Aquedutos do Rio de Janeiro

 

 

Com uma seleção de fotografias produzidas por Augusto Malta (1864 – 1957)Georges Leuzinger (1813 – 1892)Marc Ferrez (1843 – 1923)Revert Henrique Klumb (c. 1826 – c. 1886) e por Editores & propriedade de Rodrigues & Co, a Brasiliana Fotográfica destaca imagens de aquedutos pertencentes aos acervos do Arquivo Nacional, do Instituto Moreira Salles, da Leibniz-Institut für Länderkunde e da Fundação Biblioteca Nacional, que integram o portal.

O Aqueduto da Carioca, construído no século XVIII e também conhecido como Arcos da Lapa, é um símbolo do Rio de Janeiro antigo e um dos cartões postais da cidade.

 

 

Acessando o link para as fotografias de aquedutos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Há também, além de registros de outros aquedutos do Rio de Janeiro, imagens daqueles que foram construídos durante a realização de obras de abastecimento de água, ocorridas entre 1877 e a década de 1880, e que foram documentadas pelo fotógrafo Marc Ferrez.

 

 

 

 

 

O fotógrafo austríaco Otto Rudolf Quaas e o construtor Ramos de Azevedo

 

O fotógrafo austríaco Otto Rudolf Quaas (c. 1862 – c. 1930) registrou diversas obras projetadas ou executadas pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, cujo proprietário, o paulista Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851–  1928) era, entre a virada do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o grande construtor de São Paulo. Nesse período, a cidade passou por grandes transformações devido à riqueza gerada pela cafeicultura e pela chegada de levas de imigrantes. As construções de traços coloniais davam lugar às com influência europeia, modernas. A Brasiliana Fotográfica destaca algumas imagens da documentação das obras desse construtor, um dos trabalhos mais importantes produzidos por Quaas, reunidos no Álbum Escritório Técnico do Engenheiro e Arquiteto F. P. Ramos d’Azevedo – São Paulo – Álbum de Construções. Quaas fotografou, dentre vários projetos, palacetes, o portal do Cemitério da Consolação, o Quartel de Polícia, o Hospício dos Alienados e a Escola Politécnica. Sua obra registrou também diversos aspectos da capital e do interior do estado de São Paulo. Quaas foi muito bem sucedido em sua profissão e residia na rua das Palmeiras com sua esposa, Emma Quaas, e três filhos.

 

 

Acessando o link para as fotografias de  Otto Rudolf Quaas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Breve Cronologia de Otto Rudolph Quaas

c. 1862 – Segundo Boris Kossoy, Otto Rudolph Quaas nasceu na Áustria por volta desse ano.

1895 – Quaas chegou em São Paulo, vindo da Europa, nos primeiros dias de 1895 e estabeleceu seu ateliê fotográfico na rua do Gasômetro, n. 20 (O Commercio de São Paulo, 16 de janeiro de 1895, na quarta coluna).

Chegou num dos últimos dias a essa capital e tomou a direção do atelier fotográfico da rua do Gazometro n. 20, o sr. Otto Rudolf Quaas, que nos dizem ser um artista de muitíssimo merecimento. O público vai ter ocasião de avaliar dos progressos daquela casa, em virtude de tão excelente aquisição (Estado de São Paulo, 16 de janeiro de 1895).

 

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Propaganda da Photographia Artistica, de Otto Rudolf Quaas, no O Estado de São Paulo, 28 de janeiro de 1895

 

Em maio, transferiu-se para o Largo Sete de Setembro, nº 11, casa onde esteve por muito tempo o estabelecimento dos srs. Victor Steidel & C. Neste novo prédio o atelier do sr. Otto, enriquecido como foi ultimamente com novos aparelhos ficará sendo, senão o primeiro, pelo menos um dos primeiros estabelecimentos fotográficos de S. Paulo (Estado de São Paulo, 8 de maio de 1895).

1896 – Mudou-se para a rua de São Bento, n. 30, e inaugurou a nova Photographia Artística, em 26 de fevereiro de 1896 (O Commercio de São Paulo, 26 de fevereiro de 1896, quarta coluna). Ficava defronte do Grande Hotel e estava montada com todo o capricho e com os aperfeiçoamentos mais modernos (Estado de São Paulo, 26 de fevereiro de 1896).

 

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Anúncio da Photographia Artística, na rua de São Bento nº 30, no Estado de São Paulo, 19 de março de 1896

 

1898 – A Photographia Artística transferiu-se para o número 46 da rua de São Bento, em frente a Rotisserie Sportsman.

 

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Anúncio da mudança da Photographia Artística, no O Estado de São Paulo, 2 de julho de 1898

 

No último dia de 1898, foi anunciada uma Grande Inauguração no ateliê de Quaas com a apresentação de um grande repertório de óperas, músicas e cantos. Anunciava como a última novidade a Photographia de Voz. Avisamos especialmente o distinto público que todas as pessoas que tirarem uma dúzia de retratos Imperiais, no atelier fotográfico, têm direito de falar na máquina, podendo ouvir e levar logo depois o cilindro com a sua própria voz gravada eternamente para mandar aos seus afeiçoados.

 

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O Estado de São Paulo, 31 de dezembro de 1898

 

1899 – Gustavo Figner, depositário da Casa Inana, no Rio de Janeiro, e futuro fundador da Casa Edison, anunciou a venda de um fonógrafo de corda na fotografia O. R. Quaas e Cia (Estado de São Paulo, 6 de janeiro de 1899).

Nesse mesmo ano, o atelier de Quaas, foi uma das lojas que sofreram danos consideráveis causados pelo estampido e pela água, devido a um incêndio na Loja do Japão, na rua de São Bento (O Estado de São Paulo, 6 de julho de 1899). Dias depois, Quaas enviou à redação do jornal Estado de São Paulo uma vista de um trecho da rua S. Bento na ocasião do incêndio (Estado de São Paulo, 11 de julho de 1899).

 

 

1900 – A Photographia Artística enviou à redação do O Estado de São Paulo uma coleção de 15 magníficas fotografias com vistas de diversos pontos da exposição universal de Paris. Essas vistas são reproduzidas no atelier do sr. Quaas e constituem um trabalho que acredita o conhecido estabelecimento artístico (O Estado de São Paulo, 23 de novembro de 1900).

1901 –  Estava exposto em seu ateliê um retrato em grande formato da rainha Vitória (1819 – 1901), do Reino Unido, que havia falecido em 22 de janeiro (O Estado de São Paulo, 24 de janeiro de 1901).

Quaas registrou a visita que o ministro plenipotenciário da Áustria-Hungria, Eugen Kuezyuski, fez à Sociedade Auxiliadora Austro-Húngara (O Estado de São Paulo, 27 de abril de 1901).

Era um dos membros da comissão da Sociedade Auxiliadora Austro-Húngara (O Estado de São Paulo, 24 de setembro de 1901).

Trabalhou para a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, tendo fotografado a inauguração do ramal de Rincão a Martinho Prado, em 30 de dezembro de 1901 (Correio Paulistano, 4 de janeiro de 1902, na quarta coluna).

1902 – Quaas presenteou o governador do estado de São Paulo, Rodrigues Alves (1848 – 1919), e outras autoridades com uma coleção de pequenas fotografias da inauguração do ramal ferroviário do Rincão (O Estado de São Paulo, 14 de janeiro de 1902).

Quaas foi eleito vice-presidente da Instituição Imperador Francisco José I (O Estado de São Paulo, 12 de julho de 1902).

No salão de honra da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo, Quaas registrou a entrega, realizada pelo cônsul da França, Numa Antigeon, do diploma de Oficial da Academia à superiora da instituição, Maria Arsênia, nome religioso de Anna Berthet (O Estado de São Paulo, 19 de julho de 1902)

Uma comissão de redatoras do periódico Educação escolheu as mais interessantes fotografias tiradas de crianças entre 1 e 7 anos durante o ano de 1902 dos seguintes estúdios fotográficos do centro de São Paulo: o de Quaas & Cia, o de José Vollsack, o de Rodolfo Neuhaus, o de Giovanni Sarracino e o de Valério Vieira (O Commercio de São Paulo, 22 de dezembro de 1902, na segunda coluna).

Quaas foi de novo eleito vice-presidente da instituição Imperador Francisco José I (O Estado de São Paulo, 24 de dezembro de 1902).

1903 – Quaas ofereceu à redação do O Estado de São Paulo uma magnífica fotografia de Santos Dumont (O Estado de São Paulo, 19 de setembro de 1903).

1904 – Na Revista Ilustração Brasileira, de dezembro de 1904, seu trabalho foi elogiado por sua nitidez e fidelidade incríveis. A casa Quass é a única que está habilitada em S. Paulo a trabalhar à noite.

1905 – A Secretaria de Agricultura de São Paulo requisitou um pagamento a Otto Quaas (O Estado de São Paulo, 4 de março de 1905).

Estava envolvido na criação de um Club de Retratos em Cores e anunciou, no O Estado de São Paulo de 19 de maio de 1905, o adiamento do club até segundo aviso.

Os credores da falência de Otto Quaas reuniram-se na segunda vara comercial de São Paulo (O Estado de São Paulo, 13 de julho de 1905).

1907 - Quaas fotografou a Villa Penteado iluminada, na ocasião em que hospedou o ex-presidente da Argentina, general Julio Argentino Roca (1843 – 1914), que havia participado da Guerra do Paraguai (O Estado de São Paulo, 23 de março de 1907).

Fotografou o eclipse solar ocorrido em 10 de julho (O Estado de São Paulo, 12 de julho de 1907).

Foi um dos premiados no concurso de fotógrafos promovido pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (O Estado de São Paulo, 18 de agosto de 1907).

1908 – Seu estabelecimento, a Photographia Quaas, ficava na rua Barra Funda, 149 (O Estado de São Paulo, 25 de novembro de 1908).

Participou da Exposição Nacional, com 24 quadros com fotografias, pinturas a pastel, sepiotipias, aumentos, platinotipia e fotografia em alto relevo, tendo recebido uma das medalhas de ouro da seção de fotografias. Outro fotógrafo agraciado com uma medalha de ouro foi Guilherme Gaensly (1843 – 1928). Os grandes prêmios foram conquistados por Valério Vieira (1862 – 1941) e Giovanni Sarracino (O Estado de São Paulo, 23 de novembro de 1908 e Catálogo da Exposição, 1908).

 

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Anúncio da Photographia Quaas, no O Estado de São Paulo, 18 de dezembro de 1908

 

1910 - Quaas participou da comemoração pelo octagésimo aniversário de Francisco José I, rei da Áustria-Hungria, realizada no consulado do país, em São Paulo (O Estado de São Paulo, 19 de agosto de 1910).

1911 – A Photographia Quaas publicou um anúncio para a contratação de um bom impressor com prática de atelier, de um ajudante com bastante prática e de um aprendiz de fotógrafo. Ainda se localizava na rua Barra funda, 149 (O Estado de São Paulo, 19 de março, 3 de de junho e 25 de setembro de 1911).

Participou da Exposição de Turime ganhou a medalha de prata.

1912 – A Photographia Quaas publicou um anúncio para a contratação de um bom impressor e retocador (O Estado de São Paulo, 6 de janeiro de 1912).

1913 – Seu estabelecimento ficava na rua das Palmeiras, 59, onde residia com sua família.

1920 – Em uma matéria sobre a história da Casa Edison, cujo proprietário era Gustavo Figner, foi relembrado que em fins do século XIX, um fonógrafo do empresário esteve em exposição no estabelecimento de Quaas, na época localizado na rua São Bento (O Estado de São Paulo, 13 de junho de 1920).

1926 – Fotografou a inauguração da pista de atletismo do Sport Club Germânia, atual Esporte Clube Pinheiros (Revista do Esporte Clube Pinheiros, março de 2014). Também do Germânia, fotografou, no fim da década de 20, panoramas do rio com os cochos, a casa de barcos e a figueira de tronco duplo, além das festas ao ar livre e também no salão da Rua Dom José de Barros (Site do Esporte Clube Pinheiros).

1929 / 1930 – Segundo depoimento de Vicentina Mello Cunha concedido a Boris Kossoy, Quaas faleceu por volta de 1929 e 1930, com cerca de 68 anos.

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Fontes:

Acervo de O Estado de São Paulo

Acessa SP

Efedeportes.com

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

NASCIMENTO, Ana Paula. Engenharia e sociabilidade – a trajetória de Samuel das Neves no Rio de Janeiro. 19&20, Rio de Janeiro, v. XII, n. 1, jan./jun. 2017.

