Alberto Henschel (Berlim, 13 de junho de 1827 – Rio de Janeiro, 30 de junho de 1882)

foto da Fundação Joaquim Nabuco

Photographia Allemã. Alberto Henschel (à direita) e Constantino Barza,  c. 1877. Recife, Pernambuco. Coleção de retratos Francisco Rodrigues, do acervo da Fundação Joaquim Nabuco – Ministério da Educação

No mês de junho são celebradas as datas de nascimento e de morte do berlinense Alberto Henschel, um dos mais importantes fotógrafos que atuaram no Brasil na segunda metade do século XIX. Chegou em Recife, em 1866, e, ao longo de 16 anos, teve uma intensa atividade no país. Segundo Boris Kossoy, Henschel pode ser considerado pioneiro no Brasil como empresário da fotografia, pois chegou a ter quatro estabelecimentos: o primeiro em Recife (1866), o segundo em Salvador (provavelmente em 1868) e os últimos no Rio de Janeiro (1870) e em São Paulo (1882). Dedicou-se com talento aos retratos, às paisagens e às imagens etnográficas, tendo se destacado nos retratos de mulheres africanas e afro-descendentes. Também fotografou vários membros da família real no Brasil.

“Henschel fotografou o Rio e seus arredores, chegando até Nova Friburgo e mesmo ao Itatiaia, que naquele tempo atraía poucas pessoas. Fez paisagens, mas antes de tudo era exímio retratista. Não há quase nenhum álbum de família em que não figurem retratos de avós tirados por Alberto Henschel” – afirma em A fotografia no Brasil: 1840-1900, Gilberto Ferrez, destacando a importância de Henschel no panorama da fotografia brasileira oitocentista.

No livro Pioneers phothographers of Brazil, Ferrez chama atenção especial sobre a série de vistas realizadas por Henschel em Itatiaia, em 1870, e, em Nova Friburgo, em 1875.  Considera a escolha de Itatiaia misteriosa e, sobre as fotos de Nova Friburgo, comenta a capacidade do fotógrafo, já associado com Francisco Benque, em retratar os indivíduos e as construções numa “confortável, até íntima, relação com a terra, uma relação particularmente evidente na fotografia do vale e da estação de Rio Grande, ou na da cascata do Pinel…”. As fotos fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional, podem ser acessadas nesse portal e estão na Galeria de Alberto Henschel ao final deste texto.

 Cronologia da Alberto Henschel
cartão Albert Henschel

Identificação de Alberto Henschel. Acervo do IMS

1827 – 13 de junho – Alberto Henschel nasce em Berlim, na Alemanha.

1866 – maio – chega a Recife acompanhado de Karl Heinrich(Carlos Henrique) Gutzlaff no patacho hamburguês Catharine Jane (Diário de Pernambuco, edição de 28 de maio de 1866).

julho – os dois fotógrafos associam-se a Julio dos Santos Pereira e, com ele, assumem a direção do estabelecimento Photographia Alberto Henschel & C. , localizado na rua do Imperador, nº 38. No anúncio da abertura do negócio, os proprietários destacam “as photographias coloridas por um novo systema, que reune o brilho da pintura à óleo à pureza da aquarella”(Diário de Pernambuco, edição de 7 de julho de 1866). Para atrair clientela, foi realizada no ateliê uma exposição com trabalhos feitos por Henschel na Europa.

outubro – Henschell e Gutzlaff anunciam o fim da associação com Julio dos Santos Pereira.

novembro – anunciada a reabertura do novo ateliê fotográfico de Henschel, mas agora com o nome de Photographia Allemã e localizado no largo da matriz de Santo Antonio, nº 2 (Diário de Pernambuco, edição de 16 de novembro de 1866, primeira coluna). No anúncio, destacam-se as qualidades do novo estabelecimento, dentre as quais o fato de possuir uma galeria envidraçada com cristais especiais capazes de atenuar os efeitos da luz forte.

