Fornicída Matarazzo.

Com discursos dos médicos Clementino Fraga (1880 – 1971) e Parreiras Horta (1884 – 1961), realização de uma sessão em torno da Moléstia de Chagas (O Paiz, 23 de novembro de 1923, quarta coluna). O parecer oficial da Academia Nacional de Medicina em relação à polêmica envolvendo a Doença de Chagas reiterou os méritos de Carlos Chagas porém não se posicionou quanto à questão da definição clínica e da extensão geográfica da enfermidade. Em 6 de dezembro, Chagas proferiu uma conferência na Academia, quando defendeu suas convicções e rebateu o falso nacionalismo que pretendia encobrir o mal e impedir seu estudo. Foi ovacionado (O Paiz, 1º de dezembro de 1923, quinta colunaO Jornal, 7 de dezembro de 1923; O Paiz, 7 de dezembro de 1923, sexta coluna).

 

 

Pelo Decreto nº 16.300 de 31 de dezembro de 1923 e por iniciativa de Carlos Chagas, foi criada a Escola de Enfermagem Anna Nery, desdobramento do Serviço de Enfermagem Sanitária, que ele havia criado com o apoio da Fundação Rockefeller. Assim foi introduzido o ensino profissionalizante de enfermagem no Brasil.

1924 - Participou do 2º Congresso Brasileiro de Higiene, em Belo Horizonte (O Jornal, 27 de novembro de 1924, quinta coluna).

Tornou-se membro da Societas ad Artes Medicas in India Orientali Neerlandica e membro correspondente da Academia Médica de Roma.

1925 – Tornou-se membro correspondente da Real Academia Nacional de Medicina da Espanha e também Comendador da Ordem Civil de Alfonso XII, rei de Espanha.

Recebeu o Prêmio Kümmel, conferido pela Faculdade de Medicina da Universidade de Hamburgo.

Foi nomeado professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, para a então criada cátedra de Medicina Tropical, estabelecendo as bases para o estudo desta área no Brasil (O Jornal, 26 de abril de 1925, última coluna).

Recebeu o cientista alemão Albert Einstein (1879 – 1955) durante sua visita ao Rio de Janeiro (O Paiz, 9 de maio de 1925, primeira coluna).

Sua contribuição para os estudos e a profilaxia da malária foi reconhecida no I Congresso Internacional de Paludismo, realizado em Roma (Jornal do Brasil, 9 de setembro de 1925, quarta coluna). Passou alguns dias em Paris onde foi homenageado pelo diretor do Instituto Pasteur, Albert Calmette (1863 – 1933), e pelo embaixador do Brasil, Luiz Martins de Souza Dantas (1876 – 1954) (Jornal do Brasil, 3 de novembro, sexta coluna).

1926 - Organizou o Curso Especial de Higiene e Saúde Pública, ministrado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz como especialização na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 3 de maio de 1926, quarta coluna).

Proferiu a aula inaugural da cadeira de Medicina Tropical na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 14 de setembro, na qual destacou a importância do estudo das doenças tropicais na formação médica, tendo em vista o enfrentamento dos problemas da saúde pública brasileira, sobretudo as endemias rurais.

Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Paris (O Paiz, 7 de novembro, quarta coluna).

Deixou a direção do Departamento Nacional de Saúde Pública, em novembro, quando terminou o mandato do presidente Arthur Bernardes (1875-1955). Seu sucessor no cargo foi Clementino Fraga (1880-1971) (O Paiz, 20 de novembro de 1926, segunda coluna).

Foi agraciado com o título de Comendador da Ordem de Isabel, a Católica, Espanha

Tornou-se membro da Academia Imperial Alemã de Pesquisas Naturais de Halle e membro honorário da Academia de Medicina de Nova York.

1928 – Em 30 de maio, foi eleito membro titular da Sociedade Real de Medicina Tropical e Higiene de Londres.

1929 – Tornou-se Doutor Honoris Causa da Faculdade de Medicina de Lima e Cavaleiro da Ordem da Coroa da Romênia.

Presidiu a IV Conferência Pan-americana de Higiene, Microbiologia e Patologia, realizada no Rio de Janeiro entre 30 de junho e 30 de julho.

Chagas recepcionou em Manguinhos um grupo de cirurgiões norte-americanos.

 

1930 - Tornou-se membro da Sociedade de Biologia de Buenos Aires

1931 – Tornou-se membro correspondente da Academia de Medicina de Paris.

1934 – Tornou-se Doutor Honoris Causa da Universidade Livre de Bruxelas.

Inauguração do Centro Internacional de Leprologia, com sede no Instituto de Manguinhos, idealizado e dirigido por ele (Correio da Manhã, 4 de fevereiro de 1934 e O Jornal, 14 de junho de 1934, terceira coluna).

Carlos Chagas faleceu em 8 de novembro, no Rio de Janeiro, de infarto (Jornal do Brasil, 9 de novembro de 1934). Na direção de Manguinhos, foi sucedido por Antonio Cardoso Fontes (1879-1943), que havia sido seu colega na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (O Jornal, 6 de janeiro de 1935, terceira coluna).

 

Realização na Academia de Medicina de uma sessão em sua homenagem (O Jornal, 15 de dezembro de 1934).

 

Assista aqui: Carlos Chagas – Ciência em gotas, realizado pela Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, com a consultoria de Simone Kropf

 

A elaboração dessa cronologia foi baseada principalmente na Biblioteca Virtual Carlos Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, e na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Contou com a colaboração da historiadora e pesquisadora Simone Petraglia Kropf e da jornalista Cristiane d´Avila, ambas da Casa de Oswaldo Cruz.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

CAVALCANTI, Juliana Manzoni. A Trajetória Científica de Rudolf Kraus (1894-1932) entre Europa e América do Sul: Elaboração, produção e circulação de produtos biológicos. Tese (Doutorado em História das Ciências e da Saúde) – Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, Rio de Janeiro, 2013. 284 f.

CHAGAS, Carlos, Filho. Meu pai. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, 1993

Fundação Oswaldo Cruz – Biblioteca Virtual Carlos Chagas

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KROPF, Simone P. Carlos Chagas e as doenças do Brasil. In: HOCHMAN, Gilberto; LIMA, Nísia Trindade. Médicos intérpretes do Brasil. São Paulo: Hucitec, 2015, p. 194-222.

KROPF, Simone P. Doença de Chagas, doença do Brasil: ciência, saúde e nação (1909-1962). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.

KROPF, Simone P.; LACERDA, Aline. Carlos Chagas, um cientista do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009 (edição bilíngue).

KROPF, Simone P. SÁ, Magali R. The discovery of Trypanosoma cruzi and Chagas disease (1908-1909): tropical medicine in BrazilHistória, Ciências, Saúde-Manguinhos, v.16, suplemento, p.13 -34, 2009.

KROPF, Simone P. Carlos Chagas e os debates e controvérsias sobre a doença do Brasil (1909-1923). História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v.16, suplemento 1, p.205-227, 2009.

LEWINSOHN, Rachel. Carlos Chagas (1879-1934): a descoberta do tripanossoma cruzi e da tripanossomíase americana (notas da história da doença de Chagas)Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, Volume 73, Edição 5, págs 513-523, 1979.

PITELLA, José Eymard Homem. O processo de avaliação em ciência e a indicação de Carlos Chagas ao prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, vol 42. nº 1, Uberaba, fevereiro de 2009.

SCLIAR, Moacyr . Oswaldo Cruz & Carlos Chagas: o nascimento de ciência no Brasil. São Paulo: Odysseus, 2002

Site da Academia Brasileira de Ciências

Site da Academia Nacional de Medicina

Site da Escola de Enfermagem Ana Nery

Site da Fiocruz Paraná – Instituto Carlos Chagas

Site do CPDOC

Retratos de escravizados pelo fotógrafo Christiano Junior (1832 – 1902)

No Dia da Abolição da Escravatura no Brasil, a Brasiliana Fotográfica publica o artigo As fotografias de escravizados de Christiano Junior conservadas no Museu Histórico Nacional, da historiadora Maria Isabel Ribeiro Lenzi. No século XIX, imagens de escravizados eram produzidas por artistas e fotógrafos e vendidas para os estrangeiros de passagem pelo Rio de Janeiro.  O fotógrafo açoriano Christiano Junior (1832 – 1902), aproveitando o filão, produziu “variada coleção de costumes e tipos de pretos, coisa muito própria para quem se retira para a Europa”. O álbum “Photographias de costumes brazileiros”, com 24 imagens, foi apresentada na Exposição Internacional do Porto de 1865. Pertenceu ao rei D. Fernando, de Portugal, e, em 1933,  foi doada por Jorge Olinto ao Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal.

 

As fotografias de escravizados de Christiano Junior conservadas no Museu Histórico Nacional

Maria Isabel Ribeiro Lenzi *

 

O Brasil durante mais de 300 anos teve a escravidão na base da produção da economia. Escravizaram-se índios nos primeiros anos da colonização portuguesa e, posteriormente, verificou-se que o comércio negreiro era tão ou mais lucrativo do que a transação com o açúcar que era produzido nos engenhos, cuja mão de obra negra marcava a participação africana na política mercantilista.

No Império do Brasil, a escravidão continua sendo a principal fonte de renda, como nos é lembrado quando vemos fotografias de colheitas de café ou da mineração, onde os escravizados são protagonistas. O tráfico negreiro, até 1850, é um grande negócio para o capitalista brasileiro. A escravidão estava em toda parte e mesmo uma pessoa de pequenas posses possuía um escravo de ganho que lhe trazia diariamente o sustento. Deste modo, na capital do Império, circulavam pelas ruas diversos tipos de trabalhadores, a maioria absoluta, negra. Eram carregadores, aguadeiros, vendedores de frutas, cesteiros, barbeiros ambulantes, quituteiras, etc.

Acessando o link para as fotografias de escravizados de Christiano Junior conservadas no MHN disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

O que é muitas vezes esquecido é que da escravidão também advinham recursos indiretos: o comprador de escravizados pagava imposto ao município referente àquela compra; o senhor que gastou dinheiro para adquirir escravizados possuía uma apólice de seguro que garantia o investimento de seu capital; finalmente, devemos lembrar as imagens que eram produzidas por artistas e fotógrafos e vendidas para os estrangeiros de passagem pelo Rio de Janeiro. Provavelmente a pessoa retratada não recebia por direito de imagem, mas seu retrato, vendido como souvenir dos trópicos, respondia à demanda do consumo do exótico e enriquecia algumas pessoas.

