Inauguração da estátua equestre de dom Pedro I

A estátua equestre de dom Pedro I (1798 – 1834), primeira escultura pública do Brasil, foi inaugurada na praça da Constituição, atual praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, em 30 de março de 1862 (Diário do Rio de Janeiro, 31 de março de 1862), e uma grande festa cívica aconteceu na cidade para celebrar o evento. A inauguração estava programada para se realizar no dia 25 de março, data da ratificação da constituição brasileira de 1824, mas fortes chuvas adiaram o evento para o dia 30 de março (Diário do Rio de Janeiro, 26 de março e 31 de março de 1862). O monumento foi colocado de frente para a rua da Imperatriz em direção a então sede da Academia Imperial de Belas Artes. Do outro lado, a rua Sete de Setembro levava até a praça da estátua, estabelecendo a ligação com a sede do governo, que ficava no largo do Paço.

A ideia do projeto de construção de uma estátua em homenagem a dom Pedro I havia surgido, por iniciativa da Câmara Municipal, em 1825, 38 anos antes da inauguração do monumento. A Brasiliana Fotográfica lembra a efeméride com a publicação de três fotografias da estátua: uma de Augusto Stahl (1828 – 1877), uma de Manoel Banchiere, que nessa época possuía um estabelecimento fotográfico na rua do Hospício, 104, e uma de Micheles. Na estátua, esculpida pelo francês Louis Rochet (1813 – 1878), que foi agraciado com a comenda Ordem de Cristo (Diário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1862, na primeira coluna), dom Pedro I está proclamando a Independência do Brasil com o Manifesto às Nações na mão. No monumento, as principais datas da vida do homenageado estão inscritas no gradil: 12 de outubro de 1798 (nascimento) – 6 de novembro de 1817 (casamento com dona Leopoldina) – 9 de janeiro de 1822 (Dia do Fico) – 13 de maio de 1822 (tornou-se Defensor Perpétuo do Brasil) – 12 de outubro de 1822 (aclamação como imperador do Brasil) – 1 de dezembro de 1822 (coroação) – 25 de março de 1824 (ratificação da primeira Constituição brasileira) – 17 de outubro de 1829 (casamento com dona Amélia). No pedestal, há imagens de animais e índios em alegorias dos rios nacionais e brasões das vintes províncias imperiais. Abaixo da estátua está escrito “D. Pedro I, gratidão dos brasileiros”.

Acessando o link para as fotografias da estátua equestre de dom Pedro I disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A Câmara Municipal, centro político do movimento de independência no Brasil, lançou o projeto da construção de uma estátua equestre de dom Pedro I, em 1825 (Diário do Rio de Janeiro11 de maio14 de julho17 de outubro8 de novembro  e 9 de novembro de 1925; O Despertador Constitucional, 24 de maio de 1825) .

No dia 13 de maio de 1825, foi solicitada a dom Pedro I permissão para levá-la a efeito:

“Senhor – O Senado da Câmara desta muito leal e heroica cidade do Rio de Janeiro, tendo sido até aqui fiel intérprete dos sentimentos da nação brasileira e executor dos seus desejos em todas as épocas memoráveis da sua feliz emancipação, sondando atualmente a opinião pública, tem penetrado ser sua vontade que a muito leal e poderosa pessoa de V. M. I. se inaugurasse um monumento público que, fazendo recordar a presente e futuras gerações à memória dos altos feitos de V. M., possa ao mesmo tempo servir de eterno padrão da sua sensibilidade e de sua gratidão.

Neste sentir, pois, Senhor, o Senado da Câmara se apressa a rogar a V. M. I. queira benigno permitir-lhe a faculdade de poder dar o primeiro passo para tão augusta e magnânima empresa, lisonjeando-se de a pedir neste feliz aniversário já tão memorável nos fastos da nação.

Digne-se, pois, V. M., acolhendo benignamente a súplica do Senado desta cidade, anuir aos ardentes desejos dele, do povo por quem representa e, sem receio de errar, se pode dizer de todo o povo do Império. – O presidente, Lúcio Soares Teixeira de Gouveia. – Os vereadores, Manuel Frazão de Sousa Rondon, Antônio Gomes de Brito, Lourenço Antônio do Rego. – Procurador interino, José Agostinho Barbosa.”

O Imperador respondeu:

“Acato a lembrança do Senado e agradeço”.

O pintor Jean-Baptiste Debret (1768 – 1848) e o arquiteto Grandjean de Montigny (1776 – 1850), membros da Missão Francesa que havia chegado no Rio de Janeiro em 1816, faziam parte da comissão formada para encarregar-se do plano da estátua equestre. Os artistas e irmãos franceses Zeferino (1797 – 1851) e Marcos Ferrez (1788 – 1850) fizeram parte da lista de subscritos para a construção da estátua do imperador (Diário do Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1825). O homenageado autorizou o projeto e o Campo de Santana, onde ele havia sido aclamado, em 1822, foi escolhido para abrigar o monumento. Porém, a situação política que levou à abdicação do monarca, em 1831 (Aurora Fluminense, de 11 de abril de 1831), deu fim ao empreendimento, para o qual Grandjean de Montigny (1776 – 1850) já havia preparado dois projetos.

No fim da década, em 1839, houve uma reunião na casa de Francisco Vilela Barbosa, o marquês de Paranaguá (1769 – 1946), quando formou-se uma comissão para a retomada do projeto da estátua equestre. Além do anfitrião, faziam parte da comissão Paulo José de Mello (1779 – 1848), José Antonio Lisboa (1777 – 1850), Cornélio Ferreira (1802 – 1878), Maciel Monteiro (1804 – 1868) e Manoel Manoel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879). Este último proferiu um discurso, em 23 de abril de 1839, sobre a necessidade de construir-se uma estátua em homenagem a dom Pedro I e para esse fim continuar a subscrição para o projeto e arrecadar o produto da antiga, que estaria depositado no Tesouro Nacional.  Foi encaminhada à regência uma petição com esse objetivo. O senador Bernardo Pereira de Vasconcellos (1795 – 1850) nomeou José Antonio Lisboa (1777 – 1850) presidente da comissão, mas, devido às circunstâncias políticas, após uma viagem à Europa, Lisboa adiou as providências para o desenvolvimento do projeto.

Em 1840, um leitor do Diário de Rio de Janeiro, que se identificou como Um do povo, enviou uma carta ao jornal cobrando a realização da estátua (Diário do Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1840, na primeira coluna). Outro, que se identificou como O Curioso, perguntava para onde havia ido o produto da subscrição aberta nesta corte e em melhores tempos para a a estátua equestre do FUNDADOR DO IMPÉRIO, o sr. Dom Pedro 1º (Diário do Rio de Janeiro, 29 de julho de 1842, na primeira coluna). Em 1844, Porto Alegre conversou com o senador José Clemente (1787 – 1854) que revelou o desejo de retomar o plano de construção da estátua. Para isso, pediu toda a documentação e também encomendou um desenho a Porto Alegre. Mais uma vez as circunstâncias políticas desviaram a atenção ao projeto. Em 1846, um leitor, Um brasileiro de 1822, felicitava o sr. Dias da Motta por ter feito uma proposta à Câmara de Deputados, uma moção pedindo a execução do monumento (Diário do Rio de Janeiro, 28 de julho de 1846, na primeira coluna).

Finalmente, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro deliberou, em sessão extraordinária de 7 de setembro de 1854, sob a presidência de Francisco Lopes da Cunha (? – 1874) e por proposta de Roberto Jorge Hadock Lobo (1817 – 1869), a retomada da intenção da construção da estátua e foi aberta uma subscrição pública para esse fim (Diário do Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1854, na penúltima coluna e 24 de outubro de 1854, na primeira coluna). Em 24 de setembro de 1854, aconteceu a primeira sessão da comissão nomeada pela Câmara Municipal para a construção da estátua equestre de dom Pedro I, na casa do conselheiro Eusébio de Queiroz Coutinho Mattoso Câmara (1812 -1868), presidente da comissão – ele passou para a história como o autor da Lei Eusébio de Queiroz, que reprimia o tráfico de escravos, e do Código Comercial, ambos de 1850. Faziam parte da comissão o Barão do Bonfim (1790 – 1873), Manoel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879), João Antonio de Miranda (1805 – 1861), Polydoro Jordão (1802 – 1879), João Affonso Lima Nogueira, Joaquim Norberto de Souza e Silva (1820-1891) e Roberto Jorge Hadock Lobo (1817 – 1869). Foi divulgada a convocação de artistas nacionais e estrangeiros a apresentarem em concurso um pensamento para a execução de uma estátua equestre em bronze (Diário do Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1854, na terceira coluna). No mesmo ano, 1854, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro passou a apoiar a iniciativa e foi justamente Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879), um de seus membros e também professor da Academia Imperial de Belas Artes, quem defendeu, no jornal O Guanabara, a opção pela estátua equestre associada ao gesto que traduz o ato da Independência.

Em 2 de janeiro de 1855, foi enviada a proposta do artista francês Louis Rouchet (1813 – 1878) ao presidente da comissão, Eusébio de Queiroz Coutinho Mattoso Câmara (1812 -1868) (Diário do Rio de Janeiro, 19 de junho de 1855, na quarta coluna). Foi realizada, na Academia de Belas Artes, a entrega dos projetos para a escolha do escultor da estátua (Diário do Rio de Janeiro, 11 de março de 1855, na segunda coluna). De 27 de junho a 11 de julho de 1855, os desenhos e projetos apresentados para a escultura ficaram expostos na Academia (Diário do Rio de Janeiro, 27 de junho de 1855, na quinta coluna). Uma coluna foi dedicada à crítica aos projetos, e, segundo a crítica, nenhum deles era satisfatório (Diário de Rio de Janeiro, 4 de julho de 1855, na primeira coluna). Três dos 35 inscritos para o projeto da escultura foram premiados e o professor substituto de Pintura Histórica da Academia Imperial das Belas Artes, o brasileiro João Maximiano Mafra (1823 – 1908), ficou em primeiro lugar. O artista alemão Ludwig Georg Bappo (Luiz Jorge Bappo), em segundo, e o francês Louis Rochet (1813 – 1878), em terceiro. Estavam subscritos com os pseudônimos de “Independência ou Morte”, “Dem berten strebe nack” e “Vivere arbitratu suo”, respectivamente. Na ocasião não ficou decidido o artista que executaria o monumento (Diário do Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1855, na segunda coluna e Jornal do Commercio, 2 de setembro de 1856, na sexta coluna). Porém, em artigo de Porto Alegre, na segunda edição da Revista Popular de 1859, ele afirmava que Rochet havia ficado em primeiro lugar no concurso e João Maximiano Mafra em segundo. De acordo com o historiador Paulo Knauss, foi devido a dificuldades técnicas para a confecção da obra no Brasil que coube ao francês Louis Rochet (1813 – 1878) a tarefa de desenvolver em seu ateliê parisiense o projeto de Mafra reorganizado por ele (Diário do Rio de Janeiro, 21 de abril de 1856, na terceira coluna).

