As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

A Brasiliana Fotográfica homenageia o carnaval brasileiro, que é o maior e mais conhecido do mundo e também a festa mais popular do país, destacando uma cena da folia momesca em Maceió, em 1906. É uma fotografia do bloco carnavalesco Camélias Japonezas, agremiação que nasceu na rua General Hermes, na Cambona, antigo bairro da capital alagoana. O registro foi realizado por Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966), um dos pioneiros fotógrafos amadores de Alagoas, e mostra uma situação de carnaval de rua com pessoas – fantasiadas ou não – acompanhando o desfile, cuja figura central empunha o estandarte do bloco, onde, além do nome da agremiação, há a figura de uma gueisha. Vê-se também alguns membros da banda com instrumentos nas mãos. A fotografia pertence ao acervo do Arquivo Nacional, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.

 

Foi justamente nas primeiras décadas do século XX que Lavenère, estimulado pelos fotógrafos amadores Joaquim da Silva Costa e F. Porto, se dedicou mais consistentemente à fotografia, tendo sido listado como fotógrafo no Almanak Laemmert de 1906 e 1907.  Foi, muito provavelmente, o primeiro repórter fotográfico de Alagoas. Imagens de sua autoria foram publicadas em revistas como Mundo Elegante de Paris, O Malho e Tico-Tico. Um álbum com imagens de Maceió de sua autoria, impresso e encadernado pela Livraria Fonseca, foi ofertado, em maio de 1906, em nome do jornal Evolucionista, do qual era diretor, ao político Afonso Pena (1847 – 1909), meses antes dele se tornar presidente da República, em novembro do mesmo ano. Foi premiado com uma medalha de ouro na Exposição Internacional de Turim, na Itália, em 1911, quando exibiu fotografias sobre madeira, sobre porcelana e quadros de gênero. Nesse mesmo ano foram editados 24 cartões-postais de Maceió, de sua autoria. Em um artigo elogioso em torno da obra literária de Lavenère, publicado em 1926,  foi mencionado que ele teria sido um fotógrafo emérito e responsável por um processo prático, original, rápido e barato de preparo de “clichês” (Diário de Pernambuco, 2 de dezembro de 1926, quarta coluna).

Personagem bastante atuante na vida social alagoana, Lavenère foi também jornalista, escritor, professor, político e musicólogo, além de ter sido um dos precursores do estudo do folclore de Alagoas. Participou da campanha abolicionista, trabalhou na Repartição Geral dos Telégrafos e durante a Primeira Guerra Mundial exerceu a função de Agente Consular da França. Foi também proprietário da Livraria Americana e de A Conquista, primeiro periódico ilustrado com a técnica da fotogravura, preparado totalmente em Maceió. Ocupou a cadeira número 36 da Academia Alagoana de Letras e é o patrono da cadeira 41 do Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas, do qual foi secretário entre 1934 e 1943. Publicou diversos livros, dentre eles Zéfinha: scenas da vida alagoana (1921) e Padre Cornélio: scenas da vida alagoana (1921), duas partes de uma mesma novela; Compêndio de Teoria Musical (1927) e Ad Memoriam (1948). Foi agente das revistas Fon-Fon e Selecta em Alagoas e representante da Casa dos Artistas em Maceió.

Nasceu em Maceió, Alagoas, em 17 de fevereiro de 1868, filho do jornalista e funcionário da Fazenda federal Stanislau Wanderley (1830 – 1899), provavemente o primeiro fotógrafo amador de Maceió; e de Amélia Lavenère Wanderley (1835  – 1905). O casal teve mais dois filhos: Rachel (1869 – 1952) e o futuro general Alberto Lavenère Wanderley (1870 – 1930), pai de Nelson Lavenère Wanderley (1909 – 1985), que foi ministro da Aeronáutica no governo Castelo Branco, em 1964, e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, entre 1966 e 1968. Luiz Lavenère foi casado com Maria Capitulina (18? – 1890) , com quem teve uma filha, Albertina (1889 – 1914). Depois casou-se com Túlia dos Reis (1877 – 1940) e o casal teve cinco filhos: Jessie (1894 – 19?), Edith (1896 – 1916), Olga (? – 19?), os gêmeos Carmen (1906 – 1910) e Túlio (1906 – 1932), e Yvonne (1915 – 1998) . Faleceu em Maceió, em 29 de outubro de 1966.

Foi lançado, em dezembro de 2018, o livro Olhares de Maceió por Luiz Lavenère, com 220 fotografias de Maceió, a maioria inédita e rara, organizado por Gian Carlos de Melo Silva e Wilma Maria Nóbrega Lima e editado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos em parceria com o Arquivo Público Alagoano. As fotografias foram separadas em grupos: Águas, Construções, Cotidiano e  e Lavenère. São registros de diversos aspectos de Maceió. Também está reproduzido no livro o artigo A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana, publicado na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, 1962.

 

Cronologia de Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966)

 

 

Acessando o link para as fotografias de Luiz Lavenère disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

1868 – Em Maceió, Alagoas, em 17 de fevereiro, nascimento de Luiz Lavenère Wanderley, filho do jornalista e funcionário da Fazenda federal Stanislau Wanderley (7 de maio de 1830 – 18 de março de 1899) e de Amélia Lavenère Wanderley (1835  – 1905). O casal teve mais dois filhos: Rachel (1869 – 1952) e o futuro general Alberto Lavenère Wanderley (1870 – 1930).

1876 – 1878 – Quando tinha entre 8 e 10 anos de idade, encontrou a câmara fotográfica e o material de laboratório pertencentes ao seu pai.

1881 – Em prol do movimento abolicionista, instalação da Sociedade Libertadora Alagoana, em 28 de setembro, no antigo Teatro Maceioense. Dela fizeram parte, entre outros:  Luiz Lavenère,  e seu pai, Stanislau Wanderley. Seu primeiro presidente foi Antônio de Almeida Monteiro.

1883 – Começou a lecionar (Gutenberg, 13 de julho de 1899, última coluna).

Foi o representante da Sociedade Recreio Scientífico na cerimônia fúnebre pelo 30 º dia do falecimento de Dias Cabral, no Instituto Arqueológico Alagoano (Gutemberg, 21 de agosto de 1883, primeira coluna).

Luiz Lavenère era o primeiro secretário do jornal literário Castro Alves (Castro Alves, 11 de novembro de 1883, última coluna).