 

 

O fotógrafo português Christiano Jr. aproveitou esse filão e produziu “variada coleção de costumes e tipos de pretos, coisa muito própria para quem se retira para a Europa”(1) . A coleção era composta de cerca de 77 fotografias tamanho cartes de visites com retratos de trabalhadores de corpo inteiro e retratos de rostos de pessoas de diferentes sociedades africanas – a função e o tipo de escravizados. Eram vendidas no estabelecimento de Christiano Jr. à Rua da Quitanda e também na Casa Leuzinger. As fotografias tomadas no estúdio de Christiano Jr., feitas para os estrangeiros, não mostram a paisagem, nem a cidade, nem as estradas. Exibem os escravizados. Provavelmente, essas pessoas, ao posarem com seus instrumentos de trabalho, ganharam algum trocado do fotógrafo. Com certeza eram escravizados, pois aqueles que aparecem de corpo inteiro estão, todos, descalços, o que marcava a condição escrava do trabalhador.

 

 

Em 1865, Christiano Jr. apresenta “Photographias de costumes brazileiros” na Exposição Internacional do Porto. São duas molduras, cada uma com 12 fotografias de escravizados das ruas do Rio de Janeiro. Essas 24 imagens foram, depois de expostas, oferecidas a D. Fernando, rei de Portugal pelo fotógrafo e podemos ler nas molduras a dedicatória: “a. s. m. El Rei D. Fernando, Christiano Junior, rua da Quitanda, 45, 2º andar”.

 

molduras

Molduras para as imagens do álbum Photografias de costumes brazileiros, de 1865

 

Das 24 fotografias escolhidas para a exposição, 12 são retratos de rostos africanos e as outras 12 são de trabalhadores de ganho. São cenas de trabalho recriadas no ateliê do fotógrafo, cujo objetivo é mostrar a atividade, não representar o indivíduo. Deste modo, encontramos cesteiros, quitandeiras, barbeiros, carregadores, vendedores de frutas, vendedores de cadeira. Quanto aos tipos, do mesmo modo não buscavam representar a pessoa em si, mas sua origem: Christiano Junior escreveu em baixo de cada rosto, a nação ou o porto africano que os embarcou: Mina Nagô, Cabinda, Angola, Moçambique, Monjolo, Congo.

 

 

 

Esta coleção que pertenceu ao rei D. Fernando foi doada ao Museu Histórico Nacional – MHN – em 1933, por Jorge Olinto, estando, desde então, sob a guarda do museu. Passou pelos cuidados do Centro de Conservação e Preservação da Funarte – CCPF, no final da década de 1980, quando, para melhor conservá-las, as fotografias foram retiradas das molduras (foram higienizadas, estabilizadas, acondicionadas e reproduzidas em negativo). Todavia, foram as molduras preservadas, pois além de guardarem a dedicatória do fotógrafo a D. Fernando revelando por onde essas fotografias passaram antes de vir para o museu, elas trazem consigo a estética de uma época em que as exposições internacionais eram o must no mundo ocidental, ávido para conhecer o exótico e o pitoresco sem precisar viajar para tão longe, o que era possibilitado pela fotografia.

 

(1) Almanaque Laemmert. Apud Gorender, Jacob, A face escrava da corte imperial brasileira. In Azevedo, Paulo César;Lissovsky, Maurício. Escravos Brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr. São Paulo: Ex Libres, 1988.

 

 

*Maria Isabel Ribeiro Lenzi é Doutora em História pela UFF e historiadora do Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional (IBRAM/MinC)

 

Fontes:

CUNHA, Manoela Carneiro da. Olhar Escravo, Ser Olhado. In: Lissovisky, Maurício; Azevedo, Paulo Cesar. Escravos Brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr., São Paulo: Ex-Libris, 1988

GORENDER, Jacob. A Face Escrava na Corte Imperial Brasileira. In: Lissovisky, Maurício; Azevedo, Paulo Cesar. Escravos Brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr., São Paulo: Ex-Libris, 1988

LEITE, Marcelo Eduardo. Typos de pretos: escravos na fotografia de Christiano Jr. Visualidade, Goiânia, V.9, jan-jun, 2011.

LISSOVISKY, Maurício; AZEVEDO, Paulo Cesar. Escravos Brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr., São Paulo: Ex-Libris, 1988

MAGALHÃES, Manuel. Christiano Junior, um açoriano, fotógrafo, na América do Sul. Revelar, Revista de Estudo de Fotografia e Imagem, Porto: Universidade do Porto, V. 1, out. 2016.

SODRÉ, Muniz. À Sombra do Retrato. In: Lissovisky, Maurício; Azevedo, Paulo Cesar. Escravos Brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr., São Paulo: ExLibris, 1988

TURAZZI, Maria Inez. A fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839 – 1889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995.

 

 

 

Cronologia de Christiano Júnior 

Andrea C.T. Wanderley**

Retrato de Christiano Junior, c. 1895

 

1832 – O português José Christiano de Freitas Henriques Junior nasceu na Ilha das Flores, no Arquipélago dos Açores, em 21 de julho de 1832.

1855 – Chegou ao Brasil com sua esposa, Maria Jacinta Fraga, e com os dois filhos do casal: os futuros fotógrafos José Virgílio (1851 -?) e Frederico Augusto (1853-?).

1862 – Christiano Junior anunciava, em Maceió, em Alagoas, seus retratos fotográficos sobre vidro, papel, pano e encerado.

Chegou no Rio de Janeiro e em anúncio ofereceu seus serviços de fotógrafo. Seus trabalhos estariam expostos na casa do sr. Bernasconi e chamados escritos deveriam ser enviados para o Hotel Brysson, na rua d´Ajuda, 57 B. Também aceitava pedidos de quadros e cestas de flores e frutas de cera, imitando perfeitamente o natural (Correio Mercantil, e Instrutivo, Político, Universal, 2 de dezembro de 1862, quinta coluna).

1864 - Era um dos proprietários da Photographia do Commercio, na rua São Pedro, 69. Seu sócio era Fernando Antônio de Miranda (Jornal do Commercio, 17 de julho de 1864).

 

1865 - O endereço do estabelecimento fotográfico de Christiano e Miranda mudou para rua da Quitanda, 53 (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1865).

Christiano mudou-se sozinho para a rua da Quitanda, 45. Anunciou que em seu estabelecimento, a Photographia e Pintura, fazia cartões de visita, ambrótipos, cenótipos, fotografias coloridas a óleo, aquarela ou pastel, além de retratos para broches e medalhas. Também anunciou a venda de coleções dos costumes dos pretos nessa corte e no interior da província, em cartões para álbuns, coisa muito própria para quem se retira para a Europa  (Jornal do Commercio, 2 de abril de 1865 e Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1866).

Exposição na Casa Bernasconi de quatro molduras contendo 48 fotografias de autoria de Christiano. Delas 12 costumes de pretos de ganho, vendilhões e outras 12 representam tipos de diferentes nações da raça africana. Essas 24 imagens foram oferecidas a d. Pedro II (1825 – 1891). As outras 24 foram enviadas à eExposição Internacional do Porto e oferecidas a d. Fernando, rei de Portugal (Correio Mercantil, 22 de julho de 1865, penúltima coluna).

Participou da Exposição Internacional do Porto e suas obras, assim como as do fotógrafo Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), foram expostas na seção de Belas-Artes (Jornal do Commercio, de 1865, terceira coluna).

Christiano Jr, identificado como fotógrafo bastante conhecido pelos excelentes trabalhos executados em sua oficina, doou 400 fotografias do falecido cônsul de Portugal, Antonio Emilio Machado Reis, para ajudar à família do diplomata. Houve uma exposição das fotos na sociedade Madrepora, instituída por Machado Reis (Correio Mercantil, 1º de novembro de 1865, terceira coluna).

1866 - Publicação de anúncio da Galeria Photographica e de Pintura na seção de “Notabilidades” do Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. Christiano Junior anunciava que havia reaberto seu estabelecimento fotográfico após uma reforma e oferecia timbres-postes, fotografias em diversas dimensões – até a natural -, podendo ser coloridas por várias técnicas, retratos em cenótipos, fotografias de homens célebres, além de uma variada coleção de costumes e tipos de pretos, coisa muito própria para quem se retira para a Europa.

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Estabelecido na rua da Quitanda, 45, Christiano fez uma exibição de retratos para cartas, uma nova e interessante aplicação da fotografia, realizada a partir de um instrumento que em 15 segundos dá 12 e 24 retratos, pequenos, mas nem por isso menos parecidos. Os retratos seriam usados para marcar o papel de carta, o que anteriormente era feito com a iniciais do remetente (Diário de São Paulo, 4 de fevereiro de 1866, segunda coluna).

 

No verso de uma de suas cartas de visita oferecia retratos em lenço, costumes e tipos de índios, cópias de gravuras de Morgado de Mateus reproduzidas de uma rara edição de Os Lusíadas, retratos em porcelana, e em marfim, retratos em vidro para ver por transparências, vistas para estereoscópios, retratos de homens célebres, monarcas, guerreiros, literatos, etc.

Participou da II Exposição Nacional e o que apresentou foi saudado como excelentes retratos e perfeitíssimas reproduções de uma dúzia de gravuras. Conquistou a medalha de bronze (Semana Ilustrada, 18 de novembro de 1866, segunda coluna e Diário do Rio de Janeiro, 1º de fevereiro de 1867, última coluna).

Sobre ele, o pintor Victor Meirelles (1832 – 1903), que assinou em nome do júri do quarto grupo – onde se incluía a fotografia – comentou no Relatório da II Exposição Nacional do Rio de Janeiro:

‘Os trabalhos deste senhor não são menos dignos de atenção por algumas boas qualidades que contêm. As reproduções das gravuras da obra ilustrada: Os Lusíadas, de Camões, publicada em 1817, por D. José Maria de Souza Botelho – Morgado de Mateus, etc, etc, são bem copiadas, e não podemos deixar de louvar tão feliz lembrança, bem como o serviço que presta aos artistas e amadores das belas artes pela propagação dessas belas composições artísticas devidas ao lápis dos célebre pintores Gerard e  Fragonard.       

Christiano Junior participou que, a partir do dia 1º de dezembro de 1866, seu amigo Bernardo José Pacheco passaria a ser seu sócio em seu estabelecimento fotográfico, na rua da Quitanda, 45, que passaria a funcionar com a razão Christiano Junior & Pacheco (Jornal do Commercio, 3 de dezembro de 1866, quarta coluna e Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1867).

 

 

Em torno desse ano, realizou uma série de fotografias médicas.

 

1867 – Christiano Junior estava em Desterro, atual Florianópolis, e abriu um ateliê fotografico na rua Augusta, 26. Anunciou sua pretensão de fazer algumas vistas da cidade e também de vistas para estereoscopos, além de informar que pretendia ficar apenas por um mês na cidade porque estaria de passagem para o rio da Prata (O Despertador, 1º de fevereiro de 1867 e O Mercantil, 28 de fevereiro de 1867).

 

 

 

 

Abriu um ateliê fotográfico, em Mercedes, no Uruguai.

