O barão do Rio Branco (1845 – 1912) e o Álbum de vistas do Brasil (1889)

O carioca José Maria da Silva Paranhos Júnior (RJ, 20/04/1845 – RJ, 10/02/1912), patrono da diplomacia brasileira, recebeu da Princesa Isabel o título de barão do Rio Branco, em 1888 (Diário de Notícias, 20 de maio de 1888, na terceira coluna, sob o título “Paranhos”, e Jornal do Commercio, 2 de junho de 1888, na quarta coluna sob o título “Gazetilha”).  Na época, ela exercia pela terceira e última vez a regência do Brasil (junho de 1887 a agosto de 1888) – o imperador Pedro II estava viajando pela Europa. A foto destacada pela Brasiliana Fotográfica (ao lado) é um registro do embarque do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913) – no centro da imagem -, para a Europa (O Paiz, 15 de junho de 1911, na quinta coluna). Na ocasião, o barão do Rio Branco (1845 – 1912) – de chapéu claro – era o ministro das Relações Exteriores e havia ido ao cais Pharoux para despedir-se de Leitão da Cunha, que também estava partindo para a Europa, no transatlântico inglês Avon (Gazeta de Notícias, 15 de junho de 1911, na quinta coluna). O autor do registro foi Augusto Malta (1864 – 1957), fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, de 1903 a 1936.

O barão do Rio Branco (1845-1912) foi o responsável pelo Album de vues du Brésil, considerada a última peça para a promoção do Brasil imperial, representando um resumo iconográfico do país e de suas riquezas. Nas palavras do barão, o álbum pretendia “mostrar a fisionomia atual das principais cidades do Brasil e seus arredores. Sob esse aspecto, a presente coleção é a mais completa publicada até hoje”. Trazia fotografias produzidas por Augusto Riedel (1836 -?), Joaquim Insley Pacheco (c.1830 – 1912), Marc Ferrez (1843 – 1923) e Rodolpho Lindemann (c. 1852 – 19?), dentre outros. Foi lançado em Paris na ocasião da Exposição Universal de 1889, ocorrida entre 6 de maio e 31 de outubro e fazia parte da segunda edição de Le Brésil, extrato da Grande Enciclopédia, trabalho dirigido pelo geógrafo Émile Levasseur  (1828-1911), para o qual o barão havia colaborado.

“Àquela altura, Rio Branco recebeu um impulso extraordinariamente importante para sua trajetória. Rui Barbosa publicou, no Diário de Notícias de 14 de outubro de 1889, às vésperas da República, artigo no qual ressaltou sua colaboração na Grand Encyclopedie. Segundo Álvaro Lins, foi esta a primeira vez que o nome do Barão do Rio Branco apareceu perante o público do Brasil como “grande historiador erudito”. Rui Barbosa ressaltou um atributo do barão que se revelou fundamental para o êxito de suas atividades de historiador/diplomata: “O sentimento do real, esse movimento da vida, essa impressão de contacto direto das coisas.”(Barão do Rio Branco : 100 anos de memória, p.38).

 

 

O Album de vues du Brésil foi o primeiro do gênero publicado depois do Brasil Pitoresco (1861), primeiro livro de fotografia realizado na América Latina, com imagens de Jean Victor Frond (1821 – 1881) e texto do jornalista e político francês Charles Ribeyrolles (1812-1860), reeditado em 1941.

Filho de José Maria da Silva Paranhos (1819 – 1880), o visconde do Rio Branco, uma das maiores figuras do período monárquico brasileiro, o barão do Rio Branco – professor, jornalista, diplomata, político e historiador – tornou-se sinônimo da tradição da diplomacia brasileira. Teve destacada atuação na definição das fronteiras brasileiras em várias ocasiões, quando se sobressaiu como hábil negociador, tendo assinado tratados com diversos países. Participou das negociações de paz da Guerra do Paraguai (1865-1870). Foi diretor do jornal A Nação e entre 6 de dezembro de 1875 e 1886, foi cônsul-geral do Brasil em Liverpool, na Inglaterra, na época, o principal porto comercial de interesse para o Brasil. Em 1884, recebeu a Ordem da Rosa, maior condecoração do Império, e o convite para ser o delegado do governo na Exposição Universal de São Petersburgo. Depois da proclamação da República, em 1891, substituiu o conselheiro Antônio Prado (1840 – 1929), como superintendente-geral na Europa da emigração para o Brasil, cargo que exerceu até 1893.

Foi o representante brasileiro na disputa da região dos Sete Povos das Missões com a Argentina e também na disputa do Amapá entre o Brasil e a Guiana Francesa, tendo obtido resultados favoráveis ao Brasil em 1895 e em 1900, respectivamente. Em 1901, foi como ministro plenipotenciário para Berlim, na Alemanha, onde ficou até 1902, quando foi nomeado ministro das Relações Exteriores do Brasil, cargo que exerceu até sua morte. Com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903, garantiu a posse do Acre, reivindicado pela Bolívia. A partir de vários tratados com países da América do Sul – em 1904, com o Equador; em 1907, com a Colômbia; em 1904 e 1909, com o Peru; em 1909, com o Uruguai; e em 1910, com a Argentina, definiu, de um modo geral, os atuais contornos do território brasileiro.