1884 – Foi aprovado no Colégio Bom Jesus – Boletim de 10 de dezembro de 1884 (O Orbe, 16 de janeiro de 1885).

Contribuiu com o movimento abolicionista escrevendo no jornal Lincoln, dirigido pela Sociedade Libertadora Alagoana, cujos redatores eram, além dele, Francisco Domingues da Silva e Euzébio de Andrade.

1885 – Era um dos redatores do periódico quinzenal José de Alencar, lançado em 15 de maio de 1885 e propriedade do clube literário homônimo (José de Alencar, 15 de maio de 1885, segunda coluna).

1886 - Foi aprovado como sócio correspondente do Instituto dos Professores Primários de Alagoas (O Orbe, 19 de setembro de 1886, quarta coluna).

1887 - Embarcou para Pernambuco no vapor Pará (Gutemberg, 11 de maio de 1887, última coluna).

Ensinava francês, inglês e matemáticas elementares em sua casa, na rua da Boa Vista, nº 110, ou na casa dos alunos (Gutenberg, 12 de agosto de 1887, terceira coluna).

 

 

Foi publicado um artigo de Lavenère na revista pedagógica, científica, literária e noticiosa O Magistério, de 30 de outubro de 1887. Começava assim: O Brasil não progride: é arrastado pela avalanche universal da civilização.

Foi um dos oradores da sessão magna de aniversário da instalação do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Gutenberg, 3 de dezembro de 1887, primeira coluna).

Anunciou que no ano seguinte abriria um Curso Primário Misto ministrado por sua esposa, Maria Capitulina (18? – 1890) e avisou que continuaria dando aulas particulares (Gutenberg, 24 de dezembro de 1887).

 

 

1888 – Doou livros para a formação da biblioteca do Instituto dos Professores Primários de Alagoas (O Magistério, 15 de fevereiro de 1888, última coluna).

1889 - Nascimento da única filha do casal, Albertina, em 27 de julho (1889 – 1914).

1890 - Falecimento de sua esposa, Maria Capitulina.

Foi um dos representantes do Clube Federal Republicano em um encontro realizado na sede do Club Centro Popular Republicano. Em pauta a eleição do presidente do Partido Republicano de Maceió e a escolha dos candidatos do partido à Constituinte (Diário do Povo, 24 de fevereiro de 1890, segunda coluna).

Fora publicados os contos O mais infeliz dos três, O philosopho apaixonado e Secção de moral, de sua autoria (O Republicano (SE), 21 de novembro de 1890, 24 de novembro de 1890 e 19 de dezembro de 1890).

1891 – O conto Um typo de mulher, de autoria de Lavenère que foi publicado nos jornais Monitor Fidelense (RJ) e no Publicador Goyano (O Republicano (SE), 21 de janeiro de 1891, primeira coluna; e 12 de março de 1891, primeira coluna).

Publicação da fantasia A ermida dos mortos, também de sua autoria (O Republicano (SE), 9 de abril de 1891).

Foi trabalhar como telegrafista da estação do Recife (Jornal do Commercio, 4 de novembro de 1891, quarta coluna). Provavelmente foi nessa época professor no Colégio Spencer e do Instituto Ayres Gama.

1892 – Foi promovido a 3º telegrafista da estação do Recife (Cruzeiro do Norte, 14 de fevereiro de 1892, terceira coluna).

 

 

1894 – Foi noticiado no Almanak do Estados das Alagoas de 1894, que Lavenère era o encarregado da estação telegráfica de Piassabussu.

Em 23 de dezembro, nascimento da primeira filha de Lavenère com Túlia dos Reis (1877 – 1940), Jessie (1894 – 19?) (Gutenberg, 23 de dezembro de 1896, quinta coluna). O casal teve mais quatros filhos: Edith (1896 – 1916), Olga (? – 19?), os gêmeos Carmen (1906 – 1910) e Túlio (1906 – 1932), e Yvonne (1915 – 1998) .

1896 – Durante a realização de um jantar a bordo do navio alemão Helas, Lavenère, representando o jornal Gutenberg, fez um brinde em inglês (Gutenberg, 17 de janeiro de 1896, última coluna).

Lançou a revista quinzenal literária Paulo Affonso, em 6 de abril, com Goulart de Andrade e Hugo Jobim. A gazeta, impressa na Tipografia de Tertuliano de Menezes, só teve dois números publicados, provavelmente, por falta de recursos (Gutenberg, 8 de abril de 1896, última colunaJornal de Recife, 21 de abril de 1896, quarta colunaO Trabalho, 27 de junho de 1896, primeira coluna).

Foi o tradutor dos contos Qui pro quo, de William Rogers;  A Vingança, de Miss Lambie (Gutemberg, 8 de outubro de 1896, e 11 de outubro de 1896).

Participou da festa de aniversário e da homenagem prestada ao engenheiro chefe do distrito telegráfico em que trabalhava (Gutenberg, 29 de outubro de 1896, quinta coluna).

Escreveu o artigo Sete anos saudando a proclamação da República em 1889 (Gutenberg, 15 de novembro de 1896).

Foi eleito suplente do 2º secretário do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas, Manuel Laurindo Martins Junior. Também fazia parte da comissão de redatores e revisores da revista da instituições e da comissão realizadora de trabalhos históricos, geográficos, arqueológicos e estatísticos (Gutenberg, 28 de novembro de 1896, primeira coluna).

Era um dos fiscais de raia das corridas realizadas pelo Club Veloz (Gutenberg, 13 de dezembro de 1896, quarta coluna).

Foi eleito segundo secretário do Club Atlético Alagoano, do qual foi um dos fundadores (Gutenberg, 24 de dezembro de 1896, quarta coluna).

1897 – Fundação em 18 de janeiro do Club Atlético Alagoas “com a finalidade de promover o desenvolvimento muscular de seus associados, empregando para isso qualquer tipo de força e agilidade”. Sua sede era em Jaraguá, seu presidente era Carlos Leopoldo Ferreira; seu vice, Napoleão Goulart; seu 1o secretário, Luiz Lavenère Wanderley e 2o secretário, José A. Leão.

1899 – Falecimento de seu pai, Stanislau Wanderley (1830 – 1899), republicano, abolicionista e um dos fundadores da Associação Libertadora Alagoana (Gutenberg, 19 de março de 1899, primeira coluna).

Ensinava inglês e francês pelo método indutivo e anunciou também ensinar para crianças.