Christiano Junior começou a tentar expandir suas atividades na Argentina. Em 1º de dezembro, em Buenos Aires, inaugurou um bem sucedido estúdio de fotografia, na rua Florida, nº 159. Iniciou uma significativa produção de retratos e, segundo os pesquisadores argentinos Abel Alexander e Luis Priano, que examinaram os álbuns relativos ao seu trabalho que estão depositados no Archivo General de la Nación, estima-se que foram produzidos por ele mais de 4 mil retratos entre 1873 e 1875.

No censo de 1869 de Buenos Aires, constavam os nomes de Christiano e de seus dois filhos. O de sua esposa não, o que indica que provavelmente estavam separados ou ele tinha enviuvado.

1870 - Em um anúncio, Christiano Junior & Pacheco avisavam que à vista dos mesquinhos preços a que alguns de nossos colegas têm reduzido a fotografia, vemo-nos também obrigados a baixar nossos preços. Informava ainda que Christiano Junior havia trazido de sua casa, em Buenos Aires, um novo sistema, a imitação porcelana, por ele introduzida lá e aqui (Jornal da Tarde, 18 de agosto de 1870).

 

 

Em francês, anúncio da venda de um produto de combate à umidade na Maison Christiano Junior & Cia. O produto teria sido descoberto por um associado de Christiano em Paris, o pintor químico M. Regnault. A propaganda foi publicada outras vezes (Ba-Ta-clan, 27 de agosto de 1870).

Christiano Junior & Pacheco anunciavam uma novidade fotográfica, a imitação da porcelana – unicamente se fazem na rua da Quitanda, 45 (Jornal do Commercio, 28 de agosto de 1870, terceira coluna).

Christiano Junior montou um estúdio fotográfico voltado ao público infantil, a Fotografia de la Infancia, na rua de Las Artes, n. 118, em Buenos Aires.

Em torno desse ano, fotografou o Conde d´Eu(1842 – 1922), marido da princesa Isabel (1846 – 1921).

 

 

1871 – Recebeu a medalha de ouro na primeira Exposição Nacional da Argentina, na cidade de Córdoba, com a série de fotos Vistas y costumbres de la Republica Argentina. 

1873 - Publicação de um anúncio da Photographia de Christiano Junior & Pacheco no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1873 .

 

 

1874 – Christiano Junior & Pacheco eram réus em uma ação movida por Olímpio Militão Vieira na Primeira Vara Cível (Diário do Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 1874, primeira coluna).

1875 – O estabelecimento fotográfico de Christiano Junior & Pacheco foi anunciado pela última vez no Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1875, no endereço rua da Quitanda, 39 a 41.

Seu ateliê fotográfico voltado ao público infantil, a Fotografia de La Infância, era, segundo anúncio publicado no jornal La Prensa de 04 de fevereiro de 1875, possuidor de máquinas instantâneas que permitem tirar retratos de criaturas inquietas e travessas. O ateliê foi destruído por um incêndio em março de 1875, e foi reaberto pouco depois, à rua Victoria 296, agora gerenciado por seu filho José Virgílio, que havia sido seu ajudante.

Manoel Garcia Vidal, ex-sócio de Christiano Junior & Pacheco, anunciou a abertura de um estabelecimento fotográfico na rua Sete de Setembro, 76, esquina com Gonçalves Dias (Jornal do Commercio, 17 de março de 1875, sexta coluna).

Um incêndio destruiu o prédio número 41 da rua da Quitanda, de propriedade da Santa Casa de Misericórdia. No segundo andar ficava o estabelecimento Christiano Junior & Pacheco (Jornal de Recife, 29 de março de 1875, segunda coluna). Eles passaram a atender no ateliê do renomado fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 1924), na rua do Ourives, 38 (Jornal do Commercio, 21 de março de 1875).

A Photographia de Pacheco, Menezes e Irmão era anunciada como sucessora de Christiano Junior & Pacheco, na rua da Quitanda, 39 (Gazeta de Notícias, 10 de agosto de 1875, terceira coluna).

 

 

Christiano tornou-se fotógrafo oficial da Sociedade Rural Argentina e realizou sua primeira exposição pela entidade, da qual se desligaria em 1878.

1876 – Lançou o primeiro volume da coleção intitulada Album de Vistas e Costumes de La Republica Argentina, que trazia 16 imagens de Buenos Aires acompanhadas por textos explicativos em quatro idiomas. Primeiro trabalho com essas características produzido na Argentina, o material foi, em parte, formado pelo aproveitamento de vistas anteriormente colocadas à venda em seu ateliê. Christiano Júnior nesse trabalho mesclou imagens da Argentina colonial e pastoril com as de uma nova nação, representada sobretudo pelas novas construções.

Para introduzir o álbum afirmou: ‘Meu plano é vasto e quando estiver completo a República Argentina não haverá nem pedra nem árvore histórica, do Atlântico até os Andes, que não tenha sido submetido ao foco vivificador da câmara escura.’

 

 

Ganhou a medalha de ouro na segunda exposição anual da Sociedade Científica Argentina.

Participou da Exposição Universal da Filadélfia de 1876.

1877 - Foi lançado o segundo volume de seu trabalho, contando com doze retratos de tipos populares urbanos e com vistas de construções modernas e históricas.

Produziu uma série que retratava a nova penitenciária de Buenos Aires, trabalho que foi vendido de forma avulsa e em álbum encadernado.

No catálogo da primeira exposição do Club Industrial de Buenos Aires, em 1877, na qual participou, Christiano Junior escreveu acerca de suas fotos médicas, realizadas no Brasil, que segundo o parecer dos médicos nacionais e estrangeiros, nenhum fotógrafo, até aquela data [1866] havia tirado do natural um trabalho semelhante.

1878 - Vendeu seu estúdio em Buenos Aires para Witcomb & Mackern. Deixou no arquivo do ateliê um acervo de mais de 170 vistas.

Participou da Exposição Universal de Paris de 1878.

1879 a 1883 – Viajou pelo interior da Argentina, fotografando várias províncias do país, continuando a série de álbuns de Vistas e Costumes da República Argentina. Passou pelas cidades de Rosário, Córdoba, Río Cuarto, Mendoza, San Juan, San Luis, Catamarca, Tucumán, Salta e Jujuy. Antes de chegar às cidades, anuncia nos jornais locais que ali prestará seus serviços. Monta seu estúdio associado a um fotógrafo local e, em alguns casos, acompanhado de seu  filho. Uma vez instalado na localidade, dá início ao trabalho no ateliê e, paralelamente, desenvolve seu projeto maior: os álbuns de vistas.

1882 – Participou da Exposição Continental de Buenos Aires em 1882.

1883 – Anúncio do estabelecimento fotográfico de Menezes & Irmão, sucessores de Christiano Junior & Pacheco (Gazeta da Tarde, 5 de junho de 1883, última coluna).

Christiano Junior desvinculou-se de seu último ateliê, localizado na cidade de Corrientes. Abandonou temporariamente a fotografia, dedicando-se à produção e comércio de vinhos e licores, os quais vendia ao Brasil, à Argentina e ao Paraguai.

1890 – De Buenos Aires, Christiano Junior importou 382 fardos feno, que chegaram no vapor francês Bearn (Jornal do Commercio, 28 de janeiro de 1890, penúltima coluna).

De Buenos Aires, Christiano Junior importou quatro sacos de alpiste, 10 de cevada, 10 de linhaça, seis de milho e 40 caixas de passas e nove de vinho que chegaram no vapor francês Bretagne (Jornal do Commercio, 23 de abril de 1890, quarta coluna).

1892 – Pelo decreto de 21 de dezembro de 1892, foi concedida, por 15 anos, a Christiano Junior, a patente da invenção do processo aperfeiçoado de fabricar vinho de cana (Minas Gerais, Órgão Oficial dos Poderes do Estado, 24 de dezembro de 1992, terceira colunaJornal do Brasil, 26 de dezembro de 1892, quarta coluna, e Relatório do Ministério da Agricultura de 1993).

1899 – Publicação do livro de sua autoria,  Tratado prático de vinicultura, destilaria e licoreria, com prólogo do escritor argentino Eduardo L. Holmberg (1852 – 1937).

1901/1902 – Entre esses anos, Christiano Júnior escreveu ainda oito textos autobiográficos publicados no jornal La Provincia: Sueños raros (14/12/1901); Recuerdos de mi tierra, dedicado a seu neto Augusto (1/1/1902), Tempora mutantur (Buenos Aires de 1866 a 1900), dedicado a sua neta Telma (15, 18, 21, 25/1/1902); Un carnaval en mi tierra, dedicado a Pedro Benjamín Serrano ( 8/2/1902); En los Andes, dedicado a Félix M Gómez (1/3/1902); Informalidad y mentira, dedicado a Manuel V. Figuerero (26/3/1902); Brasil de 1855 a 1870, dedicado a Guillermo Rojas ( 5/4/1902), e De Corrientes (17/5/1902) (Recordando Christiano).

1902 – Christiano Junior faleceu em 19 de novembro, em Assunção, no Paraguai. Seu necrológio foi publicado, em 13 de dezembro de 1902, na revista argentina Caras Y Caretas, página 28 :

Em Assunção do Paraguai, onde vivia retirado há muitos anos pintando fotografias, faleceu na semana passada o velho fotógrafo don Christiano Junior, cuja arte para retratar a antiga família portenha era famosa em seu tempo. Junior foi o antecessor de Witcomb e diante de sua objetiva desfilaram as mais conhecidas damas e cavalheiros daquela época. Morreu pobre, privado quase por completo de sua visão, e deixa uma lembrança agradável em todos os que conheceram.’

 

anuncio12 Caras y Caretas, 13 de dezembro de 1902

 

Posteriormente, seus restos mortais foram levados para Buenos Aires e sepultados no cemitério de Olivos.

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Seguem os links dos artigos já publicados na Brasiliana Fotográfica sobre a Abolição da Escravatura:

Dia da Abolição da Escravatura

Missa Campal de 17 de maio de 1888

Machado de Assis vai à missa, de autoria de José Murilo de Carvalho

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Novas identificações

Princesa Isabel (RJ, 29 de julho de 1846 – Eu, 14 de novembro de 1921)

Missa Campal de 17 de maio de 1888 – Mais identificações

A Brasiliana Fotográfica, o Dia da Abolição da Escravatura e Machado de Assis na Missa Campal

Nudez na Galeria Ducasble causa polêmica no Recife do século XIX

 

A exposição de uma cópia do quadro Sono de antíope (ao lado), do pintor italiano renascentista Correggio (c. 1439 – 1534), na Galeria Ducasble, causou polêmica no Recife, em 1885. Por ser considerado por parte do público um registro imoral, muitos deixaram de frequentar o estabelecimento. O advogado e ex-presidente das províncias do Piauí, do Ceará e de Pernambuco, Diogo Cavalcanti de Albuquerque (1829 – 1889), publicou, no Diário de Pernambuco de 27 de junho de 1885, uma crítica a esse comportamento, segundo ele, inspirado por uma nudofobia. No mesmo artigo, criticou o pouco incentivo do governo às artes e elogiou a galeria do fotógrafo e antiquário francês Alfred Ducasble (18-? – 19?). Diogo Cavalcanti de Albuquerque foi o Comissário Geral do Império à Exposição Universal de Paris, em 1889, na qual Ducasble participou como delegado oficial da província de Pernambuco e também como autor de fotografias e expositor de quadros, móveis, jóias e antiguidades.