Ainda como ministro das Relações Exteriores, participou da III Conferência Americana, realizada no Palácio Monroe, no Rio de Janeiro, de 23 de julho a 27 de agosto de 1906. Foi também responsável pelas gestões junto à Santa Sé para a criação do primeiro cardinalato brasileiro, o que aconteceu em 1905, e enviou Rui Barbosa (1849 – 1923) à Conferência da Paz, em Haia, em 1907.

Foi eleito, em 1º de outubro de 1898, o segundo ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de João Manuel Pereira da Silva (1817 – 1898). Sócio do Instituto Geográfico Histórico Brasileiro desde 1867, foi seu presidente entre 1907 e 1912.

Algumas homenagens feitas ao barão do Rio Branco após sua morte, ocorrida em 10 de fevereiro de 1912 (Jornal do Brasil, 11 de fevereiro de 1910):

1 – O nome da avenida Central, aberta oficialmente em 1905, que foi durante muito tempo a principal via de circulação do Rio de Janeiro, que ligava o novo porto, onde atualmente está a praça Mauá, à região da Glória, foi mudado, por decreto, em 15 de fevereiro de 1912, para avenida Rio Branco, cinco dias depois do falecimento do diplomata (O Paiz, 16 de fevereiro de 1912, sob o título “Barão do Rio Branco”).

2 – Em 1945, nas comemorações do centenário de seu nascimento, foi criado o Instituto Rio Branco, uma das academias diplomáticas mais antigas do mundo, depois da Academia de Viena e da Academia Pontifícia.

3 – O barão dá também nome à condecoração Ordem do Rio Branco, instituída pelo Decreto nº 51.697, de 5 de fevereiro de 1963, com o objetivo de ao “distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção”. Tem 5 graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro, além de uma Medalha anexa à Ordem. É concedida pelo Ministério das Relações Exteriores, geralmente, em 20 de abril, Dia do Diplomata, data de nascimento do barão.

Segundo o regulamento: “A insígnia da Ordem é uma cruz de quatro braços e oito pontas esmaltadas de branco, tendo no centro a esfera armilar, em prata dourada, inscrita, num círculo de esmalte azul, a legenda “Ubique Patriae Memor”, do mesmo metal. No reverso dourado, as datas 1845-1912.” As datas se referem aos anos do nascimento e da morte do barão e a expressão “Ubique Patriae Memor” foi extraída do ex-libris do Barão do Rio Branco e se traduz como “Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança”.

Um pouco da vida pessoal do barão:

“Não lhe faltaram, no entanto, contrariedades e angústias. No início de 1872, Juca (apelido do barão) encontrou no Alcazar Lyrique uma jovem belga chamada Marie Philomène Stevens, de 22 anos, por quem se apaixonou. O casamento era impossível, pois ela era apenas uma bela atriz de pouca instrução, que viera faire l’Amérique no Rio de Janeiro. Juca Paranhos parecia bastante ingênuo, talvez cego pelo amor, pois chegou a escrever para um amigo dizendo que Marie lhe havia chegado aos braços “perfeitamente pura!”. Logo ela engravidou e, ao longo de 26 anos de convívio interrompido, tiveram cinco filhos. Quando foi nomeado para Liverpool, o Barão do Rio Branco instalou-a em Paris, onde viveu até morrer, em 1898. Nunca mais regressou ao Brasil. No entanto, demoraram a casar-se, o que finalmente ocorreu em 1890, em Londres, quando os primeiros filhos já eram quase adultos” (Vasco Mariz in Barão do Rio Branco : 100 anos de memória).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

Barão do Rio Branco : 100 anos de memória / Manoel Gomes Pereira (Org.).– Brasília:FUNAG, 2012.

HEINSFELD, Adelar. O Barão e o cardeal : Rio Branco e a conquista do cardinalato para o Brasil. Passo Fundo:PPGH/UPF, 2012.

LINS, Álvaro. O Barão do Rio Branco. Rio de Janeiro:Editora José Olympio, 1945.

MORAES, Antônio Carlos Robert. O Barão do Rio Branco e a Geografia, in Revista Terra Brasilis. São Paulo:Universidade de São Paulodezembro de 2015.

MOSSÉ, Benjamin. Dom Pedro II, Imperador do Brasil: o Imperador visto pelo barão do Rio Branco / Benjamin Mossé. – Brasília : FUNAG, 2015.

MOURA, Cristina Patriota de. Herança e Metamorfose: a Construção Social de dois Rio Branco, in Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro:Fundação Getúlio Vargas, dezembro de 1999.

RICÚPERO, Rubens. Um personagem da República, in José Maria da Silva Paranhos, Barão do Río Branco: uma biografia fotográfica. Brasília:Fundação Alexande de Gusmão, 1995.

Site do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro

Site do Ministério das Relações Exteriores

VIANA FILHO, Luiz. A vida do Barão do Rio Branco. Rio de Janeiro:Editora José Olympio, 1959.