 

 

Em 12 de outubro de 1855, data de aniversário de dom Pedro I, aconteceu a primeira cerimônia pública dos trabalhos no monumento. O malhete que bateu a primeira estaca foi guardado no Instituto Histórico Geográfico Brasileiro (Diário do Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1855, na quarta coluna e Jornal do Commercio, 13 de outubro de 1855, na segunda coluna). Cerca de um ano depois, dom Pedro II foi à Academia de Belas Artes para ser apresentado aos riscos e modelos da estátua equestre de seu pai (Diário do Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1856, na primeira coluna).

Em 8 de julho de 1856, o escultor Louis Rochet chegou ao Brasil (Correio Mercantil, 9 de julho de 1856, na segunda coluna). Retornou à Europa em 29 de outubro de 1856 (Diário do Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1956, na terceira coluna). Em 19 de outubro de 1861, a bordo do navio Reine du Monde, vindo do Havre, na França, chegaram ao Rio a estátua equestre e o pedestal do monumento (Diário de Pernambuco, 21 de outubro de 1861, na última coluna). Rochet voltou ao Brasil, a bordo do navio francês Bearn, em 17 de novembro de 1861 (Courrier du Brésil, 24 de novembro de 1861, na primeira coluna) para fazer o levantamento do monumento. Sua pedra fundamental foi lançada em 1º de janeiro de 1862 (Diário do Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1862, na primeira coluna).

Como já mencionado, a inauguração estava programada para acontecer no dia 25 de março, mas fortes chuvas adiaram o evento para o dia 30 de março (Diário do Rio de Janeiro, 26 de março e 31 de março de 1862). Rochet partiu do Rio de Janeiro em abril de 1862 (Diário do Rio de Janeiro, 25 de abril de 1862, na segunda coluna). A estátua foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural em 26 de setembro de 1978.

Um pequeno histórico do monumento foi publicado no Diário de Notícias de 5 de setembro de 1943. Há uma história curiosa sobre as imagens dos índios que estão nas laterais do monumento. Durante algum tempo, acreditou-se que eram obras do célebre escultor francês Auguste Rodin (1840 – 1917), mas, segundo a biografia de Louis Rochet, escrita por seu sobrinho, André Rochet, a informação de que Rodin teria trabalhado no ateliê do do tio surgiu no Brasil, de uma “opinião puramente pessoal” formulada pelo colecionador Djalma Hermes da Fonseca (Época, 27 de outubro de 2016).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

KNAUSS, Paulo. A festa da imagem: a afirmação da escultura pública no Brasil do século XIX. 19&20, Rio de Janeiro, v.V, n.4, out/dez. 2010.

KNAUSS, Paulo. Às margens do pedestal. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, julho de 2016.

RIBEIRO, Maria Eurydice de Barros. “Memória em Bronze: A estátua equestre de D. Pedro I”. In: Knauss, Paulo (org.). Cidade Vaidosa. Imagens Urbanas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Sete Letras, 1999.

Site do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural

Site do Palácio Nacional de Queluz

A Brasiliana Fotográfica fez também uma extensa pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

O prefeito Pereira Passos (1836 – 1913) e o fotógrafo Augusto Malta (1864 -1957)

Foi na gestão do engenheiro Francisco Pereira Passos como prefeito do Rio de Janeiro que, pela primeira vez, a prefeitura contratou um fotógrafo, o alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), para documentar as obras da cidade. Na imagem abaixo, do ateliê de Malta, há um retrato de Pereira Passos, um senhor de cabelo, barba e bigode brancos, na parede à esquerda do fotógrafo.

 

 

Em 30 de dezembro de 1902, por decreto, Francisco Pereira Passos (29 de agosto de 1836 – 2 de março de 1913) foi nomeado prefeito do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, pelo presidente Rodrigues Alves (1848 – 1919) e assumiu no mesmo dia (Gazeta de Notícias, 31 de dezembro de 1902, na sexta coluna), sucedendo Carlos Leite Ribeiro (1858 – 1945). Ocupou o cargo até 16 de novembro de 1906, quando foi sucedido por Francisco Marcelino de Sousa Aguiar (1855 – 1935) (O Paiz, 17 de novembro de 1906, na sexta coluna). Durante seu mandato, o prefeito Passos realizou uma significativa reforma urbana na cidade. Para saneá-la e modernizá-la realizou diversas demolições, conhecidas popularmente como a política do “bota-abaixo”, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da Belle Époque. 

“O ex-prefeito imortal, rompendo todos os embaraços da chamada tradição e surdo às ameaças da rotina, conseguiu no seu governo essa coisa estupenda: fez o carioca mudar-se de uma velha cidade tortuosa e colonial para uma opulenta e encantadora capital sem que esse arredasse o pé do Rio de Janeiro” (Correio da Manhã, de 3 de março de 1913).

 

 

Alguns meses após a nomeação de Pereira Passos como prefeito, o alagoano Augusto Malta (1864 – 1957), foi contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em junho de 1903, como fotógrafo oficial, cargo criado para ele e que ocupou até 1936. Pereira Passos precisava de um fotógrafo para registrar as obras e os imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações e Malta passou a documentar a radical mudança urbanística promovida por ele. Sobre sua contratação, Malta declarou na entrevista “Malta – o que fotografou Passos e Rio Branco”, feita por Raymundo de Athayde e publicada pela Revista da Semana, edição de Natal de 16 de dezembro de 1944:

“Confesso que sentia grande sensação quando via surgirem no papel as belas e surpreendentes imagens que o sal de prata revelava e o hipossulfito fixava a meus olhos, na câmara escura improvisada em minha casa. E vivia assim nesse ingênuo amadorismo, quando um fornecedor da Prefeitura, meu amigo (o empreiteiro Antônio Alves da Silva Júnior), levou-me para tirar fotografias das obras que então o grande Pereira Passos realizara em 1903. Na época, o Rio começava a mudar a indumentária e remoçar. Por acaso o insuperável Prefeito viu as fotografias que eu tirava por esporte e gostou. Propôs-me um emprego na Prefeitura e eu, sem relutâncias, aceitei”

Passos e Malta tornaram-se muito próximos, tendo o prefeito sido padrinho de uma das filhas do fotógrafo, Aristocléa (1903-1934).

Anos depois, os filhos de Malta, Aristógiton (1904 – 1954) e Uriel (1910 – 1994), também trabalharam como fotógrafos da prefeitura.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Augusto Malta e de seus filhos Aristógiton e Uriel disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Uma das marcas da reforma urbana realizada por Pereira Passos foi a abertura da avenida Central e da avenida Beira-Mar. Segundo a publicação virtual Coleção Estudos Cariocas, abrigada no portal de informações do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos da Secretaria Municipal de Urbanismo da Prefeitura do Rio de Janeiro, as principais obras realizadas durante a gestão do prefeito Passos foram:

 

 

“1903: inauguração do Pavilhão da Praça 15 (21/6); prolongamento da Rua do Sacramento – atual Avenida Passos, até a Rua Marechal Floriano (27/06); inauguração do Jardim do Alto da Boa Vista (11/10); início do alargamento da antiga Rua da Prainha (atual Rua do Acre);

1904: término do alargamento da antiga Rua da Prainha – atual Rua do Acre (fevereiro); demolições do Morro do Castelo (8/03); construção do aquário do Passeio Público (18/9); melhoramento da Rua 13 de Maio.

1905: início da construção do Theatro Municipal (03/01); inauguração da nova estrada de rodagem da Tijuca (4/1); alargamento e prolongamento da Rua Marechal Floriano até o Largo de Santa Rita (2/2); decreto de alargamento da Rua do Catete (28/4); alargamento e prolongamento da Rua Uruguaiana (setembro); decreto de construção da Avenida Atlântica, em Copacabana (4/11); inauguração da Avenida Central (atual Av. Rio Branco), marco da administração Pereira Passos (15/11); inauguração da Escola-Modelo Tiradentes (24/11); decreto de abertura da Rua Gomes Freire de Andrade, entre a Rua Riachuelo e a do Núncio (29/12); decreto de abertura da Avenida Maracanã (30/12).

1906: alargamento da Rua da Carioca (janeiro e fevereiro); inauguração da fonte do Jardim da Glória (24/2); inauguração da nova Fortaleza na Ilha de Lage (28/6); inauguração do palácio da exposição permanente de São Luiz (futuro Palácio do Monroe), para os trabalhos da 3ª Conferência Pan-Americana (22/7); inauguração do alargamento da Rua 7 de Setembro no trecho entre a Av. Central e 1º de Março (6/9); conclusão das obras de melhoramento do porto do Rio de Janeiro e do Canal do Mangue (9/11); inauguração das obras de melhoramento e embelezamento do Campo de São Cristóvão – jardim e escola pública (11/11); inauguração da Avenida Beira-Mar (23/11); melhoramento do Largo da Carioca; inaugurações dos quartéis do Méier, da Saúde, São Cristóvão e Botafogo; aterramento das praias do Flamengo e Botafogo, com construção de jardins; construção do Pavilhão Mourisco, em Botafogo; construção do Restaurante Mourisco, próximo à estação das barcas, no Centro; melhorias no abastecimento de água para a capital.

Além destas, merecem registro: melhoramentos da zona suburbana do DF; saneamento da cidade; arborização de diversas áreas da cidade; renovação do calçamento da cidade; e inauguração de calçamento asfáltico; alargamento da Rua Camerino; abertura da Avenida Salvador de Sá; canalização do Rio Carioca (da Praça José de Alencar ao Cosme Velho); construção da Avenida Atlântica; inauguração da Escola-Modelo Rodrigues Alves, no Catete; liberação de verbas para a construção da Biblioteca Nacional; início da construção do novo edifício da Escola Nacional de Belas Artes; início das obras do edifício do Congresso Nacional; criação do novo Mercado Municipal.

Além disso, promoveu a renovação do porto e instituiu a vacinação obrigatória, posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz (1872 – 1917), fato que desencadeou a Revolta da Vacina, em novembro de 1904, reação popular à campanha (Gazeta de Notícias, 14, 1516, 17, 18 de novembro de 1904).

Acessando o link para as fotografias de Pereira Passos e de seu cortejo fúnebre disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Em 19 de fevereiro de 1913, Pereira Passos partiu para a Europa, no navio inglês Araguaia (O Paiz, 20 de fevereiro de 1913, na terceira coluna) e faleceu a bordo, em 2 de março de 1913 (O Paiz e Correio da Manhã, 3 de março de 1913). Pereira Passos teve uma “syncope cardíaca” fulminante em seu camarote e foi assistido pelo médico Victor Godinho, que nada pode fazer. Seu esquife chegou em Lisboa, em 5 de março, foi para o Posto de Desinfecção e seguiu para o cemitério dos Prazeres (Correio da Manhã, 6 de março de 1913, na penúltima coluna).