O ateliê de fotografia e galeria de belas artes de Ducasble situava-se à Rua Barão da Vitória, 65 e era conhecido como A. Ducasble & C., Galeria Ducasble e Fotografia Parisiense. Pintores como Aurélio de Figueiredo (1856 – 1916) e José Jerônimo Telles Júnior (1851 – 1914)  expuseram seus trabalhos na galeria.

‘A uma habilidade não comum, que ele tem vantajosamente empregado no aperfeiçoamento dos processos fotográficos junta, como entusiasta e verdadeiro cultor das belas artes, ardente vocação, apurado gosto e inexcedível dedicação a esse gênero de cultura humana; ainda mais: vota particular interesse, liga a maior importância às produções e progresso da arte nacional’ (Diogo Cavalcanti de Albuquerque sobre Ducasble, em 1885).

Por ter fotografado grande parte da sociedade pernambucana, Ducasble ficou mais conhecido como retratista embora tenha sido também considerado um excelente paisagista. Foi casado com a alagoana e modista Urraca (1837 – 1893), com quem teve filhos: Maria Vitória (1864 – 1902), nascida em Alagoas, e o futuro caixeiro-viajante Alfredo Ducasble Filho (18? – 19?), nascido em Pernambuco.

 

 

 

Acessando o link para as fotografias de Alfredo Duscable disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Pouco se sabe sobre a vinda de Ducasble para o Brasil: teria chegado a Pernambuco em 1873 e atuou na cidade nas décadas de 1870 a 1890. Além de fotógrafo, era colecionador e antiquário. Foi professor de desenho e caligrafia no Liceu de Artes e Ofícios e na Escola Propagadora do Recife e é de sua autoria o livro Curso Prático de Caligrafia. Na década de 1880, participou de exposições no Brasil e no exterior, tendo obtido medalha de prata na Exposição Internacional de Antuérpia, em 1885. Foi possivelmente a primeira pessoa a divulgar internacionalmente o mobiliário colonial brasileiro ao enviar, além de pinturas e jóias, móveis e outras antiguidades de seu acervo para a Exposição Universal de Paris em 1889, da qual foi delegado oficial da província de Pernambuco. Na ocasião, recebeu a medalha de prata por seu panorama de Pernambuco e por retratos expostos. Algumas vistas do Recife de sua autoria foram incluídas no Album de vues du Brésil, que organizado pelo Barão do Rio Branco (1945 – 1912) e lançado em Paris na ocasião da Exposição Universal, fazia parte da segunda edição de Le Brésil, extrato da Grande Enciclopédia, trabalho dirigido pelo geógrafo Émile Levasseur  (1828-1911), para o qual o barão havia colaborado. Nesse mesmo ano, 1889, Ducasble teria ido viver em Paris.

 

 

Desenhos publicados no Album de vues du Brésil baseados em fotografias de Ducasble

(Páginas 53 a 56 do PDF)

 

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Em 1900, foi anunciada a existência de uma sucursal da Galeria Ducasble, na Avenue de la Grande Armée, em Paris. Em 1893, ano do falecimento de sua mulher, a Galeria Ducasble do Recife foi vendida para o fotógrafo Ludgero Jardim da Costa (18? – 19?).

 

Cronologia de Alfredo Ducasble (18? – 19?)

 

1873 – J. A. Ducasble teria chegado em Pernambuco vindo da Europa no vapor Rio Grande (Diário de Pernambuco, 11 de março de 1873, terceira coluna).

1874 – No Recife, A. Ducasble, sua mulher e três filhos embarcaram rumo ao sul do país, no vapor inglês Illimani (A Província – Órgão do Partido Liberal, 27 de janeiro de 1874, primeira coluna).

No Rio de Janeiro, João Alfredo Ducasble, sua senhora e um filho embarcaram no vapor Pará rumo a Pernambuco (Jornal do Commercio, 20 de junho de 1874).

Foi anunciado que Ducasble era consertador de máquinas de costura e que a modista Madame Ducasble havia chegado da corte e convidava as senhoras que desejassem vestir-se elegantemente para a visitarem na rua da Imperatriz, nº 8, mesmo local onde Ducasble atendia (Jornal de Recife, 9 de julho e 13 de julho de 1874).

 

 

 

Foi publicado um anúncio de Ducasble oferecendo aulas de caligrafia e de francês no primeiro andar da rua da Imperatriz, nº 1, onde sua esposa tinha um estabelecimento de moda (Jornal de Recife, 6 de agosto e 11 de agosto de 1874).

 

 

1875 – João Alfredo Ducasble trabalhava como desenhista na Repartição das Obras de Conservação dos Portos da Província (Almanak Administrativo, Mercantil, Industrial e Agrícola (PE), 1875).

Sua esposa, a modista Urraca Ducasble (18? – 1893), participava a mudança de seu estabelecimento de moda para a rua Barão da Vitória, 52, no 1º andar, a partir do dia 12 de julho de 1875 (A Província – Órgão do Partido Liberal, 11 de julho de 1875). Dois anos depois, mudou-se para o número 65 da mesma rua.

1876 - Vindo no navio Rio Grande, o francês Alfred Ducasble, chegou ao Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 1876, quinta coluna).

1877 - Foi publicado um anúncio onde Ducasble oferecia-se para fazer qualquer levantamento em plantas de engenho, nivelamentos, projetos de casas de campo, chalés e qualquer desenho de arquitetura, mecânico e topográfico (Jornal de Recife, 18 de abril de 1877, quinta coluna). Continuava lecionando caligrafia e desenho em colégios, em casas particulares e em sua casa (Jornal de Recife, 23 de abril de 1877, terceira coluna). Mudou-se para a Rua Barão da Vitória (ex- rua Nova), nº 65, 1º andar (Jornal de Recife, 16 de outubro de 1877, quarta coluna).

Ducasble participou de uma celebração na Escola Filotécnica (Jornal de Recife, 16 de novembro de 1877, quarta coluna).

Imprimiu o Curso Prático de Caligrafia, de sua autoria, aprovado pelo Conselho Superior de Instrução Pública de Pernambuco (Jornal de Recife, 28 de novembro de 1877, última coluna).

1878 - Durante uma reunião do Conselho de Instrução Pública da província da Bahia, foi lido um ofício mandando informar o requerimento de Alfred Ducasble, que se propõe a ensinar em 30 lições a caligrafia nas escolas, nos dois externatos e aos professores públicos, e oferece à venda por 1$500 réis cada exemplar da coleção de seus traslados. A venda não foi realizada (O Monitor, 28 de abril de 1878, terceira coluna e O Monitor, 18 de junho de 1878, sexta coluna).

Em Salvador, Alfredo Ducasble embarcou no vapor francês Niger rumo ao Recife (O Monitor, 20 de junho de 1878, quarta coluna e A Província – Órgão do Partido Liberal, de 1878, 20 de junho de 1878, segunda coluna).

Anunciou seus serviços como professor de caligrafia e de desenho, estabelecendo curtos prazos para ensinar as matérias (Jornal de Recife, 5 de julho de 1878, quinta coluna).

 

No fim dessa década, provavelmente, o alemão Rodolpho Frederico Francisco Lindemann (1852 – 19?)  trabalhava como fotógrafo junto a Alfredo Ducasble.

1880 – Anunciou a realização de Retratos Inalteráveis na Photographia Parisiense pelo processo de cromotipia, na rua Barão da Vitória, 65.

 

 

Em 1º de março, anunciou-se que na Photographia Parisiense, de Alfredo Ducasble & C., fazia-se retratos de pessoas falecidas, de grupos, retratos em domicílio e de paisagens e por todos os sistemas mais modernos. A dúzia de retratos custava 5 $ (Jornal de Recife, 1º de março de 1880).

1881 - Teria pretendido estender sua atuação para a Paraíba onde seria seu representante ou sócio Manoel Bezerra de Mello.

No Liceu de Artes e Ofícios do Recife, Ducasble era professor de caligrafia e de desenho linear. Doou para a biblioteca da instituição 10 exemplares de seu livro Curso de Caligrafia (Diário de Pernambuco, 18 de fevereiro de 1881, segunda coluna e Diário de Pernambuco, 22 de março de 1881, segunda coluna).

Exposição, no estabelecimento fotográfico de M. Alfred Ducasble , que de dia em dia vem caminhando num progresso rápido a ponto de já ser o primeiro da província, de dois quadros do pintor paraibano Aurélio de Figueiredo (1856 – 1916), Saudade e Melancolia (Diário de Pernambuco, 19 de abril de 1881, primeira coluna). Meses depois, por motivos de saúde, o pintor foi para a Paraíba e deixou como contato no Recife a Galeria Ducasble (Diário de Pernambuco, 8 de setembro de 1881, quarta coluna).

Participou da Exposição da Indústria Nacional e da Exposição Provincial de Pernambuco provavelmente com fotografias. Na última conquistou a medalha de mérito.

1882 – Participou da Primeira Exposição Artístico-Industrial promovida pela Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco e conquistou uma medalha de mérito pelos retratos de seu estabelecimento fotográfico. Alberto Henschel (1827 – 1882) também recebeu uma medalha de mérito pelas vistas fotográficas que expôs (Diário de Pernambuco, 17 de janeiro de 1882, segunda colunaJornal de Recife, 22 de janeiro de 1882, última coluna).

Uma menina de cor preta com aproximadamente 10 anos chamada Josefa foi abandonada na casa do casal Ducasble (Diário de Pernambuco, 14 de março de 1882, quinta coluna).

Ducasble foi laureado com o primeiro prêmio na Exposição Artístico-Industrial do Rio de Janeiro (Jornal de Recife, 14 de maio de 1884, última coluna).

Ducasble doou livros para a Biblioteca do Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco, inaugurada em 11 de dezembro de 1881 e aberta em 10 de abril de 1882 (Jornal de Recife, 4 de maio de 1882, penúltima coluna).

Fazia parte da comissão do Club Abolicionista encarregada de angariar donativos no bairro de Santo Antônio, no Recife (Jornal do Recife, 13 de junho de 1882, penúltima coluna).

