As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913

Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, médicos do Instituto Oswaldo Cruz realizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva e Belisário Penna percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. João Pedro de Albuquerque e José Gomes de Faria dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí. Por sua vez, Adolpho Lutz e Astrogildo Machado desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913. A partir dessas expedições científicas, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro”. A jornalista Cristiane d´Avila, do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, uma das parceiras do portal, conta um pouco dessa história.

 

As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913

Cristiane d’Avila*

 

 

Em O mapa fantasma, o norte-americano Steven Johnson (1968 -) sabiamente elege como abre-alas de seu thriller científico sobre a epopeia inglesa para debelar o cólera, na Londres vitoriana do século 19, o pintor e poeta alemão nascido na Suíça, Paul Klee (1879 – 1940), e o filósofo alemão Walter Benjamin (1892 – 1940). Destaca Johnson que Benjamin, ao interpretar o quadro de Klee, Angelus Novus, deduz, em insight genial, que o anjo novo (redenominado O Anjo da História), sabedor da força do progresso que irremediavelmente o tragaria, mira o passado, voltando as costas ao futuro.

A resistência do anjo de Klee à força do sopro da “tempestade” do progresso, sugere o futuro como ruptura inexorável com o passado. Não muito longe do universo de Klee e Benjamin, que vivenciaram os horrores da Primeira Guerra Mundial e anteviam as ameaças que acarretariam o conflito bélico subsequente, no Brasil travava-se um outro tipo de guerra, dessa feita contra micróbios e bactérias que aniquilavam as chances de o país superar seu malfadado “atraso”.

 

Acessando o link para as fotografias das expedições do Instituto Oswaldo Cruz  selecionadas para esse artigo e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 

 

Naquele início de século, a construção nacional nos moldes europeus mirava ideais civilizadores em todas as esferas da vida social. Em processo de urbanização e industrialização, principalmente no Sudeste, o país voltava-se inquieto e intrigado para seu imenso interior, buscando na pesquisa científica a chave para compreender os obstáculos colocados ao progresso por um território até então invisível.

 

 

Embora conceitualmente divergentes, as perspectivas sobre a realidade nacional cruzavam-se em um ponto de interseção: era preciso superar o “atraso”, considerado fruto de determinações socioeconômicas, históricas, políticas, climáticas, raciais e geográficas, por meio de estratégias que permitissem integrar o Brasil ao mundo moderno. Todas, ainda que se apoiassem em discursos antagônicos, não deixavam de buscar soluções para o desconforto, o sentimento de inadequação que a nossa realidade provocava nas elites nacionais. Como afirma Roberto Schwarz, essa experiência “pode ser e foi interpretada de muitas maneiras, por românticos, naturalistas, modernistas, esquerda, direita, cosmopolitas, nacionalistas etc., o que faz supor que corresponda a um problema durável e de fundo” (2005, p.109).

Campanhas de saúde foram realizadas por sanitaristas no interior do país a fim de erradicar doenças que mortificavam milhares de brasileiros, como a malária e a febre amarela. A partir das expedições científicas empreendidas por médicos do Instituto Oswaldo Cruz, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro” (OLIVEIRA, 1990, P.145).

Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, esses médicos protagonizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva e Belisário Penna percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. João Pedro de Albuquerque e José Gomes de Faria dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí.

Por sua vez, Adolpho Lutz e Astrogildo Machado desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913.

“As expedições desse triênio foram demoradas e percorreram extensas áreas onde as investigações científicas predominaram sobre as preocupações médico-sanitárias de curto prazo. Estas expedições produziram, através dos relatórios de viagem e de intenso uso da fotografia, um minucioso registro das condições de vida da população interiorana, seus hábitos, suas técnicas, sua mentalidade, associando às questões sanitárias os aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais das regiões percorridas”, escreveram os organizadores do livro A ciência a caminho da roça (1992, p.7). Algumas fotografias dessas expedições podem ser aqui observadas.

Linha do tempo das expedições realizadas entre 1910 e 1913 (Fonte: www.fiocruz.br/ioc), com o objetivo de conhecer e mapear o quadro nosológico de regiões brasileiras para aumentar seu potencial produtivo, visando a sua modernização:

1910: Oswaldo Cruz e Belisário Penna seguem para a Amazônia, em ação de controle da malária para a Madeira-Mamoré Railway Company.