SÃO PAULO 450 Anos: a imagem e a memória da cidade no acervo do Instituto Moreira Salles. São Paulo: Bei Editora,agosto 2004.

Site da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo

Site do Esporte Clube Pinheiros

Site Enciclopedia Itaú Cultural

O cronista visual de Diamantina: Chichico Alkmim, fotógrafo (1886 – 1978)

O ateliê é o mundo

Eucanaã Ferraz*

As fotografias de Chichico Alkmim (1886 – 1978) são, antes de tudo emocionantes. Mas já o primeiro olhar reconhece o domínio dos recursos técnicos. Aprende a fotografar ainda muito jovem e, em Diamantina, abre seu primeiro estúdio em 1912. Depois de passar por outros endereços, muda-se em 1919 para o beco João Pinto, 86, na parte alta da cidade. Ali, monta seu ateliê definitivo, cujo funcionamento se estenderá até meados de 1950. O pavimento ao nível da rua é destinado ao laboratório fotográfico. Outro cômodo, na parte superior, é adaptado para estúdio, conforme o padrão da época: ampla janela envidraçada em uma das paredes e claraboia; sobre ambas, um cortinado leve, deslizante graças a um sistema de cordas, compondo um mecanismo de controle da luz natural; na parede ao fundo, uma viga de madeira serve como suporte para os painéis pintados com paisagens viçosas e motivos arquitetônicos de gosto classicizante; algum mobiliário – cadeiras, pequenas mesas, apoios para jarros, tapetes, cortina – ajuda a compor os cenários. Vivia-se ainda há pouco na escravidão de homens e mulheres roubados à África. Nas casas de família, tocam-se pianos juvenis. Lá fora, portugueses pobres cantam violões tristíssimos. Os negros fazem festas, vão à igreja. Procissões desfilam em latim enquanto nos cafés os chapéus falam francês. Há muitos padres e carnavais. Há meninos negros de terno em pés descalços. Tudo tão antigo e tão recente esta gente de papel convida a esquecer o tempo – até que a voz de um galo nos acorde.

*Eucanaã Ferraz é poeta e consultor de literatura do Instituto Moreira Salles.

Acessando o link para as fotografias de autoria de Chichico Alkmim disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

Pequeno perfil de Chichico Alkmim

 Andrea C. T. Wanderley*

O mineiro Chichico Alkmim (1886 – 1978), autodidata, pioneiro da fotografia de estúdio em Diamantina, e primeiro cronista visual da cidade, atuou na profissão, que adotou em 1907, até 1955. Seu primeiro ateliê foi inaugurado em 1912. A obra de Chichico, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Foi o mestre do fotógrafo Assis Horta (1918 – 2018), mineiro de Diamantina, que se tornou conhecido por registrar a classe trabalhadora na era Vargas. Uma curiosidade: a fotografia predileta de Assis Horta foi produzida por Chichico no dia de seu casamento: Eu mesmo levei a máquina para o Chichico fazer o retrato.

Chichico retratou a burguesia e também os trabalhadores ligados ao pequeno garimpo, ao comércio e à indústria. Produziu imagens de casamentos, batizados, funerais, festas populares e religiosas, paisagens e cenas de rua. De 1955, quando parou de  fotografar, até 1978, ano de sua morte, continuou cuidando de seu acervo, que guardava no porão de sua casa.

A gestão do acervo de Chichico Alkmim, de 5.549 negativos de vidro, foi transferida para o Instituto Moreira Salles (IMS), em 2015. Além dos negativos em vidro, existem no acervo alguns poucos negativos flexíveis, documentos, objetos e dezenas de fotografias de época.

Foi inaugurada em 13 de maio e 1º de outubro de 2017, na sede do IMS, no Rio de Janeiro, a exposição “Chichico Alkmim, fotógrafo”, cuja curadoria é do poeta Eucanaã Ferraz (1961-). Será encerrada em 1º de outubro de 2017. Segundo Eucanaã, “Chichico é daqueles fotógrafos que parecem ter o poder de fazer vir ao primeiro plano a vida de seus modelos. E é patente a densidade existencial que se expressa no conjunto de características físicas que chamamos fisionomia, compreendida como a realização momentânea de um destino”.

 

 Cronologia de Chichico Alkmim

 

1886 – Filho de Herculano Augusto d’Alkmim e Luiza Gomes d’Alkmim, Francisco Augusto de Alkmim, o Chichico Alkmim, nasceu em 28 de março, na fazenda do Sítio, município de Bocaiuva.

1890 – 1900 – Em 7 de abril de 1890, falecimento de sua mãe, em Bocaiuva. Chichico e sua irmã Carmina foram levados para a fazenda do Caeté Mirim, localizada próximo ao distrito de São João da Chapada, das suas tias Tereza de Jesus Gomes Ribeiro e Maria Amélia de Jesus Ribeiro. A irmã mais velha, Amanda, permaneceu em Bocaiuva. Nessa década, na fazenda, foi educado pelas tias, com quem aprendeu a ler e escrever.

1900-1910 – Nesse período, Chichico ajudou nos negócios da fazenda e nos trabalhos de mineração de diamantes empreendidos por suas tias. Realizou várias viagens, a maioria delas em companhia de seu pai, que comercializava gado. Os deslocamentos em tropa davam-se entre Caeté Mirim, São João da Chapada, Diamantina, Bocaiuva, Montes Claros, Buenópolis, Coração de Jesus, Januária, Carinhanha (Bahia) e várias outras localidades do vale do São Francisco, chegando algumas vezes até a Vila de Posse, atual cidade de Posse, em Goiás. Nessas viagens, Chichico vendia jóias e, possivelmente, foi em uma delas que, entre 1900 e 1902, conheceu a fotografia.

1907 – Adotou a profissão de fotógrafo.

1912 - No fim do ano, passou a residir em Diamantina. Sua casa e seu primeiro ateliê ocupavam parte do sobrado situado à praça Francisco Sá, 53, largo do Bonfim (atual sede da Casa da Cultura). Nos anos seguintes, mudou de endereço várias vezes, tendo permanecido por mais tempo em um sobrado localizado no alto da rua da Romana, 37.

1913 – Em 14 de junho, casou-se com Maria Josephina Netto, a Miquita.

1914 – No fim do ano, seu irmão por parte de pai, José Maria Alkmim (1901 – 1974), futuro político e vice-presidente do Brasil, entre 1964 e 1967, passou a residir em sua casa, até completar os estudos em 1921.

1916 - Em 30 de junho, nasceu sua primeira filha, Maria de Jesus Alkmim, que faleceu poucos meses depois.

1917 – Em 20 de agosto, nasceu a segunda filha, Maria Bernadette.

1919 – Em 17 de abril, nasceu a filha Déa Maria.

Em 9 de outubro, Chichico mudou-se para o beco João Pinto, 86, na parte alta da cidade, onde montou seu ateliê definitivo.

1920 – Em 20 de outubro, nasceu a filha Luíza Marilac.

1923 – Em 13 de outubro, nasceu a filha Maria Ruth.

1924 – Em 12 de novembro, nasceu o filho José Antônio.

1955 – Chichico  encerrou a carreira de fotógrafo.

1978 – Faleceu em consequência de um colapso cardíaco, em 22 de agosto.

1980 – Na inauguração do Centro de Documentação e Pesquisa da Casa da Cultura de Diamantina, durante o 16º Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizou-se a primeira exposição de fotografias de Chichico, no Museu do Diamante/Ibram/MinC.

1998 – O acervo fotográfico de Chichico, constituído por aproximadamente 5.500 negativos, começou a ser higienizado, indexado e catalogado na Faculdade de Filosofia e Letras da Fundação Educacional do Vale do Jequitinhonha (Fevale), em projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Minas Gerais (Fapemig) e apoio da UFMG.

1999 – Chichico Alkmim foi apresentado como um artista do circuito fotográfico brasileiro na mostra Minas: minas memorial e contemporânea, realizada no MIS-SP, com curadoria do fotógrafo Bernardo Magalhães.

2002 – O acervo fotográfico de Chichico foi doado pelos seus herdeiros à Fevale.

2005 – Foi lançado o livro O olhar eterno de Chichico Alkmim, pela Editora B, organizado por Flander de Sousa e Verônica Alkmim França.

2008 – Foi realizada a exposição Chichico Alkmim, na galeria da Escola Guignard, Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg), em Belo Horizonte.

2010 – Com a extinção da Fevale, o acervo fotográfico retornou aos herdeiros.

2013 - Foi realizada a exposição Paisagens humanas — Paisagens urbanas, no Memorial Minas Gerais Vale, em Belo Horizonte.

2015 – O acervo de Chichico Alkmim passou a integrar em regime de comodato o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles.

2017 – Foi aberta a exposição Chichico Alkmim, fotógrafo, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, em 13 de maio, com curadoria de Eucanaã Ferraz.

 

 

 

 

*Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

 

Essa pesquisa contou com a colaboração de Gabriella Vieira Moyle, da equipe do IMS.

 

Publicações relacionadas a Chichico Alkmim:

Diamantina, Chichico Alkmim (1886 – 1978) e Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

Elegância brasileira, por Carolina Casarin

Família, por Silviano Santiago sobre uma fotografia de autoria de Chichico Alkmim

O anfitrião de Chichico, por Elvia Bezerra.

O retratista de Diamantina, por Manya Millen

Fontes:

Chichico Aklmim, fotógrafo. IMS, 2017.

FRANÇA, Verônica Alkmim; SOUZA, Flander de (orgs). O olhar eterno de Chichico Alkmim. Belo Horizonte: Editora B, 2005.

HARAZIM, Dorrit. O instante certo. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

Site do Instituto Moreira Salles

Os trinta Valérios, uma fotografia bem-humorada de Valério Vieira (1862 – 1941)

O fotógrafo, pianista e compositor Valério Vieira (1862 – 1941) apresentou na Exposição Universal de Saint Louis, nos Estados Unidos, realizada entre de 30 de abril e 1 de dezembro de 1904, a curiosa e bem-humorada fotografia Os trinta Valérios, que lhe valeu a medalha de prata. O original autorretrato realizado por Valério, uma combinação de dois gêneros da fotografia – o retrato e a fotomontagem – tem caráter teatral e humorístico e é um marco na história da fotografia brasileira. Na imagem, vê-se a apresentação de uma orquestra, onde todos os músicos, além das figuras da plateia, dos garçons, do busto em cima do móvel e dos quadros pendurados na parede são retratos do fotógrafo. Ao todo, são 30 imagens de Valério Vieira.

 

 

Segundo Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, um dos curadores da Brasiliana Fotográfica:

“O retrato é um dos mais antigos gêneros de fotografia produzidas no mundo. O francês Daguerre , inventor do daguerreótipo (1839), e o inglês Fox Talbot, inventor do calótipo (1841), – considerados os pais da fotografia – já apontavam esse caminho, entre muitos outros, através de seus retratos. O surgimento de novos processos e formatos nos anos 1850 populariza a produção de retratos fotográficos, num processo crescente e ininterrupto que vem até os nossos dias.

A  fotomontagem é um gênero de fotografia que surge também nessa mesma década. O sueco radicado na Inglaterra Oscar Rejlander apresentou numa exposição, em 1857, uma alegoria intitulada ‘Two Way of Life’, resultado da composição de trinta negativos em papel fotográfico, num trabalho que durou seis semanas para ser realizado; obteve grande sucesso e acabou sendo adquirido pela rainha Vitória.

A combinação desses dois gêneros, o retrato e a fotomontagem, ocorre também nessa época… No Brasil, o fotógrafo Valério Octaviano Rodrigues Vieira se destacou nessa combinação de gêneros…” (Preciosidades do acervo – “Os trinta Valérios”, p. 218, in Anais da Biblioteca Nacional, vol 114, 1994).

Inicialmente, a fotografia Os trinta Valérios, produzida em torno de 1901, chamava-se Valerio Fregoli, possivelmente uma referência ao ator italiano Leopoldo Fregoli (1867 – 1936), que representava diferentes papéis numa mesma encenação, com rápida troca de caracterização.

Nascido em Angra dos Reis, em 16 de novembro de 1862, Valério Otaviano Rodrigues Vieira ficou conhecido por seu senso de humor, inventividade e pela manipulação das imagens fotográficas de sua autoria. Na década de 1880, Valério estabeleceu-se como fotógrafo e atuou em cidades do Vale do Paraíba e em Ouro Preto, após um período de estudo no Rio de Janeiro. Na década seguinte, fixou-se em São Paulo, onde formou uma representativa clientela e tornou-se popular entre os paulistanos. Frequentemente, são identificados retratos de sua autoria em álbuns de família. Elegante e requintado, o estúdio de Valério, na rua Quinze de Novembro nº 19, em São Paulo, era muito frequentado por artistas, políticos e mecenas da sociedade paulistana.