Integrava o comitê nomeado pelo Consulado da França para organizar a Festa Nacional de 14 de julho (Jornal de Recife, 28 de junho de 1882, quinta coluna). Foi elogiado pelo trabalho verdadeiramente artístico - uma miniatura que foi ofertada aos participantes da festa (Jornal de Recife, de 16 de julho de 1882, penúltima coluna).

Na comemoração dos 41 anos da Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco, foi realizada uma exposição com quatro salas. A primeira sala, que era a principal, denominada Galeria Ducasble apresentava um quadro de fotografias produzidas por Ducasble, quadros a óleo do paraibano Aurélio de Figueiredo (1856 – 1916), do francês radicado em Pernambuco  Eugène Lassailly (18? – 19?) e do pernambucano José Jerônimo Telles Júnior (1851 – 1914), além de trabalhos a crayon de Benevenuto Cabral e estudos, também a crayon, de Maria Tasso (Jornal do Recife, 19 de dezembro de 1882, quinta coluna).

1883 – Fotografias porcelana produzidas por Ducasble eram um dos prêmios oferecidos em um sorteio da Livraria e Papelaria de G. Laporte & C. (Jornal de Recife, 4 de fevereiro de 1883, quinta coluna).

Ducasble partiu para a Europa a bordo do vapor inglês La Plata (Diário de Pernambuco, 16 de fevereiro de 1883, segunda coluna).

Na Galeria Ducasble, exposição de um quadro pintado por Leopoldino de Faria (1836 – 1911), retratando o diretor do Arsenal de Marinha (Jornal de Recife, 8 de junho de 1882, penúltima coluna).

Ducasble chegou da Europa a bordo do vapor francês Gironde (Jornal de Recife, 5 de agosto de 1883, última coluna). Publicou que retomava a direção de seu estabelecimento e que estava recuperado de seus incômodos. Informava que havia visitado os melhores estabelecimentos das principais cidades europeias, onde havia praticado com grandes mestres de fotografia e pintura. Anunciou ter trazido modernos equipamentos e que havia se dedicado ao estudo dos processos instantâneos podendo tirar facilmente o retrato de toda e qualquer criança com expressão e semelhança (Jornal de Recife, 10 de agosto de 1883, quinta coluna).

 

 

O pintor francês Lassaily havia chegado da França e anunciava que quem precisasse de seus serviços poderia procurá-lo na Photographia Parisienne (Jornal de Recife, 13 de novembro de 1883, última coluna).

Ducasble anunciou que o quadro dos bachareis do 5º ano encontrava-se em sua galeria e que até o fim do mês receberia o pagamento da segunda prestação (Jornal de Recife, 17 de novembro de 1883, terceira coluna).

1884 - Anúncio da Galeria Ducasble informava que a partir de qualquer fotografia produzia retratos a óleo, crayon e nanquim (Jornal de Recife, 9 de maio de 1884).

Ele, Menna da Costa e Hermina Costa formavam a comissão da Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais para arrecadação dos impostos devidos por fotógrafos e retratistas (Jornal de Recife, 11 de julho de 1884, última coluna).

Ducasble fez a importação de espelhos, que chegaram no vapor francês Ville de Pernambuco (Jornal de Recife, 11 de julho de 1884, segunda coluna). Ao longo do ano foram noticiadas outras importações.

Na Galeria Ducasble, exposição de um belo retrato a óleo feito na Europa de Laurentino José de Miranda, que iria ornar a sala de sessões da Companhia de Ferrovia de Olinda (Diário de Pernambuco, 16 de maio de 1884). Exposição também de um bonito retrato a óleo do conselheiro Theodoro Machado Freire Pereira da Silva, que seria levado para o salão de honra da Câmara Municipal do Recife (Jornal de Recife, 14 de setembro de 1884, quarta coluna).

 

 

1885 – Estavam expostos na Galeria Ducasble os retratos a óleo dos advogados José Mariano Carneiro da Cunha (1850 – 1912) e Félix de Valois Correia (18? – 19?), encomendados pela Imperial Sociedade de Artistas Mecânicos e Liberais em homenagem aos serviços prestados por eles. Seriam colocados no salão de honra da referida instituição no dia do aniversário da mesma, em 18 de janeiro (Jornal de Recife, 14 de janeiro de 1885, quarta coluna).

Publicou um anúncio intitulado Antiguidades, onde anunciava interesse na compra de objetos antigos como sejam: pratos, cadeiras de sofá, vasos e candelabros de bronze, pinturas antigas e modernas e qualquer objeto artístico (Jornal de Recife, 25 de fevereiro de 1885, sexta coluna e Diário de Pernambuco, 6 de março de 1885). Esse anúncio foi publicado várias vezes ao longo do ano.

 

 

Participou da Exposição Internacional de Antuérpia, realizada entre 2 de maio e 2 de novembro de 1885, e ganhou o diploma de medalha de prata na Classe 7 – Fotografias e seus aparelhos (Diário de Pernambuco, 29 de outubro de 1885, terceira colunaJornal de Recife, 7 de abril de 1887, quinta coluna).

A carta geral do Brasil assim como outra da província de São Paulo não deixam nada a desejar como gravura topográfica. Saíram das oficinas dos senhores Paul Robin & O, do Rio de Janeiro que obtiveram por seus trabalhos uma medalha de prata; a mesma recompensa foi atribuída aos senhores Marc Ferrez e Ducasbles por suas belas fotografias’ (Anvers à l´Exposition Universelle, 1886).

A exposição de uma reprodução do quadro Sono de antíope, do pintor renascentista Correggio (c. 1439 – 1534), na Galeria Ducasble, causou polêmica por ser considerado imoral por parte do público e por essa causa deixou de frequentar o estabelecimento. O advogado e ex-presidente das províncias do Piauí, do Ceará e de Pernambuco Diogo Cavalcanti de Albuquerque (1829 – 1889) publicou uma crítica a esse comportamento, segundo ele, inspirado por uma nudofobia. No mesmo artigo critica o pouco incentivo do governo às artes e elogia o estabelecimento de Ducasble (Diário de Pernambuco, 27 de junho de 1885).

 

 

 

 

Continuava trabalhando como professor do Liceu de Artes e Ofícios (Diário de Pernambuco, 14 de outubro de 1885 e Diário de Pernambuco, 3 de julho de 1886).

Executou o retrato do sr. Epaminondas Gouvêia, que seria colocado na Igreja do Carmo. Foi encomendado pela Irmandade de Nossa Senhora da Luz (Jornal de Recife, 25 de outubro de 1885, quinta coluna).

Participou, na Seção de Fotografia, da 5ª Exposição Artístico-Industrial, promovida pela Imperial Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais, quando obteve o diploma de Progresso (Jornal de Recife, 31 de dezembro de 1885, quinta coluna).

O larápio José Braz da Silva célebre autor do roubo que sofreu a atriz Helena Balsemão foi retratado por Ducasble (Diário de Pernambuco, 3 de julho de 1885, quarta coluna).

Ducasble vendeu à Irmandade de Nossa Senhora da Conceição cadeiras de carvalho revestidas de acentuados desenhos de talha (Jornal de Recife, 9 de dezembro de 1926, primeira coluna).

1886 – Na exposição fotográfica no Palácio de Cristal, na cidade do Porto, em Portugal, Ducasble foi contemplado com uma menção honrosa (Gazeta de Notícias, 27 de junho de 1886, terceira coluna).

Produziu um retrato da atriz portuguesa Lucinda Furtado Coelho (1850 – 1928) que constava de um jornal dedicado a ela (Jornal de Recife, 1º de julho de 1886, penúltima coluna).

Na Galeria Ducasble, exposição de um retrato a óleo de Diogo Cavalcanti de Albuquerque executado em Paris por um brasileiro. Também na galeria, exposição de trabalhos do pintor cearense Irineu de Souza (1850 – 1924) e de uma fotografia do Teatro Santa Isabel na ocasião da sessão fúnebre promovida União Federal Abolicionista em honra a José Bonifácio (Diário de Pernambuco, 9 de abril de 1886, primeira colunaJornal de Recife, 18 de setembro, quinta coluna e Jornal de Recife, 3 de dezembro de 1886, segunda coluna).

Participou da Exposição Sul-Americana de Berlim e conquistou o primeiro prêmio e a medalha de ouro (Diário de Pernambuco, 21 de agosto de 1886, penúltima colunaJornal do Commercio, 31 de março de 1887, última coluna e Jornal de Recife, 16 de março de 1888)

1887 – Publicação de artigos de Ducasble na quarta, na sexta e na oitava edição da Revista do Norte

Publicação de uma carta do pintor Telles Júnior ao mestre Alfredo Ducasble sobre o artigo escrito sobre os quadros de Barreto Sampaio na Revista do Norte, 10 de fevereiro de 1887. Telles Junior sentiu-se ofendido pela crítica de Ducasble (Jornal de Recife, 14 de março, quinta coluna).

Na Galeria Ducasble, exposição de retratos pintado a óleo por Bannel de Paris (Jornal de Recife, 13 de abril de 1887, quinta coluna).

Ducasble ofertou ao Instituto Arqueológico Geográfico de Pernambuco uma fotografia da inscrição da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, no Monte Guararapes (Jornal de Recife, 20 de abril de 1887, primeira coluna).

Chegada no vapor Ville de Bahia de uma encomenda de quadros feita por Ducasble (Jornal de Recife, 7 de junho de 1887, quarta coluna).

Em uma carta publicada por Feliciano de Azevedo Gomes para a família de Emílio Soares, alfaiate e genro de Ducasble, casado com sua filha Maria Victória, foi revelado que Ducasble sofria dos nervos. Feliciano acusou Ducasble de calúnia no episódio envolvendo um surto de loucura de Soares e o desafiou para um duelo. Ducasble declarou jamais ter caluniado Feliciano, a quem continuava a considerar um cavalheiro muito distinto e honrado (Jornal de Recife, 14 de junho, última coluna;  15 de junho, penúltima coluna; e 18 de junho, terceira coluna).

O escritor português Ramalho Ortigão (1936 – 1915) em sua vista ao Recife foi à Galeria Ducasble onde foi fotografado. Estava com Joaquim Nabuco (Jornal de Recife, 20 de novembro de 1887, segunda coluna).

Na Galeria Ducasble, exposição de um retrato de Adolfo Manta, encomendado por seus ex-escravos, recém libertos por ele (Diário de Pernambuco, 7 de dezembro de 1887, última coluna).

1888 – Publicação de uma propaganda da Galeira Ducasble com lista de prêmios (Jornal de Recife, 16 de março de 1888). Foi publicada diversas vezes ao longo do ano no Jornal de Recife e no Diário de Pernambuco.