 

Em 30 de maio de 1913, chegaram ao Rio de Janeiro, a bordo do Cap Finistere, os despojos de Pereira Passos, que foram transportados para terra no vapor D. João VI. A banda do Corpo de Bombeiros executou a marcha fúnebre de Chopin e foi grande a manifestação popular em torno da chegada da urna funerária do ex-prefeito, que, do arsenal de Marinha, foi levada para a Prefeitura (O Paiz, 31 de maio de 1913). No dia seguinte, um grande cortejo fúnebre com a participação de autoridades e da população carioca  aconteceu entre a Prefeitura e o cemitério São Francisco Xavier, onde Pereira Passos foi enterrado (O Paiz, 1º de junho de 1913).

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

BENCHIMOL, Jaime Larry. Pereira Passos: um Haussmann tropical. Rio de Janeiro, SMCTT, 1990.

DEL BRENNA, Giovanna Rosso (org.). O Rio de Janeiro de Pereira Passos: Uma cidade em questão II. Rio de Janeiro:Index, 1985

DE LOS RIOS FILHO, Adolfo Morales. Dois Notáveis Engenheiros: Pereira Passos e Vieira Souto. Rio de Janeiro: Editora A Noite, 1991.

LENZI, Maria Isabel Ribeiro. Pereira Passos: Notas de Viagens. Rio de Janeiro:Editora Sextante, 2000.

OLIVEIRA REIS, José de. O Rio de Janeiro e seus prefeitos, evolução urbanística da cidade. vol.3, Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1977.

PINHEIRO, Manoel Carlos;FIALHO JR, Renato. Pereira Passos: vida e obra in coleção Estudos Cariocas. Rio de Janeiro:IPP/Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1996.

Portal Augusto Malta do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Site do Instituto Pereira Passos

Além das fontes supracitadas, a Brasiliana Fotográfica fez uma ampla pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Uma homenagem aos 452 anos do Rio de Janeiro: o Corcovado e o Pão de Açúcar

 

A beleza e a vocação exibicionista fez do Rio de Janeiro personagem constante de muitas fotografias desde o século XIX, quando, em 1843, o abade Conte chegou à cidade trazendo um daguerreótipo (Jornal do Commercio, 17 de janeiro de 1843, na primeira coluna). Na data de aniversário de sua fundação, a Brasiliana Fotográfica presta uma homenagem à cidade maravilhosa com uma seleção de registros dos morros do Corcovado, onde fica o Cristo Redentor, e do Pão de Açúcar, onde, desde 1912, funciona o bondinho. São seus principais pontos turísticos e marcas registradas da cidade. As imagens são de autoria de Alberto Henschel (1827 – 1882), Antonio Caetano da Costa Ribeiro, Augusto Malta (1864 – 1957), Augusto Stahl(1828 – 1877), F. Antunes, Georges Leuzinger (1813 – 1892), Jorge Kfuri, José Augusto de Paiva Meira, José Baptista Barreira Vianna (1860 – 1925), Juan Gutierrez (c. 1860 – 1897), Marc Ferrez (1843 – 1923), Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886), Thiele, do aviador S.H. Holland e da firma LTM.

 

 

Acessando o link para as fotografias do Corcovado e do Pão de Açúcar disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil, o Cristo Redentor é um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo art déco do mundo. Localizado no morro do Corcovado, a 710 metros de altitude, a estátua tem 38 metros de altura e pesa 1.145 toneladas. Foi inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal (Diário de Notícias, 13 de outubro de 1931 e O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931).

 

Em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado um caminho aéreo no Rio de Janeiro, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, que se tornaria o mundialmente famoso Bondinho do Pão de Açúcar (Careta, 5 de outubro de 1912). Alguns dias antes, houve uma visita da imprensa às obras (Correio da Manhã, 10 de outubro de 1912). Em 1º de dezembro, foi inaugurada a iluminação elétrica no caminho aéreo (Jornal do Brasil, 1º de dezembro de 1912, na última coluna). O bondinho no segundo trecho, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, numa extensão de 750 metros e 396 metros de altura, começou a funcionar no dia 18 de janeiro de 1913, completando a ligação até o alto do pico do Pão de Açúcar (O Paiz, 19 de janeiro, na quarta coluna).

 

 

 

Outras publicações da Brasiliana sobre o Rio de Janeiro:

A fundação do Rio de Janeiro

Do natural ao construído: O Rio de Janeiro na fotografia de Marc Ferrez

O Rio de Janeiro de Marc Ferrez

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

O Passeio Público do Rio de Janeiro

Concorrido ponto de encontro da população carioca nos séculos XVIII e XIX e primeiro parque ajardinado do Brasil, o Passeio Público foi tema de importantes fotógrafos. A Brasiliana Fotográfica selecionou imagens do parque produzidas por Augusto Malta (1864 – 1957), Camillo Vedani (18? – 1888), Georges Leuzinger (1813 – 1892), Jorge Kfuri e Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886). Construído entre 1779 e 1783, o Passeio Público localiza-se no centro histórico do Rio de Janeiro, entre a Lapa e a Cinelândia, e foi concebido pelo mineiro Valentim da Fonseca e Silva, mais conhecido como Mestre Valentim (c. 1745 – 1813), um dos maiores artistas do período colonial brasileiro. Ele desenhou um jardim em estilo francês para o qual fez várias obras de arte, dentre elas esculturas, chafarizes e pirâmides como o Chafariz dos Jacarés ou Fonte dos Amores, duas pirâmides de granito com as inscrições À Saudade do Rio e Ao Amor do Público, e a Fonte do Menino com a escultura do menino da bica.

Acessando o link para as fotografias do Passeio Público disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

No local do Passeio Público existiu, até fins do século XVIII, a Lagoa Boqueirão da Ajuda, única que desaguava no mar e onde a população despejava seus dejetos. Por sua insalubridade, foi aterrada por ordem do vice-rei do Estado do Brasil, dom Luís Vasconcelos (1742 – 1809), que decidiu ocupar a área com um jardim público. O aterramento ocasionou a abertura das ruas do Passeio e das Belas Noites – atual rua das Marrecas. Inaugurado em 1783, já em 1786, o Passeio Público foi o cenário das grandes festas em comemoração ao casamento de dom João VI (1767 – 1826) e Carlota Joaquina (1775 – 1830).

Em 1815, o frade carmelita Frei Leandro do Sacramento (1778 – 1829), futuro diretor do Jardim Botânico (1824), começou a ministrar aulas de Botânica ao ar livre, no Passeio Público. Ao longo do século XIX, o jardim passou por algumas reformas, tendo sido a mais importante realizada pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou (1833 – 1906), que teve início em 1861, por determinação de dom Pedro II (1825 – 1891). Glaziou alterou o traçado original do Mestre Valentim e o Passeio Público foi reinaugurado na ocasião da celebração do 40º aniversário da Proclamação da Independência, em 7 de setembro de 1862 (Diário do Rio de Janeiro, 7 de setembro de 1862, na quarta coluna sob o título “O Passeio Público”).

Já no século XX, entre 1902 e 1906, na gestão do prefeito Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), o Passeio Público recebeu diversos melhoramentos e foi inaugurado o primeiro aquário de água salgada da América do Sul, em 18 de setembro de 1904 (Gazeta de Notícias, 19 de setembro de 1904, na última coluna sob o título “O Aquarium”).

Em 1920, durante a administração do prefeito Carlos Sampaio (1861 – 1930), foi demolido o belvedere do parque. Em seu lugar, foi inaugurado, em 1926, o Teatro-Cassino Beira Mar, projeto do arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920).  Na administração do prefeito Henrique Dodsworth (1895 – 1975) foram demolidos os prédios onde funcionava o Teatro-Cassino, fato abordado na matéria “O Passeio Público e as suas transformações”, publicado em 14 de outubro de 1937, no jornal A Noite. Em junho de 1938, o Passeio Público do Rio de Janeiro foi tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O Departamento Geral de Parques e Jardins da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos empreendeu uma nova reforma no Passeio Público, recuperando mil metros do parque, em 1988. Dez anos depois, em fevereiro de 1998, foi realizado um trabalho de limpeza no Passeio e, em 1999, seus gradis foram restaurados. Em 2004, passou por outra reforma, que durou cerca de um ano, e foi reinaugurado em 14 de dezembro de 2004 (Jornal do Brasil, 15 de dezembro de 2004).

Segundo o site Passeio Público do Rio de Janeiro, uma das fontes consultadas para a elaboração desse post: 

“Os 33.649 m² de área do Passeio são habitados por espécies vegetais variadas e por algumas espécies animais. O parque possui mais de 90 espécies de grande porte, como mangueiras, goiabeiras, figueiras, pitangueiras, pau-mulato, bambus, coqueiros, palmeira-areca, cacto-rabo-de-rato, bromélias, flamboyants, pés de tamarindo, baobás, gameleiras, pau-rosa, pau-ferro, pau-rei, oitizeiro, carvalho negro do Brasil, jequitibá, ipê roxo, perobeira, palmeira imperial, uma grande amendoeira e até pau-brasil. A fauna é composta por muitas aves que freqüentemente pousam nas árvores e nos jardins, como rolinhas, sabiás, bem-te-vis, saíras-amarelas, garças e beija-flores”.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

A Gruta da Imprensa

A Brasiliana Fotográfica destaca uma imagem da Gruta da Imprensa, localizada na Niemeyer, uma das mais bonitas avenidas do Rio de Janeiro. O registro foi produzido por Augusto Malta ( 1864 – 1957), fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, de 1903 a 1937, e pertence ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, uma das instituições parceiras do portal. A Gruta da Imprensa foi inaugurada pelo prefeito Carlos Sampaio (1861 – 1930), dias antes do início da viagem dos reis da Bélgica ao Brasil, em 1920, e sua denominação foi uma homenagem do prefeito à imprensa carioca (Correio da Manhã, 19 de setembro de 1920, na segunda coluna e O Globo, 10 de março de 1926, sob o título “Loucura que passou”).

“Em meio dessa avenida, a comitiva fez alto para inaugurar a “Gruta da Imprensa”, delicada homenagem do Sr. Prefeito. Trata-se de uma gigantesca laje, que da margem da avenida se aprofunda no oceano, deixando , por um capricho da natureza, larga abertura, formando gruta, de fácil acesso, onde o mar irrompe violento sem, contudo, oferecer perigo. Uma longa escadaria com balaustrada foi construída levando a gruta à entrada da qual o Sr. Carlos Sampaio fez colocar em cimento o dístico: – Gruta da Imprensa” (Jornal do Brasil, 18 de setembro de 1920, na quinta coluna).