Dedicou-se aos portraits e à exploração das possibilidades técnicas e criativas da fotografia como a fotomontagem e os painéis de grandes dimensões. Foi, ao lado de Guilherme Gaensly (1843 – 1928) e Militão Augusto de Azevedo (1837-1905), um dos mais conhecidos e importantes fotógrafos ativos em São Paulo no final do século XIX. Segundo Ricardo Mendes, as imagens realizadas por eles integram o principal núcleo de fotografias remanescentes sobre a cidade de então, registrando uma transformação dramática dos aspectos físicos e humanos.

Além de aplicar a técnica da fotomontagem também em cartões de boas festas, produziu os retratos bouquet, que são fotografias mostrando o rosto da mesma pessoa em sete poses diferentes. Também inventou o Degradador Valério. Apresentou na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, realizada entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos, o Panorama de São Paulo, anunciado como a maior fotografia do mundo, com 11 x 1.43 metros. Mereceu grande atenção do público e da crítica e obteve o Grande Prêmio do Grupo de Fotografia do estado de São Paulo (Almanak Laemmert, 1909 e O Commercio de São Paulo, 23 de novembro de 1908, na quarta coluna).

Valério era também compositor e pianista. Suas partituras foram editadas por Buschmann & Guimarães, no Rio de Janeiro, e pela Casa Levy, em São Paulo, onde se apresentava em saraus. Dentre suas composições mais famosas estão as valsas Vivi, Adamastor e As tuas lágrimas, as polcas Ai! Ai!Catita, Polca-Tango e Paulista, além da cake walk Capoeira. Na capa da partitura desta última, Valério aparecia representado várias vezes, como na fotomontagem “Os trinta Valérios”. Não raramente dedicava suas composições a seus amigos e esposas e algumas de suas músicas têm títulos relacionados à fotografia: Photographica, Photovalsa e Retratista.

 

 

 

Cronologia de Valério Vieira

1862 - Em 16 de novembro, nascimento de Valério Octaviano Rodrigues Vieira, em Angra dos Reis, filho dos imigrantes portugueses Octaviano, fazendeiro de café, e Anna Rodrigues Vieira.

1869 / 1874 – Provavelmente, estudou na Escola do Convento do Carmo, em Angra dos Reis.

1875 – Transferiu-se para o Rio de Janeiro com seu único irmão, Luiz Delfino, vinte anos mais velho e médico na Corte Imperial. De acordo com o catálogo da mostra Memória Paulistana, realizada no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1975, fez isso contra a vontade de seus pais.

1876 / 1884 – Provavelmente, frequentou nesse período a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, como aluno ouvinte.

Década de 1880 – Casou-se com Irene Maria Moura e trabalhou como assistente no estúdio do fotógrafo português José Ferreira Guimarães (1841 – 1924), profissional de muito prestígio, agraciado com o título de Fotógrafo da Casa Real, em 13 de setembro de 1866.

1886 - Falecimento de sua esposa Irene Maria, no Rio de Janeiro. Foi enterrada no cemitério São João Batista. A ela, Valério dedicou, no ano seguinte, a composição La Irenita (Diário de Notícias, 27 de setembro de 1887, na segunda coluna).

1887 –  Valério mudou-se para Pindamonhangaba, onde abriu seu primeiro estúdio fotográfico, especializado em retratos.

A habanera La Irenita, composição de Valério, foi anunciada como uma das novidades musicais à venda na Casa Buschmann & Guimarães, no número 52, na rua do Ourives, atual rua Miguel Couto, no Rio de Janeiro (O Programma Avisador, 16 de outubro de 1887). O anúncio foi repetido diversas vezes ao longo do ano.

Pelos mesmos editores, foi publicada a polca Catita, de autoria de Valério (Jornal do Commercio, 27 de outubro de 1887, na penúltima coluna).

1889 – Casou-se em Taubaté com Carmen Augusta Vieira, em 16 de maio. O casal teve quatro filhos: José do Patrocínio (26/04/1891 – 12/07/1911), Maria Catarina (02/09/1892 – 1918), Roque (1893 – 03/1977) e Francisco (1900 – 1971).

O casal mudou-se para Ouro Preto, onde Valério montou a Photographia União, em sociedade com Riberi, na rua Bobadela, posteriormente rua Direita.

Fotografou a inauguração do início dos trabalhos do traçado final da ferrovia entre Ubatuba e Taubaté. Estavam presentes na cerimônia o concessionário da ferrovia, Francisco de Moura Escobar, e os senadores Leão Veloso (1828 – 1902) e Joaquim Floriano de Godoy (1826 – 1907), dentre outros (Gl´Italiani in San Paulo, 21/22 de março de 1889, na última coluna).

Década de 1890 – Valério fixou-se em São Paulo, onde formou uma representativa clientela e tornou-se popular entre os paulistanos. Frequentemente são identificados retratos de sua autoria em álbuns de famílias da cidade.

1890 – Os editores Buschmann & Guimarães enviaram para o periódico A Republica a polca tango Ai!Ai!, de autoria de Valério Vieira (A Republica, 24 de novembro de 1890, na última coluna).

1891 – Já era o único proprietário da Photographia União, em Ouro Preto.

Em 26 de abril, nascimento do primeiro filho do casal, José do Patrocínio, batizado em homenagem ao abolicionista de mesmo nome.

Por volta desse ano, tornou-se muito amigo do jornalista e artista francês Émile Rouéde (1848 – 1908), que viveu em Ouro Preto entre 1890 e 1894. Rouéde foi também amigo dos escritores e irmãos Aluísio (1857 – 1913) e Artur Azevedo (1865 -1908), de Coelho Netto (1864 – 1934), José do Patrocínio (1854 – 1905) e Olavo Bilac (1865 – 1918).

Anunciou que, após uma viagem a Caxambu e ao Rio de Janeiro, estava de volta ao seu estabelecimento fotográfico, a Photographia União (Jornal de Minas, 20 de abril de 1891).

Os editores Buschmann & Guimarães enviaram para o periódico O Vassourense a valsa Tuas Lágrimas, de autoria de Valério Vieira (O Vassourense, 1º de fevereiro de 1891, na última coluna).

Foi o autor do quadro com todos os membros do Congresso Mineiro (A Ordem, 11 de julho de 1891, na primeira coluna).

Seu pedido de exoneração do cargo de professor de desenho do Externato do Ginásio Mineiro foi concedido, em 1º de setembro (Minas Gerais, 2 de julho de 1892, na segunda coluna).

1892 – Em 2 de setembro, nascimento da única filha do casal, Maria Catarina (O Estado de São Paulo, 2 de setembro de 1910, página 7, na sétima coluna).

Em um dos artigos da série “Na terra do ouro”, a Photographia União foi citada como um dos estabelecimentos que atestavam o adiantamento da cidade de Ouro Preto, sendo dirigido com muita perícia e gosto pelo sr. Valério Vieira (O Paiz, 15 de janeiro de 1892, na terceira coluna).

Foi noticiado que ele se encontrava em São Paulo e que na casa Aguiar, na rua São Bento, estava exposto um grande quadro da cidade mineira de Caxambu de sua autoria. Mencionava-se que Valério gostaria de se fixar em São Paulo (Diário Popular, 24 de julho de 1892, página 2).

1893 – Nascimento de Roque, o terceiro filho do casal.

1894 - Com a mudança de sua família, estabeleceu-se definitivamente em São Paulo.

1895 - No salão do periódico O Paiz, exposição de uma fotografia do ator baiano Xisto Bahia (1841 – 1894) em seu leito de morte, produzida por Valério Vieira, em Caxambu. O retrato foi oferecido ao jornalista e dramaturgo Artur de Azevedo (1855 – 1908) por Paulo da Fonseca (O Paiz, 16 de janeiro de 1895, na sexta coluna).

Valério fotografou a decoração do refeitório do Colégio de Ytu na ocasião da festa realizada em homenagem ao padroeiro do estabelecimento, São Luiz Gonzaga (Jornal do Brasil, 10 de julho de 1895, na terceira coluna).

Abertura de seu estúdio fotográfico na rua Quinze de Novembro, nº 19, em São Paulo. Essa data é baseada em uma notícia, reproduzida abaixo, publicada no O Estado de São Paulo, de 30 de outubro de 1909, na página 7, na sétima coluna, informando sobre a comemoração dos 14 anos do ateliê de Valério em São Paulo. Algumas fontes apontam 1892 ou 1893 como os anos de fundação do ateliê de Valério.

!4 anos do atelê de Valério em São Paulo / O Estado de São Paulo, 30 de outubro de 1909.

Notícia sobre a comemoração dos 14 anos do ateliê de Valério Vieira em São Paulo / O Estado de São Paulo, 30 de outubro de 1909.

1896 – Iniciou a sociedade com Aguiar, no estúdio Photographia Valério & Aguiar.

1897 – Foi publicado o seguinte anúncio na edição de janeiro de 1897, da revista A Música para todos:

“Photographia. – Valerio e Aguiar, na rua Quinze de Novembro, 19 – Casa de primeira ordem – Recomendamos esta casa pela elegância e solicitude dos trabalhos. Todos os artistas antes de irem em qualquer outro lugar, devem visitar o elegante atelier do simpático sr. Valério, que há poucos dias acabou o grande tableau alegórico do Veloce Club Olympico Paulista.”

Estavam em exposição na vitrine do escritório do jornal Correio Paulistano algumas fotografias da passagem do 1º Batalhão de Polícia pelas ruas de São Paulo e da missa campal que se realizou na Praça da República, produzidas pelos sócios Valério e Aguiar. O trabalho exposto se recomenda por sua nitidez e perfeição (Correio Paulistano, 30 de outubro de 1897, na quarta coluna).

1898 – Valério participou da inauguração do Hotel Internacional, em Santos (Correio Paulistano, 4 de outubro de 1898, na primeira coluna).

Em novembro de 1898, Valério & Aguiar expuseram no pavimento térreo do Banco União sete quadros executados por diferentes processos. Fora muito elogiados, principalmente os quadros da srta. Bulcão e a do sábio Vastecer e a matéria termina com a afirmação: já temos photographias em São Paulo (Correio Paulistano, 19 de novembro de 1898, na última coluna). A senhorita Bulcão era Isabel Bulcão, que havia vencido um concurso de beleza em São Paulo, realizado pela Revista do Brasil.

Foi noticiado o falecimento de Antonio Ribeiro Netto, concunhado do distinto fotógrafo Valério Vieira (Correio Paulistano, 1º de dezembro de 1898, na sexta coluna).

Durante um almoço no salão nobre da Rotisserie, oferecido aos oficiais do cruzador português Adamastor, Valério tocou ao piano sua valsa homônima e foi muito aplaudido (O Commercio de São Paulo, 8 de dezembro de 1898, na quarta coluna).

1899 – Provavelmente, a sociedade Valério & Aguiar terminou nesse ano como indica a nota sobre uma exposição na Charutaria Neumann de “um grande quadro com retratos dos membros da câmara dos deputados do Estado.”, obra que “muito recomenda a Photographia Valerio…” (Diário Popular, 05 de agosto de 1899, página 1). Alguns autores indicam 1900 como o ano do fim da sociedade.

Valério foi um dos participantes da reunião para deliberar sobre a realização de homenagens ao pintor José Ferraz de Almeida Júnior (1850 – 1899), no Club Internacional, em São Paulo. O pintor havia sido vítima de um crime passional (Cidade do Rio, 18 de novembro de 1899, na quinta coluna). Valério ofereceu-se para fotografar gratuitamente todos os quadros de Almeida Júnior (Jornal do Commercio, 21 de novembro de 1899, na segunda coluna ).

1900 – Nascimento de seu quarto filho, Raymundo Nonato.

Realizou um painel retratando os membros que formavam o senado no Congresso Paulista.

Valério estava na folha de pagamento da Secretaria do Interior de São Paulo (Lavoura e Commercio, 20 de março de 1900, na primeira coluna).

Expôs na rua Quinze de Novembro, nº 44, vários trabalhos de sua autoria, dentre eles um retrato da senhorita Edith Reis, belo trabalho de miniatura a ponto, pintado com lente, segundo o processo de Meissonier, fotografias aquareladas (fotocromia), entre as quais uma da senhorita Bulcão, vários retratos em tamanho natural pelo processo de platinotipia e bem assim variada coleção de retratos bebés, última novidade no gênero... (Correio Paulistano, 21 de março de 1900, na quarta coluna).