 

 

Escrevia para a seção Questões gramaticais (Gutenberg, 17 de junho de 1899, primeira coluna; 1º de julho de 1899, quarta coluna; 16 de julho de 1899, quarta coluna; 18 de julho de 1899, primeira coluna; 19 de julho de 1899, terceira coluna; 10 de agosto de 1899, segunda coluna; 22 de agosto de 1899, terceira coluna).

Mudou-se para a rua do Commercio, nº 19 (Gutenberg, 18 de junho de 1899, quinta coluna).

1901 – Lavenère foi promovido a telegrafista de 2ª classe na Repartição Geral dos Telégrafos (Jornal do Brasil, 1º de maio de 1901, sétima coluna).

1902 - Era um dos jurados do concurso de tradução para o português do soneto Ave Dea, de Victor Hugo, promovido pelo jornal Gutenberg (Diário do Maranhão, 26 de junho de 1902, primeira coluna).

Lançamento do jornal Evolucionista, em 1º de setembro de 1902, sob a direção de Lavenère. No início era semanal e publicado às segundas-feiras.

Uma série de artigos intitulados Contra o socialismo, foram publicados  por Lavanère, no Evolucionista ( no ano seguinte foram vendidos como um libreto). Causaram grande polêmica com o socialista João Ferro (1872 – 1902) que respondeu a eles com a publicação de 7 artigos intitulados O “Evolucionista” e o Socialismo, publicados no periódico O Trocista, entre setembro e outubro do mesmo ano.

Já vendia material fotográfico e foi o primeiro em Alagoas a fcomercializar regularmente esses produtos.

Era o diretor da Empresa do Almanak Alagoano das Senhoras, anuário editado por Manoel Gomes da Fonseca, proprietário das Oficinas Tipográficas da Livraria Fonseca ou Oficinas Fonseca; e diretor do jornal  Evolucionista, que passou a ser diário (Almanak Laemmert, 1903).

1904 – Foi publicado no Almanak de Mato Grosso de 1904 uma tabela de fases da Lua para Cuiabá calculada por Lavenère.

1905 – Entre esse ano e 1906, fotografou o folguedo Festa da Chegança.

 

 

Era redator- chefe do jornal Evolucionista. O outro redator era Arroxelas Galvão, e os colaboradores eram Paulino Santiago, Sebastião de Abreu, Aurélio Jatubá e de P. Julio de Albuquerque.

Foi convidado por Joaquim Goulart de Andrade para ser um dos fundadores de uma associação para promover a construção de um monumento em homenagem ao marechal Floriano Peixoto (Gutenberg, 28 de janeiro de 1905).

Era deputado em Alagoas e foi convidado para ser o 2º secretário da Câmara (Gutenberg, 14 de abril de 1905, segunda coluna; e 27 de abril de 1905, primeira coluna). Foi deputado até 1908.

Falecimento de Amélia, mãe de Lavenère (Evolucionista, 19 de abril de 1905, última coluna).

Foi eleito para integrar a comissão de Finanças do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas (Gutenberg, 19 de abril de 1905, quarta coluna).

Polêmica entre Lavanère e José Correia da Silva, revisor do jornal Gutenberg (Gutenberg, 17 de junho de 1905, última coluna; Gutenberg, 18 de junho de 1905, segunda coluna).

Polêmica entre os jornais Gutenberg e o Evolucionista (Gutenberg, 6 de julho de 1905, quarta coluna; Gutenberg, 7 de julho de 1905, primeira coluna).

Lavenère foi eleito sócio efetivo e secretário da Associação Comercial (Evolucionista, 20 de julho de 1905, quinta colunaGutenberg, 21 de julho de 1905, segunda coluna; e 23 de julho de 1905, quinta coluna).

No Teatro Polytheama, participou do espetáculo em benefício de A. Sierra (Gutenberg, 28 de julho de 1905, segunda coluna).

Segundo noticiado no jornal Gutenberg, o jornal Correio de Alagoas dirigiu-se a Lavenère com o calão baixo e afrontoso (Gutenberg, 15 de setembro de 1905, primeira coluna; e Evolucionista, 20 de setembro de 1906, quinta coluna).

Lavenère ficou doente durante o mês de setembro e não pode dar aulas de inglês no Liceu de Artes e Ofícios, onde era professor (Gutenberg, 19 de outubro de 1905, última coluna).

Foi aceito unanimemente para ser sócio efetivo da Sociedade de Agricultura Alagoana (Evolucionista, 5 de outubro de 1905, primeira coluna).

Participou de uma almoço no paquete Castro Alves, a convite de seu comandante e do fiscal da Empresa Freitas de Navegação. Fotografou o grupo (Evolucionista, 10 de novembro de 1905, última coluna).

Fotografou uma mulher que havia sido assassinada (Jornal Pequeno (PE), 14 de novembro de 1905, terceira coluna).

Foi noticiado que um retrato do poeta Aristheu de Andrade (1878 – 1905) e duas fotografias de Maceió, de autoria de Lavenère haviam sido publicadas na revista Mundo Elegante de Paris (Evolucionista, 18 de dezembro de 1905, terceira coluna).

1906 – Foi listado como fotógrafo no Almanak Laemmert de 1906 e seu endereço era rua do Commercio, 40. Em 1907, continuava no mesmo endereço (Almanak Laemmert, 1907).

 

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Foi referido como diretor do Evolucionista (Evolucionista, 1º de janeiro de 1906).

Em fevereiro, nascimento dos gêmeos Túlio e Carmem, filhos de Lavenère e Túlia (Evolucionista, 28 de fevereiro de 1906, quinta coluna).

Foi distribuída a herança de sua mãe entre ele e seus dois irmãos, Rachel (1869 – 1952) e Alberto (1870 – 1930), que residia em São Paulo (Evolucionista, 7 de março de 1906, terceira coluna).

Em Paris,  falecimento de seu cunhado, o comerciante Gustavo Augusto dos Santos, casado com sua irmã Rachel (1869 – 1952) – tinham 7 filhos (Gutenberg, 27 de maio de 1906, quarta coluna).

Recepcionou na Câmara dos Deputados o político Afonso Pena (1847 – 1909), que se tornaria presidente da República em novembro de 1906. Em nome da Associação Comercial visitou Afonso Pena e em nome do jornal Evolucionista lhe ofertou um álbum de fotografias de Maceió de sua autoria, impresso e encadernado pela Livraria Fonseca (Evolucionista,  30 de maio de 1906, quarta coluna; e 31 de maio de 1906, primeira coluna). Lavenère fotografou a recepção a Afonso Pena no Palácio dos Martírios, em 28 de maio.