 

 

Na Galerie Artistique de Ducasble, exposição de dois bustos a óleo dos abolicionistas pernambucanos Joaquim Nabuco (1849 – 1910) e de José Mariano Carneiro da Cunha (1850 – 1912), realizados por Ducasble (Jornal de Recife, 30 de maio de 1888, quinta coluna).

 

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Joaquim Nabuco e José Mariano Carneiro da Cunha fotografados por Ducasble / Acervo Fundação Joaquim Nabuco

 

 

O artista, pintor e decorador francês Eugène Lassailly  publicou uma propaganda de seus serviços e um dos lugares onde poderia ser contactado era a Galeria Ducasble (Jornal de Recife, 19 de junho de 1888, quarta coluna).

Ducasble foi um dos contribuintes da subscrição agenciada no Recife por Luiz Cintra a fim de serem ofertadas aos médicos que cuidaram da saúde de dom Pedro II (Diário de Pernambuco, 28 de agosto de 1888, quinta coluna).

Participou da Comissão Pernambucana para a representação da província na Exposição Universal de Paris (Diário de Pernambuco, 23 de setembro de 1888, última coluna e Jornal de Recife, 11 de janeiro de 1889, primeira coluna).

Ducasble  lecionava caligrafia na Escola Normal da Sociedade Propagadora de Instrução Pública (Diário de Pernambuco, 23 de novembro de 1888, última coluna).

Em anúncio, Ducasble atestava ter feito com sucesso uso do Elixir Cabeça de Negro sedativo contra o reumatismo, fórmula do dr. Santa Rosa (Jornal do Commercio, 12 de dezembro de 1888).

1889 – Abertura da exposição prévia dos produtos que deveriam ir para a Exposição Universal de Paris, dentre eles objetos artísticos de Ducasble, que recebeu o diploma de 1ª classe (Jornal do Povo, 14 de janeiro de 1889, terceira coluna, Diário de Pernambuco, 15 de janeiro de 1889, quarta coluna; e Diário de Pernambuco, 5 de fevereiro de 1889, segunda coluna).

Foi eleito conselheiro da diretoria da Imperial Sociedade de Artistas Mecânicos e Liberais (Jornal de Recife, 26 de janeiro de 1889, terceira coluna).

Foi de sua autoria a fotografia do projeto do monumento em homenagem à abolição da escravidão que seria erigido em Olinda (Jornal de Recife, 10 de fevereiro de 1889, primeira coluna).

Ducasble foi escolhido delegado da Comissão Pernambucana para a representação da província na Exposição Universal de Paris (Diário de Pernambuco, 3 de maio de 1889, penúltima coluna).

Ducasble produziu uma fotografia do pessoal da Companhia de Bombeiros (Jornal do Povo, 17 de maio de 1889, segunda coluna).

Na Exposição Universal de Paris, realizada entre 6 de maio e 31 de outubro de 1889, ganhou medalha de prata por seu panorama de Pernambuco e por retratos expostos e também por lenços bordados e rendas. Além disso, expôs 5 quadros, móveis, jóias e antiguidades (Diário de Pernambuco, 23 de outubro, quarta coluna, e Jornal de Recife, 24 de outubro de 1889, penúltima coluna). Segunda a Revista do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional de 1946, Ducasble talvez tenha sido o primeiro a enviar peças antigas brasileiras ou luso-brasileiras para serem mostradas fora do país. Nessa mesma exposição, o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) participou com vistas do Rio de Janeiro, vistas marinhas e paisagens e, de acordo com Maria Inez Turazzi, recebeu a medalha de bronze. Segundo o Auxiliador da Indústria Nacional, ele teria recebido a medalha de prata (O Auxiliador da Indústria Nacional, 1889). O fotógrafo Felipe Augusto Fidanza (c. 1847 – 1903) recebeu uma medalha de bronze. Outros fotógrafos que participaram foram Albert Richard Dietze (1838 – 1906), Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?), Nicholson & Ferreira, Joaquim Insley Pacheco  (c. 1830 – 1912) e José Ferreira Guimarães (1841 – 1924). Foi também nessa exposição que a Torre Eiffel, na época a mais alta estrutura do mundo, foi inaugurada.

Ducasble estava presente no banquete realizado em 3 de outubro, no restaurante Voisin para a despedida de Visconde de Cavalcanti (1829 – 1899), presidente do Comissariado Geral do Brasil junto à Exposição Universal de Paris, que retornaria ao Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, 24 de outubro de 1889, sexta coluna).

Foi um dos fotógrafos incluídos no livro Album de vues du Brésilbarão do Rio Branco (1845-1912) foi o responsável pelo livro, considerado a última peça para a promoção do Brasil imperial, representando um resumo iconográfico do país e de suas riquezas. Foi um dos livros que inaugurou a ilustração fotográfica do Brasil e é considerado por muitos uma espécie de balanço final do período imperial. Nas palavras do barão, o álbum pretendia “mostrar a fisionomia atual das principais cidades do Brasil e seus arredores. Sob esse aspecto, a presente coleção é a mais completa publicada até hoje”. Trazia também fotografias produzidas por Augusto Riedel (1836 -?)Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?), dentre outros. Foi lançado em Paris na ocasião da Exposição Universal de 1889, e fazia parte da segunda edição de Le Brésil, extrato da Grande Enciclopédia, trabalho dirigido pelo geógrafo Émile Levasseur  (1828-1911), para o qual o barão havia colaborado. O Album de vues du Brésil foi o primeiro do gênero publicado depois do Brasil Pitoresco (1861), primeiro livro de fotografia realizado na América Latina, com imagens de Jean Victor Frond (1821 – 1881) e texto do jornalista e político francês Charles Ribeyrolles (1812-1860), reeditado em 1941.

Sua proposta para a confecção do quadro de retratos da turma do 5º ano da Faculdade de Direito foi vencida pela a de Constantino Barza, sucessor do fotógrafo berlinense Alberto Henschel (1827 – 1882) (Jornal de Recife, 19 de julho de 1889, quinta coluna). Em anúncio, Ducasble convidada os quintanistas que quisessem fazer parte do grupo da Torre Eiffel para irem a sua galeria (Jornal de Recife, 20 de agosto de 1889, terceira coluna).

Na Galeria Ducasble, exposição de estudos cenográficos de um ex-aluno da Imperial Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro (Diário de Pernambuco, 16 de julho de 1889, última coluna).

Ducasble compareceu em Paris à missa celebrada pelo abade , na Igreja de Saint Augustin, em 25 de julho, a mando do Barão de Penedo, em desagravo ao atentado sofrido por d. Pedro II (Gazeta do Norte, 8 de setembro de 1889, terceira coluna).

Escreveu uma carta informando sobre o sucesso dos produtos pernambucanos exibidos na Exposição Universal de Paris (Diário de Pernambuco, 8 de setembro de 1889, quarta coluna).

Estava à venda na Galeria Ducasble fotografias da armação funerária da Igreja da Penha para as exéquias pela morte de dom Luiz I de Portugal (1838 – 1889) celebradas pela colônia portuguesa do Recife (Diário de Pernambuco, 20 de dezembro de 1889, segunda coluna).

Duscable foi viver em Paris e abriu a farmácia Ducasbline, onde vendia remédios que produziu a partir de seus estudos sobre a flora brasileira e conseguindo a custa a custa de pacientes investigações e meticulosas experiências o conhecimento perfeito das propriedades medicinais de muitas plantas, submeteu-as a processos científicos manipulando assim os medicamentos vendidos em seu estabelecimento parisiense. Segundo carta enviada por Ducasble à redação do jornal A Província – Órgão do Partido Liberal, em dezembro de 1900, seus medicamentos eram aconselhados pelo Instituto Médico de Paris e e estavam obtendo resultado maravilhosos em casos de anemia, bronquite e outras doenças (A Província – Órgão do Partido Liberal, 20 de dezembro de 1900, terceira coluna).

1890 – Foi publicada uma cobrança de impostos relativa ao imóvel que seu estabelecimento fotográfico ocupava na Rua Barão da Vitória, 65 (A Província – Órgão do Partido Liberal, 9 de abril de 1890, sexta coluna).

Na Galeria, Ducasble, exposição de pinturas de paisagens de Frederico Desidério de Barros, cenógrafo da Companhia Heller (Jornal de Recife, 6 de julho de 1890, última coluna). Cerca de 2 meses depois, exposição de pinturas de paisagens do hábil amador e acadêmico José de Castro Paes Barreto (Jornal de Recife, 16 de setembro de 1890, quarta coluna).

Madame Ducasble anunciou sua volta ao Brasil após uma temporada em Paris e a reabertura de seu ateliê de moda no Recife. Havia condescendência nos preços (Diário de Pernambuco, 21 de outubro de 1890, segunda coluna).

No ateliê da Photografia Ducasble, exposição de retratos a óleo dos barões de Itapessuna e de Caiará, realizados por Frederico Ramos a partir de pequenas fotografias (A Província – Órgão do Partido Liberal, 14 de novembro de 1890, segunda coluna).

Foi anunciada a existência de uma sucursal da Galeria Ducasble na avenida de La Grande Armée, em Paris, na França. Também anunciava a venda de antiguidades e de objetos que por afluência de artigos tinham deixado de ir para a Exposição Universal de Paris, no ano anterior (Jornal de Recife, 16 de novembro de 1890, terceira coluna).

1891 – Para exportação 30 litros de licor foram embarcados por Madame Ducasble no vapor francês Equateur, que iria para Paris (Diário de Pernambuco, 5 de maio de 1891, terceira coluna).

Publicação de uma denúncia de Ducasble, que estava em Paris, sobre problemas de pagamento com a Comissão de Pernambuco na Exposição Universal em Paris em 1889, do qual havia sido representante diante da Comissão Central de Paris (Jornal de Recife, 7 de maio de 1891, terceira coluna). Dois dias depois, a comissão publicou sua versão dos fatos (Jornal de Recife, 9 de maio de 1891, primeira coluna).

 

 

1892 – Ducasble presenteou o Diário de Pernambuco com uma fotografia do cadafalso ereto na matriz de Boa Vista por ocasião das exéquias em memória de dom Pedro de Alcântara (Diário de Pernambuco, 5 de fevereiro de 1892, primeira coluna).

Foi no ateliê de Ducasble, que o fotógrafo português naturalizado brasileiro Francisco du Bocage (1860 – 1919), recém chegado no Recife a bordo do vapor nacional Olinda, vindo do sul do Brasil (Diário de Pernambuco, 17 de fevereiro de 1892, na segunda coluna) expôs chapéus e capotas (Diário de Pernambuco, 24 de fevereiro de 1892, quarta coluna e Jornal do Recife, 24 de fevereiro de 1892, terceira coluna).

 

 

Publicação de uma propaganda da Galeria Ducasble onde foram destacados os prêmios conferidos a ela e o fato de ter sempre à escolha de seus numerosíssimo fregueses fotografias artísticas onde o belo resplandece ante os efeitos de luz bem combinada e verdadeiros modelos que a crítica mais exigente jamais poderá ferir (Jornal de Recife, 30 de agosto de 1892, quarta coluna).