Foram enviadas pela Casa Levy & Irmão à redação do jornal O Estado de São Paulo as partituras das polcas Photographica e Paixão recolhida , ambas de Valério Vieira (O Estado de São Paulo, 5 de abril de 1900, página 2, na quinta coluna).

Em Rio Claro, no interior do estado de São Paulo, Valério fotografou um almoço oferecido pela Companhia Elétrica com a presença de políticos e autoridades da cidade (O Estado de São Paulo, 4 de junho de 1900, página 1, na sétima coluna).

Mostrou no salão do jornal O Paiz, no Rio de Janeiro, fotografias em relevo, que no dia seguinte poderiam ser vistas em exposição no Liceu de Artes e Ofícios. Eram fotografias pintadas a aquarela e diversos tipos de retratos (O Paiz, 26 de julho de 1900, na terceira coluna).

Fotografou a abertura da Galeria de Cristal, em São Paulo, inaugurada com uma exposição de seus trabalhos e com as presenças do governador de São Paulo, Rodrigues Alves (1848 – 1919), e de outras autoridades. A galeria, de Christiano Webendorf, ligava a rua Quinze de Novembro à Boa Vista (O Paiz, 15 de novembro de 1900, na quarta colunaA Imprensa, 16 de novembro de 1900, na primeira coluna).

O seu estúdio, que passou a chamar-se Photographia Valério, continuava à rua Quinze de Novembro, nº 19. Oferecia  retratos convencionais, além de imagens coloridas com aquarela e pastel, ou ampliadas em materiais como espelho, porcelana e marfim. No número 28 da mesma rua, havia o ateliê de Guilherme Gaensly (1843 – 1928). O estabelecimento de Valério era um dos estúdios mais frequentados por artistas, políticos e intelectuais, dentre eles o deputado Rodolfo Miranda (1882 – 1954), o político Lins de Vasconcelos (1853 – 1916), o fotógrafo Militão Augusto de Azevedo (1837-1905) e o mecenas José Freitas do Valle (1870 – 1958) (Almanak Laemmert, 1901).

1901 – Em torno desse ano, realizou a fotomontagem “Os trinta Valérios”, inicialmente batizada de “Valerio Fregoli”. É também dessa época a fotomontagem Tribunal de Justiça de São Paulo, na qual foi retratado o conselheiro Duarte de Azevedo (1831 – 1912) discursando na tribuna. 

Nascimento de seu filho caçula, Francisco.

No atelier de Valério, exposição de um quadro de todos os senadores do estado de São Paulo (Commercio de São Paulo, 30 de junho de 1901, na segunda coluna).

Na Galeria Cristal, foi inaugurada uma exposição de trabalhos fotográficos do conceituado artista Valério Vieira, que ali expôs, além de alguns retratos à aquarela, que são primorosamente trabalhados, dois grandes quadros de admirável confecção artística – um com os retratos dos bacharelando em Direito de nossa Faculdade, e outro, do Senado Paulista (O Commercio de São Paulo, 13 de agosto de 1901, na quinta coluna).

Foi noticiado que João Berniles e A. Bueno, representantes da Photographia Valerio Vieira, haviam seguido para o interior (O Commercio de São Paulo, 21 de setembro de 1901, na quarta coluna).

Fotografou a conclusão das obras na Estação da Luz e exibiu a imagem na porta de seu estúdio fato que, segundo Boris Kossoy, gerou uma confusão matrimonial : …Um senhor que por ali passava, ao examinar a fotografia reconheceu sua esposa presente à inauguração de mãos dadas com um estranho. Pode se prever o que se seguiu, procura de satisfações e grande pancadaria… (Artigo de Boris Kossoy publicado no O Estado de São Paulo, 4 de março de 1973, na página 5 do “Suplemento Literário”)

Conforme descrito por Antônio Francisco Bandeira Junior no livro A Indústria de São Paulo em 1901, páginas 116 e 117, Valério havia inventado o Degradador Valério: um pequeno aparelho que se adapta em qualquer máquina, sendo sua principal qualidade abreviar 8 procedimentos dando maior realce à fotografia, saindo a chapa da máquina quase concluída. Esse invento trouxe um grande aperfeiçoamento à arte da fotografia.

1902 – Valério era aguardado na Pensão Mineira, em Caxambu (Gazeta de Notícias, 7 de março de 1902, na penúltima coluna).

Na notícia da reabertura do estabelecimento de Valério, na rua Quinze de Novembro, em 8 de março, há uma longa descrição dos trabalhos expostos e menções às obras Fé, esperança e caridade e Os trinta Valérios, sob o nome de Valério Fregoli – possivelmente uma referência ao ator italiano Leopoldo Fregoli (1867 – 1936), que representava diferentes papéis numa mesma encenação com rápida troca de caracterização. Na ocasião, estavas expostas esplêndidos processos como sejam a l´Art Noveau, fototipia, aquarelas, pastel, óleo, carvão, miniaturas, alto relevo e geminatura, novidade em São Paulo, isto é: gravação de retratos sobre cristal de espelho (O Commercio de São Paulo, 9 de março de 1902, na sétima coluna).

Valério anunciou que estava estudando um novo processo de fotografia sobre porcelana e que tinha a intenção de fazer uma exposição com os frutos desses estudos e também com o Álbum de fotografias, de paisagens, marinhas, panoramas e curiosidades artísticas do estado de São Paulo, que estava em execução (O Commercio de São Paulo, 11 de setembro de 1902, na quinta coluna).

O sr. Valério Vieira, proprietário da Photographia Artística exibiu na redação de O Estado de São Paulo retratos produzidos por grapho photo, processo inteiramente novo, que o hábil artista conseguiu aplicar a photographia, de modo a dar-lhe um aspecto lindíssimo (O Estado de São Paulo, 4 de novembro de 1902, página 2, na quinta coluna).

Valério comemorou seu aniversário com um reunião em sua residência (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1902, página 3, na quinta coluna).

Uma comissão de redatoras do periódico Educação escolheu as mais interessantes fotografias tiradas de crianças entre 1 e 7 anos durante o ano de 1902 dos seguintes estúdios fotográficos do centro de São Paulo: o de Valério, o de José Vollsack, o de Rodolfo Neuhaus, o de Giovanni Sarracino e o Quaas & Cia (O Commercio de São Paulo, 22 de dezembro de 1902, na segunda coluna).

1903 – Foi noticiada a intenção de Valério de mandar construir uma câmara de 1 metro e 50 centímetros por 80 centímetros, a primeira que nessas condições se tem até hoje fabricado. Com ela pretendia fotografar vistas do Brasil para apresentá-las no exterior (Correio Paulistano, 5 de maio de 1903, na última coluna).

Anunciou ter regressado da Europa, tendo trazido novos aparelhos e materiais. Anunciou também uma liquidação em seu estabelecimento (O Commercio de São Paulo, 6 de outubro de 1903, na quarta coluna). Seu retorno foi registrado com uma charge na revista Vida Paulista, de 10 de outubro de 1903.

 

 

Valério foi um dos subscritos para participar da exposição preparatória de Saint Louis (Correio Paulistano, 29 de outubro de 1903, na sexta coluna).

Distribuiu um cartão de Boas Festas para seus clientes, onde seu rosto aparecia no lugar das flores em um buquê.

  

1904 – Notícia sobre a Exposição Universal de Saint Louis, nos Estados Unidos (O Commercio de São Paulo, 21 de janeiro de 1904, na primeira coluna). Com sua obra mais conhecida, Os trinta Valérios, ganhou a medalha de prata. Na mesma exposição, o pintor Eliseu Visconti (1866 – 1944) ganhou a medalha de ouro na Seção de Arte – Pintura e Desenho (Almanak Laemmert, 1905).

Nas vitrines do Mundo Elegante, exposição de duas fotografias de autoria de Valério Vieira, uma do deputado Eugenio Egas (1863 – 1956) e outra do coronel Argemiro Sampaio. As fotografias seriam posteriormente colocadas na sala da música da banda da força policial de São Paulo (O Estado de São Paulo, 3 de março de 1904, página 2, na quarta coluna).

Era anunciada a venda da partitura do cakewalk Capoeira, em elegante edição, composição de Valério, na Casa di Franco, em São Paulo (Correio Paulistano, 3 de dezembro de 1904, na primeira coluna).

No artigo “A Fotografia em São Paulo”, o jornalista Múcio Teixeira (1857 -1926) elogiou a obra de Valério:

“…Esse moço é uma das mais completas organizações artísticas da atualidade; apto para os mais arrojados cometimentos, de uma coragem heróica, de uma tenacidade japonesa, não trepida em sacrificar os haveres e a própria saúde numa elaboração perseverante e prolongada, no intuito exclusivo de desbravar caminhos por outros não trilhado…”(Correio Paulistano, 18 de dezembro de 1904, na segunda coluna).

1905 – Na edição de 8 de janeiro do Correio Paulistano foi publicado um clichê tirado de uma fotografia do conselheiro Antônio da Silva Prado (1840 – 1929), de autoria de Valério (Correio Paulistano, 9 de janeiro de 1905, na primeira coluna).

A colônia síria de São Paulo ofereceu ao prefeito de São Paulo, conselheiro Antônio da Silva Prado (1840 – 1929), um retrato a óleo pintado por Valério Vieira (O Paiz, 9 de janeiro de 1905, na quarta coluna). Dias depois, Valério foi um dos convidados do baile em homenagem ao prefeito (O Commercio de São Paulo, 15 de janeiro de 1905, na quarta coluna).

Valério foi um dos retratados na edição comemorativa do primeiro aniversário da Folha Nova (A Republica, 18 de janeiro de 1905, na última coluna).

Em São Paulo, era discutida a fundação de uma nova revista sob a direção artística de Valério Vieira e direção literária de Múcio Teixeira (1857 -1926) (O Pharol, 19 de janeiro de 1905, na terceira coluna).

O atelier dos fotógrafo Guilherme Gaensly (1843 – 1928) era vizinho do de Valério. Ficava na rua Quinze de Novembro, nº 28 (Correio Paulistano, 4 de fevereiro de 1905, na sétima coluna).

No Teatro Sant´Anna, como parte das homenagens ao trigésimo dia de morte de José do Patrocínio (1853 – 1905), foi exposta uma alegoria do abolicionista, de autoria do artista fotógrafo Valério Vieira (O Commercio de São Paulo, 25 de fevereiro de 1905, na quarta coluna). O filho primogênito de Valério chamava-se José do Patrocínio em homenagem ao abolicionista.

A fotomontagem Tribunal de Justiça de São Paulo, na qual foi retratado o conselheiro Duarte de Azevedo (1831 – 1912) discursando na tribuna, foi publicada na segunda edição de 1905 do periódico Archivo Illustrado e seus integrantes foram nomeados.

Em um dos intervalos do vaudeville O Lambe Feras, em cartaz no Teatro Polytheama, era executada a valsa Aeronave, de autoria de Valério (O Commercio de São Paulo, 29 de março de 1905).

Foi anunciado na “Crônica social” o aniversário de José do Patrocínio, primogênito de Valério (Correio Paulistano, 26 de abril de 1905, na última coluna).

A fotografia do Panorama de São Paulo foi tirada em 1º de julho em um esplêndido dia de sol a 1 hora da tarde, a partir do Santuário do Sagrado Coração de Jesus. Foram cinco chapas perfeitas (O Commercio de São Paulo, 19 de novembro de 1905).

Requereu à Câmara Municipal de São Paulo uma ajuda de seis contos de réis para a conclusão do grande painel fotográfico que estava realizando da cidade de São Paulo (O Pharol, 5 de agosto de 1905, na primeira coluna).

Valério foi nomeado um dos peritos em um caso de investigação de falsificação de dinheiro no bairro de Perdizes, em São Paulo (Jornal do Commercio, 12 de novembro de 1905, na segunda coluna).

Em entrevista, Valério Vieira explicou a realização do Grande Panorama de São Paulo, anunciada como a maior fotografia do mundo, com 11 x 1.43 metros, batendo o recorde anterior que pertenceria a um registro de um fotógrafo alemão. Este sucesso extraordinário, este notável acontecimento na arte fotográfica deve 0 São Paulo aos esforços, à perícia, à coragem e ao apaixonado sentimento artístico de um distinto conterrâneo nosso, o exímio fotógrafo sr. Valério Vieira (O Commercio de São Paulo, 19 de novembro de 1905).

Lauro Müller (1863 – 1926), ministro da Indústria, em visita a São Paulo, foi ver o panorama da cidade que estava sendo executado por Valério (Correio Paulistano, 30 de novembro de 1905, na segunda coluna).