 

 

Denunciou que um canalha qualquer havia assinado um soneto em seu nome na revista O Malho (O Malho, 7 de julho de 1906, primeira coluna; e Evolucionista, 18 de julho de 1906, terceira coluna).

Na edição de 17 de julho de 1906 do Evolucionista, seu nome constava no expediente com a atribuição de redator do jornal com Raymundo de Miranda. O jornal deixou de ser publicado em dezembro.

 

 

Foi um dos 30 candidatos a deputado de Alagoas pelo Partido Republicano e foi eleito (Gutenberg, 23 de outubro de 1906, última coluna; 27 de abril de 1907, primeira coluna).

1907 - A casa editora da Livraria Fonseca publicou pela primeira vez imagens de autoria de Lavenère como cartões-postais.

Foi constituída uma empresa, da qual Lavenère fazia parte, para fazer reaparecer o Diário das Alagoas (Jornal de Recife, 15 de janeiro de 1907, sexta coluna).

Participou do desfile carnavalesco do Club dos Antigos, organizado por profissionais da imprensa (Gutenberg, 10 de fevereiro de 1907, última coluna).

Aposentou como telegrafista de 2ª classe (Gutenberg, 7 de abril de 1907, última coluna).

Foi publicada na revista Tico-Tico uma fotografia de Edith (1896-1916). Será de autoria de seu pai, Luiz Lavenère? (Tico-Tico, 5 de junho de 1907).

 

 

Era redator do Diário de Alagoas (Gutenberg, 6 de junho de 1907, primeira coluna).

Mudou-se para rua Macena nº 42 (Gutenberg, 12 de setembro de 1907, terceira coluna).

Realização do casamento de sua filha Albertina (1889-1914) com Manoel Gomes Machado (Gutenberg, 27 de outubro de 1907, primeira coluna).

1908 –  Uma fotografia de autoria de Lavenère de sua filha Edith (1896-1916) foi descrita no jornal Gutenberg de 30 de outubro de 1908. Na notícia, foi mencionado que ele havia sido elogiado pelo diretor da revista parisiense Photo Magazine, Charles Mendel. A foto foi publicada no ano seguinte na revista Tico-Tico. Outras fotografias de sua autoria foram expostas no jornal Gutenberg durante o ano.

 

 

 

 

Enviou um cartão de Boas Festas e um de Ano Novo usando fotografias de sua autoria. No de Boas Festas retratou sua filha, que aparecia no meio dos quatros jornais de Alagoas. No de Ano Novo, disfarçou-se e fotografou-se para representar o Ano Velho.

 

 

 

1909 - Foi listado no Almanak Laemmert de 1909 como professor particular e também como intérprete juramentado.

Recebeu 100 votos no concurso do oficial ou praça mais garboso do Tiro Alagoano (Guternberg, 4 de março de 1909).

 

 

 

 

 

Foi publicada uma fotografia de Aurora Silva, primeira farmacêutica alagoana, de autoria de Lavenère (O Malho, 4 de dezembro de 1909).

 

 

1910 – Ainda era diretor do jornal Evolucionista (Almanak Laemmert, 1910).

Publicação de uma carta de sua autoria onde ele explicava o significado do termo boycottage (Gutenberg, 15 de janeiro de 1910, sexta coluna).

Passou a dar aulas de inglês no Instituto de Humanidades, dirigido por Anisio Jobim (Gutenberg, 20 de janeiro de 1910, quarta coluna).

Estava em exposição na loja Lauria, em Maceió, um quadro retratando Lavenère de autoria do pintor baiano Olavo Baptista (1879-1953) (Gutenberg, 5 de fevereiro de 1910, quinta coluna).

Foi publicada na revista O Malho uma fotografia de autoria de Laverène suas filhas Edith e Jessie com uma amiga. Elas desfilaram no Club das Japonezas fantasiadas de gueishas (O Malho, 30 de abril de 1910).

 

 

Participou do primeiro concerto que o Círculo Musical de Alagoas, associação de musicistas de Maceió, apresentou no Teatro Maceioense. O Círculo Musical, do qual se tornou associado, foi fundado em 14 de julho de 1910 sob a presidência do músico e juiz Manoel Lopes Ferreira Pinto (Gutenberg, 6 de setembro de 1910, última coluna).

1911 - Foi identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1911).

Foi editada uma série de 24 cartões-postais de autoria de Lavenère.

 

serie

Série de cartões-postais Phot. L. Lavenère. Jami Abib, Elysio de Oliveira Belchior, Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e Josebias Bandeira de Oliveira.

 

Foi premiado na Exposição Universal de 1911 em Turim, na Itália, na qual expôs trabalhos fotográficos executados em porcelana, madeira e papelão. Os diplomas de suas medalhas estão no Instituto Histórico de Alagoas (Leituras para todos, janeiro de 1912).

 

 

1912 – No mesmo ano em que o fotógrafo Marc Ferrez (1843 – 1923) começou a fazer suas experiências com fotografias em cores utilizando as placas autocromos Lumière, Lavenère  introduziu a fotografia em cores em Alagoas com a imagem de um trecho da rua Barão de Anadia. Segundo o Jornal de Alagoas a respeito da chapa autocromo: “A fotografia das cores naturais, onde sobressai o efeito da luz do sol sobre o solo e o mar, com esse brilho misterioso que o pincel dos mais afamados pintores não pode ainda levar à tela, foi conseguido pelo hábil amador (L. Lavenère) em placas diretamente importadas da Europa. É um deslumbramento” (Jornal de Alagoas, 10 de setembro de 1912).

1913 – Continuava dirigindo o Almanach Alagoano das Senhoras e foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1913).

1914 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1914).

 

 

Em 25 de setembro, falecimento de sua filha Albertina, 25 anos (Diário de Pernambuco, 26 de setembro de 1914, quinta coluna).

1915 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1915).

Publicação do livro O bonde elétrico, de sua autoria.

1916 - Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almanak Laemmert, 1916).

Em 19 de maio, falecimento de sua filha Edith, com 20 anos (Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1916, segunda coluna).

Era o proprietário da Livraria Americana, em Jaraguá, bairro de Maceió (Diário do Povo(AL), 19 de setembro de 1916).

 

 

Era o agente das revistas Fon-Fon e Selecta em Alagoas (Diário do Povo (AL), 19 de novembro de 1916, terceira coluna).

1917 - Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas (Almack Laemmert, 1917).

Importou da Europa papel para impressão (Diário do Povo (AL), 31 de janeiro de 1917, segunda coluna; 1º de fevereiro, quarta coluna).

Foi nomeado encarregado da Agência Consular da França em Alagoas (Diário do Povo (AL), 18 de março de 1917, primeira coluna).

Era árbitro da Alfândega de Maceió por parte do comércio e da indústria (Diário do Povo (AL), 25 de março de 1917, terceira coluna).

1918 – Foi de novo identificado como guarda-livros e tradutor juramentado em Alagoas, mas desta vez também como proprietário da Livraria Americana e como litógrafo, zincógrafo e tipógrafo (Almanak Laemmert, 1918).

 

 

Pediu exoneração do cargo de gerente da Agência Consular da França em Alagoas (Diário de Pernambuco, 10 de dezembro de 1918, segunda coluna).

1919 - Foi identificado como guarda-livros e proprietário da Livraria Americana (Almanak Laemmert, 1919).

Foi um dos fundadores, em 1º de novembro, da Academia Alagoana de Letras.

1920 – Editada pela Livraria Machado uma série de cartões-postais de autoria de Lavenère.

Lançamento em 14 de março , de A Conquista, o primeiro periódico ilustrado com a técnica da fotogravura, preparado totalmente em Maceió.  Lavenère era seu proprietário.

Semanário publicado em Maceió de 14 de março a 25 de dezembro de 1920. O primeiro, em Alagoas, a ter clichê de zinco. Confeccionado pelo dono do periódico – L. L. Lavenère -, o clichê intitulado “O Paurílio”, reproduz a figura de Hipólito Paurílio, tendo sido publicado no segundo número, a 21/3/1920. Em 14/7/1920 publicou um número dedicado à França, inclusive com a música da Marselhesa. Lavenère nele usava o pseudônimo de Marie Pambrun” (ABC das Alagoas).

Ao longo dos anos 20 continuou a atuar como guarda-livros, intérprete juramentado e dono da Livraria Americana.

Denunciou que um homem chamado Guedes Alcoforado estava recebendo criminosamente dinheiro por conta da Livraria Machado (Diário de Pernambuco, 17 de fevereiro de 1920, segunda coluna).

Instalação, em 17 de julho, da Academia Alagoana de Letras, no salão nobre do Teatro Deodoro. Lavenère foi o primeiro ocupante da cadeira número 36.

1921 – Foi anunciado o lançamento de um novo livro de Lavenère, identificado como jornalista e fotógrafo premiado (Diário de Pernambuco, 12 de maio de 1921, primeira coluna).

 

 

O livro se chamava Zefinha (Diário de Pernambuco, 10 de agosto de 1921, primeira coluna). Os srs. Monteiro Lobato e C. propuseram a edição da continuação da obra, que se chamaria O Padre Cornélio (Diário de Pernambuco, 24 de setembro de 1921, terceira coluna).

 

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1922 - Publicou o livro Mostruário de gravuras de zinco.

1924 – Lançamento do livro Novo método de escrituração, de autoria de Lavenère, identificado como verdadeira competência em assuntos comerciais, editado pela Livraria Machado (Diário de Pernambuco, 11 de setembro de 1924, penúltima coluna).

1926 – Foi pela última vez listado como dono de uma livraria na rua da Alfândega, 115, no Almanak Laemmert de 1926.

Em um artigo elogioso em torno da obra literária de Lavenère foi mencionado que ele teria sido um fotógrafo emérito e responsável por um processo prático, original, rápido e barato de preparo de “clichês” (Diário de Pernambuco, 2 de dezembro de 1926, quarta coluna).

 

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Foi eleito um dois membros da comissão da revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Jornal do Commercio, 23 de dezembro de 1926, quarta coluna).

1927 - Lançamento de um Compêndio de Teoria Musical de autoria de Lavenère e publicado pela Livraria Machado de Alagoas (Diário de Pernambuco, 30 de julho de 1927, terceira coluna; e Diário de Pernambuco, 20 de agosto de 1927, penúltima coluna).

Lavenère escreveu vários artigos contra o aumento dos impostos (Gazeta de Notícias, 27 de dezembro de 1927, sexta coluna).

1929 – Lançou Musicologia, continuação do Compêndio de Teoria Musical (Diário de Pernambuco, 10 de julho de 1929, terceira coluna).

1930 – Continuou a ser identificado no Almanak Laemmert  de 1930 e de 1931 como guarda-livros e tradutor juramentado.

O livro Compêndio de Teoria Musical de autoria de Lavenère foi adotado no ensino primário de Alagoas por recomendação do Conselho de Ensino do estado (Revista de Ensino, 1930).

Falecimento de seu irmão Alberto, na época general de brigada, em 4 de outubro de 1930. Ele era desde 1929 comandante da 7ª Região Militar, em Recife. Com o assassinato de João Pessoa em fins de julho de 1930  o comando da 7ª RM foi transferido para o 22º Batalhão de Caçadores, na capital paraibana. Em 4 de outubro, revoltosos militares e civis que apoiavam a Revolução de 30 atacaram p 22º BC e controlaram, apo´s alguns combates, a situação. Houve troca de tiros e o general Alberto foi atingido. Foi operado mas faleceu à noite. Foi promovido post mortem a general de divisão no dia 15 de outubro de 1930. Alberto Lavenère Wanderley era pai de Nélson Lavenère Wanderley (1909 – 1985), que foi ministro da Aeronáutica em 1964 e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1966 a 1968.

1931 - Era 2º vice-presidente do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano (Almanak Laemmert, 1931).

Era um dos colaboradores de Novidade Semanário Illustrado, lançado em 11 abril de 1931. Publicou um artigo na seção de Música na oitava edição da revista (Novidade, 30 de maio de 1931).

Foi eleito membro da Academia Alagoana de Letras (Novidade, 18 de julho de 1931, primeira coluna).

1933 - No Teatro Deodoro, instalação em 6 de abril, da Liga Alagoana Pró-Pensamento Livre, sob a presidência de Lavenère (Jornal de Recife, 18 de abril de 1933, segunda coluna). Fundada em

1934 - Em 24 de fevereiro de 1934, a Liga Alagoana Pró-Pensamento Livre realizou um ato em comemoração ao aniversário da promulgação da constituição de 1891, sob a presidência de  Lavenère com a participação dos oradores Levy Pereira, Barbosa Júnior, Sebastião da Hora, Esdras Gueiros e Américo Mello, “que expressaram seus veementes protestos contra a intromissão da igreja católica na política nacional, tendente a coarctar a liberdade de pensamento no que concerne ao ensino religioso nas escolas”.

Foi entre esse ano e 1943 secretário do Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas (Diário de Pernambuco, 5 de agosto de 1934, quinta coluna).

Passou a lecionar Escrituração Mercantil na sede da Federação Alagoana para o Progresso Feminino (Diário de Pernambuco, 20 de fevereiro de 1934, terceira coluna).

Seu livro Compêndio de Teoria Musical foi adotado pelo Instituto Português de Música de Lisboa (Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1934, terceira coluna).

 

1935 - Publicou o livro Nigumba, conto africano.

1936 – Foi o vereador mais votado de Maceió (Diário de Pernambuco, 29 de janeiro de 1936, terceira coluna).

Apresentou um projeto de lei criando um serviço de Assistência à Infância Desvalida (Diário de Notícias, 21 de agosto de 1936, terceira coluna).

1937 - Como vereador por Maceió aderiu à candidatura de Armando Salles (1887 – 1945) à presidência da República e foi eleito membro da União Democrática Brasileira (O Jornal, 16 de setembro de 1937, segunda coluna).

1938 - Foi nomeado representante da Casa dos Artistas em Maceió (Diário de Notícias, 24 de abril de 1938, terceira coluna).

Contribuiu financeiramente para a confecção do busto do presidente Getúlio Vargas na Casa dos Artistas (O Imparcial, 25 de junho de 1938, primeira coluna).

1939 - Mantinha uma seção diária na Gazeta de Alagoas (A Noite, 12 de junho de 1939, quinta coluna).

Publicação de uma poesia de Lavenère (Correio de Manhã, 15 de junho de 1939).

 

 

1941 - Na inauguração do Sindicato dos Jornalistas Profissionais em Maceió, foi eleito um dos membros da comissão fiscal (Diário de Notícias, 3 de janeiro de 1941, terceira coluna).

Foi o orador do encerramento da Semana da Siderurgia no Teatro Deodoro, em Maceió (Jornal do Brasil, 25 de maio de 1941, terceira coluna).

1942 – Escreveu contra as indecências de cantigas carnavalescas (A Ordem (RN), 13 de fevereiro de 1942, terceira coluna).

1944 - Instalação em 8 de março do Centro de Estudos Econômicos e Sociais de Alagoas, no auditório da Faculdade de Direito, por iniciativa do Rotary Clube de Maceió. Sua primeira diretoria: presidente, Diegues Júnior; vice-presidentes, Sebastião da Hora e Barreto Falcão; secretários, Ruy de Almeida, Aurélio Viana e Luiz Lavenère; tesoureiros, Ismael Brandão e Luiz Calheiros; diretor da Biblioteca, Afrânio Melo; e diretor de Publicidade, Carvalho Veras. Tinha por finalidade discutir a realidade alagoana e os problemas regionais, dentro de uma visão interdisciplinar: econômica, social, histórica, sociológica, antropológica, sem exclusão da visão política ou ideológica.

1945 – Foi candidato ao senado por Alagoas concorrendo pelo Partido Republicano Progressista mas foi o candidato menos votado: só obteve 194 votos (O Jornal, 20 de dezembro de 1945, última coluna).

1946 – Foi eleito para integrar a Comissão de História do Instituto Histórico de Alagoas (A Noite, 28 de abril de 1946, quinta coluna).

Publicou o livro Meu Waterloo na imprensa de Maceió.

1948 – Publicou o livro Ad memoriam.

1949 – Publicou, pela Livraria Machado, Conversas com o reverendo.

1950 – Era o diretor do Teatro Deodoro, em Maceió (Diário de Pernambuco, 26 de março de 1950, quinta coluna).

Foi eleito tesoureiro da Academia Alagoana de Letras (A Noite, 15 de dezembro de 1950, sexta coluna).

1962 – O Arquivo Público de Alagoas, criado em dezembro de 1961, adquiriu para sua Fototeca a coleção de negativos fotográficos de vidro de Luiz Lavenère, composta de cerca de 350 chapas, em vidro, na sua maioria de trechos desaparecidos da cidade de Maceió e seus arrabaldes no princípio do século XX. Na época era dirigido por Moacir Medeiros de Santana.

Publicação, na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, do artigo pioneiro sobre a história da fotografia na capital alagoana desde seus primórdios intitulado A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana.

1966 – Falecimento de Luiz Lavenère Wanderley, em 29 de outubro de 1966, em Maceió.

 

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1985 - Foi escolhido para ser o patrono da cadeira número 41 do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

2012 - Início dos trabalhos de conservação e reprodução da coleção de imagens de Lavenère adquiridas pelo Arquivo Público de Alagoas em 1961.

2018 -  Foi lançado, em dezembro de 2018, o livro Olhares de Maceió por Luiz Lavenère, com 220 fotografias de Maceió, a maioria inédita e rara, organizado por Gian Carlos de Melo Silva e Wilma Maria Nóbrega Lima e editado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos em parceria com o Arquivo Público Alagoano. As fotografias foram separadas em grupos: Águas, Construções, Cotidiano e Lavenère. São registros, dentre outros, do antigo farol, de atletas, avenidas, bairros, barcos, do carnaval de rua, de casas, cenas de teatro, engraxates, escolas, estação de trem, fábricas, festas, do folguedo Barca da Chegança, de hospital, hotéis, igrejas, inundações, da Livraria Fonseca ao lado do jornal Evolucionista, de lojas, do mercado público, de paisagens, pescadores, pessoas, praças, do prado, de praias, prédios governamentais, do primeiro avião em Maceió, de procissão, quartel, da recepção ao presidente da República Afonso Pena no Palácio dos Martírios, de ruas, do Teatro Deodoro e do Teatro Polytheama, além de imagens do próprio Lavenère. Também está reproduzido no livro o artigo A fotografia em Maceió: 1858- 1918, de Luiz Lavenère e Moacir Medeiros de Sant’Ana, publicado na primeira revista do Arquivo Público de Alagoas, 1962 (Agenda “a” (AL) , 28 de dezembro de 2020).

 

livro

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes: 

Agência Alagoas

BARROS, Francisco Reinaldo Amorim de. ABC das Alagoas: dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico de AlagoasBrasília : Senado Federal, Secretaria Especial de Editoração e Publicação, 2005.

CAMPELLO, Maria de Fátima de Melo Barreto. A cidade de papel e a cidade de vidro: Maceió na Coleção de fotografias de Luiz Lavenère. In: ENANPARQ – arquitetura, cidade e projeto: uma construção coletiva. III, 2014, São Paulo, SP. Anais eletrônicos. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie; Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 2014.

CAMPELLO, Maria de Fátima de Melo Barreto; CABRAL, Renata Campello; DUARTE, Jaianne Fernandes; SILVA. Thaysa de Oliveira. Cartões-postais: entre as práticas visuais e a conservação do patrimônio urbano. Postcards: betweeen visual practices and the conservation of urban heritage. Urbana: Rev. Eletrônica Cent. Interdiscip. Estud. Cid. Campinas, SP v.9, n.3 [17] p.659-676 set./dez. 2017

DUARTE, Jaianne Fernandes. Quando se olha para o escuro: A Maceió de Luiz Lavenère Wanderley através de seus negativos de vidro. 2019. 196f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura: Dinâmica do Espaço Habitado). Faculdade de Arquitetura, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Alagoas, 2018.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Instituto Geográfico e Histórico de Alagoas

LAVENÈRE, Luiz; SANT’ANA, Moacir Medeiros de (1962). A fotografia em Maceió (1858-1918). Revista do Arquivo Público de Alagoas, nº 1.

LIMA, Mariana. Luís Wanderley Lavenère. Universidade Federal de Alagoas, fevereiro de 2019.

MACIEL, Osvaldo Batista Acioly. Filhos do trabalho, apóstolos do socialismo: os tipógrafos e a construção de uma identidade de classe em Maceió (1895 – 1905)Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, 2004.

SANTOS, José Fabino Cassiano dos. HISTÓRIA E CONSTRUÇÃO LITERÁRIA NAS NOVELAS ZÉFINHA (1921) E PADRE CORNÉLIO (1921) DE LUIS LAVENÈRE .  Trabalho apresentado na 70ª Reunião Anual da SBPC – 22 a 28 de julho de 2018 – UFAL – Maceió.

SILVA, Gian Carlos de Melo; LIMA, Wilma Maria Nóbrega (organizadores). Olhares de Maceió por Luiz Lavenère. Maceió : Imprensa Oficial Ramos, 2018.

Site Geni

Site O ABC das Alagoas

 

 

Links para artigos sobre carnaval já publicados na Brasiliana Fotográfica

Imagem relacionada

O carnaval nas primeiras décadas do século XX, publicado em 5 de fevereiro de 2016

 

O carnaval do Cordão da Bola Preta, publicado em 9 de fevereiro de 2018

 

Cenas da folia em Manaus em 1913, publicado em 28 de fevereiro de 2020

 

Acessando o link para as fotografias de Carnaval disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe por Augusto Riedel (1836 -?)

Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe por Augusto Riedel (1836 -?)*

 

Considerado um dos mais talentosos fotógrafos paisagistas dos oitocentos, o alemão Augusto Riedel (1836-?) foi proprietário de um estúdio fotográfico à rua Direita nº 24, em São Paulo (Diário de São Paulo, de 1º de outubro de 1865, na primeira coluna), na década de 1860, e na rua Cassiano, 41, no Rio de Janeiro, entre 1875 e 1877. De sua produção, restaram 40 imagens do álbum Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868 – que se tornou um dos trabalhos clássicos da documentação fotográfica do século XIX no Brasil. O duque de Saxe, dom Luis Augusto de Saxe Coburgo e Gotha (1845 – 1907), era genro do imperador Pedro II (1825 – 1891), marido da princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon (1847 – 1871). A presença do nome do fotógrafo na capa do álbum indica que ele já devia ser bastante conhecido e que provavelmente devam existir outras fotos dele ainda hoje não amplamente reconhecidas.

 

 

A viagem durou meses e foram percorridos os estados de Minas Gerais, onde foram retratadas as cidades de Ouro Preto, Mariana, Sabará, Diamantina (e suas minas de diamantes), Lagoa Santa e o primeiro vapor do rio das Velhas, além das minas de Morro Velho; vistas do rio São Francisco, que levaram os viajantes até Penedo, em Alagoas; Sergipe e, finalmente, Bahia, último estado visitado pela expedição. São possivelmente os mais antigos registros fotográficos dessas regiões do Brasil.  O itinerário percorrido sugere um grande interesse do grupo em geologia e em assuntos relativos à mineração. No Diário do Rio, de 10 de agosto de 1868, há uma homenagem à visita dos príncipes à Diamantina.

A grande maioria das fontes consultadas pela Brasiliana Fotográfica afirmam que Riedel fazia parte da comitiva da viagem, porém no livro O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) sua vida e seus trabalhos, publicado em 1883 (Gazeta de Notícias, 21 de julho de 1883, segunda coluna), o autor, o médico dinamarquês Theodoro Langgaard (1813 – 1883), que morou no Brasil, afirmou que um fotógrafo, sem mencionar a identidade, havia sido enviado pelo Duque de Saxe, após a realização da viagem, para fazer os registros dos lugares que ele havia julgado mais interessantes.

 

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Trecho do livro O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) – sua vida e seus trabalhos, de Theodoro Langgaard, página 35

 

Um trecho do testamento de Lund, escrito em 21 de junho de 1871, confirma que Augusto Riedel esteve em Lagoa Santa, em 1869, e teria procurado a caverna de Maquiné:

A pedido do Sr. Augusto Riedel delarco, ser com o meu consentimento que o mesmo senhor, na sua passagem por aqui no mês de maio de 1869, procedeu à procura da caverna chamada Lapa Nova de Maquiné, por mim explorada e descrita no ano 1834. Delcaro outrossim, que, se a mim couber direito, privilégio, prêmio ou emolumento qualquer como primeiro descobridor, cedo todos estes direitos e emolumentos ao dito Sr. Augusto Riedel

(Trecho transcrito do livro Peter Wilhelm Lund, o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira, de Ana Paula Almeida Marchesotti, página 93)

 

Duas imagens que ilustram o livro de Theodoro Langgaard são do álbum Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868 : Morada do dr. Lund em Lagoa Santa e Jazigo de Brandt em Lagoa Santa. Brandt trabalhou com Lund de 1835 até sua morte, em 1862. Posteriormente, o próprio Lund, Wilhelm Behrens, que havia sido seu secretário, e seu amigo suíço, Johann Rudolph Müller, foram enterrados no mesmo jazigo. A terceira imagem é a reprodução de um retrato de Lund. As três estão presentes nesse artigo.

Anos depois de produzidas, várias dessas imagens produzidas por Riedel foram apresentadas na Exposição de História do Brasil de 1881-1882, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, um dos mais importantes eventos da historiografia nacional (Catálogo da Exposição de História do Brasil 1881-2, vol.2, páginas 1415, 1416, 1422, 1456, 1508 e 1612). A exposição, realizada sob a direção de Ramiz Galvão (1846-1938), foi aberta pelo imperador dom Pedro II, em 2 de dezembro de 1881, quando o soberano completou 56 anos (Gazeta de Notícias, de 3 de dezembro de 1881, na terceira coluna sob o título “Exposição da História do Brazil”). 

Diversas vistas de Riedel foram incluídas pelo barão do Rio Branco (1845-1912) no Album de vues du Brésil, considerada a última peça para a promoção do Brasil imperial, representando um resumo iconográfico do Império e de suas riquezas. Trazia também fotografias de Marc Ferrez, Insley Pacheco e Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?), dentre outros. Foi publicado em Paris durante a realização da Exposição Universal de 1889.

* Pouco se sabe da biografia de Augusto Riedel e a grande maioria dos livros e sites consultados pela Brasiliana Fotográfica afirmam ou levam em conta a possibilidade de ele ser filho do botânico Ludwig Riedel (1790-1861). Em O olhar distante – a paisagem brasileira vista pelos grandes artistas estrangeiros 1637-1998, de Pedro Corrêa do Lago, e no livro Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX, de Pedro Vasquez, a dúvida em relação a essa filiação foi levantada. Uma notícia do jornal O Globo, de 10 de novembro de 1874, na quarta coluna da página 4, de fato, prova que havia dois Augustos Riedel. O filho de Ludwig trabalhava na casa Leuzinger & Filhos:

Augusto Riedel, empregado na casa dos Srs. Leuzinger & Filhos, e filho do falecido botanico Dr. Luiz Riedel, declara, por causa de duvidas, que nada tem de afinidade com Augusto Riedel, photographo, e que de hora em diante, assignar-se-ha – Augusto Fernando Riedel“.

Ainda na consulta a jornais, a Brasiliana resgatou duas notícias sobre Frederico Augusto Riedel, nome com o qual, de acordo com a Enciclopédia Itaú Cultural, Riedel é às vezes identificado. Em 1876, teria se naturalizado brasileiro (Diário do Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1876, terceira coluna, sob o título “Noticiário”) e, em 17 de novembro de 1877, teria partido do Brasil no paquete “Habsburg”, com destino a Bremen, na Alemanha (Gazeta de Notícias, de 18 de novembro de 1877, na quinta coluna sob o título “Sahidas do dia 17″).

Em 1976, algumas das fotografias de Riedel foram incluídas na exposição “Pioneer Photographers of Brazil”, realizada no Inter-American Relations, em Nova York, e no livro homônimo, onde os autores Weston Naef e Gilberto Ferrez  ressaltam que há na obra do fotográfo “um senso sutil das nuanças da composição pictórica capaz de transformar um tema banal num manifesto acerca dos abusos cometidos pelo ser humano contra a natureza”. Também comparam seu trabalho ao do fotógrafo paisagista irlandês Timothy O´Sullivan (1840-1882) que, na mesma época em que Riedel participava dessa viagem pelo Brasil, trabalhava no Arizona, em Nevada, no Colorado e no Novo México, na primeira expedição oficial para o oeste dos Estados Unidos após a Guerra Civil norte-americana (1861-1865).

 

Galeria das fotografias de Augusto Riedel

 

Acessando o link para as fotografias de Augusto Riedel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Uma curiosidade: certamente Riedel conhecia o fotógrafo Auguste Stahl (1828 – 1877) ou pelo menos o trabalho realizado por ele porque uma das mais famosas fotografias de Stahl, da cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, foi usada por Riedel no álbum Viagem de S.S.A.A. Reaes Duque de Saxe e seu Augusto Irmão D. Luis Philippe ao Interior do Brasil no Anno 1868  com uma alteração: foi acrescida da presença de um suposto membro da comitiva da viagem.

 

 

 

 

*Esse artigo foi atualizado em 17 de julho de 2019.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&b.

LAGO, Bia Correia do. Augusto Stahl : obra completa em Pernambuco e Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2001.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

LAGO, Pedro Corrêa do. O olhar distante – a paisagem brasileira vista pelos grandes artistas estrangeiros 1637-1998. In: Mostra do redescobrimento: o olhar distante – The distant view. Nelson Aguilar, organizador. Fundação Bienal de São Paulo. São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000.

FERREZ, Gilberto.  A fotografia no Brasil : 1840-1900. 2a. ed. Rio de Janeiro: Funarte: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985. (História da fotografia no Brasil, 1)

FERREZ, Gilberto;NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil : 1840-1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.

LANGGAARD, Theodoro. O naturalista dr. Lund (Peter Wilhelm) – sua vida e seus trabalhos. Rio de Janeiro : Typographia Universal de H. Laemmert & C, 1883.

LUNA FILHO, Pedro Ernesto de. Peter Wilhelm Lund: o auge de suas investigações científicas e a razão para o término das pesquisas. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2007.

MARCHESOTTI, Ana Paula Almeida: Peter Wilhelm Lund, o naturalista que revelou ao mundo a pré-história brasileira. Rio de Janeiro : E-Papers, 2011.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos : a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839-1889. Rio de Janeiro: Funarte: Rocco, 1995 (Coleção luz & reflexão,4)

VASQUEZ, Pedro. O Brasil na fotografia oitocentista/ [pesquisa e texto]Pedro Karp Vasquez; [reproduções fotográficas Cesar Barreto, Rosa Gauditano].–São Paulo: Metalivros, 2003.

VASQUEZ, Pedro. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho: Cia Internacional de Seguros: Ed. Index, 1985.

VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX: Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien. Apresentação Winston Fritsch; prefácio Joaquim Marçal; projeto editorial Pedro Karp Vasquez, Ronaldo Graça Couto; projeto gráfico Victor Burton. São Paulo: Metalivros, 2000. 203 p., il. p&b. ISBN 85-85371-28-5.

Site da Biblioteca Nacional Digital

Site da Enciclopédia Brasiliana Guita e José Mindlin

Site da Enciclopédia do Itaú Cultural

Site do Instituto Moreira Salles