Tornou-se, na época, um concorrido ponto turístico. Em 1926, foi cogitada a construção de um bar no local, mas os técnicos responsáveis pelas vistorias alegaram falta de segurança na região e alertaram para o iminente desaparecimento da Gruta, devido à “fácil deterioração pela ação da água” (O Globo, 10 de março de 1926, sob o título “Loucura que passou”). Contrariando as previsões de destruição, a Gruta da Imprensa continua lá, mas já não é uma área de lazer utilizada pelos cariocas. Sua presença foi de novo notada na ocasião do desabamento da Ciclovia Tim Maia, justamente na altura da Gruta da Imprensa, em 21 de abril de 2016, cerca de três meses após sua inauguração.

Durante as corridas de automóveis do Circuito da Gávea ou Trampolim do Diabo, concorrido acontecimento social e esportivo que acontecia no entorno do Morro Dois Irmãos e da Avenida Niemeyer, entre os anos 1933 e 1954, e chegava a reunir até 300 mil espectadores, alguns jornalistas esportivos acompanhavam as provas apoiados na mureta da gruta. Em 1935, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) foi presenteada pelo pintor Álvaro de Almeida com um quadro retratando a Gruta da Imprensa. Na ocasião, o gesto foi saudado pelo conselheiro da ABI, jornalista Carlos Maul: “É um quadro que tem para nós dupla valia: a de ser uma obra de beleza e a de fixar um dos mais formosos aspectos da paisagem carioca em que um governo da cidade perpetuou o nome da nossa classe. Esse quadro avivará em nosso espírito a memória do símbolo que ele exprime: a resistência heroica a todas as tempestades” (O Globo, 27 de abril de 2016).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

 

O Palácio Monroe

O Palácio Monroe, que na época de sua construção não tinha esse nome, foi a sede do pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis, também conhecida como Feira Mundial de Saint Louis, realizada entre 30 de abril e 1º de dezembro de 1904, em conjunto com os III Jogos Olímpicos da Era Moderna. Foi com uma premiação do Monroe que pela primeira vez a arquitetura brasileira recebia reconhecimento internacional. O prédio de estilo eclético, cujo projeto foi do político e engenheiro Francisco Marcelino de Souza Aguiar (1855 – 1935), que já havia projetado o Pavilhão do Brasil na Feira de Chicago, em 1893, conquistou o principal prêmio de arquitetura do evento, o Grande Prêmio Medalha de Ouro.

Acessando o link para as fotografias do Palácio Monroe disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A primeira página da edição dominical do jornal The St. Louis Republic de 10 de abril de 1904 foi dedicada à obra brasileira: “Observando, procura-se em vão uma simples falha, um ponto onde a vista sinta a aspereza de uma linha, onde uma curva, uma janela, qualquer decoração desagrade. Essa construção representa um poema”. No The Post Dispatch, de 24 de maio de 1904, lia-se: “O edifício do Brasil que vai ser hoje inaugurado é um dos mais belos da Exposição e também do mundo. Bastaria que as mesmas ideias seguidas no projeto e na construção, quanto à ordem, proporções, harmonia e, sobretudo, apropriações fossem tomadas como norma na vida de qualquer país para desenvolvê-lo, torná-lo grandioso em tudo quanto o espírito de seu povo possa conceber e as mãos humanas executar”.

Como sua estrutura era toda metálica, o prédio pode ser desmontado e remontado. Sua pedra fundamental foi lançada, no Rio de Janeiro, em novembro de 1905, com a presença de Rodrigues Alves (1848 – 1919), presidente da República, ministros e outras autoridades (Correio da Manhã, 20 de novembro de 1905, na quinta coluna, sob o título “Pavilhão de S. Luiz”). Em 1906, o Palácio do Itamaraty foi descartado para sediar o III Congresso Pan-americano, no Rio de Janeiro, e decidido que o então Pavilhão de São Luiz, futuro Palácio Monroe, abrigaria o evento (O Paiz, 27 de abril de 1906, na sétima coluna). Foram realizadas obras e ele foi erguido no fim da rua do Passeio, na avenida Central, atual Rio Branco, ponto mais nobre da capital do Brasil (O Paiz, 5 de junho de 1906, na quinta coluna). O congresso foi aberto em 23 de julho de 1906 e se prolongou-se até o dia 27 de agosto de 1906 (O Paiz, 24 de julho de 1906). Originalmente, o prédio ia se chamar Palácio São Luiz porém, durante o evento, o ministro das Relações Exteriores, o barão do Rio Branco (1845 – 1912), batizou o edifício de Palácio Monroe, uma homenagem ao presidente norte- americano James Monroe (1758 – 1831), idealizador do Pan-americanismo. O Palácio Monroe tornou-se um ícone do Rio de Janeiro e sua imagem foi estampada em porcelanas, pratos, talheres, caixas de jóias, tinteiros, cartões-postais e em papéis de carta. Também ilustrou a cédula de 200 réis emitida em 1919.

 

 

Nos anos que se seguiram ao III Congresso Pan-americano, o Palácio Monroe sediou recepções, formaturas, congressos e até velórios. Entre 1911 e 1914, foi a sede provisória do Ministério da Viação. Em 1914, passou a sediar a Câmara dos Deputados até 1922, quando, em junho, ali se instalou a Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil. Em 20 de setembro de 1920, o palácio foi palco de uma homenagem ao rei Alberto I da Bélgica (1875 – 1934), em visita oficial ao Brasil (O Paiz, 21 de setembro de 1920).

 

 

A partir de 1925, abrigou o Senado Federal, anteriormente sediado no Palácio Conde dos Arcos (Jornal do Brasil, 28 de abril de 1925O Paiz, 4 e 5 de maio de 1920). Entre 1923 e 1925, para adaptar-se às necessidades de seu novo ocupante, sofreu grandes mudanças arquitetônicas: construção de um piso intermediário e de um ao redor da cúpula e do terraço, além da instalação de elevadores e do envidraçamento de duas loggias laterais – espécie de varandas.

Durante a Revolução de 30, foi o quartel general das tropas gaúchas. Em 1945, foi provisoriamente sede do Tribunal Superior Eleitoral. Voltou a abrigar o Senado em 1946. Com a transferência da capital federal do Rio para Brasília, em 1960, o Senado seguiu para a nova capital, mas manteve o “Senadinho” no Monroe até 1975 (Jornal do Brasil, 29 de abril de 1975). Em 1961, o Monroe passou a sediar o Estado Maior das Forças Armadas.

Em julho de 1972, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) propôs ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) o tombamento do conjunto arquitetônico remanescente da antiga avenida Central, atual Rio Branco, composto pelo Obelisco, pelo Tribunal de Justiça, pela Biblioteca Nacional, pela Escola de Belas Artes, pelo Derby Clube, pelo Jóquei, pelo Clube Naval, pelo Teatro Municipal, pelo Monroe e pela Assembleia. O parecer do relator do processo, o arquiteto Paulo Santos (1904 – 1988), foi favorável à preservação. Cerca de dois meses depois, o arquiteto e urbanista Lúcio Costa (1902 – 1998) apresentou ao IPHAN, de onde era aposentado, um texto nomeado de “Problema Mal Posto”, rebatendo o parecer de Paulo Santos. Nele justificava a demolição do Monroe por uma questão de “desafogo da área”. Em fevereiro de 1973,  o conselho superior do IPHAN realizou a sessão final sobre o processo de tombamento, quando a proposta de Lúcio Costa de avaliar, em separado, os prédios foi aprovada. Não entraram no livro de tombamento o Jóquei, o Derby Clube e o Palácio Monroe.

 

 

Em 1974, foi iniciado o debate em torno da destruição do Monroe que supostamente estaria atrapalhando a obra da estação Cinelândia do metrô carioca. A polêmica tomou conta dos jornais e uma comissão do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro aprovou um parecer que recomendava ao IPHAN a preservação do prédio (Jornal do Brasil, 29 de agosto de 1974, na primeira coluna). O Clube de Engenharia também manifestou-se contra a demolição (Jornal do Brasil, 17 de janeiro, na primeira coluna e 22 de fevereiro de 1975, na terceira coluna). Em 04 de julho de 1974, o arquiteto e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Wladimir Alves de Souza (1908 – 1994), declarou que “a demolição do Palácio Monroe possibilitaria à cidade ganhar uma área ajardinada, um complemento do Passeio Público”(O Globo, 4 de julho de 1974).

Após uma intensa campanha em prol da destruição do Monroe, que contou com o apoio do jornal O Globo, a demolição do prédio foi autorizada pelo presidente da República, Ernesto Geisel (1907 – 1996), em outubro de 1975 (Jornal do Brasil, 10 de outubro de 1975, no “Informe JB” e O Globo, 11 de outubro de 1975, pág. 2). Foi iniciada logo nos primeiros dias de 1976 (Jornal do Brasil, 3 de janeiro6 de janeiro de 1976). Em junho, foi derrubada sua última parede (Jornal do Brasil, 7 de junho de 1976). Na ocasião, foi comentado que a autorização da demolição teve como um das causas uma suposta questão de rivalidade na carreira militar entre o presidente Geisel e um filho do marechal Souza Aguiar, Rafael de Souza Aguiar, sempre promovido antes de Geisel.

No lugar do Palácio Monroe, existe hoje o maior chafariz do Rio de Janeiro – com 10 metros de altura -, comprado na Áustria pelo governo imperial brasileiro, em 1878. Em homenagem ao palácio, é chamado de Chafariz do Monroe. No estilo Napoleão III,  é uma obra de Mathurin Moreau, que foi executada na fundição francesa Societé Anonyme des Hauts-Fourneaux & Fonderies du Val d’Osne.

 

Link para o filme “Arquivo S conta a história do Palácio Monroe, antiga sede do Senado”

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Avenida Central, atual Rio Branco

A Brasiliana Fotográfica fez uma seleção de imagens da avenida Central, atual avenida Rio Branco, produzidas por fotógrafos ainda não identificados, por Aristógiton Malta (1904-1954), Augusto Malta (1864 – 1957), Marc Ferrez  (1843 – 1923), João Martins Torres e pela Phototypia A. Ribeiro. Foram produzidos no início do século XX, quando surgia o Rio de Janeiro da Belle Époque. A abertura da avenida foi uma das principais marcas da reforma urbana realizada por Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), entre 1902 e 1906, período em que foi prefeito do Rio de Janeiro.