A Brasiliana Fotográfica fez também uma extensa pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

 

O centenário do Dia do Fico pelo fotógrafo Augusto Malta

O centenário do Dia do Fico foi comemorado, no Rio de Janeiro, em 9 de janeiro de 1922, com diversas festividades (O Paiz, 10 de janeiro de 1922). Uma delas foi a inauguração, na igreja do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos, localizada na rua Uruguaiana, no Centro, de uma placa esculpida por Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931). A Brasiliana Fotográfica destaca uma imagem da celebração em frente à igreja, produzida pelo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), na época, fotógrafo oficial da cidade.

Foi justamente dessa igreja que, em 9 de janeiro de 1822, uma comitiva liderada pelo presidente do Senado, José Clemente Pereira (1787 – 1854), saiu para entregar a dom Pedro de Alcântara, posteriormente Pedro I (1798 – 1834), a mensagem do povo do Rio de Janeiro, com mais de oito mil assinaturas, pedindo por sua permanência no Brasil, já que as Cortes Portuguesas haviam ordenado seu regresso a Portugal. Ao apelo, dom Pedro respondeu:

“Convencido de que a presença de minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa, e conhecido que a vontade de algumas províncias assim o requer, demorarei a minha saída até que as Cortes e meu Augusto Pai e Senhor deliberem a este respeito, com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido” (Diário do Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1822).

Porém, a frase que marcou esse acontecimento, mais forte e assertiva do que a do texto original, foi proferida no dia seguinte e daria nome ao episódio que passou para a história do Brasil como o Dia do Fico:

“Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico” (Diário do Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1822).

O Dia do Fico foi um passo importante na direção da proclamação da Independência do Brasil , ocorrida cerca de nove meses depois, em 7 de setembro de 1822.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Dom Pedro II ( RJ, 2/12/1825 – Paris, 5/12/1891), um entusiasta da fotografia

Dom Pedro II foi um entusiasta da fotografia, seja como mecenas seja colecionador. Foi o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo, e, provavelmente, o primeiro fotógrafo nascido no Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país. Sua filha, a princesa Isabel (1846-1921), foi, inclusive, aluna do fotógrafo alemão Revert Henrique Klumb (c. 1826- c. 1886). Ao ser banido do país, em 1889, pelos republicanos, Pedro II doou à Biblioteca Nacional a coleção de cerca de 25 mil fotografias, que então denominou, juntamente com a coleção de livros, de Coleção Dona Theresa Christina Maria.  Segundo Pedro Vasquez, essa coleção é, até hoje, “o mais diversificado e precioso acervo dos primórdios da fotografia brasileira jamais reunido por um particular, e tampouco por uma instituição pública”.

A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: em 7 de janeiro de 1839, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851); cerca de 4 meses depois, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, na segunda coluna, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido assunto de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris em 9 de março de 1839 para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839.

Acessando o link para as fotografias de dom Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

O interesse de dom Pedro II pela fotografia teve quase a mesma idade do próprio daguerreótipo: menos de um ano após o anúncio oficial da invenção, feito por François Arago, em 19 de agosto de 1839, na França, ele, aos 14 anos, adquiriu o equipamento, em março de 1840, mesmo ano em que o abade francês Louis Compte apresentou-lhe o invento, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna; e de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna).

Por sediar o Império, o Rio de Janeiro foi a capital da fotografia no Brasil. O imperador foi retratado por diversos fotógrafos, dentre eles Marc Ferrez (1843-1923) e Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), tendo conhecido praticamente o trabalho de todos eles. A fotografia passou a ser o instrumento de divulgação da imagem de dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino”, segundo comenta Lilia Moritz Schwarcz no livro As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, e tornou-se também mais um símbolo de civilização e status.

Foi o primeiro monarca a oferecer seu real patrocínio a um fotógrafo, quando, em 1851, permitiu que Buvelot & Prat, que haviam realizado uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos – usassem as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento fotográfico. Só dois anos depois, a Rainha Vitória (1819 – 1901), da Inglaterra, também apreciadora da fotografia, conferiu ao fotógrafo Antoine Claudet (1797 – 1867) o título de Photographer in ordinary to the Queen.

Dom Pedro II governou o Brasil de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”. Em seus quase 50 anos de governo – só superados pelas rainhas Vitória (1819 – 1901) e Elizabeth II (1926 -), ambas da Inglaterra – o tráfico e a escravidão foram abolidos, a unidade do Brasil foi consolidada, as principais capitais brasileiras se modernizaram, a ciência e a cultura se desenvolveram. Sinais, sobretudo estes últimos, de um reinado que, não obstante o conservadorismo escravista dominante, perseguiu sempre uma pauta liberal, humanista e civilizatória.

Em seu diário de 1862, Pedro II declarou: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferia a de presidente da República ou ministro a imperador”. De fato, no século XIX, muito do que se fez no Brasil nos campos das letras e das ciências deveu-se a ele, um dos monarcas mais eruditos de sua época.

