Registros da Guerra do Paraguai (1864 – 1870)

 

A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores registros de aspectos da Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Sua iconografia fotográfica é escassa, apesar da importância do evento e do fato de que na época já existia um bom número de fotógrafos atuando no continente. Porém, segundo o historiador André Toral: O registro fotográfico da guerra do Paraguai contra a Tríplice Aliança (1864-1870) foi, em termos gerais, uma continuidade do tipo de fotografia que se fazia na época. Mas foi, também, mais do que isso. A cobertura in loco e a força do assunto trouxeram maneiras inovadoras de se representar o conflito, o que colaborou para a constituição de uma linguagem fotográfica com características próprias em relação à pintura ou gravura do período dedicadas à guerra.

Acessando o link para as fotografias de aspectos da Guerra do Paraguai disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

As imagens do acervo do portal sobre o assunto são de autoria de Agostinho Forni, de Carlos Cesar, do estúdio Bate & CA, de Frederico Trebbi, de José Ferreira Guimarães (1841 – 1924), de Luigi Terragno (c.1831-1891) e de outros fotógrafos ainda não identificados. Retratam aspectos de várias cidades como Assunção, Humaitá, Lambaré e Luque; a batalha de 18 de julho, casas de militares como os generais José Antônio Correia da Câmara (1824-1893) e Joaquim Andrade Neves (1807 – 1869), a casa de Elisa Lynch (1835 – 1886), mulher do presidente do Paraguai, Francisco Solano Lopez Filho ( 1827 – 1870); acampamentos militares, igrejas, estações de ferro e hospitais, dentre outros. Há também uma fotografia do quadro Passagem de Humaitá, do pintor Victor Meirelles (1832 – 1903), produzida por José Ferreira Guimarães (1841 – 1924).

 

A Guerra do Paraguai, primeiro conflito a receber uma cobertura visual na imprensa sul-americana e um de seus assuntos preponderantes entre 1864 e 1870, foi um importante marco da fotorreportagem no Brasil, tema central da tese de doutorado A Semana Illustrada e a guerra contra o Paraguai: primórdios da fotorreportagem no Brasil, de autoria de Joaquim Marçal de Andrade, um dos curadores do portal Brasiliana Fotográfica. Diversas ilustrações de episódios da guerra e de alguns de seus participantes foram publicadas. A litografia propiciava a reprodução de fotografias, daguerreótipos e pinturas levando as imagens da guerra a um público maior. Destacamos no periódico Semana Illustrada, do alemão Henrique Fleuiss (1824 – 1882), edição de 10 de setembro de 1865, as publicações de ilustrações da batalha naval de Riachuelo e de dom Pedro II e do Duque de Saxe em traje de campanha. Grande parte da documentação fotográfica do conflito constitui-se por de cartes-de-visite de generais, soldados, governantes e outros envolvidos na guerra, produzidos entre 1864 e 1870.

Travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, – cujo tratado foi assinado em 1º de maio de 1865 entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai -, a Guerra do Paraguai ocorreu entre 1864 e 1870. O presidente do Paraguai, Francisco Solano Lopez Filho ( 1827 – 1870), declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, à Argentina, em 18 de março do ano seguinte. Em 10 de julho de 1865, d. Pedro II  esteve no teatro de operações do conflito.

 

 

Outro personagem da monarquia brasileira, o conde d´Eu (1842-1922), marido da Princesa Isabel (1846 – 1921), assumiu a chefia das tropas, em 1869, substituindo Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803 – 1880).

 

 

Bartolomeu Mitre (1821 – 1906) foi presidente da Argentina durante a Guerra do Paraguai.

 

 

A Guerra do Paraguai terminou em 1870, com a vitória da Tríplice Aliança e com a destruição do Paraguai, que perdeu grande parte de sua população. Algumas das causas da guerra foram as questões de fronteiras entre os países, rivalidades históricas e a navegação nos rios platinos. No Campo da Aclamação, atual Praça da República, foi construído um monumento, o Templo da Vitória, em comemoração ao término da Guerra do Paraguai.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Links para outras publicações da Brasiliana Fotográfica sobre conflitos:

A Revolta da Armada

Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros

Lampião e outros cangaceiros pelas lentes de Benjamin Abrahão

 

Fontes:

ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira de. A Semana Illustrada e a guerra contra o Paraguai: primórdios da fotorreportagem no Brasil. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro – Tese de doutorado, 2011.
ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira de. História da Fotorreportagem no Brasil. Rio de Janeiro:Elsevier, 2004.
CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

CHIAVENATO, Júlio José. Genocídio americano: a Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro:Editora Guanabara, 1979.

CUARTEROLO, Miguel Angel. Soldados de la memoria: imágenes y hombres de la Guerra del Paraguay. Argentina:Planeta, 2000.