É de autoria do fotógrafo Marc Ferrez o Álbum Avenida Central: 8 de março de 1903-15 de novembro de 1906, importante registro da reforma da principal via da então capital federal, onde ele contrapôs reproduções das plantas às fotografias das fachadas de cada edifício documentado. Esse tipo de fotografia foi fundamental para a construção e para a difusão de uma nova imagem do Rio de Janeiro, uma imagem associada aos ideais de civilização e progresso.

A linha central da avenida foi inaugurada pelo presidente Rodrigues Alves (1848 – 1919), em 7 de setembro de 1904 (O Paiz, 8 de setembro de 1904, na sexta coluna, sob o título “Avenida Central” e Gazeta de Notícias, de 8 de setembro de 1904, na última coluna). No ano seguinte, 1905, sob um temporal, a avenida foi aberta oficialmente, em 15 de novembro (O Paiz, 16 de novembro de 1905, na quinta coluna, sob o título “15 de Novembro”). O engenheiro chefe de sua construção foi André Gustavo Paulo de Frontin (1860 – 1933). A avenida Central, que ligava o novo porto, onde atualmente está a Praça Mauá, à região da Glória, tornou-se logo a principal via de circulação da cidade, e também seu polo econômico e de entretenimento. Seu nome foi mudado, por decreto, em 15 de fevereiro de 1912, para avenida Rio Branco, uma homenagem ao diplomata e ministro das Relações Exteriores do Brasil, o barão de Rio Branco ( 1845 – 1912 ), que havia falecido cinco dias antes (O Paiz, 16 de fevereiro de 1912, sob o título “Barão do Rio Branco”).

Na época de sua inauguração, a avenida Central tinha 1.800 metros de extensão e 33 metros de largura. Cerca de 300 casas coloniais foram demolidas para a construção dos novos edifícios, cujas fachadas foram escolhidas por concurso. Alguns dos jurados foram o prefeito Pereira Passos, o engenheiro Paulo de Frontin, Lauro Muller (1863 – 1926), ministro da Viação e Obras Públicas; e Oswaldo Cruz (1872 – 1917), diretor-geral da Saúde Pública. Além de edifícios do governo, ergueram-se, na avenida, jornais, clubes, hotéis e sedes de empresas. O calçamento, em mosaico português, foi feito por artesãos vindos de Portugal. Alguns remanescentes da primeira geração de prédios da avenida são o Teatro Municipal, o Clube Naval, a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional de Belas Artes e o Centro Cultural da Justiça Federal.

Acessando o link para as fotografias da avenida Central disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Link para a entrevista com a arquiteta italiana Maria Pace Chiavari. Um dos temas abordado  é o Álbum Avenida Central: 8 de março de 1903-15 de novembro de 1906, de Marc Ferrez.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Revert Henrique Klumb, o fotógrafo da família real do Brasil

Um dos primeiros fotógrafos estrangeiros a se estabelecer no Brasil, o francês Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) foi o fotógrafo preferido da família imperial brasileira, tendo sido agraciado como título de “Photographo da Caza Imperial”, em 1861. Um dos pioneiros na produção comercial de imagens sobre papel fotográfico e uso de negativo de vidro em colódio no Brasil, inaugurou seu estabelecimento fotográfico em 1855 ( Correio Mercantil , de 4 de novembro de 1855, na última coluna ). Foi professor de fotografia da princesa Isabel e, provavelmente, o introdutor da técnica estereoscópica no Brasil, com a qual entre os anos de 1855 e 1862 produziu ampla documentação sobre o Rio de Janeiro.

Foi também o autor do livro Doze horas de diligência. Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, única obra do Brasil do século XIX a ser idealizada, fotografada, escrita e publicada por uma só pessoa. Também foi o primeiro livro de fotografia inteiramente litografado e produzido no país. Dois exemplares estão conservados na Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional.

Doze horas de diligência descreve o trajeto  entre Petrópolis e Juiz de Fora, realizado entre seis horas da manhã e seis horas da tarde, duração padrão do percurso nas diligências da Companhia União e Indústria. O fotógrafo dedicou o livro a sua protetora, a imperatriz Teresa Cristina (1822 – 1889): “Quando concebi o projeto de escrever esse pequeno livro, meu primeiro pensamento foi que só a VOSSA MAJESTADE me era permitido dedicar este simples ensaio descritivo de uma das mais belas estradas do Império. Sou talvez muito presunçoso ousando oferecer a Vossa Majestade a dedicatória deste opúsculo; no entanto ouso esperar que VOSSA MAJESTADE me fará a graça insigne de aceital-o, ainda que não fosse mais senão para servir ao sentimento que me inspirou. No benévolo acolhimento de VOSSA MAJESTADE – que já se dignou a fazer tanto por mim – procurarei os meios para realizar trabalhos mais importantes que tenciono fazer no futuro…”.

No prefácio, Klumb afirmou: “…Num trabalho feito a galope, não se pode esperar encontrar estilo elegante e florido, mas sim uma ligeira descrição dos lugares notáveis, atravessados por uma estrada magnífica. Essa obra não tem o merecimento senão o de ser: o primeiro guia do viajante, feito no país, guia ilustrado de desenhos copiados da fotografia …” .

São de autoria de Klumb diversas imagens da família imperial brasileira, que deixam clara sua proximidade com a realeza. No Rio de Janeiro, fotografou tanto a natureza como a paisagem urbana da cidade. Registrou edifícios e logradouros públicos, como o Passeio Público, o Jardim Botânico e a Floresta da Tijuca; monumentos, hotéis e residências, tendo sido pioneiro na realização de uma sistemática e abrangente documentação das paisagens cariocas. Registrou tanto a fábrica de gás como a ferrovia de Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá ( 1813 – 1889 ). Também fotografou a paisagem urbana de Petrópolis, acrescentando efeitos noturnos, uma importante inovação. Essa série é considerada extremamente significativa do ponto de vista estético, formal e dos limites da linguagem na época.

Link para o comentário “Os efeitos de Klumb”,  por Sérgio Burgi, curador do portal Brasiliana Fotográfica e Coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles.

 

 

 

 

Acessando o link para as fotografias de Revert Henrique Klumb disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Pequena cronobiografia de Revert Henrique Klumb

c. 1826 – Nascimento de Revert Henry Klumb, no Departamento de Seine e Oise, na França, filho de lavradores-proprietários.

1854 – Klumb chegou ao Rio de Janeiro com Affonso Rouel, trazendo uma máquina fotográfica. Eles eram, segundo consta no livro Artistas de meu tempo, de Mello Morais Filho, fugitivos do exército francês. Em algum momento de sua estadia no país, Klumb abrasileirou seu nome do meio para Henrique.

1855 – Anúncio do estabelecimento Photographia de François Rene Moreaux, Klumb e Cia, na rua do Rosário, 134 ( Diário de Rio de Janeiro, 16 de março de 1855, na segunda coluna). Klumb e Rouel se associaram a Moreaux e, segundo Melo Moraes Filho em seu livro Artistas do meu tempo, foram os primeiros a produzir fotografias sobre papel no Brasil.

Já em novembro, foi publicado um anúncio da abertura da galeria de exposição de Klumb, na rua dos Ourives, 64 , atual rua Miguel Couto ( Correio Mercantil , de 4 de novembro de 1855, na última coluna, além do anúncio).

Foi anunciado que um quadro de autoria de Manuel Araujo de Porto Alegre (1806 – 1879), diretor da Academia Imperial de Belas Artes, seria copiado em ponto pequeno na officina photographica do sr. Klumb (A Semana, 8 de dezembro de 1855).

Em anúncio do estabelecimento de Klumb, foi noticiada a presença do artista M. Muller no ateliê, responsável pelos serviços de pintura e desenho (Jornal do Commercio, 10 de julho de 1956, na sexta coluna)

1856 – Anúncio do estabelecimento fotográfico de Klumb, com aprovação do governo imperial (Gazeta Mercantil, de 6 de fevereiro de 1856, na primeira coluna).

Propaganda do estabelecimento fotográfico de Klumb, anunciando a descoberta por ele de um novo processo por meio do qual obtem-se retratos em fumo e coloridos, da mais absoluta perfeição, podendo-se entrega-los depois de um quarto de hora (Gazeta Mercantil, de 18 de julho de 1856, na quarta coluna).

Klumb anunciou a venda do retrato do marquês do Paraná (1801 – 1856), em seu leito de morte, produzido em 3 de setembro de 1856,  que serviu como base para uma litografia de Clement Bernard Louis Thérier (Jornal do Commercio, de 16 de novembro de 1856). Thérier havia chegado ao Rio de Janeiro, em fevereiro de 1853, contratado por Francisco de Paula Brito (1809 – 1861) para trabalhar na Marmota Fluminense.

1857 - Anúncio do leilão da casa de fotografia de Klumb (Jornal do Commercio, de 20 de janeiro de 1857, na última coluna).

Sob o título “Lições de Photographia”, Klumb anunciava-se como professor de fotografia na ladeira do Castello, nº 18, onde residia ( Jornal do Commercio, de 29 de janeiro de 1857,na segunda coluna).

Klumb trabalhou como empregado no estabelecimento do fotógrafo Pierre Benoit Loup, na rua dos Latoeiros, 60 ( Jornal do Commercio, de 7 de março de 1857, na quarta coluna ).

1858 – Klumb embarcou para São João da Barra ( Jornal do Commercio, de 9 de fevereiro de 1858, na terceira coluna, sob o título “Movimento do Porto” )

1859 – Klumb viajou para Campos, e foi identificado como francês ( Jornal do Commercio, de 27 de junho de 1859, na quinta coluna ).

1860 -Participou do Salão Imperial da Academia de Belas Artes, inaugurado em 23 de dezembro, expondo 15 fotografias: 6 retratos, duas vistas do dique da Ilha das Cobras, duas reproduções de estátuas em gesso, uma vista da Floresta da Tijuca, uma vista da Cascatinha da Tijuca, uma vista de uma chácara na Tijuca, uma vista de uma chácara às margens do rio Paraíba, em Campos; e um quadro contendo vistas estereocópicas e três retratos no formato carte de visite.  No catálogo do evento constava “Sr. Henrique Klumb, photographo da Academia. Rua dos Latoeiros, nº 44″.

1861 – Foi publicada uma crítica sobre o Salão Imperial da Academia de Belas Artes com elogios a Klumb ( Diário do Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 1861 ).

Com a presença de Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, foi realizada a cerimônia de premiação dos artistas que participaram do Salão Imperial da Academia de Belas Artes de 1860. Klumb foi agraciado com uma Menção Honrosa (O Correio da Tarde, 8 de julho de 1861, na segunda coluna).

Em 23 de julho, Klumb documentou a inauguração da estrada União Indústria e as comemorações que se seguiram em Juiz de Fora na casa do construtor Mariano Procópio Ferreira Lage (1821 – 1872), com a presença da família imperial brasileira. A União Indústria foi a primeira estrada de rodagem macadamizada do Brasil, além de ter sido a maior obra de engenharia da América Latina, na época. Na sua construção não foi utilizada mão de obra escrava.