Lista dos Fotógrafos Imperiais, na ordem cronológica em que foram agraciados com este título, segundo Guilherme Auler, sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na Tribuna de Petrópolis, em 1º e 8 de abril de 1956, segundo o livro O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Vasquez:

Buvelot & Prat, título concedido em 8 de março de 1851 (província do Rio de Janeiro)

Joaquim Insley Pacheco, título concedido em 22 de dezembro de 1855 (província do Rio de Janeiro)

João Ferreira Villela, título concedido em 18 de setembro de 1860 (província de Pernambuco)

Revert Henrique Klumb, título concedido em 24 de agosto de 1861 (província do Rio de Janeiro)

Stahl & Wahnschaffe, título concedido em 21 de abril de 1862 (província do Rio de Janeiro)

Diogo Luiz Cipriano, título concedido em 20 de setembro de 1864 (província do Rio de Janeiro)

Antonio da Silva Lopes Cardoso, título concedido em 30 de novembro de 1864 (província da Bahia)

Tomas King, título concedido em 18 de maio de 1866 (província do Rio Grande do Sul)

José Ferreira Guimarães, título concedido em 13 de setembro de 1866 (província do Rio de Janeiro)

Fernando Starke, título concedido em 14 de dezembro de 1866 (província de São Paulo)

José Tomás Sabino, título concedido em 13 de agosto de 1873 (província do Pará)

Henschel & Benque, título concedido em 7 de dezembro de 1874 (província do Rio de Janeiro)

Antonio Henrique da Silva Heitor, título concedido em 2 de março de 1885 (província do Rio de Janeiro)

Juan Gutierrez de Padilla, título concedido em 3 de agosto de 1889 (província do Rio de Janeiro)

Ignácio Mendo, título concedido em 6 de agosto de 1889 (província da Bahia)

Apesar de não estarem na lista de Auler, os fotógrafos  Mangeon & Van Nyvel, radicados no Rio de Janeiro e Luiz Terragno, do Rio Grande do Sul, também anunciavam esse título e as armas imperiais no verso de suas fotografias. Já Marc Ferrez foi o único com a distinção de Fotógrafo da Marinha Imperial. Seis fotógrafos estrangeiros também foram agraciados com o título de fotógrafos imperiais: o francês Alphonse Liebert, o português Joaquim Coelho da Rocha, o austríaco Guilherme Perimutter, os tchecos Franz Piedrich e Charles Molock; e o italiano Francesco Pesce.

Galeria de dom Pedro II

 

Cronologia de dom Pedro II 

Alphonse Léon Nöel; Victor Frond. Dom Pedro II, 1861. Paris, França / Acervo FBN

 

1825 – Em 2 de dezembro, nascimento de Pedro II, às 2h30 da manhã, no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filho mais novo do imperador dom Pedro I do Brasil (1798 – 1834) e da imperatriz dona Maria Leopoldina de Áustria (1797 – 1826) (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de dezembro de 1825).

Foi batizado, em 9 de dezembro, e seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga (Império do Brasil: Diário Fluminense, de 10 de dezembro de 1825).

1826 – Em agosto, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de príncipe imperial .

Sua mãe, a imperatriz Leopoldina, faleceu em 11 de dezembro de 1826, poucos dias após dar a luz a um menino natimorto (Diário do Rio de Janeiro, de 15 de dezembro de 1826). Foi com a monarca que Carl Friedrich Phillip von Martius (Erlanger, Alemanha, 1794 – Munique, Alemanha, 1868), renomado naturalista do século XIX, veio ao Brasil, onde ficou de 1817 a 1820, como um dos integrantes da Missão Austríaca, que a acompanhou na ocasião de seu casamento com D.Pedro I.

1829 – O imperador Pedro I casou-se com a duquesa Amélia de Leuchtenberg (1812 – 1873), com quem, apesar de ter convivido pouco, o príncipe Pedro estabeleceu um relacionamento afetuoso (Imperio do Brasil: Diário Fluminense, de 8 de outubro de 1829, sob o título “Baviera”).

1831 – Em 7 de abril, o imperador Pedro I abdicou (Aurora Fluminense, de 11 de abril de 1831). O príncipe imperial Pedro tornou-se “Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil“, sendo aclamado por uma multidão reunida no Campo de Santana. Dom Pedro I deixou seu filho aos cuidados do tutor José Bonifácio de Andrada (1763 – 1838), de dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (? – 1855), tornada condessa de Belmonte, em 5 de maio de 1844, aia de Pedro II desde seu nascimento, a quem ele chamava de Dadama; e de Rafael, que era um empregado do paço em quem Pedro I possuía grande confiança.

No mesmo dia da abdicação, foi eleita, no Senado, a Regência Provisória, formada pelos senadores Nicolau do Campos Vergueiro (1788 – 1859), por José Joaquim de Campos (1768 – 1836), o Marquês de Caravelas, e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), pai de Luís Alves de Lima e Silva (1803 – 1880), o Duque de Caxias.

Dom Pedro I partiu para a Europa com Dona Amélia, em 13 de abril (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de abril de 1831). Links para as cartas de despedida de dona Amélia, disponível no Correio IMS, e de Pedro I, ambas para dom Pedro II.

Em 17 de  junho, a Regência Trina Permanente foi eleita pela Assembleia Geral. Era composta pelo deputado da Bahia, José da Costa Carvalho (1796 – 1860), o Marquês de Monte Alegre; do Maranhão, João Bráulio Moniz (1796 – 1835), e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), do Rio de Janeiro (Aurora Fluminense, de 20 de junho de 1831, na primeira coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).