A Photographia Ducasble registrou no Teatro Santa Isabel, o pano de anúncios pintado por Libânio do Amaral (? – 1920) para o referido teatro (Jornal de Recife, 28 de outubro de 1892, segunda coluna).

1893 – Falecimento de Urraca, esposa de Ducasble, de meningite. Foi enterrada no Cemitério Público de Santo Amaro e a missa de sétimo dia foi celebrada na matriz da Graça, no Recife (Diário de Pernambuco, 20 de junho de 1893, primeira colunaJornal de Recife, 21 de junho de 1893, sexta coluna; e Diário de Pernambuco, 22 de junho de 1893, penúltima coluna).

A antiga Photographia Ducasble passou a ser dirigida por um fotógrafo de grande prática dispondo para a execução de seus trabalhos de um pessoal técnico competentemente habilitado (Diário de Pernambuco, 3 de outubro de 1893, quinta colunaJornal de Recife, 4 de outubro de 1893). O fotógrafo em questão era Ludgero Jardim da Costa (18? – 19?) (Jornal de Recife, 8 de agosto de 1894, sexta coluna).

 

 

 

 

1894 – Representada pelos parentes presentes e ausentes, foi celebrada uma missa pelo primeiro ano da morte de Urraca Ducasble (Diário de Pernambuco, 17 de junho de 1894, terceira coluna).

1895 – Casamento civil de Alfredo Ducasble Filho com Maria Hermelinda Magalhães (Jornal de Recife, 18 de setembro de 1895, última coluna).

1898 –  Alfredo Ducasble foi aprovado como benfeitor da Sociedade Propagadora Instrução Pública (Diário de Pernambuco, 25 de janeiro de 1898, segunda coluna).

1900 - Alfredo Ducasble Filho era representante da fábrica O Moinho de Ouro, produtora de chocolates, no Rio de Janeiro (A Província – Órgão do Partido Liberal, 20 de abril de 1900, terceira coluna). Posteriomente, passou a ser representante de um laboratório farmacêutico francês e viajante geral do Almanack Laemmert (A Província – Órgão do Partido Liberal, 5 de março de 1901, penúltima coluna; e A Província – Órgão do Partido Liberal, 25 de agosto de 1910, penúltima coluna).

Realização de um leilão na antiga Photographia Ducasble (A Província – Órgão do Partido Liberal, 12 de dezembro de 1900, primeira coluna).

 

Alfredo Ducasble Filho era o representante no Brasil do grupo Pollaion-Ducasble, de produtos farmacêuticos, sediado em Paris (A Província – Órgão do Partido Liberal, 14 de março de 1901, penúltima coluna).

1902 – A leitura do livro de Ducasble, Curso de caligrafia prática, foi indicado aos alunos pela Instrução Pública de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 17 de maio de 1902, quinta coluna). Em 1904 e em 1906 foi adotado pelas escolas municipais do Recife.

Faleceu de nefrite a alagoana Maria Victoria Soares, filha de Ducasble e viúva de Emilio Soares. No anúncio de morte, foi mencionado que seu pai residia em Paris (A Província – Órgão do Partido Liberal, 2 de setembro de 1902, primeira coluna e Diário de Pernambuco, 12 de setembro de 1902, sexta coluna).

1904 - No Rio de Janeiro, com pouco menos de 5 anos, falecimento de Adalgisa Ducasble, filha de Ducasble Filho e neta de Alfredo Ducasble (Jornal do Commercio, 9 de abril de 1904, última coluna).

Alfredo Ducasble Filho e sua família viviam no bairro do Encantado, no Rio de Janeiro. Acolheram uma criança que havia sido maltratada por sua mãe adotiva, mas apesar dos cuidados, ela faleceu (Gazeta de Notícias, 18 de maio de 1905, primeira coluna).

1910 – Na primeira página do jornal A Província – Órgão do Partido Liberal, foi publicada uma fotografia de melhoramentos no Porto de Recife com crédito para Ducasble Filho (A Província – Órgão do Partido Liberal, 30 de agosto de 1910)

1917 – Na Sociedade da Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro, Maria Magalhães Ducasble, filha de Ducasble Filho, recebeu o diploma de enfermeira (A Época, 4 de maio de 1917).

1923 – Foi doado ao Instituto Arqueológico de Pernambuco uma coleção de cédulas e moedas que o governo do estado havia comprado de Alfredo Ducasble (Diário de Pernambuco, 6 de abril de 1923, segunda coluna).

1928 – Desquite de Ducasble Filho e Maria (O Paiz, 17 de novembro de 1928, segunda coluna).

1931 – Foi ofertada ao Instituto Arqueológico de Pernambuco uma fotografia produzida por Ducasble, em 1888, de Joaquim Nabuco.  A foto havia pertencido a Antônio Machado Gomes da Silva e seu neto, Adolfo da Silva Neto, a doou para a instituição(Diário de Pernambuco, 17 de dezembro de 1931, primeira coluna).

1933 – Em um artigo sobre o pintor alagoano Rosalvo Ribeiro (1865 – 1915), Ducasble foi citado como seu admirador, que teria batizado uma das obras de Rosalvo de L´innocence (O Dia (PR), 8 de outubro de 1933, terceira coluna).

1946 – Em uma matéria sobre a vida do pintor pernambucano José Jerônimo Telles Júnior (1851 – 1914), a Galeria Ducasble foi citada como um dos lugares mais frequentados por ele  (Diário de Pernambuco, 26 de maio de 1946, gunda coluna).

1951 – Nas memórias de Telles Júnior, na ocasião do centenário de seu nascimento, Ducasble foi citado (Diário de Pernambuco, 2 de agosto de 1951, penúltima coluna)

1956 – Fotografias produzidas por Ducasble foram publicadas no livro, Álbum de Pernambuco e seus arrabaldes, organizado por Gilberto Ferrez (Jornal do Brasil, 4 de novembro de 1956).

1977 – Em Washington, capital dos Estados Unidos, fotografias de Ducasble, Insley Pacheco e Alberto Henschel encontradas na coleção Oliveira Lima foram expostas no Instituto Cultural Brasileiro Americano. Essas fotografias foram redescobertas por acaso pelo diretor da citada instituição, José Neinstein, quando ele foi pesquisar um livro raro sobre o Brasil na Biblioteca da Universidade Católica de Washington, em fins de abril de 1977. (Jornal do Brasil, 29 de junho de 1977, última coluna).

1978 – Publicação, no Diário de Pernambuco, de uma fotografia de Joaquim Nabuco, produzida por Ducasble, em 1887 (Diário de Pernambuco, 17 de setembro de 1978).

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BECHARA FILHO, Gabriel. Primórdios da fotografia na Paraíba. Correio das Artes – suplemento literário do jornal A União, João Pessoa, 27 de novembro de 1983.

CORNELI, René; MUSSELY, Pierre. Anvers à l´Exposition Universelle. Bruxelles: Typographie et Lithographie Ad Mertens, 1886, pág. 346.

Enciclopédia Itaú Cultural

Guia Geográfico Salvador Antiga

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. Cotia(SP) : Ateliê Editorial, 1999.

Revista do IPHAN, nº 26 – 1997

Site do Arquivo Nacional

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

VASQUEZ, Pedro Karp. A fotografia no Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.

Pereira Passos e Marc Ferrez: engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias

Francisco Pereira Passos (1836-1913), que foi prefeito do Rio de Janeiro entre 1902 e 1906, quando liderou uma série de obras de reurbanização da cidade, teve uma atuação profissional importante como engenheiro, principalmente no que se refere ao trabalho de construção de ferrovias, no final do século XIX. Na ocasião, a fotografia passou a ser amplamente utilizada pelos engenheiros como recurso para estudos de projetos e execuções das obras ferroviárias e Marc Ferrez (1843 – 1923) foi um dos principais fotógrafos contratados para o registro das construções de ferrovias. A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores um artigo sobre o assunto, de autoria da historiadora Maria de Fatima Morado, do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal,  com a publicação de imagens produzidas por Ferrez, uma colagem de fotos do alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), e registros de fotógrafos ainda não conhecidos.

A aliança entre engenharia e fotografia para o desenvolvimento das ferrovias

Maria de Fatima Morado*

Francisco Pereira Passos (1836–1913) é, usualmente, identificado como o prefeito do “bota-abaixo”, pois sob sua polêmica gestão (1902-1906) a cidade do Rio de Janeiro passou por obras de modernização que implicaram na remoção dos habitantes pertencentes às camadas populares da região central para áreas mais afastadas e sem recursos. A sua atuação profissional, enquanto engenheiro, apesar de pouco conhecida não é menos relevante, principalmente no que se refere ao trabalho de construção de ferrovias, no final do século XIX.

 

 

Pereira Passos formou-se engenheiro pela Escola Militar da Corte, em 1856, “e, no ano seguinte, foi nomeado adido à legação brasileira em Paris, ocasião em que teve a oportunidade de frequentar os cursos da École de Ponts et Chaussées e de se dedicar a estudos sobre hidráulica, construção de portos, canais e estradas de ferro”. (MOTTA, 2015). De volta ao Brasil, atuou num dos ramos mais promissores da engenharia, a construção de estradas de ferro, demanda requerida pelo auge da produção cafeeira e seu necessário escoamento, que deveria ser feito de forma mais eficiente.

Acessando o link para as fotografias de ferrovias do acervo do Museu da República disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Em 1881, com a fundação do Clube de Engenharia, que teve Pereira Passos como um dos membros mais influentes, os engenheiros passaram a exercer um poder estratégico em relação às obras públicas de infraestrutura e conforme o artigo 1º de seu Estatuto ficou definido que “a sociedade – Club de Engenharia – tem por objecto promover e estreitar relações entre as classes de engenharia e as dos vários ramos industriais, no que diz respeito aos interesses recíprocos das suas profissões” (Decreto nº 8253 de 10/09/1881). Em 1882, o Clube patrocinou o I Congresso de Estradas de Ferro e, em 1887, realizou a I Exposição das Estradas de Ferro no Brasil.

 

 

A fotografia passou a ser amplamente utilizada pelos engenheiros como recurso para estudos de projetos e execuções das obras, não excluindo a função social para a difusão e propaganda dessas modernizações, por exemplo, através da confecção de cartões-postais. Marc Ferrez (1843 – 1923) foi um dos principais fotógrafos contratados para o registro das construções de ferrovias. “A engenharia ferroviária demandava imagens detalhadas da evolução das obras de engenharia (edifícios de passageiros, túneis, pontes, aterros, cortes)” (OLIVEIRA, 2018). A fotografia também servia como recurso no incentivo entre os acionistas para investimentos no empreendimento ferroviário. Para a divulgação desse processo modernizador foram comercializados álbuns fotográficos e realizadas exposições de fotos de engenharia em salões nacionais e internacionais.