Um leitor rebateu a informação de que o Panorama de São Paulo fosse a maior fotografia do mundo. Segundo ele, havia sido apresentado na Exposição de Saint Louis um registro do Panorama da Baía de Nápoles, produzida pela Companhia Fotográfica de Hamburgo, com 12 metros por 1 metro e 50 (O Commercio de São Paulo, 14 de dezembro de 1905, na última coluna).

Valério promoveu uma exposição individual no Salão Progredior, de propriedade do conde de Prates (1860 – 1928), e o mais elegante da belle époque paulistana. A inauguração contou com cerca de quatro mil visitantes e foi um grande acontecimento social e cultural. Os convidados recebiam, ao chegar, o catálogo da exposição, um exemplar do cakewalk Capoeira, composição de Valério, e cartões postais com os retratos do governador e dos secretários do estado de São Paulo. Entre 10 de dezembro e 06 de janeiro, foram expostos 54 trabalhos, dentre eles o Panorama da Fazenda Santa Gertrudes, em Rio Claro, propriedade do conde de Prates,  Os trinta Valérios, José do Patrocínio, Palácio do Governo e a primeira versão do Panorama de São Paulo, com cerca de de 11 metros de comprimento por 2 metros de largura, o clou da exposição. A exposição deste panorama foi autorizado pela prefeitura de São Paulo (Correio Paulistano, 8 de dezembro de 1905, na quinta coluna). A imagem havia sido realizada em maio de 1905,  tomada da torre da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no bairro dos Campos Elíseos, e cobria um amplo arco indo do Bom Retiro, a leste, até Higienópolis, a oeste (Correio Paulistano, 11 de dezembro de 1905, na última coluna).

Exposição do 'Panorama nº 1' de Valério Vieira no Salão Progredior, em São Paulo, no ano de 1905 (Foto: Reprodução/Revista Santa Cruz, VI (4), São Paulo, 1906)

Exposição do ‘Panorama nº 1 de Valério Vieira no Salão Progredior, em São Paulo, 1905 / Reprodução de fotografia publicada na edição de janeiro de 1906 da Revista Santa Cruz

Foi noticiado que Valério estava planejando a execução de um panorama do Rio de Janeiro nos moldes do que realizou de São Paulo (Jornal do Brasil, 20 de dezembro de 1905, sétima coluna).

Foi noticiado que iria figurar na próxima exposição de Milão de 1906 um panorama de São Paulo, a maior cópia fotográfica que se tem feito no mundo. Para a realização da obra, seu autor, Valério Vieira, pediu à prefeitura de São Paulo uma ajuda financeira (A Federação, 23 de dezembro de 1905, na quinta coluna)

O ministro do Interior e da Justica, J.J. Seabra (1855 – 1942), e outras autoridades visitaram a exposição de Valério no Salão Progredior (O Commercio de São Paulo, 27 de dezembro de 1905, na quarta coluna). No dia seguinte o governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), visitou a exposição (Gazeta de Notícias, 28 de dezembro de 1905, na terceira coluna).

1906 – A edição de janeiro da revista Santa Cruz trazia um extenso artigo, assinado por Vera-Cruz, sobre a exposição no Salão Progredior. Relacionava as obras e as técnicas empregadas, além de trazer, segundo Ricardo Mendes, o mais antigo registro visual conhecido de uma exposição fotográfica em São Paulo.

Fotógrafo não identificado. Exposição  de Valério Vieira no Salão Progredior, 1905. São Paulo, SP /

Fotógrafo não identificado. Exposição de Valério Vieira no Salão Progredior, 1905. São Paulo, SP / Reprodução de fotografia publicada na edição de janeiro de 1906 da Revista Santa Cruz

 

O sucesso da exposição do Salão Progredior foi tão grande que foi prorrogada até dia 6 de janeiro (Correio Paulistano, 1º de janeiro de 1906, na quarta coluna). Foi anunciado que o conde de Prates havia feito um bom donativo para que o artista realizasse outras mostras (O Commercio de São Paulo, 6 de janeiro de 1906). Na mesma data, o Correio Paulistano publicou a matéria “O Panorama e o Valério”, de autoria de Hilário Freire, que o classificou como uma poderosa síntese fotográfica de quase todo São Paulo.

Foi noticiada a exposição, no Rio de Janeiro, de um grande panorama fotográfico de São Paulo feito pelo sr. Valério Vieira por encomenda do governo daquele estado para figurar na próxima exposição de Milão (Jornal do Commercio, 13 de fevereiro de 1906, na oitava coluna).

No Rio de Janeiro, Valério convidou o ministro do Interior e da Justica, J.J. Seabra (1855 – 1942), para ir à inauguração da exposição do Panorama de São Paulo na Avenida Central, nº 133 (A Notícia, 16 de fevereiro de 1906, na terceira coluna). Foi noticiada a inauguração da exposição: alguns dos trabalhos era feitos por processos inventados por ele, ainda não conhecidos. Apesar da chuva, muitas pessoas compareceram ao evento, inclusive um representante do presidente da República, o capitão-tenente César de Mello. Dentre os 57 quadros expostos estavam o Panorama de São Paulo e Os trinta Valérios. Esse último, segundo a reportagem, já havia sido reproduzido em vários jornais da Inglaterra. Encontravam-se também expostos quadros do presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848 – 1919), e do governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928) (Jornal do Commercio, 18 de fevereiro de 1906, na última coluna). O presidente da República visitou a exposição ( Correio Paulistano, 25 de fevereiro de 1906, na quarta coluna).

Retornou a São Paulo em 29 de março, tendo quase concluído o contrato para a organização do grande panorama do Rio de Janeiro (Correio Paulistano, 30 de março de 1906, na segunda coluna).

O Panorama de São Paulo embarcou para a Europa (Correio Paulistano, 1º de abril de 1906, na sexta coluna).

Valério visitou o sr. Carlos Botelho (1855 – 1942), secretário de Agricultura de São Paulo, para quem mostrou diversas fotografias de fazendas e de estabelecimentos públicos. Anunciou sua breve partida para uma viagem pela Europa (O Commercio de São Paulo, 10 de abril de 1906, na terceira coluna). Na mesma ocasião, apresentou o processo fotográfico a gelo-albuminite de platina que dá a reprodução exata da chapa, conservando com fidelidade absoluta todos os traços fisionômicos da pessoa fotografada (Correio Paulistano, 10 de abril de 1906, na última coluna).

Participou da Exposição Universal de 1906, também conhecida como Exposição Internacional del Sempione, em Milão, realizada entre 28 de abril a 31 de outubro de 1906.

O Cardeal Arcoverde (1850 – 1930) celebrou uma missa na capela do Paço Episcopal de São Paulo, seguida de uma recepção. Em um ateliê improvisado, representando o fundo da vista o interior de uma das dependências do Vaticano, Valério Vieira fotografou o religioso (O Estado de São Paulo, 29 de junho de 1906, página 3, na terceira coluna).

Valério participou da cerimônia de formatura da turma de Engenharia da Escola Politécnica de São Paulo (Correio Paulistano, 30 de junho de 1906, na terceira coluna).

Acompanhou o primeiro cardeal da América Latina, o Cardeal Arcoverde (1850 – 1930), em  Itu, onde se realizavam festejos em torno do religioso (Correio Paulistano, 1º de julho de 1906, na última coluna).

Foi inaugurado, no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, um retrato em tamanho natural do governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), de autoria de Valério (Correio Paulistano, 23 de julho de 1906, na penúltima coluna).

Valério fotografou em seu ateliê o presidente da República eleito, Afonso Pena (1847 – 1909) (Correio Paulistano, 2 de agosto de 1906, na última coluna).

Foi noticiado que Valério publicaria em breve o Cicerone Paulista, pequeno guia da capital, que seria editado em uma gráfica alemã (Correio Paulistano, 24 de agosto de 1906, na primeira coluna).

O diplomata Joaquim Nabuco (1849 – 1910), em visita a São Paulo, foi fotografado no ateliê de Valério (Correio Paulistano, 18 de setembro de 1906, na quarta coluna).

Na Casa Bonilha, na rua Quinze de Novembro, exposição de um quadro de Valério Vieira que havia conquistado o primeiro lugar no último garden party realizado no Jardim da Luz. O quadro representava o menino Nonô, filho do sr. Francisco de Castro Júnior (Correio Paulistano, 24 de setembro de 1906, na quinta coluna).

Foi realizada no estúdio de Valério a exposição individual do artista plástico José Joaquim Monteiro França(1876 – 1944) (Correio Paulistano, 24 de novembro de 1906, na sexta coluna).

Exposição na Câmara de Deputados de São Paulo de uma fotografia de autoria de Valério Vieira retratando os deputados da legislatura corrente (O Commercio de São Paulo, 16 de dezembro de 1906, na segunda coluna).

Valério dedicou a composição Valériopolka à imprensa paulista.

No livro Il Brasil e gli Italiani, publicado pelo jornal Fanfulla, em 1906, no segmento Arti e Artistici, metade do espaço foi dedicado à obra de Valério. O Fanfulla, fundado em 1893, era um famoso periódico de imigrantes italianos de São Paulo.

Il Brasil e gli Italiani, 1906.

1907 - No Salão Progredior, foi inaugurado um gabinete para a exposição permanente da obra de Valério (Correio Paulistano, 5 de maio de 1907, na última coluna).

O tenente La Brousse, da missão francesa, foi levado pelo oficial de gabinete da Secretaria de Justiça e Segurança de São Paulo, Sebastião Pereira Sobrinho, ao atelier de Valério Vieira que, sob a supervisão do tenente, fotografou um cabo do 1º  Batalhão para ilustrar e dar um caráter mais prático às instruções aos soldados da Força Pública (O Commercio de São Paulo, 7 de junho de 1907, na primeira coluna).

Valério expôs no Salão Progredior um retrato do poeta Olavo Bilac (1865 – 1918), de grande tamanho que muito justamente prendeu a atenção do público (Correio Paulistano, 31 de julho de 1907, na segunda coluna).

Foi noticiado que o quadro da turma dos bacharelandos em Ciências e Letras do Ginásio Paulista seria realizado por Valério Vieira (Correio Paulistano, 20 de agosto de 1907, na última coluna).

Os participantes do Sexto Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia foram fotografados por Valério, na Escola Normal (O Commercio de São Paulo, 7 de setembro de 1907, na quarta coluna). Doutorandos de 1885, que participavam do congresso, também foram fotografados por ele (Correio Paulistano, 14 de setembro de 1907, na quarta coluna). Os congressistas membros da seção de Farmacologia, ofereceram, no Parque Antártica, uma recepção a seu presidente, o farmacêutico Vicente Werneck, e Valério fotografou o evento (O Estado de São Paulo, 14 de setembro de 1907, página 1, na última coluna). Foi publicada na primeira página do Correio Paulistano de 15 de setembro de 1907 uma fotografia de autoria de Valério de participantes do congresso médico.

Valério Vieira foi um dos vários que foram ver o vulto imponente do Barão do Rio Branco (1845 – 1912), que estava visitando São Paulo (Correio Paulistano, 5 de outubro de 1907, na quarta coluna).

Valério Vieira assistiu a um concerto de violino de Celina Branco, realizado no salão do jornal Correio Paulistano (Correio Paulistano, 7 de novembro de 1907, na primeira coluna).

O aniversário de Valério foi registrado na coluna “Crônica Social”, do Correio Paulistano de 16 de novembro de 1907.

Valério Vieira estava na folha de pagamentos da Secretaria da Fazenda (O Commercio de São Paulo, 28 de novembro de 1907, na primeira coluna).

1908 – Valério foi o idealizador do quadro que seria executado por Oscar Pereira da Silva (1867 – 1939) simbolizando o estado de São Paulo recebendo Portugal, que seria ofertado pela colônia portuguesa paulista ao rei de Portugal, dom Carlos (1863 – 1908), durante sua visita a São Paulo (A Notícia (PR), 21 de janeiro de 1908, na quarta coluna). A viagem não se realizou devido ao assassinato do monarca.

Foi inaugurado no atelier de Valério um novo salão de exposições. O anfitrião recebeu os convidados com uma composição musical de sua lavra e um copo de cerveja (O Commercio de São Paulo, 23 de fevereiro de 1908, na terceira coluna).

Participou da solenidade promovida pelo Centro de Ciências e Artes de Campinas em homenagem ao cinquentenário da fundação da imprensa campinense (O Commercio de São Paulo, 7 de abril de 1908, na segunda coluna).