1833 - Em 15 de dezembro, José Bonifácio foi substituído pelo marquês de Itanhaém, Manuel Inácio de Andrada Souto Pinto Coelho (1782 – 1867), que passou a ser, por decreto, tutor de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 17 de dezembro de 1833, na segunda coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).

1834 - Em 12 de agosto foi aprovado o Ato Adicional, que estipulou o fim da Regência Trina e alterou a Constituição de 1824, autorizando cada uma das províncias a criar uma Assembleia Legislativa. A situação política do país se acalmou.

Em 24 de setembro, morreu, em Portugal, dom Pedro I (Diário do Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1834).

1835 - Em 7 de janeiro, teve início a Cabanagem no Pará.

Em abril, realizaram-se as eleições para a primeira Regência Una. Venceu o padre Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843), um dos líderes progressistas e antigo ministro da Regência Trina Permanente.

Em 20 de setembro, iniciou-se a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul.

Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843) assumiu a Regência Una em outubro (Aurora Fluminense, de 12 de outubro de 1835).

1837 - Para tentar acabar com o avanço da Cabanagem e da Farroupilha, movimentos revoltosos contra o governo, Feijó pediu a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do aumento dos efetivos militares do governo. Seu pedido foi negado e ele renunciou. O presidente da Câmara dos Deputados e líder da facção regressista, o marquês de Olinda, Pedro Araújo Lima (1793 – 1870), assumiu provisioriamente a regência (Jornal do Commercio, de 25 de setembro de 1837, na primeira coluna).

Em novembro, teve início a Sabinada, na Bahia.

Em 2 de dezembro, por decreto, foi fundado o Colégio Pedro II.

1838 – O senador Pedro Araújo Lima (1793 – 1870) foi eleito o novo regente, cujo mandato se prolongaria até 1842.

Foi criado, em 21 de outubro, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Jornal do Commercio, de 18 de outubro de 1838, na primeira coluna).

Em 13 de dezembro, teve início a Balaiada no Maranhão.

1839 – O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro recebeu o patronato do imperador dom Pedro II , que além de seu protetor, tornou-se um ativo membro, tendo presidido centenas de sessões.

1840 – O abade francês Louis Compte, capelão da corveta L´Orientale, fez na hospedaria Pharoux, a primeira apresentação do daguerreótipo no Brasil e na América Latina, realizando um ensaio fotográfico (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna). Dias depois, apresentou o invento a dom Pedro II (Jornal do Commercio, de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna). Em março do mesmo ano, com menos de 15 anos, dom Pedro II adquiriu o equipamento, através do negociante Felício Luzaghy.

O Brasil encontrava-se em uma situação delicada com as revoltas e dom Pedro II só poderia ser declarado maior com 18 anos de idade. Além disso, a Regência sempre motivaria conflitos políticos. Em abril, o senador do Partido Liberal, José Martiniano de Alencar (1794 – 1860), pai do romancista José de Alencar, propôs a criação da Sociedade Promotora da Maioridade, que passou a se chamar Clube da Maioridade. Seu presidente, Antônio Carlos de Andrada (1773 – 1845), levou a campanha para as ruas, conseguindo a adesão do povo.

Em 23 de julho, dom Pedro II foi emancipado pela Assembleia Geral Legislativa do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 27 de julho de 1840, sob o título “Rio de Janeiro”).

1841 – Em 18 de julho, realização da sagração e da coroação de dom Pedro II, imperador do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 19 de julho de 1941Jornal do Commercio, de 18 e 19 de julho de 1941, na segunda coluna e de 20 de julho, com ilustração de dom Pedro II coroado e da varanda da coroação). A cidade do Rio de Janeiro foi embelezada para a cerimônia e as festas se estenderam até o dia 24 de julho, quando foi realizado um grande baile de gala no Paço da cidade.

Terminou a revolta da Balaiada.

1843 – Em 30 de maio, dom Pedro II e dona Teresa Cristina (1822 – 1889), princesa das Duas Sicílias, casaram-se por procuração, em Nápoles. Como eles eram primos, tiveram que obter licença de Roma. Em 3 de setembro, ela chegou ao Rio de Janeiro. Eles se encontraram pela primeira vez, a bordo da fragata Constituição (Jornal do Commercio, de 4 de setembro, na última colunae de 5 de setembro de 1843, na primeira coluna, ambas sob o título “Jornal do Commercio”)Dom Pedro II ficou muito decepcionado com a aparência de sua esposa .

1845 – Em 23 de fevereiro, nasceu o primeiro filho do casal, dom Afonso (Diário de Rio de Janeiro, de 24 de fevereiro de 1845, sob o título “O Diário”).

Em 1º de março, fim da Farroupilha.

Em 6 de agosto, dom Pedro II viajou para o sul do Brasil e visitou as províncias de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

1846 – Nasceu a primeira filha do casal real, a princesa Isabel, em 29 de julho (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”).

1847 – Morreu dom Afonso, em 11 de junho (Diário do Rio de Janeiro, de 12 de junho de 1847) e nasceu a princesa Leopoldina, segunda filha do casal, em 13 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de julho de 1847, sob o título “O Diário”). Dom Pedro II percorreu a província do Rio de Janeiro.