Em 24 de agosto, foi agraciado com o título de “Photographo da Caza Imperial”.

No segundo semestre, começou a dar aulas de fotografia para a princesa Isabel.

Por encomenda de dom Pedro II, fotografou os interiores do Palácio de São Cristóvão, remodelado pelo decorador italiano Mario Bragaldi ( 1809 – 1873) e pelo arquiteto da Casa Imperial, Teodoro Marx.

1862 - Vendeu vistas estereoscópicas para as princesas Isabel e Leopoldina.

1864 – Anúncio da Photographia Brazileira, de Klumb, na rua São José, 94 e 96 ( Jornal do Commercio,  de outubro de 1864, na quarta coluna).

1865 –  A imperatriz Teresa Cristina, uma das melhores clientes de Klumb, gastou 480 mil réis em retratos, vistas e esteoroscopias de sua autoria.

Anúncio da oficina do litógrafo Paul Théodore Robin (? – 1897), dirigida por Klumb, na Rua São José, 96 ( Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, de 1865 ). Foi sucedido no local por Marc Ferrez (1843 – 1923), então com 22 anos.

1865 / 1866 – Klumb foi morar em Petrópolis, na rua dos Artistas, nº 10, em frente à praça Coblenz. Fez uma extensa documentação da paisagem urbana da cidade, inclusive com efeitos noturnos – uma grande inovação na época. Devido a problemas financeiros, no período em que residiu em Petrópolis, também trabalhou no comércio de vinho.

1872 – Anúncio da abertura da Photographia Franceza, de Klumb e outros fotógrafos, na residência do sr. Figueira de Melo, na rua do Ouvidor, nº 49 ( Jornal do Commercio, 22 de maio de 1872, na última coluna ).

Foi publicado o livro Doze horas em diligência – Guia do viajante de Petrópolis e Juiz  de Fora, editado na Casa do Editor J.J.da Costa Pereira Braga, na rua Nova do Ouvidor, 25 e 26. Foi um dos primeiros livros de fotografia produzidos no Brasil.

1873 – Crítica ao livro Doze horas em diligência – Guia do viajante de Petrópolis e Juiz  de Fora ( A Vida Fluminense, 19 de julho de 1873, na segunda coluna).

Anúncio da venda do livro Doze horas de diligência – Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora (Jornal do Commercio, de 26 de julho de 1873, na última coluna).

 

1874 - Publicação do livro Petrópolis e seus arrabaldes, com fotografias de Klumb.

1875 – Anúncio e crítica da exposição de fotografias de Petrópolis, de autoria de Klumb, em Petrópolis ( O Globo, de 10 de janeiro de 1875 , na segunda coluna, O Mercantil, de 6 e 9 janeiro de 1875  e de 6 de fevereiro de 1875).

Dom Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina visitaram a exposição ( O Mercantil, de 10 de janeiro de 1875, na terceira coluna).

Klumb anunciou seus serviços de fotógrafo na cidade Petrópolis aos domingos, segundas, terças e dias santos na rua D. Januária (O Mercantil, de 17 de fevereiro de 1875, na terceira coluna).

A exposição de fotografias de Klumb foi anunciada como uma das atrações de Petrópolis ( O Mercantil, de 22 de dezembro de 1875, na primeira coluna).

Entre 1875 e 1886 – Nesse período, de cerca de 10 anos, não há notícias sobre Klumb.

1886Klumb estava em Paris e de lá escreveu à imperatriz Teresa Cristina pedindo que ela financiasse a volta dele e de sua família para o Brasil. Era casado com a baiana Hermelinda Barreto, com quem tinha duas filhas. O pedido foi deferido, e ele e sua família deveriam embarcar para o Brasil em outubro de 1886. Porém, não se sabe se ele chegou a vir para o Brasil. Essa é a última notícia que se tem, até o momento, sobre Klumb.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

Fontes:

BRITTO PEREIRA, Cecilia Duprat. Revert Henrique Klumb – Fotógrafo da Família Imperial Brasileira. Rio de Janeiro: Anais da Biblioteca Nacional, 1982.

ERMAKOFF , George. Rio de Janeiro 1840 – 1900 – Uma crônica fotográfica. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.

FERREZ, Gilberto. Fotografia no Brasil e um de seus mais dedicados servidores : Marc Ferrez ( 1843 – 1923 ). Rio de Janeiro: Revista do IPHAN, nº 26, 1997.

FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.

KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil(1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. ISBN 85-86707-07-4

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.

LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. Os Fotógrafos do Império. Rio de Janeiro: Capivara, 2005. 240p.:il

MARTIM, Ricardo (pseudônimo de Guilherme Auler). Dom Pedro II e a fotografia. Tribuna de Petrópolis. Petrópolis, 1 de abril de 1956.

MORAES FILHO, Alexandre de Mello. Artistas do meu tempo. Rio de Janeiro: Garnier, 1905.

SCARRONE, Marcelo. Doze horas numa diligência. Rio de Janeiro: Revista de História, 14/06/2008.

Site do Instituto Moreira Salles

Site da Enciclopédia Itaú Cultural

TURAZZI, Maria Inez. Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&b. (Coleção Luz & Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.

TURAZZI, Maria Inez. Paisagem construída – fotografia e memória dos “melhoramentos urbanos” na cidade do Rio de JaneiroVaria história, vol.22 no.35. Belo Horizonte. Jan/Junho 2006

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Introdução João de Orleans e Bragança. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho : Cis, [1985]. 243 p., fotos p&b.

VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX: Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien. Apresentação Winston Fritsch; prefácio Joaquim Marçal; projeto editorial Pedro Karp Vasquez, Ronaldo Graça Couto; projeto gráfico Victor Burton. São Paulo: Metalivros, 2000. 203 p., il. p&b. ISBN 85-85371-28-5.

VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Traducao Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. 272 p., il. p&b. ISBN 85-85688-04-1.

VASQUES, Pedro Karp. Revert Henrique Klumb: um alemão na Corte Imperial brasileira. Apresentação Joaquim Marçal, Demosthenes Madureira de Pinho Filho; coordenação de coleção Pedro Corrêa do Lago; coordenação editorial Pedro Corrêa do Lago, Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos; design Victor Burton; fotografia César Barreot, Miguel Pacheco e Chaves; pesquisa Pedro Karp Vasquez; tradução Carlos Luís Brown Scavarda. Rio de Janeiro: Capivara, 2001 229p., il. p&b. (Visões do Brasil, 4). ISBN 85-86011-49-5.

VASQUEZ, Pedro Karp. A fotografia no Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. 72 p., il. p&b.

A Brasiliana Fotográfica também pesquisou em diversos periódicos na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

 

O fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966)

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Retrato do fotógrafo amador Guilherme Santos, publicado em O Malho de setembro de 1951

 

O fotógrafo amador Guilherme Antônio dos Santos (1871 – 1966) era um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope, um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real. Antes dele, entre os anos de 1855 e 1862, o “Photographo da Casa Imperial”, Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886), favorito da imperatriz Teresa Christina e professor de fotografia da princesa Isabel, havia produzido vários registros utilizando a técnica da estereoscopia. A Casa Leuzinger também produziu fotografias estereoscópicas.

 

 

Guilherme Santos, cuja produção mais intensa ocorreu entre 1910 e 1958, registrou a paisagem, o cotidiano e os hábitos do carioca a partir da produção de fotografias dos antigos carnavais na avenida Central, de teatros, da inauguração do Cristo Redentor, de visitantes ilustres como os aviadores pioneiros Sacadura Cabral (1881 – 1924) e Gago Coutinho (1869 – 1959) e do voo do dirigível Zeppelin. Também registrou os pavilhões da Exposição Internacional de 1922. Sua série predileta era a de fotografias do Morro do Castelo – ele nunca se conformou com sua destruição.

 

 

A técnica da estereoscopia foi desenvolvida pelo escocês David Brewster (1781 – 1868), em 1844, poucos anos após a invenção da fotografia. Segundo Pedro Vasquez, a definição da fotografia estereoscópica é a seguinte: “Consistia em pares de fotografias de uma mesma cena que, vistas simultaneamente em um visor binocular apropriado, produziam a ilusão da tridimensionalidade. Esse efeito era obtido porque as fotografias eram tiradas ao mesmo tempo com uma câmera de objetivas gêmeas, cujos centros óticos eram separados entre si por cerca de 6,3cm – a distância média que separa os olhos humanos”.

Em 1851, David Brewster apresentou sua invenção na Exposição Universal de Londres e, a partir daí, o comércio das fotografias estereocópicas tornou-se uma febre, tendo Paris e Londres como seus dois centros de produção e difusão. Com o desenvolvimento da tecnologia tanto das chapas, que tornaram-se mais sensíveis, como das câmeras, com mais recursos óticos e mecânicos, a partir da década de 1860, começaram a surgir as primeiras estereoscopias retratando pessoas em movimento.  A pornografia passou a ser um dos temas das fotografias estereoscópicas. Alguns autores especulam que a associação da estereoscopia com a pornografia teria sido uma das causas de seu declínio como prática de consumo. Só no final do século XIX voltou a ser popular. O lançamento do Verascope, pela Maison Richard, na França, em 1893, contribuiu para que a estereoscopia voltasse a se proliferar, atraindo a atenção de fotógrafos amadores e de foto clubes europeus.

Guilherme Santos se interessou pela técnica, em 1905, quando viajou em férias para Paris e adquiriu um Verascope, após visitar uma exposição de fotografias estereoscópicas e constatar que havia pouquíssimos registros do Brasil. Sobre o fato, declarou em reportagem da Noite Ilustrada, de 1º de agosto de 1950:

“Tendo viajado à Europa em 1905 e verificado a maneira deprimente como era julgado e apresentado o Brasil em certas fotografias e, coincidindo com o interesse que então me despertava a arte fotográfica, um ideal dominou o meu sentimento de brasileiro: fazer um arquivo de fotografias que um dia provasse que o Brasil não era aquilo que estava sendo apresentado; minhas criações fotográficas mostrariam em quadros, com expressão artística, um Brasil adiantado e cheio de atrações, civilizado, habitado por uma raça superior e, não olhando sacrifícios, nem gastos, vencendo obstáculos e suportando e prejudicando interesses, em atividade constante nestes últimos quarenta e dois anos, consegui reunir o arquivo que está em condições de ter aproveitamento para a educação, cultura do povo e propaganda do Brasil”.

A fotografia passou a ser seu hobby. Foi membro do Photo Clube Brasileiro e publicou na edição de maio de 1925 da Photo Revista do Brasil um artigo defendendo a estereoscopia e conclamando os leitores a aderirem a uma campanha sobre o desenvolvimento do gosto dos brasileiros pela fotografia.