A Coleção Família Passos, do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, além de extensa documentação textual, dispõe de uma série de fotos sobre a construção de ferrovias, bem como estações e locomotivas. Além das fotografias produzidas por Marc Ferrez, existe uma colagem de fotos de Alberto Henschel (1827 – 1982), importante fotógrafo alemão que atuou no Brasil, nesse mesmo período.

 

 

 

Cronologia da carreira de Pereira Passos no setor ferroviário

1862 - Atuou em comissões de estudos de prolongamento e acompanhamento de obras da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

1864 – 1867 - Foi  engenheiro-fiscal da construção da linha que ligou Santos a Jundiaí. Na condição de funcionário do governo imperial, fiscalizou a obra da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, inaugurada em 1867 como São Paulo Railway.

1868 – 1869 - Substituiu J. Whitaker na comissão encarregada dos estudos e exploração do traçado de prolongamento da Estrada de Ferro D. Pedro II até o Rio São Francisco.

1870 a 1873Foi consultor técnico do Ministério da Agricultura e Obras Públicas, em Londres. Publicou um livro intitulado Caderneta de Campo, trabalho utilizado pelos engenheiros brasileiros dedicados à construção de ferrovias.

1876 – 1880 – Atuou como engenheiro-presidente na Estrada de Ferro Dom Pedro II. Conduziu a ampliação da estação da Corte e as construções do ramal ferroviário e da estação marítima, na Gamboa. Este complexo foi inaugurado em junho de 1880.

1881 – 1884 – Elaborou o projeto de engenharia da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá; o prolongamento da Estrada de Ferro Petrópolis, no trecho da Raiz da Serra do Mar até Petrópolis; e a Estrada de Ferro Corcovado. Para as duas últimas introduziu o uso do sistema com trilho central dotado de encaixes, nos quais uma roda dentada se apoia para impulsionar o trem, conhecido como cremalheira. A Estrada de Ferro do Corcovado foi construída em conjunto com Marcelino Roma e Lopes Ribeiro e é a primeira via de turismo criada na Corte.

 

 

 

*Maria de Fátima Morado é Historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República

 

 

 

Fontes:
LAMARÃO, Sérgio; URBINATI, Inoã Carvalho. Clube de Engenharia. In: Dicionário histórico-biográfico da Primeira República – 1889-1930. Coordenação: Alzira Alves de Abreu. FGV, 2015.

MOTTA, Marly. Pereira Passos. In: Dicionário histórico-biográfico da Primeira República – 1889-1930. Coordenação: Alzira Alves de Abreu. FGV, 2015.

OLIVEIRA, Eduardo Romero. Vistas fotográficas das ferrovias: a produção de registros de obra pública no Brasil do século XIX. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.25, n.3, jul-set 2018, p.695-723.

PINHEIRO, Manoel Carlos; FIALHO JR, Renato. Pereira Passos: vida e obra. Instituto Pereira Passos-Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, ago 2006.

RODRIGUES, Antônio Edmilson Martins; AZEVEDO, André Nunes de. Pereira Passos por ele mesmo. Revista Rio de Janeiro, n. 10 , maio-ago 2003.

TURAZZI, Maria Inez. Paisagem construída fotografia e memória dos melhoramentos urbanos na cidade do Rio de Janeiro. Varia História, Belo Horizonte, vol. 22, nº 35: p. 64-78, jan-jun 2006.

 

Pequena cronologia da carreira de Marc Ferrez como fotógrafo no setor ferroviário

Andrea C.T. Wanderley**

 

1880 – Entre 1880 e 1890,  fotografou as construções ferroviárias no Brasil, quando produziu um grande panorama da paisagem brasileira de sua época.

1882 – Fotografou as obras da ferrovia Dom Pedro II, em São Paulo e em Minas Gerais, tendo registrado a presença do imperador Pedro II e de sua comitiva na entrada do túnel da Serra da Mantiqueira (Gazeta de Notícias, 27 de junho de 1882, na quarta coluna).

 

1883 – O Club de Engenharia ofereceu uma recepção ao engenheiro hidráulico holandês J. Dirks, o grande especialista da época em portos e canais, que estava de passagem pelo Rio de Janeiro e seguiria para Valparaíso, no Chile. Na ocasião, foi realizada uma exposição de fotografias das estradas de ferro, de autoria de Marc Ferrez (Revista de Engenharia, 14 de abril de 1883).

1884 – Fotografou as obras da ferrovia do Paraná (Paranaguá – Curitiba com a presença de dom Pedro II. O gerente da firma Société Anonyme des Travaux Dyle et Bacalan, empreiteira belga encarregada pelas obras, o futuro prefeito do Rio de Janeiro, o engenheiro Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), presenteou dom Pedro II com 14 fotografias e um álbum de autoria de Ferrez.

Exposição de fotografias da estrada de ferro Teresa Cristina, na A la Glacê Elegante (Gazeta da Tarde, 11 de novembro de 1884, na quinta coluna).

1885 – Ferrez participou da inauguração da ferrovia do Paraná (19 de Dezembro, 4 de fevereiro de 1885, na terceira coluna).

1886 – Em uma reunião da Sociedade Central de Immigração, da qual faziam parte, entre outros, o astrônomo belga Louis Ferdinand Cruls (1848 – 1908), o pintor italiano Nicolau Facchinetti (1824 – 1900), o alemão Franz Keller-Leuzinger (1835 – 1890), que era casado com uma das filhas de George Leuzinger e dirigia o setor de fotografia de seu estabelecimento, e o político Alfredo d´Escragnolle Taunay (1843 – 1899), foram apresentadas por esse último, presidente da associação, fotografias da ferrovia do Paraná, de autoria de Ferrez (A Immigração, agosto de 1886).

O Club de Engenharia aprovou a proposta de Marc Ferrez e de E. de Mascheuk para a execução de “diversos trabalhos concernentes à exposição dos caminhos de ferro” (Revista de Engenharia, 14 de dezembro de 1886, na primeira coluna).

Ferrez fotografou a ferrovia Dom Pedro II, em Juiz de Fora.

1887 - Entre 2 de julho e 2 de agosto, nos salões do Liceu de Artes e Ofícios, por uma iniciativa do Club de Engenharia, realizou-se a Exposição dos Caminhos de Ferro Brasileiros, com a exibição de fotografias de Ferrez (Revista de Engenharia, 14 de agosto de 1887). Estiveram presentes no encerramento da exposição, no dia 2 de agosto, a princesa Isabel e o conde d´Eu, além de outras autoridades. O ministro da Agricultura, o conselheiro Sinimbu (1810 – 1906), leu o relatório do juri da exposição, presidido pelo visconde de Mauá (1813 – 1889). Ferrez foi contemplado com uma menção honrosa pelas “magníficas fotografias de importantes trechos de nossas vias férreas, com que concorreu não só para abrilhantar a Exposição como até para suprir algumas lacunas sensíveis de estradas que se não fizeram representar” (Jornal do Commercio, 3 de agosto de 1887, na terceira coluna e Revista de Estradas de Ferro, 31 de agosto de 1887, na primeira coluna).

1888 – Em 25 de novembro, foi inaugurado o tráfego entre as estações de Alcântara e Rio do Ouro da estrada de ferro de Maricá. Marc Ferrez fotografou “instantaneamente ” um grupo de convidados da diretoria das estradas na estação Santa Izabel (Revista de Engenharia, 28 de dezembro de 1888, na primeira coluna).

1890 – Em setembro, Ferrez integrou a comitiva convidada para a  inauguração das obras da ferrovia Benevente-Minas, de Carangola a Benevente, atual Anchieta, no Espírito Santo (Diário de Notícias, 28 de setembro de 1890, quinta coluna).

1891 – Na Revista de Engenharia, 28 de dezembro de 1890, foi publicado um anúncio: “Marc Ferrez – Fotógrafo da Marinha Nacional. Especialista de vistas de estradas de ferro e em geral das grandes obras públicas. Reprodução de plantas com traços pretos sobre fundo branco. Rua São José 8″. O mesmo anúncio voltou a ser veiculado na edição de 14 de agosto de 1891.

1892 – Foi determinado que nas estradas de ferro subvencionadas pelo governo federal fossem liberados passes de ida e volta para Marc Ferrez e um ajudante para que pudessem “levantar fotografias em diversas localidades para o serviço da Exposição Universal Colombiana de Chicago”, que aconteceu entre 1º de maio e 30 de outubro de 1893 para celebrar os 400 anos da chegada do navegador genovês Cristóvão Colombo (1451 – 1506) ao Novo Mundo, em 1492 (Jornal do Brasil, 21 de agosto de 1892, na quinta coluna).

1895 – Em novembro, Ferrez fotografou, em Búzios, os convidados e a comissão responsável pela construção da Estrada de Ferro Rio de Janeiro-Minas, que uniria o povoado de Búzios a Paquequer, no estado de Minas Gerais (A Notícia, 11 de novembro de 1895, segunda coluna).

1900 – Revista da Semana de 21 de outubro de 1900, publicou uma litogravura da Estação Central da Estrada de Ferro da Central do Brasil baseada em uma fotografia de autoria de Marc Ferrez. A Revista da Semana havia sido lançada em 20 de maio por Álvaro de Tefé (1898-?).

 

 

1904 - Exposição de fotografias da estrada de ferro Central do Brasil de autoria de Ferrez, no Club de Engenharia (O Commentario, março de 1904).

1908 – A Casa Marc Ferrez produziu filmes sobre obras em estradas de ferro do Brasil.

 

**Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Publicações da Brasiliana Fotográfica em torno da obra do fotógrafo Marc Ferrez 

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez, publicada em 30 de junho de 2015

Obras para o abastecimento no Rio de Janeiro por Marc Ferrez , publicada em 25 de janeiro de 2016

O brilhante cronista visual Marc Ferrez (7/12/1843 – 12/01/1923), publicada em 7 de dezembro de 2016

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez, de Sérgio Burgi, publicada em 19 de dezembro de 2016

No primeiro dia da primavera, as cores de Marc Ferrez (1843 – 1923), publicada em 22 de setembro de 2017

Marc Ferrez , a Comissão Geológica do Império (1875 – 1878) e a Exposição Antropológica Brasileira no Museu Nacional (1882), publicada em 29 de junho de 2018

O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, publicada em 20 de julho de 2018

Uma homenagem aos 175 anos de Marc Ferrez (7 de dezembro de 1843 – 12 de janeiro de 1923), publicada em 7 de dezembro de 2018 

Fotografia e ciência: eclipse solar, Marc Ferrez e Albert Einstein, publicada em 24 de junho de 2019