1848 – Nasceu dom Pedro Afonso, segundo filho do casal, em 19 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 20 de julho de 1848).

Teve início a Revolução Praieira, em Pernambuco. De caráter liberal e federalista, ganhou o nome de Praieira, pois a sede do jornal Diário Novo, comandado pelos revoltosos, ficava na rua da Praia.

1850 – Morreu dom Pedro Afonso, em 10 de janeiro (Diário do Rio de Janeiro, de 11 de janeiro de 1850).

Foram promulgados o Código Comercial, baseado nos Códigos de Comércio de Portugal, França e Espanha; e a Lei de Terras,  que foi regulamentada em 1854. Esta lei estabelecia a compra como a única forma de acesso à terra e abolia, em definitivo, o regime de sesmarias.

Fim da Revolução Praieira (O Brasil, de 16 de abril de 1850, sob o título “Notícias Provinciaes”, na primeira coluna).

Em 4 de setembro, a Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico negreiro (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de setembro de 1850).

O governo brasileiro rompeu relações com a Confederação Argentina, governada por Juan Manuel de Rosas (1793 – 1877).

1851 – Brasil, Uruguai e as províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes firmaram, em Montevidéu, uma aliança ofensiva e defensiva contra Rosas, que declarou guerra ao Império brasileiro.

1852 – Em fevereiro, Rosas foi derrotado pelo general Justo José de Urquiza (1801-1870) com o apoio do Brasil, na Batalha de Monte Caseros (Correio da Tarde, de 24 de fevereiro de 1952).

Início da telegrafia elétrica no Brasil. Telegramas foram trocados entre o imperador, que se encontrava na Quinta de São Cristóvão, e o ministro da Justiça, Eusébio de Queiroz (1812 – 1868), e o professor Guilherme Schüch de Capanema (1824 – 1908), que estavam no Quartel General, no Campo da Aclamação, atual Campo de Santana.

1854 – No Rio de Janeiro, instalação da iluminação à gás (Jornal do Commercio, de 25 de março de 1854, na penúltima coluna).

Inauguração da estrada de ferro que ligava a Corte à Petrópolis (Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1854, na última coluna).

1855 - Em 17 de outubro, morte de Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (1779 – 1855), a Dadama, aia e governanta de dom Pedro II, vitimada pela cólera-morbo (Diário do Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1855, na segunda coluna).

1856 – Dom Pedro II conheceu a tutora de suas filhas, a condessa de Barral, Luisa Margarida Portugal de Barros (1816 – 1891), por quem se apaixonou e se correspondeu intensamente ao longo de 26 anos de relacionamento. Cartas trocadas entre os dois estão disponíveis no Correio IMS: em 12 de junho de 1876, em 15 de março de 1877, em 29 de março de 1877 e em 7 de junho de 1880.

1857 – Foi criada a Imperial Academia de Música e a Ópera Nacional (Jornal do Commercio, de 7 de junho de 1857, sob o título “Publicações a pedido”).

1861 - Início da Questão Christie, incidente diplomático envolvendo o Brasil Império e a Inglaterra.

1863 - Brasil e Inglaterra romperam relações diplomáticas.

1864 – Em 15 de outubro, casamento da princesa Isabel com o conde d´Eu (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864) e, em 15 de dezembro, casamento da princesa Leopoldina com o duque de Saxe (Diário do Rio de Janeiro, de 16 de dezembro de 1864). O conde d´Eu e o duque se Saxe eram primos.

O Paraguai declarou guerra ao Brasil, em dezembro.

1865 – Em 1º de maio, foi assinado o Tratado da Tríplice Aliança – Argentina, Brasil e Uruguai – contra o Paraguai.

Em 10 de julho, dom Pedro II foi para o teatro de operações da Guerra do Paraguai.

Em 23 de setembro, as relações diplomáticas entre o Brasil e a Inglaterra foram reatadas (Jornal do Commercio, de 5 de outubro de 1865, na sétima coluna, sob o título “27 de setembro”).

1870 - Solano López morreu e a Guerra do Paraguai terminou (O Paiz, suplemento de 14 de abril de 1870).

1871  – Em 7 de fevereiro de 1871, a filha de Dom Pedro II, a princesa Leopoldina de Saxe-Coburgo faleceu, em Viena (Diário de Notícias, de 7 de março de 1871).

Em 28 de de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de setembro de 1871).

1871 / 1872 – Em 25 de maio de 1871, dom Pedro II viajou pela primeira vez para a Europa e para o Oriente Médio. A princesa Isabel tornou-se, pela primeira vez, regente provisória. Em Lisboa, seu primeiro destino, Dom Pedro visitou dona Amélia, viúva de dom Pedro I, no palácio das Janelas Verdes. Conheceu diversos intelectuais portugueses, entre eles, Alexandre Herculano (1810 – 1877). Depois foi à França, onde encontrou a condessa de Barral e o filósofo Arthur de Gobineau ( 1816 -1882); à Bélgica, à Alemanha, onde conheceu o compositor Richard Wagner (1813 – 1883); à Itália e à Ásia Menor. Voltou à Itália e à França. Em 31 de março de 1872, retornou ao Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1872), trazendo o duque de Saxe, viúvo de de sua filha Leopoldina, e seus dois netos, Pedro Augusto (1866 – 1934) e Augusto Leopoldo (1867 – 1922), que seriam educados no Brasil.