No Salão Steinway, foi realizada a quarta audição orquestral da escola de violino do professor Giulio Bastiani, italiano que havia se estabelecido em São Paulo por volta de 1882. Uma composição de Valério Vieira fazia parte do programa (O Commercio de São Paulo, 9 de abril de 1908, na quinta coluna).

Valério estava na folha de pagamentos da Secretaria de Agricultura de São Paulo pelo fornecimento de fotografias para a Exposição preparatória da Exposição Nacional em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos, realizada no Rio de Janeiro (O Commercio de São Paulo, 21 de junho de 1908, na quarta coluna).

Foi noticiada a participação de Valério com seu Panorama de São Paulo na Exposição Nacional do Rio de Janeiro (Correio da Manhã, 26 de julho de 1906, na sexta coluna).

Apresentou na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, realizada entre 11 de agosto e 15 de novembro de 1908, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos, o Panorama de São Paulo, que mereceu grande atenção do público e da crítica.

Antonio de Barros Barreto, presidente da comissão executiva do estado de São Paulo na Exposição Nacional recepcionou o ministro da Indústria, Miguel Calmon du Pin e Almeida (1879 – 1935), o secretário de Fazenda de São Paulo, Olavo Egydio (1862 – 1928), outras autoridades e jornalistas em uma visita às seções do estado de São Paulo na exposição. Na ocasião, Valério ofereceu aos visitantes vários quadros fotográficos (Jornal do Commercio Jornal do Brasil, 3 de setembro de 1908, Correio Paulistano, 4 de setembro de 1908, na quinta coluna). O adido da legação argentina no Rio de Janeiro, Ricardo Sollá, visitou a seção paulista da exposição e considerou os trabalhos fotográficos de Valério esplêndidos (A Imprensa, 6 de setembro de 1908, na quinta coluna).

Publicação de uma excelente crítica sobre os trabalhos de Valério Vieira exibidos na Exposição Nacional (O Subúrbio, 3 de outubro de 1908, na última coluna).

Valério obteve o Grande Prêmio do Grupo de Fotografia do estado de São Paulo (Almanak Laemmert, 1909, e O Commercio de São Paulo, 23 de novembro de 1908, na terceira coluna). Foi publicada lista dos premiados do estado de São Paulo. Na categoria Arte Fotográfica, além de Valério, foi premiado o italiano Giovanni Sarracino que apresentou retratos de Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926), Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 – 1928), Washington Luiz (1869 – 1957) e Olavo Egydio (1862 – 1928), Carlos Botelho (1855 – 1942) e Siqueira Campos (1898 – 1930), entre outros (Correio Paulistano, 24 de novembro de 1908, na sexta coluna).

Diogo José da Silva, a Companhia Clark, Isidoro Nardelli, Dallo & Filhos, Marino del Favero, Francisco Pitoresi e Valério, todos expositores paulistas da Exposição Nacional de 1908, convidavam para uma reunião para deliberações sobre a recepção a Barros Barreto e para a comissão executiva do estado de São Paulo na Exposição Nacional de 1908.  A reunião aconteceu no ateliê de Valério, que foi um dos secretários da assembleia (O Estado de São Paulo, 20 de dezembro de 1908, página 12, na quarta coluna, e Correio Paulistano, 27 de dezembro de 1908, na quarta coluna). A contribuição dos expositores para a compra de um presente e para a realização da recepção deveria ser entregue no ateliê de Valério, na rua Quinze de Novembro, nº 19, sede da comissão formada para organizar os festejos (O Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 1909, página 5, na última coluna).

1909 – Valério ofereceu ao secretário da Agricultura, Cândido Rodrigues (1850 – 1934), um quadro representando o pavilhão de São Paulo, na Exposição nacional de 1908 (O Estado de São Paulo, 8 de janeiro de 1909, página 1, na quinta coluna).

Foi enviado à diretoria do Povoamento do Solo um requerimento de Valério Vieira solicitando o envio de algumas fotografias de seu atelier para a Europa a título de propaganda. Elas haviam feito parte da Exposição Nacional (O Paiz, 24 de janeiro de 1909, na terceira coluna).

Foi noticiado que Valério iria contratar com a União o fornecimento de colossais panoramas de vistas de várias cidades do Brasil destinados à propaganda no estrangeiro (Jornal do Brasil, 5 de fevereiro de 1909, na quinta coluna e Gazeta de Notícias, 5 de fevereiro de 1909, na última coluna).

Iria encontrar-se com o ministro da Indústria, Miguel Calmon du Pin e Almeida (1879 – 1935), no Hotel dos Estrangeiros (O Século, 16 de fevereiro de 1909, na quarta coluna). Valério Vieira propôs ao então Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Miguel Calmon (1879 – 1935), a quem visitou no Rio de Janeiro, uma plano para a exposição de panoramas do Brasil na Europa (O Século, 17 de fevereiro, na quarta coluna, e O Commercio de São Paulo, 17 de fevereiro de 1909, na segunda coluna).

Valério foi uma das dezenas de pessoas que foi a gare do Norte, em São Paulo, para recepcionar Antonio de Barros Barreto, presidente da comissão executiva do estado de São Paulo na Exposição Nacional, e seus auxiliares (O Commercio de São Paulo, 8 de fevereiro de 1909, na segunda coluna).

Valério levou ao escritório do ministro da Indústria, Miguel Calmon du Pin Almeida (1879 – 1935), várias ampliações de fotografias, medindo 3 metros de comprimento por 1 de largura, dentre elas da Avenida Beira- Mar e do Pavilhão da Bahia na Exposição Nacional (Jornal do Commercio, 18 de fevereiro de 1909, na sexta coluna e O Paiz, 18 de fevereiro de 1909, na terceira coluna).

Valério foi o fotógrafo oficial da visita do presidente da República, Afonso Penna (1847 – 1909), a São Paulo (Correio Paulistano, 1º de abril de 1909, e Jornal do Commercio, 2 de abril de 1909, na sexta coluna).

Estava no Rio de Janeiro, hospedado no Hotel Avenida (Correio da Manhã, 14 de junho de 1909, na quinta coluna).

Valério foi um dos convidados para participar da viagem de trem do presidente da República, Afonso Penna (1847 – 1909), ao Paraná (Gazeta de Notícias, 9 de maio de 1909, na quarta coluna).

Foi inaugurada uma exposição para comemorar os 14 anos do atelier de Valério (O Commercio de São Paulo, 30 de outubro de 1909, na terceira coluna).

Foi noticiado que Valério fotografaria Rui Barbosa (1849 – 1923) e sua comitiva (O Século, 14 de dezembro de 1909, na primeira coluna). O fotógrafo anunciou que colocaria na frente de seu estabelecimento a fotografia do jurista medindo dois metros e cinquenta centímetros (O Commercio de São Paulo, 14 de dezembro de 1909, na terceira coluna).

Foi noticiado que Valério havia enviado ao Correio Paulistano um criativo cartão de Boas Festas: estampando a pauta musical onde, à guisa de notas, se vêem os retratos do talentoso artista e dos membros de sua exma família (Correio Paulistano, 3 de janeiro de 1910, na quarta coluna).

1910 – No Rio de Janeiro, Valério visitou o ministro da Agricultura, Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda (1862 – 1943). Estava hospedado no Hotel Avenida (A Imprensa, 11 de janeiro de 1910, na penúltima coluna e Gazeta de Notícias, 11 de janeiro de 1910, na terceira coluna). Foi contratado, meses depois, por Rocha Miranda para confeccionar seis grandes panoramas da cidade do Rio de Janeiro e um grande número de cartões postais de várias cidades do Brasil para figurarem nas exposições de Turim e Roma (A Republica, 1º de julho de 1910, na quarta coluna).

Como parte das comemorações do centenário de morte do poeta português Alexandre Herculano (1810 – 1877), foram expostos na Casa Garraux, em São Paulo, retratos do homenageado, primoroso trabalho de Valério Vieira. Seu ateliê era um dos locais onde foram distribuídos os convites para a aula magna em homenagem a Alexandre Herculano, realizada na Faculdade de Direito de São Paulo (Correio Paulistano, 23 de abril de 1909, na segunda coluna, e A Imprensa, 29 de abril de 1910, na quinta coluna). Retratos do homenageado, de autoria de Valério, foram distribuídos na faculdade (Correio Paulistano, 27 de abril de 1910, na quinta coluna). 

Valério chegou ao Rio de Janeiro para permanecer alguns dias e foi saudado pelo jornal A Imprensa como …uma figura finamente cavalheiresca e o mais completo feitor da arte fotográfica em todo o Brasil…  (A Imprensa, 21 de junho de 1910, na última coluna)

A Secretaria de Agricultura de São Paulo comunicou a aceitação da proposta de Valério para a confecção de um panorama de São Paulo para a Exposição Internacional de Roma e recusando a proposta de realização de cartões-postais e pequenos álbuns com o mesmo fim (Correio Paulistano, 22 de julho de 1910, na primeira coluna).

Quando soube da visita do rei de Portugal, dom Carlos (1863 – 1908), ao Brasil, Valério fez um croquis de sua chegada no Rio de Janeiro e por isso recebeu o título de Comendador de Portugal. A visita não aconteceu porque o rei foi assassinado em 1º de fevereiro de 1908 (Artigo de Boris Kossoy publicado no O Estado de São Paulo, 4 de março de 1973, na página 5 do “Suplemento Literário”). Valério ofertou ao rei de Portugal, dom Manuel (1889 – 1932), o croquis da aquarela que deveria ter sido executada na ocasião da visita do rei dom Carlos ao Brasil, algumas fotografias e uma composição, a valsa “Adamastor”, de sua autoria. Recebeu uma carta de agradecimento do camareiro do rei, o conde de São Lourenço (Jornal de Recife, 19 de agosto de 1910, na quarta coluna). 

Durante o Segundo Congresso Brasileiro de Geografia, o Centro Acadêmico Onze de Agosto, da Faculdade de Direito de São Paulo, ofereceu ao professor José Lobo D´Ávila Lima (1885 – 1957?), da Universidade de Coimbra, uma fotografia de autoria de Valério, retratando a diretoria da agremiação (Correio Paulistano, 17 de setembro de 1910, na sexta coluna).

Valério fotografou os bispos que participaram da Conferência do Episcopado Sul-Americano para realizar um quadro artístico comemorativo do evento, realizado em São Paulo (O Estado de São Paulo, 8 de outubro de 1910, página 6, na segunda coluna).

Valério comunicou ao ministro da Agricultura, Pedro Manuel de Toledo (1860 – 1935), que o panorama do Rio de Janeiro, que seria exibido na Exposição Internacional de Turim, já estava pronto (O Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 1910, página 2, sétima coluna).

1911 - Foi noticiado que Valério havia entregue ao ministro da Agricultura, Pedro Manuel de Toledo (1860 – 1935) o panorama do Rio de Janeiro que seria apresentado na Exposição Internacional de Turim. O panorama seria exposto nos salões do Museu Comercial antes de embarcar para a Itália (O Século, 27 de janeiro de 1911, na sexta coluna).

Valério esteve no Rio de Janeiro (O Estado de São Paulo, 5 de março de 1911, página 1, na segunda coluna)

A Câmara Municipal de São Paulo mandou arquivar o pedido de auxílio feito por Valério Vieira com o fim de confeccionar um grande panorama de São Paulo para a Exposição Internacional de Roma (Correio Paulistano, 20 de abril de 1911, na sexta coluna).

Quatro retratos a óleo, do governador de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926), do secretário do Interior, Carlos Guimarães (1862 – 1927), do deputado Mario Tavares (1874 – 1958) e do senador Antônio de Lacerda Franco (1853 – 1936), de autoria de Valério e de E. Távola, foram expostos no salão do jornal Correio Paulistano. Foram realizados por encomenda da Câmara Municipal de Pirassununga, para onde serão levados (Correio Paulistano, 27 de abril de 1911, na segunda coluna).

Para distribuição durante as exposições de Roma e Turim, Valério Vieira mandou imprimir, por ordem do Ministério da Agricultura, 776 mil cartões postais de paisagens e edifícios públicos brasileiros. Também por encomenda do governo federal, Valério produziu seis telas reproduzindo aspectos da Exposição Nacional de 1908, da baía de Guanabara, das avenidas Beira-Mar e Central (A Imprensa, 25 de abril de 1911, na quinta colunaO Pharol, 29 de abril de 1911, na quinta coluna). Foram pagos a Valério 12 contos de réis (O Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 1911, página 2, sétima coluna).

Segundo artigo de Boris Kossoy, publicado no O Estado de São Paulo, de 4 de março de 1973, Valério participou da Exposição Universal de Turim, realizada entre 29 de abril e 19 de novembro de 1911, durante a qual foi agraciado com a comenda de Cavaleiro da Coroa, concedida pelo rei da Itália, por sua defesa da causa da imigração italiana para o Brasil.