1867 – em junho, Henschel anuncia uma viagem à Europa, de onde retorna em setembro acompanhado do pintor alemão Karl Ernst (Carlos Ernesto) Papf (1833-1910), no vapor Oneida (Diário de Pernambuco, edições de 2 de junho e de 28 de setembro de 1867 – o sobrenome de Henschel está escrito errado). Já em outubro, são publicados anúncios participando a volta de Henschel à Recife e apresentando Papf, como membro honorário da Academia Real de Pintura de Dresden (Diário de Pernambuco, edição de 26 de outubro de 1867). Nos anos que se seguiram, Papf trabalhou em todo os ateliês de Henschel, prestando serviços de fotopintura.

1868 – Henschel faz nova viagem à Europa para atualizar seus conhecimentos em fotografia e comprar novos equipamentos. Provavelmente, nesse ano termina sua associação com Gutzlaff, que fundou em julho a Photographia Internacional, em Recife. Henschel anuncia a técnica da marfimographia, a contratação de novos profissionais e a iminente abertura de uma filial da Photographia Allemã em Salvador, na Bahia (Jornal de Recife, edição de 21 de julho de 1868, quarta e quinta colunas, no pé da página). O ateliê da capital baiana ficava na rua da Piedade, nº 16. Depois passou a funcionar no largo do Theatro.

1870 – casa-se com Simy (1851 – 1920), filha do rabino inglês Isaac Amzalak, dono de armazéns e armador bem sucedido. Uma curiosidade: segundo o livro Salões e damas do Segundo Reinado, de Wanderley Pinho, o poeta Castro Alves se inspirou na beleza das três filhas do armador Amzalak para criar o poema Hebreia. Nesse mesmo ano é anunciada a abertura da Photographia Allemã. Alberto Henschel & C., no Rio de Janeiro, sucedendo os fotógrafos Guilherme Mangeon e Van Nyvel. O novo estabelecimento localiza-se na rua dos Ourives, 40, atual rua Miguel Couto.  No anúncio, é informado que Van Nyvel continuaria a trabalhar no ateliê (Jornal do Commercio, edição de 18 de dezembro de 1870) . Henschel realiza a série de vistas em Itatiaia. Durante esta década de 1870 associou-se ao fotógrafo alemão Franz (Francisco) Benque (1841-1921).

1871 – nasce no Rio de Janeiro o único filho de Henschel e Simy, Maurício, que viria a falecer em 1934. O  Diário do Rio de Janeiro de 10 e 11 de abril, na segunda coluna, anuncia a contratação do  fotógrafo alemão Franz (Francisco) Benque (1841-1921), a quem Henschel foi associado até, provavelmente, 1878.

1872 – Henschel & Benque participam da exposição da Academia Imperial de Belas-Artes e expõem um retrato do poeta Castro Alves ( Correio do Brazil, edição de 24 de junho de 1872, na coluna Folhetim). Em 23 de setembro, recebem uma visita de Suas Magestades e Altezas Imperiaes na Photographia Allemã ( Correio do Brazil, edição de 25 de setembro de 1872, na quinta coluna).

1873 – Henschel & Benque participam da Exposição Universal de Viena. Segundo o Diário de Pernambuco, na edição de 10 de abril de 1873 (página 3), enviaram dois retratos: de uma baiana quitandeira e da família real brasileira. Ganharam a medalha de mérito (A Reforma, edição de 10 de setembro de 1873).

1874 – ao longo do segundo semestre, são publicados vários anúncios no Jornal da Bahia anunciando a chegada de um pintor a óleo no ateliê de Salvador. Segundo o artigo Dom Pedro II e a fotografia (2), de Ricardo Martim, pseudônimo de Guilherme Auler, publicado na Tribuna de Petrópolis, de 8 de abril de 1856, a dupla Henschel & Benque é agraciada com o título de Photographos da Caza Imperial, em 7 de dezembro de 1874.

1875 – ainda associado a Francisco Benque, faz a série de vistas de Nova Friburgo e do Jardim Botânico e ambos participam da exposição da Academia Imperial de Belas-Artes ( Epocha, edição de 15 de dezembro de 1875).

1877 – em novembro, a Photographia Allemã passa a funcionar na rua do Barão da Victoria, nº52, atual rua Nova, devido à construção de prédios na frente da galeria. Os trabalhos do estabelecimento foram interrompidos por 15 dias (Diário de Pernambuco, edição de 26 de novembro de 1877).