1912 (abril a outubro): Arthur Neiva e Belisário Penna percorrem Piauí, Pernambuco, Bahia e Goiás, para o reconhecimento topográfico e o levantamento sanitário das regiões secas, por requisição da Inspetoria de Obras Contra as Secas, órgão do Ministério dos Negócios da Indústria, Viação e Obras Públicas. Estão incluídos estudos da fauna, flora, geografia, condições de vida e história das localidades.

1912-1913: Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque partem em expedição para avaliar as condições sanitárias e de vida dos principais centros de produção da borracha através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco, em expedição requisitada pela Superintendência da Defesa da Borracha.

 

 

 

*Cristiane d’Avila  é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz

 

Fontes:

 

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. CASA DE OSWALDO CRUZ. A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 d 1913. Rio de Janeiro: Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz, 1992.

JOHNSON, Steven. O mapa fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

LIMA, Nísia Trindade. “Missões civilizatórias da República e interpretação do Brasil” Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 5, supl. p. 163-193, Julho 1998. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59701998000400010&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 08 Jan. 2019.

OLIVEIRA, Lúcia Lippi. A questão nacional na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1990.

SCHWARZ, Roberto. “Nacional por subtração”. In: Cultura e política. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

 

Para saber mais sobre as expedições do Instituto Oswaldo Cruz, acesse o artigo Manguinhos e os sertões, publicado em 9 de outubro de 2017, na Brasiliana Fotográfica.

 

João Pedro ou João Pedroso?

A Brasiliana Fotográfica publica o artigo “João Pedro ou João Pedroso?”, dos pesquisadores Ricardo Augusto dos Santos e Francisco dos Santos Lourenço, ambos da Fiocruz, instituição parceira do portal. O artigo evidencia a importância das pesquisas realizadas a partir de fotografias. É sobre a identificação correta de dois cientistas, João Pedroso Barreto de Albuquerque (1869 – 1936) e João Pedro de Albuquerque (1874 – 1934), possível a partir da observação de um erro em legendas fotográficas feita pelo pesquisador Francisco Lourenço durante a montagem da exposição permanente de fotografias no 6° andar do prédio que o Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz ocupa. A investigação feita pelos dois autores desse artigo descobriu que esses dois importantes personagens da história da saúde pública brasileira foram constantemente objeto de confusão. “Mesmo na época em que eles viveram, seus nomes e biografias eram substituídos e trocados. Até em documentos oficiais. Inúmeros textos acadêmicos produzidos durante décadas citaram um deles, quando na verdade, era o outro que havia atuado. Ou também aconteceu um amálgama”.

João Pedro ou João Pedroso?

Ricardo Augusto dos Santos & Francisco dos Santos Lourenço*

Durante a montagem da exposição permanente de fotografias no 6° andar do prédio que o Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz ocupa, o pesquisador Francisco Lourenço observou que havia um equívoco nas legendas. Notou que o nome de um dos médicos que acompanharam Carlos Chagas na expedição científica a serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, entre 1912 e 1913, estava errado. Daí em diante, resolvemos investigar. Surpreendidos, descobrimos que dois importantes personagens da história da saúde pública brasileira foram constantemente objeto de confusão. Mesmo na época em que eles viveram, seus nomes e biografias eram substituídos e trocados. Até em documentos oficiais. Inúmeros textos acadêmicos produzidos durante décadas citaram um deles, quando na verdade, era o outro que havia atuado. Ou também aconteceu um amálgama. Nomes e fatos eram combinados numa única trajetória!

 

trecho

Trecho retirado do livro “A Escola de Manguinhos” de Olympio da Fonseca Filho, 1974.

 

Quem eram esses homens? João Pedroso Barreto de Albuquerque e João Pedro de Albuquerque. Fortes, altos, usando fartos bigodes, esses médicos tiveram suas vidas ligadas ao projeto de saneamento do Rio de Janeiro e do Brasil. Portanto, possuindo nomes semelhantes, não é inusitado o erro contínuo. Vamos detalhar estas trajetórias.