A Câmara Municipal de Bauru encomendou de Valério três retratos para sua sala de honra: do governador de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926); do secretário da Justiça e da Segurança Pública, Washington Luiz (1869 – 1957); e do senador Bernardino José de Campos Júnior (1841 – 1915) (Correio Paulistano, 20 de maio de 1911, na terceira coluna).

Em 12 de julho, seu primogênito, José do Patrocínio, faleceu repentinamente. Sua missa de sétimo dia foi celebrada na igreja de São Gonçalo (Correio Paulistano, 13 de julho de 1911, na terceira coluna e 19 de julho de 1911, na última coluna).

Foi julgada por sentença a desistência requerida por José Paulino Nogueira Filho da ação executiva que movia contra Valério (Correio Paulistano, 5 de agosto de 1911, na segunda coluna).

Foi noticiado que o senhor João de Barros estaria interessado em abrir uma filial do ateliê fotográfico de Valério Vieira no Rio de Janeiro (Diário da Tarde, 31 de agosto de 1911, na quarta coluna). Valério apresentou queixa à polícia contra ele, que também esteve no interior de São Paulo e no Paraná, apresentando-se, falsamente, como representante da Photographia Valério (Correio Paulistano, 7 de setembro de 1911, na quarta coluna).

1912 – Valério fazia parte de um grupo de artistas que fotografou, em Pindamonhangaba, a chegada do governador de São Paulo, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins (1852 – 1926), e de seus secretários à estação de trem da cidade. A comitiva foi inaugurar o Haras Paulista e o Posto Zootécnico Dr. Francisco Romeiro, além de outros melhoramentos na cidade. Valério também participou do baile oferecido a eles pela Câmara Municipal de Pindamonhangaba, no palacete de Elói Bicudo Varela Lessa (1844 – 1922), o barão de Lessa (Correio Paulistano, 28 de abril, na sexta coluna e 29 de abril, na quarta coluna).

Foi publicado no Correio Paulistano, ao longo de 1912, o seguinte endereço de Valério: Largo de São Paulo, nº 71 (Correio Paulistano, 18 de maio de 1912, na terceira coluna).

Valério esteve em Uberaba (MG), hospedado do Hotel do Comércio e em Igarapava(SP) (O Estado de São Paulo, 23 de setembro de 1912,  página 2, na terceira coluna, e Correio Paulistano, 29 de setembro de 1912, na segunda coluna). Recebeu diversas encomendas de retratos que seriam colocados nos salões do grupo escolar e do Fórum de Igarapava. Para o fórum, seriam fotografias de todos os juízes de Direito da comarca, desde sua instalação. Para o grupo escolar, retratos do ex-deputado Francisco Martins, e de outros políticos (Correio Paulistano, 8 de outubro de 1912, na quarta coluna).

1913 – Valério Vieira estava em Igarapava (SP)(Correio Paulistano, 16 de maio de 1913, na última coluna).

Participou da inauguração da estátua do Regente Feijó (1784 – 1843), na Praça da Liberdade, em São Paulo (Correio Paulistano, 25 de maio de 1913).

1914 – Valério estava visitando Barretos (SP)(Correio Paulistano, 23 de janeiro de 1914, na última coluna). De volta a Barretos, expôs no salão do Central Hotel, onde estava hospedado, vários retratos de pessoas proeminentes da sociedade da cidade (Correio Paulistano, 13 de março de 1914, na quarta coluna).

Foi exposta na Casa Alemã, em Campinas, uma fotografia realizada por Valério dos professorandos de 1914 da Escola Normal da cidade (Correio Paulistano, 12 de dezembro de 1914, na primeira coluna).

1915 - Reabertura do ateliê fotográfico de Valério na rua Quinze de Novembro, nº 43 montado segundo todas as exigências da arte moderna (Correio Paulistano, 11 de fevereiro de 1915, na primeira coluna e 13 de fevereiro, na quinta coluna).

Valério ofereceu uma prenda à barraca da Bélgica, dirigida por Gladys Nisseus de Saint Remy, na quermesse realizada no Jardim da Luz em prol dos flagelados do Norte e dos desamparados da Bélgica (Correio Paulistano, 2 de outubro de 1915, na quarta coluna).

1916 – O ateliê fotográfico de Valério ficava na rua Quinze de Novembro, porém no número 43 (Almanak Laemmert, 1917).

Havia uma letra de câmbio em um cartório na rua da Boa Vista, 58, em São Paulo sacada à vista contra Valério Vieira (O Estado de São Paulo, 28 de fevereiro de 1916, página 9, na quinta coluna).

Fotografou o polêmico médium Carlos Mirabelli (1899 – 1951) (Correio Paulistano, 18 de junho de 1916).

Recebeu pagamento da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Correio Paulistano, 6 de julho de 1916, na segunda coluna).

1917 – Realizou o quadro dos bacharelandos da Faculdade de Direito de São Paulo de 1917 (Correio Paulistano, 16 de outubro de 1917, na quarta coluna).

Falecimento de Antonio Marjues Teixeira, pai de Augusta, esposa de Valério. Ele era professor público e um dos mais antigos guarda-livros nesta capital (O Estado de São Paulo, 18 de outubro de 1917, página 3, na penúltima coluna).

1918 – Foi representado por seu filho, Roque, no enterro do italiano Vincenzo Pastore (1865 – 1918), fotógrafo que assim como Valério produzia retratos de múltipla exposição, revelando um traço de humor (Correio Paulistano, 19 de janeiro de 1918, na terceira coluna).

Com 26 anos, falecimento da única filha de Valério, Maria Catarina. Deixou uma filha, Lydia (1914 – 1993), que passou a morar com Valério e Augusta.

1921 - Pediu à Prefeitura de São Paulo auxílio para a confecção de uma nova versão do Panorama de São Paulo, apresentado na Exposição de 1908. O trabalho seria exibido na Exposição do Centenário da Independência, em 1922, no Rio de Janeiro (Correio Paulistano, 20 de janeiro de 1921, na quarta coluna30 de janeiro, na segunda coluna, 2 de fevereiro, na segunda coluna). O pedido foi autorizado pelo prefeito Firmiano de Moraes Pinto (1861- 1938) (Correio Paulistano, 18 de fevereiro de 1921).

Valério esteve no Rio de Janeiro (O Estado de São Paulo, 20 de março de 1921, página 4, na sétima coluna)

1922 - Foi inaugurada a exposição provisória do Panorama de São Paulo, na rua São Bento , nº 24, anunciada como a maior fotografia já realizada no mundo, com 16 metros (Correio Paulistano, 6 de setembro de 1922, na segunda coluna e 7 de setembro, na quarta coluna). O trabalho foi apresentado na Exposição do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, realizada entre 7 de setembro de 1922 e 24 de julho de 1923.

O ateliê fotográfico de Valério na rua Quinze de Novembro, nº 43, foi anunciado pela última vez no Almanak Laemmert de 1922.

1923 – Inauguração do Estabelecimento Modelo, novo ateliê e uma escola para fotógrafos amadores de Valério Vieira, na rua Quinze de Novembro, nº 3 (Correio Paulistano, 17 de março de 1923, na sexta coluna e A Gazeta, 19 de março de 1923, na quarta coluna).

Mudou seu estúdio para o Largo São Paulo, 16, no Cambuci.

1924 - De tuberculose, falecimento de seu filho, Raymundo Nonato (Correio Paulistano, 25 de janeiro de 1924, na terceira coluna).

Propôs à Câmara Municipal de São Paulo a execução de um quadro artístico com as fotografias dos vereadores em alto relevo (Correio Paulistano, 23 de setembro de 1924, na quarta coluna).

1925 – Realizou um painel com a legislatura de 1923 a 1926 da Câmara Municipal de São Paulo.

Fechamento definitivo de seu estúdio.

1925 / 1940 – Continuou fotografando São Paulo e estâncias próximas à cidade como Águas de Lindóia e Caxambu.

1929 – Recebeu pagamentos das secretarias da Fazenda e da Agricultura de São Paulo (Correio Paulistano, 2 de julho de 1929, na primeira coluna, e 6 de setembro de 1929, na quinta coluna).

1941 – Valério Vieira faleceu, aos 79 anos, em 26 de julho, de colapso cardíaco, e foi enterrado no cemitério da Consolação (Correio Paulistano, 29 de julho de 1941, na terceira coluna e Estado de São Paulo, 27 de julho de 1941, página 5, na quinta coluna).

1949 – Numa carta enviada por Augusto Nunes, que na época trabalhava no Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, para o compositor, ator e cantor carioca Almirante (1908 – 1980), datada de 18 de fevereiro de 1949, ele se referia a Valério como um ótimo pianista e compositor… solicitado em todos os salões

1971 – Falecimento de seu filho, Francisco.

1972 – O Panorama de São Paulo, de sua autoria, foi exposto nas comemorações do cinquentenário da Semana de Arte Moderna, no Museu de Arte de São Paulo.

1975 – Suas obras foram expostas na mostra Memórias Paulistanas, realizada pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo, entre 26 de fevereiro e 6 de março.

1977 - Em março, falecimento de seu filho Roque (O Estado de São Paulo, 6 de março de 1977, página 56).

1999 – O Panorama de São Paulo foi o grande destaque do 4º mês Internacional da Fotografia realizado no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, entre 19 de maio e 15 de julho de 1999. A exposição Valério Vieira foi organizada pelo fotógrafo Fausto Chermont (1961 -) (O Estado de São Paulo, de 19 de abril de 1999, página D5 do “Caderno 2″).

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

KOSSOY, Boris. Origens e Expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Rio de Janeiro:Funarte, 1980.

MENDES, Ricardo. O Valério cumprimenta-vos: persona e invenção na virada do século. Museu da Imagem e do Som – SP, 2006.

POLETTO, Ana Julia. Escritas de luz: o “noivado” entre palavras e imagens de Osman Lins (dissertação de mestrado). Santa Catarina:Universidade Federal de Santa Catarina, 2006.

Revista da Faculdade de Comunicação da Faap, 2º semestre de 2002.

Site de Alberto de Sampaio

Site do CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de HistóriaContemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas

VALÉRIO Vieira, Rio. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Verbete da Enciclopédia.ISBN: 978-85-7979-060-7

Para a elaboração desse texto, a Brasiliana Fotográfica também fez uma extensa pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

O carnaval nas primeiras décadas do século XX

 

Com uma seleção de fotografias produzidas nas primeiras décadas do século XX, a Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para uma viagem rumo aos carnavais de antigamente. São registros dos festejos carnavalescos feitos por A. Filgueiras, Aliwu, Augusto Malta (1864 – 1957), Guilherme Santos(1871 – 1966) e por fotógrafos ainda não identificados. O carnaval brasileiro é o maior e mais conhecido do mundo. Comemorado em todo o país nas ruas e nos clubes, nos blocos carnavalescos e nos desfiles de escolas de samba, com diversos ritmos musicais, é a festa mais popular do Brasil.

 

 

Apesar de ter origem incerta, acredita-se que o carnaval tenha surgido ainda na Antiguidade, por volta do ano 520 a. C., na Grécia. Era uma festa realizada em torno do deus Dionísio em celebração à chegada da primavera e da fertilidade. Nos primeiros anos da era cristã, a comemoração tornou-se popular na Roma Antiga.

No Brasil, teve início, em torno do século XVII, quando os portugueses introduziram o entrudo, jogo típico da região de Açores e de Cabo Verde: era uma brincadeira em que as pessoas jogavam, uma nas outras, água, ovos e farinha.

Inspirados nos costumes da França, os primeiros bailes mascarados realizados no Brasil – de que se tem notícia até hoje – aconteceram no Rio de Janeiro, em 1835, no Café Neuville, localizado no largo do Paço, e no Hotel D´Italia, na então rua Espírito Santo, perto da Praça Tiradentes ( Jornal do Commercio,  27 de fevereiro de 1835, na segunda coluna, e 5 de junho de 1835, na terceira coluna). Nesses bailes, dançavam-se ritmos não brasileiros como a valsa e a polca. Em 23 de fevereiro de 1846, foi promovido pela cantora lírica Clara Delmastro o primeiro baile mascarado em um teatro (Jornal do Commercio, de 23 de fevereiro de 1846, na primeira coluna). Aconteceu no Theatro de São Januário, que ficava na rua do Cotovelo, no Castelo, onde localiza-se, atualmente, o Palácio da Justiça.