1879 – é publicado, na Gazeta de Notícias de 11 de março ( primeira coluna), um elogio às fotografias de crianças tiradas por Henschel.

1880 – Constantino Barza, apresentando-se como gerente da Photographia Alemã de Recife, anuncia a chegada do fotógrafo Moritz Lamberg para cuidar da parte técnica e artística do ateliê (Diário de Pernambuco, edição de 29 de janeiro de 1880). Lamberg é apresentado como celebridade europeia e insigne artista, que havia dirigido estabelecimentos em Berlim e Viena e obtido prêmios conquistados em Paris e em Viena nas exposições de 1868 e 1873. Em 1899, Lamberg publica o livro de fotografias Brazilian.

1881- Henschel realiza vistas de Recife, que são elogiadas pela imprensa local como as melhores que conhecemos até hoje dos pontos photographados (Diário de Pernambuco, edição de 18 de outubro de 1881). É possível que também neste ano Henschel tenha vendido a filial baiana para Waldemar Lange. Participa da Exposição de História do Brasil promovida pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro com vistas urbanas, rurais e retratos. Na coluna Folhetim da Gazeta da Tarde, edição de 16 de abril de 1881, é noticiado um caso envolvendo Henschel e um relojoeiro, de quem, segundo o jornal, ele achava ter sido “victima da esperteza”.

1882 – é aberto o ateliê de Henschel em São Paulo, na rua Direita nº 1 ( Correio Paulistano, na edição de 1º de fevereiro de 1882). A imprensa publicou que a inauguração desse importante e sumptoso estabelecimento artístico seria mais um signal do crescente desenvolvimento de São Paulo (Correio Paulistano, edição de 1º de fevereiro de 1882). No anúncio da inauguração, apresentam-se como fotógrafos da Casa Imperial (Correio Paulistano, edição de 7 de fevereiro de 1882). O gerente da sucursal paulista é José Vollsack, que, em 1888,  tornou-se dono da referida filial. Por já existir na capital paulista uma casa fotográfica com o nome de Photographia Allemã, de propriedade de Carlos Hoenen, Henschel trocou a razão social de sua empresa, apenas em São Paulo, para Photographia Imperial. Em abril, é publicada na Revista Illustrada, número 295, na seção Exposição de bellas-artes, uma crítica desfavorável a dois retratos de Henschel. Morte de Albert Henschel em 30 de junho, no Rio de Janeiro. ( Rio News, edição de 5 de julho de 1882 e Gazeta de Notícias, edição de 10 de julho de 1882). Faleceu em sua residência, na rua Barão de Itambi, nº 14, em Botafogo.

1884 – segundo o Jornal do Commercio, na edição de 29 de maio de 1884, era autorizada a venda da filial do Rio de Janeiro por força de alvará judicial.

1887 – até esse ano Constantino Barza continuava a anunciar as atividades da Photographia Allemã em Recife.

Além da Biblioteca Nacional e do Instituto Moreira Salles, as outras instituições que possuem importantes acervos de Alberto Henschel são o Arquivo Nacional, a Fundação Joaquim Nabuco e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Link para a obra disponível de Alberto Henschel na Brasiliana Fotográfica

Link para a obra disponível de Alberto Henschel no site do Instituto Moreira Salles.

Para a elaboração da presente cronologia de Alberto Henschel valemo-nos, especialmente, do Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910), de autoria de Boris Kossoy.

Bibliografia

ERMAKOFF, George. Rio de Janeiro 1840-1900: uma crônica fotográfica, George Ermakoff [Tradução: Carlos Luís Brown Scavarda]. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006

FERREZ, Gilberto. A Fotografia no Brasil: 1840-1900 / Gilberto Ferrez; [prefácio por Pedro Vasquez] – 2ª ed. – Rio de Janeiro: FUNARTE: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil: 1840 – 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976. 143 p., il. p&b.

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

LAGO, Pedro Corrêa do; JUNIOR, Rubens Fernandes. O século XIX na fotografia brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Armando Álvares Penteado: Francisco Alves, 2000.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho : Cis, [1985]. 243 p., fotos p&b.

VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX: Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien. São Paulo: Metalivros, 2000. 203 p., il. p&b.

 

Galeria de Alberto Henschel