 

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Verascope. c. 1894 / ignomini.com

 

Monarquista, bem humorado e otimista, Guilherme Santos fazia parte da alta burguesia carioca, tendo sido amigo de famílias importantes como os Guinle e os Marinho. Além de comerciante e fotógrafo amador, era um colecionador de selos e pinturas. Foi sócio do Theatro Lírico e membro da Sociedade Brasileira de Belas Artes. Em sua casa de veraneio petropolitana, cultivava um jardim de cravos e orquídeas, uma das formas de expressar seu amor pela natureza, também manifestado em várias de suas fotografias. Escrevia poesias e tocava piano. Baixo, magro e de olhos verdes, era considerado parecido com o presidente do Brasil Epitácio Pessoa (1865 – 1942). Uma de suas frases preferidas era “O homem que não vive para servir não serve para viver”.

A Coleção Guilherme Santos foi adquirida pelo Banco do Estado da Guanabara, em 28 de abril de 1964, para iniciar, juntamente com a coleção de fotografias de Augusto Malta (1864 – 1957), o acervo visual do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, inaugurado em 3 de setembro de 1965 (Diário de Notícias, 29 de agosto de 1965). Malta, contemporâneo e amigo de Santos, foi o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1902 e 1936. Antes da venda, Santos guardava seu acervo fotográfico em um cofre Fichet à prova de fogo, que ele mesmo havia mandado construir, já que era o representante brasileiro da fábrica belga de cofres. Após um incêndio ocorrido em sua loja, na rua do Rosário, 146, em 23 de dezembro de 1954, quando a única coisa que se salvou foi seu acervo de fotografias, decidiu vendê-lo para preservá-lo.

A maior parte da obra de Santos, que inclui 17.812 mil negativos e 9.310 mil positivos (em vidro), além de 1.302 ampliações em papel feitas a partir dos negativos, está guardada no MIS-RJ. Um conjunto de cerca de 3000 imagens produzidas pelo fotógrafo foi adquirida pelo Instituto Moreira Salles, em 2013.

 

 

Acessando o link para as fotografias de Guilherme Santos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 Pequena cronobiografia de Guilherme Antônio dos Santos

 

1871 – No Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro, nasceu Guilherme Antonio dos Santos, cuja família residia na Rua do Rezende. Seu pai era o joalheiro José Antonio dos Santos (? – 1905).

1883 - No encerramento das aulas do Colégio Aquino, onde fez seus estudos, Guilherme Santos e Escragnolle Doria (1869 – 1948) receberam do imperador Pedro II medalhas por terem respondido “com prontidão e segurança a todas as suas perguntas sobre História do Brasil” (Correio da Manhã, 31 de maio de 1952).

1896 – Guilherme casou-se com Maria Mendonça dos Santos, conhecida como dona Mariquinhas. Tiveram quatro filhos: Guilherme dos Santos Júnior (? – 1980), médico que foi diretor do Souza Aguiar e do Hospital Paulino Werneck; Amália Santos Pinto da Silva (? – 1986), Manoel Antônio dos Santos , que sempre trabalhou com o pai na representação dos cofres belgas Fichet; e Francisca Mendonça dos Santos (1901 – ?) . Os filhos estudaram no Colégio São Vicente de Paulo e as filhas no Colégio Santa Isabel, em Petrópolis.

dezembro de 1898 – A joalheria e galeria de arte Luiz de Rezende & Cia, cujo um dos sócios era o pai de Guilherme Santos, José Antonio dos Santos, foi roubada. Ficava na rua do Ouvidor 88 e 89 e na rua Ourives 69 ( Gazeta de Notícias, 6 de dezembro de 1898, na última coluna e  Jornal do Brasil, 19 de dezembro de 1903, na sétima coluna, sob o título “O buraco do Rezende”). Anteriormente, a joalheria chamava-se Santos Moutinho e Cia. Na época do roubo, que teve grande repercussão, Guilherme Santos morava no último andar da loja.

1901 – Guilherme Santos foi empossado no conselho da Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives (Jornal do Brasil, 31 de julho de 1901, na última coluna). Nasceu sua filha caçula, Francisca, (Jornal do Brasil, de 16 de dezembro de 1901, na quarta coluna). Nos Almanak Laemert de 1901190219031904, 19051906 e 1907, Guilherme e seu irmão, Francisco Antonio, aparecem como dois dos sócios da joalheria Luiz de Rezende & Cia. Luiz de Rezende ( – 1927) era português e foi com o pai de Guilherme Santos, José Antônio, que ele aprendeu a ourivesaria.

1905 / 1906 – No Almanak Laemert de 1905, Guilherme Santos aparece como o 2º secretário da Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives. Viajou para Paris com a família para, a conselho de seu pai, se tratar de um estado de nervosismo permanente ocasionado pelo roubo à joalheira em 1898. Cuidou-se com um tratamento de auto-sugestão cujo lema era “Hoje sob todos os pontos de vista vou cada vez melhor”. Interessou-se pela técnica da estereoscopia e adquiriu um equipamento Verascope, da Maison Richard, após visitar uma exposição de fotografias estereocópicas no Grand Palais. Lá constatou que havia pouquíssimos registros do Brasil, todos de mulheres negras vendendo abacaxis. Santos começou a praticar a fotografia amadora e foi em Portugal que produziu seu primeiro registro, no pinhal de Caldas da Rainha. Seu pai, José Antonio dos Santos, faleceu (Correio da Manhã, 20 de maio de 1952).

1907 Provavelmente, foi um dos proprietários do Cinema Pavilhão Progresso, na rua Hadock Lobo, 16. O cinema foi inaugurado em 31 de outubro de 1907 (Jornal do do Brasil, 30 de outubro de 1907, na primeira coluna).

1920 – Guilherme Santos morava na rua Conde de Bonfim, 86, na Tijuca.

1922 – Santos cedeu ao então ministro do Exterior, José Manuel de Azevedo Marques (1865 – 1943), milhares de reproduções estereográficas de quadros da natureza brasileira que foram distribuídas aos estrangeiros que vieram representar seus países nas comemorações do centenário da independência do Brasil. Deixou de trabalhar na Casa Luiz de Rezende ( Correio da Manhã, 20 de maio de 1952).

1923 – Foi criado o Photo Club Brasileiro, uma associação de fotógrafos, no Rio de Janeiro, pelos associados do Photo Club do Rio de Janeiro, fundado em 1910, que se juntaram a fotógrafos de arte para debater as relações entre fotografia e arte. O Photo Club Brasileiro promovia cursos, concursos, exposições e excursões. Publicou as revistas Photo Revista do Brasil (1925 – 1926) e Photogramma (1926 – 1931). Também organizava salões anuais, o primeiro deles inaugurado em 4 de julho de 1924, no Liceu de Artes e Ofícios (artigo de Fernando Guerra Duval, na Gazeta de Notícias, 9 de julho de 1924), além de divulgar novas técnicas e estéticas, mantendo correspondência com sociedades internacionais de fotografia. Até o fim da década de 1940, foi uma instituição fundamental na difusão da ideia da fotografia como arte. Uma matéria da revista Para Todos, de 17 de setembro de 1927, sobre a quarta exposição anual do Photo Club ilustrava essa função primordial da associação. Alguns de seus membros de destaque foram Alberto Friedmann, Barroso Neto, Fernando Guerra Duval, Herminia Borges, João Nogueira Borges, Oscar de Teffé e Silvio Bevilacqua.

 

 

maio de 1925 –  Guilherme Santos tornou-se membro do Photo Club Brasileiro. Publicou na edição de lançamento da Photo Revista do Brasil, órgão oficial da associação, o artigo “Photographia Estereoscópica”. No expediente da revista, aparece como um de seus principais colaboradores. E, nas páginas dedicadas às notícias do Photo Club, que acabava de se instalar em uma nova sede, na rua 13 de maio, 35, aparece como um dos membros recentes da associação. O presidente e o vice-presidente do Photo Club Brasileiro eram Alberto Friedmann e Fernando Guerra Duval, respectivamente.

 

“Photographia Estereoscópica”

Por Guilherme A Santos

Confeccionar uma photographia é quasi sempre reconstruir uma recordação!

Nenhuma outra photographia trabalhada pelos processos conhecidos, pôde dar-nos tamanha satisfação, produzir-nos impressão tão viva  e tão nitida daquilo que quizermos recordar como a photographia estereoscopica! Seja o retracto de um ente querido, seja uma paysagem, ou ainda uma reunião de família, cujo objecto exprima um momento feliz da nossa existencia!

A sensação do relevo e da perspectiva que nos dá um positivo sobre vidro, copia de um cliche estereoscopico, introduzido no instrumento apropriado, é inegualavel! inconfundivel! incomparavel!

Ao olhar, apresentam-se as imagens das creaturas, da Natureza ou dos objectos, com a expressão a mais perfeita e verdadeira , mostrando-nos em destaque todos os planos que as objectivas colheram na extensão do angulo focal!

Como passa tempo, o que é possível de encontrar que seja mais agradável, mais divertido do que os positivos sobre vidro da photoestereoscopia!?

Reunidos em família e acompanhados de bons amigos sentados em redor de uma mesa, passa-se de mão em mão o apparelho estereoscópicos exibindo as differentes séries de positivos! Algumas, despertando recordações aos que, num afogar de saudades revêem os bons momentos que passaram, contemplando imagens de creaturas que talvez nunca mais encontrem no caminho da vida e que fizeram a delícia daqueles momentos, em uma estação de águas, em uma excursão, em cidades de verão, a bordo de um transatlântico, na convivência íntima de uma longa viagem, etc.

Outras séries apresentando o esplendor da Natureza em grandes quadros compostos com senso esthético, com observação artística que estasiam, que empolgam e que nunca cançaríamos de contemplar são photografias que provam como é impossível negar o extraordinário poder que tem a natureza, de impressionar e fazer vibrar a alma das creaturas com suas majestosas creações!

Nesse particular a nossa terra recebeu do CREADOR um dote precioso, o qual infelizmente em vez de ser transportado para as chapas da photographia por meio das objectivas dos differentes apparelhos, tem o homem esbanjado e destruido quasi inconscientemente sem considerar o grande mal que causa ao bem commum e sem reflectir no crime que pratica!

Disse PAULO MANTEGAZZA, capitulo IV no “O LIVRO DAS MELANCHOLIAS” de uma forma encantadora e com a alma amargurada: que se conhecesse DEUS, dir-khe-hia que na sua infinita misericordia, perdoasse todos os peccados dos homens e reservasse toda a sua ira, toda as suas vinganças, tododos seus raios, para o homem que destróe uma “FLORESTA”!!…

Faço minhas as palavras do primoroso escriptor, mas accrescento que o homem que dedicar-se á photographia, de preferenciaa estereoscopica, no contacto intimo e constante que ele tiver com a NATUREZA, quando a tiver estudado bem, irá lentamente habituando-se a apreciar devidamente a sua obra grandiosa, sentirá despertar em sua alma, sentimentos delicadosque até então desconhecia e difficilmente será capaz de derrubar uma arvore ou consentir que alguem o faça em sua presença!