As sociedades carnavalescas, formadas pelas elites, surgiram por volta de 1855, assim como os ranchos e os cordões, estes formados pelas camadas sociais mais populares. Os corsos tornaram-se muito populares no início do século XX: neles as pessoas desfilavam fantasiadas em carros decorados. A festa foi crescendo e, com a ajuda das marchinhas carnavalescas, tornando-se cada vez mais popular e animada.

 

Galeria do carnaval

 

Acessando o link para as fotografias sobre o carnaval disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica

O Paço, a praça e o morro

 

Será inaugurada hoje no Paço Imperial a exposição O paço, a praça e o morro, que reúne imagens que construíram a representação fotográfica do Rio de Janeiro. São 200 registros de grandes mestres da fotografia brasileira do século XIX e das primeiras décadas do século XX, como Augusto Malta, Camillo VedaniGeorges Leuzinger, Guilherme Santos, Juan GutierrezMarc Ferrez, além de trabalhos produzidos por fotógrafos ainda não identificados. As fotografias fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles e a exposição é um desdobramento da mostra Rio, primeiras poses, realizada no centro cultural do IMS na Gávea, ao longo de 2015. Desta vez, o olhar é dirigido especificamente ao território onde a cidade nasceu e a partir do qual se desenvolveu em direção a sua configuração atual de grande metrópole, reconhecida internacionalmente como sítio urbano privilegiado pela conjunção única de paisagem natural e cultural.

As profundas e constantes transformações na região central do Rio de Janeiro nos últimos 120 anos são fundamentais para se compreender a cidade dos dias de hoje. As fotografias de época reunidas nesta exposição permitem que se compreenda o processo de crescimento e expansão urbana do Rio de Janeiro. No ano em que a cidade recebe um dos mais importantes eventos mundiais, a Olimpíada de 2016, revisitar estes marcos fundadores da cidade por meio do olhar de grandes nomes da fotografia brasileira é também um convite à imersão na paisagem e na vida de uma região que novamente passa por um processo de revitalização e transformação.

Além disso, realizar esta exposição no próprio Paço Imperial permite que se lance um olhar privilegiado sobre este importante edifício, de valor referencial único na cidade. Os registros fotográficos aqui reunidos são uma oportunidade de se confrontar in loco a evolução histórica de uma importante região da cidade, formada por este edifício e seu entorno − a praça ou largo do Paço, hoje praça XV de Novembro, e o próprio marco fundador da cidade, o morro do Castelo, removido há quase um século da paisagem e, consequentemente, também da própria memória que se tem da cidade.

Centro da vida econômica, social e política do Rio de Janeiro nos seus primeiros séculos de ocupação, o Paço Imperial, a praça XV e o morro do Castelo moldaram o crescimento da cidade a partir de sua configuração geográfica e urbana original até a virada para o século XX. Nesse momento, o centro do Rio sofreu grandes transformações e intervenções urbanas, associadas às reformas realizadas pelo prefeito Pereira Passos. Os dois grandes marcos dessa transformação foram a abertura da Avenida Central e o início do “bota-abaixo”, processo de expansão, valoração, modernização e gentrificação urbana que levaria ao total desmonte do morro do Castelo no final da década de 1920.

A exposição apresenta imagens que mostram a cidade no período anterior a essas mudanças e outras que documentam e acompanham as reformas urbanas do início do século XX, em registros de fotógrafos profissionais, como Marc Ferrez, Augusto Malta e Guilherme Santos, e amadores. Ferrez e Malta construíram, com seus trabalhos, o principal legado da fotografia para a memória da cidade nesse período. Por meio das imagens aqui expostas, é possível acompanhar o processo de transformação da cidade desde a chegada da daguerreotipia ao Rio de Janeiro em 1840, pouco antes da posse, no ano seguinte, de d. Pedro II como imperador, aos 15 anos, até o final da década de 1920, momento de fortes mudanças econômicas, sociais e políticas que culminariam na revolução de 1930 e lançariam o país e a própria cidade do Rio de Janeiro na modernidade e na contemporaneidade.

Acessando o link para as fotografias do Paço Imperial, da Praça XV e do Morro do Castelo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.

 

Os teatros do Brasil

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, em 27 de março, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores fotografias de teatros brasileiros do século XIX e das primeiras décadas do século XX. São fotografias realizadas por Augusto Malta (1864 – 1957), A. Ribeiro (18? – ?), Augusto Stahl (1828 – 1877), Felipe Augusto Fidanza (1847 – 1903), George Huebner (1862 – 1935), Guilherme Gaensly (1843-1928)Marc Ferrez (1843 – 1923), Moritz Lamberg (18? – ?) e também por fotógrafos ainda não identificados.

 

 

 

O Instituto Internacional do Teatro (IIT) criou a data em 1961 e, desde o ano seguinte, o Dia Internacional do Teatro é celebrado (Jornal do Brasil, 27 de março de 1962). A comemoração conta com a realização de diversas manifestações teatrais e também com a difusão de uma mensagem, sempre redigida por uma personalidade de renome da cena teatral, convidada pelo IIT. A instituição foi fundada em Praga, em 1948, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e por personalidades do mundo teatral, durante o I Congresso Mundial do Teatro. O encontro contou com representantes da Áustria, da Bélgica, do Brasil, do Chile, da China, da Tchecoslováquia, da França, da Itália, da Polônia, do Reino Unido, da Suíça e dos Estados Unidos.

Galeria de teatros brasileiros

Acessando o link para as fotografias de teatros brasileiros disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

A fundação do Rio de Janeiro

Cidade Maravilhosa

E o Rio de Janeiro completa mais um ano… Agora são 451 anos desde sua fundação. Sua beleza e vocação exibicionista fez da cidade personagem de muitas fotografias desde o século XIX. A Brasiliana Fotográfica presta uma homenagem à cidade maravilhosa com uma seleção de 10 imagens de paisagens cariocas. São registros de Marc Ferrez (1843 – 1923) e Augusto Malta (1864 – 1957), os mais importantes fotógrafos do Rio de Janeiro no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Também convidamos os leitores para uma visita aos posts sobre os dois fotógrafos, anteriormente publicados pela Brasiliana Fotográfica: Ferrez e Malta.

Cerca de metade da produção fotográfica de Marc Ferrez foi realizada no Rio de Janeiro e em seus arredores, onde fotografou, além do patrimônio construído, a exuberância das paisagens naturais. O alagoano Augusto Malta começou a fotografar em 1900, quando trocou sua bicicleta, que usava para entregar os tecidos que comercializava, por uma máquina fotográfica. Foi, em 1903, contratado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como fotógrafo oficial, cargo criado para ele. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-Abaixo”. Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da Gazeta de Notícias, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o slogan da reforma urbana carioca. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou.

Galeria do Rio de Janeiro

Acessando o link para as fotografias do Rio de Janeiro de autoria de Augusto Malta e Marc Ferrez selecionadas para esse post e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XX

Na semana da premiação do Oscar pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, nos Estados Unidos, a Brasiliana Fotográfica destaca quatro antigas salas de cinema localizadas no Rio de Janeiro: o Pathé Palace e os cinemas Capitólio, Íris e Pathé. São fotografias produzidas pelos mais importantes fotógrafos da cena urbana carioca no século XIX – Marc Ferrez (1843 – 1923) – e nas primeiras décadas do século XX – Augusto Malta (1864 – 1957). O Pathé Palace e o Cine Pathé eram de propriedade da família do fotógrafo Marc Ferrez, que teve  participação destacada na introdução do cinema no Brasil.

Ferrez, que havia conhecido em Paris as fotografias animadas dos irmãos Lumière, decidiu investir na novidade. Apoiado pelos filhos, inaugurou , em 18 de setembro 1907, o Cinematographo Pathé, na então novíssima Avenida Central. Em sua propaganda de estreia, anunciava “projeções animadas perfeitas, interessantes e maravilhosas” (Jornal do Brasil, 18 de setembro de 1907, no pé da página). Julio Ferrez, filho do fotógrafo, firmou um contrato com a Maison Pathé-Frères, de Paris, para o fornecimento de filmes e de equipamentos para montagem de salas de cinema (Jornal do Brasil, 15 de agosto de 1907, na terceira coluna).  Em 1928, após a morte do fotógrafo, a Casa Marc Ferrez inaugurou, na Cinelândia, o Pathé Palace, em de abril de 1928, com a exibição de uma extensa programação, que incluía o filme “Paga para amar” (O Paiz, de 18 de março, na primeira coluna; de 23 de março, na terceira coluna; e de 9 e 10 de abril de 1928).

O Cinema Capitólio, também na Praça Floriano, na Cinelândia, foi inaugurado em 23 de abril de 1925 (Jornal do Brasil, 22 de abril de 1925) com a exibição do filme “A voz do minarete” e também com a execução do “Guarany” por uma orquestra. Foi construído pela Companhia Brasil Cinematographica e foi descrita pela imprensa como “uma casa de diversões que honra o grau de desenvolvimento e de cultura no Rio de Janeiro e representa, como os demais em construção, o esforço considerável de um homem de extraordinária energia, o senhor Francisco Serrador, e a sua fé viva nos negócios cinematográficos” (Jornal do Brasil, 23 de abril de 1925, na quinta coluna).

Das três salas, a única que ainda existe é o Cine Íris, fundado em outubro de 1909 como Cinematographo Soberano com a exibição de diversos filmes, dentre eles “A cidade das flores “ e “Lili Borboleta” (Jornal do Brasil, de 30 de outubro de 1909, na sétima coluna). O nome da sala de cinema foi uma homenagem de seu fundador, João Cruz Junior, a um de seus cavalos. Localizado na rua da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, em 1914, foi reformado por Jerônimo Cruz, filho do fundador, e passou a se chamar Íris (Jornal do Brasil, de 24 de agosto de 1989). Em 1982, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O prédio foi construído no estilo art-nouveau e seu interior é decorado com azulejaria e mármores portugueses, escadarias de ferro, lustres  e espelhos de cristais franceses.

 

Acessando o link para as fotografias dos cinemas cariocas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

O carnaval nas primeiras décadas do século XX

Com uma seleção de fotografias produzidas nas primeiras décadas do século XX, a Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para uma viagem rumo aos carnavais de antigamente. São registros dos festejos carnavalescos feitos por A. Filgueiras, Aliwu, Augusto Malta (1864 – 1957), Guilherme Santos(1871 – 1966) e por fotógrafos ainda não identificados. O carnaval brasileiro é o maior e mais conhecido do mundo. Comemorado em todo o país nas ruas e nos clubes, nos blocos carnavalescos e nos desfiles de escolas de samba, com diversos ritmos musicais, é a festa mais popular do Brasil.

Apesar de ter origem incerta, acredita-se que o carnaval tenha surgido ainda na Antiguidade, por volta do ano 520 a. C., na Grécia. Era uma festa realizada em torno do deus Dionísio em celebração à chegada da primavera e da fertilidade. Nos primeiros anos da era cristã, a comemoração tornou-se popular na Roma Antiga.

No Brasil, teve início, em torno do século XVII, quando os portugueses introduziram o entrudo, jogo típico da região de Açores e de Cabo Verde: era uma brincadeira em que as pessoas jogavam, uma nas outras, água, ovos e farinha.

Inspirados nos costumes da França, os primeiros bailes mascarados realizados no Brasil – de que se tem notícia até hoje – aconteceram no Rio de Janeiro, em 1835, no Café Neuville, localizado no largo do Paço, e no Hotel D´Italia, na então rua Espírito Santo, perto da Praça Tiradentes ( Jornal do Commercio, de 27 de fevereiro de 1835, na segunda coluna; e de 5 de junho de 1835, na terceira coluna). Nesses bailes, dançavam-se ritmos não brasileiros como a valsa e a polca. Em 23 de fevereiro de 1846, foi promovido pela cantora lírica Clara Delmastro o primeiro baile mascarado em um teatro ( Jornal do Commercio, de 23 de fevereiro de 1846, na primeira coluna). Aconteceu no Theatro de São Januário, que ficava na rua do Cotovelo, no Castelo, onde localiza-se, atualmente, o Palácio da Justiça.

As sociedades carnavalescas, formadas pelas elites, surgiram por volta de 1855, assim como os ranchos e os cordões, estes formados pelas camadas sociais mais populares. Os corsos tornaram-se muito populares no início do século XX: neles as pessoas desfilavam fantasiadas em carros decorados. A festa foi crescendo e, com a ajuda das marchinhas carnavalescas, tornando-se cada vez mais popular e animada.

Galeria do carnaval

 

Acessando o link para as fotografias sobre o carnaval disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.

 

 

Andrea C. T. Wanderley

Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica