O Campo de Santana

No centro do Rio de Janeiro, a praça que hoje é tema da Brasiliana Fotográfica já teve diversos nomes ao longo de sua história: Campo de Santana, Campo da Honra, Praça do Curro, Campo da Aclamação e Praça da República – este último, até hoje, sua denominação oficial. Mas ficou mesmo conhecida como Campo de Santana, palco de celebrações e de importantes acontecimentos da história do Brasil como a aclamação de dom João VI como como rei de Portugal, Brasil e Algarves (1818), a aclamação de Pedro I como imperador do Brasil (1822), as comemorações populares de coroação de D. Pedro II (1841), festas do Império do Divino Espírito Santo promovidas pela Irmandade de Santana, festejos pelo fim da Guerra do Paraguai (1870), um baile em celebração da Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889). Também na região foram construídos prédios como a Estação de Ferro Central do Brasilo primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, a primeira sede do Museu Nacional e a Casa da Moeda – atual sede do Arquivo Nacional. O portal traz imagens do Campo de Santana e de algumas dessas construções produzidas por Augusto MaltaJorge KfuriJuan GutierrezMarc Ferrez, Uriel Malta e também por fotógrafos ainda não identificados.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Campo de Santana e de alguns prédios em seu entorno disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

 

Até meados do século XVIII, o Campo de Santana era deserto e abandonado, tendo sido escolhido para o despejo de detritos, fato que perdurou até a gestão do vice-rei Conde Resende (1790 a 1801), que ordenou o aterro e o saneamento do campo. A partir daí, surgiu a praça, edificações e novas delineações urbanas. Foi o botânico e arquiteto paisagista francês Auguste Glaziou (1833 – 1906), que tinha vindo para o Brasil – segundo a maioria das fontes, a convite de dom Pedro II -, o responsável pelo embelezamento da praça, iniciado nos primeiros anos da década de 1870 (Jornal do Commercio, 2 de maio de 1872, terceira coluna; e Diário do Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 1873, primeira coluna) com a a construção de jardins românticos, cascatas, pontes e grutas. A inauguração da obra aconteceu em 7 de setembro de 1880 com a presença do imperador. Na ocasião, Glaziou foi condecorado com a Ordem de Cristo (Gazeta de Notícias, 7 de setembro de 1880, primeira coluna; e Gazeta de Notícias, 8 de setembro, primeira coluna).

 

 

Auguste Glaziou, por Auguste Petit

Glaziou nasceu na cidade de Lannion, na Bretanha, em 30 de agosto de 1828. Formado em Engenharia, estudou Botânica no Museu de História Natural de Paris e participou da reforma do Jardim Público da cidade de Bordeaux. Chegou ao Rio de Janeiro em 1858, onde permaneceu até 1897, quando se aposentou e voltou para a França, onde faleceu em 30 de março de 1906. Durante sua estadia no Brasil, foi Diretor dos Parques e Jardins da Casa Imperial e Inspetor dos Jardins Municipais, além de ter integrado a Associação Brasileira de Aclimação, tendo trabalhado em obras de melhoramentos no Jardim Botânico, na Quinta da Boa Vista, na Floresta da Tijuca e no Passeio Público. Também realizou obras nos jardins da residência das princesas imperiais, da família do Barão de Nova Friburgo, do Barão de Mauá, no Rio de Janeiro, e de Tavares Guerra, em Petrópolis, dentre outros.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

COARACY, Vivaldo. Coleção Rio 4 séculos, volume 3. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1965.

GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Site da Casa de Rui Barbosa

Site da MultiRio

Site do Museu Nacional 

 

 

 

A Floresta da Tijuca no Dia Mundial do Meio Ambiente

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a Brasiliana Fotográfica destaca imagens da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, a maior floresta urbana replantada pelo homem, com uma extensão de 3.953 hectares. Sua beleza e exuberância não passaram despercebidas por diversos fotógrafos dos séculos XIX e XX. O portal disponibiliza registros produzidos por Augusto Malta (1864 – 1957)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Marc Ferrez (1843 – 1923) e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886). Para a produção de carvão, extração de madeira e plantação de café, a floresta foi quase totalmente destruída, o que ocasionou problemas nas fontes que abasteciam a cidade com água. Em 1861, durante o reinado de dom Pedro II (1825 – 1891) o major Manuel Gomes Archer (1821 – 1907) foi nomeado administrador da Floresta da Tijuca, cargo que exerceu até 1874 (Boletim do Expediente do Governo, novembro de 1861). Foi iniciado, então, o primeiro grande projeto de reflorestamento no mundo com o replantio de mais de 100 mil árvores. Posteriormente, sob a administração do barão Gastão d´Escragnolle (1821 – 1888), entre 1874 e 1888 (Gazeta de Notícias, 19 de junho de 1888, sexta coluna), além da continuação do replantio, foi realizado um trabalho de embelezamento com a colaboração do célebre paisagista e botânico francês Auguste Glaziou (1833 – 1906), que tornou a floresta um parque para uso público com fontes, lagos, mirante, pontes e jardins de estilo francês.

 

 

 

Acessando o link para as fotografias da Floresta da Tijuca disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Depois de um longo período de abandono, em 1944, sob a coordenação do industrial Raymundo de Castro Maia (1894 – 1968), convidado pelo então prefeito Henrique Dodworth (1895 – 1975), e com a cooperação do paisagista Roberto Burle Marx (1909 – 1994), foram reiniciadas a recuperação e a manutenção da vegetação da floresta. Alguns dos atrativos da Floresta da Tijuca são o Pico da Tijuca – seu ponto mais alto -, o Pico do Papagaio e a Cascatinha Taunay. Fica dentro do Parque Nacional da Tijuca, criado em 1961, o mais visitado do Brasil.

 

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente começou a ser comemorado em 1972. A data foi escolhida porque a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente foi realizada em Estocolmo, na Suécia, entre 5 e 16 de junho de 1972. Seu secretário-geral foi o canadense Maurice Strong (1929 – 2015). Considerada a iniciativa mais importante tomada até então no campo da conservação do meio ambiente e da luta contra a poluição, reuniu 1.200 delegados de 114 países e cerca de três mil observadores. Entre os acordos mais importantes selados durante a reunião estão a condenação das experiências nucleares, a proibição da pesca da baleia por dez anos e a redução da produção de materiais sintéticos aumentando paralelamente a manufatura de substitutivos degradáveis não poluentes (Jornal do Brasil, 17 de junho de 1972).

 

 

Na próxima imagem, vemos o fotógrafo Marc Ferrez em um momento de lazer com sua esposa, a francesa Marie Lefebvre (c. 1849 – 1914), e os dois filhos do casal, Julio Marc (1881 – 1946) e Luciano José André (1884 – 1955), passeando na Floresta da Tijuca.

 

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Agenda de Efemérides da TV Globo

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

MAIA, Raymundo de Castro. A Floresta da Tijuca. Rio de Janeiro: Edições Bloch, 1967

Site do Instituto Chico Mendes

Site do Iphan

Site do Parque Nacional da Tijuca 

Site Rio de Janeiro aqui