A falta de amor e o abandono ás nossa bellezas naturaes é patente! Cito um exemplo mui recente:

Por uma destas lindas manhãs de ABRIL (era dia feriado) percorremos uma parte da estrada que liga o ALTO DA BOA VISTA ao SUMARÉ.

É uma das maravilhas da TIJUCA! A vegetação é abundante e variada e conta-se ás dezenas, arvores gigantescas cujas ramadas projectam sombras extensas sobre o caminho!

O sol imprimia uma luz de oiro sobre o verde esmeralda do arvoredo e fazia pensar que foi a NATUREZA quem inspirou os nossos antepassados sobre a escolha das cores para a nossa bandeira!

Caminhamos cerca de 6 kilometros ida e volta e gastamos cerca de 5 horas. Pois bem, nesse demorado percurso, cruzamos com 3 outros grupos de excursionistas, todos elles, compunham-se de estrangeiros!

Nem um brasileiro! nem um amador da photographia! Digo, encontramos um brasileiro, que empunhando uma vara que tinha um sacco de gaze preso a uma das extremidades, caçava as lindas borboletas azues de grandes azas que faziam o encanto daquellas paragens! aquelle rapaz de 20 annos presumives, de bella estaturaphysica, fazia-o como meio de vida! Contamos estendidas sobre um jornal, 20 daquellas borboletas, apanhadas em menos de uma hora! Pobrezinhas! a  NATUREZA limitou-lhes curtíssima existência, nem mesmo a essas deixam viver!

Creio ser o momento de ser transformada essa situação. A Photo-Revista vem preencher uma lacuna e acreditamos que uma campanha sustentada com perseverança por todos os seus collaboradores, daria bom resultado, no sentido de desenvolver o gosto dos brasileiros pela arte photographica: talvez conseguíssemos convence-los de trocar uma ou outra vez (às horas de ócio) os encantos do lar doméstico, pelos encantos naturaes, lembrando-lhes que em companhia de nossa família e em contacto com a floresta, também construímos lares provisorios sob a benção da mãe de tudo e de todos que é a NATUREZA!

(Photo Revista do Brasil, vol 1, maio de 1925, pg 14)

Além disso, a fotografia da capa era de sua autoria (O Brasil, 31 de maio de 1925, na sexta coluna, sob o título “Publicações”). E, na mesma edição da revista, foi publicada uma propaganda das fotografias estereoscópicas de Guilherme. O endereço, rua Buenos Aires, 93, é o mesmo do escritório dos cofres belgas Fichet, empresa que ele representava no Brasil. Posteriormente, o escritório foi transferido para a rua do Rosário, 146.

1937 Resumo do assalto ocorrido na Casa Luiz de Rezende, em 1898, com retratos dos sócios Luiz de Rezende e José Antonio dos Santos, pai de Guilherme (Noite Illustrada, 25 de maio de 1937).

1942 – Publicação da matéria “Rio desaparecido”, de Escragnolle Doria, sobre a importância dos arquivos fotográficos de Augusto Malta e Guilherme Santos (Revista da Semana, 30 de maio de 1942).

1945 – Publicação no Boletim de Belas Artes de outubro de um artigo sobre o desmonte do Morro do Castelo com entrevista de Guilherme Santos (Correio da Manhã, 8 de maio de 1952).

1950 – Publicação de matéria elogiando a coleção de fotografias de Guilherme Santos (Jornal do Brasil, 24 de março de 1950, na última coluna sob o título “Belas Artes). Publicação de uma reportagem de Walter Sampaio sobre o “Arquivo Guilherme dos Santos”. Na matéria, Santos revelou ter vontade de “expor em um museu o seu valioso arquivo histórico e estereoscópico nacional”. (A Noite Ilustrada, 1º de agosto de 1950).

 

 

1951 O Departamento de História e Documentação do Rio de Janeiro examinou a coleção fotográfica de Guilherme Santos (O Malho, setembro de 1951).

1952 – Faleceu sua esposa, Maria Mendonça dos Santos, em 26 de maio ( Correio da Manhã, 30 de maio de 1952, na primeira coluna). Na coluna “Pequenas Reportagens”, é lembrado um artigo do Boletim de Belas Artes de outubro de 1945, onde Guilherme Santos comentava seus registros fotográficos do desmonte do Morro do Castelo (Correio da Manhã, 8 de maio de 1952). Na mesma coluna, foi publicada uma matéria sobre Guilherme Santos ( Correio da Manhã, 20 de maio de 1952). Finalmente na coluna de 31 de maio de 1952, o assunto foi a coleção de fotografias de Santos.

 

 

1954 –  Às vésperas do Natal, a sede da G.A. Santos & CIA, localizada na Rua do Rosário, 146, sofreu um incêndio. A única coisa resgatada foi o acervo de fotografias de Guilherme que estava dentro de um cofre à prova de fogo. Foi devido a esse fato que Santos decidiu vender sua coleção de fotografias (Correio da Manhã, 24 de dezembro de 1954).

1956 – Na primeira página do Jornal do Brasil, foi publicada a matéria “O Rio de Janeiro através da estereoscopia”, assinada por Augusto Maurício, sobre a coleção de fotografias de Guilherme Santos ( Jornal do Brasil, 27 de maio de 1956).

1964 – A Coleção Guilherme Santos foi adquirida pelo Banco do Estado da Guanabara, em 28 de abril de 1964, para iniciar, juntamente com a coleção de fotografias de Augusto Malta (1864 – 1957), o acervo do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. O contrato de compra e venda foi assinado pelo filho e procurador de Guilherme, Manoel Antônio dos Santos.

1965 – Inauguração do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 3 de setembro de 1965 (Diário de Notícias, 2 de setembro de 1965). A maior parte da obra de Santos, que inclui 17.812 mil negativos e 9.310 mil positivos (em vidro), além de 1.302 ampliações em papel feitas a partir dos negativos, está sob a guarda da instituição.

janeiro de 1966 – Guilherme Santos faleceu em 26 de janeiro, na casa de sua filha Francisca, na Ilha do Governador. Na época, ele morava na rua Cesário Alvim, 39. Anúncio da missa de sétimo dia de Guilherme Santos (Diário de Notícias, 30 de janeiro de 1966).

1984 – Fotografias do Rio Antigo de autoria de Guilherme Santos fizeram parte da exposição “19 anos do Museu da Imagem e do Som” (Última Hora, 27 de dezembro de 1984, na última coluna).

 

Fontes:

A hora e o lugar – organizadores Sergio Burgi e Samuel Titan Jr. IMS – Rio de Janeiro, 2015.

Antologia Brasil: 1890-1930 – Pensamento crítico em Fotografia. Organização Ricardo Mendes – FUNARTE – Rio de Janeiro, 2013.

Cenas cariocas: o Rio de Janeiro através das estereoscopias de Guilherme dos Santos, de Maria Isabela Mendonça dos Santos – UFF – Niterói, 2014.

Depoimento oral de Lilia Maria Maya Monteiro na série Projetos Especiais – Projeto Guilherme Santos, Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 22 de janeiro de 1988.

PARENTE, José Inacio. A Estereoscopia no Brasil. Sextante – Rio de Janeiro, 1999.

Site do Instituto Moreira Salles

Site do Museu da Imagem e do Som

MELLO, Maria Teresa Bandeira de. Arte e fotografia: o movimento pictorialista no Brasil. Edição Frederico Gomes; apresentação Angela Magalhães. Rio de Janeiro: Funarte, 1998. (Luz & reflexão, 7)., p. 68.

PESSANHA, Maria Edith de Araújo. A Estereoscopia: o Mundo em Terceira Dimensão. Rio de Janeiro, 1991.

TURAZZI, Maria Inez. Poses e Trejeitos: a fotografia na era do espetáculo (1839 – 1889). Rio de Janeiro: Funarte/Rocco, 1995.

VASQUEZ, Pedro Karp. A Fotografia no Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2002.

A Brasiliana Fotográfica também pesquisou em diversos periódicos na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

A fundação de Copacabana

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Marc Ferrez. Copacabana, Ipanema, c. 19?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN

Com uma seleção de fotografias de Copacabana, a Brasiliana Fotográfica homenageia a Princesinha do Mar, um dos bairros mais emblemáticos e bonitos do Rio de Janeiro, que hoje completa 124 anos. São registros produzidos por Antônio Caetano da Costa Ribeiro, Aristogeton Malta (1904-1954)Augusto Malta (1864 – 1957), Jorge Kfuri, José Baptista Ferreira Vianna (1860 – 1925), Marc Ferrez (1843 -1923), Uriel Malta (1910-1994) e por fotógrafos ainda não identificados.

Com a ligação estabelecida ente Copacabana e Botafogo, o bairro começou a se integrar ao resto da cidade. Isso aconteceu em 6 de julho de 1892, quando foi inaugurado pela Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico – atual Light – o Túnel de Real Grandeza, atual Túnel Velho – ligando a rua Real Grandeza, em Botafogo, com a rua do Matoso, atual rua Siqueira Campos. Com a presença do presidente, marechal Floriano Peixoto, foi lavrada uma ata que marcou, oficialmente, o nascimento do bairro de Copacabana (O Paiz, 7 de julho de 1892, na sexta coluna).

 

 

Copacabana é atualmente o bairro mais populoso da Zona Sul carioca com mais de 160 mil moradores. Possui mais de quatro quilômetros de orla e é palco de uma das mais famosas festas de fim de ano no mundo. Além disso, foi a inspiração de várias canções da música popular brasileira como Copacabana , de Alberto Ribeiro e Braguinha, originalmente gravada por Dick Farney, em 1946, e regravada por mais de 20 artistas, dentre eles Sarah Vaughan. Destaca-se também a canção Sábado em Copacabana, de Dorival Caymmi, gravada primeiramente por Lúcio Alves, em 1951. Copacabana foi cenário de enredos de diversos livros de autores como Antônio Olinto, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Fausto Fawcett e Rubem Braga. No cinema, o documentário de Eduardo Coutinho, “Edifício Master” (2002), se passa no bairro, em um edifício da rua Domingos Ferreira. Há ainda o filme Copacabana (2001), de Carla Camuratti, e Copacabana mon amour (1970), de Rogério Sganzela, dentre vários outros.

Link para a matéria do Jornal do Brasil, de 6 de julho de 1992, sobre as comemorações do centenário de Copacabana.

Acessando o link para as fotografias de Copacabana disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.