Acessando o link para as fotografias de João Pedroso Barreto de Albuquerque e João Pedro de Albuquerque disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Filho de João Pedroso Barreto de Albuquerque e de Anna Maciel Pedroso de Albuquerque, João Pedroso Barreto de Albuquerque nasceu a 11 de maio de 1869, no Rio de Janeiro, falecendo em 20 de janeiro de 1936. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentou como trabalho final a tese “Resecção do maxilar superior – indicações e processos operatórios”, em 1892. Foi secretário da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), sendo escolhido pelo cientista e amigo Oswaldo Cruz em 1903, após Oswaldo não ter aceitado a nomeação de Afrânio Peixoto para o posto. Por opção de Carlos Chagas, exerceria o mesmo cargo a partir de 1920, quando da criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), do qual Chagas foi seu primeiro diretor. Entre os momentos mais importantes da sua trajetória, Pedroso participou da viagem aos portos nacionais com Oswaldo Cruz (1905), da expedição científica com Carlos Chagas ao Amazonas e Acre (1912), e chefiou a Comissão de Profilaxia da Febre Amarela em Belém (1910).

Por sua vez, cinco anos mais novo, João Pedro de Albuquerque nasceu em 1874, falecendo em 7 de junho de 1934, no Rio de Janeiro. Também se formou pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, quando defendeu a tese “Da paralisia geral dos alienados: seu histórico e suas causa” em 1896. Participou do Serviço de Profilaxia Específica da Febre Amarela no Rio de Janeiro (1905), da expedição científica aos estados do Ceará e Piauí (1912) e da Comissão de Profilaxia da Febre Amarela em Belém (1910). Ainda exerceu a direção do Serviço Marítimo e Fluvial nas décadas de 1920 e 1930.

 

 

A trajetória de ambos esteve estritamente relacionada aos feitos de Oswaldo Cruz no campo da saúde pública nacional. Desde que assumira a direção da DGSP, este, por exemplo, tinha conhecimento das péssimas condições sanitárias dos portos do Brasil. Assim, em 27 de setembro de 1905, Oswaldo e João Pedroso embarcaram no navio República, equipado com um pequeno laboratório, em direção aos portos do Norte. Oswaldo e Pedroso realizaram esta viagem de inspeção passando por Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará. Visitaram os portos de Vitória, Caravelas, Santa Cruz, Porto Seguro, Salvador, Penedo, Aracajú; Maceió, Tamandaré, Recife, Cabedelo, João Pessoa, Natal, Areia Branca, Macau, Fortaleza, Camorim, Amarração, Belém, Óbidos e Santarém. Em janeiro de 1906 iniciaram uma missão, agora pelos portos do Sul: Santos (São Paulo), Paranaguá (Paraná), São Francisco (Santa Catarina) e Rio Grande (Rio Grande do Sul).

Em 1910, vamos encontrar Oswaldo Cruz, Pedroso e Pedro juntos. Nesta ocasião, Oswaldo estava novamente em viagem, para trabalhar numa consultoria sobre a profilaxia da malária, que matava, segundo dizia-se, um operário para cada dormente assentado na construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Durante o mês em que permaneceram em Porto Velho, Oswaldo Cruz e outro personagem importante, Belisário Penna, estudaram as condições sanitárias da região e propuseram um plano de combate à malária que prescrevia o uso diário, compulsório, de quinina pelos trabalhadores, sob pena de não receberem os salários caso não tomassem suas doses. O plano foi posto em prática pela empresa norte-americana ainda com a presença de Cruz e Penna. Após várias tentativas frustradas de construção da ferrovia, ela foi abandonada.

 

 

Antes de retornar ao Rio de Janeiro, na passagem por Belém, Oswaldo Cruz foi contratado pelo governo do Pará para combater a febre amarela na cidade. Implantou a Comissão de Combate à Febre Amarela na capital paraense, no mesmo ano. Convocou vários médicos para a empreitada, entre as quais o próprio Penna. Apesar da crise do ciclo da borracha, que se iniciava, a comissão teve apoio orçamentário do governo do Pará, e ainda em 1910 foi registrado o último caso de febre amarela na capital. Cruz convocou vários médicos para a empreitada, tanto do Rio de Janeiro quanto da própria localidade. Entre eles estavam João Pedroso, João Pedro, Francisco Ottoni Maurício de Abreu, Belisário Penna, Augusto Serafim de Souza, Leocádio Rodrigues Chaves, Caetano da Rocha Cerqueira, Abel Tavares de Lacerda, Ângelo Moreira da Costa Lima e Emygdio José de Mattos. Retornando ao Rio de Janeiro, Cruz indica Pedroso para coordenar os trabalhos.