1874 – Em 22 de junho, foi efetivada a ligação do Brasil a Portugal por telégrafo.

Teve início a revolta do Quebra-Quilos, quando várias cidades do nordeste se rebelaram contra o decreto que impunha a implantação de um novo sistema métrico. No ano seguinte, com a forte repressão promovida pelo governo imperial, a região foi pacificada.

1876 – Em março, dom Pedro II viajou para os Estados Unidos e para a Europa. Embarcou no Rio de Janeiro, no navio americano Hevelius, sob o comando do capitão Markwell (Diário do Rio de Janeiro, 26 de março de 1876, na terceira coluna). Acompanhando a comitiva real, estava o repórter J. O´Kelly, do jornal New York Herald. Chegou em Nova York, em 15 de abril. Visitou outras cidades como Chicago, Pittsburg e Washington. Inaugurou a Exposição da Filadélfia, que abriu ao lado do presidente Ulysses S. Grant (1822 – 1885), em 10 de maio, em meio a uma multidão de cerca de 200 mil pessoas. Lá conheceu os cientistas Thomas Edison (1847 – 1931) e Grahan Bell (1847 – 1922), que apresentou ao imperador sua invenção – o telefone. Foi também à Niagara Falls. Em 12 julho, partiu para a Europa no vapor Russia, da Cunard Line: foi a Londres e Bruxelas, onde encontrou o famoso médico francês Jean-Marie Charcot (1825 – 1893). Deixou a imperatriz Teresa Cristina em Gastein, na Áustria, para tratamento de saúde e partiu para a Grécia. No Oriente, a imperatriz e a condessa de Barral o encontraram. Foi à Roma, Viena e Paris, onde conheceu os intelectuais Jean Louis Quatrefages (1810 – 1892), Ernest Renan (1823 – 1892), Louis Pasteur (1822 – 1895) e Victor Hugo (1802 – 1885). Retornou em setembro.

1877 – Por ordem de dom Pedro II, foram instaladas linhas telefônicas entre as residências dos ministros e o palácio da Quinta da Boa Vista.

New York Herald relembrou a visita de Pedro II aos Estados Unidos, e apresentou a seguinte proposta: “Para nossa chapa Centenária, indicamos Dom Pedro II e Charles Francis Adams, para presidente e vice-presidente. Estamos cansados de gente comum, e sentimo-nos dispostos a apoiar gente de estilo”. O advogado, político, diplomata e escritor americano Charles Frances Adams ( 1807 – 1886) era neto do presidente John Adams e filho do presidente John Quincy Adams.

1878 – Dom Pedro II viajou para a província de São Paulo.

1879 – Inauguração da iluminação elétrica na Estação Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Em 28 de dezembro de 1879, início no Rio de Janeiro da Revolta do Vintém, contra a cobrança de um tributo instituído pelo ministro da fazenda, o visconde de Ouro Preto, Afonso Celso de Assis Figueiredo (1836 – 1912), de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes. O ministério, desmoralizado, caiu no ano seguinte e o imposto foi revogado.

1880 – Criação da Telephone Company of Brazil, primeira companhia telefônica nacional.

Dom Pedro II viajou ao Paraná.

1881 – Em 9 de janeiro, aprovação da Lei Saraiva, que estabeleceu o voto direto e proibiu o voto dos analfabetos.

Dom Pedro II viajou para Minas Gerais.

1882 –  Caso do “Roubo das jóias da Coroa”: na madrugada de 17 para 18 de março de 1882, um ladrão invadiu o Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial, e roubou  todas as jóias da imperatriz Teresa Cristina e da princesa Isabel. O tesouro foi avaliado em 400 contos de réis – verdadeira fortuna na época (Gazeta de Notícias, de 19 de março de 1882, na primeira coluna). As jóias foram encontradas dias depois na casa de um ex-empregado do palácio, Manuel de Paiva (Gazeta de Notícias, de 22 de março de 1882, na segunda coluna).

1883 – A cidade de Campos (RJ) tornou-se o primeiro município da América do Sul a receber iluminação elétrica pública.

Início da Questão Militar, uma série de conflitos entre autoridades da monarquia e os oficiais do Exército brasileiro, que fortaleceu a campanha republicana.

1885 – Promulgação da Lei dos Sexagenários, em 28 de setembro.

1887 / 1888 – Em 30 de junho de 1887, dom Pedro II viajou pela terceira vez para a Europa. Seu primeiro destino foi Portugal. De lá, seguiu para Paris. Aconselhado por médicos, seguiu para Baden-Baden, e retornou a Paris, onde visitou intelectuais, entre eles, Louis Pasteur. Fez um cruzeiro pela Riviera italiana e foi para a estação de cura de Aix-les-Bains, na França. Em 22 de agosto de 1888, retornou ao Rio de Janeiro.

1888 – Foi abolida a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888 (O Paiz, de 14 de maio de 1888).