DORATIOTO, Francisco Fernando Monteoliva. Maldita Guerra. São Paulo:Companhia das Letras, 2002.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo:Editora Universidade de São Paulo, 1998.
FRAGOSO, Augusto Tasso. História da guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai. Rio de Janeiro:Biblioteca do Exército, 2012.
GOMES, Laurentino. 1889. Rio de Janeiro:Globo Editora, 2013.
 
LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.
LIMA, Luiz Octavio de. A Guerra do Paraguai. São Paulo:Planeta do Brasil, 2016.
MAESTRI, Mário. Guerra no Papel: história e historiografia da Guerra do Paraguai (1864 – 1870). Passo Fundo:PPGH/UPF, 2013.
QUEIROZ, Silvânia de. Revisando a Revisão: Genocídio americano: a Guerra do Paraguai. Porto Alegre: FCM Editora, 2014.
SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai – Memórias e Imagens. Rio de Janeiro:Biblioteca Nacional, 2003.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

Site da MultiRio

TORAL, André. Imagens em desordem: a iconografia da Guerra do Paraguai. São Paulo:Universidade de São Paulo, 2001.

Links para outras publicações da Brasiliana Fotográfica sobre conflitos:

A revolta da Armada

Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros

Lampião e outros cangaceiros sob as lentes de Benjamin Abrahão

Dia dos Pais

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Alberto Henschel. Princesa Isabel, Conde D’Eu e os filhos D. Pedro de Alcântara, príncipe do Grão-Pará, D. Luís Maria e D. Antônio Gastão, c. 1884 / Acervo IMS

Com uma fotografia  do Conde D´Eu (1842-1922), com sua esposa, a Princesa Isabel (1846 – 1921), e com os filhos do casal Dom Pedro de Alcântara, Dom Luís Maria e Dom Antônio Gastão, produzida por Albert Henschel, a Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia dos Pais, data que foi comemorada pela primeira vez, em 1910, nos Estados Unidos. No Brasil, a ideia de criar esta data partiu do publicitário Sylvio Bhering e o jornal O Globo começou uma campanha para difundir a efeméride (O Globo, 1º de junho de 1953), festejada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953 (Jornal do Brasil, 16 de agosto de 1953). Posteriormente, o Dia dos Pais passou a ser comemorado no segundo domingo de agosto.

Gastão de Orleans, o Conde  D´Eu, e a Princesa Isabel casaram-se em 15 de outubro de 1864  (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). Onze anos depois, em 15 de outubro de 1875, em Petrópolis, nasceu o primeiro filho do casal, Pedro de Orléans e Bragança (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1875, sob o título “Diário do Rio”). Ele faleceu em 29 de janeiro de 1940, na mesma cidade em que nasceu. Em 26 de janeiro de 1878, ocorreu o nascimento do segundo filho, Luis Maria de Orléans e Bragança, em Petrópolis (Diário do Rio de Janeiro, edição de 27 de janeiro de 1878, na segunda coluna). Ele faleceu em Cannes, na França, em março de 1920. Finalmente, em 9 de agosto de 1881, nasceu, em Paris, o terceiro e último filho do casal, Antonio Gastão de Orléans e Bragança (Gazeta de Notícias, edição de 10 de agosto de 1881, na primeira coluna). Ele faleceu em 29 de novembro de 1918, devido a um desastre de avião, em Londres.

Princesa Isabel (RJ, 29 de julho de 1846 – Eu,14 de novembro de 1921)

Joaquim Insley Pacheco. Princesa Isabel menina, c.1863. Rio de Janeiro / Acervo IMS

Joaquim Insley Pacheco. Princesa Isabel menina, c. 1863. Rio de Janeiro / Acervo IMS

Ao longo de sua vida, a princesa Isabel foi retratada por diversos e destacados fotógrafos do século XIX. A Brasiliana Fotográfica reuniu alguns desses registros, feitos por Revert Henrique Klumb, Joaquim Insley Pacheco, Marc Ferrez, Henschel e Benque e por anônimos, criando para seus leitores a Galeria de Fotos da Princesa Isabel.

Por ter assinado a Lei Áurea, ela ficou conhecida como A Redentora. Filha do imperador Dom Pedro II, um entusiasta da fotografia, e da imperatriz Thereza Christina, formou com seu marido, o conde D´Eu, uma coleção de fotografias, que se encontra na Europa e representa um importante acervo iconográfico do oitocentos no Brasil. Fazem parte da coleção fotografias de Marc Ferrez, George Leuzinger, Augusto Stahl, Victor Frond, Alberto Henschel e Augusto Riedel, dentre outros, além de imagens das celebrações da abolição da escravatura, em 1888.

 

Galeria de Fotos da Princesa Isabel

Cronologia da princesa Isabel

1846 – em 29 de julho, nascimento da princesa Isabel no Paço Imperial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filha do imperador Pedro II e da imperatriz Thereza Christina Maria (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”). Em 15 de novembro, realização do batizado da princesa Isabel, que recebeu o nome de Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaella Gabriella Raphaela Gonzaga. Seus padrinhos foram Dom Fernando II, rei de Portugal, representado por Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, o marquês de Itanhaém; e a Sra. Maria Isabel, rainha viúva das Duas Sicílias, representada por Guilhermina Adelaide Carneiro Leão, a marquesa de Maceió (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de novembro de 1846, na coluna O Diário)

1850 – em 10 de agosto, no Paço do Senado, é proclamada, Herdeira do Trono, pela Assembleia Geral (Correio da Tarde, edição de 9 de agosto de 1850, na primeira coluna, sob o título “Lê-se no Correio Mercantil”).