 

 

Pedro e Pedroso também participaram das Expedições Científicas do Instituto Oswaldo Cruz, entre 1911 e 1913, pelo Instituto Oswaldo Cruz. As cinco viagens científicas realizadas pelo instituto percorreram grandes áreas do país. Essas missões produziram, através de diários, relatórios e fotografias um sólido inventário das condições e modos de vida das regiões visitadas. Em duas dessas missões, nossos personagens estiveram presentes. É neste momento que surgem as principais dúvidas sobre os médicos.

Constantemente, veremos João Pedro de Albuquerque aparecer como participante da viagem de estudos a região amazônica. Na verdade, João Pedro, de março a julho de 1912, em companhia de José Gomes de Faria, atravessou os estados do Ceará e Piauí. Esta expedição percorreu um longo trajeto, que incluiu mais de 20 localidades. E o Pedroso? Entre outubro de 1912 e março de 1913, juntamente com Carlos Chagas e Antônio Pacheco Leão, João Pedroso Barreto de Albuquerque percorreu as bacias hidrográficas do Amazonas e Acre.

Em pelo menos mais uma oportunidade, Pedro e Pedroso estiveram juntos. Na Liga Pró-Saneamento do Brasil, criada por Belisário Penna em 1918, o primeiro foi o 2° vice-presidente e o segundo exerceu o cargo de 3° vice-presidente.

*Ricardo Augusto dos Santos é pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz e Francisco dos Santos Lourenço é pesquisador do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.

 

 

Manguinhos e os sertões

A Brasiliana Fotográfica traz a seus leitores fotografias relativas ao tema Manguinhos e os sertões, do acervo de um dos parceiros do portal, a Casa de Oswado Cruz/Fiocruz. Manguinhos é o bairro onde se situa a instituição. As imagens correspondentes às viagens – produzidas por fotógrafos especialmente contratados para tais missões – registram a associação do Instituto Oswaldo Cruz aos esforços governamentais de interiorização do Estado brasileiro nas primeiras décadas do século XX. Cobrindo as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, as imagens construíram um inventário pioneiro do interior do Brasil.

As cinco expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz foram:

1911 – Expedição aos Vales dos Rios São Francisco e Tocantins

Entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, o médico e pesquisador Astrogildo Machado (1885 – 1945) e o farmacêutico Antônio Martins forneceram suporte médico aos engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, que tinham por missão estabelecer o traçado definitivo da linha ferroviária que, partindo de Pirapora, no noroeste mineiro, deveria chegar até Belém do Pará. Percorreram os vales do São Francisco e do Tocantins e, após alcançarem a capital paraense, retornaram ao Rio de Janeiro por via marítima.

 

 

1912-  Expedições ao Nordeste e Centro-Oeste

Ocorreram nesse ano três viagens de cientistas do Instituto, patrocinadas pela Inspetoria de Obras contra as Secas, para realizar pesquisas sobre a geografia, fauna, flora e as condições sanitárias da região. Arthur Neiva (1885 – 1945) e Belisário Penna (1868-1939) percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul, enquanto João Pedro de Albuquerque (c. 1874 – 1934) e José Gomes de Faria (1887 – 1962). Seguiram para o Ceará e para o norte do Piauí.  A terceira expedição, conduzida por Astrogildo Machado (1885 – 1945) e Adolpho Lutz (1855 – 1940), atravessou o trajeto de Pirapora até Juazeiro, a bordo de uma gaiola pelo rio São Francisco.

 

 

1912/1913 – Expedição à Região Amazônica

Carlos Chagas (1879 – 1934), Pacheco Leão (1872 – 1931) e João Pedroso Barreto de Albuquerque (18? – 1936) realizaram a última grande expedição do período, a serviço da Superintendência da Defesa da Borracha. Percorreram parte da Bacia Amazônica, em especial o trecho acima de Manaus.

 

 

Acessando o link para as fotografias das expedições realizadas pelo do Instituto Oswaldo Cruz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

As fotografias e negativos remanescentes dessas expedições, com aproximadamente 1700 itens, foram produzidos por câmeras grandes, pesadas, que utilizavam negativos de gelatina seca sobre base de vidro no formato 13 x 18 centímetros. Sobre os fotógrafos conhecemos apenas dois, José Teixeira, que acompanhou a expedição chefiada por Arthur Neiva (1885 – 1945) e Belisário Penna (1868-1939), e João Stamato (1886 – 1951), cinegrafista do Rio de Janeiro na década de 1910, que documentou a expedição de Pirapora (MG) e a Belém (PA), em 1911.