1889 – O imperador Pedro II sofreu um atentado (Gazeta de Notícias, de 17 de julho de 1889, na penúltima coluna).

Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (Gazeta de Notícias, de 11 de novembro de 1889), que passou à história como o último baile da monarquia no Brasil.

Em 15 de novembro, foi proclamada a República (Gazeta de Notícias, 16 de novembro de 1889). Quando foi deposto, dom Pedro II tinha governado por 49 anos, três meses e 22 dias. Só foi superado pela rainhas Vitória (1819-1901) e Elizabeth II (1926-), ambas da Inglaterra.

Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna).

Chegaram em Lisboa em 7 de dezembro. Visitaram Coimbra e o Porto, onde a imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro.

1890 / 1891 – Pedro II passou esses anos entre Cannes, Vichy, Versalhes e Baden-Baden.

1891 – Em 14 de janeiro, faleceu a Condessa de Barral, em Paris (Diário de Notícias, 16 de janeiro de 1891).

Em 24 de outubro, Dom Pedro II chegou em Paris, onde se hospedou no Hotel Bedford, número 17 da rua de l’Arcade.

Em 5 de dezembro, faleceu, de pneumonia (O Paiz, de 6 de dezembro de 1891, e Gazeta de Notícias, de 6 de dezembro de 1891). Tradução do registro de morte do imperador:

Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.

Paris, 5 de dezembro de 1891

J.M Charcot
C. de Motta Maia Bouchard

Link para o registro da morte de Pedro II.

1920 – Foi anulado o decreto que bania a Família Imperial do Brasil.

1921 - Chegaram no Rio de Janeiro os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina, que estavam no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa (O Paiz, de 9 de janeiro de 1921). Ficaram na Catedral Metropolitana.

1925 – Os  restos mortais dos monarcas foram para a Catedral de Petrópolis.

1939 – Em 5 de dezembro, foram para o Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada da Catedral de Petrópolis, numa cerimônia na qual estava presente o presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954). O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara pelo francês Jean Magrou (1869 – 1945) e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso (1899 – 1966) (Jornal do Brasil, de 6 de dezembro de 1939).

Para a elaboração dessa cronologia, além da pesquisa em inúmeros jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional, a Brasiliana Fotográfica também se valeu, principalmente, dos livros Pedro II: ser ou não ser, de José Murilo de Carvalho, e As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, de Lilia Moritz Schwarcz.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Bibliografia:

BESOUCHET, Lídia. Exílio e morte do Imperador. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975

CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

FLETCHER, James Cooley ; KIDDER, Daniel Parrish. O Brasil e os brasileiros. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1941.

HARING, Bertita. O Trono do Amazonas – a história dos Braganças no Brasil – José Olympio, RJ, 1944.

PAGANO, Sebastião. Eduardo Prado e Sua Época – O Cetro, SP, 1960.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.

WILLIAMS, Mary Wilhelmine. Dom Pedro the Magnanimous – the second emperor of Brazil. Oxon, Inglaterra: Frank Cass & Company Limited, 1966.

Outras fontes:

Artigo de Fabiana Rodrigues Dias: Polifonia e consenso nas páginas da Revista do IHGB: a questão da mão de obra no processo de consolidação na nação, na revista História da Historiografia, de setembro de 2010.

Artigo de Mauro Costa da Silva e Ildeu de Castro Moreira: A introdução da telegrafia elétrica no Brasil (1852-1870), publicado na Revista da SBHC, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 47-62, jan | jul 2007

Site da Câmara dos Deputados

Site do Ministério das Relações Exteriores

Site da MultiRio

Tese de doutorado de Lygia Segalla: Victor Frond – Luzes sobre um Brasil pitoresco, 2007.

Dia da Bandeira do Brasil

A Brasiliana Fotográfica homenageia a bandeira nacional com uma imagem produzida pelo fotógrafo Aristógiton Malta (1904-1954) da comemoração do cinquentenário do Dia da Bandeira, ocorrida em 19 de novembro de 1939. A fotografia é de um aspecto da celebração da efeméride com a presença do presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954), no campo do Russell (Correio da Manhã, 21 de novembro de 1939). Aristógiton Malta era filho do importante cronista fotográfico do Rio de Janeiro da primeira metade do século XX, Augusto Malta (1864 – 1953), que foi fotógrafo da prefeitura da cidade, entre 1903 e 1936. Aristógiton começou a trabalhar como seu assistente, em 1925, e, em 25 de agosto de 1936, quando seu pai se aposentou, o substituiu. A fotografia destacada pertence ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, acervo integrante do portal Brasiliana Fotográfica.

O portal identificou na imagem o ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1883 – 1974), o ministro da Marinha, Aristides Guilhem (1875 – 1949), ambos fardados, estando o primeiro de gravata e segurando o cap. Logo à esquerda e atrás do presidente Getúlio Vargas, com um lenço na lapela, está, de óculos, o ministro da Educação, Gustavo Capanema (1900 – 1985). O outro ministro usando óculos, alinhado com Getúlio, é Francisco Luís da Silva Campos (1891 – 1968), da Justiça e dos Negócios Interiores.