1860 – em 29 de julho, quando completa 14 anos, a princesa Isabel presta juramento de “manter a religião católica, observar a constituição política do País e ser obediente às Leis e ao Imperador” (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1860).

1864 – em 15 de outubro, casamento da princesa Isabel com Gastão d´Orleans (1842-1922), o conde D´Eu, na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, celebrado por D. Manoel Joaquim da Silveira, arcebispo da Bahia e primaz do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864). O escritor Machado de Assis escreve na coluna Folhetim uma calorosa descrição do casamento (Diário do Rio de Janeiro, edição de 17 de outubro de 1864). O casal passa a lua de mel em Petrópolis, de onde retorna no dia 24 de outubro.

1871 – de maio desse ano a março de 1872, a princesa Isabel exerce pela primeira vez a regência do Brasil. Em 29 de julho, ao completar 25 anos, torna-se a primeira senadora do Brasil, conforme estabelecido na Constituição Brasileira de 1824: “Art 46. Os Principes da Casa Imperial são Senadores por Direito, e terão assento no Senado, logo que chegarem á idade de vinte e cinco annos”. Em 28 de setembro, promulga a Lei do Ventre Livre, que concedeu liberdade a todos os filhos de mulheres escravas que nascessem a partir da data de assinatura da lei (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de setembro de 1871).

revista Semana Ilustrada

Ilustração sobre o projeto da Lei do Ventre Livre, da revista Semana Ilustrada, edição de 21 de maio de 1871 / BN Digital

1874 – em 28 de julho, a princesa Isabel dá à luz a uma menina natimorta, Luísa Vitória de Orléans e Bragança (Diário do Rio de Janeiro, edição de 29 de julho de 1874, sob o título “Parte Official”).

1875 – em 15 de outubro, em Petrópolis, nascimento de seu primeiro filho, Pedro de Orléans e Bragança (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1875, sob o título “Diário do Rio”). Ele faleceu em 29 de janeiro de 1940, na mesma cidade em que nasceu.

1876 – de março desse ano a setembro de 1877, a princesa Isabel exerce, pela segunda vez, a regência do Brasil. 

1878 – em 26 de janeiro, nascimento de seu segundo filho, Luis Maria de Orléans e Bragança, em Petrópolis (Diário do Rio de Janeiro, edição de 27 de janeiro de 1878, na segunda coluna). Ele faleceu em Cannes, na França, em março de 1920.

1881 – em 9 de agosto, nascimento, em Paris, de seu terceiro e último filho, Antonio Gastão de Orléans e Bragança (Gazeta de Notícias, edição de 10 de agosto de 1881, na primeira coluna). Ele faleceu em 29 de novembro de 1918, devido a um desastre de avião, em Londres.

1887 – de junho desse ano a agosto de 1888, a princesa Isabel exerce, pela terceira e última vez, a regência do Brasil.

1888 – em 13 de maio, assina a Lei Áurea, que dá fim à escravidão no Brasil (Gazeta de Notícias, edição de 14 de maio de 1888). Por esse ato, em 28 de setembro, recebe a condecoração Rosa de Ouro, concedida pelo papa Leão XIII, tendo sido saudada pelo bispo do Pará (Gazeta de Notícias, edição de 29 de setembro de 1888).

1889 – em 17 de novembro, dois dias após a proclamação da República, a família real parte para o exílio, na Europa (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna).

1921 – em 14 de novembro, morte da princesa Isabel, no Castelo d´Eu, na França (Gazeta de Notícias, edição de 15 de novembro de 1921).

1953 – em 6 de julho, chegada no Rio de Janeiro dos restos mortais da princesa Isabel e os de seu marido, o conde D’Eu (Correio da Manhã, edição de 7 de julho de 1953).

1971 – os restos mortais da princesa Isabel e os de seu marido, o conde D’Eu, são trasladados da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro para a igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos (Correio da Manhã, edição de 11 de maio de 1971) e, finalmente, são sepultados na Catedral de Petrópolis (Correio da Manhã, edição de 14 de maio de 1971).

Link para as fotografias da princesa Isabel na Brasiliana Fotográfica.

Além da pesquisa em diversos periódicos, para a elaboração dessa cronologia, a Brasiliana Fotográfica consultou os livros “A História da Princesa Isabel, amor, liberdade e exílio”, de Regina Echeverria; “As Barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos”, de Lilia Moritz Schwarcz; “O Castelo de Papel”, de Mary del Priori; e “Dom Pedro II”, de José Murilo de Carvalho.